Segunda-feira, 19 de Março de 2012

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"Poetando"...



EFEMÉRIDEHilário Rosário da Conceição, ex jogador de futebol português, nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo) no dia 19 de Março de 1939. Jogava como defesa.


Representou o FC Arsenal, o Atlético de Lourenço Marques, o Sporting de Lourenço Marques e o Sporting Clube de Portugal. Conquistou três Campeonatos Nacionais e três Taças de Portugal, sendo também um elemento fundamental da Selecção Nacional nos anos 1960. A sua agressividade, carácter e entrega ao jogo eram tais, que constituía quase uma barreira intransponível.


Hilário não pôde dar o seu contributo na final da Taça dos Vencedores das Taças Europeias conquistada pelo Sporting em 1964, pois num lance fortuito, poucos dias antes, fracturou a tíbia e o perónio. Ficou assim arredado de uma das mais saborosas vitórias do futebol sportinguista.


Em 1972, com 34 anos, foi convocado para uma Selecção da Europa que defrontou a sua congénere da América do Sul. Despediu-se do futebol na final da Taça de Portugal de 1973, que o Sporting venceu. Dedicou-se depois à carreira de treinador, tendo chegado a treinar o Sporting de Braga em 1979/1980.


Foi internacional português 39 vezes (1959/1971). O apogeu da sua carreira ocorreu nos Mundiais de 1966 em que, para além dos ases do ataque português, todos eles benfiquistas, foi ele o jogador que mais conseguiu destacar-se. De tal forma que foi titular indiscutível nos seis jogos e, segundo os especialistas, o jogador nacional que teve um desempenho mais regular em toda a campanha.

Domingo, 18 de Março de 2012




EFEMÉRIDE René Clément, realizador de cinema francês, nasceu em Bordéus no dia 18 de Março de 1913. Morreu em Monte Carlo, em 17 de Março de 1996, na véspera de completar 83 anos.


Foi considerado um dos maiores realizadores do cinema francês. Começou por colaborar com Jacques Tati em gags visuais na década de 1930 e trabalhou nos serviços cinematográficos do exército.


Depois da guerra, em 1946, co-dirigiu com Jean Cocteau um dos grandes filmes do cinema europeu, “A Bela e o Monstro”. Foi por três vezes vencedor do Festival de Cannes como Melhor Realizador (1946, 1947 e 1949) e recebeu os Oscars do Melhor Filme Estrangeiro em 1950 com “Três Dias de Amor” e em 1952 com “Brinquedo Proibido”.


O seu maior sucesso no cinema foi, no entanto, em 1959, “O Sol por Testemunha” com Alain Delon e Marie Laforêt. Realizou o seu último filme em 1976. Em 1986 foi eleito para a Academia das Belas Artes Francesa.

Sábado, 17 de Março de 2012




EFEMÉRIDEAntónio José Saraiva, professor e historiador de Literatura portuguesa, morreu em Lisboa no dia 17 de Março de 1993. Nascera em Leiria, em 31 de Dezembro de 1917.


Foi criado em Leiria até aos quinze anos. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Obteve o doutoramento em Filologia Românica, em 1942.


Envolveu-se na oposição ao Salazarismo, tendo sido apoiante da candidatura presidencial do general Norton de Matos. Em 1949, foi preso e impedido de ensinar. Durante os anos seguintes, viveu exclusivamente das suas publicações e da colaboração em jornais e revistas.


Exilou-se em França em 1960, tendo em seguida ido viver para a Holanda, onde leccionou na Universidade de Amesterdão. Regressado a Portugal, após o 25 de Abril de 1974, tornou-se professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


António José Saraiva foi autor de uma vastíssima obra, considerada uma referência nos domínios da História da Literatura e da História da Cultura portuguesas. Estudou diversos autores (Camões, Garrett, Alexandre Herculano, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Gil Vicente, Eça de Queirós, Oliveira Martins, etc.) e publicou obras de grande fôlego como a “História da Cultura em Portugal” ou, em parceria com Óscar Lopes, a “História da Literatura Portuguesa”.


Era pai do jornalista José António Saraiva e irmão do historiador José Hermano Saraiva. Era também sobrinho de José Maria Hermano Baptista, militar centenário (1895/2002), o último veterano português sobrevivente da Primeira Guerra Mundial.


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Até fazem parar o trânsito!...

Sexta-feira, 16 de Março de 2012




EFEMÉRIDELupe Cotrim, de seu verdadeiro nome Maria José Cotrim Garaude Gianotti, poetisa e tradutora brasileira, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, nasceu em São Paulo no dia 16 de Março de 1933. Morreu em 18 de Fevereiro de 1970, vítima de doença oncológica, um mês antes de completar 37 anos de idade.


Viveu alguns anos em Araçatuba onde o pai exercia clínica e, ainda muito jovem, transferiu-se com a mãe para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Bennett. Voltou mais tarde a residir em São Paulo, para estar mais próxima do pai. Integrou-se no meio literário paulista. Concluiu os estudos secundários no Colégio Des Oiseaux. Licenciou-se em Cultura Geral e “Biblioteconomia” no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo.


Nos anos 1950, estudou Literatura, Línguas, Artes e Canto lírico. Em 1961, fez um programa de televisão, que a tornou conhecida do grande público. Em 1963, começou a estudar Filosofia na USP, onde conheceu José Arthur Gianotti, seu futuro marido.


Lupe foi um dos nomes em destaque na poesia brasileira da década de 1960. Em 1968, integrou o grupo de professores que fundou a ECA, leccionando Estética e Pensamento Filosófico. A sua notável actuação face aos desafios da recém-criada unidade da Universidade de São Paulo e, ao mesmo tempo, à conjuntura política adversa por que passava o Brasil, levou os estudantes a darem o nome de Lupe Cotrim ao Centro Académico, após a sua morte prematura.


O seu livro “Poemas ao Outro” recebeu postumamente o Prémio Governador do Estado de São Paulo. É frequentemente citada e relembrada pela forma e clareza dos seus poemas e também pela sua beleza pessoal.

Quinta-feira, 15 de Março de 2012





EFEMÉRIDECharles Nungesser, aviador francês e ás da aviação durante a Primeira Guerra Mundial, nasceu em Paris no dia 15 de Março de 1892. Desapareceu em 8 de Maio de 1927, algures no Atlântico ou já na América do Norte, durante uma tentativa de fazer Paris – Nova Iorque sem escala. Pilotava o avião “L'Oiseau Blanc”, juntamente com François Coli.
Estudou na Escola Nacional Profissional de Armentières de 1905 a 1907. Uma placa presta-lhe hoje homenagem no hall de honra desta prestigiosa escola, que se passou entretanto a chamar Liceu Gustave Eiffel.

Aos quinze anos partiu para a América do Sul onde exerceu diversos ofícios, como cowboy, boxeur e piloto de corridas de automóveis. Descobriu igualmente a aviação, que dava os primeiros passos, e começou a pilotar.

Regressado a França antes da declaração de guerra, alistou-se no exército, onde recebeu uma medalha após dez dias de combate. Conseguiu com efeito, depois de ter passado as linhas inimigas, capturar um automóvel Mors e abater os quatro oficiais prussianos. Conduziu seguidamente a viatura até ao quartel-general da sua divisão, juntamente com os planos encontrados junto dos oficiais inimigos. A seu pedido, foi então autorizado a transferir-se para a aviação.


Integrou, em Dunquerque, a esquadrilha VB 106, pilotando um bombardeiro Voisin III, tendo efectuado 53 missões de bombardeamento. Aproveitava também para perseguir os aviões com os quais se cruzava. Em Julho de 1915, abateu um Albatroz alemão o que lhe valeu a Cruz de Guerra e uma transferência para a esquadrilha de caça N 65 baseada em Nancy. Por várias vezes, terminou as patrulhas de caça com acrobacias por cima da sua base, o que lhe custou algumas punições.


Em Fevereiro de 1916, ficou gravemente ferido, num acidente à descolagem, aos comandos do protótipo de um avião de caça. Fracturou o maxilar e as duas pernas. Um mês depois, saiu do hospital de muletas, recusou a reforma e voltou à sua esquadrilha. Tinha de ser ajudado para entrar e sair dos aviões.


Participou na Batalha de Verdun obtendo dez vitórias e, depois, mais onze na frente de Somme. O seu estado de saúde, porém, continuava a ser muito precário e teve de regressar ao hospital, de onde só conseguiu sair depois de ter prometido aos médicos e ao estado-maior que voltaria depois de cada voo para continuação dos tratamentos. Um acidente de automóvel, onde morreu o seu fiel mecânico Roger Pochon, que estava ao volante, levou-o de novo para um hospital mas, apesar de tudo, continuou depois a acumular sucessos. Em Agosto de 1918, abateu vários Drachens e obteve a sua 43ª vitória homologada, que seria também a última.


Em 1927, obcecado pelo desejo de se ultrapassar, formou com François Coli o projecto de atravessar o Atlântico Norte. O duo descolou do aeroporto do Bourget em 8 de Maio de 1927, com direcção a Nova Iorque. O avião foi apercebido pela última vez ao largo das costas irlandesas e nunca chegou ao destino. Nem os corpos nem o avião foram encontrados.


Além de várias condecorações francesas, foi distinguido por vários países, como o Reino Unido, a Bélgica, os Estados Unidos, a Roménia, a Sérvia e Montenegro.


Foi dado o seu nome a várias escolas, ruas, aviões e ao estádio de futebol de Valenciennes, localidade onde passou parte da sua juventude. Um selo dos correios franceses “Nungesser e Coli, 8 de Maio de 1927” foi emitido em 1967.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012


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Que raio de azar!




EFEMÉRIDEGeorge Eastman, industrial norte-americano, fundador da Kodak e inventor da película que permitiu a popularização da fotografia, morreu em Rochester no dia 14 de Março de 1932. Nascera em Waterville, em 12 de Julho de 1854.


Em 1888 lançou no mercado o primeiro aparelho fotográfico de sua concepção, sob a marca Kodak, termo que ele criou para a circunstância, procurando uma palavra simples, atraente e pronunciável em todas as línguas.


Kodak era um aparelho, portátil e simples, carregado com um rolo de película negativa para cem fotografias. O utilizador devia enviá-lo ao fabricante depois de utilizado e recebia-o, dias mais tarde, carregado com um novo rolo de negativos e acompanhado das fotos precedentes devidamente impressas. O slogan utilizado pela Eastman Dry Plates and Film Company era: «Carregue no botão, nós fazemos o resto».


Em 1892 reorganizou a sociedade, transformando-a na Eastman Kodak Company. Em 1900 pôs no mercado a “Brownie”, um aparelho destinado às crianças e vendido por um dólar. O seu sucesso foi considerável e, em 1927, detinha praticamente o monopólio da indústria fotográfica nos Estados Unidos.


Nos anos 1930, foi atingido por uma doença da coluna vertebral que o iria deixar diminuído fisicamente para o resto da vida. Não podendo suportar tal ideia, suicidou-se com um tiro no coração e deixou uma carta onde dizia apenas: «Para os meus amigos. O meu trabalho está feito. Porque esperar?». O corpo foi velado na Igreja Episcopal St. Paul, em Rochester, e enterrado no jardim da Kodak, no estado de Nova Iorque.


Em 1924, George Eastman abdicara de metade da sua fortuna para o mecenato. As suas dádivas atingiram o total de 75 milhões de dólares e os principais beneficiários foram a Universidade de Rochester e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) de Boston. Fundou também, em Paris, o Instituto Dentário George-Eastman. Foi um dos primeiros industriais a distribuir parte dos lucros pelos seus funcionários, sob a forma de prémios de produtividade.


A sua casa particular, a George Eastman House, é agora um centro de arquivos e um museu fotográfico de reputação mundial. Ironicamente, Eastman detestava ser fotografado. A empresa não resistiu à era digital e, em Janeiro de 2012, declarou falência.


Um exemplo...

Terça-feira, 13 de Março de 2012




EFEMÉRIDENeil Sedaka, cantor, pianista e compositor norte-americano, de origem turca e judaica, nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, no dia 13 de Março de 1939.


Quando começou a interessar-se pela música, a sua ambição era tornar-se pianista de concerto. Durante os estudos, porém, voltou-se para uma música mais viva, abandonando a clássica em benefício da pop-music. Fez parceria com Howard Greenfield na composição de muitas canções de sucesso, tanto para si como para outros cantores. A voz de Sedaka é identificada como de tenor.


Em 1958 gravou, por sua conta, o primeiro disco. A editora RCA tomou conhecimento desta gravação e propôs-lhe de imediato um contrato. No ano seguinte, o seu segundo disco “I go ape” proporcionou-lhe o primeiro Disco de Ouro, seguindo-se um segundo com o seu maior sucesso de sempre “Oh Carol” e ainda um terceiro, em 1962, com “Breaking up is hard to do”. Muitas outras canções de Neil Sedaka tiveram enorme êxito, desde os finais da década de 1950 e o início dos anos 1960 até à actualidade.


Quando o grupo sueco ABBA estava no início da carreira, Neil ajudou-os a fazer a versão em inglês de “Ring Ring”, uma das primeiras canções do grupo nessa língua e que foi incluída no álbum com o mesmo nome em 1973.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012





EFEMÉRIDELouison Bobet, de seu verdadeiro nome Louis Pierre Marie Bobet, antigo ciclista francês, nasceu em Saint-Méen-le-Grand no dia 12 de Março de 1925. Morreu em Biarritz, em 13 de Março de 1983.


Foi vencedor da Volta a França em 1953, 1954 e 1955, igualando o velho recorde do belga Philippe Thys que tinha vencido também o Tour em 1913, 1914 e 1920. Foi Campeão Mundial de Ciclismo em Estrada (1954) e vencedor do Paris-Roubaix em 1956. Era conhecido como “o padeiro de Saint-Méen”, devido à profissão que tinha antes de iniciar a sua carreira de ciclista.


Praticou vários desportos na juventude, nomeadamente ténis de mesa, onde se sagrou mesmo Campeão da Bretanha. Um seu familiar notou nele aptidões muito especiais para o ciclismo e convenceu-o a dedicar-se à modalidade. Começou a competir em 1941 e obteve a sua primeira vitória como federado no ano seguinte.


Durante a guerra, transportou mensagens para a Resistência e integrou o exército, depois do desembarque aliado em 1944. Desmobilizado do serviço militar, conquistou em 1946 um título de campeão amador. Em 1947 tornou-se profissional e começou a sobressair em todas as provas que disputou.


Durante a sua carreira profissional (1947/1962), averbou 122 vitórias. Representou as equipas “Stella”, “Mercier” e “Ignis”. Juntamente com o italiano Fausto Coppi, dominou o ciclismo mundial nos anos 1950.


Em Dezembro de 1961, ao regressar de Bruxelas com um irmão, foi vítima de um grave acidente de automóvel. No decorrer da sua recuperação física, foi tratado durante duas semanas no Instituto de Talassoterapia de Roscoff. Disse adeus às competições em Agosto de 1962. Surpreendido com os efeitos da água do mar sobre o seu organismo, imaginou um novo conceito de “saúde/tempos livres”, criando o primeiro centro moderno de talassoterapia, em Goulvars. O instituto abriu as suas portas em Abril de 1964 e foi inaugurado oficialmente no mês seguinte. O mundo da política, das artes, dos espectáculos e das letras acorreu de forma surpreendente. Face a este sucesso, fez construir dois outros centros, um em Biarritz e outro em Marbella. Este último só abriria após o seu falecimento. A maldita doença atraiçoou-o. Morreu vitimado por um cancro, precisamente no dia seguinte ao seu 58º aniversário.


Um museu foi inaugurado em 1994 na sua terra natal. Nele se podem contemplar numerosos troféus, livros, testemunhos, maquetas, vídeos, fotografias, revistas, medalhas, camisolas, bandeiras, cachecóis, bicicletas, etc.


Supersticioso, Bobet vivia fascinado pelo número 41. Antes de cada corrida, queria saber sempre qual o ciclista a quem coubera aquele número. O 41 tinha um significado especial para ele, porque a sua primeira vitória, ainda como amador, ocorrera em 1941. Foi incorporado também no 41º regimento de infantaria e, quando se instalou em Fontenay-sous-Bois, foi morar no nº 41 da rua Roublot.


Bobet foi um dos primeiros corredores a ter um preparador físico só para si e um fisioterapeuta, que era simultaneamente seu secretário e motorista. Publicou em 1959 um livro para crianças, com o título “Campeão ciclista”.


12 de Março 2011 - Passado um ano, tudo piorou. Até a mobilização...

Domingo, 11 de Março de 2012




EFEMÉRIDE – Nino Konis Santana, de seu verdadeiro nome Antoninho Santana, comandante das Forças Armadas de Libertação e Independência de Timor-Leste (FALINTIL), forças de guerrilha da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN), que lutaram contra a Indonésia e pela independência, morreu em Ermera no dia 11 de Março de 1998. Nascera em Veru, Tutuala, em 1957.


Durante a juventude, foi dirigente da União Nacional dos Estudantes Timorenses. Foi membro da comissão que preparou o processo eleitoral em Lospalos em 1974 e professor, na mesma localidade, até à invasão indonésia em Dezembro de 1975. Após a invasão e a ocupação indonésia, Konis Santana buscou refúgio nas montanhas e ingressou na luta armada, na Região Militar de Lospalos.


Em 1981 foi nomeado membro do grupo de ligação liderado por Xanana Gusmão. No início de 1992, após a captura de José da Costa, aliás “Mau Hodu Ran Kadalak”, passou a adido político de Xanana. Com a prisão deste em Novembro de 1992, foi nomeado membro do Comité Político-Militar liderado por António João Gomes da Costa, conhecido pelo nome de guerra “Ma'Hunu”, que acabou também por ser capturado pelas forças indonésias no ano seguinte em Manufahi. Konis Santana ascendeu, então, a comandante operacional das FALINTIL, tendo reorganizado a resistência com o estabelecimento do Conselho Executivo da Luta Armada e da Frente Clandestina, coordenando toda a actividade da resistência dentro do território. Konis Santana foi ainda Secretário do Comité Directivo da FRETILIN.


Com o objectivo de levar a guerrilha à parte ocidental da ilha, Konis Santana fixou-se em Ermera em 1991. Inicialmente viveu nas plantações de café. Com o intensificar das patrulhas indonésias (naquele tempo chegou a haver um soldado indonésio por cada 35 civis timorenses), Konis – com a ajuda de familiares que viviam na zona – construiu um pequeno oratório dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Por baixo, ficava um esconderijo que incluía uma pequena sala, um quarto de dormir e um quarto de banho, onde Konis viveu os últimos seis anos da sua vida. Foi dali que conseguiu comandar as forças no terreno, graças ao serviço de estafetas que levavam e traziam mensagens, de rádios e também, já perto do final da sua vida, pelo recurso a um telefone via satélite.


Apesar da presença constante do exército indonésio nas redondezas, o esconderijo nunca foi descoberto. Konis acabou por falecer na sequência de complicações de saúde e da falta de assistência médica adequada. Com a sua morte, a liderança da luta armada de Timor-Leste passou a ser assumida por Taur Matan Ruak, até à realização do referendo que decidiu a independência do território.


Em finais de 2005, após cinco anos de investigação nos arquivos por ele deixados, o historiador português José Mattoso lançou o livro “A Dignidade – Konis Santana e a Resistência Timorense”.

Sábado, 10 de Março de 2012




EFEMÉRIDEAntónio-Pedro Saraiva de Barros e Vasconcelos, cineasta português, nasceu em Leiria no dia 10 de Março de 1939. Estudou Direito na Universidade de Lisboa e Filmografia na Universidade da Sorbonne. É um dos realizadores do Cinema Novo Português, nomeadamente com o filme “Perdido por Cem” em 1973.


Imediatamente após a Revolução de 25 de Abril, realizou para a Rádio Televisão Portuguesa o documentário “Adeus, Até ao meu Regresso” (1974), sobre uma geração marcada pela Guerra Colonial (o título era uma frase proferida por muitos militares, quando enviavam pela televisão mensagens de Natal aos seus familiares no Continente). Abordou igualmente o tema do afastamento, na média metragem “Emigr/Antes... e Depois?”, sobre as férias em Portugal de algumas famílias de emigrantes.


Em 1981, regressou às longas-metragens com “Oxalá”, um filme ainda marcado pela realidade sociopolítica pós Revolução e pela dicotomia entre a vida em Portugal e no estrangeiro, corporizada desta vez no regresso dum jovem que tinha estado exilado em Paris.


Após cerca de três anos marcados por dificuldades a nível da produção, foi responsável por alguns dos maiores sucessos cinematográficos portugueses, sobretudo com “O Lugar do Morto” em 1984 e “Jaime” em 1999. Com esta última película conquistou a Concha de Prata do Festival Internacional de Cinema de San Sebastian e, em Portugal, os Globos de Ouro para Melhor Filme e Melhor Realizador. Os seus mais recentes filmes foram “Os Imortais” em 2003, “Call Girl” em 2007 e “A Bela e o Paparazzo” em 2010.


A par da realização, foi um dos fundadores da V. O. Filmes, da Opus Filmes e ainda do Centro Português de Cinema, que mereceu o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e produziu a maior parte dos filmes do Cinema Novo. Foi apresentador do programa “Cineclube”, na RTP2; fez crítica literária e cinematográfica, tendo chefiado a redacção de “O Cinéfilo”, com João César Monteiro; foi colunista da “Visão” e director de “A Semana”, suplemento do “Independente”. É autor de “Interesse Público, Interesses Privados” (2002) e foi Provedor do Leitor no jornal desportivo “Record”. Em 1985, representou Portugal no Fórum Cultural de Budapeste, a convite do ministro dos Negócios Estrangeiros. Presidiu ao Grupo de Trabalho do Livro Verde para a Política do Cinema e Audiovisual, dirigido pela Comissão Europeia.


Presidiu à Associação Portuguesa de Realizadores de 1978 a 1984, ao Secretariado Nacional do Audiovisual de 1991 a 1993 e ao Conselho de Opinião da RTP entre 1996 e 2003. Professor da Escola de Cinema do Conservatório Nacional e coordenador executivo da licenciatura em Cinema, Televisão e Cinema Publicitário da Universidade Moderna de Lisboa, foi distinguido pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique.

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