segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDE Nicholas Sparks, romancista norte-americano, nasceu em Omaha, no Nebraska, em 31 de Dezembro de 1965.
Passou a sua juventude em Fair Oaks, na Califórnia, vivendo actualmente na Carolina do Norte. Foi premiado com uma bolsa de estudos da Universidade de Notre Dame pelos seus excelentes resultados e, em 1988, licenciou-se em Economia. Curiosamente, o seu sonho era ser atleta de alta competição, sonho que teve de abandonar devido a um grave acidente. Iniciou-se na literatura enquanto trabalhava como delegado de informação médica. Antes, trabalhou na restauração e foi vendedor imobiliário. Escreveu dois primeiros livros que ainda estão inéditos e assim irão permanecer segundo declarações do autor. Theresa Park, agente literária, propôs-lhe começar a representá-lo e logo vendeu os direitos do seu primeiro romance “O Diário da Nossa Paixão” à Warner Books. Este livro esteve durante 56 semanas nos Tops americanos. Em 1996, ao publicar “O caderno de Noah”, Sparks tornou-se milionário do dia para a noite. Depois, o romance “Uma carta de amor” vendeu mais de dois milhões de exemplares e foi levado ao cinema, com um elenco de luxo (Kevin Costner e Paul Newman). Cada livro tem constituído um sucesso editorial de grandes proporções. “As Palavras que Nunca te Direi” foi adaptado também ao cinema pelo próprio autor.

domingo, 30 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDE Heiner Müller, um dos principais dramaturgos da República Democrática Alemã, director de teatro, poeta e anarquista, morreu em 30 de Dezembro de 1995, vítima de doença oncológica na garganta. Nascera em Eppendorf, na Saxónia, em Janeiro de 1929. O teatro de Müller é na maioria das vezes constituído pela reescrita de mitos antigos.
Ingressou no Partido Socialista Unido da Alemanha em 1947 e na Associação de Escritores Alemães em 1954. A partir dos anos 1960, várias das suas obras foram censuradas, o que o levou a trabalhar com companhias e grupos teatrais da Alemanha Ocidental, nos anos 70 e 80. Adquiriu grande prestígio internacional o que lhe trouxe uma maior aceitação na Alemanha Oriental.
Em 1986 foi admitido na Academia das Artes de Berlim Ocidental. Recebeu os Prémios Henrich Mann em 1959 e Kleist em 1990. Em 1992 foi convidado para assumir a direcção do Berliner Ensemble, antiga companhia teatral de Brecht. Em 1995, pouco antes da sua morte, foi nomeado seu director artístico.
No seu livro “Germânia”, defendeu que o capitalismo e o socialismo, mostrando embora duas maneiras diferentes de controlar a produção económica e de assegurar a disciplina no trabalho, levavam a que muita gente pusesse em questão a validade dos conflitos que opõem aquelas duas ideologias , porque por vezes estão demasiadamente próximas.

sábado, 29 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDEJeanne-Antoinette Poisson, marquesa de Pompadour, conhecida sobretudo como Madame de Pompadour, nasceu em Paris, no dia 29 de Dezembro de 1721, tendo morrido em Versalhes, em 15 de Abril de 1764, vítima de congestão pulmonar.
Filha de um oficial, expulso de França após um escândalo financeiro, pode dizer-se que ela foi criada para ser amante do rei Luís XV. Teve aulas de línguas e de piano, até ser apresentada ao rei pelo tutor. Tornou-se amante real e chegou a conselheira do rei, vindo a ser uma das mulheres mais poderosas da sua época. Elegante, bela e inteligente, engenhosa e determinada, também fria, calculista e manipuladora, ela influenciava politicamente as decisões reais.
Incentivou a fundação da célebre fábrica de porcelanas de Sèvres e, na realidade, era ela que governava Versalhes, concedendo audiências a embaixadores e tomando decisões sobre a concessão de favores.
A rainha e o Delfim pressionaram o rei para que ele cessasse aquela ligação e acabaram por o fazer ceder, depois de vários anos de resistência. A partir de 1752, “Madame de Pompadour” passou a desempenhar também o papel de proxeneta, fornecendo ao rei mulheres jovens e raparigas.
Em 1753, Luís XV comprou o Hotel de Évreux, conhecido hoje como Palácio do Eliseu, para fazer dele a residência parisiense de Madame de Pompadour. Esta manteve sempre relações amigáveis com a rainha e com os ministros, que a visitavam nos seus apartamentos. Favoreceu vários artistas e escritores e “deu a sua opinião favorável” para a construção da Praça Luís XV, em Paris, actual Praça da Concórdia.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

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Veja se consegue...

BAÚ DE RECORDAÇÕESNúmero especial de “Paris Match” (1988) para relembrar o ano de 1968 e, sobretudo, o “Maio de 68”, vinte anos volvidos.
1968, o ano de todos os perigos - Bob Kennedy foi assassinado como o tinha sido seu irmão, tanques do Pacto de Varsóvia acabaram com um “certo sonho” que germinava na Checoslováquia, no México os Jogos Olímpicos transformaram-se numa tribuna política do “Poder Negro” e na Nigéria imagens de crianças do Biafra faziam lembrar o holocausto. Entretanto a Europa está próspera, mas a juventude aborrece-se da vida que leva e quer mostrar a sua cólera. «Faz o amor e não a guerra» e «É proibido proibir» são slogans da época.
Uma foto corre mundo - um polícia sul-vietnamita abate um prisioneiro, com as mãos amarradas, em plena rua, com um tiro na cabeça; na África do Sul efectua-se o primeiro transplante do coração; morre Gagarine o primeiro astronauta; Luther King é assassinado, Maurice Chevalier apaga as suas "80 velas" em plena forma e toma-se conhecimento da explosão da primeira bomba atómica francesa.
Em França, a contestação começa - as universidades são ocupadas, nada escapa à fúria desta “nova esquerda”. Nem a esquerda tradicional nem a extrema-esquerda. De Gaulle furioso declara que o «tempo do recreio tinha acabado», mas enganava-se… Durante algumas horas ignorou-se mesmo o paradeiro de Charles de Gaulle que afinal estaria fazendo o périplo dos comandos militares, incluindo numa base na Alemanha, para se assegurar do apoio das forças armadas.
Levantam-se barricadas no Quartier Latin, os sindicatos aderem ao movimento e há uma greve geral. Paris está a arder na verdadeira acepção da palavra. A Sorbonne é o quartel-general dos insurrectos que se organizam em comum: creches, cantinas, postos médicos, enfermarias e autodefesa.
Operários ocupam muitas fábricas. A revolta alarga-se a várias cidades francesas. Danos incalculáveis mas apenas cinco mortos.
Em Paris, 9 000 toneladas de lixo apodrecem ao sol. Os supermercados esvaziam-se rapidamente porque todo o mundo quer ter provisões em casa. A gasolina foi racionada. Os bancos condicionam o levantamento de dinheiro. Filas intermináveis.
Quando tudo acabou, para o bem e para o mal, nada seria como antes.
BAÚ DE RECORDAÇÕES – o “Paris Match” de 16/11/1984 dedicou onze páginas ao desaparecimento da Primeira-ministra indiana Indira Gandhi, vítima de atentado. A Índia chorava a sua «mãe e a unidade ameaçada». Filha do Pandita Nehru, ela herdou o apelido Gandhi de seu marido e não como erradamente se julga do herói nacional Gandhi, o homem do pacifismo e da independência indiana. Pura coincidência. Após a cremação, as suas cinzas percorreram todo o país em doze urnas, antes de serem dispersas nos Himalaias, junto da província de Caxemira, onde ela vinha tantas vezes para períodos de reflexão.

EFEMÉRIDEDaniela Perez, actriz brasileira, foi assassinada no Rio de Janeiro, em 28 de Dezembro de 1992. Nascera, também no Rio, em 11 de Agosto de 1970. Os autores do crime foram o ex-actor Guilherme de Pádua e sua mulher Paula Nogueira Thomaz, que lhe fizeram uma emboscada e a mataram com dezoito facadas. O casal de homicidas, poucas horas depois de terem atirado o corpo para um matagal, foram abraçar e “demonstrar” solidariedade para com a família de Daniela, o que indignou os brasileiros. Foram condenados a 19 anos de prisão, mas só cumpriram seis.
Graças aos esforços da mãe de Daniela (Glória Perez), foi feita a primeira “emenda popular” da História do Brasil. Ainda que a mudança da lei não tenha abrangido este crime, a partir daí o homicídio qualificado passou a ser punido com mais rigor.
Daniela Perez entrara em quatro telenovelas: Kananga do Japão (1989), Barriga de Aluguer (1990), O Dono do Mundo (1991) e De Corpo e Alma, cujas filmagens ainda decorriam.
A possível mistura entre realidade e ficção foi considerada como uma das causas da tragédia. Emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas, dedicaram os seus espaços mais nobres a este crime. Edições especiais e suplementos foram publicados por vários jornais e revistas. A importância dada ao crime ofuscou um outro acontecimento ocorrido na mesma ocasião: o impeachment do presidente Collor de Mello. Ao funeral compareceram milhares de fãs da actriz.
Pressionada pela multidão e pela intensa vigilância da imprensa e da televisão, a polícia, que já tinha libertado Guilherme de Pádua, voltou a prendê-lo. A ele se juntou sua mulher que, entretanto, estivera alguns dias numa clínica recuperando de uma ameaça de aborto, visto que estava grávida. Segundo a lei então vigente, eles poderiam ter aguardado o julgamento em liberdade, mas a polícia justificou a sua prisão porque eles, em liberdade, "corriam o risco de ser linchados".
O crime nunca foi completamente elucidado, pois apresentaram-se testemunhas falsas, talvez atraídas pelos focos da televisão, enquanto outras testemunhas que pareciam importantes não quiseram vir a público. Os criminosos chegaram a acusar-se mutuamente de ter cometido o crime, para assim um deles ser ilibado. Como justificação acusaram Daniela de assédio sexual. O casal acabou por se divorciar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDE Louis Pasteur, cientista francês, químico e físico de formação, pioneiro da microbiologia, nasceu em Dole, no dia 27 de Dezembro de 1822. Morreu em Marnes-la-Coquette, em 28 de Setembro de 1895.
Iniciou os seus estudos no Colégio Royal em Besançon, transferindo-se para a Escola Normal Superior de Paris em 1843, a fim de estudar química, física e cristalografia. Após a licenciatura, foi professor de química em Dijon e Estrasburgo. Em 1854, foi nomeado deão da Faculdade de Ciências na Universidade de Lille. Em 1862, foi eleito para a Academia das Ciências.
A pedido dos vinicultores e cervejeiros, começou a investigar a razão pela qual os vinhos e as cervejas azedavam. Utilizando o microscópio, conseguiu identificar a levedura responsável pelo processo. Propôs eliminar o problema, aquecendo a bebida lentamente até alcançar 57° C, matando deste modo as leveduras e encerrando o líquido posteriormente em cubas hermeticamente seladas, para evitar uma nova contaminação. Este processo está na origem da actual técnica de pasteurização dos alimentos.
Em 1871, Pasteur obrigou os médicos dos hospitais militares a ferver os instrumentos e restante material utilizado nos actos médicos, para evitar contaminações.
Expôs a "teoria germinal das doenças infecciosas", segundo a qual uma doença infecciosa tem a sua causa num micróbio com a capacidade de propagar-se entre as pessoas. Deve procurar-se cada micróbio responsável para se determinar um modo de combatê-lo. Investigou também os “microscópicos agentes patogénicos”, acabando por descobrir diversas vacinas, em especial uma contra a raiva, que lhe valeu a consagração mundial. Fundou em 1888 o Instituto Pasteur, um dos mais famosos centros de pesquisa da actualidade.
Diga-se como curiosidade que existem, em França, 2 020 ruas com o seu nome.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

NOVO CARTÃO DE CIDADÃO

Veja o vídeo de apresentação do novo cartão de cidadão em :

http://www.cartaodecidadao.pt/cartao_2007.html
BAÚ DE RECORDAÇÕESNúmero especial de “Football Magazine” de Janeiro de 1967, dedicado aos grandes acontecimentos de 1966. Honra de capa para o nosso Eusébio “o Rei dos Marcadores” do Mundial.
Boby Charlton tinha sido “Bota de Ouro”; Beckenbauer afirmava-se como a coqueluche do futebol alemão e Eusébio e Pelé eram considerados dois fenómenos do futebol mundial.
Portugal, que chegou a Inglaterra “tímido e na ponta dos pés, observador atento e incluído num grupo terrível (Brasil, Hungria e Bulgária)”, só seria batido pelo país anfitrião e nas meias-finais. A equipa era construída a partir do esqueleto do Benfica, o “melhor clube português” (sic). A vitória sobre a Coreia do Norte por 5-3, depois de Portugal estar a perder por 0-3, também não foi esquecida. E novos apontamentos acerca de Eusébio: o casamento com Flora, uma jovem ginasta moçambicana; um novo contrato com o Benfica; o “2º Melhor Europeu” em votação do “France Football”, com apenas menos um ponto que Boby Charlton e à frente de Moore, Yachine, Farkas, etc., depois de ter sido “Bota de Ouro” em 1965.
Ainda uma palavra para Coluna, que estabelecera um novo recorde de internacionalizações (47) à frente de Virgílio (39) e de Travassos (35).
Otto Glória deixava o Sporting e Guttman o Benfica.
Desportivamente, Portugal era notícia, pela positiva!

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O bebé e o seu rival...

EFEMÉRIDEJosé Manuel Ramos Horta, político e jurista, actual Presidente da República Timorense, nasceu em Dili, Timor Oriental, em 26 de Dezembro de 1949. Filho de mãe timorense e de pai português, ali exilado pelo regime fascista de Salazar, foi educado numa instituição religiosa. Em virtude das suas actividades independentistas esteve exilado em Moçambique entre 1970 e 1971.
Ocupou o cargo de Ministro das Relações Exteriores no governo auto-proclamado em 1975, após a Revolução dos Cravos em Portugal, tinha então 25 anos de idade. Três dias antes da invasão indonésia deixou o território com destino a Nova Iorque, onde foi explicar a situação de Timor-Leste nas Nações Unidas.
Em 1996, partilhou com o seu compatriota Bispo Ximenes Belo o Prémio Nobel da Paz, atribuído pelo trabalho desenvolvido por ambos na procura de uma solução pacífica e justa do conflito com a Indonésia.
José Ramos Horta estudou Direito Internacional na Academia de Direito Internacional de Haia e na Universidade de Antioch nos Estados Unidos, onde completou o mestrado em Estudos da Paz, bem como uma série de outros cursos de pós-graduação sobre Direito Internacional e Paz.
Foi Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação desde a independência até 2006, Ministro interino da Defesa em 2005/2006 e, antes, fora membro destacado e porta-voz da resistência timorense no exílio, durante a ocupação indonésia entre 1975 e 1999.
Foi primeiro-ministro de Timor em 2006/2007, sendo eleito Presidente da República em 9 de Maio de 2007, sucedendo no cargo a Xanana Gusmão.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

BAÚ DE RECORDAÇÕES – Na “Flama” de 5/8/1966, homenagem à equipa portuguesa de futebol, pela sua brilhante actuação no Mundial 66. Alguns dos nomes que ficaram para a posteridade: José Augusto, Torres, Eusébio, Coluna, Simões, Germano, Graça, Festa, Hilário, Vicente e José Pereira. O treinador era, como agora, um brasileiro – Otto Glória. A imagem acima correu mundo: Eusébio a chorar depois de Portugal ter sido vencido pela Inglaterra nas meias-finais. Ficaríamos em 3º lugar, ao vencer a URSS por 2-1. Como (bela) consolação, Eusébio sagrou-se como o melhor marcador deste Mundial.
EFEMÉRIDEIngrid Betancourt Pulecio, personalidade política franco-colombiana, nasceu em Bogotá, no dia 25 de Dezembro de 1961. Foi raptada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em 23 de Fevereiro de 2002, quando fazia campanha para as eleições presidenciais. Era senadora e activista anti-corrupção. Mantém-se cativa até hoje, apesar de uma importante mobilização internacional ao longo de mais de cinco anos.
Passou parte da sua infância em Paris, onde o pai tinha um lugar na UNESCO. Foi depois para a Colômbia, regressando a França quando seu pai foi nomeado embaixador junto da mesma organização.
Voltou à Colômbia, viveu o divórcio de seus pais e tornou a partir para França, para entrar no “Instituto de Estudos Políticos”. Casou com um francês de quem teve dois filhos. Em 1990, divorciou-se e ingressou no ministério das Finanças colombiano. Foi eleita deputada em 1994 e criou um partido (Oxígeno Verde) em 1998, ano em que foi eleita senadora.
Em 23 de Fevereiro de 2002, as autoridades recusaram a Ingrid a possibilidade de viajar por via aérea, com os jornalistas que acompanhavam o presidente Pastrana, numa visita a San Vicente del Caguán. Em campanha presidencial, ela decidiu partir por terra para não faltar com o seu apoio ao presidente da câmara daquela localidade, que era membro do seu partido. O governo preveniu-a da presença de guerrilheiros naquela zona, mas ela insistiu em partir assinando mesmo uma declaração de responsabilidade. Passou por várias barragens de homens das FARC sem problemas até que numa foi feita prisioneira.
Em 2003, houve uma tentativa de libertação que fracassou. Um avião de transporte francês aterrou em Manaus, no Brasil, a pedido da família de Ingrid, segundo a qual ela estaria prestes a ser libertada. A missão foi de tal modo secreta que nem o Brasil nem o próprio primeiro-ministro francês estariam ao corrente dela, o que provocou diversos incidentes diplomáticos e políticos.
Em 2007, um refém que conseguiu fugir revelou que ela estava viva e já tentara escapar por cinco vezes. Isto fez recrudescer os movimentos a favor da sua libertação. Em Novembro, foi difundido um vídeo em que ela apareceu extremamente magra, de cabeça baixa e com os cabelos bastante compridos, o que veio confirmar que Ingrid está viva. No dia 1 de Dezembro, tanto o governo colombiano como a guerrilha fizeram saber que veriam com bons olhos um maior empenho do presidente francês Sarkozy, o que este fez enviando várias mensagens aos reféns e às FARC, pedindo para que a deixassem passar o Natal deste ano já com a família. Neste momento, espera-se (ou desespera-se…).

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

BAÚ DE RECORDAÇÕES – A revista “Paris Match” de 13/11/1981 consagrou a capa e mais de trinta páginas à vida e morte de Georges Brassens, célebre poeta e cantor francês. Brassens quis viver discretamente e morrer com discrição. Segundo dizia, os poemas e as canções eram apenas um meio que ele tinha encontrado para alargar o seu círculo de amigos. Morreu aos 60 anos.
EFEMÉRIDEAva Lavinia Gardner, famosa artista norte-americana, nasceu em Grabtown, na Carolina do Norte, em 24 de Dezembro de 1922. Faleceu em Londres, no dia 25 de Janeiro de 1990.
O seu cunhado, que era fotógrafo em Nova Iorque, encheu as vitrinas do seu estúdio com fotos de Ava, que tinha então 16 anos. Essas fotos foram vistas por um funcionário da Metro Goldwyn Mayer que aconselhou o fotógrafo a enviar algumas dessas fotos para a empresa. O director gostou e convidou-a para Hollywood, onde ela chegou em Agosto de 1941. Fez um teste e obteve um contrato de sete anos a 50 dólares semanais. Ava Gardner, que já fora modelo, começou a estudar com professores de dicção para perder o forte sotaque sulista e seguiu cursos de arte dramática. Fez vários pequenos filmes onde, porém, nem sequer aparecia na ficha técnica e nos cartazes.
Casou-se com Mickey Rooney em 1942, mas o casamento duraria apenas dezasseis meses, em virtude de brigas constantes. Novo casamento, agora com um músico, que também não deu certo e acabou um ano depois. Contraiu o seu terceiro e último matrimónio em 1951 com Frank Sinatra, tendo-se divorciado em 1957, após três anos de “reflexão”, mantendo no entanto uma profunda amizade por toda a vida.
O seu nome só começou a aparecer nos genéricos dos filmes em 1944, começando a afirma-se como “mulher fatal” e começando a receber os aplausos da crítica. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Continuou a ter dificuldades em ser considerada sobretudo como artista. Tivesse ela um bom ou mau desempenho, o público via em Ava apenas o sinónimo de sex-appeal. Para ele bastava a sua presença. Seguiram-se vários filmes em que contracenou com actores famosos, como Clark Gable, Gregory Peck e Robert Mitchum.
Depois de conhecer Sinatra, os êxitos não pararam. Entrou pela primeira vez num filme a cores e descobriu a Europa, sobretudo Inglaterra e Espanha que iriam marcar a sua vida. Fascinada pela Espanha, instalou-se neste país em 1955 e apaixonou-se pelo toureiro Luis Miguel Dominguin, tendo finalmente uma relação mais calma do que as anteriores. O seu nome já tinha ultrapassado fronteiras. Foi nomeada para os Óscares e entrou em muitos filmes.
O seu melhor filme estava ainda para vir : o papel de Maria Vargas em “A Condessa descalça”. As candidatas a este filme eram muitas, mas o realizador Mankiewicz só a quis a ela. A produtora MGM “emprestou-a”, mas por uma fortuna. O filme constituiu o apogeu da sua carreira. Também a reter, como um dos seus melhores filmes, “A noite da iguana” de John Houston.
Ava Gardner instalou-se finalmente em Londres a partir de 1968, participou em várias séries de televisão, adoeceu em 1986 e morreu quatro anos mais tarde, vítima de pneumonia.

domingo, 23 de dezembro de 2007

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Tinha de haver uma razão para o Pai Natal não ter respondido...

EFEMÉRIDEAnton Herman Gerard “Anthony” Fokker, pioneiro da aviação, industrial e construtor de aviões holandês, morreu em Nova Iorque, no dia 23 de Dezembro de 1939. Nascera em Kediri, a leste de Java, Índias Holandesas, actual Indonésia, em 6 de Abril de 1890.
Aos quatro anos, a família voltou à Holanda a fim de poder proporcionar uma melhor educação aos seus dois filhos. Anthony, porém, cedo mostrou que não era muito inclinado para os estudos, interessando-se mais por comboios e motores a vapor. Por isso, seu pai enviou-o em 1910 para a Alemanha a fim de estudar mecânica. Entusiasmou-se com a aviação, mudou de escola e, nesse mesmo ano, construiu a sua primeira aeronave “Spinne” (Aranha), que foi destruída por acidente. Obteve a sua licença de piloto com o segundo “Spinne”.
Ganhou renome depois de construir o terceiro aparelho e de, com ele, ter voado à volta da torre de uma igreja. Obteve ainda mais sucesso ao sobrevoar as celebrações do aniversário da rainha Wilhelmina.
Em 1912 fundou, perto de Berlim, a sua primeira empresa - a Fokker Aeroplanbau. Construiu vários aviões e mudou a fábrica para Schwerin.
Quando da Primeira Guerra Mundial, o governo alemão requisitou a fábrica, mantendo Fokker como director. Assim, ele pôde projectar vários aviões para a força aérea alemã. Inspirando-se num projecto do francês Roland Garros, desenvolveu mesmo um dispositivo que permitia disparar a metralhadora através das lâminas da hélice. Teria fabricado cerca de setecentos aviões para os alemães.
Acabada a guerra e visto que o Tratado de Versailles interditava à Alemanha o fabrico de aviões e motores, voltou à Holanda, onde criou a antecessora da Fokker Aircraft Company. Conseguira trazer da Alemanha por comboio, clandestinamente, alguns aviões militares e respectivas peças, o que lhe facilitou o recomeço da actividade, muito embora se dedicasse a partir daí a aviões civis.
Em 1922, mudou-se para os Estados Unidos, tendo obtido a nacionalidade americana anos mais tarde. O “Holandês voador”, como era conhecido, morreu bastante novo (49 anos) devido a complicações numa operação cirúrgica.

sábado, 22 de dezembro de 2007

BAÚ DE RECORDAÇÕES – “Última Hora” (jornal do Rio de Janeiro) de 10 de Junho de 1980. Encontrava-me no Brasil, quando a notícia se abateu sobre o país. Vinícius de Moraes morrera aos 66 anos. Aquela tinha sido a primeira noite sem o Poeta. Na véspera, ele assistira a um show de Toquinho e estivera com ele até três horas antes da sua morte, compondo musiquinhas infantis. Presentes no funeral muita gente do mundo cultural, Chico Buarque, Elis Regina e tantos outros. O também poeta Carlos Drummond de Andrade afirmou então que «nada sabia dizer de Vinícius, no momento em que ele se tornara uma estrela no céu».


BAÚ DE RECORDAÇÕES – Número especial do ”L’Équipe” (1989) dedicado a Marcel Cerdan, desaparecido num acidente com um Constellation de nacionalidade francesa, que embateu no Pico Redondo nos Açores, em Outubro de 1949. A tripulação julgava estar a fazer a aproximação de Santa Maria, quando afinal sobrevoava a Ilha de São Miguel. Pela revista desfila toda a vida do campeão francês de boxe, assim como dos seus amigos, família, adversários e mesmo de alguns açorianos que viveram o acidente de perto. Curiosamente, a sua morte tinha sido anunciada na primeira página de um número do “Mundo Desportivo” de Novembro de 1946 (três anos antes). Com efeito, um outro avião despenhara-se em Limoges e tinha sido dada como certa a sua presença a bordo. Marcel Cerdan pudera, assim, ler em vida o seu elogio fúnebre…
BAÚ DE RECORDAÇÕES – Em “A Capital” de 21/11/1977, a notícia da tragédia: 130 mortos e 34 feridos num acidente de aviação no Funchal. Um Boeing 727 deslizara desgovernado ao longo da pista e caíra sobre uma ponte, incendiando-se. Foi o primeiro acidente da companhia de bandeira portuguesa. Conhecia pessoalmente a hospedeira Gilda Varela Cid que, em tempos, tinha sido assistente de terra no aeroporto de Lisboa. Entre os sobreviventes, uma criança de tenra idade que foi encontrada, sem qualquer escoriação, no meio de um bananal. A equipa de futebol do “Barreirense”, que se deslocava ao Funchal para defrontar o “Nacional”, salvou-se por ter apanhado o avião da véspera, o mesmo não tendo acontecido com a equipa de arbitragem, que pereceu no acidente.
EFEMÉRIDE Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, jurista, filósofo, matemático e escritor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro, no dia 22 de Dezembro de 1979. Nascera em Maceió, de parte prematuro, apenas com seis meses de gestação, em 23 de Abril de 1892. «Naquela época não havia incubadoras, vivi entre algodõezinhos e os cuidados de minha mãe», contava ele.
Muito jovem, aprendeu com frades franciscanos latim, alemão e grego, discutindo com eles temas de teologia e chegando a pôr em questão a existência do Criador, para desespero dos religiosos. Mais tarde foi um fervoroso cristão, mas fazia questão em lembrar que o facto se devia à sua vivência e não a ter sido convencido pelos frades.
Licenciou-se em Direito em 1911, na Faculdade de Direito do Recife. Tendo-se depois mudado para o Rio de Janeiro, enviou um artigo para o Jornal do Commércio, de onde o chamaram alguns dias mais tarde. Deram-lhe uma sala para exercer a profissão de advogado e convidaram-no para escrever artigos jurídicos.
Foi eleito em 1979 para a Academia Brasileira de Letras. Gostava também de pintar e esculpir em madeira. Fez experiências em biologia e, quando de uma visita de Einstein ao Brasil, nos anos 20, analisou em alemão a Teoria da Relatividade. O matemático Godel perguntou-lhe então
«Porque perde o seu tempo com as leis?...».Além de ter publicado livros de Poesia, escreveu vários outros de Matemática, Sociologia, Psicologia, Política, Filosofia e Direito. Parte das suas obras foi traduzida para alemão, francês, espanhol e italiano. Escreveu o primeiro livro aos dezoito anos. Em 1922, dois anos antes de se tornar juiz de Direito, escreveu “Sistema de ciência positiva do direito”, que teria destaque internacional. Para produzir esta obra, consultou 1 618 livros. “O Tratado de Direito Privado”, com 60 volumes e 30 mil páginas, concluído em 1970, é a sua obra mais conhecida.
Foi premiado por duas vezes, na década de 1920, pela Academia Brasileira de Letras. É o autor de pareceres mais citado na jurisprudência brasileira.
A sua biblioteca pessoal, constituída por cerca 16 000 volumes e respectivos ficheiros, foi integrada no Supremo Tribunal Federal. Desde 1990, as suas obras vêm a ser actualizadas e republicadas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

CANÇÃO DE NATAL

Escute esta bela canção em francês "Crianças da Palestina ou Crianças de Israel", sincronizada com o respectivo texto:
http://www.csdraveurs.qc.ca/musique/noel/enfants_chant.html
EFEMÉRIDEJane Seymour Fonda, actriz e produtora norte-americana, nasceu em Nova Iorque, no dia 21 de Dezembro de 1937. Tornou-se famosa não só pelo seu talento e beleza, mas também pelo seu apoio às causas feministas e pelo seu activismo político nos anos 1960/1970, em que não hesitou em se posicionar contra a Guerra no Vietname. Chegou a ir a Hanói, onde visitou prisioneiros de guerra e posou sentada num canhão antiaéreo norte-vietnamita.
Antes de começar a sua carreira cinematográfica, foi modelo, sendo fotografada para revistas de moda e aparecendo nas capas de diversas revistas importantes, entre elas a “Vogue”. No início dos anos 1960, frequentou o Actor´s Studio, que já formara muitos actores, entre os quais James Dean e Marlon Brando. Começou por fazer comédias românticas e, em 1965, entrou no filme “Dívida de Sangue”, que ganhou cinco Óscares. A partir daí, não pararam os sucessos e, ao participar em Barbarella, uma comédia erótica de ficção científica, dirigida pelo então seu marido Roger Vadim, tornou-se num ícone do feminismo e num símbolo sexual do cinema.
Actriz de muita qualidade, tanto brilhava em comédias como em dramas. Ganhou dois Óscares de “Melhor Actriz” em 1971 e 78, tendo sido nomeada seis vezes. Foi indicada cinco vezes para o “Globo de Ouro”, tendo vencido em 1971, 1977 e 1978.
Afastou-se do cinema em 1990, dedicando-se desde então a escrever, a ser conselheira de educação física e a colaborar em muitas acções filantrópicas. Um dos seus livros foi vendido em 17 milhões de exemplares. Casou-se com Ted Turner, um magnata da imprensa, que era dono da CNN, tendo-se divorciado em 2001.
Em 2005, regressou excepcionalmente ao cinema, após quinze anos de afastamento, contracenando com Jennifer Lopez numa comédia. Sempre politicamente muito activa, criticou duramente Bush pela sua intervenção no Iraque e pela má gestão da crise provocada pelo ciclone Katrina. Luta agora pela consolidação da Paz e pela resolução do conflito israelo-palestino. De tempos a tempos aparece em folhetins de televisão. Vive em Atlanta.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A todos desejo um Feliz Natal
EFEMÉRIDE Arthur Rubinstein, pianista polaco de origem judaica, morreu em Genebra, no dia 20 de Dezembro de 1982. Nascera em Lódź, em 28 de Janeiro de 1887. Foi um dos melhores pianistas do século XX, tendo sido aclamado internacionalmente pelas suas interpretações de Chopin e de Brahams.
Deu o seu primeiro concerto em 1894, portanto com sete anos. Em 1898, o violinista Joachim tomou-o sob a sua protecção e enviou-o para estudar na Hochschule für Musik de Berlim. Começou a sua carreira na Alemanha, mas rapidamente passou a actuar noutros países, nomeadamente na Polónia.
Durante a adolescência não frequentou o liceu, mas o seu preceptor deu-lhe uma cultura de tal modo sólida, que Rubinstein, aos 14 anos, já lia literaturas polaca, russa, francesa, inglesa e alemã, nas línguas originais.
Em 1904, actuou em Paris. Quatro anos mais tarde, cheio de dívidas e deprimido, tentou suicidar-se. Tentativa falhada, certamente como sinal do destino, porque logo ali começou a sua verdadeira carreira internacional, actuando nos Estados Unidos, Austrália, Itália, Rússia e Inglaterra. Durante a Primeira Guerra Mundial viveu sobretudo em Londres e fez várias tournées por Espanha e pela América do Sul, que lhe permitiram um melhor conhecimento de compositores como Falla, Granados, Albeniz e Villa-Lobos. Este último, aliás, dedicou-lhe uma composição. Foi necessário, porém, esperar por 1930 para que o pianista tivesse um verdadeiro renome internacional.
Durante a Segunda Guerra Mundial instalou-se nos Estados Unidos, naturalizando-se mesmo americano em 1946. Recusou voltar a actuar em solo alemão após o Holocausto, mas continuou a percorrer o mundo durante trinta anos. Executou o seu último concerto em 1976, em Londres. Rubinstein contribuiu bastante para a valorização da obra de Chopin. Para ele, o pianista deve reflectir a mensagem do compositor que está a interpretar, senão está a actuar como qualquer robot o poderia fazer.
Publicou a sua biografia em 1980 e morreu em 1982, aos 95 anos, sempre jovem e cheio de humor, mas quase cego. Tendo-lhe sido feita a pergunta «Acredita no Além?», ele respondeu «Não, mas seria uma boa surpresa para mim!». Um ano depois da sua morte, uma urna contendo as suas cinzas foi enterrada em Israel, num terreno a ele dedicado e que ficou a ser conhecido como “Floresta Rubinstein”.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

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Olhe bem a menina a andar de bicicleta...

EFEMÉRIDEÉdith Giovanna Gassion, conhecida como Édith Piaf, cantora francesa, nasceu em Paris no dia 19 de Dezembro de 1915. Morreu em Grasse, em 10 de Outubro de 1963. A maioria das suas canções expressa as tragédias da sua própria vida. Entre os maiores sucessos, que perduram até hoje, contam-se : "La vie en rose" (1946), "Hymne à l'amour" (1949), "Milord" (1959) e "Non, je ne regrette rien" (1960). Participou em peças teatrais e em filmes.
A mãe cantava nas ruas e em cafés e o pai era contorcionista de circo. Foi criada pela avó materna, de origem árabe. Falta de higiene e biberões molhados em vinho tinto, eram o dia-a-dia da pequena bebé, coberta de eczema e magríssima. O pai, quando duma saída breve do regimento onde estava alistado, mudou-a para a avó paterna, patroa de um bordel. Apesar de tudo, foi ali que conheceu o carinho, o carinho das prostitutas que também lhe matavam a fome. Quando acabou a Primeira Guerra Mundial, o pai recomeçou a sua vida circense e Édith fazia-lhe já companhia, ajudando-o. Em breve cantaria sozinha pelas ruas de Paris. Aos 17 anos, apaixonou-se e teve uma filha que morreria de meningite fulminante aos dois anos de idade. Em 1935, o dono de um cabaré iniciou-a na vida artística, baptizando-a de “Môme Piaf” que, em calão francês, significa pequeno pássaro, pardalito. Estreou-se com sucesso e em breve gravava discos, utilizando já o nome artístico “Édith Piaf”. Em 1937, tornou-se uma grande vedeta da Canção Francesa, sendo muito divulgada pela rádio e adorada pelo público.
Apresentou-se nas melhores salas e, em 1940, representou uma peça teatral que Jean Cocteau escrevera especialmente para ela. Em 1941, entrou num filme com Paul Meurisse, seu companheiro de então. Em 1944/45, perdeu os pais e começou a escrever canções, com o auxílio de compositores para a parte musical. Actuou pelo mundo fora por várias vezes e ajudou muitos jovens artistas, entre os quais Yves Montand, Georges Moustaki e Charles Aznavour.
Durante a ocupação nazi, continuou a actuar mas nunca pactuou com os alemães. Em 1948, conheceu o pugilista Marcel Cerdan que seria o grande amor da sua vida, mas que desapareceria num desastre com um avião francês nos Açores, quando regressava a Paris após um combate em Nova Iorque.
Em 1959, desmaiou durante uma actuação nos Estados Unidos. Em 1961, a pedido do empresário que explorava o Olympia de Paris, deu uma série de espectáculos para salvar a sala de um desastre financeiro. Ela salvou o Olympia mas teve dificuldades em se manter de pé e em mexer-se, conseguindo cantar graças a importantes doses de morfina.
Em 1962, com 47 anos, esgotada, doente e drogada, casou com Théo Sarapo, um jovem cantor de 26 anos que ela tentava lançar, cantando por vezes com ele em dueto. No princípio de 1963, gravou a sua última canção “O homem de Berlim”.
Édith Piaf foi sepultada no mais célebre cemitério francês – o “Père Lachaise” de Paris. O seu funeral foi acompanhado por uma multidão raramente vista na capital francesa. O seu túmulo é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro. Sarapo morreria sete anos mais tarde e seria enterrado junto de Édith. Dela disse a célebre artista Marlene Dietrich: «A única palavra que pode substituir a palavra Paris é a palavra Piaf». Édith escreveu uma autobiografia e foi objecto de cerca de vinte biografias escritas por vários autores.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

BAÚ DE RECORDAÇÕESParis Match de 8/4/1977. A maior catástrofe aérea do século: dois gigantes dos ares, com 300 toneladas cada um (Boeing 747), colidiram em plena pista de descolagem, transformando-a numa paisagem lunar, coberta de destroços. Num dos aviões 396 pessoas, noutro 249. Quase seiscentas vítimas no aeroporto de Tenerife. O avião holandês aprestava-se para descolar, já em plena aceleração; o avião americano atravessou-se na pista inopinadamente. Havia bruma, 250 metros de visibilidade e ausência de vento. Três explosões e um incêndio medonho. Alguns passageiros conseguiram fugir através de buracos abertos nos aviões, muitos deles com as roupas a arder e só com os sapatos intactos.
EFEMÉRIDESteven Allan Spielberg, cineasta e produtor de cinema norte-americano, nasceu em Cincinnati, no dia 18 de Dezembro de 1946.
As suas três irmãs foram por ele utilizadas como “cobaias” nos primeiros filmes que fez, ainda criança (doze anos), com uma máquina de filmar “Super 8”. De família judaica, Spielberg teve sempre interesse em abordar como temas a 2ª Guerra Mundial e as perseguições aos judeus. Um dos exemplos é o filme “A Lista de Schindler”, considerado como a mais fiel descrição do terror nazi.
Em 1969, fez a sua primeira curta-metragem (Amblin) que ganhou vários prémios em festivais e lhe proporcionou um contrato de sete anos com a “Universal”, onde teve a possibilidade, em 1971, de dirigir a sua primeira longa-metragem. Quatro anos mais tarde, com “Tubarão” conquistou as plateias do mundo inteiro. Seguiram-se numerosos sucessos, entre os quais: “E.T. - O Extraterrestre”, “Os Caçadores da Arca Perdida”, “Jurassic Park” e “O Resgate do Soldado Ryan”. Com “A Lista de Schindler” ganhou o seu primeiro Óscar pela realização, tendo voltado a vencer em 1998, com “O Resgate do Soldado Ryan”. Estes dois filmes receberam igualmente os “Globos de Ouro”, em 1994 e 1999.
Em Janeiro de 2001, foi condecorado com o título de Cavaleiro do Império Britânico e, em 2004, com a Legião de Honra Francesa.
Spielberg declarou querer descansar um pouco, depois de ter rodado “A Guerra dos Mundos” e “Munique”. Pretende desenvolver um projecto de biografia de Abraham Lincoln, ideia que o “persegue” há vários anos. Um novo filme de “Indiana Jones” deverá também sair no próximo ano. Uma nova aventura de “Tintin”, célebre personagem de banda desenhada de Hergé, não está fora de questão, mas sem data marcada.
Em muito dos seus filmes, desenrolam-se relações entre pai e filho ou, mais geralmente, entre adulto e criança. Há quem veja nisto as consequências do divórcio dos pais, que teve como resultado a ausência paterna no seu desenvolvimento.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

BAÚ DE RECORDAÇÕESParis Match de 16/03/1974. Durante muito tempo, a alusão era recorrente: «Quando um Jumbo com quase quinhentos passageiros a bordo cair será terrível!». E a tragédia, infelizmente, aconteceu. Um DC-10 turco despenhou-se na floresta de Ermenonville, em França, fazendo 345 vítimas mortais.

BAÚ DE RECORDAÇÕESParis Match de 16/03/1968. Dois repórteres desta revista constavam da lista de vítimas de um acidente com um Boeing francês em Pointe-à-Pitre, nas Antilhas Francesas. Hubert Herzog e Tony Saulnier tinham-se deslocado à ilha da Páscoa para estudar as civilizações que antecederam os incas e fazer diversas reportagens. Pessoalmente, conhecia perfeitamente o comandante deste avião, Pierre Viard, que escalava muitas vezes o aeroporto de Lisboa.


EFEMÉRIDEErskine Caldwell, escritor americano, nasceu em Moreland, Geórgia, no dia 17 de Dezembro de 1903. Faleceu em Paradise Valley, no Arizona, em 11 de Abril de 1987.
Originário do Sul dos Estados Unidos, Calwell descreveu nas suas obras a miséria dos camponeses que viviam da colheita do tabaco e do algodão.
Como muitos dos escritores americanos, levou uma vida aventureira e desempenhou os ofícios mais díspares: foi maquinista de teatro, marinheiro, futebolista profissional (futebol americano), cultivador, empregado de café e jornalista.
A maneira como descreveu a miséria infinita e os comportamentos no limite da humanidade chocaram as “Ligas virtuosas” por um lado e alguns habitantes do Sul por outro, que sentiram aquelas descrições como uma traição de um dos seus.
Violência absurda, erotismo, humor macabro e situações patéticas fizeram de Caldwell o escritor mais censurado dos Estados Unidos.
Escreveu também novelas e deixou, num dos seus livros, várias observações de correspondente de guerra. Com a sua mulher, que foi uma fotógrafa célebre, publicou em 1937 “You have seen their Faces”, onde conta os problemas rurais na América durante a depressão. Publicou igualmente 25 volumes de “American Folkways” (1945-1955), onde descreveu várias regiões dos Estados Unidos e as suas diversidades culturais.
Os seus livros, recordistas de vendas, foram traduzidos na maioria das línguas. O livro “God's Little Acre” foi vendido em mais de 40 milhões de exemplares.

domingo, 16 de dezembro de 2007

«MENINO DE ENCANTAR»

I

Irás morrer numa cruz,
Meu Menino de Encantar,
Porque ninguém viu a luz
Espelhada em teu olhar!

II

Meu Menino de Encantar,
Com olhar já tão profundo,
Decerto a imaginar
Como trazer Paz ao Mundo…
*

III

No Presépio do Natal
Só tu não podes faltar
És figura principal
Meu Menino de Encantar

Gabriel de Sousa

* Menção Honrosa no 12º Concurso Internacional de Quadras Natalícias – 2007 (Fuzeta)


EFEMÉRIDEWilliam Somerset Maugham, notável romancista e dramaturgo britânico, morreu em Saint-Jean-Cap-Ferrat, no dia 16 de Dezembro de 1965. Nascera em Paris, em 25 de Janeiro de 1874.
O pai era jurista da Embaixada Britânica em Paris, razão pela qual viveu em França até à morte dos progenitores. Foi então enviado para Inglaterra para junto de um tio. Estudou em regime de internato, sendo ridicularizado pelos companheiros, por não dominar bem a língua inglesa, por gaguejar e por ser muito baixo. Foi para a Alemanha durante um ano, onde estudou literatura, filosofia e alemão na Universidade de Heidelberg. Naquele país conheceu, John Ellingham Brooks, um inglês dez anos mais velho que ele, com quem teve a sua primeira experiência homossexual.
De volta a Inglaterra, Maugham, que tinha começado a escrever quando tinha quinze anos, refreou o seu entusiasmo pela Literatura, a fim de estudar Medicina, de acordo com os desejos do seu tutor. Embora não tenha seguido a carreira médica, sempre considerou que a experiência lhe tinha sido útil para a vida literária.
Aos 40 anos já era famoso, com dez peças teatrais e dez romances publicados. Não se alistou na Primeira Guerra Mundial, mas serviu em França como membro da Cruz Vermelha, juntamente com um grupo de 23 conhecidos escritores. Foi neste período que conheceu um jovem americano de São Francisco, que viria a ser seu companheiro até à morte dele em 1944.
Em 1915, foi trabalhar para a Suiça, recolhendo informações para os serviços secretos, experiência que também o inspirou em alguns romances de espionagem. O romance “Servidão Humana”, publicado em 1915, foi considerado pela crítica da época como um dos mais importantes do século XX.
Em 1928, ficou residência em França, adquirindo uma propriedade na Riviera. Teve ao longo da vida uma produção literária prodigiosa, escrevendo também ensaios e livros de viagens. Quando da ocupação da França pelos alemães, Maugham já era um dos escritores de língua inglesa mais famosos do mundo e igualmente um dos mais ricos. Refugiou-se nos Estados Unidos, onde ganhou bom dinheiro com a adaptação cinematográfica de muitas das suas obras. Foi para Inglaterra quando acabou a guerra e, em 1946, voltou a fixar-se em França. Apesar da sua inclinação sexual, Maugham teve um casamento, que acabou em divórcio, mas de que nasceu uma filha.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDEÓscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, célebre arquitecto brasileiro, um dos nomes mais influentes na arquitectura moderna internacional, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de Dezembro de 1907, completando portanto HOJE o seu centenário. Casou e teve uma filha que já lhe deu cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos. Após o casamento, começou a trabalhar na tipografia de seu pai, ao mesmo tempo que entrava para a Escola Nacional de Belas Artes, onde se licenciou como “engenheiro arquitecto” em 1934. É de sua autoria, em parceria com outros arquitectos, o edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio, construído a pedido de Getúlio Vargas. O edifício está assente sobre pilares, permitindo o trânsito de pessoas por baixo do mesmo.
Em 1940, Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, que queria desenvolver uma área a norte da cidade. Kubitschek pediu-lhe para projectar uma série de prédios que seriam conhecidos como “conjunto da Pampulha”, obra que seria o seu primeiro grande trabalho individual.
Pelo seu modernismo, as suas obras estiveram quase sempre envoltas em polémicas. Assim aconteceu com a Igreja de São Francisco de Assis (Belo Horizonte), em que a hierarquia católica se negou a benzê-la.
Niemeyer dava formas sinuosas aos seus prédios, mas apressava-se a escrever enormes justificações para descrever as funções de cada curva do edifício. É autor de muitos projectos, pelo Brasil fora, aliando-se muitas vezes a outros artistas, autores de painéis de mosaicos, murais, etc.
Em 1947 obteve o reconhecimento mundial, ao ser convidado juntamente com outros arquitectos, para o projecto da sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
Em 1952, construiu a sua própria casa no Rio - a Casa das Canoas, que ficaria a pertencer anos mais tarde à Fundação com o seu nome.
Juscelino Kubitschek, eleito presidente do Brasil em 1956, voltou a chamá-lo, agora para a direcção da Novacap, empresa urbanizadora da nova Capital, um projecto destinado a mover a capital nacional para uma região despovoada do centro do país. Niemeyer abriu um concurso para o projecto urbanístico de Brasília e o vencedor foi o seu antigo patrão e grande amigo, Lúcio Costa. Niemeyer ficou com os projectos dos prédios e Lúcio Costa com o plano da cidade. Em poucos meses, Niemeyer projectou dezenas de edifícios: o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral de Brasília e a sede do governo (Palácio do Planalto). Brasília foi assim projectada, construída e inaugurada num tempo recorde de 4 anos. Após a sua construção, Niemeyer foi nomeado coordenador da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Brasília. Em 1963 foi nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitectos dos Estados Unidos, no mesmo ano em que ganhou o Prémio Lenine da Paz. Em 1964 viajou para Israel e, quando voltou, o Brasil tinha mudado. Os militares tinham assumido o controlo do país, que se tornara uma ditadura.
O comunismo de Niemeyer causou-lhe dissabores durante este período, os clientes começaram a desaparecer e os projectos eram misteriosamente recusados. Em 1965, duzentos professores, entre os quais Niemeyer, pediram a demissão da Universidade de Brasília. Impedido de trabalhar no Brasil, mudou-se para Paris. A sua obra internacionalizou-se, recebendo pedidos de vários países. Desenhou a Universidade de Constantina, a Mesquita de Argel, a sede do PCF em Paris e a Editora Mondador em Itália.
Nos anos “oitenta” voltou ao Brasil. Fez o Memorial JK, o prédio-sede da Rede Manchete de Televisão, os Sambódromos do Rio e São Paulo, etc.
Aos 89 anos criou o que seria considerada a sua obra-prima - o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. As "piores" críticas que se fizeram a este museu eram que a sua forma era tão bela que ofuscava as obras de arte que ali estavam expostas.
Em 2006, com noventa e nove anos, surpreendeu tudo e todos ao casar-se com a sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.
Niemeyer mantém-se perfeitamente lúcido e activo. Tem projectos para o futuro, dispondo-se a projectar um estádio de futebol para o Mundial de 2014. Em Janeiro último, depois de um encontro com Hugo Chavez no Rio, decidiu fazer os planos para um monumento de homenagem a Bolívar, que será erigido em Caracas e terá cem metros de altura.
BAÚ DE RECORDAÇÕES – Na revista “Paris Match” de 30/10/1967, relevo para duas mortes: Che Guevara fora assassinado na Bolívia, 24 horas depois de ter sido feito prisioneiro; Louis Washkansky, morria vítima de uma afecção pulmonar, 18 dias após o primeiro transplante do coração na história da medicina.



CAVALO PINTADO

Um cowboy, depois de uns três ou quatro uísques, sai do saloon e na hora de montar no seu cavalo descobre que o animal está com os testículos pintados de verde.
Fica furioso, dá meia volta, abre a porta do bar com um pontapé e grita:
- Quem foi o imbecil que pintou o meu cavalo?
No fundo, um cara com quase dois metros de altura, com dois revólveres na cintura, grita:
- Fui eu! Porquê? Algum problema?
- Não, não! Não há problema nenhum! Só vim avisar que a primeira demão já secou.

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Cavalheirismo no WC...

EFEMÉRIDE Jane Mallory Birkin, actriz e cantora britânica, nasceu em Londres, no dia 14 de Dezembro de 1946. Está em França desde o fim dos anos 1960.
Foi casada, de 1965 a 1968, com o compositor John Barry, autor da música de vários filmes do “007-James Bond”. Teve depois uma relação com o cantor Serge Gainsbourg, que culminou em casamento (1968).
Uma das suas canções mais conhecida (Je t'aime... moi n'on plus) foi proibida em Portugal por ser considerada um “atentado aos bons costumes” pelo regime salazarista. O mesmo aconteceu no Vaticano, o que fez aumentar exponencialmente o número de discos vendidos. Esta canção, escrita inicialmente por Gainsbourg para Brigitte Bardot, iniciou uma longa colaboração entre os dois cantores. Quando Gainsbourg morreu, em 1991, Jane Birkin gravou vários discos com as suas canções e correu mundo, tornando-se sua embaixadora. Colaborou com muitos músicos estrangeiros, entre os quais Caetano Veloso. Ganhou alguns Discos de Oiro.
Fez vários filmes, tanto em Inglaterra como em França, entre os quais “Blow Up” de Michelangelo Antonioni, que ganhou a Palma de Oiro no Festival de Cannes. Neste filme ela aparece completamente nua.
Diga-se, por curiosidade, que seu pai, durante a Segunda Guerra Mundial, auxiliou o transporte de muitos combatentes da resistência francesa, entre a Inglaterra e a Normandia. Entre esses resistentes, contou-se François Mitterand, futuro Presidente da República Francesa. Outra curiosidade - ela foi uma das crianças intervenientes nas cerimónias do casamento da rainha Isabel II de Inglaterra.
Jane Birkin tem dado a sua colaboração a várias acções humanitárias (Amnistia Internacional entre outras).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

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Novos toques para telemóvel...

EFEMÉRIDEChristian Johann Heinrich Heine, notável jornalista e poeta alemão, nasceu em Dusseldorf, no dia 13 de Dezembro de 1797, tendo falecido em Paris, em 17 de Fevereiro de 1856. Muita da sua poesia foi musicada por insignes compositores como Schubert, Mendelssohn, Brahms e Wagner.
Estudou Direito na Universidade de Göttingen, de onde foi expulso, acusado de frequentar bordéis, tendo prosseguido os estudos em Bona e depois em Berlim. Licenciou-se em Direito em 1825, mas o seu interesse inclinou-se para a Literatura.
Converteu-se do judaísmo para o cristianismo luterano, para fugir a várias proibições e restrições de que eram vítimas os judeus em muitos Estados alemães. Em 1831, instalou-se em França, mantendo no entanto uma profunda ligação com o seu país. Politicamente, relacionava-se sobretudo com os “socialistas utópicos”. A famosa expressão que qualifica a religião como “ópio do povo”, que é atribuída a Karl Marx (1844), é afinal de sua autoria (1840).
Heine legitimou a linguagem poética aplicada à prosa, conferindo à língua alemã uma elegância de estilo raramente atingida. Como jornalista, ensaísta e polemista, era tanto admirado como temido. É um dos poetas alemães mais traduzido no estrangeiro. Entre os livros queimados pelos nazis na ”Praça da Ópera” em Berlim, em 1933, encontravam-se várias obras do “judeu” Heine. Curiosamente, ele tinha escrito em 1821: «Aqueles que queimam os livros, acabam mais cedo ou mais tarde por queimar igualmente os homens»...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDEEdvard Munch, célebre pintor norueguês, um dos percursores do expressionismo na pintura moderna, nasceu em Løten, no dia 12 de Dezembro de 1863. Morreu em Ekely, em 23 de Janeiro de 1944.
Frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo. No campo ideológico, considerava a arte como uma arma para lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em várias das suas obras. A vida, a doença, o medo, a morte e a tristeza são também temas recorrentes, por influência certamente do desaparecimento prematuro de alguns familiares próximos (mãe e irmãs).
Em Paris, descobriu as obras de Van Gogh e Gauguin, que influenciaram o seu estilo. Em 1892, um convite para expor em Berlim tornou-se num marco da sua carreira e mesmo da história da arte alemã. No ano seguinte pintou “O Grito”, que é considerada a sua melhor obra e foi inspirada nas suas decepções amorosas e de amizade. Este quadro foi roubado, só sendo recuperado em Agosto de 2006.
Em 1914, iniciou a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples e motivos tradicionais populares.
Nos anos 1930 e 1940, os nazis retiraram os seus quadros dos museus alemães, acusando-os de pertencerem a uma “arte degenerada”, o que abalou profundamente Munch, pois considerava a Alemanha como a sua segunda pátria.
Quando morreu aos oitenta anos, legou à cidade de Oslo cerca de um milhar de quadros, 4 500 desenhos e aguarelas e seis esculturas. A cidade construiu um Museu em sua honra. O filme “Edvard Munch, a dança da vida” retrata a vida do artista e foi filmado em locais onde ele viveu, com actores amadores e com cores aproximadas dos tons utilizados nas suas telas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O PARTO
 
Casámos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebé. Anos oitenta e a moda era ter uma máquina de filmar do Paraguai.
Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela “muambazinha” por um preço módico. Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento.
Invadi a sala de parto com a máquina ao ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo o mundo que chegava lá a casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus orgulhos. Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro.
Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a máquina ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele acto.
O facto de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho.
Nada que se comparasse ao facto de ela, esta semana, ter invadido a sala do urologista, máquina ao ombro, filmando o meu exame da próstata. Eu ali, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a minha mulher gritando:
- Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias desta fita! Na semana que vem envio uma para o senhor!Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o tecto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um director de cinema:
- Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close
agora.Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.
Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.

Luís Fernando Veríssimo
EFEMÉRIDEHeinrich Hermann Robert Koch, médico, patologista e bacteriologista alemão, nasceu em Clausthal, no dia 11 de Dezembro de 1843. Faleceu em Baden-Baden, em 27 de Maio de 1910, vítima de crise cardíaca. Foi um dos fundadores da Microbiologia e a ele se deve também a compreensão da epidemiologia das doenças transmissíveis.
Entre as suas principais contribuições para as ciências médicas, incluem-se a descoberta e descrição do agente do carbúnculo e do seu ciclo, a etiologia da infecção traumática, os métodos de fixação e coloração de bactérias para estudo no microscópio com respectiva identificação/classificação e a descoberta, em 1882, do bacilo da tuberculose (o bacilo de Koch). Em 1883, descobriu o vibrião da cólera. Foi contemplado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1905.
Aos cinco anos, surpreendeu os pais dizendo-lhes que, com o auxílio de jornais, aprendera a ler sozinho. Aos 19 anos, foi para a Universidade de Göttinen afim de estudar Medicina. Depois de se licenciar, esteve seis meses em Berlim para aprofundar os estudos de Química. A partir de 1867, com 24 anos, começou a exercer medicina. Em 1870, alistou-se para servir na guerra Franco-Prussiana e, de 1872 a 1880, foi médico em Wollstein, onde conduziu várias pesquisas que o colocaram em lugar de destaque entre os autores de trabalhos científicos. Só em 1880, as entidades oficiais lhe deram os meios necessários para poder desenvolver melhor as suas descobertas.
Já depois de ter descoberto o bacilo da tuberculose, foi enviado ao Egipto para investigar o aparecimento da cólera, estudando depois a mesma doença na Índia. Baseado nos seus conhecimentos de biologia, formulou regras para o controle de epidemias, as quais foram aprovadas em Dresden em 1893. Formulou igualmente a base para métodos de controlo, alguns deles ainda usados actualmente.
Em 1885, Koch foi nomeado professor de Higiene da Universidade de Berlim e director do Instituto de Higiene da mesma Universidade. Em 1891 foi nomeado professor honorário da Faculdade de Medicina de Berlim e director do novo Instituto para Doenças Infecciosas.
Em 1896, foi para a África do Sul com o intuito de estudar a origem da Peste Bovina. Apesar de não identificar a causa da doença, conseguiu limitar o seu aparecimento, injectando bílis de animais infectados nos animais sãos. Depois, desenvolveu igualmente trabalhos sobre a malária, na Índia e em África.
Koch recebeu inúmeros prémios, “doutoramentos honorários” e “Ordens”, na Alemanha e no estrangeiro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDE Jorge Semprún, escritor e homem político espanhol, nasceu em Madrid, no dia 10 de Dezembro de 1923.
A família exilou-se em França quando da Guerra Civil Espanhola (1936/39). Licenciou-se em Filosofia na Sorbonne em Paris.
Depois da ocupação da França pelos nazis, juntou-se à Resistência. Em 1942, filiou-se no Partido Comunista Espanhol. No ano seguinte foi preso pela Gestapo e deportado para o campo de concentração de Buchenwald.
Libertado em 1945, voltou a França onde coordenou a resistência clandestina contra o regime fascista espanhol. Saiu do PCE em 1964 por “divergências de pontos de vista, quanto à linha do Partido”. A partir desse momento, dedicou-se inteiramente à escrita.
Escreveu várias novelas e peças de teatro. Um tema recorrente na sua obra é a denúncia do horror da guerra e principalmente dos campos de concentração.
Em 1969, recebeu o prémio “Femina” com o romance “A segunda morte de Ramon Mercader”. De 1988 a 1991 foi Ministro da Cultura de Espanha. Em 1994, recebeu o “Prémio dos Editores e Livreiros Alemães”. No mesmo ano, recebeu o prémio “Femina Vacaresco” e no ano seguinte o “Prémio dos Direitos do Homem ”. Em 1996, foi eleito para a Academia Goncourt, não tendo podido entrar na Academia Francesa em virtude de ter nacionalidade espanhola.
Actualmente, com 84 anos, continua a viver na capital francesa. Entre os seus livros principais, salientam-se: “A escrita ou a vida”, “Z” e “A confissão”. É um escritor bilingue (espanhol e francês).

domingo, 9 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDEJosé Claudino Rodrigues Miguéis, escritor português, nasceu em Lisboa, no dia 9 de Dezembro de 1901. Faleceu em Nova Iorque, em 27 de Outubro de 1980. Passou a infância e juventude em Lisboa, onde se formou em Direito. Nunca exerceu porém a advocacia, consagrando a sua vida à Literatura e à Pedagogia. Escreveu romances, contos, novelas e peças de teatro. Tem obras traduzidas em inglês, italiano, alemão, russo, checo, francês e polaco. Foi igualmente militante político, polemista, pedagogo e desenhador.
José Rodrigues Miguéis pertenceu ao chamado Grupo Seara Nova, ao lado de grandes autores como Jaime Cortesão, António Sérgio, José Gomes Ferreira, Irene Lisboa e Raul Proença. Colaborou em diversos jornais: O Diabo, Diário Popular, Diário de Lisboa e República. Foi, juntamente com Bento de Jesus Caraça, director de O Globo, semanário que viria a ser proibido pela censura em 1933, após a publicação do 3º número.
Licenciou-se em 1933 em Ciências Pedagógicas na Universidade de Bruxelas. Herdando do pai, imigrante galego, as ideias republicanas e progressistas, cedo se opôs ao salazarismo, o que o obrigaria a optar pelo exílio nos Estados Unidos da América a partir de 1935. Nos Estados Unidos trabalhou como tradutor e redactor das Selecções do Reader's Digest. Só voltou pontualmente a Portugal, nunca aqui passando mais de dois anos seguidos. Em 1942, adquiriu a nacionalidade americana, mas escreveu sempre em língua portuguesa.
Em 1932, recebeu o Prémio Casa da Imprensa com o seu primeiro livro "Páscoa Feliz" e, em 1959, o Prémio Camilo Castelo Branco. Os seus livros mais vendidos em Portugal são "Léah e outras histórias" e "A escola do paraíso".
Em 1961, foi eleito membro da Hispanic Society of América e, em 1976, membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Um ano antes do seu falecimento, foi agraciado com a Ordem Militar de Santiago da Espada, com o grau de Grande Oficial.

sábado, 8 de dezembro de 2007

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"Levou tempo para entender..." ou "As duas necessidades fisiológicas"

EFEMÉRIDEAntónio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, mais conhecido como Tom Jobim, compositor, maestro, pianista, cantor e violonista brasileiro, morreu em Nova Iorque, no dia 8 de Dezembro de 1994. Nascera no Rio de Janeiro, em 25 de Janeiro de 1927. É uma das maiores figuras da música brasileira e um dos criadores da Bossa Nova.
Pensou trabalhar em arquitectura, chegando a empregar-se num atelier, mas em breve desistiu, resolvendo ser pianista e começando a tocar em bares de Copacabana. A editora fonográfica Continental contratou-o para fazer arranjos musicais e também para transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Ao mesmo tempo fazia as suas próprias composições. A primeira canção gravada (Incerteza) constituiu um grande sucesso.
Em 1956 fez as músicas para a peça “Orfeu da Conceição” com Vinícius de Moraes, que se tornou um dos seus parceiros privilegiados. Esta peça foi três anos mais tarde adaptada ao cinema (Orfeu Negro).
Tom Jobim foi figura de destaque no Festival de Bossa Nova realizado em 1962, no Carnegie Hall, em Nova Iorque. No ano seguinte compôs, com Vinícius, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no estrangeiro: Garota de Ipanema. Na década de 60 desenvolveu uma actividade impressionante, gravando discos nos Estados Unidos, participando em numerosos espectáculos e fundando a sua própria editora. Gravou com Frank Sinatra. Aprofundou os seus estudos musicais e adquiriu influências de compositores eruditos, sobretudo de Villa-Lobos, de Chopin e de Debussy.
Gravou em 1994, ano da sua morte, o último CDAntónio Brasileiro”. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi renomeado “Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antônio Carlos Jobim “, sob pressão de uma comissão de notáveis, formada por Chico Buarque, Oscar Niemeyer, João Ubaldo Ribeiro e Edu Lobo, entre outros.
Jobim tinha dito um dia «É aborrecido ser-se moderno. Creio que prefiro tornar-me eterno». O estilo “bossa nova” ganhou direito à posteridade.

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