quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

23 DE FEVEREIRO - RUI UNAS

EFEMÉRIDERui Miguel Guerra Unas, apresentador, produtor, autor de programas de televisão e actor português, nasceu em Lisboa no dia 23 de Fevereiro de 1974.
Criado na Margem Sul, a sua paixão pelo entretenimento cedo se manifestou, animando os intervalos e as festas escolares na rádio da Escola Secundária do Fogueteiro.
Depressa ingressou no mundo da rádio profissional, com um programa na Rádio Seixal e, mais tarde, na Antena 3 e Antena 1.
Dali à televisão foi um ápice. A apresentação de programas como “Alta Voltagem”, “Curto Circuito” e “Cabaret da Coxa” valeram-lhe o epíteto de «Ganda Maluco» e abriram-lhe as portas do teatro e do cinema (com “Os Imortais” de António Pedro Vasconcelos).
Na televisão, passou por telenovelas e por programas de ficção como “O Último a Sair” e “Anti-Crise”. O êxito de “Margem Sul State of Mind”, de sua autoria, é um hino ao sítio que o viu crescer e onde ainda vive.
Já entrou ou foi autor de mais de quarenta programas de televisão (1995/2016) e quatro de rádio (2006/14). Protagonizou treze filmes (2002/15) e cinco peças de teatro (2005t/15). Fez mais de trinta dobragens (1992/2017) e – também – publicidade.
Rui Unas publicou dois livros: “A Minha Vida é um Cabaret” (2004) e “Nascido e Criado na Margem Sul” (2014). É casado e tem dois filhos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

22 DE FEVEREIRO - RENATO ROCHA

EFEMÉRIDERenato da Silva Rocha, músico brasileiro, morreu em Guarujá no dia 22 de Fevereiro de 2015. Nascera no Rio de Janeiro em 27 de Maio de 1961. Foi baixista e compositor da banda Legião Urbana, tendo participado nos três primeiros discos deste grupo: “Legião Urbana”, “Dois” e “Que País É Este”.
Nascido em São Cristóvão, no Rio, mudou-se para Brasília em 1970, visto que o pai era militar e fora colocado na capital. Em 1974, Renato Rocha passou a ter contacto com a banda Tela (um dos vários grupos surgidos na década de 1970), mas nunca a integrou.  
As primeiras alcunhas que teve foram Renatão, por causa da sua envergadura, e Romeu (herói olímpico grego de luta), em virtude de ser bastante brigão. Quando entrou para a equipa de voleibol da Associação Atlética Banco do Brasil, passou a ser conhecido por Negrelle, que fora um famoso jogador do clube. Mais tarde, porém, o apelido foi mudado para Negrete, numa brincadeira dos seus amigos. Ainda em Brasília, foi membro dos Cabeças Raspadas, subcultura urbana inspirada nos Skinheads ingleses.
Juntamente com Toninho Maia, fundou a banda Smegma. Em 1981, passou a integrar o grupo Dents Kents, que existiu até 1982.
A Legião Urbana era originalmente um trio, com Renato Russo (baixo), Dado Villa-Lobos (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria). Renato Rocha ingressou na banda logo após eles terem assinado contrato com a EMI, em 1984, a quatro dias do início das gravações do primeiro LP. O motivo foi a tentativa de suicídio de Renato Russo ao cortar os pulsos, ficando assim impossibilitado de gravar. Renato Rocha já era amigo de Marcelo Bonfá, o que facilitou a sua entrada imediata. A partir daí, tornou-se integrante fixo do grupo e compôs “'Quase sem querer”, “Daniel na cova dos leões” e diversas canções juntamente com outros membros da banda.
Renato Rocha deixou a Legião em 1989, quando a banda estava prestes a gravar o álbum “As Quatro Estações”. Numa entrevista concedida anos mais tarde, ele afirmou que fora expulso por Renato Russo. Em entrevistas posteriores, Dado Villa-Lobos precisou que os reais motivos da saída de Renato Rocha foram os seus problemas com bebidas alcoólicas e os atrasos nos shows.
Depois da Legião Urbana, integrou a banda Cartilage, com a qual lançou os discos “Cartilage Virtual” e “Solana Star”.
Em Março de 2012, o programa jornalístico “Domingo Espectacular”, da Record, exibiu uma reportagem na qual mostrava que o baixista se havia transformado num sem-abrigo do Rio de Janeiro. Descrevia a série de acontecimentos que o levaram a perder tudo e a ir morar nas ruas cariocas. Especulava também o porquê de os direitos autorais não serem suficientes para que o músico conseguisse levar uma vida digna e igualmente o porquê da sua vida se ter transformado tão radicalmente. Ainda na reportagem, o ECAD comunicou que entregava ao músico um valor de cerca de 900 reais mensais.
Em 2002, numa entrevista, Renato Rocha assumira consumir maconha e bebidas alcoólicas e que tivera uma juventude marcada por estas e outras drogas.
Em 2013, actuou – com outros músicos – no Estádio Nacional Mané Garrincha, no show “Renato Russo Sinfónico”. Neste tributo, a imagem de Renato Russo, falecido em 1996, apareceu projectada no palco.
Em 2014, foi convidado para uma participação no projecto “Urbana Legion”. Renato voltou então aos palcos para tocar os sucessos do Legião Urbana, juntamente com o também ex-integrante Eduardo Paraná.
Em 22 de Fevereiro de 2015, por volta das 8h30, uma governanta encontrou o ex-baixista morto dentro de um hotel em Guarujá, no bairro da Enseada, no litoral de São Paulo. O funeral teve lugar dois dias depois para o Cemitério Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes, na região da Grande São Paulo. Renato deixou um casal de filhos e uma neta.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

JOSÉ AFONSO - "A morte saiu à rua".

21 DE FEVEREIRO - JOSÉ ZORRILLA

EFEMÉRIDEJosé Zorrilla y Moral, escritor espanhol, nasceu em Valladolid no dia 21 de Fevereiro de 1817. Morreu em Madrid, em 23 de Janeiro de 1893. É considerado um dos principais dramaturgos espanhóis do século XIX.
As suas primeiras poesias líricas surgiram em 1837 e principalmente em 1841, com a publicação de “Os Cantos do Trovador”. No entanto, a sua reputação atingiu proporções ainda maiores com poemas inspirados em lendas e tradições nacionais.
Entre as suas obras mais notáveis, contam-se “Rosa de Alexandria”, “Álbum de um Louco”, “O Punhal do Godo”, “D. João Tenório”, “O Sapateiro e o Rei” e “Recordações de Viagem”.
Em 1837, foi escolhido para ler um poema durante o funeral do escritor Mariano José de Larra.
Escreveu para a revista cultural “Museo de las Familias” (1843/1870), realizando mesmo algumas ilustrações, fazendo-se passar por um «artista italiano».
José Zorrilla é citado no best-seller “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marques, Prémio Nobel de Literatura.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

20 DE FEVEREIRO - ANTÓNIO SALVADO

EFEMÉRIDEAntónio Forte Salvado, escritor português, nasceu em Castelo Branco no dia 20 de Fevereiro de 1936.
Autor de uma extensa obra poética, tem escrito também ensaios e organizado antologias. Vários dos seus trabalhos foram distinguidos com prémios nacionais e estrangeiros.
Nascido na zona antiga de Castelo Branco, foi o mais novo de cinco irmãos. Desde cedo se interessou pela literatura, tendo publicado o seu primeiro livro aos dezoito anos.
Licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Entre 1955 e 2015, publicou mais de vinte livros de poesia.
Em Fevereiro de 2010, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Vive actualmente em Castelo Branco, sua terra natal.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

19 DE FEVEREIRO - BENICIO DEL TORO

EFEMÉRIDEBenicio Monserrate Rafael del Toro Sánchez, actor porto-riquenho, nasceu em San Germán no dia 19 de Fevereiro de 1967. Foi o segundo actor de Porto Rico a conquistar um Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, após Rita Moreno.
Filho de um casal de advogados, cresceu em Santurce, um bairro de San Juan. A mãe morreu de hepatite quando ele tinha nove anos. A família mudou-se três anos mais tarde para Mercersburg, na Pensilvânia. Com 13 anos, foi inscrito num pensionato para se preparar para um curso superior. O pai queria que ele fosse advogado e Benicio prosseguiu os estudos na Universidade da Califórnia em San Diego. Em breve, porém, abandonou a universidade para ingressar na célebre Square Acting School de Nova Iorque.
Em 1986, participou no videoclipe “La Isla Bonita” da cantora Madonna, aparecendo a dançar na rua com a cantora e os demais actores.
Iniciou-se no cinema no fim da década de 1980, fazendo pequenos papéis. O filme “Usual Suspects” de 1995 teve sucesso mundial e foi um marco na sua carreira, trazendo-lhe o reconhecimento dos meios cinematográficos e dando-lhe a possibilidade de escolher os seus projectos.   
Deu réplica a Johnny Depp em “Fear and Loathing in Las Vegas” (1998), num papel para o qual teve de aumentar 20 kg de peso,  para interpretar o excêntrico Dr Gonzo. Depois de um hiato de dois anos, voltou ao primeiro plano em 2000, com vários filmes, entre eles “Traffic”, com que ganhou o Oscar de Melhor Actor Coadjuvante (2001), o Golden Globe Award, o BAFTA e um Urso de Prata no Festival de Berlim.
Conquistou o Prémio de Interpretação Masculina no Festival de Cannes (2008) e o Goya 2009 para o Melhor Actor Principal, pelo seu papel de Ernesto Guevara no filme “Che”. Foi a consagração definitiva.
Ao longo da sua carreira, já protagonizou cerca de 40 películas (1988/2017) e algumas séries de televisão (1987/2008). Tem sido premiado inúmeras vezes.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

18 DE FEVEREIRO - GABRIEL MARIANO

EFEMÉRIDEGabriel Mariano, de seu verdadeiro nome José Gabriel Lopes da Silva, juiz, poeta, contista e ensaísta cabo-verdiano, morreu em Lisboa no dia 18 de Fevereiro de 2002. Nascera em Vila de Ribeira Grande, em 18 de Maio de 1928.
Estudou na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se licenciou em Direito. Foi juiz em Lisboa e regressou a Cabo Verde nos anos 1950. Participou na criação do jornal “Restauração” (com Jorge Pedro Barbosa e outros), do “Suplemento Cultural” (com Carlos Alberto Monteiro e outros) e do “Boletim Cabo Verde”.
A sua intensa actividade cultural acabou por ser considerada subversiva pelo governo local, que o deportou para Moçambique.
Da sua obra literária, fazem parte poemas, contos, romances e ensaios, tanto em português como em crioulo. De salientar, entre outros, “A Mestiçagem: seu papel na formação da sociedade cabo-verdiana” (ensaio, 1958); “Do Funco ao Sobrado ou o Mundo que o Mulato Criou” (ensaio, 1959); “Vida e Morte de João Cabafume” (contos, 1976); “Cultura Cabo-verdiana” (ensaios, 1991); e “Ladeira Grande” (antologia poética, 1993).
Ganhou o Prémio de Literatura Africana em 1976, com 0 livro de contos “Vida e Morte de João Cabafume”.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

17 DE FEVEREIRO - DOROTHY CANFIELD FISHER

EFEMÉRIDEDorothy Frances Canfield Fisher, romancista norte-americana, nasceu em Lawrence no dia 17 de Fevereiro de 1879. Morreu em Arlington, em 9 de Novembro de 1958. Escreveu uma longa série de romances, começando com “Gunhild” (1907) e prosseguindo com “The Spirret Cage” e muitos outros. Publicou igualmente vários livros de contos, em colaboração com o marido.
A mãe era artista e escritora e o pai ensinou Economia Política na Universidade do Kansas, sendo depois nomeado chanceler na Universidade de Nebraska em 1891.
A família mudou-se em 1895 para Colombus, quando o pai foi escolhido para presidente da Universidade de Ohio. Dorothy estudou ali Francês, recebendo o bacharelato em 1899. Prosseguiu depois os estudos na Universidade de Paris, antes de obter – em 1904 – o doutoramento em Línguas Romanas na Universidade de Colombus.
Dorothy Canfield foi co-autora de um manual escolar e publicou as suas primeiras novelas em diversas revistas. Para poder dar assistência aos seus pais já idosos, declinou um lugar de professora e trabalhou como secretária numa escola experimental de Nova Iorque.
Em 1907, casou-se com John Redwood Fisher, também antigo estudante da Universidade de Colombus. No mesmo ano, publicou o primeiro romance e instalou-se com o marido em Arlington.
Durante a Primeira Guerra Mundial, John Fisher serviu no American Volunteer Ambulance Corps. Enquanto isso, Dorothy foi para França (1916/19) com os dois filhos e participou no “Socorro de Guerra”. Escreveu então uma dezena de romances, que vieram a ter grande sucesso nos anos 1920.
Consagrou igualmente várias obras à pedagogia Montessori e foi a primeira mulher a ser eleita para o Conselho de Educação do Vermont, presidindo também a American Association for Adult Education.
Durante vinte e cinco anos, fez parte do comité de selecção de um clube de livros, o Book of the Month Club. Foi ainda a primeira mulher a receber o doutoramento honoris causa do Dartmouth College.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

16 DE FEVEREIRO - JOÃO FERREIRA ROSA

EFEMÉRIDEJoão Manuel Soares Ferreira Rosa, fadista português, nasceu em Lisboa no dia 16 de Fevereiro de 1937. Autor e intérprete de uma obra singular, pelo seu lirismo, pureza e musicalidade, João Ferreira Rosa é um dos maiores expoentes do fado tradicional.
Monárquico convicto e fascinado pelas tradições portuguesas, os seus fados abordam o amor e o sentimento de perda — “Triste sorte”, “Os lugares por onde andámos”, “Fado das Mágoas”, “Mansarda” ou “Pedi a Deus”, todos com letra de sua autoria —, mas também, de forma recorrente, a nostalgia dos tempos perdidos, de um Portugal esquecido, da terra e do mar, das romarias e das touradas, onde se podem encontrar temas como “Acabou o Arraial”, “Fado Alcochete” ou o “Fado dos Saltimbancos”, os dois primeiros também com letra sua.
No entanto, o fado que tornou Ferreira Rosa conhecido do grande público foi o “Fado do Embuçado”, tema incluído no seu primeiro EP, editado em 1961. Tem música do “Fado Tradição” da fadista Alcídia Rodrigues, com letra de Gabriel de Oliveira, sendo incontornável em qualquer noite ou tertúlia fadista.
João Ferreira Rosa actuou pela primeira vez em público aos catorze anos, no velho Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, durante uma festa da Escola de Regentes Agrícolas. A actuação tinha uma razão de ser – cantar o fado era, na Escola Agrícola, uma forma excelente de escapar às praxes dos colegas mais velhos.
Em 1961, estreou-se na rádio, ao participar no programa “Nova Onda” da Emissora Nacional, ao lado de outros fadistas amadores como Teresa Tarouca e Hermano da Câmara.
Em 1965, adquiriu um espaço, no Beco dos Curtumes, no carismático bairro de Alfama, a que chamou A Taverna do Embuçado. Inaugurada no ano seguinte, esta casa viria a marcar toda uma era do fado, ao longo dos 20 anos que se seguiram, até que Ferreira Rosa deixou a gestão na década de 1980, cedendo-a a Teresa Siqueira. O espaço ainda hoje existe.
Ainda nos anos 1960, adquiriu o Palácio Pintéus, no concelho de Loures, que estava praticamente em ruínas e destinado a converter-se num complexo de prédios. Ferreira Rosa recuperou o palácio, lutando contra diversos obstáculos burocráticos e administrativos que lhe foram sendo colocados. O Palácio só abriu as suas portas ao público em 2007 e lá se realizam diversos eventos ligados ao fado. Muito antes, houve diversas actuações transmitidas pela RTP, casos de Alfredo Marceneiro, João Braga ou José Pracana. De resto, Ferreira Rosa que, à semelhança do velho Alfredo Marceneiro, tem uma certa aversão a estúdios de gravação e à comercialização do fado, prefere cantar o fado entre amigos, como refere nos versos do “Fado Alcochete”. Gravou dentro das paredes do Palácio Pintéus o seu disco “Ontem e Hoje”, editado em 1996 e considerado um dos seus melhores trabalhos.
Entre 2001 e 2003, amigos e seguidores tiveram ainda a oportunidade de o ouvir regularmente em ciclos de espectáculos organizados no Wonder Bar do Casino do Estoril.
Casou-se em Loures, em Julho de 1987, com Ana Maria Gago da Câmara Botelho de Medeiros. Anteriormente, fora casado com a pianista Maria João Pires. Nutre uma especial paixão por Alcochete, terra onde tem vivido nos últimos anos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

JOÃO FERREIRA ROSA - "Triste sorte"


15 DE FEVEREIRO - JENS BAGGESEN

EFEMÉRIDEJens Immanuel Baggesen, poeta dinamarquês, nasceu em Korsør no dia 15 de Fevereiro de 1764. Morreu em Hamburgo, em 3 de Outubro de 1826.
Os pais eram muito pobres e, antes de completar doze anos, Jens foi colocado no escritório do escrivão da comarca, para copiar documentos. Era uma criança frágil, melancólica e tentou mesmo o suicídio por mais de uma vez. À força de muita perseverança, conseguiu concluir o ensino básico e, em 1782, entrou para a Universidade de Copenhaga.
O sucesso como escritor surgiu logo com as primeiras publicações – os seus “Contos cómicosem verso. OJovem”, publicado uma década depois, tomou de assalto a cidade e o jovem problemático transformou-se repentinamente num poeta popular, aos vinte e um anos de idade.
Baggesen tentou então a poesia lírica e, com o seu tacto, elegância de forma e versatilidade, conquistou um lugar no melhor da sociedade local.
Todo aquele sucesso recebeu um golpe em Março de 1789, quando a sua ópera “Holger Danske” foi recebida com grande controvérsia e uma reacção nacionalista contra ela (em relação aos alemães). Deixou a Dinamarca num acesso de raiva e passou os anos seguintes na Alemanha, França e Suíça. Casou-se em Berna, em 1790, começando a escrever em alemão e publicando nessa língua o seu poema “Alpenlied”.
No Inverno do mesmo ano, voltou à Dinamarca, trazendo consigo – como uma oferta de paz – o seu excelente poema descritivo “Labirinto”, escrito em dinamarquês. Foi recebido com inúmeras homenagens.
Os anos seguintes foram gastos em constantes andanças pelo norte da Europa, fixando depois residência em Paris. Continuou a publicar alternadamente em dinamarquês e alemão. Em alemão, o mais importante foi a epopeia idílica “Parthenais” (1803).
Em 1806, voltou a Copenhaga para se “defrontar” com o jovem Adam Oehlenschläger, considerado o grande poeta do momento. Até 1820, Baggesen residiu em Copenhaga, numa disputa literária quase incessante com um ou outro escritor, insultando e sendo insultado. A característica mais importante de tudo isso era a determinação de Baggesen em não permitir que Oehlenschläger fosse considerado um poeta maior do que ele.
Baggesen deixou então a Dinamarca pela última vez e voltou para a sua amada cidade de Paris, onde perdeu a segunda esposa e o filho mais novo (1822). Após uma prisão por dívidas, caiu num estado desesperado de depressão. Em 1826, depois de ter recuperado ligeiramente a saúde, quis rever a Dinamarca, mas morreu a caminho, num hospital em Hamburgo, sendo sepultado em Kiel.
O seu talento multifacetado teve sucesso em todas as formas de escrita. Um pouco mais de esforço em restringir o seu egoísmo e paixão teria feito dele um dos mais brilhantes e maiores autores de sátiras modernos. Os seus poemas cómicos são intemporais. A literatura dinamarquesa tem para com Baggesen uma grande dívida pela sua firmeza e forma, num estilo sempre elaborado e elegante.
Com todos os seus defeitos, ele destaca-se como a maior figura entre Holberg e Oehlenschläger. Especialmente significativa é a sua canção “Houve um tempo quando eu era muito pequeno”, que permanece popular quase duzentos anos depois da sua morte.
Existe uma estátua de Baggesen em Havnepladsen, Korsør, inaugurada em Maio de 1906. Não muito longe, em Batterivej, localiza-se o Hotel Jens Baggesen também assim chamado em sua homenagem.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

14 DE FEVEREIRO - DICK FRANCIS

EFEMÉRIDEDick Francis, de seu verdadeiro nome Richard Stanley Francis, jóquei e escritor galês, morreu em Grand Cayman, nas ilhas Caimão, no dia 14 de Fevereiro de 2010. Nascera em Lawrenn, no País de Gales, em 31 de Outubro 1920. Muitos dos seus romances têm por tema as corridas de cavalos, outros são romances policiais.
Filho de um jóquei, Dick foi piloto de caça e de bombardeiros durante a Segunda Guerra Mundial.
Passou também a ser jóquei em 1948, vencendo mais de 350 corridas até 1957, ano em que abandonou o hipismo devido a uma queda grave. Logo nesse ano, publicou o primeiro livro, uma autobiografia (“The Sport of Queens”), e passou a ser o cronista hípico do “ London Sunday Express”, função que desempenhou durante dezasseis anos.
Em 1962, escreveu o seu primeiro romance policial, que obteve grande sucesso. Seguiram-se outros, à razão de um por ano, durante os 38 anos seguintes. Em 1998, publicou igualmente uma recolha de novelas. Todos estes livros relacionam-se, mais ou menos, com o mundo das corridas de cavalos, se bem que os seus heróis sejam personagens muito variados, desde um artista até a um detective privado, de um negociante de vinhos a um piloto de avião…
Recebeu três Prémios Edgar de Melhor Romance, sendo o único autor a conseguir tal performance. Em 1984, foi feito Oficial da Ordem do Império Britânico. Em 1999, uma biografia não autorizada dava a entender que os seus romances eram na realidade escritos por Mary, a sua esposa.
É um facto que Dick Francis esteve muito tempo sem publicar nenhum livro depois do falecimento de Mary, em 2000. Para fazer calar aquele rumor, Dick anunciou e fez publicar, em 2006, um novo livro intitulado “Under Orders” cujo personagem principal é um antigo jóquei, detective privado e herói de três romances precedentes. Este personagem tinha inspirado uma série televisiva britânica em seis episódios (“The Racing Game”, 1978).
Dick Francis escreveu ainda mais quatro obras, estas em colaboração com o filho, Félix Francis. Alguns dos seus livros foram adaptados – ainda em sua vida – ao cinema e sobretudo à televisão, em Inglaterra, na União Soviética, na Irlanda e no Canadá. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

13 DE FEVEREIRO - MAYRA ANDRADE

EFEMÉRIDEMayra Andrade, cantora cabo-verdiana, nasceu em Havana no dia 13 de Fevereiro de 1985, É reconhecida como uma das cantoras mais promissoras da música de Cabo Verde.           
Nascida em Cuba, viveu em Cabo Verde até 1990, saltitando depois entre o Senegal, Angola, Alemanha, Cabo Verde e Paris, onde se veio a radicar.
As primeiras canções que ouviu foram brasileiras, mas foi com uma canção em crioulo que ganhou a Medalha de Ouro nos Jogos da Francofonia, no Canadá. Tinha apenas dezasseis anos de idade (2001).
A partir de 2002, actuou na Praia, no Mindelo, em Lisboa e em Paris, cidade na qual passou a residir (2003). Em Janeiro de 2004, cantou num dos mais consagrados bares de lançamento de artistas da world music – o Satellite Café.
Após participar nos festivais de Verão portugueses, fez a primeira parte de um espectáculo de Cesária Évora e, no Brasil, colaborou em duetos com Lenine e Chico Buarque. Em 2005, Charles Aznavour convidou-a para um seu novo álbum, num dueto em francês. O guitarrista Hernâni Almeida, outra grande promessa da música cabo-verdiana, acompanhou-a em alguns concertos em 2006.
Ainda em 2006, foi editado o seu primeiro disco, “Navega”, cantado em crioulo cabo-verdiano, com excepção de uma canção em francês (“Comme s'il en pleuvait”), que incluiu composições de Orlando Pantera, como “Lapidu Na Bô”, “Dispidida”, “Regasu” e “Tunuka”.
Em 2008, venceu o Prémio BBC Radio 3 World Music na categoria Revelação. Colaborou com diversos cantores de renome, como Cesária Évora, Chico Buarque, Caetano Veloso, Charles Aznavour, Mariza e Pedro Moutinho.
Em 2009, foi lançado o álbum “Stória, Stória” e, em 2010, o disco “Studio 105” (gravação ao vivo, na Casa da Rádio em Paris).
Participou na compilação “Red Hot + Rio 2” (em conjunto com o Trio Mocotó) e no DVD “Mart'nália – Em África ao Vivo”. Em Novembro de 2013, lançou o CD “Lovely Difficult”, que foi nomeado para o Prémio Victoires de la Musique, na categoria de World Music (França, 2014).

domingo, 12 de fevereiro de 2017

MAYRA ANDRADE - "We Used to Call It Love"


12 DE FEVEREIRO - JOAQUÍN SABINA

EFEMÉRIDEJoaquín Ramón Martínez Sabina, cantor, autor, compositor e poeta espanhol, nasceu em Úbeda, Jaén, na região andaluza em 12 de Fevereiro de 1949. Os seus trabalhos são reconhecidos e apreciados em todo o mundo de língua espanhola, especialmente na Argentina.
Filho de um polícia e de uma dona de casa, começou a escrever poemas aos catorze anos e a tocar canções com os amigos. Um pouco mais tarde, apaixonou-se por escritores como Marcel Proust e James Joyce. Criou um grupo musical com outros adolescentes – os Merry Youngs – que cantavam temas de Elvis Presley, Chuck Berry, etc.
Em 1968, foi estudar na Universidade de Granada, mas em breve deixou os estudos para um exílio em Londres. As razões precisas que levaram Sabina a esta decisão são objecto de polémica, mas sabe-se que ele chegou a quebrar a montra de um banco, no furor do movimento estudantil espanhol contra o regime do general Franco.
Em Londres, Sabina organizava sessões de cinema com filmes proibidos na Espanha franquista, além de participar em montagens teatrais de esquerda, especialmente com obras de Bertolt Brecht. Nessa época, também amadureceu como artista musical, pois – para sobreviver – via-se obrigado a tocar canções espanholas e latinas tradicionais nos restaurantes e bares dos arredores de Portobello Road, um reduto hispânico tradicional, na capital britânica.
Em 1977, com a morte de Franco, Sabina voltou a Espanha e casou-se com a argentina Lucia, dando início a uma movimentada vida amorosa. Em 1978, instalou-se em Madrid com a mulher e lançou o seu primeiro disco de canções, “Inventario”.
Logo após o primeiro disco, Sabina afastou-se do estereótipo do “compositor engajado” e adoptou uma roupagem mais roqueira e mais contemporânea. Discos como “Malas compañías” e “Ruleta rusa” consagraram-no como um artista de sucesso, sobretudo em Espanha e na América hispânica.
Em 2001, sofreu um AVC que colocou a sua vida em perigo, mas recuperou em poucas semanas, sem ficar com sequelas físicas. O incidente influiu, no entanto, na sua forma de pensar e viu-se imerso numa forte depressão, que o levou a abandonar os palcos durante algum tempo. Depois da crise ultrapassada, publicou o seu décimo oitavo álbum – “Alivio de luto” (2005). Em Novembro de 2009, publicou “Vinagre y rosas”.
Em 2005, foi condecorado com a Medalha de Ouro de Mérito das Belas Artes pelo Ministério da Educação, da Cultura e dos Desportos de Espanha.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...