segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

18 DE DEZEMBRO - ADOLFO LUTZ


EFEMÉRIDE - Adolfo Lutz, médico e cientista brasileiro, pai da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de Dezembro de 1855. Morreu na mesma cidade em 6 de Outubro de 1940. Foi pioneiro na área da epidemiologia e na pesquisa de doenças infecciosas.
Era o terceiro filho de um casal de suíços. Os Lutz formavam uma das famílias mais tradicionais de Berna desde o século XVI. O avô de Adolfo Lutz foi uma figura de destaque na história da medicina suíça, tendo chefiado o serviço médico do exército da Confederação Helvética durante cerca de vinte anos.
Os pais de Adolfo chegaram ao Rio de Janeiro no princípio de 1850, no auge da epidemia de febre amarela que causou milhares de mortes na capital brasileira, e ali nasceram quase todos os dez filhos do casal. Em 1857, decidiram voltar a Berna, talvez motivados pela insalubridade do Rio que, além de recorrentes surtos de febre amarela, fora atingido também por uma devastadora epidemia de cólera em 1855. Adolfo tinha, portanto, dois anos quando foi conhecer a terra onde tinham nascido os seus antepassados.
Adolfo Lutz estudou medicina na Suíça, licenciando-se em 1879 na Universidade de Berna. Depois, foi estudar técnicas de medicina experimental em vários centros médicos de Londres, Lípsia (Alemanha), Viena, Praga e Paris (onde estudou com Louis Pasteur).
Regressado ao Brasil em 1881, começou por trabalhar como clínico geral em Limeira (São Paulo) durante seis anos. Desejando seguir a carreira como pesquisador, foi para Hamburgo (Alemanha), onde se especializou em doenças infecciosas e em medicina tropical.
Com o aumento da sua fama, foi convidado para assumir o cargo de director do Hospital Kalihi no Havai, onde fez pesquisas sobre hanseníase. Depois disso, trabalhou na Califórnia, antes de voltar para o Brasil em 1892, atendendo ao convite do governador de São Paulo para dirigir o Instituto de Bacteriologia. Mais tarde, este instituto seria baptizado de Instituto Adolfo Lutz em sua homenagem. A cidade de Santos sofreu uma severa epidemia de peste bubónica e Lutz foi trabalhar com outros dois jovens médicos brasileiros, Emílio Ribas e Vital Brazil. Brazil e Lutz tornaram-se amigos, sendo que este dava suporte às pesquisas pioneiras de Vital Brazil sobre antídotos para picadas de cobra, contribuindo decisivamente para a criação de outro instituto (Instituto Butantan) em São Paulo, totalmente dedicado àquele tipo de pesquisas.
Lutz foi o primeiro cientista latino-americano a estudar e confirmar os mecanismos de transmissão da febre amarela pelo Aedes aegypti, uma espécie de mosquito que é um reservatório natural e vector desta doença. Foi também o responsável pela identificação do blastomicose sul-americano. A sua dedicação à saúde pública fez com que lutasse e pesquisasse sobre várias epidemias de diversas regiões do Brasil, como a cólera, peste bubónica, febre tifóide, malária, ancilostomíase, esquistossomose e leishmaniose.
Outra das suas maiores realizações foi o seu pioneirismo sobre a Entomologia Médica e as propriedades terapêuticas das plantas brasileiras. Como zoologista, descreveu várias novas espécies de anfíbios e insectos, como o Anopheles lutzii (uma espécie de mosquito).
Depois de reformado em 1908, Adolfo Lutz mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro (Instituto Oswaldo Cruz), onde trabalhou durante mais 32 anos. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

17 DE DEZEMBRO - D. MARIA I DE PORTUGAL


EFEMÉRIDED. Maria I (Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança), rainha de Portugal e Algarves de 1777 até 1815 e também rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir do final de 1815 até à sua morte, nasceu em Lisboa no dia 17 de Dezembro de 1734. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de Março de 1816. Era apelidada de “Piedosa” (em Portugal) e de “Louca”, no Brasil. De 1792 até ao seu falecimento, o filho mais velho, João, actuou como regente do reino em seu nome devido à sua doença mental.
Quando o seu pai subiu ao trono em 1750 como D. José I, Maria tornou-se sua herdeira presuntiva e recebeu os títulos tradicionais de princesa do Brasil e duquesa de Bragança.
O seu primeiro acto como rainha, iniciando um período que ficou conhecido como a Viradeira, foi a demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, a quem nunca perdoara a forma brutal como tratou a família Távora durante o Processo dos Távoras. Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais, concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos ao terror da Revolução Francesa (1789/99). Era, no entanto, dada à melancolia e ao fervor religioso, de tal modo que quando ladrões entraram numa igreja e espalharam hóstias pelo chão, decretou nove dias de luto, adiou os negócios públicos e acompanhou a pé, com uma vela, a procissão de penitência que percorreu Lisboa.
O seu reinado foi de grande actividade legislativa, comercial e diplomática, na qual se pode destacar o tratado de comércio que assinou com a Prússia em 1789. Desenvolveu a cultura e as ciências, com o envio de missões científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, e a fundação de várias instituições, entre elas a Academia Real das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública da Corte. No âmbito da assistência, fundou a Casa Pia de Lisboa. Fundou ainda a Academia Real de Marinha, para formação de oficiais da Armada.
Em Janeiro de 1785, promulgou um alvará impondo pesadas restrições à actividade industrial no Brasil. Durante o seu reinado ocorreu o processo, condenação e execução do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Mentalmente instável, desde Fevereiro de 1792, foi obrigada a aceitar que o filho tomasse conta dos assuntos de Estado. Obcecada com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas, via-o como «um monte de carvão calcinado».
Para a tratar, veio de Londres o Dr. Willis, psiquiatra e médico real de Jorge III, enlouquecido em 1788, mas de nada adiantaram os seus «remédios evacuantes».
Em 1799, a sua instabilidade mental agravou-se com os lutos pelo seu marido e por um filho, a marcha da Revolução Francesa e a execução do rei Luís XVI de França na guilhotina.
A família real portuguesa transferiu-se para o Brasil (1807) devido ao receio de ser deposta, à semelhança do que ocorrera nos países recentemente invadidos pelas tropas francesas.  Portugal ficou a mercê do invasor. Junot invadiu Lisboa, sendo nomeado governador de Portugal. Em Agosto de 1808, o duque de Wellington desembarcou em Portugal e iniciou-se a Guerra Peninsular. Entre 1809 e 1810, o exército luso-britânico lutou contra as forças invasoras de Napoleão, nomeadamente na Batalha do Buçaco. Quando Napoleão foi derrotado em 1815, Maria e a família real encontravam-se ainda no Brasil. Dos membros da realeza, porém, foi D. Maria a que se manteve mais calma, chegando a declarar: «Não corram tanto, vão pensar que estamos a fugir».
Incapacitada, Maria viveu no Brasil durante oito anos, sempre infeliz. Faleceu no Convento do Carmo, no Rio de Janeiro, aos 81 anos de idade. Após as cerimónias fúnebres, o seu corpo foi sepultado no Convento da Ajuda, também no Rio. Com a sua morte, o príncipe regente João foi aclamado rei de Portugal, Brasil e Algarves.
Em 1821, após o retorno da família real a Portugal, os seus restos mortais foram transladados para Lisboa e sepultados num mausoléu na Basílica da Estrela, igreja que ela mesma mandara erigir.

sábado, 16 de dezembro de 2017

NATAL 2017



 Vou viver este Natal,
Na ânsia de partir.
A solidão faz-me mal,
Tenho pressa de sair…
                                                                                              

Gabriel de Sousa

16 DE DEZEMBRO - JAMES McCRACKEN


EFEMÉRIDE - James McCracken, tenor norte-americano, nasceu em Gary, Indiana, em 16 de Dezembro de 1926. Morreu em Nova Iorque no dia 29 de Abril de 1988. O jornal de renome mundial “The New York Times” descreveu-o como «o tenor dramático de maior sucesso dos Estados Unidos e o pilar do Metropolitan Opera durante as décadas de 1960 e 1970».
A sua primeira experiência musical foi a cantar num coral de crianças da igreja. Quando interveio na Segunda Guerra Mundial, integrando a marinha norte-americana, também cantou no Blue Jacket Choir. Estudou música na Universidade de Columbia e com Elsa Seyfert em Konstanz, na Alemanha.
McCracken fez a sua estreia profissional operística em 1952, com a Ópera da Cidade Central, como Rodolfo, na ópera “La Bohème” (Giacomo Puccini). Cantou também em papéis menores no Metropolitan Opera de 1953 até 1957, enquanto continuava a estudar. Em 1957, mudou-se para a Europa e fez a sua estreia na Ópera Estatal de Viena. Fez grande sucesso igualmente com a Ópera de Zurique. Desde 1963, tornou-se um dos principais tenores dramáticos do Metropolitan Opera de Nova Iorque, cantando nas produções de “Otello” (1963 e 1972), “Carmen” (1972), “Aida” (1976), “Le Prophète” (1977) e “Tannhäuser” (1978).
McCracken fez inúmeras gravações, incluindo: “Le Prophète” (com Marilyn Horne e Renata Scotto, em 1976), “Carmen” (conduzido por Leonard Bernstein em 1972), “Fidelio” (com Birgit Nilsson em 1964), “Otello” (com Gwyneth Jones em 1968) e “Pagliacci” (1967).
Casou-se com a mezzo-soprano Sandra Warfield, com quem apresentou a obra “Sansão e Dalila” de Saint-Saëns no Metropolitan. Voltou a actuar nesta sala, algumas semanas antes da sua morte, aos sessenta e um anos de idade.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

15 DE DEZEMBRO - JOE D'AMATO


EFEMÉRIDE - Joe D'Amato, de seu verdadeiro nome Aristide Massaccesi, fotógrafo, cenarista, produtor e realizador de cinema italiano, nasceu em Roma no dia 15 de Dezembro de 1936. Morreu na mesma cidade em 23 de Janeiro de 1999.
Considerado o cineasta italiano mais prolífico de todos os tempos, com mais de 200 filmes realizados, produzidos ou fotografados, foi autor de numerosos filmes de horror e pornográficos. Privilegiando o lado comercial, em que era exímio, escolhia os filmes que estivessem mais na moda, tendo feito mesmo alguns westerns. O erotismo, porém, seria o fio condutor da sua carreira, sobretudo a partir dos anos 1980 e até ao fim da sua vida. Usou muitos pseudónimos para assinar os seus filmes, alguns mesmo femininos.
Duas das suas obras mais controversas foram “Antropophagus”, que continha uma cena de autocanibalismo ultra-chocante, e “Blue Holocaust”, sobre necrofilia. Estas películas traumatizaram numerosas pessoas, mas deram a D’Amato, em contrapartida, a notoriedade de ser um “mestre do horror”.
Faleceu de crise cardíaca. Um boato persistente dizia que teria morrido durante a rodagem de um filme porno no seu domicílio romano.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

14 DE DEZEMBRO - LUPERCIO LEONARDO DE ARGENSOLA


EFEMÉRIDE - Lupercio Leonardo de Argensola, poeta, historiador e dramaturgo espanhol, nasceu em Barbastro, Huesca, no dia 14 de Dezembro de 1559. Morreu em Nápoles, em Março de 1613.
Notável pela obra poética, de estilo clássico, e por ser um dos fundadores do teatro clássico espanhol, contribuiu para a escola renascentista do final do século XVI com duas tragédias que chegaram até aos nossos dias, “Isabela” e “Alejandra”, escritas durante a sua juventude. As poesias de sua autoria foram reunidas e publicadas pelo seu filho Gabriel juntamente com as do irmão, o também poeta, Bartolomé, com o título de “Rimas” (1634). Cronista do Reino de Aragão, publicou obras sobre as Alterações de Aragão e continuou o trabalho dos Anais da Coroa de Aragão.
Estudou Filosofia e Jurisprudência em Huesca e Retórica e História em Saragoça.  Concluídos estes estudos, mudou-se para Madrid, onde frequentou as academias poéticas e adoptou o pseudónimo de “Bárbaro”, jogando com o nome de Mariana Bárbara de Albión, com quem se casou em 1587.
Enquanto morou em Madrid, ocupou vários cargos públicos. Foi nomeado cronista-mor do Reino de Aragão em 1599, cargo que ocupou até à sua morte.
Com a morte da imperatriz Maria da Áustria, de quem era secretário, em 1603, Argensola deixou a corte e foi morar na sua propriedade de Monzalbarba, uma aldeia nos arredores de Saragoça. Em 1610, ao ser nomeado vice-rei de Nápoles o conde de Lemos, seguiu com ele, como seu secretário. Foi um dos principais impulsionadores da Academia dos Ociosos. Uma doença repentina causou-lhe, porém, a morte.
Apaixonado pelos clássicos, admirou principalmente os poetas Horácio e Marcial. A sua poesia é conhecida pelas suas raízes clássicas e um carácter moralizante. Escreveu sonetos, tercetos, canções, epístolas e sátiras.
Compôs também as tragédias “Filis”, “Alejandra” e “Isabela”, que foram elogiadas por Cervantes e que datam aproximadamente de 1580. Considerava imorais as comédias da época.
Como cronista, escreveu uma “Información de los sucesos de Aragón en 1590 y 1591”, documento histórico com base nos motins ocorridos em consequência do asilo concedido a Antonio Pérez em Aragão.
Demonstrou também domínio da poesia satírica, utilizando na justa medida a linguagem coloquial e o dito popular. Nas suas próprias declarações, afirmou escrever sátiras contra os vícios e não contra os indivíduos. Traduziu igualmente seis odes de Horácio de forma exemplar.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

13 DE DEZEMBRO - MARÍA TERESA LEÓN


EFEMÉRIDE - María Teresa León Goyri, romancista, ensaísta, dramaturga e cenarista espanhola, morreu em Madrid no dia 13 de Dezembro de 1988. Nascera em Logroño, em 31 de Outubro de 1903.
Filha de um coronel do exército espanhol, María Teresa cresceu numa casa rica e cheia de livros. Viveu em Madrid, Barcelona e Burgos. Leu numerosos livros de autores conhecidos como Victor Hugo, Alexandre Dumas e Benito Pérez Galdós.
Em virtude da mobilidade das funções ocupadas pelo pai, o nomadismo marcou profundamente a sua vida. A mãe enviou-a estudar na Institución Libre de Enseñanza, onde uma tia era professora. Licenciou-se em Filosofia e Letras.
Fez parte do grupo literário “Geração de 27”. No fim da guerra civil, exilou-se em França e depois na Argentina. Só voltou a Espanha em 1977.
Foi esposa do jornalista e escritor Gonzalo de Sebastián Alfaro e do poeta Rafael Alberti. Faleceu aos 85 anos.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

12 DE DEZEMBRO - PEDRO DE CRISTO


EFEMÉRIDE - Pedro de Cristo, compositor português do Renascimento, morreu em Coimbra no dia 12 de Dezembro de 1618. Nascera na mesma localidade entre 1545 e 1550. Foi um dos mais importantes polifonistas portugueses dos séculos XVI e XVII.
D. Pedro de Cristo passou a maior parte da sua vida em Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz, onde tomou hábito em 1571, embora tivesse estado também no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, pertencente à mesma congregação.
Mestre de capela do mosteiro, cargo de que foi titular a partir de 1597, ele foi ao mesmo tempo professor de música, cantor e tangedor de vários instrumentos, nomeadamente de tecla, harpa e flauta.
Dom Pedro - cujo nome secular era Domingos - pode ser considerado um dos maiores polifonistas do século XVI no domínio da música religiosa. É como compositor que tem o seu lugar na história, com a sua vasta obra vocal polifónica de 3 a 6 vozes, constituída por inúmeros motetos, responsórios, salmos, missas, hinos, paixões, lamentações, versos aleluiáticos, cânticos e vilancicos espirituais.
Pouco conhecido, em virtude da sua obra não ter sido ainda publicada na totalidade, é possível – todavia - avaliar a qualidade e o número dos seus trabalhos, através do que foi publicado sobre ele por Ernesto Gonçalves de Pinho, com alguns dados biográficos inéditos e uma informação valiosa sobre as suas obras, ainda manuscritas.
As informações que chegaram aos nossos dias sobre ele dizem respeito à “Crónica da Fundação de S. Vicente de Fora da Cidade de Lisboa”, da autoria de D. Marcos da Cruz, e ao “Rol dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho” da autoria de D. Gabriel de Santa Maria.
Das cerca de 220 peças musicais que compõem aproximadamente a totalidade da sua obra, apenas uma dúzia e meia foi publicada em notação musical actual. Elaboradas com simplicidade e elegância, inspiradas ou não na temática gregoriana, mantendo - por um lado - aquela técnica rigorosa herdada da maneira de compor quatrocentista de influência flamenga, conseguiu - por outro lado - libertar-se dos apertados esquemas de imitação nas linhas melódicas, de forma a produzir um contraponto de construção sóbria afastada dos grandes efeitos, mas que realça com clareza a palavra do texto sagrado.
As suas composições manuscritas encontram-se maioritariamente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

11 DE DEZEMBRO - VÍCTOR BALAGUER


EFEMÉRIDE - Víctor Balaguer i Cirera, político, jornalista, poeta, dramaturgo e historiador espanhol, nasceu em Barcelona no dia 11 de Dezembro de 1824. Morreu em Madrid, em 14 de Janeiro de 1901. Conhecido como O trovador de Montserrat, ele foi uma das figuras principais da Renaixença.
Era filho único de um médico que morreu em 1834, deixando-o órfão de pai ainda criança. O relacionamento com a mãe foi sempre muito difícil, pois ela queria que ele fosse médico ou advogado e ele sentia-se vocacionado para a Literatura, o que tornava a convivência entre os dois cada vez mais difícil.
Em 1838, com apenas 14 anos de idade, publicou o seu primeiro drama histórico “Pepino, o Corcunda” e muitos outros vieram depois. Em 1843, obteve fama com “Henrique, o Dadivoso”. Então, entrou em confronto com a mãe, que acabou por deserdá-lo e ele precisou de escrever cada vez mais obras para poder sustentar-se. Balaguer ingressou na Universidade de Barcelona, onde entrou em contacto com as obras de Voltaire, Rousseau, Dumas, Victor Hugo e Walter Scott, entre outros. Nessa época, começou a colaborar com o jornal “El Hongo”.
Em 1845, depois de uma acalorada discussão com a mãe, mudou-se para Madrid sem ter concluído os estudos universitários e passou a levar uma vida por conta própria na capital. Começou a trabalhar para o escritor e editor Wenceslao Ayguals de Izco, que lhe ofereceu trabalho como tradutor espanhol para escritores franceses da época, que foram publicados na colecção “Museo de las Hermosas”. Esta situação durou somente alguns meses pois, devido à incerteza económica, Balaguer voltou para Barcelona, onde continuou a trabalhar como tradutor e jornalista. Em 1847, foi nomeado Poeta Oficial do Liceu. Mais tarde, também seria o Teatrólogo Principal, o que lhe deu muita popularidade a nível local.
Em 1851, casou-se com Manuela Carbonell i Català.  Um ano depois, fez uma série de palestras sobre a história da Catalunha, na Sociedade Filarmónica de Barcelona.
Durante a década de 1850, entrou em contacto com os generais Baldomero Espartero e Juan Prim y Prats e aderiu ao Partido Progressista, aumentando gradualmente o seu peso e influência dentro do partido. Foi nesse período que começou a recuperar a memória histórica da antiga Coroa de Aragão.
Também nessa época, começou a reivindicar a língua catalã como língua literária. O seu primeiro poema em catalão, “A la Verge de Montserrat”, foi publicado em 1857. Aos poucos, tornou-se muito activo no processo da Renaixença e da literatura catalã, promovendo a restauração dos Jogos Florais em Maio de 1859 e tornando-se membro do primeiro conselho. Deu também início aos seus primeiros textos historiográficos. Após os Jogos, foi para Itália trabalhar como correspondente, na Segunda Guerra de Independência Italiana. Entre 1860 e 1864, publicou em cinco volumes a “História da Catalunha e da Coroa de Aragão”, que foi um êxito de vendas sem precedentes e no qual Balaguer criticava o modelo da monarquia federal e a tradição de pactos entre as pessoas e o rei.
Entre 1865 e 1867, Balaguer ficou exilado na Provença por ter participado na conspiração do general Juan Prim y Prats. Aqui, conheceu Frédéric Mistral em 1865 e pôde participar em diversas actividades culturais.
Em 1867, voltou à Catalunha. Depois disso e durante todo o Sexénio Revolucionário envolveu-se activamente na política espanhola. Foi nomeado ministro do Exterior (1871) e das Obras Públicas (1872). Voltou a ocupar o cargo de ministro do Exterior em 1886.
A esposa morreu em 1881. Por não deixar descendentes, Víctor Balaguer entregou, em 1884, a sua pequena fortuna para a construção da Biblioteca Museu Víctor Balaguer, em Vilanova i la Geltrú, um serviço público que doou à cidade como gratidão por ter sido escolhido como membro do Parlamento por aquela localidade desde 1869. O seu legado foi colocado naquela instituição que, actualmente, conserva a sua biblioteca de 22 000 livros e a sua colecção de arte, na qual se destacam algumas peças egípcias, orientais e pré-colombianas, muito raras naquela época na Catalunha. Balaguer foi membro da Real Academia Espanhola e da Real Academia da História.

domingo, 10 de dezembro de 2017

10 DE DEZEMBRO - JOSÉ MÁRIO VAZ


EFEMÉRIDE - José Mário Vaz, conhecido como Jomav, economista e político guineense, presidente da Guiné-Bissau desde Junho de 2014, nasceu em Cacheu no dia 10 de Dezembro de 1957.
Economista licenciado em Portugal, José Mário Vaz apresenta-se como um homem que imprime rigor na administração pública e é um acérrimo defensor do trabalho, tendo já sido presidente da Câmara Municipal de Bissau e ministro das Finanças do governo deposto pelo golpe de Estado de 2012. José Mário Vaz, militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) desde 1989, é também conhecido como ‘o homem do 25’ por ter conseguido pagar pontualmente os ordenados da função pública no dia 25 de cada mês, quando era ministro das Finanças.
José Mário Vaz foi eleito presidente à segunda volta (61,9% dos votos), depois do PAIGC - que o apoiou -  ter conquistado a maioria absoluta nas legislativas, as primeiras eleições realizadas na Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de Abril de 2012. As eleições permitiram normalizar as relações diplomáticas e de cooperação com a generalidade da comunidade internacional, que não tinha reconhecido as autoridades de transição nomeadas depois do golpe militar.

sábado, 9 de dezembro de 2017

9 DE DEZEMBRO - ANTÓNIO LOPES FERREIRA


EFEMÉRIDE - António Lopes Ferreira, também conhecido pelo pseudónimo ‘Ventura do Paço’, escritor e empresário português, nasceu em Vila do Conde no dia 9 de Dezembro de 1919. Morreu na mesma cidade em 22 de Setembro de 2000.
Frequentou a Escola Primária Conde Ferreira, em Vila do Conde, e a Escola Secundária Rocha Peixoto, na Póvoa de Varzim, tendo depois ingressado no ensino superior, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Enquanto frequentava a faculdade, foi chamado a cumprir o serviço militar em Tavira, sendo depois destacado para a Ilha Terceira, nos Açores. Organizou grupos de teatro e escreveu poemas onde extravasava a saudade da sua terra natal.
Quando terminou o serviço militar, regressou a Vila do Conde e enveredou pelo negócio do pai: oficina, serralharia, pichelaria e acessórios de bicicletas, afirmando-se rapidamente no mercado local. Sendo, na cidade, pioneiro no negócio de automóveis, construiu, na sua casa comercial, e ofereceu aos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde um dos seus primeiros carros a motor, assim como um Austin (marca automóvel da qual era agente), que actualmente se encontram expostos no Museu dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde. Foi também pioneiro na venda de botijas de gás e dos motores Rabor.
Em Dezembro de 1957, contraiu matrimónio com Rosa Ribeiro Trabulo, natural de Braga, com quem teve seis filhos.
Como curiosidade, a casa onde viveu a partir da década de 1960, situa-se na rua onde viveram grandes vultos da literatura portuguesa, como Antero de Quental e Camilo Castelo Branco.
Foi sempre bairrista e apaixonado por Vila do Conde, tendo - ao longo da vida - dirigido e dado a sua colaboração a várias associações e colectividades vila-condenses. Foi catequista e colaborador da Igreja, foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde durante vários anos consecutivos e fez parte da direcção do Círculo Católico de Operários de Vila do Conde (onde era o sócio nº 2). Foi presidente da Comissão Municipal de Turismo e vereador da Câmara Municipal. Nos anos 1959/1961, exerceu os cargos de presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Vila do Conde e presidente do Rio Ave FC.
António Lopes Ferreira foi um grande impulsionador das Festas de São João, tendo sido presidente da comissão organizativa. Usou também a sua influência para a restauração da Fonte de São João e do Mirante da Praia do Mar à Vista. Foi igualmente um dos principais mentores da geminação de Vila do Conde com o Ferrol. Escreveu letras de música para o Orfeão do CCO de Vila do Conde e para o MAPADI da Póvoa de Varzim.
Foi colaborador e cronista de algumas revistas e jornais, portugueses e estrangeiros, entre eles: “Revista Náutica”, a “Flâmula”, o “Século Ilustrado”, a “Voz do Planalto”, a “Província de Bié”, o “Açoriano Oriental”, o “Jornal de Cerveira”, o “Jornal de Notícias”, o “La Voz de Galicia”, e localmente, a “Tribuna de Vila do Conde”, a “Renovação” (com o pseudónimo ‘Robin de Portugal’) e o “Terras do Ave”.
O pseudónimo ‘Ventura do Paço’, que muito utilizou, era uma homenagem ao seu avô Boaventura Lopes Ferreira e a sua avó Ermelinda Leites do Paço. Para colecções policiais, como a ‘Colecção Corvo’, usou o pseudónimo ‘Alf Land’ ou ‘Harry Lime’.
A sua obra literária estende-se de 1937 a 1996. Na década de 1950, foi galardoado com numerosos prémios em jogos florais e outros certames literários. Faleceu aos 80 anos de idade.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

8 DE DEZEMBRO - JOHN GLENN


EFEMÉRIDE - John Herschel Glenn Jr., piloto de caça, astronauta e político norte-americano, morreu em Columbus no dia 8 de Dezembro de 2016. Nascera em Cambridge (Ohio), em 18 de Julho de 1921. Na juventude, participou num coral na igreja, além de tocar trompete. Em 1939, ingressou na faculdade para estudar Química, mas o seu verdadeiro interesse era pilotar aviões. Após obter a graduação em Engenharia, Glenn ingressou na Marinha dos Estados Unidos em 1942.
Durante a II Guerra Mundial, John Glenn foi piloto naval e participou em vários combates e bombardeamentos na Guerra do Pacífico. Após o conflito, tornou-se instrutor e piloto de ensaios, mas voltou aos combates durante a Guerra da Coreia, pilotando caças a jacto F-86 Sabre e derrubando alguns Migs inimigos, o que lhe valeu várias condecorações.
De volta aos Estados Unidos, Glenn reassumiu o seu trabalho como instrutor. Em 1957, realizou o primeiro voo transcontinental supersónico, viajando de Los Angeles a Nova Iorque em três horas e 23 minutos. Dois anos depois, foi seleccionado pela NASA para o primeiro grupo de astronautas americanos, o Projecto Mercury. Em Fevereiro de 1962, tornou-se o primeiro astronauta dos Estados Unidos a entrar em órbita da Terra, dando três voltas completas sobre o planeta durante quase cinco horas. De volta ao solo, tornou-se instantaneamente um herói nacional. Foi recebido e condecorado pelo presidente Kennedy e participou em desfiles festivos, em várias cidades do país.
Os seus pendores políticos e a sua fama foram notados pelo governo americano da época e Glenn tornou-se grande amigo da família Kennedy. Não participou em mais voos espaciais, em parte - de acordo com comentários da época dentro da NASA e da Casa Branca - por pedido feito aos directores da agência espacial pelo próprio presidente Kennedy, para quem a perda num acidente de um herói nacional e mundial de sua estatura, poderia causar grande comoção ao povo americano e até obrigar ao cancelamento do programa espacial. De qualquer modo, John Glenn aposentou-se da NASA ainda em 1964, antes do começo do Programa Espacial Gemini.
Nos anos seguintes, dedicou-se à política pelo Partido Democrata, assumindo o cargo de senador pelo seu Estado natal de Ohio durante vinte e cinco anos, entre 1974 e 1999.
Em Outubro de 1998, participou numa experiência para avaliar o comportamento de pessoas da terceira idade no espaço. Assim, John Glenn - aos 77 anos - voltou à órbita terrestre, desta vez como membro da tripulação da nave espacial Discovery, na missão STS-95, que durou dez dias.
Glenn é um dos 28 homens e mulheres a terem recebido até hoje a Medalha de Honra Espacial do Congresso, a maior condecoração concedida pelo governo dos Estados Unidos a astronautas que tenham realizado algum feito extraordinário para a nação ou para a Humanidade.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

7 DE DEZEMBRO - ROBERT GRAVES


EFEMÉRIDE - Robert Von Ranke Graves, poeta, romancista e crítico britânico, morreu em Deia (Maiorca, Espanha) no dia 7 de Dezembro de 1985. Nascera em Wimbledon, Londres, em 24 de Julho de 1895. A sua obra “Eu, Cláudio” (“I, Claudius” no original) foi adaptado à televisão em 1976.
Estudou no Colégio Chaterhouse em Londres. Combateu em França durante a Primeira Guerra Mundial, tendo sido ferido (pulmão perfurado) em 1916, na Batalha da Somme. Na mesma época, ainda no serviço activo, estreou-se na literatura, com dois volumes de poemas em 1916 e um em 1917. Depois do conflito, prosseguiu os seus estudos na Universidade de Oxford.
Publicou em 1929 a sua autobiografia “Goodbye to All That”, que constituiu um grande êxito de vendas. De 1934 a 1936, já a viver em Maiorca, escreveu os seus primeiros romances históricos: “Eu, Claudius, Imperador”, que obteve os prémios Hawthornden e James Tait Black, e “Claudius, o Deus, e Messalina” (1934), a que se seguiram - entre muitos outros - “O Conde Belisário” (1938), “O Sargento Lamb” (1940), “A Esposa de Mr. Milton” (1948), “O Tosão de Ouro” (1944) e “O Rei Jesus” (1948). Foi também autor de “O Grande Livro dos Mitos Gregos”.
Casado em Janeiro de 1918 com Nancy Nicholson, divorciou-se em 1929. Viveu e faleceu em Deia, onde se encontra sepultado. A casa onde viveu durante quase meio século é hoje um museu.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

RIP JOHNNY HALLYDAY


6 DE DEZEMBRO - GRIZEL BAILLIE


EFEMÉRIDE - Grizel (Hume) Baillie, escritora e compositora de canções populares escocesa, morreu em Londres no dia 6 de Dezembro de 1746. Nascera em Berwickshire, em 25 de Dezembro de 1665.
Era a filha mais velha do baronete Patrick Hume (mais tarde conde de Marchmont). Quando tinha doze anos de idade, entregava secretamente as cartas do seu pai ao conspirador escocês Robert Baillie de Jerviswood, que estava então na prisão por ter participado na Conspiração de Rye House em 1683 - um plano para assassinar o rei Carlos II da Inglaterra e o seu irmão (e herdeiro do trono) Jaime, duque de Iorque. A simpatia de Hume por Baillie fez dele um homem suspeito e as tropas do rei ocuparam o Castelo Redbraes, onde ele vivia. Permaneceu escondido durante algum tempo, na cripta da igreja paroquial de Polwarth, onde a filha – clandestinamente - lhe levava comida. Ao saber da execução de Baillie (1684), ele fugiu para as Províncias Unidas, onde a família se lhe juntou. Voltaram para a Escócia, depois da Revolução Gloriosa.
Em Setembro de 1692, Grizel casou-se com George Baillie, filho de Robert. Os dois tinham-se conhecido quando eram ainda adolescentes e, supostamente, apaixonaram-se desde então. O que se sabe ao certo é que após voltar para a Escócia, Lady Grizel recusou a oferta para ser uma das damas de companhia da rainha Maria e convenceu os pais de que casar-se com Baillie seria algo mais vantajoso. O casal teve três filhos, um deles tendo morrido com dois anos de idade.
A filha mais velha tinha em sua posse um manuscrito em prosa e verso escrito pela mãe. Algumas das canções foram impressas na “Tea-Table Miscellany” do poeta escocês Allan Ramsay. A mais famosa das suas canções em escocês é “And werena my heart light I wad dee” e foi publicada originalmente no “Orpheus Caledonius, or a Collection of the Best Scotch Songs” (1725) do musicólogo William Thomson.
Os ‘registos contáveis domésticos’ de Grizel Baillie, cuidadosamente mantidos de 1692 até 1746, revelam informações sobre a vida social na Escócia, no século XVIII. Estas anotações têm início logo após o seu primeiro ano de casada e terminam pouco antes da sua morte, consistindo em mais de mil páginas.
Em 1911, a Sociedade História Escocesa publicou uma edição académica de 400 páginas dos registos de Grizel Baillie. Esta edição é voltada principalmente para os anos de 1692 a 1718, que dão maiores detalhes sobre os primeiros anos de casamento dos Baillies, o nascimento e a educação dos filhos e o casamento das filhas. Historiadores citaram mesmo estes registos para demonstrar o custo dos produtos da época e para fornecer elementos sobre a alimentação dos trabalhadores naquele período.
Muito se sabe sobre o casamento e vida familiar de George e Grizel Baillie, graças à biografia escrita por uma das suas filhas. Embora não destinada à publicação, a biografia foi impressa em 1809, em “Observations on the Historical Work of the Right Honorable Charles James Fox” sob o título de “Lady Murray's Narrative". Lady Grizel foi também imortalizada pela poetisa escocesa Joanna Baillie, que dizia ser uma parente distante, num poema publicado pela primeira vez em 1821, em “Metrical Legends of Exalted Characters”.

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