terça-feira, 28 de março de 2017

GILBERT BÉCAUD - "Et maintenant" (1987)

28 DE MARÇO - FRANCISCO DE MIRANDA

EFEMÉRIDE – Sebastián Francisco de Miranda Rodríguez, militar venezuelano, herói da independência do seu país, nasceu em Caracas no dia 28 de Março de 1750. Morreu em San Fernando, Cádis, em 14 de Julho de 1816.
Idealizou um plano para a independência das colónias espanholas na América Latina e é reconhecido como precursor dos ideais de Simón Bolívar, de Bernardo O'Higgins e de outros combatentes que lutaram pelos mesmos objectivos naqueles territórios.
Oriundo de uma família abastada, fez os estudos clássicos e seguiu um curso de Arte Militar. Com 21 anos, decidiu partir para Espanha a fim de prosseguir uma carreira no exército. Apesar do seu espírito independente, pouco apreciado pelos seus superiores, revelou rapidamente as suas capacidades de comando que lhe valeram várias promoções. 
Já com o posto de capitão, desembarcou em Cuba com as tropas espanholas para combater os ingleses. O rei de Espanha Carlos III tinha, com efeito, decidido ajudar os insurrectos da América do Norte durante a Guerra da independência dos Estados Unidos. Tornou-se notado não só pela sua bravura, mas também pelas suas qualidades diplomáticas.
Em 1783, com 33 anos, foi promovido a tenente-coronel mas – entusiasmado com o exemplo dos insurrectos americanos – deixou o exército e decidiu lutar pela independência das colónias espanholas, assegurando a formação de revolucionários e procurando uma potência europeia susceptível de o ajudar naqueles desígnios.
Passou então seis anos entre os Estados Unidos, a Inglaterra e o continente europeu. Em Paris, o seu espírito brilhante e a sua forte personalidade abriram-lhe os salões melhor frequentados da capital e também os corações de belas mulheres. Chegou a ser general, marechal de campo e tenente general (1792), participando na Batalha de Valmy. O seu nome está inscrito no Arco de Triunfo em Paris.
Miranda organizou uma invasão (não bem sucedida) da Venezuela, em 1806. Chegou ao porto de Coro, onde a bandeira venezuelana tricolor foi içada pela primeira vez. Depois tiveram de se retirar. Entre os voluntários que o acompanharam nesta rebelião, estava David G. Burnet dos Estados Unidos, que seria mais tarde o presidente interino da República do Texas, depois da sua separação do México, em 1836.
Em Abril de 1810, a Venezuela iniciou finalmente o seu processo de independência, pelo que Simón Bolívar persuadiu Miranda a voltar à sua terra natal, onde o fizeram general do exército revolucionário. Quando o país declarou formalmente a independência, em 1811, ele assumiu a presidência da primeira República venezuelana, com o posto de generalíssimo.
As forças espanholas contra-atacaram e Miranda, temendo uma derrota brutal e desesperada, assinou um armistício com os espanhóis em Julho de 1812 (Tratado de La Victoria). Simón Bolívar e outros revolucionários acharam que a sua rendição correspondia a uma traição às causas republicanas e frustraram a sua intenção de escapar, entregando-o ao exército real espanhol, que o trouxe para uma prisão em Cádis, Espanha, onde morreu em 1816. Viria mais tarde a ser sepultado no Panteão Nacional da Venezuela.
Em 2007, foi estreado o filme “Miranda Regresa”, realizado por Henry Herrera, que conta a história de Francisco de Miranda.

segunda-feira, 27 de março de 2017

27 DE MARÇO - HENRY ROYCE

EFEMÉRIDE – Frederick Henry Royce, pioneiro inglês da indústria automobilística, nasceu em Alwalton no dia 27 de Março de 1863. Morreu em West Wittering, em 22 de Abril de 1933.
Juntamente com Charles Rolls, foi co-fundador – em 1904 – da Rolls-Royce, prestigiada marca de automóveis de luxo. Em 1991, foi incluído no Automotive Hall of Fame.
Nasceu num família modesta, sendo o maia novo de cinco irmãos. Desde criança, apaixonou-se pelo funcionamento mecânico do moinho de águia do pai. 
Em 1873, com dez anos, foi vendedor de jornais em Londres. Depois, empregou-se como aprendiz de mecânica nos estaleiros de uma das primeiras companhias de caminhos-de-ferro britânica, a Great Northern Railway em Peterborough. De forma autodidacta, aprendeu os princípios fundamentais da mecânica. Passou a trabalhar numa fábrica de ferramentas de Leeds, onde rapidamente se tornou formador.  
Em 1882, com dezanove anos, foi atraído por uma invenção – a electricidade – e conseguiu emprego numa das primeiras companhias eléctricas de Inglaterra. Quatro anos depois, decepcionado pela falta de evolução e com a qualidade técnica da empresa, fundou a sua própria sociedade em Manchester – a Cook Street, para fabricar material electromecânico: geradores, dínamos e equipamentos eléctricos para fábricas. Este material adquiriu grande notoriedade pela sua «qualidade-fiabilidade-segurança» e assegurou-lhe sucesso comercial em todo o país.
No princípio dos anos 1900, uma nova invenção excitou a sua curiosidade – o automóvel. Comprou um Decauville em 2ª mão, para se deslocar até ao local de trabalho. Ficou decepcionado, porque arrancava mal, sobreaquecia, era barulhento, pouco potente, vibrava por todo o lado, era difícil de manejar e inconfortável, avariava frequentemente…
Em 1902, fundou a Royce Company em Manchester e fabricou a sua primeira viatura – estética, luxuosa, robusta, fiável, silenciosa, confortável, sem vibrações e com arranque seguro. Royce alcançou assim uma excelente e unânime reputação em toda a Inglaterra.
Em Maio de 1904, Charles Rolls, piloto pioneiro do desporto automóvel e importante importador de automóveis europeus, descontente com o fraco nível das viaturas da época, procurou Henry Royce, de quem toda a gente falava. Os ensaios foram promissores e, desde logo, se comprometeu a comercializar o automóvel.
Em Dezembro, os dois associaram-se e juntaram as suas empresas numa só (Rolls-Royce), atraindo os automobilistas de elite e os aristocratas. Eram viaturas mais caras, mas também as melhores do mundo e que impuseram um respeito universal.
Apesar da notoriedade e da fortuna, Henry ficava fechado, no seu atelier de mecânica, dezasseis horas por dia até ao esgotamento, à procura de melhorias, num desejo insaciável e maníaco de perfeição. Os artistas da empresa chamavam-lhe carinhosamente “Papá Royce”. As viaturas Rolls-Royce foram apresentadas por todo o lado e conquistaram numerosos troféus.
Charles Rolls afirmou certa vez : «Como me limito a estar sentado e a esperar que a viatura corte a meta, o mérito deve ir inteirinho para Henry Royce que é o seu desenhador e construtor». Rolls acabou por morrer durante um meeting aéreo, nove dias depois de ter batido o recorde da travessia da Mancha em avião. 
Em 1914, foi criada a Rolls Royce (aviação). Já nos anos 2000, ela era o segundo fabricante mundial de motores de avião, logo após a General Electric.
Em 1931, a empresa Rolls-Royce comprou e fundiu-se com a Bentley, o seu mais importante concorrente industrial e desportivo. Na actualidade, as viaturas são fabricadas em Goodwood, próximo do local em que Henry Royce faleceu.

domingo, 26 de março de 2017

26 DE MARÇO - AUGUSTO MACHADO

EFEMÉRIDEAugusto de Oliveira Machado, compositor, professor e director de teatro português, morreu em Lisboa no dia 26 de Março de 1924. Nascera na mesma cidade em 27 de Dezembro de 1845.  
Os seus primeiros estudos musicais decorreram em Lisboa, com Joaquim Casimiro, Emílio Daddi e João Guilherme Daddi. Seguiu mais tarde para uma primeira estadia em Paris, onde estudou com Lavignac.
Em 1869, apresentou o seu ballet “Zefiretto” no Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa. No ano seguinte, estreou a opereta “Sol de Navarra” no Teatro da Trindade. Estes acontecimentos, porém, passaram quase despercebidos.  
Voltou à capital francesa, onde estudou com Lavignac e Dannhauser, tendo conhecido Camille Saint-Saëns e Jules Massenet, que influenciaram o seu trabalho, designadamente na ópera “Lauriane” que estreou com grande sucesso em 1883, no Grand Théâtre de Marseille. Houve ainda apresentações em Lisboa, no Teatro de São Carlos (1884), e no Teatro Lírico do Rio de Janeiro (1886).
Em Lisboa, compôs várias óperas e também a ode sinfónica “Camões e os Lusíadas”, comemorando o 300º aniversário da morte do grande poeta português.
Augusto Machado pertenceu ao círculo de Batalha Reis e Eça de Queiroz, acreditando-se que tenha servido de modelo a uma personagem no livro “Os Maias” – a do músico Vitorino Cruges.
Foi director do Teatro Nacional de São Carlos (1889/92) e desenvolveu intensa actividade ligada ao ensino, como professor de Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional (1901/10).
Parte do espólio musical de Augusto Machado foi oferecida, em Julho de 2009, à Biblioteca Nacional de Portugal, onde pode ser consultada.

sábado, 25 de março de 2017

25 DE MARÇO - LUCIANO DOS SANTOS

EFEMÉRIDELuciano Pereira dos Santos, pintor e professor que pertenceu à segunda geração de modernistas portugueses, nasceu em Setúbal no dia 25 de Março de 1911. Morreu em Lisboa, em 13 de Dezembro de 2006.
Em Maio de 1918, por falecimento dos pais, ingressou no Orfanato Municipal Sidónio Pais, onde fez a instrução primária. De 1924 a 1929, estudou na Escola Industrial Gil Vicente e na Escola Industrial e Comercial João Vaz, também em Setúbal.
Em Agosto de 1929, realizou a primeira exposição de pintura e desenho no Cineteatro Luísa Todi. Neste mesmo ano, fundou o Grupo Alma Nova, juntamente com Celestino Alves, Álvaro Perdigão e Carlos Alberto. Este grupo setubalense viria a fazer a sua primeira exposição de artes plásticas, no Liceu Bocage, em 1930.
Ingressou, igualmente em 1930, no curso de pintura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), que concluiu em 1937. Durante o seu tempo de estudante, beneficiou de várias bolsas da Câmara Municipal de Setúbal e da Junta Geral do Distrito de Setúbal e de uma pensão da ESBAL (1934).
Foi professor do ensino técnico profissional nas Escolas Industriais de João Vaz, em 1939/1940 (Setúbal), Machado de Castro em 1940/41 (Lisboa) e Afonso Domingues em 1941/45 (Lisboa), dedicando-se, a partir de então, exclusivamente às artes plásticas.
Em 1951, foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura em várias localidades de França, Bélgica e Holanda.
Fez diversas exposições individuais em Portugal (Lisboa, Porto, Coimbra, Guimarães, Amarante, Alcobaça, Santo Tirso, Setúbal, etc.) e em Espanha (Madrid, Barcelona e Palma de Maiorca). Participou em dezassete Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I..
A sua obra integrou a Exposição sobre a Arte Portuguesa da década de 1940 organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian (1982).
Por iniciativa da Câmara Municipal de Setúbal, realizou-se em 1992 uma exposição retrospectiva da sua obra no Salão Nobre dos Paços do Concelho/Convento de Jesus. Em 1993, foi realizada nova exposição retrospectiva, pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico/Museu de Alcobaça, na Ala Sul do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Em 2011, foram organizados, pela edilidade setubalense, vários eventos e exposições comemorativos do centenário do seu nascimento.
Encontra-se representado em múltiplas colecções públicas e particulares, não só em Portugal como no estrangeiro. Recebeu inúmeros prémios e homenagens, tanto em vida como postumamente. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

24 DE MARÇO - QUIM MONZÓ

EFEMÉRIDEQuim Monzó, romancista e contista espanhol de língua catalã, nasceu em Barcelona no dia 24 de Março de 1952.
Começou a publicar reportagens em princípios dos anos 1970, sobre o Vietname, o Camboja, a Irlanda do Norte e a África do Índico, no jornal “Tele/eXprés”. Colaborou em diversos periódicos e, actualmente, publica diariamente uma coluna no diário “La Vanguardia”.
A sua primeira novela apareceu em 1976. Passou o ano de 1982 em Nova Iorque, com uma bolsa de estudos.
Publicou um bom número de novelas, contos e colectâneas de artigos, sendo traduzido em mais de vinte idiomas e tendo ganho diversos prémios literários.
As suas colaborações na rádio e na televisão catalãs desde a década 1980 contribuíram para fazer dele um dos autores catalães mais populares.
Em 2007, escreveu e leu o discurso inaugural da Feira do Livro de Frankfurt, ano no qual a cultura catalã foi convidada especial para o evento. Monzó preparou uma dissertação escrita em forma de conto que diferia totalmente dos discursos tradicionais.
De Dezembro de 2009 a Abril de 2010, realizou-se na Galeria Arts Santa Mònica de Barcelona uma grande exposição retrospectiva sobre a sua vida e a sua obra, que tinha por título “Monzó”.
A sua obra é caracterizada por referências à cultura popular e por uma certa ironia. Pode notar-se, na colecção de ensaios “ Catorze ciutats comptant-hi Brooklyn”, um certo fascínio por Nova Iorque no pós 11 de Setembro.
Em colaboração com Cuca Canals, escreveu os diálogos do filme “Jambon, jambon” de Bigas Luna. Escreveu também, com Jérôme Savary, “El tango de Don Joan”.

quinta-feira, 23 de março de 2017

23 DE MARÇO - ELISAVETA BAGRIANA

EFEMÉRIDEElisaveta Bagriana, de seu nome original Elisaveta Lyubomirova Belcheva, poetisa búlgara, morreu em Sófia no dia 23 de Março de 1991. Nascera na mesma cidade em 16 de Abril de 1893.
Ao lado de Dora Gabe (1886/1983), é uma das figuras mais importantes da literatura búlgara. Bagriana foi a segunda dos três escritores da Bulgária que foram até hoje nomeados para o Prémio Nobel. As suas obras estão traduzidas em cerca de 30 idiomas.
No início do século XX, Bagriana manteve estreita amizade com Pétar Russev, pai da política e ex presidente brasileira Dilma Rousseff.
Escreveu os primeiros poemas quando vivia com a família em Veliko Turnovo (1907/08). Foi professora rural em Aftane, entre 1910 e 1911. Estudou Filosofia na Universidade de Sófia. Em 1915, publicou dois poemas (“Porquê?” e “Canção Nocturna”) na revista “Suvremenna Misul” (“Pensamento Contemporâneo”).
Na primeira fase da sua carreira literária cultivou uma lírica intimista e sentimental, em que se destaca “A Eterna e a Sagrada”. A partir de 1945 (pós guerra), passou para um registo com maior sentido social, cujo exemplo mais relevante é “Brjag na Brjag” (1963).
Recebeu – em 1969 – a Medalha de Ouro da Associação Nacional de Poetas em Roma. Faleceu na sua cidade natal, a menos de um mês de completar 98 anos de idade.

quarta-feira, 22 de março de 2017

22 DE MARÇO - PÍO LEYVA

EFEMÉRIDEPío Leyva, de seu verdadeiro nome Wilfredo Leyva Pascual, considerado um dos ícones da música cubana, morreu em Havana no dia 22 de Março de 2006. Nascera em Morón, em 5 de Maio de 1917.
Leyva participou no grupo de sucesso Buena Vista Social Club que, pelas mãos de Win Winders e Ray Cooder, correu o mundo e colocou a música cubana em grande destaque. Ao lado de Ibrahim Ferrer, Compay Segundo e outros, Pío é considerado um dos mestres do Cuaguancó, ritmo consagrado pela velha guarda cubana.
Como muitos artistas cubanos, foi atraído pelo swing e a sensualidade da música popular de Cuba, do mambo até à salsa. Leyva, que ganhou uma competição de bongô (tambor) aos seis anos de idade e que iniciou a sua carreira artística em 1932, será sempre lembrado pelo carisma que possuía.
Começou por tocar bongô no grupo Siboney, tornando-se depois cantor no Sexteto Caribe. Formou seguidamente um duo com o outro cantor do grupo (1933/34). Cantou também no Tipo jazz band de Jesús Montalvo.
Tendo alguns rudimentos de guitarra, fundou mais tarde um trio, que monopolizou rapidamente a rádio local e passou a animar o café El Angel de Morón. A sua terra natal tornou-se pequena para ele, vindo a fixar-se em Camagüey para cantar na orquestra Hermanos Licea.
Nos anos 1950, partiu para Havana onde atingiu o apogeu da sua popularidade. Gravou vários álbuns a solo e compôs uma grande variedade de canções de sucesso. A partir desta década, passou a ser um cantor muito procurado para integrar grupos, dar espectáculos, actuar na rádio e em grandes programas de televisão.
Já em 2002, novamente pelas mãos de Winders, Pío Leyva – com 85 anos – mostrou ainda fôlego para actuar no CD/DVD “The Songs of Cuba”, trabalho pós Buena Vista que apresentava as novidades da música cubana.
Apesar da sua idade, continuava a dar concertos um pouco por todo lado, estrangeiro incluído. Faleceu na capital cubana, vítima de crise cardíaca, aos 88 anos de idade.  

terça-feira, 21 de março de 2017

21 DE MARÇO - MICHAEL REDGRAVE

EFEMÉRIDEMichael Scudamore Redgrave, actor britânico, morreu em Denhamno no dia 21 de Março de 1985. Nascera em Bristol, em 20 de Março de 1908.
Filho de dois actores, nasceu praticamente num teatro. Era embalado pela mãe com sonetos de Shakespeare e fez a sua estreia nos palcos ainda bebé, numa peça protagonizada pelos pais.
Depois de ter feito os seus estudos em Cambridge, chegou a ser professor mas em breve se orientaria para o teatro. Foi actor, cenarista e dramaturgo e só nos anos 1930 se iniciaria no cinema.
Foi considerado um dos maiores actores ingleses do século XX e um dos melhores intérpretes da obra de Shakespeare nos palcos. Estreou-se no cinema em 1938, com “A Dama Oculta” de Alfred Hitchcock, e foi o primeiro actor britânico a receber a Palma de Ouro de Melhor Actor no Festival de Cannes.
Em 1947, a sua convincente interpretação em “Mourning becomes Electra”, de Dudley Nichols, valeu-lhe uma nomeação para os Oscars
A partir da década de 1960, por razões de saúde, passou a desempenhar apenas papéis secundários. Atingido pela doença de Parkinson, cessou toda a sua actividade profissional no meio dos anos 1970.
Foi casado com a actriz Rachel Kempson, desde 1935 até à sua morte. O casal teve três filhos. Todos eles vieram a ser actores: Vanessa Redgrave, Lynn Redgrave e Corin Redgrave. Foi avô dos actores Natasha Richardson, Joely Richardson e Carlo Gabriel Nero.
Em 1983, publicou a sua autobiografia e nela confessou: «Deixei algumas boas lembranças atrás de mim e um ou dois filmes de que não me envergonho».
Faleceu no dia seguinte ao seu 77º aniversário. Era Comendador (1952) e Cavaleiro (1959) da Ordem do Império Britânica. Foi galardoado igualmente com a Comenda da Ordem de Dannebrog (1955).

segunda-feira, 20 de março de 2017

20 DE MARÇO - ALICIA KOZAMEH

EFEMÉRIDEAlicia Kozameh, escritora argentina, nasceu em Rosário no dia 20 de Março de 1953. Defensora dos direitos humanos, igualdade e justiça, vive em Los Angeles, onde é professora universitária e escreve os seus romances e contos. O seu primeiro romance “Pasos bajo el agua” foi publicado em 1987.
Em Março de 1976, tanques militares invadiram a Casa Rosada, palácio presidencial em Buenos Aires. O golpe derrubou a então presidente da Argentina Isabel Perón e instalou uma ditadura baseada na violência. Jorge Rafael Videla assumiu a presidência e o comando do auto-denominado Processo de Reorganização Nacional.
Ao assumir o comando, a junta militar derrubou o Congresso Nacional e substituiu membros da Corte Suprema. Devido ao caos político-económico em que a Argentina vivia sob a presidência de Isabel Perón, parte do país não se opôs à junta e apoiou o golpe, principalmente a classe média que acreditou ser o Processo de Reorganização Nacional a saída para o fracasso administrativo da então presidente. Hoje sabemos que esse “processo” foi um período de violência institucionalizada que matou, torturou, sequestrou e apartou milhares de pessoas. Homens, mulheres e crianças viveram o terror, disfarçado de democracia, promovido pelo novo governo argentino.
Para os militares, era uma luta necessária contra a subversão. Para os milhares de pessoas que viveram anos na prisão e sofreram torturas físicas e psicológicas, assim como para as pessoas que até hoje não conhecem o paradeiro dos seus filhos e familiares, os sete anos de ditadura foram porém um pesadelo.
Quando a Argentina ainda vivia sob o comando de Isabel Perón, muitos cidadãos foram também acusados de subversão, presos e torturados. Sabe-se que a história da Argentina é marcada por frequentes actos de brutalidade contra os direitos humanos. Em 1974, Eduardo Kozameh, tio de Alicia e médico amado pelos seus pacientes, foi morto a tiro em plena rua. Em Setembro de 1975, Alicia Kozameh – que estudava Filosofia e Literatura na Universidade Nacional de Rosário – foi detida como presa política e mantida no cárcere até Dezembro de 1978.
Em Novembro de 1976, transferiram-na para Villa Devoto, prisão em Buenos Aires. Foi libertada condicionalmente em Dezembro de 1978 e assim se manteve até Julho de 1979.
Em 1980, exilou-se em Los Angeles e, em 1982/84, na cidade do México. Voltou depois a Los Angeles, onde deu à luz a sua única filha. Em 1984, regressou à Argentina onde viveu quatro anos. Em 1988, por ter sido ameaçada de morte após a publicação de “Pasos bajo el agua”, mudou-se para a Califórnia onde vive actualmente com a filha.
Alicia escreve desde criança, mas a sua experiência como presa política tornou-se um pano de fundo constante na sua obra literária. Apesar da característica biográfica dos seus textos, pode dizer-se que os livros de Alicia contam as histórias de milhares de cidadãos oprimidos e mortos durante a ditadura militar.
Diferente de outros escritores que narraram as suas experiências nas prisões, Alicia Kozameh criou textos que são simultaneamente fictícios e verídicos sobre a sua vida e a de outras pessoas detidas naquela época.
Desde o final dos anos 1980, Alicia tem sido convidada a participar em eventos literários, conferências e encontros sobre direitos humanos, nos Estados Unidos, Europa e América Latina. A sua participação é muitas vezes marcada pela leitura dos seus próprios textos.
As suas obras têm sido traduzidas nos Estados Unidos, na Alemanha e no Brasil, sendo estudadas por críticos literários de vários países.

domingo, 19 de março de 2017

MORTE AOS 90 ANOS (Chuck Berry) "C'est la vie". RIP

19 DE MARÇO - PAUL SCOFIELD

EFEMÉRIDEPaul Scofield, actor britânico, morreu no condado de Sussex em 19 de Março de 2008. Nascera em Hurstpierpoint no dia 21 de Janeiro de 1922.   
Scofield começou a sua carreira de actor com dezoito anos, mas iniciou-se no cinema apenas em 1955, com “A Princesa de Eboli” de Terence Young. Viria a protagonizar cerca de vinte películas e dez filmes e séries de televisão.
Impôs-se sobretudo no teatro, interpretando peças de Shakespeare, onde se salienta “O Rei Lear”.
Conquistou um prémio BAFTA e o Oscar de Melhor Actor de 1967, pela sua interpretação no filme “Um homem para a eternidade” de Fred Zinnemann. Pouco amigo de cerimónias e de galas de prémios, ficou em Inglaterra e limitou-se a beber uma taça de champanhe em casa, na companhia da mulher e de um casal amigo. A estatueta foi recebida pela sua colega de elenco Wendy Hiller. Entre os seus galardões, conta-se também um Tony Award.

sábado, 18 de março de 2017

18 DE MARÇO - GERARD ADRIAAN HEINEKEN

EFEMÉRIDEGerard Adriaan Heineken, fundador da cervejeira holandesa Heineken, morreu em Amesterdão no dia 18 de Março de 1893. Nascera na mesma cidade em 29 de Setembro de 1841.
Em 1864, Gerard comprou a cervejeira De Hooiberg e começou a fazer uma nova cerveja, dando ênfase à qualidade e sendo logo recompensado com importantes prémios internacionais.
A cervejeira Heineken foi a primeira no mundo a ter o seu próprio laboratório de controlo de qualidade. Contratou para o dirigir um ex aluno de Louis Pasteur. Este cientista, o doutor Elion, conseguiu isolar uma levedura de qualidade excepcional em 1886, que continua a ser usada na actualidade.
Na altura do falecimento de Gerard Heineken, a cervejeira já tinha crescido o suficiente para se tornar uma das fábricas mais importantes na Holanda e no mundo. Juntamente com outras empresas, formaram também a maior distribuidora mundial de cerveja.

sexta-feira, 17 de março de 2017

17 DE MARÇO - PHILIP MASSINGER

EFEMÉRIDEPhilip Massinger, dramaturgo inglês, morreu perto de Londres em 17 de Março de 1640, Nascera em Salisbury no dia 24 de Novembro de 1583. É um dos principais representantes do teatro elisabetiano.
Recebeu a sua educação no St Alban Hall em Oxford. O pai era agente da família Herbert e Massinger, durante a sua carreira, dedicou várias das suas pecas e dos seus poemas a diversos membros daquela família.  
Foi colaborador do dramaturgo John Fletcher. Em 1625, quando este morreu, Philip Massinger tornou-se o principal autor da companhia teatral King's Men.
Escreveu pelo menos 55 peças de teatro, das quais 22 se perderam. Entre as peças encontradas, quinze são dele, dezasseis foram escritas em colaboração com Fletcher e duas em parceria com outros dramaturgos (Thomas Dekker e Nathan Field). Massinger foi autor de tragédias, comédias e tragicomédias.
Morreu de doença súbita e foi sepultado junto de John Fletcher na igreja de St Saviour's, no distrito londrino de Southwark, actualmente catedral de Southwark.

quinta-feira, 16 de março de 2017

16 DE MARÇO - JOSÉ CARLOS DA MAIA

EFEMÉRIDEJosé Carlos da Maia, oficial da Marinha de Guerra Portuguesa e destacado político republicano, nasceu em Olhão no dia 16 de Março de 1878. Morreu em Lisboa, em 19 de Outubro de 1921.
Aos 19 anos, alistou-se na Armada como aspirante e, em 1900, foi promovido a guarda/marinha, sendo colocado na Divisão Naval do Atlântico Sul, navegando entre Angola, Cabo Verde e S. Tomé.
Foi promovido a 2º tenente em 1903, sendo colocado na Divisão Naval de Macau até regressar ao Reino em 1905. Seguidamente, seguiu para Angola, regressando a Lisboa em Fevereiro de 1907, para ser instrutor da Escola Prática de Artilharia Naval. Fez a especialização de “oficial torpedeiro”, voltou a Macau e regressou novamente a Lisboa em Agosto de 1909.
Desde muito novo, participou em todas as conspirações contra o regime monárquico, juntamente com Machado Santos e Almirante Reis, entre outros.
Foi encarregue – com grande sucesso – pelo Almirante Reis de atrair para a causa revolucionária muitos oficiais, de forma a que fosse possível a implantação da República. Na madrugada de 4 de Outubro de 1910, tomou parte activa na revolta republicana.
Após as operações militares, Carlos da Maia correu a abraçar a mãe dizendo-lhe: «Minha mãe, pode beijar-me que não matei ninguém».
Entre outras funções que veio a desempenhar, foi deputado à Assembleia Constituinte de 1911 e à Câmara de Deputados do Congresso da República, governador de Macau (1914/16), presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, de Janeiro a Março de 1918, e ministro da Marinha durante três meses e meio, também em 1918.
Em Março de 1919, foi feito comendador da Ordem Militar de Avis. Encontrava-se afastado da política activa quando foi um dos assassinados na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921.
A mini-série da RTP, “Noite Sangrenta”, produzida em 2010, descreve os acontecimentos daquela noite, nomeadamente o assassinato de Carlos da Maia e os posteriores esforços da sua viúva, Berta da Maia, em encontrar os responsáveis pelo crime.
Após prolongadas investigações, os autores dos crimes foram duramente punidos em julgamento iniciado em Novembro de 1922, tendo-se chegado à conclusão que se tratara do desvario de um grupo tresloucado e alcoolizado que, a coberto da revolução, cometeu aqueles assassinatos.
José Carlos da Maia, pela sua vida idealista, a sua honestidade e humanidade permanente (e talvez também pela sua morte trágica), foi alcunhado por alguns como “o marinheiro romântico”.
Em Novembro de 1927, foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. O seu nome é hoje recordado em diversos arruamentos, sendo patrono de uma escola básica na sua cidade natal.

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