sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

9 DE DEZEMBRO - MÁRIO CENTENO

EFEMÉRIDEMário José Gomes de Freitas Centeno, economista e universitário português, actual ministro das Finanças, nasceu em Olhão no dia 9 de Dezembro de 1966.
É licenciado em Economia (1990) e mestre em Matemática Aplicada (1993) pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, e mestre (1998) e doutorado (1995/2000) em Economia pela Harvard Business School da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Foi economista do Banco de Portugal, a partir de 2000, e director-adjunto do departamento de Estudos Económicos, de 2004 a 2013. Neste período, foi também membro do comité de Política Económica da União Europeia. De 2007 a 2013, foi presidente do grupo de trabalho para o Desenvolvimento das Estatísticas Macroeconómicas, no Conselho Superior de Estatística. É ainda professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa.
Próximo do Partido Socialista, foi eleito deputado por Lisboa nas eleições de Outubro de 2015. Em 26 de Novembro, foi nomeado ministro das Finanças do governo socialista de António Costa.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

8 DE DEZEMBRO - JAMES THURBER

EFEMÉRIDEJames Grover Thurber, humorista, cartoonista, jornalista e escritor norte-americano, nasceu em Columbus no dia 8 de Dezembro de 1894. Morreu em Nova Iorque, em 2 de Novembro de 1961.
Thurber ficou sobretudo conhecido pelos seus desenhos e contos publicados principalmente na revista “The New Yorker” e recolhidos posteriormente em numerosos livros. Foi um dos mais populares humoristas do seu tempo, retratando as frustrações e excentricidades das pessoas comuns. Em colaboração com o seu amigo de faculdade Elliott Nugent, escreveu a comédia para a BroadwayO Animal macho”, mais tarde adaptada ao cinema e protagonizada por Henry Fonda e Olivia de Havilland.
Devido a um ferimento na infância, Thurber perdeu uma vista. Desde criança, privilegiou a escrita em detrimento de desportos e outras actividades.
Entre 1913 e 1918, frequentou a Universidade de Ohio, nas nunca se formou pois a sua visão impedia-o de participar em disciplinas obrigatórias. Entre 1918 e 1920, trabalhou com códigos para o Departamento de Estado, primeiramente em Washington e depois na Embaixada dos Estados Unidos em Paris.
Trabalhou arduamente durante os anos 1920, tanto nos Estados Unidos como em França, para se tornar escritor profissional. Entretanto, tornou-se popular pelos seus desenhos e cartoons.
Começou a sua carreira como repórter no “The Columbus Dispatch”, de 1921 a 1924. Durante parte deste tempo, fez a revisão de livros e filmes, escrevendo uma coluna semanal chamada “Credos e Curiosidades”, um título que mais tarde viria a ser dado a uma colecção póstuma dos seus trabalhos. Thurber voltou a Paris durante este período, tendo colaborado no “Chicago Tribune” e noutros jornais.
Em 1925, mudou-se para a Greenwich Village em Nova Iorque, onde conseguiu um emprego como repórter do “New York Evening Post”. Em 1927, juntou-se à equipa da “The New Yorker” como editor, com a ajuda de E.B. White, um seu amigo. A carreira como cartoonista começou em 1930, após White ter encontrado alguns dos desenhos de Thurber numa caixa de lixo e tê-las apresentado para publicação. Thurber ficaria a colaborar para esta revista, com textos e desenhos, até 1950.
Sofreu de um problema na tiróide durante mais de dois anos, na década de 1950, e veio a falecer devido a complicações que surgiram após a remoção de um tumor benigno no cérebro (1961).
O seu conto “A Vida Secreta de Walter Mitty”, de 1939, foi adaptado duas vezes ao cinema. A primeira adaptação foi dirigida por Norman Z. McLeod, com Danny Kaye a desempenhar o papel principal. A segunda versão foi produzida, em 2013, por Samuel Goldwyn, Jr.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

7 DE DEZEMBRO - MANUEL PEREIRA DA SILVA

EFEMÉRIDEManuel Pereira da Silva, escultor português, nasceu em Avintes no dia 7 de Dezembro de 1920. Morreu em 2003. A obra de Manuel Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana. Em 2000, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.
Em 1939, ingressou na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Em 1943, diplomou-se com 18 valores. Durante o curso foi distinguido com os Prémios António Teixeira Lopes e António Soares dos Reis.
Em 1947 e 1948, estudou em Paris, na École des Beaux-Arts. Foi professor do ensino secundário entre 1949 e 1991.
Na sua obra, reconhecem-se duas orientações distintas nos respectivos propósitos estéticos – As peças concebidas em conformidade com a tradição académica do século XIX europeu, em geral respondendo a encomendas, e aquelas que, conservando de uma forma essencial a figura humana como referência, se afastam da sua representação naturalista, antes obedecendo a critérios formais de sentido abstracto e exercitando uma das vias pelas quais o modernismo acedeu à abstracção pura, entendida como a criação de formas nas quais não se evidencia, ou não existe de facto, referente figurativo.
As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal, reconhecidamente protagonizado, a partir do final dos anos 1940, no Porto, por Arlindo Rocha, Fernando Fernandes (escultor) e ainda, alguns anos depois, por Aureliano Lima.
Manuel Pereira da Silva escreveu certa vez: «Chateia-me estar sempre a fazer o mesmo, por isso, fui sempre procurando novas linguagens, novas para mim, pelo menos. Passei a vida a desenhar, mais do que a fazer escultura, desenhei, desenhei, desenhei. Quando era professor, a minha vida era de casa para as aulas e das aulas para o atelier, onde normalmente trabalhava quatro a cinco horas por dia, pelo menos.».
Foi um dos membros do grupo portuense Independentes (anos 1940). Alguns dos seus colegas foram figuras que enriqueceram de forma substancial a arte portuguesa, como Júlio Resende e Nadir Afonso, entre outros. Júlio Resende diria: «Entre camaradas gerava-se um movimento de inconformismo face à passividade do burgo. Foi no sentido de contrariar esta situação que entre nós cresceu a ideia de formação do ‘Grupo dos Independentes’, independentes quanto aos posicionamentos estilísticos.».

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

6 DE DEZEMBRO - ALFRED EISENSTAEDT

EFEMÉRIDEAlfred Eisenstaedt, fotógrafo e fotojornalista norte-americano de origem alemã, nasceu em Dirschau no dia 6 de Dezembro de 1898. Morreu em Nova Iorque, em 24 de Agosto de 1995.
Nascido na antiga Prússia, a família mudou-se para Berlim quando ele tinha oito anos. Ficou na Alemanha até ao momento em que Hitler chegou ao poder.
Aos catorze anos, um tio ofereceu-lhe uma máquina fotográfica, uma Eastman Kodak (câmara de fole). Três anos mais tarde, foi recrutado para o exército alemão.
Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, a explosão de uma granada afectou-lhe ambas as pernas. Foi o único sobrevivente do ataque e foi mandado ferido para casa. Levou cerca de um ano até poder caminhar de novo sem ajuda. Foi durante a recuperação que se interessou novamente pela fotografia. Em 1922, tornou-se vendedor de cintos e botões e, com o dinheiro que conseguiu poupar, adquiriu equipamento fotográfico. Começou por revelar os seus trabalhos na casa de banho.
Durante umas férias na Checoslováquia, fotografou uma mulher a jogar ténis, focando a longa sombra da mulher a lançar a bola no court. Eisenstaedt conseguiu vendê-la ao “Der Welt Spiegel” por três marcos (cerca de doze dólares na época), o que lhe deu a ideia de poder viver da fotografia. Assim, aos 31 anos, abandonou a profissão de vendedor e passou a fotografar a tempo inteiro.
Como freelancer, trabalhou para a Pacific and Atlantic Photos, que se transformaria na famosa Associated Press em 1931. Por essa altura, começou a utilizar uma leica, uma câmara inovadora de 35 mm que tinha sido inventada quatro anos antes. Em 1933, foi enviado para Itália afim de fotografar o primeiro encontro entre Hitler e Mussolini. O seu estilo agressivo fez com que conseguisse chegar até aos dois ditadores e consequentemente fotografá-los. Dois anos depois da subida de Hitler ao poder, emigrou para os Estados Unidos da América.
Em Nova Iorque, foi abordado por vários fotógrafos para fazer parte de um novo projecto que nasceria em 1936, após seis meses de testes – a revista “Life”, onde trabalhou até 1972 e para a qual fez inúmeras capas.
Em 1942, naturalizou-se norte-americano e viajou por vários países para documentar os efeitos da guerra. No Japão, registou o efeito da bomba atómica; na Coreia, a presença das tropas americanas; na Itália, o estado miserável dos pobres; e na Inglaterra, fotografou Winston Churchill.
Durante a sua carreira, fotografou muitas personalidades famosas, como Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Ernest Hemingway, John F. Kennedy e Sophia Loren. Esta última, que também era a sua modelo favorita, apareceu numa capa da “Life” usando apenas um négligée.
Aos 81 anos, regressou à Alemanha para participar numa exposição de 93 fotografias sobre a vida na Alemanha dos anos 1930. Eisenstaedt recebeu muitos prémios durante a sua longa vida. A cidade de Nova Iorque nomeou um Dia em sua honra, o presidente George Bush entregou-lhe a Medalha Nacional das Artes e o Internacional Center of Photography atribuiu-lhe o prémio Masters of Photography. Nos seus últimos tempos de vida, continuou a trabalhar, supervisionando a impressão das suas fotografias para futuras exposições e livros.
Uma das suas mais célebres fotografias representa um soldado a beijar uma enfermeira na Times Square, no dia da capitulação do Japão., no fim da Segunda Guerra Mundial.
Em sua homenagem, foi criado o Prémio Alfred-Eisenstaedt, atribuído pela revista “Life” e pela Universidade de Columbia.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

5 DE DEZEMBRO - MARÍLIA PÊRA

EFEMÉRIDEMarília Pêra da Graça Mello, consagrada e premiada actriz, cantora e directora teatral brasileira, morreu no Rio de Janeiro em 5 de Dezembro de 2015. Nascera na mesma cidade em 22 de Janeiro de 1943. Conquistou ao longo da sua carreira cerca de 80 prémios, tendo protagonizado 49 peças, 29 telenovelas e 24 filmes.
Filha de actores, pisou o palco pela primeira vez aos quatro anos de idade, ao lado dos pais que integravam o elenco da companhia de Henriette Morineau.
Dos 14 aos 21 anos, actuou como bailarina e participou em comédias musicais e revistas, entre elas “Minha Querida Lady” (1962), protagonizado também por Bibi Ferreira. Segundo Marília, ela tinha sido aceite porque os directores estavam à procura de alguém que pudesse fazer acrobacias, o que era raro naquela época. Entrou em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), no papel de Carmen Miranda. Voltaria a viver o papel da famosa cantora no espectáculo “A Pequena Notável” (1966), dirigido por Ary Fontoura; no “Tribute to Carmen Miranda” no Lincoln Center, em Nova Iorque (1975); nas únicas apresentações de “A Pêra da Carmen” no Canecão em 1986 e 1995; e no musical “Marília Pêra canta Carmen Miranda” (2005).
As primeiras aparições na televisão foram em “Rosinha do Sobrado”, na Rede Globo em 1965 e, em seguida, em “A Moreninha”. Em 1967, fez a sua primeira apresentação num musical, em “A Úlcera de Ouro”.
Em 1969, conquistou grande sucesso no drama “Fala Baixo Senão Eu Grito”, primeira peça teatral da dramaturga Leilah Assumpção. Pela interpretação da complexa personagem Mariazinha, solteirona virgem que vive num pensionato de freiras, Marília recebeu o Prémio Molière e também o Prémio da Associação Paulista de Críticos Teatrais.
Em 1974, venceu Elis Regina num casting para o musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”. Logo depois, em 1975, gravou o LP “Feiticeira”, lançado pela Som Livre.
Marília é a actriz que mais actuou sozinha nos palcos, conseguindo atrair o público infantil para a difícil arte do monólogo. Além de Carmen Miranda, desempenhou nos ecrãs e nos palcos papéis de mulheres célebres, como Maria Callas, Dalva de Oliveira, Coco Chanel e a ex-primeira dama do Brasil Sarah Kubitschek. A estreia como directora aconteceu em 1978, na peça “A Menina e o Vento” de Maria Clara Machado.
Nos anos 1960, chegou a ser presa durante a apresentação da peça “Roda Viva” (1968) de Chico Buarque. Foi detida uma segunda vez, visto que era tida como comunista, quando a polícia invadiu a sua residência, assustando todos, incluindo o filho de sete anos, que dormia.
Em 1992, apresentou o musical “Elas por Elas”, para a TV Globo. Em 2008, foi protagonista da longa-metragem “Polaróides Urbanas” de Miguel Falabella, onde interpretou duas irmãs gémeas.
Desde Abril de 2010, integrou o elenco da série “A Vida Alheia” de Miguel Falabella, na Rede Globo. Em Janeiro de 2013, ocorreu a estreia da série “Pé na Cova”, em que Marília Pêra interpretou Darlene, maquilhadora de uma casa funerária. Em Abril de 2014, em virtude de problemas pessoais, interrompeu a série, só retornando as gravações em Junho.
No Carnaval de 2015, Marília foi homenageada pela Escola de Samba Mocidade Alegre de São Paulo. Em Agosto do mesmo ano, voltou a ser homenageada, desta feita no Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu o prestigiado Troféu Oscarito.
Marília Pêra casou-se pela primeira vez aos dezassete anos, com o músico Paulo Graça Mello, falecido num acidente de automóvel em 1969. Aos dezoito, foi mãe do também actor Ricardo Graça Mello. Mais tarde, foi casada com o actor Paulo Villaça, seu parceiro em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, e com Nelson Motta, com quem teve duas filhas. Era casada, desde 1998, com o economista carioca Bruno Faria.
Faleceu no seu apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro. Nos seus últimos meses de vida, lutou contra um cancro pulmonar. O corpo da actriz foi sepultado, no meio de grande emoção e com muitos aplausos, no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

domingo, 4 de dezembro de 2016

4 DE DEZEMBRO - MANUEL MACHADO

EFEMÉRIDEManuel António Marques Machado, treinador de futebol português, nasceu em Guimarães no dia 4 de Dezembro de 1955. Teve uma curta carreira como jogador.
Diplomado em Educação Física, chegou a pensar ser treinador de andebol, que era o seu desporto favorito. Acabou por ir trabalhar como preparador físico do Vitória SC de Guimarães, quando o treinador era Raymond Goethals (1984/85). Foi depois treinador em vários clubes.
Ele é um dos representantes de uma geração de treinadores portugueses formados desde o meio da década de 1980 (José Mourinho, Jorge Jesus, Domingos Paciência, Paulo Sérgio, José Peseiro, José Couceiro e, mais recentemente, André Villas-Boas, entre outros).
Manuel Machado é conhecido pelo seu estilo pragmático, privilegiando mais o resultado do que propriamente o espectáculo. Todavia, o seu método de trabalho, alicerçado na perseverança e na tranquilidade, permitiram-lhe alcançar feitos importantes na sua carreira.
Ele é também conhecido por um modo de falar muito “rebuscado”. Aliás, por ser tão particular e único, o seu discurso chamou a atenção dos Gato Fedorento, prestigiados humoristas, que fizeram um sketch sugerindo que para o entender era necessária a consultar de um dicionário, dada a riqueza do vocabulário.
No final da época 2007/08, em que treinou a Associação Académica de Coimbra e o SC de Braga, assinou contrato pelo CD Nacional da Madeira.
Esteve internado no Hospital Nacional do Funchal em coma induzido, durante cerca de duas semanas, com prognóstico reservado. O desenvolvimento de septicemia foi consequência de uma cirurgia inicialmente apontada como lipoaspiração abdominal e, mais tarde, como operação a uma hérnia. Em 9 de Dezembro de 2009, teve alta hospitalar, ainda debilitado, retomando mais tarde as funções de treinador no Nacional.
Sob a sua orientação, classificou para a disputa da Taça UEFA, o Vitória de Guimarães (2004/05 e 2010/11) e o Nacional (2005/06 e 2008/09). Treina actualmente o Nacional da Madeira.

sábado, 3 de dezembro de 2016

3 DE DEZEMBRO - PADRE ANTONIO SOLER

EFEMÉRIDEPadre Antonio Soler, de seu nome completo Antonio Francisco Javier José Soler Ramos, religioso, compositor e organista espanhol, cujas obras estão enquadradas entre o barroco tardio e o período clássico, nasceu em Olot no dia 3 de Dezembro de 1729. Morreu no Escorial, em 20 de Dezembro de 1783. Actualmente, é mais conhecido pelas suas sonatas para teclado, uma importante contribuição para os repertórios do cravo, piano e órgão.
Em 1736, com 6 anos de idade, entrou para a escola do coro do Mosteiro de Montserrat, onde estudou com o maestro residente Benit Esteve e o organista Benito Valls. Em 1744, foi designado organista da catedral em Seo de Urgel, onde foi ordenado sub-diácono. Mais tarde, veio a ocupar o lugar de mestre de capela em Leida e no Escorial.
Tornou-se padre aos 23 anos e a sua rotina no Escorial, próximo a Madrid, foi a mesma durante três décadas. Vinte horas diárias eram divididas entre orações, contemplações e o cultivo da terra, uma vida simples e sem vaidades. Mesmo assim, neste ambiente austero, produziu mais de 500 obras musicais. Entre elas, encontram-se cerca de 150 sonatas, muitas das quais – acredita-se – tenham sido escritas para o seu aluno de música, o infante Gabriel, um dos filhos do rei Carlos III.
Os trabalhos mais populares do padre Soler são as suas sonatas para teclado que se comparam às do napolitano Domenico Scarlatti, que estava ao serviço da monarquia espanhola e com quem se supõe que tenha estudado ou sido aconselhado. Entretanto, os trabalhos de Soler são mais variados, na forma, do que os de Scarlatti, com algumas peças de três ou quatro movimentos, enquanto que as de Scarlatti são de um ou – no máximo – dois movimentos. As sonatas de Soler foram catalogadas no início do século XX pelo frei Samuel Rubio e a todas foi atribuído um número.
Soler também escreveu concertos, quintetos para órgão e cordas, motetos, missas e peças para solo de órgão. Escreveu ainda, em 1762, um tratado sobre modulação: “Llave de la modulación”.
Os seus excelentes “Seis Concertos para Dois Órgãos” têm sido gravados com frequência, ao longo dos tempos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

2 DE DEZEMBRO - TWA

EFEMÉRIDEA Trans World Airlines (TWA), companhia aérea norte-americana criada em 13 de Julho de 1925 como Western Air Express, finalizou o seu último voo em Saint Louis às 00h30 de 2 de Dezembro de 2001, encerrando assim uma longa história da aviação.
Foi uma das linhas aéreas mais conhecidas do mundo. Iniciou as suas actividades em Kansas City e, depois, mudou a sua sede/hub para Saint Louis. Teve sedes em Nova Iorque, San Juan de Porto Rico e Los Angeles. Serviu diversas cidades nos EUA, Canadá, América Latina, Europa e Médio Oriente.
Em Abril de 1926, descolou de Los Angeles para Salt Lake City o primeiro voo da Western Air Express (WAE). Em 1929, a WAE adquiriu a Standard Air Lines (fundada em 1925) e, no ano seguinte, associou-se a Transcontinental Air Transport, dando origem a Transcontinental & Western Air, ou simplesmente T&WA.
Operando até então com aparelhos Ford-Trimotor, estes tornaram-se pequenos e desconfortáveis para as principais rotas da empresa. Charles Lindbergh, associado da companhia, foi incumbido de estabelecer as características e solicitar aos fabricantes a construção de um novo avião para 12 passageiros. A Douglas Aircraft Company aceitou o desafio e desenvolveu o DC-2, com capacidade para 14 passageiros.
Foi o salto qualitativo de que a T&WA precisava. Seguiram-se o Douglas DC-3 e o Boeing 307 Stratoliner, do qual a empresa foi um das duas únicas operadoras.
Em 1939, o célebre milionário Howard Hughes comprou a empresa, adquirindo aviões novos e revolucionários como o Constellation e, anos mais tarde, o Convair 880.
Não faltam histórias e factos pitorescos durante os 30 anos em que Hughes esteve à frente da companhia, como principal accionista: em 1946, por exemplo, ele próprio pilotou o voo inaugural do Constellation entre Los Angeles e Nova York, com uma “constelação” de estrelas de Hollywood a bordo.
Logo após a 2ª Guerra Mundial, a T&WA lançou voos internacionais para a Europa, ligando Nova Iorque a Paris, com escalas em Gander e Shannon. Graças à sua crescente participação internacional, passou a adoptar em 1950 o nome Trans World Airlines (TWA).
Os primeiros jactos (Boeing 707) passaram a ser utilizados em Março de 1959, inicialmente em voos domésticos. Em 1970, foi a primeira companhia a operar com o Boeing 747 em rotas domésticas, uma primazia que logo descobriria ter sido um erro pois o 747 era grande demais para este mercado. Em 1972, chegariam os primeiros Lockheed L-1011 Tristar. O Boeing 747 passou então para as rotas do Atlântico Norte (onde continuou a dar prejuízo).
O final da década e os anos 1980 foram particularmente difíceis para a empresa, que foi lenta a responder a uma avalanche de acontecimentos – sobretudo a desregulamentação do mercado americano, a recessão económica e o aumento vertiginoso do preço do combustível. Tudo conspirou para o enfraquecimento financeiro da TWA.
Em 1985, foi adquirida por Carl Icahn, mega investidor de Nova Iorque, que fizera fortuna comprando empresas e revendendo-as aos pedaços. Foi o que fez de novo – a malha internacional da TWA foi delapidada. Até mesmo a prestigiosa e lucrativa rota para Londres foi vendida à American Airlines.
Outro duro golpe foi o acordo feito em 1995 com a Karabu, uma das empresas de Carl Icahn, que logo depois saiu da TWA. Através deste acordo, a Karabu poderia comprar qualquer bilhete da TWA por apenas 55% da tarifa publicada e revendê-lo ao mercado pelo preço que bem entendesse. Foi um massacre.
Os anos 1990 começaram um pouco melhor para a combalida TWA. Um plano de reestruturação da empresa, que incluía a modernização da frota, começava a dar os seus frutos. O acidente com um Boeing 747 em Nova Iorque (1996) deitou tudo a perder. Foi o início de uma curva descendente que culminaria com a venda da empresa à American Airlines, concretizada em Abril de 2001. O voo Honolulu / Saint Louis em 2 de Dezembro foi o ponto final de um longo romance.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1 DE DEZEMBRO - MINORU YAMASAKI

EFEMÉRIDEMinoru Yamasaki, arquitecto norte-americano de origem nipónica, nasceu em Seattle no dia 1 de Dezembro 1912. Morreu em Bloomfield Hills, em 6 de Fevereiro 1986.
O seu trabalho mais conhecido é o projecto das Torres Gémeas do World Trade Center (1970), em Nova Iorque, que foram destruídas nos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001.
Nascido num ambiente modesto (os pais eram emigrantes japoneses), Minoru obteve o diploma de Arquitectura na Universidade de Washington, trabalhando simultaneamente para pagar os estudos.
Nos anos 1930, partiu para Nova Iorque, onde arranjou emprego no atelier dos arquitectos Shreve, Lamb & Hermon, que tinham concebido o Empire State Building.
O seu primeiro projecto notável, foi o Pruitt-Igoe Housing Project, em Saint Louis, no Missouri, um bairro com 33 imóveis para alojamentos sociais, uma estrutura moderna e austera que viria a ser demolida entre 1972 e 1976, por estar abandonada e devastada. Concebeu igualmente vários edifícios aeroportuários, mas a sua consagração só chegaria – sem contestação – com as Torres do WTC, cujo projecto foi começado em 1965 e cuja construção terminou em 1973. 
Minoru Yamasaki casou-se a primeira vez em 1941 e teve duas relações amorosas, antes de se casar com a primeira delas em 1969. Morreu aos 73 anos, vítima de doença oncológica.
Entre muitos outros trabalhos, são de salientar: o Pavilhão das Ciências na Exposição Universal de Seattle (1962); os planos para a Universidade de Regina no Canadá; o Terminal Aéreo de Lambert em Saint. Louis; o Terminal Aéreo de Dhahran na Arábia Saudita; o Saudi Arabian Monetary Agency Head Office em Riyad; e a Torre Picasso em Madrid.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

30 DE NOVEMBRO - LOUISE-VICTORINE ACKERMANN

EFEMÉRIDELouise-Victorine (Choquet) Ackermann, contista e poetisa francesa, nasceu em Paris no dia 30 de Novembro de 1813. Morreu nos arredores de Nice em 2 de Agosto de 1890.
O pai – um apaixonado pelas Letras – proporcionou-lhe uma educação afastada do ensino religioso. Com ele iniciou as primeiras leituras. O progenitor, de carácter muito independente, deixou Paris aos 33 anos com a esposa e as três filhas, para viver na solidão do campo.
Louise Choquet viveu uma infância solitária. O seu temperamento estudioso e meditativo manifestou-se desde muito cedo, mantendo-a afastada das crianças da sua idade e das próprias irmãs. A mãe, que não se adaptava à vida campestre, vivia aborrecida e era pouco conciliadora para a filha mais velha. Exigiu que ela fizesse a primeira comunhão para respeitar as convenções em voga. Louise descobriu assim a religião e entrou num internato em Montdidier, demonstrando uma adesão fervorosa o que alarmou o pai que, durante as férias, lhe deu a ler Voltaire. O espírito do filósofo provocou o divórcio entre Louise e o catolicismo.
De regresso a casa, prosseguiu as suas leituras e estudos na biblioteca paterna e descobriu Platon e Buffon. Por essa época, começou a fazer os primeiros versos. A mãe inquietou-se porque estava sempre “de pé atrás” com as pessoas das Letras. Aconselhou-se com uma prima parisiense, que lhe recomendou – pelo contrário – para não contrariar a filha mas sim encorajá-la.
Louise foi então para um colégio interno em Paris. Tornou-se rapidamente notada pela sua capacidade de estudo, sendo a favorita do professor de Literatura, que era amigo íntimo de Victor Hugo. Descobrindo que Louise compunha poesias, chegou a levar alguns desses trabalhos ao célebre escritor que lhe mandou conselhos. 
Félix Biscarrat, o professor, alargou o leque de leituras da sua aluna, emprestando-lhe obras de autores contemporâneos. Louise descobriu igualmente autores ingleses e alemães, como Byron, Shakespeare, Goethe e Schiller.
Ao fim de três anos de colégio, voltou ao seio familiar onde continuou o estudo e a escrita solitária. Simultaneamente, fez descobrir aos seus próximos alguns autores modernos – Hugo, Vigny, Musset, Sénancour…
O falecimento do pai veio privá-la do seu apoio, que muito valorizava as suas competências literárias. A mãe proibiu-a de conviver com autores e Louise renunciou durante um certo tempo à poesia. Em 1838, conseguiu que a deixassem partir para Berlim durante um ano para ingressar numa “instituição modelo de raparigas” dirigida por Schubart. Este último ajudou-a no aperfeiçoamento da língua alemã.
Voltou a Berlim três anos mais tarde, após a morte da mãe. Encontrou o linguista francês Paul Ackermann, amigo de Proudhon. Apaixonaram-se e casaram. Foi um casamento feliz mas breve, pois o marido morreu em Julho de 1946, vítima de doença, aos 34 anos de idade.
Muito fragilizada pela viuvez, juntou-se a uma das suas irmãs que vivia em Nice, onde comprou um pequeno domínio isolado. Consagrou-se durante alguns anos a trabalhos agrícolas, até lhe voltar a vontade de escrever poesia.
As primeiras publicações não suscitaram grande interesse, mas despertaram a atenção de alguns críticos, que gostavam do que liam mas lamentavam o seu pessimismo, que atribuíam à influência da literatura alemã. Ela própria negaria essa influência, reclamando para si a parte negativista dos seus pensamentos, que apareciam já nas suas poesias juvenis.
Entre as obras que nos legou, saliente-se: “Contes” (1855), “Contes et Poésies” (1863), “Poésies philosophiques” (1861), “Poésies. Premières Poésies. Poésies philosophiques” (1874) e “ Œuvres de Louise Ackermann : Ma vie, Premières Poésies, Poésies philosophiques” (1885).  

terça-feira, 29 de novembro de 2016

29 DE NOVEMBRO - HENRI FABRE

EFEMÉRIDE Henri Marie Léonce Fabre, engenheiro e aviador francês, nasceu em Marselha no dia 29 de Novembro de 1882. Morreu em Touvet, Isère, em 29 de Junho de 1984. Foi o primeiro piloto a realizar um voo de hidroavião, a bordo de Le Canard, uma sua invenção (1910).
Nasceu no seio de uma importante família de armadores de navios. Estudou num colégio jesuíta, em Marselha, licenciando-se depois em Ciências na Faculdade de Ciências de Marselha e em Engenharia na Escola Superior de Electricidade de Paris.
Dedicou-se seguidamente à concepção, ensaios e realização do seu hidro-aeroplano (a partir de 1913, designado por hidroavião), munido de três flutuadores, mas – devido ao excessivo peso – nunca chegou a levantar voo.
Com o apoio financeiro do pai, Fabre pôde fazer depois investigações sobre aerodinâmica, hidrodinâmica e flutuação, apoiando-se nos trabalhos de Forlanini, Crocco e Ricaldoni. Registou a patente de um sistema de aparelhos de flutuação, que utilizou quando descolou, com êxito, do lago Etang de Berre, um afluente das águas do Mar Mediterrâneo, aos comandos de um dos seus aparelhos designado por Le Canard, em Março de 1910. “Le Canard”, de 475Kg, possuía um motor Gnome, de 50Hp.
Naquele dia, perante um público numeroso, Fabre completou quatro voos, todos com sucesso, tendo o mais longo percorrido cerca de 800 metros antes de poisar na água. Era o primeiro aparelho no mundo a descolar autonomamente e a conseguir uma amaragem perfeita. Henri Fabre tornava-se, aos 27 anos, o incontestável construtor e primeiro piloto deste novo tipo de engenho volante. Henri empreendeu a sua comercialização e construiu vários exemplares.
Durante a 1ª Grande Guerra Mundial, Fabre fundou uma empresa, com cerca de 200 trabalhadores, especializada na construção de hidroaviões Tellier que, no entanto, não atingiu grande êxito. Depois da guerra, deixou de se dedicar à construção aeronáutica e passou a consagrar-se a outras áreas de engenharia, tendo inclusivamente inventado um barco dobrável que podia ser transportado dentro de um automóvel. 
Henri Fabre morreu aos 101 anos, sendo um dos pioneiros da aviação com maior longevidade. Foram erigidos dois monumentos comemorativos dos seus feitos, em La Mede e em Martigues. No centenário do primeiro voo em hidroavião, os Correios franceses emitiram também um selo alusivo ao acontecimento.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NAT KING COLE - "Ansiedad"


28 DE NOVEMBRO - CARL JONAS ALMQVIST

EFEMÉRIDECarl Jonas Love Almqvist, escritor, professor, pastor e compositor sueco, nasceu em Estocolmo no dia 28 de Novembro de 1793. Morreu em Bremen, na Alemanha, em 26 de Setembro de 1866.
Foi um escritor muito versátil e multi-facetado, com textos românticos e textos realistas, interessado pelo radicalismo social e pela mística religiosa. Passou à posteridade pela modernidade das suas tomadas de posição, nomeadamente sobre a igualdade dos sexos.
As suas ideias radicais entraram em conflito com a sociedade da época. No ensaio “Om brottsliges behandling” (1821), Carl Jonas Almqvist defendeu que «o criminoso é um doente que deve ser tratado e não castigado». No romance “Det går na” (1839), insurgiu-se contra o casamento e defendeu o direito da mulher à maioridade e ao trabalho.
Em 1851, foi acusado de falsificação e da morte de um prestamista. Escapou para os Estados Unidos e – mais tarde – para a Alemanha, onde era conhecido por professor Westermann. Faleceu em Bremen, sem regressar ao seu país. 

ARCO-ÍRIS (quadras)


domingo, 27 de novembro de 2016

27 DE NOVEMBRO - MANUEL SCORZA

EFEMÉRIDEManuel Scorza, poeta, romancista e activista político peruano, morreu em Madrid no dia 27 de Novembro de 1983. Nascera em Lima, em 9 de Setembro de 1928. Escritor da geração de 1950, pertencia ao Indigenismo ou Neoindigenismo peruano, em conjunto com os seus companheiros Ciro Alegría e José María Arguedas.
Scorza nasceu de pai camponês e mãe índia. Mestiço, como 45% da população peruana, passou toda a sua infância em Acoria, um vilarejo dos Andes centrais. Após os primeiros estudos em escolas públicas, obteve uma bolsa que lhe permitiu voltar a Lima, sua terra natal. Estudou no Colégio Militar Leoncio Prado. Em 1945, entrou para a Universidade Nacional Mayor de San Marcos e iniciou um período febril de actividade política.
Scorza escrevia versos desde os 16 anos e aderiu às ideias oposicionistas em 1948, quando foi implementada a ditadura de Manuel Odría. Embora sem ter assinado artigos políticos, Scorza foi preso e forçado a deixar o país, exilando-se no México, onde viveu durante 7 anos e completou os estudos em Literatura, numa universidade local. Viveu depois no Chile e no Brasil e fixou-se finalmente em Paris, onde conseguiu um trabalho de certo prestígio como leitor de Espanhol na Escola Normal Superior de Saint-Cloud.
Muitos dos poemas que compõem o seu primeiro livro, “As maldições” (1955), são o resultado do desespero em que estava imerso. Não voltou ao Peru até ao fim da ditadura, dez anos mais tarde.
Na origem da sua carreira de romancista está uma revolta camponesa em 1960, ocorrida nos Andes centrais do Peru, envolvendo interesses económicos de uma companhia mineira norte-americana, que tentava expulsar os lavradores das suas terras.
Em 1981, Scorza foi o primeiro numa lista de escritores de renome internacional que o jornal “Il Mattino” convidou para ir a Nápoles, com a finalidade de escrever uma série de artigos sobre esta cidade que, depois de um segundo terramoto, começara a ressurgir em 1980.
Em 1983, depois de ter lançado o romance “A dança imóvel", o Boeing 747 da companhia Avianca, que voava de Paris para Bogotá, tendo a bordo Manuel Scorza e outros intelectuais que iam participar numa conferência destinada a fazer um balanço da cultura latino-americana, caiu numa colina quando fazia a aproximação ao aeroporto de Madrid. Manuel Scorza desaparecia assim, aos 55 anos. Algumas das suas obras foram traduzidas e publicadas em cerca de 40 países.

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