terça-feira, 30 de abril de 2013

30 DE ABRIL - GEORGE BALANCHINE

EFEMÉRIDEGeorge Balanchine, de seu verdadeiro nome Giorgi Melitonovich Balanchivadze, bailarino e coreógrafo russo de origem georgiana, morreu em Nova Iorque no dia 30 de Abril de 1983. Nascera em São Petersburgo, em 22 de Janeiro de 1904.
Influenciado pelos pais, que eram compositores, Giorgi ingressou aos nove anos na Escola dos Ballets Imperiais de São Petersburgo. Depois, estudou piano, musicologia, composição, harmonia e contraponto no Conservatório de Leninegrado, o que fez com que se viesse a tornar, segundo críticos da época, o coreógrafo com mais conhecimentos musicais daquele tempo. Estreou-se como coreógrafo em 1923, com um pequeno grupo de bailarinos, e no ano seguinte, já com a sua companhia, denominada Os Bailarinos do Estado Russo, fez uma tournée pelo estrangeiro, que ele aproveitou para ficar no Ocidente e não regressar à União Soviética.
Foi então convidado por Diaghilev para ingressar nos Ballets Russos. Poria entretanto termo à sua carreira de bailarino, em virtude de uma grave lesão num joelho, que lhe limitava os movimentos. Nesta companhia, criou importantes coreografias como “La Pastorale”, “Jack in the Box” e “Triumph of Neptune”. Depois da morte de Diaghilev, os Ballets Russos desagregaram-se e Balanchine passou a trabalhar, sucessivamente, noutros projectos: em Londres, Copenhaga, Paris e Monte Carlo.  
Em 1933, emigrou para os Estados Unidos, aceitando o convite de Lincoln Kirstein, que sonhava criar uma escola e uma companhia de ballet na América. Balanchine desenvolveu uma dança totalmente nova, a partir dos estilos do ballet clássico francês, italiano e russo. Teve uma longa colaboração com Igor Stravinsky e, em 1934, fundou em Nova Iorque a School of American Ballet. Em 1948, criou o New York City Ballet, passando então a trabalhar como mestre de ballet e seu principal coreógrafo, até ao fim da vida.
Com toda a sua enorme trupe de bailarinos, mudou-se em 1964 para o New York State Theater, instalado no Lincoln Center, que fora especialmente construído para ele. Quando morreu, vítima da doença de Creutzfeldt-Jakob, os bailarinos oriundos da sua companhia dirigiam mais de dez grupos de ballet nos Estados Unidos, Suíça e Japão.
Balanchine é reconhecido como o coreógrafo que revolucionou o pensamento e a visão sobre a dança no mundo, sendo responsável pela fusão dos conceitos modernos e tradicionais do ballet clássico. Foi o verdadeiro criador do bailado contemporâneo e uma das suas figuras mais influentes.
Fez mais de quatrocentas trabalhos de coreografia, tendo criado o seu último ballet, “Variations for Orchestra”, em 1982. A sua produção incluiu ainda coreografias para filmes, óperas e espectáculos musicais.
A vida sentimental de Balanchine foi muito movimentada, tendo-se casado quatro vezes. Nos últimos cinco anos de vida, como resultado da doença que o afligia e que só seria diagnosticada depois da sua morte, foi perdendo o equilíbrio, a vista e a audição, tendo ficado paralisado em 1982. 
George Balanchine escreveu acerca do ballet: «Devemos compreender que a dança é uma arte independente e não um mero acompanhamento. É uma das grandes artes. O mais importante é o movimento em si mesmo. Um ballet pode conter uma história, mas o espectáculo visual é o seu elemento essencial». 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

29 DE ABRIL - LUÍS MIGUEL CINTRA

EFEMÉRIDELuís Miguel do Valle Cintra, actor e encenador português, nasceu em Madrid no dia 29 de Abril de 1949.
Filho do filólogo e linguista Lindley Cintra, iniciou-se no teatro em 1968, através do Grupo de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, enquanto frequentava o Curso de Filologia Românica.
Entre 1970 e 1972, estudou no Acting Technical Course da Bristol Old Vic Theatre School, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1973, fundou – juntamente com Jorge Silva Melo – o Teatro da Cornucópia, sendo seu director.
Até à década de 1980, fez críticas de teatro para o “O Tempo e o Modo”, dirigiu a “Colecção de Teatro Seara Nova” editada pela Estampa e a “Colecção de Teatro” da editora Ulmeiro, sendo professor do Conservatório Nacional (Interpretação na Escola de Teatro e Direcção de Actores na Escola de Cinema). Declamador, gravou a leitura integral de “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett e “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco, assim como poemas de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo, Luís de Camões, Antero de Quental e um sermão do Padre António Vieira.
A sua actividade teatral tem estado centrada no Teatro da Cornucópia, onde dirigiu peças de Brecht, Tchekhóv, Goethe, Molière, Ésquilo, Séneca, Sófocles, Gorki, Gil Vicente, Samuel Beckett, Shakespeare, Lope de Vega, Beaumarchais, Pier Paolo Pasolini, R. W. Fassbinder, Luís de Camões, António José da Silva, Stravinski, F. Garcia Lorca, Jean Genet, Courteline, Pierre Corneille, Luigi Pirandello, Francisco de Holanda, Raul Brandão, Calderón, etc.. Participou como actor em quase todos os espectáculos por si encenados.
Em 1984, esteve com o seu grupo no Festival de Teatro da Bienal de Veneza. Em 1988, encenou para o Festival de Avignon, com Maria de Medeiros, o espectáculo “La Mort du Prince et Autres Fragments” de Fernando Pessoa, que voltou a apresentar no ano seguinte, no Festival do Outono em Paris. Em Itália, apresentou-se com o Teatro da Cornucópia em Udine, na realização do projecto de formação de actores “L'École des Maîtres”, que lhe foi dedicado em 1991. No mesmo ano, esteve também em Bruxelas por ocasião da Europália.
Como encenador de ópera, encenou no Teatro Nacional de S. Carlos em Lisboa “L'Enfant et les Sortilèges” de Ravel em 1987, “As Bodas de Fígaro” de Mozart em 1988, “L’Isola Disabitata” de Haydn em 1997, “Jeanne d’Arc au Bûcher” de Honneger e Claudel em 2003 e “Medea” de Cherubini em 2005.
No cinema, iniciou a sua carreira em 1970, protagonizando filmes de João César Monteiro, Luís Filipe Rocha, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Manoel de Oliveira, Maria de Medeiros, Teresa Villaverde, João Botelho e John Malkovich, entre outros. Fez até agora cerca de 50 filmes como actor e foi argumentista da película “A Morte do Príncipe” de Maria de Medeiros (1991). Actor fetiche de Manoel de Oliveira, juntamente com Diogo Dória e Leonor Silveira, foi por ele dirigido em 17 filmes, sendo igualmente o narrador do seu documentário de 58 minutos “Lisboa Cultural”. 
Dos prémios que recebeu até agora, são de salientar: Prémio Bordalo da Casa da Imprensa em 1995 (Melhor Interpretação em Cinema) e em 1997 (Melhor Interpretação em Teatro); Globo de Ouro em 1999 para a Personalidade do Ano em Teatro; Globo de Ouro para Melhor Actor de Teatro, pela sua interpretação em “Esopaida ou Vida de Esopo” de António José da Silva, em 2003; Prémio Universidade de Coimbra em 2005; e Prémio Pessoa, que lhe foi atribuído pelo jornal “Expresso”, igualmente em 2005. Recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em Junho de 1998.

domingo, 28 de abril de 2013

28 DE ABRIL - FERRUCCIO LAMBORGHINI

EFEMÉRIDE Ferruccio Elio Arturo Lamborghini, industrial italiano, nasceu em Renazzo di Cento no dia 28 de Abril de 1916. Morreu em Perugia, em 20 de Fevereiro de 1993. Era dono de uma fábrica de tractores e terá entrado no ramo de carros de alta performance após divergir das opiniões de Enzo Ferrari. Foi protagonista de uma vida feita de coragem, determinação e bom senso.
Começou por aprender a arte de trabalhar a terra e, ainda muito novo, já ajudava o pai nas tarefas agrícolas do dia-a-dia. Com 14 anos, decidiu ir à procura de emprego no ofício para onde mais pendia o seu interesse. Foi para Bolonha, onde arranjou colocação como aprendiz de mecânico, com o vencimento de apenas 15 liras por semana. Estudou depois no Instituto de Tecnologia de Bolonha, tendo-se diplomado em 1939.
Entretanto, em 1936, com 20 anos de idade e já bastante conhecedor de mecânica, ingressara no serviço militar, tendo sido destacado para um centro de mecânica automóvel em Rodi, no qual teve oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre as novas tecnologias aplicadas a motores diesel, muito em voga por altura da 2ª Grande Guerra Mundial. Alcunhado pelos colegas como o “Pai Eterno”, por ele conseguir resolver sistematicamente os problemas técnicos mais delicados, ingressou posteriormente na Força Aérea Italiana, onde se inteirou das inovações técnicas deste outro sector em franco desenvolvimento. Como corolário da sua formação prática em mecânica, beneficiou também do tempo em que trabalhou com motores de veículos bélicos quando, em 1944, na condição de prisioneiro das forças militarizadas britânicas, foi obrigado a trabalhar como mecânico na ilha de Rhodes.
No pós-guerra, o Estado italiano havia reunido, em campos fechados, enormes quantidades de sucata resultante das sobras de material de guerra, que vendia a peso a quem estivesse interessado. Lamborghini, que já havia catalogado mentalmente o que poderia aproveitar para o projecto que tinha em mente, juntou o material que lhe convinha e realizou engenhosamente o seu primeiro veículo, a partir da escolha de materiais que fez nesses depósitos. Tratava-se de um híbrido, entre o tractor e o automóvel, de velocidade lenta, a que chamou “Carioche”. Uma vez concebido e melhorado, começou a construir de raiz o seu próprio “Carioche” e, dois anos mais tarde (1948), já havia fabricado e colocado no mercado 500 unidades que, ao preço de 800 mil liras, resultavam num lucro de 150 mil liras por cada unidade vendida.
Com base na experiência adquirida, fabricaria em 1949 o primeiro tractor genuinamente agrícola, já com elevador hidráulico e outros requisitos de vanguarda para a época. O modelo, bem sucedido, representou um marco na passagem da fase artesanal para a industrial. Confiante no empreendimento, com a ajuda financeira do pai, comprou 1 000 motores à Morris, tendo passado de uma garagem improvisada para instalações mais condignas. Depois de esgotado o stock dos mil motores comprados e com o modelo do tractor desenvolvido, Lamborghini começou a montar motorizações de 20 a 50 cv MWM-Benz e iniciou a construção e montagem em série de caixas sincronizadas de 4 a 12 velocidades.
Com uma boa gestão empresarial, aliada à qualidade reconhecida dos seus tractores nos principais mercados, os consequentes avultados lucros levaram o construtor italiano a diversificar os investimentos, a partir de uma segunda fábrica que fundou, dedicada à produção de ar condicionado e de equipamentos para aquecimento central. Ferruccio começava a aproximar-se, em fortuna pessoal, dos homens mais ricos do país.
Entretanto, embora se dispersasse por outras actividades industriais, concentrava prioritariamente os seus interesses nos tractores agrícolas. Em 1954, alargou a sua gama de ofertas com os primeiros tractores de lagartas. Os primeiros motores de concepção e fabrico Lamborghini desta época motorizaram também os pequenos modelos de tractores de 22 cv, de 2 cilindros, conhecidos por Lamborgninetta e que, no fim dos anos 1950, surgiram no mercado para concorrer com os tractores da mesma classe que estavam no mercado.
Na continuação das suas pesquisas, Lamborghini introduziu – em 1962 – a versão da dupla tracção na sua gama de tractores, o que – acompanhando em evolução os seus concorrentes mais próximos – também contribuiu para aumentar a sua já ampla quota de exportação.
Apaixonado por automóveis, tendo começado por alterar viaturas com aplicações "tuning", chegou a construir, a partir de um Fiat 500 Topolino, um carro veloz com o qual concorreu na prova Mille Miglia de Brescia (1948). Para além do empenho que desde sempre dedicou ao sector de veículos agrícolas, o seu interesse por automóveis levou-o a construir, com o mesmo nome da marca dos seus tractores, o automóvel que se celebrizou com a designação de Miúra, lançando no mercado do sector de automóveis de luxo o primeiro Lamborghini, modelo GTV 350, apresentado no Salão de Turim de 1963.
Entretanto, e como corolário do seu contributo para a economia italiana, enquanto industrial e empresário, Ferruccio Lamborghini foi agraciado com o título de Cavaliere del Lavoro, pelo presidente italiano, em Junho de 1969.
Nos anos 1970, desmotivado com vários contratempos e crises, resolveu descansar e viver dos seus muitos e avultados rendimentos. Vendeu o projecto automóvel a um grupo suíço e os tractores a outro fabricante. Nomeou o seu filho, como gestor das restantes empresas, o qual – saindo ao pai – se dedicou à multiplicação da herança recebida, através do fabrico e comercialização de roupas com a marca Lamborghini, através de uma cadeia de lojas de luxo.
Voltando às suas origens ligadas à terra, Ferruccio comprou uma propriedade onde, num enquadramento paradisíaco, construiu uma vivenda a condizer em grandeza e bom gosto com o ambiente que a envolvia, constituído por uma plantação de vinha a perder de vista, implantada a conselho e por orientação dos melhores peritos em vitivinicultura. O vinho produzido, lançado no mercado mundial através da Feira de Verona, com garrafas expostas por cima de automóveis Lamborghini, com manequins italianas semi-vestidas com super minissaias e decotes arrojados até ao umbigo, a darem a provar aos visitantes um vinho cunhado como sendo “o generoso sangue dos Miúra”, foi um sucesso absoluto. A produção desse ano e dos seguintes, a rondar em média as 800 mil garrafas, foi praticamente toda vendida para exportação e a um preço que só não assustava os compradores de carros da classe dos Lamborghini.
Ferruccio, aos 60 anos, era um homem feliz. Passava o tempo a olhar pela sua propriedade, afinando e reparando os tractores ou trabalhando com eles para se distrair. Muitas vezes, recebia na sua casa a nata da sociedade italiana e do resto do mundo, com quem sempre convivera e estivera ligado por razões profissionais. Morreu aos 76 anos, vítima de crise cardíaca. Como tributo à valiosa obra deixada pelo pai, Tonito Lamborghini mandou construir, em Imola, um museu aberto ao público com as principais e originais produções Lamborghini.

sábado, 27 de abril de 2013

27 DE ABRIL - ANOUK AIMÉE

EFEMÉRIDEAnouk Aimée, de seu verdadeiro nome Françoise Judith Sorya Dreyfus, actriz francesa, nasceu em Paris no dia 27 de Abril de 1932.
Filha de actores, a sua primeira actuação no cinema teve lugar aos catorze anos, em “La Maison sous la Mer” (1947). A partir de então, resolveu adoptar o nome da sua personagem – Anouk.
Após os estudos secundários, realizados em Inglaterra, estudou arte dramática e dança. Actuou depois na sua primeira longa-metragem, “La Fleur de l'âge”, um filme de Marcel Carné que nunca chegou a ser finalizado. Nessa ocasião, Jacques Prévert, que era o guionista do filme, sugeriu-lhe que acrescentasse Aimée ao seu nome artístico.
No princípio dos anos 1960, foi contratada por Federico Fellini para fazer o papel de Madalena no filme “Dolce Vita” e de Luísa na película “Oito e Meio”. Ao longo da sua carreira, entrou em mais de cem filmes e representou algumas peças de teatro.
Pelo seu desempenho no filme “Um Homem, uma Mulher” de Claude Lelouch, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actriz (1967) e foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. Em 1980, conquistou o Prémio de Interpretação Feminina no Festival de Cannes com “Salto nel vuoto” de Marco Bellocchio. Em 2002, recebeu o César de Honra e, em 2003, o Urso de Ouro (Berlim), ambos pelo conjunto da sua carreira. Tem defendido as causas da protecção da natureza e dos animais.
Casou-se três vezes: com o cineasta Nikos Papatakis, com o compositor Pierre Barouh e com o actor Albert Finney. Posteriormente, viveu com o cineasta Élie Chouraqui. Nos anos 1950, foi grande amiga de Jean Genet, Jean Cocteau e Raymond Queneau.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

26 DE ABRIL - ANITA LOOS

EFEMÉRIDE – Corinne Anita Loos, cenarista e escritora norte-americana, mais conhecida pelo seu romance “Os homens preferem as loiras” (1925), nasceu em Sisson, Califórnia, no dia 26 de Abril de 1889. Morreu em Nova Iorque, em 18 de Agosto de 1981.
Escrevia regularmente para as revistas “Harper's Bazaar”, “Vanity Fair” e “The New Yorker”. É considerada uma das melhores cenaristas da sua geração
Depois do romance já referido, escreveu o seu seguimento – “Mas casam-se com as morenas”. Adaptou para o teatro o romance de Colette, “Gigi”. Em 1912, escreveu guiões de filmes com Mary Pickford e Douglas Fairbanks. Casou-se em 1919 com John Emerson, para quem escreveu vários dos filmes que ele realizou.
A sua obra “Os homens preferem as loiras” foi adaptada ao teatro e ao cinema, a primeira vez em 1928 e, vinte e cinco anos mais tarde, em 1953.
Escreveu três livros de memórias: “A Girl Like I” em 1966, “Kiss Hollywood, Good bye” em 1974 e “Cast of Thousands” em 1977. Foi autora dos cenários de cerca de setenta filmes, entre 1912 e 1942. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 DE ABRIL DE 1974

25 ABRIL DE 1974

«a partir deste instante
a liberdade será
algo vivo e transparente
»
Thiago de Melo

O povo do meu país    era triste
como as ondas   que o vêm beijar
era um povo recalcado         um
povo oprimido.       era um povo
escorraçado      um povo vencido
mas agora      que já pode falar
(sem olhar para o lado)        e
que já pode pensar      (sem ter
medo dos outros)         - agora
que é livre -     o povo já olha
o futuro com uma certa  altivez:
recuperada a alegria imensa   de
ser português

Gabriel de Sousa

25 DE ABRIL - AGOSTINHO DOS SANTOS

EFEMÉRIDEAgostinho dos Santos, cantor e compositor brasileiro, nasceu em São Paulo no dia 25 de Abril de 1932. Morreu em Paris, em 12 de Julho de 1973. Os seus maiores sucessos foram as interpretações de músicas do filme “Orfeu Negro”.
Começou a sua carreira como crooner da Orquestra de Osmar Milani, na capital paulista. Trabalhou seguidamente para as rádios América de São Paulo e Nacional Paulista. Em 1955, foi para o Rio de Janeiro cantar na Rádio Mairynk Veiga, gravando no ano seguinte o LP “Uma Voz e seus Sucessos”, com músicas de Tom Jobim e Dolores Duran.
Nos anos 1950 e 1960, ganhou vários prémios e participou no Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (1962). Teve uma rápida passagem pelo rock and roll nos anos 1950, gravando “Até Logo, Jacaré”, versão de Júlio Nagib para “See You Later, Alligator” de Bill Halley & His Comets.
Fez várias tournées pela Europa. Faleceu aos 41 anos, vítima de um trágico acidente de aviação nas imediações do aeroporto de Orly

quarta-feira, 24 de abril de 2013

24 DE ABRIL - FÁBIO FARIA

EFEMÉRIDEFábio do Passo Faria, ex-futebolista português, nasceu em Vila do Conde no dia 24 de Abril de 1989. Anunciou o fim da sua carreira em 8 de Março de 2013, apenas com 23 anos, devido a problemas cardíacos.
Formado no FC do Porto, jogou no Rio Ave entre 2007 e 2010. No Verão de 2010, foi transferido para o SL e Benfica. Não conseguindo lugar como titular da equipa principal, foi emprestado ao Real Valladolid em Janeiro de 2011, ao FC Paços de Ferreira em 2011/2012 e ao Rio Ave em 2012.
Na hora da despedida, visivelmente emocionado, declarou: «Custou-me muito esta decisão, mas tive o apoio dos meus pais, da minha namorada, do Benfica, do Rio Ave, do meu empresário e do Sindicato». Impossibilitado de continuar a competir, Fábio Faria pretende manter-se ligado ao futebol. O próximo passo será tirar o curso de Gestão Desportiva.
Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, marcou presença na conferência de imprensa em que Fábio Faria se despediu, tendo prometido o respeito do contrato até ao fim e todo o apoio do clube nesta nova fase da sua vida.

terça-feira, 23 de abril de 2013

23 DE ABRIL - SERGUEI PROKOFIEV

EFEMÉRIDESerguei Sergueievitch Prokofiev, compositor, pianista e maestro russo, nasceu em Sontsovka, no Império Russo, no dia 23 de Abril de 1891. Morreu em Moscovo, em 5 de Março de 1953.
É um dos compositores mais conhecidos do século XX, mercê de obras como o ballet “Romeu e Julieta”, as óperas “O Amor das Três Laranjas” e “Guerra e Paz”, a composição infantil “Pedro e o Lobo” e as bandas sonoras para filmes de Eisenstein. Nos seus últimos anos, enfrentou graves dificuldades financeiras e de saúde.
Prokofiev demonstrou, ainda muito novo, ter invulgares dotes musicais, seguramente por influência da mãe que era pianista. Aos nove anos, compôs a sua primeira ópera infantil “O Gigante”. Sentindo que o isolamento do local onde viviam estava a restringir o desenvolvimento musical de Serguei, a mãe levou-o em 1904 para São Petersburgo, inscrevendo-o no Conservatório. Entre os seus professores, estava Rimsky-Korsakov. Passou nos testes de admissão e começou os seus estudos no mesmo ano. Em 1909, graduou-se em Composição e continuou no conservatório estudando Piano.
Em 1910, com o falecimento do pai, esgotou-se o seu suporte económico. Ele, no entanto, já tinha uma certa reputação como compositor. Os seus dois primeiros concertos para piano foram compostos nessa época. Fez a sua primeira tournée fora da Rússia em 1913, indo a Londres e depois a Paris. Aqui, encontrou os Ballets Russos de Diaghilev. No ano seguinte, terminou o curso do Conservatório com as mais altas classificações e o Prémio Rubenstein. Voltou a Londres, onde entrou em contacto com Diaghilev e Igor Stravinsky.
Durante a Primeira Guerra Mundial, reentrou no Conservatório, para estudar Órgão. Compôs a ópera “O Jogador”, com base na obra homónima de Dostoievski, um estudo sobre a obsessão. A estreia seria porém cancelada, devido à Revolução Russa de 1917.
No Verão do mesmo ano, compôs a sua “Primeira Sinfonia”, desenvolvida no estilo clássico em quatro andamentos. Ele estava no entanto determinado a deixar a Rússia, pelo menos temporariamente, percebendo que não tinha nenhuma oportunidade para fazer música experimental. Em Maio de 1918, mudou-se para os Estados Unidos. Posteriormente, esclareceu que «o motivo da sua saída tinha sido estritamente musical e não uma oposição ao novo regime».
Prokofiev passou a viver em São Francisco. Recebeu um contrato de produção para a sua ópera “O Amor das Três Laranjas”, que teve a estreia cancelada devido à doença e morte do realizador. Este episódio acabou por travar uma possível carreira nos Estados Unidos. Com problemas financeiros, mudou-se para Paris em Abril de 1920, visto não querer voltar à Rússia como um fracassado Retomou contacto com Diaghilev e Stravinsky, e voltou a trabalhos antigos e inacabados como o “Concerto para Piano nº 3. Para Diaghilev, compôs os bailados “Chout” e “O Passo de Aço”, apoteose do processo de industrialização que estava a ocorrer nesse momento na Rússia. “O Amor das Três Laranjas” foi estreado finalmente em Chicago, mas sem o seu acordo.  
Em Março de 1922, mudou-se para Ettal, nos Alpes da Baviera, a fim de se concentrar completamente nas composições. Nessa época, os ecos da sua música começavam já a chegar ao seu país natal mas, apesar de receber convites para regressar, permaneceu ainda no Ocidente. Em 1927, por intermédio de Diaghilev, realizou finalmente diversas tournées pela Rússia.
Em 1929, sofreu um acidente de carro e lesionou-se gravemente nas duas mãos, o que o impediu de fazer uma nova deslocação a Moscovo. Após a sua recuperação, realizou uma digressão pelos Estados Unidos, sendo calorosamente recebido, reflexo do seu sucesso na Europa. No começo da década de 1930, começou a passar mais tempo na União Soviética. Fez bandas sonoras para filmes e o ballet “Romeu e Julieta” para o Ballet Kirov, em Leninegrado.
Foi solista da Orquestra Sinfónica de Londres, em Junho de 1932, e gravou alguns dos seus trabalhos em Paris (1935). Esteve em Itália, Alemanha, Canadá e Cuba.
Em 1935, fixou-se definitivamente na Rússia. Em 1938, dirigiu a Orquestra Filarmónica de Moscovo, na gravação da segunda suite do seu ballet “Romeu e Julieta”. Compôs música infantil (para despertar o interesse das crianças pelas actividades musicais), como “Pedro e o Lobo”. Ainda em 1938, colaborou musicalmente com o célebre cineasta Eisenstein, no filme épico “Alexander Nevsky”.
Em 1941, sofreu o primeiro de uma série de ataques cardíacos. A Segunda Guerra Mundial inspirou Prokofiev a escrever mais uma ópera – “Guerra e Paz”, baseada na obra de Tolstoï, na qual trabalhou durante dois anos. Em 1943, recebeu o Premo Estaline. Mudou-se para fora de Moscovo, para compor mais tranquilamente a “Quinta Sinfonia”, cujo tema é a vitória sobre a Alemanha e que se tornaria a sua sinfonia mais popular. Valeu-lhe um novo Prémio Estaline (1945). Pouco tempo depois, sofreu nova crise e nunca recuperou totalmente, diminuindo a sua produtividade.
Ainda escreveu a “Sexta Sinfonia” e a “Nona Sonata para Piano”. Em 1947, foi proclamado Artista do Povo da URSS. Em Fevereiro de 1948, uma resolução das autoridades condenou supostas tendências formalistas e antidemocráticas de alguns músicos. A música de Prokofiev passou a ser vista como um exemplo de cosmopolitismo e os seus últimos projectos de ópera foram cancelados pelo Teatro Kirov. A sua última apresentação pública foi na estreia da “Sétima Sinfonia” em 1952. Morreu aos 61 anos, vítima de hemorragia cerebral, curiosamente no mesmo dia em que faleceu Estaline. Em 1957, o Prémio Lenine foi-lhe atribuído a título póstumo.

PARA ESQUECER A CRISE...


segunda-feira, 22 de abril de 2013

22 DE ABRIL - CARMEN DOLORES

EFEMÉRIDECarmen Dolores Cohen Sarmento, actriz portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 22 de Abril de 1924. Sua mãe era de ascendência espanhola e judaica.
Começou a ser conhecida através da rádio, onde se iniciou aos 12 anos. Aos dezanove, estreou-se no cinema como protagonista de “Amor de Perdição”, adaptação de António Lopes Ribeiro do romance de Camilo Castelo Branco. Seguiu-se “Um Homem às Direitas” (1945) de Jorge Brum do Canto, “A Vizinha do Lado” (1945) de Lopes Ribeiro e “Camões” (1946) de Jorge Leitão de Barros.
Surgiu no teatro em 1945, integrada na companhia Os Comediantes de Lisboa, sediada no Teatro da Trindade, somando êxitos sucessivos.
Casou em 1947, com Vítor Manuel Carneiro Veres que, entre outros cargos de relevo, foi Director Geral da Aeronáutica Civil. Em 1951, passou para o palco do Teatro Nacional de D. Maria II, sob a direcção de Amélia Rey Colaço, com diversos sucessos de que se salienta “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett. Em 1959, ganhou o Prémio de Melhor Actriz com a peça “Seis Personagens à procura de um Autor” de Pirandello, distinção que já recebera em 1944 com o filme “Um Homem às Direitas”.
Passou depois pelo Teatri de Sempre de Gino Saviotti, Teatro Nacional Popular de Ribeirinho e, no princípio dos anos 1960, com Rogério Paulo, Fernando Gusmão e Armando Cortez, fundou o Teatro Moderno de Lisboa, no palco do Império, facto que constituiu um marco importante na história do teatro independente, levando à cena novas encenações de peças de autores consagrados como Dostoievski, Shakespeare, Strindberg e José Cardoso Pires. Viveu depois sete anos em Paris, acompanhando o seu marido.
Na década de 1980, trabalhou no cinema com José Fonseca e Costa, em “A Mulher do Próximo” (1988) e “Balada da Praia dos Cães” (1987). Em 1998, foi dirigida por Diogo Infante em “Jardim Zoológico de Cristal” de Tennessee Williams, no Teatro Nacional.
Apareceu esporadicamente em televisão: nas telenovelas “Passerelle” (1988), “A Banqueira do Povo” (1993) e “A Lenda da Garça” (1999); e nas séries “A Viúva do Enforcado” (1993) e “Casa da Saudade” (2000).
As suas interpretações trouxeram-lhe sempre o apreço unânime da crítica. Em 1959, recebeu a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, em 2005, o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Entre as inúmeras distinções recebidas, salientam-se ainda: Prémio de Popularidade (1962) como actriz de teatro radiofónico; Prémio Nacional de Teatro e Prémio da Imprensa (1969) pela sua interpretação em “A Dança da Morte” de Strindberg; Prémio de Crítica (1985) em “Virgínia” (Vida de Virgínia Woolf) de Edna O'Brian; Medalha de Mérito Cultural (1991) da Secretaria de Estado da Cultura; Prémio da Casa da Imprensa (1998) pelo seu o trabalho em “Jardim Zoológico de Cristal” de Tennessee Williams; e o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Teatro (2003).
Em 1998, foi distinguida igualmente pela Federação Iberolatina Americana de Artistas Intérpretes ou Executantes pela sua trajectória profissional e humana. Em 2003, foi editado um CD com interpretações suas de poesia: “Poemas Da Minha Vida”. Enviuvou em 2011. 

domingo, 21 de abril de 2013

UTOPIAS

Alonso Martinez, de Barcelona, fez-me chegar por e-mail a tradução para espanhol de um poema de minha autoria.
Aqui a publico com um forte abraço de agradecimento.
G. de S.
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UTOPÍAS
-
Si yo pudiera acabar con las guerras
Pronunciando sólo una palabra…
- Si yo pudiera acabar con la pobreza
Haciendo un simple gesto…
- Si yo pudiera dar pan a los que tienen hambre
Con un truco fácil de magia…
- Si yo vaciara el poder de todos los tiranos
Como vacío el globo de un niño…
- Si yo pudiera globalizar el Mundo
Obligando los ricos a repartir con los pobres…
- Si yo pudiera transformar en flores
Todas las armas del Universo…
- Si yo hiciera aparecer sonrisas
En la boca de todos los niños…
- Si yo hiciera que, con el envejecimiento,
No vinieran enfermedades ni sufrimiento…
- Si yo acabara con la maldad
Generalizando la armonía…
- Si yo pudiera borrar todas las infelicidades
Como puedo borrar lo que escribí en este papel…
- Si yo consiguiera hacer toda la gente feliz
Tan feliz como a mí me gustaría ser…
- Si yo pudiera transformar en arcaísmos
Palabras como Maldad y Sufrimiento…
- Si yo consiguiera transformar en Cielo
El planeta en que vivimos…
- Si yo pudiera transferir hacia otras galaxias
El Infierno, los dolores y el sufrimiento…
- Ah si yo pudiera transformar el Hombre
En un Ser interiormente bello,
Entonces yo sería feliz!

Pero como simple hombre que soy,
Nada disto conseguiré hacer…
Así, inútil, moriré vencido,
Rodeado sólo de mis utopías.
Posiblemente, ni habría valido la pena haber nacido…

21 DE ABRIL - SILVANA MANGANO

EFEMÉRIDESilvana Mangano, actriz italiana, nasceu em Roma no dia 21 de Abril de 1930. Morreu em Madrid, em 16 de Dezembro de 1989.
Filha de um ferroviário siciliano e de mãe inglesa, cresceu num ambiente extremamente modesto. Apesar de tudo, começou a seguir cursos de dança clássica em Milão, custeados com muito sacrifício pela mãe. A convite do estilista francês Georges Armenkov, decidiu – após alguma hesitação – partir para França a fim de trabalhar como modelo. Seria precisamente em França que Silvana se iniciaria no cinema, sendo figurante no filme “Le jugement dernier” (1945).
Voltou a Itália e, graças à sua beleza, participou no concurso Miss Itália 1947, que foi ganho por Lúcia Bosé e em que participaram igualmente as futuras estrelas Gianna Maria Canale (2ª), Gina Lollobrigida (3ª) e Eleonora Rossi Drago, que se tornaram amigas de Silvana para o resto da vida.
Continuou a trabalhar como figurante em alguns filmes, como “Il delitto di Giovanni Episcopo” em 1947, de Alberto Lattuada, ao lado de Gina Lollobrigida. Estudou depois Declamação Teatral, onde conheceu Marcelo Mastroianni, o seu primeiro namorado.
Com apenas 19 anos de idade, protagonizou “Arroz Amargo” com Vittorio Gassman. O filme obteve um sucesso extraordinário e Silvana, graças também à sua beleza, alcançou grande êxito no mundo do cinema, sendo lançada como sex-symbol italiano do pós-guerra. Ainda em 1949, trabalhou em “Cagliostro” e, novamente com Vittorio Gassman, em “Il lupo della Sila”. Chegou depois o sucesso internacional, com os críticos americanos a compararem-na a Rita Hayworth. Nesse mesmo ano, casou-se com o produtor Dino De Laurentiis, com quem teve quatro filhos. Após o casamento e, sob conselho do marido, trabalhou com os nomes mais importantes do cinema italiano, como Federico Fellini, Vittorio De Sica, Alberto Lattuada, Marco Ferreri, Pier Paolo Pasolini, Franco Zeffirelli e Luchino Visconti. Silvana foi-se afastando gradualmente de personagens relacionadas com a sua beleza, para aparecer em papéis mais complexos e com mais nuances psicológicas. Contracenou com Raf Vallone, Alberto Sordi, Nino Manfredi, Kirk Douglas, Anthony Quinn e Anthony Perkins, entre outros.
No seu primeiro trabalho internacional, “Ulisses” (1954), ao lado de Kirk Douglas e Anthony Quinn, interpretou duas personagens. Silvana tornava-se numa diva do cinema, seleccionando as propostas recebidas, que eram muitas. No fim dos anos 1950, apesar da sua personalidade reservada, fez sucesso em papéis de comédia, provando a sua versatilidade.  
Interpretou depois o papel de uma mulher que lutou contra os nazis, em “Cinco Mulheres Marcadas” (1960), concordando em rapar o seu longo cabelo para interpretar a personagem e acabando por ser capa da revista americana “Life”. De 1967 à 1974, teve oportunidade de mostrar o seu talento de maneira definitiva.
Entre 1974 e 1984, fez um interregno na sua carreira para se dedicar à família. Como contraponto do sucesso profissional, tinha dificuldades na sua vida privada. Sentia-se cada vez mais isolada do marido e dos filhos. Deu muitas entrevistas, nas quais declarou o seu desgosto pela sua aparência física e falando também das suas persistentes insónias. A morte do filho Frederico aos vinte e seis anos (1981), num acidente aéreo no Alasca, agravou a sua depressão, acabando por se divorciar.
Depois da separação, foi-lhe diagnosticado um cancro. Retirou-se da vida pública, participando apenas no filme “Duna” (1984) de David Lynch, a pedido da sua filha Raffaella, que era a produtora. Sentindo a aproximação do fim, tornou-se amiga do ex-marido De Laurentiis e trabalhou com Marcello Mastroianni na obra-prima de Nikita Mikhalkov, “Olhos Negros” (1987). Faleceu dois anos depois, numa clínica madrilena. Fizera cerca de cinquenta filmes e deixou saudades nos cinéfilos de todo o mundo. 

sábado, 20 de abril de 2013

20 DE ABRIL - ENRIQUE SIMONET

EFEMÉRIDEEnrique Simonet Lombardo, pintor e ilustrador espanhol, morreu em Madrid no dia 20 de Abril de 1927. Nascera em Valência, em 2 de Fevereiro de 1866. 
Começou por demonstrar vocação para a vida eclesiástica, mas acabou por se dedicar à pintura, estudando na Real Academia de Bellas Artes de San Carlos em Valência. Obteve, em 1887, uma bolsa para estudar pintura na Academia de Belas Artes de Roma, onde pintou – em 1890 – a “Anatomia do coração”, também conhecida como “Ela tinha um coração” ou “Autópsia”. Esta obra trouxe-lhe fama internacional e diversos prémios Aproveitou para viajar por Itália, indo várias vezes a Paris. Em 1890, percorreu o Mediterrâneo.
Entre os diversos prémios recebidos, salientam-se os obtidos na Exposição Universal de Madrid (1892), na Exposição Universal de Chicago (1893), em Barcelona (1896) e na Exposição Universal de Paris (1900).
Em 1893 e 1894, deslocou-se a Marrocos como correspondente de guerra da “Ilustración Española y Americana”. Em 1901, obteve a cadeira de Estudos das Formas da Natureza e da Arte na Escola de Belas Artes de Barcelona, cidade onde passou a residir. 
Em 1911, tornou-se membro da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando em Madrid. De 1921 a 1922, foi director da residência El Pauylar para paisagistas. Com efeito, Enrique Simonet dedicava-se igualmente a pinturas decorativas e paisagísticas. Tornou-se entretanto professor da Escola de Pintura, de Escultura e de Gravura de Madrid, tendo falecido aos 61 anos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

19 DE ABRIL - JOSÉ ECHEGARAY

EFEMÉRIDEJosé Echegaray y Eizaguirre, engenheiro civil, matemático, político e dramaturgo espanhol, nasceu em Madrid no dia 19 de Abril de 1832. Morreu, também na capital espanhola, em 14 de Setembro de 1916.
Em 1866, foi admitido na Academia das Ciências Exactas de Madrid. Foi ministro do Comércio nos anos 1860, sendo eleito para as Cortes do parlamento espanhol em 1869. Teve um papel importante no desenvolvimento do Banco de Espanha.
Viveu um exílio temporário em Paris, durante a Primeira República Espanhola (1873/74). Voltou a Espanha, depois do golpe de estado do general Manuel Pavía em 1874, tendo sido nomeado ministro do Tesouro, cargo que voltou a ocupar de forma breve em 1904.
Juntamente com o poeta provençal Frédéric Mistral, recebeu o Nobel de Literatura em 1904, tornando-se o primeiro espanhol a ganhar este prestigiante prémio.
A sua peça mais famosa é “El gran Galeoto”, um melodrama escrito à maneira do século XIX, que trata do efeito quase letal que um boato infundado pode ter na vida de uma pessoa. A Paramount Pictures fez um filme baseado nesta obra, com o título “ The World and His Wife”. As peças de Echegaray mais notáveis são: “Santo ou louco?” (1877), “Mariana” (1892), “O estigma” (1895), “A dúvida” (1898) e “El loco Dios” (1900).

SUPORTE TÉCNICO NA IDADE MÉDIA...

COISAS DA IDADE...



quinta-feira, 18 de abril de 2013

18 DE ABRIL - ANTÔNIO FAGUNDES

EFEMÉRIDEAntônio da Silva Fagundes Filho, consagrado actor brasileiro de teatro, cinema e televisão, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de Abril de 1949.
Os pais mudaram-se para São Paulo, quando ele tinha apenas oito anos de idade, tendo morado nesta cidade durante mais de três décadas.
Descobriu os seus dons para a representar a partir da montagem de peças teatrais que fazia no Colégio Rio Branco, onde estudou.
Estreou-se na televisão em 1969, com a telenovela “Nenhum Homem é Deus” da TV Tupi. Começou na Rede Globo em 1976, com a telenovela “Saramandaia”.
Actuou vários anos (de 1979 a 1981 e de 2003 a 2007) como protagonista da série “Carga Pesada”.
Fez até agora cerca de trinta telenovelas (1969/2012) e quinze séries e programas de televisão (1978/2010), tendo feito parte do elenco de mais de vinte peças de teatro (1964/2012) e quarenta filmes (1969/2005).
Entre muitas recompensas recebidas, salientam-se – em 1985 e 1988 – os Prémios Molière, pelas suas interpretações nas peças de teatro “Cyrano de Bergerac” e “Fragmentos de um Discurso Amoroso”.
Foi casado duas vezes, tendo quatro filhos, um deles também actor (Bruno). Assumiu muito recentemente (Março de 2013) o seu relacionamento com a actriz Arieta Correa, de 36 anos. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

17 DE ABRIL - EDMONDE CHARLES-ROUX

EFEMÉRIDEEdmonde Charles-Roux, escritora francesa, nasceu em Neuilly-sur-Seine no dia 17 de Abril de 1920.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi enfermeira voluntária numa unidade da Legião Estrangeira, sendo ferida ao socorrer um legionário em Verdun. Alistou-se seguidamente na Resistência, sempre como enfermeira. Ficou a pertencer à 5ª divisão blindada, onde foi também assistente social, tendo sob a sua alçada dois regimentos, um de Cavalaria e outro da Legião Estrangeira.
Foi condecorada com a Cruz de Guerra, com várias citações, e agraciada com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra em 1945. A sua implicação junto dos legionários mais necessitados, durante mais de 60 anos, seria recompensada em 2007 com o grau de “Caporal” de Honra da Legião Estrangeira.
De regresso à vida civil, Edmonde entrou – em 1946 – para a redacção de um periódico que estava a ser criado, o semanário feminino “Elle”. Esteve nestas funções durante dois anos.
A partir de 1948, trabalhou na edição francesa do magazine “Vogue”, chegando a chefe de redacção em 1954. A sua intervenção marcou uma profunda ruptura com o anterior conteúdo e paginação desta revista. Lidou então com os artistas mais inovadores daquela época: escritores, fotógrafos e estilistas como Christian Dior, Yves Saint Laurent e Emanuel Ungaro. Deixou a “Vogue” em 1966, depois de ter tentado impor – sem sucesso – a presença de uma mulher negra na capa do magazine. Três meses mais tarde, escreveu o romance “Esquecer Palermo”, que recebeu o prestigiado Prémio Goncourt. Esta obra seria adaptada ao cinema em 1989. Ainda em 1966, conheceu o político Gaston Defferre, com quem se casou em 1973.
Seguiu-se uma brilhante carreira literária, marcada sobretudo por “Elle Adrienne”, romance publicado em 1971, “L'Irrégulière”, livro sobre a vida de Coco Chanel, editado em 1974, a biografia de Isabelle Eberhardt em dois volumes, “Un désir d'Orient” e “Nomade j'étais”, publicados respectivamente em 1988 e 1995.
Edmonde Charles-Roux é conhecida também pela publicação de fotobiografias de Gaston Defferre (“L'Homme de Marseille” em 2001) e de Coco Chanel (“Temps Chanel” em 2004). Assinou também os libretos de vários ballets de Roland Petit, entre os quais “Le Guépard et Nana”.
Membro da Academia Goncourt desde 1983, tornou-se sua presidente em 2002. Em Abril de 2010, recebeu das mãos do Presidente da República Francesa, Nicolas Sarkozy, a Comenda da Legião de Honra. Completa hoje 93 anos! 

terça-feira, 16 de abril de 2013

ACIDENTE FILMADO NA HORA (ver em ecrã grande)

16 DE ABRIL - BALTAZAR REBELO DE SOUSA

EFEMÉRIDEBaltasar Leite Rebelo de Sousa, médico, professor e político português, nasceu em Lisboa no dia 16 de Abril de 1921. Morreu, igualmente em Lisboa, em 1 de Dezembro de 2002. 
Era licenciado em Medicina e diplomado em Medicina Tropical e Medicina Sanitária. Como estudante, foi comandante do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa, tendo sido depois chefe dos seus serviços culturais e director dos serviços de intercâmbio com o estrangeiro, vindo a ocupar interinamente o cargo de comissário nacional, enquanto subsecretário de Estado da Educação Nacional, de 1955 a 1961.
Em 1953, foi eleito deputado à Assembleia Nacional pelo círculo de Évora e, em 1957, pelo círculo de Braga. Em Março de 1959, foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo e, em Janeiro de 1961, Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Foi secretário do ministro das Colónias Marcelo Caetano; dirigente corporativo; secretário-geral dos Escuteiros de Portugal; e sub-inspector médico dos Serviços Médico-Sociais e da Federação das Caixas de Previdência. Em Fevereiro de 1967, recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em Julho do mesmo ano, foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.
De 1968 a 1970, foi governador-geral de Moçambique, então colónia portuguesa. De regresso a Lisboa, foi ministro-delegado do presidente do conselho para a Emigração e ocupou as pastas da Saúde e Assistência, das Corporações e Previdência Social e, em 1973, a do Ultramar. Em Maio de 1971, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
Após o 25 de Abril de 1974, viveu alguns anos no Brasil, onde foi administrador de empresas, professor em diversas universidades e pertenceu a várias associações culturais Luso-Brasileiras, tendo recebido a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Era pai de Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido professor, jurisconsulto, político e analista político, actualmente na TVI.  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

15 DE ABRIL - CÉSAR VALLEJO

EFEMÉRIDE César Abraham Vallejo Mendoza, poeta de tendência vanguardista, unanimemente considerado pela crítica especializada como um dos maiores poetas hispano-americanos do século XX e o maior poeta peruano, morreu em Paris no dia 15 de Abril de 1938. Nascera em Santiago de Chuco, em 16 de Março de 1892.  Era de origem indígena e espanhola e teve uma vida breve e uma carreira literária curta.
Segundo o escritor uruguaio Mario Benedetti, ele foi o mais influente poeta das letras hispano-americanas, juntamente com Pablo Neruda, que costumava referir-se ao peruano como «melhor poeta do que ele próprio».
Chamado por Eduardo Galeano «o poeta dos vencidos», toda a sua vida foi marcada pela pobreza e pelo desamparo, pela condição de mestiço e de militante de esquerda perseguido. O pai tinha um emprego razoável. A família porém era numerosa e ele não podia dar uma vida confortável aos onze filhos. Apesar de tudo, em 1910, César ingressou na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Trujillo, mas não conseguiu formar-se por falta de dinheiro. Trabalhou em plantações de açúcar, onde foi testemunha da exploração dos trabalhadores. As dificuldades vividas nesses tempos marcaram as suas posições políticas.
Desde muito jovem, interessou-se pela poesia e conheceu escritores românticos, clássicos e, mais tarde, modernistas. Em 1915, conseguiu licenciar-se em Literatura Espanhola e mudou-se para a capital. Foi nomeado director de uma escola de Lima. Por essa época, conheceu o poeta anarquista Manuel González Prada e, em 1919, publicou o seu primeiro livro, “Los Heraldos Negros”, que teve muito bom acolhimento. Em 1920, numa visita à sua terra natal, no meio de uma grande confusão em que um polícia foi vítima de disparos, esteve preso injustamente durante 3 meses, perdendo o emprego.
Voltando a Lima após a prisão, publicou em 1922 o livro de poemas “Trilce”, escrito no cárcere. Obteve um novo emprego de professor, mas em breve seria demitido. Resolveu então, em 1923, incentivado por um amigo, mudar-se para Paris, onde veio a conhecer pintores e escritores como Antonin Artaud, Jean Cocteau e Pablo Picasso. Nunca mais voltou ao Peru.
Só conseguiu trabalho numa gráfica três anos depois, tendo quase morrido de fome. Conseguiu mais tarde uma bolsa do governo espanhol, a fim de terminar os estudos de Direito, que chegara a iniciar no Peru. Aprofundou também os seus conhecimentos sobre o marxismo e visitou a União Soviética por três vezes, ingressando no Partido Comunista em 1928.
Posteriormente, passou a viver com a francesa Georgette Philipart, sendo preso e expulso do país em 1930, possivelmente por razões políticas. Tendo vivido exilado em Espanha, conseguiu permissão para regressar a Paris, onde já estava Georgette, que voltara em 1931. Já durante a Guerra Civil Espanhola, engajou-se prontamente na causa republicana, à distância, escrevendo propaganda e dando aulas de doutrina política. Chocado com os horrores da guerra, que pôde ver numa breve visita a Madrid, escreveu o livro militante, de tom profundamente sofrido, “España, aparta de mí este caliz”, que só foi publicado postumamente em 1939, bem assim como um livro de 54 poemas “Sermón de la barbarie”, escrito na mesma época.
Casou-se em 1934 com a sua fiel companheira Georgette, mas a sua situação financeira continuava crítica, mesmo após ter conseguido um novo lugar de professor. Quando morreu em Paris, de uma febre misteriosa e com diagnóstico pouco preciso, estava na condição de “pessoa extremamente pobre”.
César Vallejo é um escritor tido como essencial para a história da literatura universal no século XX, principalmente pela sua obra poética. O seu livro “Trilce” (1922) pode ser considerado como uma das mais importantes obras da literatura mundial. A sua leitura não é no entanto simples, a menos que se esteja familiarizado com a oralidade, os arcaísmos e cultismos da língua castelhana, e com os recursos expressivos usados por diversas vanguardas poéticas.
Publicou também contos, ensaios, um romance e várias peças teatrais, com boa aceitação, mas só publicados depois de vencer muitos obstáculos. Os seus poemas escritos na década de 1930, extremamente profundos, foram reunidos em livro, sob o título “Poemas humanos”. Marcados pela dor, apontam a solidariedade como antídoto para o sofrimento.
Além de livros de poemas inéditos, César Vallejo deixou outras obras acabadas mas não publicadas, entre as quais alguns romances, dramas e ensaios. A magnitude da sua poesia fez com que o pensador e poeta Thomas Merton o tenha referido como «o mais importante poeta universal depois de Dante».

domingo, 14 de abril de 2013

14 DE ABRIL - MAIAKOVSKI

EFEMÉRIDE – Vladimir Vladimirovitch Maïakovski, poeta, dramaturgo e teórico russo, morreu em Moscovo no dia 14 de Abril de 1930. Nascera em Bagdadi, em 7 de Julho de 1893. É frequentemente referenciado como um dos maiores poetas do século XX, bem como “o maior poeta do futurismo”.    
Passou a infância na aldeia de Bagdadi, nos arredores de Kutaíssi, na Geórgia, então no Império Russo. Ali fez os primeiros estudos. Depois da morte súbita do pai em 1906, a família ficou na miséria e transferiu-se para Moscovo, onde Vladimir continuou a estudar.
Fortemente impressionado pelo movimento revolucionário russo e impregnado desde cedo por obras socialistas, ingressou aos quinze anos na facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Detido por duas vezes, foi solto por falta de provas mas, em 1909/1910, passou onze meses na prisão, aproveitando para se iniciar na poesia. Entrou em 1911 na Escola de Belas Artes, onde conheceu David Burliuk, que o ajudou no desenvolvimento da sua veia poética. Os dois amigos fariam parte do grupo fundador do chamado Cubo Futurismo Russo. Foram expulsos da Escola de Belas Artes. Procurando difundir as suas concepções artísticas, realizaram diversas viagens pela Rússia.
Após a Revolução de Outubro, todo o grupo manifestou a sua adesão ao novo regime. Durante a Guerra Civil, Maïakovski dedicou-se a fazer desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início da consolidação do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc. Fundou, em 1923, a revista “LEF”, que reuniu a “esquerda das artes”, isto é, os escritores e artistas que pretendiam aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social.
Viajou pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos. Viajou também pela Europa Ocidental, México e Estados Unidos. Entrou em choque frequente com os “burocratas” e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Foi homem de grandes paixões, arrebatado e lírico, épico e satírico ao mesmo tempo.
A sua obra, profundamente revolucionária, tanto na forma como nas ideias que defendeu, apresenta-se coerente, original, veemente e una. A linguagem que emprega é a do dia a dia, a par de uma constante elaboração, que vai desde a invenção vocabular até a um inusitado arrojo nas rimas. O seu primeiro livro de poemas, no entanto, seria de estética influenciada pelo simbolismo e nunca chegaria ao público, tendo sido escrito quando o poeta estava na prisão e apreendido pela polícia no momento da sua libertação.
Na década de 1910, passou a escrever num estilo aproximado do Cubismo e do Futurismo, repleto de imagística urbana e surpreendente, com um certo ar impressionista e, ainda, simbolista. Esta fase da sua poesia é a mais apreciada por outros poetas, como Boris Pasternak, porque continuava a manter – em certos poemas – recursos simbolistas e uma métrica rigorosa.
Em seguida, já na década de 1920, a sua poesia, apesar de ser uma continuidade no que diz respeito à inovação rítmica, a rimas, ao uso da fala quotidiana e mesmo de imagens inusitadas, assumiu um tom mais directo. Ao mesmo tempo, o gosto pelo desmesurado e pelo hiperbólico, aliou-se nesta época à dimensão crítico-satírica. Criou longos poemas, quadras e dísticos que se gravavam na memória. Era um perfeccionista rigoroso, chegando a reescrever dezenas de vezes o mesmo verso e recolhendo muito material informativo e linguístico para posterior utilização. Escreveu igualmente ensaios sobre a arte poética e artigos curtos de jornal; peças de forte sentido social e rápidas cenas sobre assuntos do dia; guiões de cinema arrojados e fantasiosos e breves filmes de propaganda. Teve influência profunda em todo o desenvolvimento da poesia russa moderna, bem como sobre poetas e movimentos de todo o mundo.
Suicidou-se com um tiro no coração em 1930. Dois dias antes, escrevera o seu epitáfio: «Não acusem ninguém pela minha morte. O defunto tem horror dos mexericos. As dores, as angústias e as acusações recíprocas que vão para o diabo. Sejam felizes !». Seria encontrada também a seguinte nota: «Como se costuma dizer, assunto arrumado. Peço perdão à minha mãe, irmãs e amigos. Não recomendo isto a ninguém, mas para mim é o único caminho possível.». Estaline ordenou que fossem feitos funerais nacionais para aquele que qualificaria mais tarde de «Poeta da Revolução». Vladimir estaria porém a ser pressionado pelos autoridades oficiais, que desejavam instaurar uma literatura simplista e dita realista e perseguiam antigos poetas revolucionários como o próprio Maïakovski

sábado, 13 de abril de 2013

JOSÉ VASCONCELOS NO PROGRAMA DE JÔ SOARES


13 DE ABRIL - MÁRIO CRESPO

EFEMÉRIDEMário Crespo, jornalista português, nasceu em Coimbra no dia 13 de Abril de 1947. Notabilizou-se como correspondente da RTP em Washington e Nova Iorque, entre 1991 e 1998.
Passou a infância e a juventude em Lourenço Marques (hoje Maputo). Estudou no Liceu Salazar, vindo depois para Lisboa, onde residiu no Colégio Universitário Pio XII. Em 1969, matriculou-se em Engenharia no Instituto Superior Técnico, desistindo um ano depois. Chamado a cumprir o serviço militar obrigatório em 1970, foi transferido para Moçambique, a seu pedido, em plena guerra da independência. Em 1972, foi colocado no Gabinete de Imprensa Militar do general Kaúlza de Arriaga, como intérprete. Com o desenrolar da guerra, foi integrado no Comando das Cargas Críticas, que controlava as cargas de cimento provenientes da Beira, para a construção da barragem de Cahora Bassa. Posteriormente, foi colocado no Agrupamento de Engenharia em Tete. Frequentou também o curso de Medicina na Universidade de Lourenço Marques, mais tarde Universidade Eduardo Mondlane, que abandonou no 4º ano.
Com a Revolução dos Cravos em Portugal e a instabilidade que esta gerou em Moçambique, partiu para Joanesburgo em Setembro de 1974, acompanhado da mãe, sem quaisquer pertences. Em Joanesburgo, nesse mesmo ano, iniciou a carreira jornalística como estagiário da South African Broadcasting Corporation, onde viria a ser chefe de redacção. Anos mais tarde, a estação abriu um canal de televisão, na qual Mário Crespo também chegou a trabalhar. Cessou funções em 1981, indo para os Estados Unidos, onde arranjou emprego como tradutor na Voz da América, funções que deixou pouco tempo depois.
Em 1982, regressou a Lisboa, ingressando na redacção da RTP, onde viria – em 1986 – a apresenta o jornal “Sumário” na RTP2. Em 1989, então a apresentar o “Jornal das Nove”, transmitido nas noites da RTP2, saiu da estação para dirigir o jornal “A Capital”, a convite de Pinto Balsemão. Em 1990, apresentou na RTP1 o “Jornal de Sábado”. Com o começo da Guerra do Golfo, em 1991, foi destacado como correspondente da RTP em Israel.
Pouco tempo depois, regressou a Lisboa, sendo nomeado correspondente da RTP nos EUA. Trabalhou numa empresa dependente da Eurovisão, como chefe de agência em Washington e correspondente em Nova Iorque. Conseguiu uma credencial permanente da Casa Branca, após um longo processo de ano e meio que incluiu uma investigação do FBI acerca da sua vida durante os vinte anos anteriores. A credencial permitia-lhe assistir aos briefings e conferências de imprensa da Presidência, na Casa Branca, do Departamento de Estado e do Pentágono. Durante este período em Washington, surgiram uma série de desentendimentos entre Mário Crespo e a RTP, dos quais se salientam várias denúncias de Mário Crespo à administração da RTP por ter detectado irregularidades entre aquele canal e a empresa portuguesa Telepromo em Newark, como abuso de confiança, gestão danosa, prática de preços duas ou três vezes acima do valor de mercado, débito de serviços não prestados, entre outras. O responsável da Telepromo negou as irregularidades, assim como alguns dos visados da RTP. José Eduardo Moniz, então director-coordenador da RTP, abriu um inquérito que resultou na cessação do contrato com a Telepromo. Três anos após ter denunciado as irregularidades e, apesar do contrato com a Telepromo ter cessado, Mário Crespo continuou a verificar algumas irregularidades, como a continuação de serviços prestados pela empresa à RTP e o respectivo envio de facturas. Devido a isso, em Julho de 1994, entregou um dossier com documentos sobre as irregularidades à Procuradoria-Geral da República. Este processo acabou por ser arquivado. Apesar de terem sido provadas as irregularidades, não foi provada a intencionalidade de as praticar por parte dos visados.
A RTP deixou de pagar o salário e as despesas de Mário Crespo em 1998, vendo-se este obrigado a regressar a Portugal. Como o contrato que celebrara ainda não tinha terminado (faltava ano e meio) e não lhe atribuíam quaisquer funções, meteu um processo em tribunal contra a RTP que, anos mais tarde, teve de lhe pagar uma indemnização. A RTP acabou por o colocar num edifício fora da redacção e sem quaisquer funções, recebendo cerca de um terço do salário que recebia em Washington. Foi também alvo de alguns processos disciplinares por parte da RTP. Durante esse período, deu aulas na Universidade Independente.
Em Agosto de 2000, após receber confirmação de que podia ingressar na redacção da SIC Notícias como editor de jornalismo internacional, apresentou à RTP uma carta de demissão com justa causa, por não ter funções atribuídas, demissão essa que a RTP não aceitou. Estreou-se na SIC Notícias em Janeiro de 2001.
Entre Janeiro e Maio de 2009, conduziu o programa de entrevistas “Mário Crespo entrevista”, transmitido no canal de sinal aberto SIC. Actualmente, é o pivô do “Jornal das 9 da SIC Notícias, um jornal com formato semelhante ao “Nightline da American Broadcasting Company (ABC), transmitido diariamente às 21 horas. O “Jornal das 9 é composto, na primeira parte, pelo telejornal com pelo menos um convidado e, na segunda parte, denominada “Frente-a-Frente”, por um debate sobre notícias da actualidade, entre dois comentadores também convidados. Apresenta ainda o programa de reportagens “60 Minutos”. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

12 DE ABRIL - JOE LOUIS

EFEMÉRIDE – Joseph “JoeLouis Barrow, pugilista norte-americano, morreu em Las Vegas no dia 12 de Abril de 1981. Nascera em La Fayette, no Alabama, em 13 de Maio de 1914.
Ainda como amador, venceu – por KO – 43 dos cinquenta combates que disputou. Passou a profissional em 1934 e veio a ser considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos, conservando o título de pesos pesados durante doze anos (1937/49), defendendo-o em 25 combates, dos quais 22 foram ganhos por KO. Um desses combates, contra o alemão Max Schmelling, em 1938, marcou a sua carreira. Foi uma desforra de dois anos antes, quando Louis sofreu uma das três derrotas da sua carreira profissional. Esta derrota ganhara também contornos políticos, visto Hitler a ter utilizado como propaganda nazi, «por provar que a raça ariana era superior às outras». Louis venceu desta vez e manteve o seu título de campeão mundial. Durante a Segunda Grande Guerra, como sargento, fez 96 exibições para gáudio de mais de dois milhões de soldados americanos.
Interrompeu depois a carreira por cerca de dois anos. Quando voltou a calçar as luvas, fez dez combates na tentativa de reconquistar o título mundial. Conseguiu oito vitórias, mas perdeu com Ezzard Charles, em 1950, anunciando então que não combateria mais. No ano seguinte, porém, enfrentou Rocky Marciano e perdeu por KO. «Sou seu fã» disse Marciano, após o combate. O motivo pelo qual Joe aceitara lutar com Rocky Marciano tinha sido o facto de estar com problemas financeiros, em virtude de um golpe bancário aplicado pelo sócio do seu empresário.
Nos anos seguintes, Joe Louis tornou-se árbitro e começou a consumir cocaína, tendo sido hospitalizado para tratamento. Esteve também internado para ser tratado de distúrbios nervosos. Começou a ter alucinações, dizendo que a Máfia o estava a tentar matar com gás venenoso. Certa vez, ao entrar num quarto de hotel, tapou todas as entradas de ar com maionese. Chegava a montar uma tenda em cima da cama, para se sentir mais protegido. Morreu aos 66 anos, vítima de ataque cardíaco. Curioso notar que Max Schmelling se tornara entretanto amigo de Joe Louis, ao ponto de custear alguns dos seus tratamentos e mesmo o seu funeral.
A revista “Ring Magazine” elegeu-o como Boxeur do Ano em 1938, 1939 e 1941. Joe Louis foi designado como Boxeur do Século em 1981. A cidade de Detroit, onde ele morou quase sempre, construiu um memorial em sua honra. A um pavilhão multiusos, na mesma cidade, foi dado o seu nome. É membro do International Boxing Hall of Fame desde a sua criação em 1990.

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