domingo, 28 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Pierre Henri Clostermann, célebre piloto de guerra, escritor, industrial e político francês, nasceu em Curitiba, no Brasil, em 28 de Fevereiro de 1921. Faleceu em Montesquieu-des-Albères no dia 22 de Março de 2006.
Aprendeu a pilotar no Brasil, aos 16 anos, no Aeroclube então instalado em Manguinhos, no Rio de Janeiro.
No Dia D, foi o primeiro piloto francês a pousar em França, então ainda ocupada pela Alemanha nazi.
Filho de diplomatas instalados no Brasil, cruzou-se com Jean Mermoz e Henri Guillaumet, pioneiros da aviação francesa, então ao serviço da “Aéropostale”. Depois de obter o brevet em 1937, ingressou no “California Institute of Technology”, para preparar o diploma de engenheiro aeronáutico e obter o brevet de piloto profissional.
Chegou a Inglaterra em 1940 e juntou-se às Forças Aéreas Francesas Livres em 1942, no seio da RAF. Tornou-se piloto de Spitfire, voando mais tarde no Tempest.
É o maior ás francês da Segunda Grande Guerra Mundial e, às suas numerosas vitórias no ar, há que acrescentar muitos aviões inimigos, locomotivas, camiões e carros de combate destruídos no solo e, ainda, o afundamento de duas vedetas lança-torpedos e de um submarino.
Recebeu 27 vezes a Cruz de Guerra com Palma e numerosas condecorações francesas e estrangeiras. Foi deputado aos 25 anos tendo sido reeleito por oito vezes.
Começou uma carreira de escritor, salientando-se o livro “O Grande Circo”, de que foram vendidos três milhões de exemplares e que foi traduzido em trinta línguas. Foi adaptado ao cinema várias vezes e, também, à banda desenhada. Segundo o escritor americano William Faulkner, este é «o melhor livro saído da guerra».
Falando fluentemente a língua portuguesa, serviu também de agente de ligação discreto entre a França (de Gaulle) e Portugal (Salazar), quando do início da guerra nas ex colónias portuguesas. Relacionou-se com personalidades de renome como Hemingway, Che Guevara, Allende, etc.
Em 1962 foi nomeado director comercial da sociedade “Max Holste”, que se tornaria mais tarde na “Reims Aviation” e que, sob a sua direcção, construiria perto de 5 000 aviões de turismo. Foi igualmente vice-presidente da Cessna Aircraft Company e administrador do grupo Marcel Dassault e da Renault. Em 1973 Clostermann leccionou na Escola do Estado-Maior da US Air Force.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEElizabeth Rosemond Taylor, famosa actriz anglo-americana, nasceu em Hampstead no dia 27 de Fevereiro de 1932.
Com três anos, começou a ter lições de dança clássica. Filha de pais norte-americanos, mudou-se para os Estados Unidos em 1939, retomando as aulas de ballet e iniciando a aprendizagem de canto e de equitação.
A sua carreira cinematográfica teve início ainda em criança, aos dez anos, contratada pela Universal Pictures para o filme “There's One Born Every Minute”. A partir de então, apaixonou-se pelo cinema e permanecer num estúdio tornou-se a sua maior ambição.
Assinou um contrato de longa duração com a MGM. Actriz talentosa e respeitada pela crítica, nos anos 1950 filmou vários dramas, como “Um lugar ao Sol”, com Montgomery Clift, e “Assim Caminha a Humanidade”, com Rock Hudson, ambos actores homossexuais e dos quais se tornou grande amiga. Nessa década faria ainda “A Última Vez Que Vi Paris”.
Liz, como era conhecida, foi considerada uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos. Diva dos anos de ouro do cinema norte-americano, era também uma compulsiva coleccionadora de jóias.
É famosa igualmente pelos seus oito casamentos, dois deles com o actor inglês Richard Burton, com quem actuou várias vezes nos anos 1960 (“Cleópatra” e “Quem tem medo de Virgínia Woolf?”, com o qual ganhou o segundo Oscar de Melhor Actriz). O primeiro Oscar tinha-lhe sido entregue pelo filme “A Vénus em vison”. Nessa década, era a actriz mais bem paga do mundo.
Foi pioneira no desenvolvimento de acções de solidariedade, obtendo fundos para campanhas contra a SIDA, logo após a morte de Rock Hudson. Nessa época agravaram-se vários problemas com a sua saúde, ganhando peso e sendo frequentemente internada em hospitais.
Em 1999 o “American Film Institute” distinguiu-a como a sétima maior actriz de todos os tempos, na classificação “Cem Anos, Cem Estrelas”.
Apesar de ter nascido fora dos EUA, em 2001 o presidente Bill Clinton entregou-lhe a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano: a Presidential Citizens Medal, atribuída pelas suas múltiplas actividades filantrópicas.
Abandonou progressivamente o cinema, fazendo ainda algumas séries de televisão. Em 2003 pôs um ponto final na sua carreira.
Reside desde os anos 1980 em Bel Air na Califórnia, onde habitava também Michael Jackson, um dos seus grandes amigos, de cujos dois filhos foi madrinha.
Em 2004 foi-lhe diagnosticada uma insuficiência cardíaca. Depois fracturou várias vezes as costelas, apanhou duas pneumonias e foi vítima de doença cancerosa na pele e de um tumor no cérebro. Sofrendo também de osteoporose, desloca-se actualmente com o auxílio de uma cadeira de rodas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDESandie Shaw, de seu verdadeiro nome Sandra Goodrich, cantora britânica, nasceu em Dagenham no dia 26 de Fevereiro de 1947.
Foi uma das cantoras mais populares dos anos 1960. Tornou-se famosa em toda a Europa, por ter vencido o Festival da Eurovisão (1967) com a canção “Puppet on a string”. Teve um princípio de carreira cheio de sucessos, alcançando três primeiros lugares no top britânico das canções.
A grande originalidade desta artista era cantar descalça o que, segundo ela, lhe permitia estar mais à vontade e sentir melhor a “atmosfera das canções”.
Gravou discos também em italiano, francês e alemão e tornou-se muito popular na Europa, na América do Sul e no Irão (antes da revolução).
Em 1972 a sua estrela de cantora começou a empalidecer. Deixou de gravar e lançou-se noutros projectos. Escreveu uma comédia musical rock, compôs, trabalhou como actriz e escreveu e pintou livros para crianças. Converteu-se ao budismo, divorciou-se e atravessou um período de “vacas magras”, chegando a trabalhar como empregada de mesa.
Em 1982 casou-se com Nik Powell, co-fundador do grupo “Virgin” e presidente da “European Film Academy”. Convidada por Morrissey, ex-vocalista dos “The Smiths”, cantou “Hand in Glove” (1985), música famosa do grupo de Manchester. Voltou então a aparecer nos “hit parade” britânicos.
Em 1988 publicou novo álbum de sucesso (“Hello Angel”) e, três anos mais tarde, escreveu a sua autobiografia “O Mundo a Meus Pés”.
Com mais de quarenta anos, ingressou na Universidade de Oxford, licenciando-se como psicoterapeuta em 1994. Em 2005 lançou o álbum “O Melhor de Sandie Shaw”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE José Joaquim Cesário Verde, poeta português, nasceu em Lisboa no dia 25 de Fevereiro de 1855. Faleceu no Lumiar, em 19 de Julho de 1886.
Filho de um lavrador e comerciante, matriculou-se no Curso Superior de Letras em 1873, mas só o frequentou durante alguns meses. Dividiu depois o seu tempo entre a produção de poesias (publicadas em jornais) e as actividades de comerciante, herdadas do seu pai.
Em 1877 começou a dar sinais de tuberculose, doença que já lhe vitimara o irmão e a irmã. Estas mortes serviram-lhe aliás de inspiração para um de seus principais poemas (“Nós”, 1884).
Tentou curar-se, mas sem sucesso, vindo a falecer em 1886. No ano seguinte, o amigo Silva Pinto organizou uma compilação da sua poesia: “O Livro de Cesário Verde”, publicado em 1901.
De poesia sensível, Cesário empregou técnicas impressionistas, ao retratar a Cidade e o Campo, que são os seus cenários predilectos. Evitou o lirismo tradicional, expressando-se da forma o mais natural possível.
O contacto com o campo, na sua infância, determinou a visão que dele nos dá e a sua preferência. Ao contrário de outros poetas anteriores, o campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, bucólico ou susceptível de devaneio poético, mas é sim um espaço real, concreto, autêntico, que lhe confere liberdade. O campo é um espaço de vitalidade, alegria, beleza e vida saudável. Na cidade, o ambiente é cheio de contrastes, apresentando ruas alcatroadas versus muitas outras esburacadas, casas apalaçadas (habitadas por burgueses e ociosos) versus casas velhas, edifícios cinzentos e sujos. O ambiente humano é caracterizado pelos calceteiros cuja coluna nunca se endireita, pelos padeiros cobertos de farinha, pelas vendedeiras enfezadas e pelas engomadeiras tísicas versus as frívolas burguesinhas citadinas.
A arte de Cesário Verde é reveladora de uma preocupação social e de uma intervenção crítica. Nele, deparamos com dois tipos de mulher, de acordo com os locais em que vive. A cidade surge associada à mulher fatal, frígida, frívola, calculista, madura, destrutiva, dominadora e sem sentimentos. Em contraste com esta mulher predadora, surge um tipo de mulheres, que é o oposto daquelas: frágeis, ternas, ingénuas, despretensiosas, pobres e doentes, mas objecto da sua grande admiração.
Pode verificar-se na obra de Cesário Verde uma aproximação a várias estéticas. Tendo em conta o seu interesse pela captação do real, pelas cenas de exteriores, por quadros da cidade, concretos, plásticos e coloridos, é fácil detectar a afinidade com o Realismo. A ligação aos ideais do Naturalismo verifica-se na medida em que o meio surge como determinante dos comportamentos. Pela objectividade dos temas, baseados na Natureza e no quotidiano, assim como pelas formas exactas e correctas, podemos ver afinidades com o Parnasianismo. Por último, aproxima-se dos Impressionistas, captando a realidade, mas retratando-a filtrada pelas suas próprias percepções.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Pablo Milanés, compositor, cantor e guitarrista cubano, nasceu em Bayamo no dia 24 de Fevereiro de 1943.
Estudou música no Conservatório Municipal de Havana. Como intérprete, aderiu ao quarteto “Los Bucaneros”, com quem trabalhou até 1966.
Em 1965 gravou “Os Meus 22 anos”, considerado por muitos como o elo de ligação para a “Nueva Trova Cubana”. Incluía novos elementos musicais e vocais, precursores da música cubana que apareceria anos mais tarde.
Em 1967 começou a posicionar-se na defesa de causas sociais. Era a época da Guerra no Vietname.
Em 1968 realizou o primeiro concerto na “Casa de las Américas”. Este seria o primeiro sinal do que mais tarde, em 1972, emergiria verdadeiramente como movimento popular musical “Nueva Trova”.
No início dos anos oitenta, Pablo Milanés formou o seu próprio grupo, com a ajuda de vários amigos. Tem publicado inúmeros discos, composto bandas sonoras para filmes e trabalhado em conjunto com cantores estrangeiros: Joan Manuel Serrat e Luís Represas, entre muitos outros.
Entre as suas canções mais famosas saliente-se “Yolanda”, “Yo me quedo”, “Amo a esta isla” e “El breve espacio en que no estás”.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEStan Laurel, de seu verdadeiro nome Arthur Stanley Jefferson, actor cómico, escritor e realizador norte-americano, faleceu em Santa Monica, Califórnia, no dia 23 de Fevereiro de 1965, vítima de crise cardíaca. Nascera em Ulverston, Lancashire, na Inglaterra, em 16 de Junho de 1890. Tornou-se famoso sobretudo pelos seus filmes com Oliver Hardy, com o qual formou a célebre dupla cómica “Bucha & Estica”.
Fez várias tournées com companhias de teatro, até entrar no grupo de Fred Karno, em 1910, do qual também fazia parte Charles Chaplin. Chegou a substituir Chaplin numa das suas pantomimas.
Trabalhou depois como “free lancer” para vários estúdios e, num dos seus trabalhos, contracenou com Oliver Hardy. Foi a primeira vez que actuaram juntos.
A partir de 1926, Laurel passou a colaborar com Hal Roach, como “gagman” e realizador. Em 1927, na companhia de Roach, Stan actuou em “Slipping Wives”, novamente ao lado de Oliver Hardy. A partir de então, os dois foram-se destacando e a dupla “Bucha & Estica” consolidou-se com a estreia oficial em 1927 de “Putting Pants on Philip”.
Em 1940 formaram uma companhia própria, a “Laurel and Hardy Feature Productions”, mas não fizeram filmes, percorrendo o país com o show “The Laurel and Hardy Revue”.
Posteriormente a dupla fez filmes para a 20th Century Fox, para a MGM e finalmente, em 1950, “Atoll K” (“A Ilha da Bagunça”), para produtoras europeias, filme com o qual decidiram encerrar a sua carreira conjunta.
Em 1954 Hardy teve um enfarto do miocárdio. Em 1955 Hardy e Laurel planearam ainda fazer uma série de TV, mas Laurel teve um AVC, o mesmo acontecendo em 1956 a Hardy, que ficou paralisado e acamado durante meses, sem falar e sem se poder mover.
Em 7 de Agosto de 1957, Oliver Hardy morreu. Laurel não compareceu no seu funeral, pois estava a trabalhar em "Babe Would Understand". Laurel decidiu, a partir de então, nunca mais fazer representações e passou apenas a escrever comédias. Os amigos diziam que Laurel ficara totalmente arrasado com a morte de Hardy, sem nunca ter recuperado.
Em 1961 Stan recebeu um Oscar Especial pelo seu “pioneirismo criativo no campo da comédia cinematográfica”. Ele esteve envolvido num número incerto de filmes (entre 71 e 190), muitos deles perdidos para sempre.
Viveu o resto da vida num apartamento no Oceana Hotel, em Santa Monica. Jerry Lewis era um dos muitos comediantes que o visitavam, aproveitando mesmo sugestões dele para as suas produções.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Sophie Magdalena Scholl, um dos pilares do movimento de resistência antinazi “Rosa Branca”, morreu guilhotinada em Munique no dia 22 de Fevereiro de 1943. Nascera em Forchtenberg, em 9 de Maio de 1921. É conhecida como uma das poucas alemãs, que se opuseram activamente ao Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial, e é também considerada uma mártir.
Como o resto dos jovens alemães, foi incorporada nos movimentos da Juventude Hitleriana. Em breve sentiria no entanto a restrição das liberdades, em particular de pensamento e de religião. Depois de concluir o bacharelato em 1940, ocupou-se em tomar conta de crianças. Encetou depois, em Munique, os estudos de biologia e filosofia (1942).
Em virtude da sua educação protestante, da oposição declarada de seu pai ao nazismo e da experiência vivida por seu irmão, militar e estudante de medicina em Munique, enfermeiro mais tarde nos hospitais da frente leste e testemunha da barbárie nazi contra os judeus e as populações russas, ela abriu os olhos para a verdadeira situação da Alemanha.
No início do Verão de 1942, Sophie Scholl participou na produção e distribuição de vários panfletos da “Rosa Branca”. Denunciada à Gestapo por um porteiro, foi presa em 18 de Fevereiro de 1943, quando distribuía prospectos na Universidade de Munique. Os documentos eram redigidos e depois copiados, sendo posteriormente colocados também nas caixas de correio das casas de grandes cidades da Baviera (berço do movimento nazi).
Sophie, o irmão Hans e o universitário Christoph Probst, foram julgados em menos de quatro horas no dia 22 de Fevereiro de 1943, acusados de traição e decapitados no mesmo dia. Sophie enfrentou a morte com muita coragem, segundo testemunho dos guardas da prisão. Desobedecendo às ordens superiores, os carcereiros tinham deixado os jovens reencontrarem os seus pais antes das execuções.
Os três são hoje considerados heróis nacionais alemães. Entre Fevereiro e Outubro de 1943, foram mortos mais cinquenta integrantes do movimento “Rosa Branca”.
Em Fevereiro de 2005 foi lançado um filme sobre a sua vida (“Sophie Scholl -Die letzten Tage”), com a actriz Julia Jentsch interpretando o papel de Sophie. Na Alemanha, numerosas escolas têm o nome dos irmãos Scholl. Um prémio literário com os seus nomes foi também criado em 1980.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEMargot Fonteyn, de seu verdadeiro nome Margaret Hookham, famosa bailarina inglesa, faleceu no Panamá em 21 de Fevereiro de 1991. Nascera em Reigate, no Surrey, em 18 de Maio de 1919.
Era filha de pai inglês e de mãe irlandesa, e neta do industrial brasileiro António Fontes. No começo da sua carreira, Margaret transformou “Fontes” em Fonteyn e “Margaret” em Margot.
Em 1931 entrou para a escola de ballet do Sadler's Wells, continuando a sua formação na Royal Ballet School de Londres. Tinha qualidades excepcionais e umas proporções físicas perfeitas. Em 1935 tornou-se “primeira bailarina” com dezasseis anos apenas. Em “A bela adormecida”, Margot interpretou a Princesa Aurora, conduzindo o futuro “Royal Ballet” a um período de glória e à sua primeira e brilhante temporada em Nova Iorque (1949). Juntamente com Robert Helpmann, fez tournées que duravam vários anos.
Nas décadas 1960/70, Margot Fonteyn foi a parceira favorita do bailarino soviético Rudolf Nureyev, vinte anos mais jovem do que ela. O par foi idolatrado pelo público e pela crítica até Margot se reformar em 1979, com 60 anos de idade. Fizeram juntos a versão filmada do “Lago dos Cisnes”.
Em 1955 casara-se com o diplomata sul-americano Roberto Arias, que ficou paralítico após sofrer um atentado em 1964. Depois de se afastar dos palcos, dedicou-se ao marido até à morte dele, em 1989, vivendo na sua fazenda no Panamá.
Antes de morrer, Margot Fonteyn foi homenageada, como “a grande dama do ballet do século XX”. O hall principal do edifício de estudantes da Universidade de Durham, no nordeste da Inglaterra, tem o seu nome.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Pierre-François-Marie-Louis Boulle, escritor francês, conhecido mundialmente sobretudo pelos seus livros “A Ponte do Rio Kwai” e “O Planeta dos Macacos”, nasceu em Avinhão no dia 20 de Fevereiro de 1912. Faleceu em Paris, em 31 de Janeiro de 1994.
Formado em engenharia, trabalhou como técnico na Malásia, de 1936 a 1939. Durante a 2ª Guerra Mundial, alistou-se no exército na Indochina francesa. Quando os alemães ocuparam a França, ingressou no movimento “França Livre” em Singapura. Serviu como agente secreto, usando um passaporte inglês e o nome Peter John Rule, ajudando o movimento da resistência, na China, Burma e Indochina francesa. Em 1942 foi capturado no rio Mekong pelas forças fiéis ao governo colaboracionista de Vichy, sendo condenado a trabalhos forçados perpétuos. Em 1944 conseguiu evadir-se de Saigão e juntar-se de novo à Resistência, em Calcutá.
Acabado o conflito, foi feito Cavaleiro da Legião de Honra, recebeu a Medalha da Resistência, a Cruz de Guerra e a Medalha dos Evadidos. Viria a descrever as suas experiências durante a guerra na obra não ficcional “My Own River Kwai” (1967).
Boulle mudou-se entretanto para Paris. Sendo muito pobre na época, habitou um velho hotel, até que a irmã o convidou para morar consigo. Ela tinha uma filha, que Pierre ajudou a criar e queria mesmo adoptar, mas isso não aconteceu, pois ele não quis deixar uma família para formar outra. Passou o resto da sua vida morando com a irmã, o cunhado e a sobrinha.
Publicou o seu primeiro romance (“William Conrad”) em 1950. Em 1952 escreveu “A Ponte do Rio Kwai”, que se tornou um bestseller mundial, ganhando o Prémio Sainte-Beuve. O livro é baseado em experiências reais de Boulle durante a Guerra, sendo assim considerado semi-ficcional. Em 1957 David Lean adaptou-o ao cinema, ganhando vários Oscars, incluindo o de “Melhor Filme” e de “Melhor Actor (Alec Guinness). O próprio Boulle ganhou o prémio de “Melhor Guião Adaptado”.
Em 1967, doutra sua obra, “O Planeta dos Macacos”, um clássico da ficção científica, foi feito um filme que ganhou também um Oscar. Foram realizadas igualmente adaptações para televisão e banda desenhada.
Em 1976, pelo conjunto da sua obra, recebeu o “Grand Prix de la Société des Gens de Lettres”. Pierre Boulle foi um dos pioneiros da ficção científica francesa e é um dos autores franceses mais traduzidos e conhecidos no estrangeiro, principalmente nos Estados Unidos.
Cinco anos depois da morte de Pierre Boulle, a sua sobrinha descobriu vários manuscritos inéditos nos arquivos do tio. Quase ilegíveis, foi necessário passar a ferro cada uma das 20 000 páginas descobertas, para as restaurar. Depois deste fastidioso trabalho, conseguiu publicar um novo romance (“O Arqueólogo e o Mistério de Nefertiti”), escrito provavelmente entre 1949 e 1951, assim como várias novelas reunidas no livro “L'Enlèvement de l'Obélisque”.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Knut Hamsun, de seu verdadeiro nome Knud Pedersen, escritor norueguês, Prémio Nobel de Literatura em 1920, morreu em Nørholm no dia 19 de Fevereiro de 1952. Nascera em Vågå, em 4 de Agosto de 1859.
A família mudou-se para Hamarøy, a cerca de 150 km ao norte do Círculo Polar Árctico. Hamsun trabalhava para um tio, cortando lenha. Para combater a solidão (o tio não permitia que ele se encontrasse outras crianças), Knut voltou-se para os livros.
Hamsun quase que não teve uma educação convencional, frequentando apenas aulas numa escola itinerante. Em 1873 foi para Lom, trabalhar como aprendiz numa loja. Voltou para Hamarøy no ano seguinte, onde teve diversos empregos.
Escreveu o seu primeiro livro de ficção aos 18 anos. No ano seguinte, leccionou numa escola em Vesterålen e publicou o seu segundo romance. Escreveu seguidamente “Frida”. Para sua decepção, o livro foi rejeitado pelo editor. Em 1878 mudou-se para a Christiania (actual Oslo), onde viveu na miséria. Durante algum tempo, trabalhou na construção de uma estrada. Entre 1882 e 1884 foi para os EUA. Voltou depois a Oslo, continuando a sua carreira literária, mas sem grande sucesso.
Em 1886 voltou aos Estados Unidos, onde ficou até 1888. Durante este período, trabalhou como condutor de autocarros em Chicago, trabalhador agrícola no Dakota do Norte e deu palestras em Mineápolis. Hamsun era considerado um excêntrico pelos imigrantes noruegueses. Um escritor e pastor “unitariano” permitiu que ele desfrutasse da sua rica biblioteca. Deste período nasceu “Fra Det Moderne Amerikas Andsliv” (1889), uma descrição satírica da América e da sua vida cultural.
Hamsun conquistou finalmente o sucesso em 1890 com “Fome”, a história de um jovem escritor sem abrigo, incapaz de arranjar trabalho e morrendo de fome vagueando pelas ruas. Apesar das roupas em farrapos e da aparência de esfomeado, ele conseguia manter a sua dignidade. O romance tornou-se conhecido e deu a Hamsun bastante prestígio. Seguiram-se vários títulos também com êxito.
Durante a primeira década do século XX, Hamsun viveu igualmente na Finlândia, onde escreveu uma longa peça de teatro e teve uma vida social muito activa, que o levava a consumir grandes quantidades de bebidas. Em 1911 deixou os círculos literários urbanos e mudou-se para uma fazenda. Depois da publicação de “Os Frutos da Terra” em 1917, instalou-se em Nørholm, no sul da Noruega, dividindo o seu tempo entre a escrita e o amanho da terra.
O seu apoio ao partido pro-nazi norueguês durante a Segunda Guerra Mundial fez empalidecer a sua reputação de escritor. Quando encontrou Hitler e Goebbels em 1943, ofereceu mesmo a este último a medalha que recebera na cerimónia do Prémio Nobel.
Depois da guerra, Hamsun ficou preso por algum tempo. Em 1945 foi transferido para uma clínica psiquiátrica em Oslo. De lá mudou-se para um lar para pessoas idosas em Landvik.
Em 1947/48 Hamsun acabou por ser julgado pela sua colaboração com o regime nazi e condenado a uma multa de 325 000 coroas norueguesas. Ignorando o conselho do advogado, ele recusou fingir-se senil e não demonstrou qualquer arrependimento.
Hamsun lançou em 1949, aos 90 anos, um livro acerca das suas opções políticas e o seu ponto de vista sobre o julgamento de que fora alvo. O livro foi quase um bestseller, mostrando que os seus talentos de escritor ainda estavam intactos.
Por ocasião do 150º aniversário do seu nascimento, o Banco Central da Noruega emitiu uma moeda comemorativa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quem será o brilhante tradutor?? Mapa do Metro (Meter?) de Lisboa para turistas de língua inglesa. Só para rir!!
(Clicar na imagem para a aumentar)
EFEMÉRIDECarlos Alberto de Sousa Lopes, ex-atleta português, um dos melhores da sua geração e uma referência mundial no atletismo de longa distância, nasceu em Vildemoinhos, perto de Viseu, em 18 de Fevereiro de 1947. Sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de estrada e de corta-mato.
Começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda não tinha onze anos, para ajudar ao sustento da família. Mais tarde, foi empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Durante a adolescência, ambicionava jogar futebol. O clube da sua aldeia, porém, rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso. Numa correria com amigos, durante a noite, ao voltar de um baile, Carlos Lopes foi o primeiro, batendo um grupo de rapazes da sua idade que treinavam regularmente e já se dedicavam ao atletismo. Foi nesse grupo de adolescentes que nasceu a ideia de ser criado um núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos.
A sua primeira prova oficial foi uma corrida de São Silvestre, tinha dezasseis anos. Ficou em segundo lugar, apesar da presença de corredores bem mais experientes. Pouco tempo depois, ganhou o Campeonato Distrital de Viseu de Corta-mato e, quase de seguida, foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para Juniores. Esta classificação levou-o pela primeira vez ao “Crosse das Nações”, disputado em Rabat, onde foi o melhor português, em 25º lugar. Tinha apenas dezassete anos.
Em 1967 foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal. A ida para Lisboa deveu-se tanto a razões desportivas, como à promessa de um melhor emprego. Foi no Sporting que encontrou o treinador da sua vida, Moniz Pereira, que foi o mentor de várias gerações de atletas portugueses de fundo e meio-fundo.
Em 1975 com alguns outros atletas do Sporting passou a treinar duas vezes por dia. Eram dispensados dos seus empregos na parte da manhã, entrando assim na era do “semi-profissionalismo”.
Em 1976 ganhou pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-Mato, que nesse ano se realizou em Chepstown, no País de Gales.
Carlos Lopes, que já tinha estado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas para os Jogos Olímpicos de Montreal (1976). Teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural. Na final dos 10 000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era a de rebentar com a concorrência (ou com ele próprio). De facto, Carlos Lopes iniciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha conseguido acompanhá-lo. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. Era, no entanto, a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha olímpica e a primeira vez no atletismo.
Seguiram-se várias lesões que o deixaram na obscuridade durante cerca de quatro anos. Em 1982 bateu o recorde da Europa de 10 000 metros com 27 m 21 s 39. No mesmo ano venceu a Corrida de São Silvestre em São Paulo no Brasil.
Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984, venceu a maratona, tornando-se o primeiro português a ser medalhado com ouro nuns Jogos Olímpicos. A prova foi rápida e a marca atingida (2 h 9 m 21 s) foi recorde olímpico durante 24 anos. O destino quase o tinha impedido de competir nestes Jogos, porque uma semana antes da partida para os EUA foi atropelado por uma automóvel durante um treino, felizmente sem consequências graves. No mesmo ano sagrou-se Campeão do Mundo de Corta-mato em Nova Jersey e voltou a venceu a “São Silvestre” de São Paulo.
Em 1985 renovou em Lisboa o título de Campeão Mundial de Corta-mato e na Maratona de Roterdão melhorou, com 2 h 7 m 12 s, o recorde do mundo, tendo sido o primeiro atleta mundial a correr esta prova em menos de 2 h 8 m.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEBelmiro Mendes de Azevedo, empresário de sucesso português, nasceu em Marco de Canaveses no dia 17 de Fevereiro de 1938.
É o mais velho dos oito filhos de Manuel de Azevedo, carpinteiro e agricultor, e de Adelina Ferreira Mendes, costureira. Depois da instrução primária, foi para o Porto, aos cuidados de um tio. Frequentou o Liceu Nacional de Alexandre Herculano e, depois, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde se licenciou em Engenharia Química (1964).
Entre 1959 e 1960 cumpriu o Serviço Militar Obrigatório. Durante os estudos praticou andebol no Centro Desportivo Universitário do Porto e no Futebol Clube do Porto.
Começou a trabalhar cedo para poder pagar os estudos. Ainda antes de terminar o curso, entrou para a Efanor (Empresa Fabril do Norte), localizada nos arredores do Porto. Pouco depois ingressou na Sonae (Sociedade Nacional de Estratificados, S.A.R.L.), cujo controlo assumiu em 1974. Durante anos, foi polémico o conflito judicial entre Belmiro de Azevedo e a família de Afonso Pinto de Magalhães, fundador da empresa.
Em 1975 foi aos Estados Unidos da América, onde obteve um diploma de especialização em Gestão de Empresas, na Universidade de Harvard.
Sob o seu comando, a Sonae alargou a sua actividade a novas áreas como a dos hipermercados (Continente e Modelo), a das comunicações (jornal Público) e a das telecomunicações (Optimus). Posteriormente, o grupo procurou expandir-se internacionalmente (Bonjour, Vobis, Worten, Sportzone, etc.). A partir de 1985, a Sonae passou a ser cotada na Bolsa de Valores e Belmiro tornou-se o accionista maioritário do grupo. Também em 1985 diplomou-se no Finantial Management Program da Universidade de Stanford.
Em paralelo com a actividade empresarial, criou, em 1991, a Fundação Belmiro de Azevedo, que desenvolve a política de mecenato da empresa, nas áreas da Educação, das Artes, da Cultura e da Solidariedade, em acções de parceria com outras entidades e contando com os colaboradores da empresa em acções de voluntariado. Em 2008, esta fundação abriu em Matosinhos o Colégio Efanor, justamente no lugar das velhas instalações fabris onde Belmiro iniciou a sua carreira profissional.
Com a morte de António Champalimaud, Belmiro de Azevedo tornou-se no único português a figurar na famosa lista de milionários da revista Forbes. Considerado durante alguns anos o cidadão mais rico de Portugal, a sua fortuna que, em 2007, estava estimada em 3 mil milhões de euros, caiu mais de 50% em dois anos, passando para 1.4 mil milhões de euros em 2009.
É casado com Maria Margarida Carvalhais Teixeira de Azevedo, farmacêutica, com quem teve três filhos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDECarlos Paredes, compositor e guitarrista português, nasceu em Coimbra no dia 16 de Fevereiro de 1925. Faleceu em Lisboa, em 23 de Julho de 2004. Grande guitarrista e um símbolo da cultura lusa, foi um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.
Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo e José Paredes, começou aos quatro anos a estudar guitarra portuguesa com o pai, embora a mãe preferisse que ele se dedicasse ao piano. Frequentou o Liceu Passos Manuel, começando a ter também aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recordou: «Em pequeno, a minha mãe arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram umas senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho».
Em 1934 mudou-se para Lisboa com a família e, sob a orientação do pai, dedicou-se inteiramente à guitarra. Carlos Paredes iniciou em 1939 uma colaboração regular na Emissora Nacional e terminou os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir. Inscreveu-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.
Em 1957 gravou o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente “Carlos Paredes”.
Em 1958 foi preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar. Acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, seria libertado no final de 1959 e expulso da função pública. Enquanto esteve preso, andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que ele estava louco. De facto, o que ele estava a fazer era a compor músicas na sua cabeça.
Em 1962, o realizador Paulo Rocha convidou-o para compor a banda sonora do filme “Os Verdes Anos”.
Tocou com vários artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo, escreveu muitas músicas para filmes e, em 1967, gravou o seu primeiro LP “Guitarra Portuguesa”.
Depois do 25 de Abril de 1974, os ex-presos políticos eram vistos como heróis, mas Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto. Sobre o tempo em que esteve preso nunca gostava muito de falar. Dizia que havia pessoas que tinham sofrido muito mais do que ele. Percorreu o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas, mantendo sempre uma vida simples e retomando a sua profissão de arquivista de radiografias no Hospital de São José, onde foi reintegrado.
Foram editadas várias compilações de gravações de Carlos Paredes, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta, que uma vez que a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião, ele confessou a um amigo ter pensado em se suicidar.
Uma doença do sistema nervoso central impediu-o de tocar durante os últimos onze anos de vida. Morreu em 2004, na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEMiep Gies, de seu verdadeiro nome Hermine Santrouschitz Gies, holandesa, grande amiga de Anne Frank, da qual guardou o diário durante a Segunda Guerra Mundial, nasceu em Viena, então no Império Austro-Húngaro, no dia 15 de Fevereiro de 1909. Faleceu na Holanda em 11 de Janeiro de 2010.
A sua família emigrara para a Holanda em 1920, escapando às restrições alimentares impostas na Áustria após a Primeira Guerra Mundial. Fixaram-se em Amesterdão em 1922.
Miep Gies encontrou Otto Frank em 1933 e pediu-lhe um lugar de secretária na sua empresa. Ingressou na sociedade “Opekta”, tornando-se igualmente amiga da família Frank.
Casou-se com Jan Dies em 1941, depois de ter recusado a filiação numa associação de mulheres nazis e de ter sido ameaçada de deportação quando voltasse à Áustria.
Enquanto Anne Frank, a sua família e mais quatro pessoas se escondiam dentro de um anexo secreto, com medo de serem descobertos, Miep levava-lhes comida, livros e outros objectos indispensáveis. Dava-lhes ainda informações sobre o mundo e como estavam as pessoas a reagir à Guerra. Na manhã de 4 de Agosto de 1944, um delator anónimo indicou à Gestapo o esconderijo dos Frank. Depois da prisão e deportação de Anne, Miep descobriu num esconderijo os seus cadernos íntimos e guardou-os numa gaveta sem os ler, esperando o regresso da amiga.
Miep escapou de ser presa e executada sob acusação de ajuda a judeus, porque o oficial que a interrogou era como ela de origem austríaca. Tentou mais tarde, mas sem sucesso, subornar personalidades nazis para obter a libertação dos seus amigos.
Quando acabou a guerra e depois de tomar conhecimento da morte de Anne Frank no campo de concentração de Bergen-Belsen, entregou todos os documentos em seu poder a Otto Frank, pai de Anne e único sobrevivente da família. Este publicou o livro em 1947.
Em meados dos anos 1980, a escritora americana Alison Gold conseguiu persuadir Miep Gies a participar num projecto comum de um livro. O título autobiográfico de sucesso, “Meu Tempo com Anne Frank”, foi publicado em 1987, primeiro nos EUA e, pouco depois, na Holanda e na Alemanha. O livro é também uma homenagem a Jan, o marido de Miep Gies, que sempre preferiu permanecer em segundo plano. Nos anos seguintes, Miep foi homenageada por várias vezes: em 1994, outorgaram-lhe a Cruz dos Justos do Memorial Yad Vashem, em Jerusalém, e recebeu a Ordem de Mérito da República Federal Alemã. Em 1997, a rainha Beatriz da Holanda fê-la Cavaleiro da Ordem Laranja-Nassau.
Na Primavera de 1996, Miep recebeu, juntamente com o cineasta Jon Blair, o Oscar pelo filme documentário “Anne Frank remembered”.
Miep, que entretanto enviuvara, viveu com vitalidade intelectual e sem ajuda de outros, na sua residência em Amesterdão, até a morte a ceifar aos 100 anos de idade.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEÁngel Fabián di María, futebolista argentino de origem siciliana, actualmente ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, nasceu em Rosário no dia 14 de Fevereiro de 1988. É conhecido como "angelito" (pequeno anjo).
Di María foi Campeão do Mundo de Sub-20 pela Argentina em 2007 e a sua contratação custou ao Benfica cerca de 6 milhões de euros. Foi contratado com o intuito de substituir Simão Sabrosa, que partira para Espanha.
Ángel di María salienta-se pela sua técnica, drible, velocidade e cruzamentos certeiros. Estes atributos fazem de “Angelito” uma grande ameaça para qualquer equipa adversária e já é considerado uma grande promessa do futebol argentino, embora ainda sem o mediatismo de Messi.
Fez o golo que valeu a medalha de ouro para a Selecção Olímpica da Argentina, nos Jogos de Pequim (2008), e foi eleito o melhor jogador destas olimpíadas. Desde o mercado de transferências de Verão de 2008, é um dos jogadores que mais tem chamado a atenção, pois vários grandes clubes o têm na mira (Real Madrid, Milão, Inter de Milão, Arsenal, Manchester United e Chelsea). O Benfica esclareceu que Ángel só sairia pelo valor da cláusula de rescisão, 30 milhões de euros, mas pouco tempo depois adquiriu o restante passe do argentino, passando aquela cláusula para 40 milhões. Titular no Benfica, viu também a sua situação melhorada, com um aumento substancial de salário e o prolongamento do contrato até 2015.
Começou a sua carreira no “Rosário Central” (2005-2007), tendo vindo para Lisboa em 2007. Fez parte da equipa que venceu a Taça da Liga Portuguesa em 2008/2009.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEKim Novak, de seu verdadeiro nome Marilyn Pauline Novak, famosa actriz norte-americana de origem checa, nasceu em Chicago no dia 13 de Fevereiro de 1933.
Depois dos estudos, começou a carreira de manequim, numa boutique especializada em roupas para adolescentes. Ao mesmo tempo, beneficiou de uma bolsa para estudar numa escola de modelos, continuando a trabalhar a tempo parcial. Foi também ascensorista, empregada de armazém e ajudante de dentista.
Chegou a Hollywood com 21 anos, fazendo-se notar pela sua beleza física. Teve sucesso, logo em 1955, com o filme “Picnic”. Entrou depois em dois filmes com Frank Sinatra. Seguiu cursos de arte dramática, que pagava da sua algibeira. Em 1957 fez uma greve, protestando contra o salário que recebia (1 250 dólares semanais).
A sua popularidade era já tal que foi capa da revista “Time” em 29 de Julho de 1957. Em 1958 Alfred Hitchcock convidou-a para a película “Suores Frios” com James Stewart, com quem voltaria a contracenar em “Adorável Vizinha”.
Kim Novak resistiu às pressões da Columbia Pictures, estúdio com o qual tinha contrato, para que adoptasse o nome artístico de Kit Marlowe. Ela apenas concordou com a mudança de Marilyn para Kim e isto para evitar que as pessoas a confundissem com Marilyn Monroe.
Representou ao lado de grandes actores e actrizes como Kirk Douglas, Jack Lemmon, Fred Astaire, Dean Martin, Rita Hayworth e Elizabeth Taylor.
Vive afastada do cinema desde 1991, ano em que interrompeu a sua carreira, após ter feito cerca de trinta filmes. Ocupa-se desde então da criação de cavalos e lamas no Oregon e na Califórnia.
Possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada no Hollywood Boulevard. Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Revelação Feminina em 1955 e o de Estrela Favorita do Cinema em 1957. Recebeu um Urso de Ouro Honorário em 1997, concedido pelos organizadores do Festival de Berlim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Lou Andreas-Salomé, de seu verdadeiro nome Louise von Salomé, escritora alemã de origem russa, nasceu em São Petersburgo no dia 12 de Fevereiro de 1861. Morreu em Göttingen, em 5 de Fevereiro de 1937.
Era uma bela mulher e escandalizou a sociedade da sua época ao quebrar as regras morais estabelecidas. Teve vários amantes. Conheceu intelectuais como Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche e Rainer Maria Rilke, entre outros. Mulher sensível, tinha fama de ser uma sedutora.
A sua produção literária esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos e, assim, da relação com Rainer Maria Rilke, aos 36 anos, resultaram obras fundamentais como “A humanidade da mulher” e “Reflexões sobre o problema do amor”.
O pai era originário de uma família de huguenotes de Avinhão, que tinha deixado a França depois da Revolução, para se estabelecer nos países bálticos. Aos seis anos foi enviado para São Petersburgo, para aí receber uma educação militar. Depois de se ter distinguido pela sua valentia durante a insurreição polaca de 1831, foi elevado à “nobreza hereditária” pelo Czar Nicolau I. Tendo obtido o posto de general, entrou para o estado-maior de Alexandre II, que o nomeou inspector dos exércitos. Em 1844 casou-se com a filha de um rico fabricante de açúcar, de origem dinamarquesa e norte alemã, que lhe deu seis filhos: cinco rapazes e, em 1861, uma rapariga a quem foi dado o nome de Louise. Esta cresceu rodeada de uniformes de oficiais, largamente afastada da sociedade russa, numa pequena comunidade de emigrantes germanófilos.
Falando e escrevendo essencialmente alemão, mas conhecendo evidentemente o russo e o francês (língua da alta sociedade) e estudando numa escola privada inglesa, ela não deixava porém de ter uma “alma russa”.
Aos 21 anos, encontrou-se com Friedrich Nietzsche, de 38 anos, que durante o ano de 1882 viveu a sua única e verdadeira história de amor numa “escapadela a três” com Paul Rée, um filósofo judeu que chegaria a pedir Lou em casamento. O amor dos três intelectuais seria no entanto apenas platónico. Ela passou três semanas a discutir filosofia com Nietzsche. Este via nela uma “criança” muito dotada mas, ao mesmo tempo, insuportável. Foi finalmente a irmã do filósofo que afastou a jovem russa, o que o irmão nunca lhe perdoou, caindo em profunda depressão.
A vida de Lou foi a de uma boémia intelectual pan-europeia, que viajava em permanência e se correspondia com os maiores pensadores da época. Mulher livre antes do seu tempo, em 1897, com 36 anos, encontrou Rainer Maria Rilke, que tinha menos catorze anos que ela. Partiu com ele para a Rússia em 1900. A sua relação durou três anos. A correspondência trocada entre eles duraria porém toda a vida. Rilke teria sido o único homem que ela amou fisicamente. Ela mudou-lhe o nome de “René” para “Rainer”, simplificou o seu estilo e tornou-se simultaneamente sua mãe e sua musa.
Lou Andreas-Salomé foi classificada como uma “inspiradora”, que se relacionou com os espíritos mais notáveis do seu tempo, tratando-os como seus iguais. Este facto prejudicou o conhecimento da sua própria obra, extremamente rica, mas ainda por estudar: vários romances; ensaios sobre Nietzsche, Léon Tolstoï e Rilke, sobre a psicanálise e sobre o feminismo; uma autobiografia que ela quis que fosse póstuma e muita correspondência, também trocada com Freud, participando activamente e com espírito crítico nos principais conceitos deste Mestre. Morreu aos 76 anos, numa Alemanha já dominada pela ideologia nazi.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDESimone de Macedo e Oliveira, cantora e actriz portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 11 de Fevereiro de 1938.
Na sequência de uma depressão, aos 19 anos, o médico aconselhou-a a distrair-se, tendo ela optado por se matricular no Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional.
A sua estreia em público, como cantora, ocorreu em Janeiro de 1958, no primeiro Festival da Canção Portuguesa. Nos dois anos seguintes venceu este mesmo Festival. Em 1959 foram lançados dois discos com canções de Simone.
Estreou-se no teatro de revista em 1962. Venceu também, neste ano, o Festival da Canção da Figueira da Foz. Recebeu o Prémio da Imprensa em 1963.
Na 1ª edição do Grande Prémio TV da Canção ficou em 3º lugar. Ganhou o Prémio da Imprensa de 1964 para a Melhor Cançonetista. Venceu o Festival RTP da Canção de 1965 com o tema “Sol de Inverno”, representando Portugal no Festival da Eurovisão realizado em Nápoles e sendo eleita Rainha da Rádio.
Participou, com “Começar de Novo”, no primeiro Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, realizado em 1966.
Foi gravando vários discos e, ainda em 1966, fez parte do elenco do musicalEsta Lisboa que eu amo”.
Amália Rodrigues iniciou uma temporada no Olympia, em Paris, como primeira figura do espectáculo “Grand Gala du Music-Hall Portugais”. Simone de Oliveira foi um dos nomes convidados, ao lado do Duo Ouro Negro e de Carlos Paredes, entre outros.
Em 1969 venceu o Festival RTP da Canção, com o maior êxito da sua carreira - “Desfolhada Portuguesa”, da autoria de José Carlos Ary dos Santos e de Nuno Nazareth Fernandes.
Perdeu entretanto a voz, um incidente que se prolongaria por cerca de dois anos. Nesta fase aceitou tudo o que lhe ofereceram para sobreviver. Desde o jornalismo à rádio, à locução de continuidade ou à apresentação do concurso Miss Portugal e de espectáculos no Casino da Figueira da Foz. Recuperou do problema que lhe tinha afectado as cordas vocais. A voz ficou mais grave, mas podia continuar a cantar.
Participou no Festival RTP da Canção de 1973, com “Apenas O Meu Povo”, recebendo o Prémio de Interpretação.
Em 1977 foi convidada para participar no espectáculo do Jubileu de Isabel II de Inglaterra. Venceu o 1º Prémio de Interpretação do Festival da Nova Canção de Lisboa, em 1979, com “Sempre Que Tu Vens É Primavera”.
Em 1980 representou Portugal no Festival da OTI, em Buenos Aires, com “À Tua Espera”. Durante os ensaios, a orquestra levantou-se para a aplaudir. Recebeu o Prémio de Interpretação do Festival Ibero-Americano da Canção.
No teatro, fez de “Genoveva” na peça “Tragédia da Rua das Flores”, baseada na obra homónima de Eça de Queirós. Participou igualmente na série “Gente Fina É Outra Coisa” na RTP, onde contracenou com Nicolau Breyner e Amélia Rey Colaço. Comemorou as bodas de prata da sua carreira com o programa televisivo “Meu Nome é Simone”.
O disco “Simone, Mulher, Guitarra”, editado em 1984, foi uma incursão da cantora no fado. Cinco dos temas eram de José Carlos Ary dos Santos e os restantes de Luís de Camões, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Florbela Espanca e Miguel Torga.
Em 1988 apresentou o programa de televisão “Piano Bar” na RTP. Neste ano ainda, lutou com sucesso contra um cancro na mama.
Em 1991 fez parte do elenco do musicalPassa por Mim no Rossio”. No ano seguinte, foi editado o álbum “Algumas Canções do Meu Caminho”, apresentando-o em espectáculos ao vivo no Porto, em Lisboa e no Funchal.
Filipe La Féria convidou-a para actuar em “Maldita Cocaína” em 1993. Em 1997 celebrou os 40 anos de carreira com um espectáculo na Aula Magna de Lisboa. Foi lançado o duplo CD “Simone Me Confesso”. Um espectáculo, com o mesmo nome, foi apresentado na Expo-98.
Em 2008 Simone integrou o elenco da nova versão da telenovela “Vila Faia” na RTP. Comemorou os 50 anos de carreira com um grandioso concerto no Coliseu de Lisboa. Foi condecorada com a Grande Ordem do Infante.
Entrou em cinco filmes e em várias telenovelas e séries de televisão. No canal SIC, em 2009, participou no programa “Fátima”, como comentadora, e no “SIC ao vivo”, como entrevistadora.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEVanessa Sigiane da Mata Ferreira, cantora e compositora brasileira, nasceu em Alto Garças, no Mato Grosso, em 10 de Fevereiro de 1976.
Na infância, ouvia todos os tipos de música, de Luiz Gonzaga a Tom Jobim, passando por Milton Nascimento. Escutava também ritmos regionais, como o “carimbó”, através de discos trazidos das viagens de um tio à Amazónia. Ouvia sambas, música caipira e até música “brega” italiana, sons que lhe chegavam pelas rádios.
Em 1990, aos 14 anos, mudou-se para Uberlândia, em Minas Gerais, cidade a mil e duzentos quilómetros de distância de Alto Garças. Foi para lá sozinha, morar num pensionato, preparando-se para, futuramente, estudar medicina. Ela, porém, já sabia o que queria: cantar. Aos quinze, começou a apresentar-se em bares locais.
Em 1992, foi para São Paulo, onde se juntou à Shalla-Ball, uma banda feminina de reggae. Três anos depois, com 19 anos, “fez-se à estrada” com a banda jamaicana Black Uhuru. Em seguida, fez parte do grupo de ritmos regionais Mafuá. Neste período, ainda arranjava tempo para jogar basquete e ser modelo.
Em 1997, com 21 anos, conheceu Chico César. Com ele, compôs “A força que nunca seca”. A música foi gravada por Maria Bethânia, que a colocou como título de um seu disco de 1999. A gravação concorreu ao Grammy Latino. O Brasil descobria uma grande compositora. Bethânia voltou a gravar uma canção de Vanessa - “O Canto de Dona Sinhá” estava incluído no CD “Maricotinha”, com participação de Caetano Veloso. “Viagem” foi gravada por Daniela Mercury. Com Ana Carolina compôs “Me Sento na Rua” (2001).
A voz e a presença de Vanessa começavam também a chamar atenção. Participou em shows de Milton Nascimento, Bethânia e nas últimas apresentações de Baden Powell. Estava finalmente preparada para começar uma carreira a solo.
Em 2002, aos 26 anos, Vanessa lançou o seu primeiro CD. Entre os sucessos deste disco estavam “Nossa Canção”, “Não me deixe só” e “Onde ir”.
O segundo disco, “Essa Boneca Tem Manual”, foi lançado em 2004 pela Sony e teve produção de Liminha, com quem dividiu as composições. Além das suas próprias canções, como “Ai, Ai, Ai...”, “Ainda Bem”, “Não Chore, Homem”, Vanessa regravou “Eu Sou Neguinha” de Caetano Veloso e “História de Uma Gata” de Chico Buarque. Com “Ai, Ai, Ai...”, a música nacional mais executada na rádio em 2006, o álbum chegou a “Disco de Platina”.
Gravou o terceiro disco em 2007. Nesse mesmo ano, cantou com Ben Harper “Boa Sorte/Good Luck”, que foi um dos seus maiores sucessos e a fez conhecida em todo o mundo. Muitas das suas músicas têm sido temas musicais de telenovelas famosas. Em Maio de 2009, Vanessa lançou um álbum ao vivo comemorando os seus seis anos de sucesso.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Carmen Miranda, nome artístico de Maria do Carmo Miranda da Cunha, cantora e actriz luso-brasileira, nasceu em Marco de Canaveses, Portugal, no dia 9 de Fevereiro de 1909. Faleceu em Beverly Hills, em 5 de Agosto de 1955.
A sua carreira artística decorreu no Brasil e nos Estados Unidos, entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou na rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário pago até então a uma mulher nos Estados Unidos. O seu estilo eclético fez com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.
Adoptou o nome de Carmen no Brasil, graças ao gosto que o pai tinha pela ópera. Pouco tempo depois do seu nascimento, a família emigrara para o Brasil, onde se instalou no Rio de Janeiro. Carmen nunca mais voltou à sua terra natal, o que não impediu que a Câmara de Marco de Canaveses desse o seu nome ao Museu Municipal.
Carmen estudou na Escola de Freiras Santa Teresa. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas e depois numa chapelaria.
Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita numa fotografia publicada na secção de cinema da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros que, encantado com o seu talento, passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano gravou, na editora alemã Brunswick, os seus primeiros discos, com o samba “Não Vá Sim'bora” e o choro “Se O Samba é Moda”.
O grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha “Pra Você Gostar de Mim”. Antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal “O País” como “a maior cantora do Brasil”. Em 1933 assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga. Foi a primeira cantora de rádio a fazer um contrato, quando o hábito era o cachet por participação. Fez depois a sua primeira tournée internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Voltou à Argentina no ano seguinte, para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.
Em 1936, Carmen deixou a Mayrink e assinou um contrato com a Tupi. No começo desse ano estreou-se no filme “Alô, Alô Carnaval” em que, juntamente com a irmã Aurora Miranda, cantaram “Cantoras da Rádio”. Ainda em 1936, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Casino da Urca. A partir de então dividiram-se entre o palco do Casino e tournées frequentes pelo Brasil e pela Argentina.
Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power em 1938, aventou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia porém um salário tão fabuloso no Casino da Urca, que não se interessou pela ideia. Mais tarde, após um espectáculo no transatlântico “Normandie”, Carmen assinou contrato com o empresário norte-americano Lee Shubert. A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical “Bando da Lua” para a acompanhar, mas o empresário estava apenas interessado em Carmen. Depois de voltar para os Estados Unidos, Shubert aceitou a vinda do “Bando da Lua”. Carmen partiu no navio “Uruguai”, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.
Em 29 de Maio de 1939, Carmen estreou-se no espectáculo musical “Streets of Paris”, em Boston, com grande sucesso junto do público e da crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.
Em 10 de Julho de 1940 voltou ao Brasil, onde foi acolhida com entusiasmo pelo povo carioca. Gravou os seus últimos discos no Brasil, onde respondeu com humor às acusações de ter esquecido o Brasil e de se ter "americanizado". Voltou aos Estados Unidos e gravou a marca dos seus sapatos e das suas mãos na Calçada da Fama do Teatro Chinês de Los Angeles.
Entre 1940 e 1953 actuou em cerca de 15 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas nocturnas, casinos e teatros norte-americanos. Em 1946 Carmen era a artista mais bem paga de Hollywood e a mulher que mais impostos pagava nos EUA. Em 1947 casou-se com o americano David Sebastian. O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo da sua decadência. O marido, antes um simples empregado de uma produtora de cinema, tornou-se “empresário” de Carmen e conduziu mal os seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela se veio a tornar dependente. O casamento entrou em crise logo nos primeiros meses, mas Carmen Miranda não aceitava o divórcio pois era uma católica convicta.
Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos, mas sem muitas preocupações com os efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes como calmantes. Por ser também consumidora de tabaco e álcool, o efeito das drogas foi potenciado.
No fim de 1954, Carmen regressou ao Brasil após uma ausência de 14 anos. O seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suite do Hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente as drogas, o álcool e o tabaco. Ligeiramente recuperada, voltou para os Estados Unidos em Abril de 1955. Imediatamente recomeçou com as apresentações. Fez uma tournée por Cuba e Las Vegas e voltou a usar barbitúricos.
No início de Agosto, Carmen gravou uma participação especial num programa televisivo. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por colegas. Recuperou e terminou o espectáculo. Na mesma noite, recebeu amigos na sua residência em Beverly Hills. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquilhagem e caminhou para a cama. Um colapso cardíaco fulminante matou-a. Tinha apenas 46 anos.
O seu corpo foi embalsamado e enviado por avião para o Rio de Janeiro. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado na Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até ao Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, “Taí”, um de seus maiores sucessos.
No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, que só seria inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.
Apesar de ter morado quase toda a sua vida no Brasil e nos Estados Unidos, Carmen Miranda nunca se naturalizou cidadã de qualquer destes países, mantendo sempre a nacionalidade portuguesa.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDELana Turner, de seu verdadeiro nome Julia Jean Mildred Frances Turner, actriz de cinema norte-americana, nasceu em Wallace no dia 8 de Fevereiro de 1921. Faleceu em Century City, em 29 de Junho de 1995.
Foi descoberta, aos quinze anos, pelo produtor do jornal “Hollywood Report”, W. R. Wilkerson. Contratada por cinquenta dólares por semana pelo director da Warner Bros, estreou-se em 1937 no filme "They won't forget”.
Percorreu um longo caminho até alcançar o estrelado em “O Destino bate à sua porta” (1946). Foi considerada um símbolo sexual entre as décadas de 1940 e 1950, tornando-se uma das actrizes mais bem pagas da época. Ficou a fazer parte da mitologia de Hollywood, sendo durante cerca de vinte anos uma das grandes estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer.
Era uma esbanjadora de dinheiro e maníaca por sapatos. Foi casada e separada sete vezes, o que constitui um recorde, além de ter mantido casos amorosos com várias personalidades tais como Victor Mature, Howard Hughes, Tony Martin, Clark Gable e Rex Harrison, entre outros. Teve uma única filha. O grande amor da sua vida teria sido o actor Tyrone Power, com quem não se casou.
Trabalhou igualmente para a televisão nos anos 1980. Lana Turner esteve bastante tempo com uma depressão causada pelo álcool. Morreu na Califórnia, vítima de cancro na garganta.
Segundo ela, «um homem vencedor é aquele que ganha mais dinheiro do que aquele que a mulher gasta; a mulher vencedora é aquela que encontra tal homem…».

domingo, 7 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEOleg Konstantinovich Antonov, construtor de aviões soviético, nasceu em Troïtsi, em 7 de Fevereiro de 1906. Morreu em Moscovo no dia 4 de Abril de 1984.
Entre os aviões que projectou, destacam-se o An-2 e o Antonov A-7. Fundou a Companhia Antonov, criadora do An-225.
Depois de ter finalizado os estudos em 1930 na Universidade Politécnica de Leninegrado, trabalhou até 1938 como chefe do gabinete projectista de uma empresa de construção de planadores. Consagrou-se em seguida, juntamente com outros engenheiros, ao desenvolvimento de planadores pesados para o transporte de carga.
A partir de 1946, em Kiev, concebeu na fábrica que tem o seu nome, diversos aviões que ficaram lendários no Leste Europeu, nomeadamente o An-2, biplano de transporte de passageiros e carga apelidado de “Anna” ou “Tractor dos Ares”, que foi fabricado em mais de 15 000 exemplares a partir de 1947.
De citar igualmente: vários turbo-propulsores, como o “médio-curso” An-10 Ukraina (1957), o An-22 Antæus (1969), que foi no seu tempo um dos maiores aviões do Mundo, e o An-124 Ruslan (1982). O An-225 Mrya (1988) foi já concebido após o seu falecimento.
Como recompensa pela sua obra, Oleg Antonov foi galardoado três vezes com a Ordem de Lenine e nomeado Herói do Trabalho Socialista. O Banco Nacional da Ucrânia emitiu, em 2006, uma moeda para comemorar o centenário do seu nascimento.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDECamilo Gorriarán Cienfuegos, revolucionário cubano, nasceu em Calabazar de Sagua no dia 6 de Fevereiro de 1932. Desapareceu em 28 de Outubro de 1959, vítima de acidente de aviação durante um voo de Camaguey para Havana.
Os pais eram refugiados anarquistas espanhóis de origem pobre. Camilo chegou a emigrar para os Estados Unidos, onde trabalhou clandestinamente até ser expulso. De volta a Havana, participou em lutas estudantis contra o ditador Fulgencio Batista, tendo sido ferido a tiro e preso. Considerado comunista pela polícia, conseguiu fugir para o México, onde se juntou à expedição do barco “Granma”. Desembarcou em Cuba em 2 de Dezembro de 1956, fazendo parte da vintena de homens comandada por Fidel Castro, que daria origem ao exército rebelde.
Em 1958 comandou a “Coluna António Maceo”, que avançou decididamente para Havana. No dia 2 de Janeiro de 1959 entrou vitoriosamente na capital, controlando o quartel-general de Batista.
Ao lado de Fidel Castro, de Che Guevara e de Raul Castro, Camilo foi um dos principais líderes da Revolução Cubana. Organizou, juntamente com Raul Castro, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias.
O avião em que viajava, um velho Cessna 310, desapareceu no céu cubano, o que causou grande dor em toda a população que, juntamente com a Marinha e o Exército, procurou durante vários dias, em terra e no mar, algum vestígio do líder guerrilheiro, mas sem sucesso. Cienfuegos tornou-se num dos mártires da Revolução e, nos dias 28 de Outubro de cada ano, as crianças cubanas continuam a atirar flores ao mar, em sua homenagem.
Che Guevara, que se tornara um dos seus grandes amigos, dedicou-lhe o seu livro “Guerra de Guerrilhas”.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDECristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, futebolista português actualmente no Real Madrid, nasceu em Santo António do Funchal no dia 5 de Fevereiro de 1985.
Começou a jogar aos oito anos nos juvenis do “Andorinha”, em 1995 foi para o “Nacional” e o seu sucesso levou-o a ingressar no Sporting dois anos mais tarde. Quando tinha quinze anos, foi-lhe diagnosticado um problema no coração, o que poderia tê-lo forçado a abandonar o futebol. O Sporting informou a mãe de Cristiano Ronaldo do problema, a qual, ciente dos riscos, lhe deu autorização para ir ao hospital. Aí, foi submetido a uma operação, na qual a área do coração que lhe estava a causar o problema foi cauterizada a laser. A cirurgia foi realizada no período da manhã e Cristiano Ronaldo recebeu alta do hospital no final da tarde, retomando os treinos dias depois.
O talento precoce de C. Ronaldo chamou a atenção de Sir Alex Ferguson, técnico do Manchester United e, em 2003, com apenas dezoito anos, assinou um contrato com o clube inglês, que pagou cerca de 18 milhões de euros ao Sporting. Logo na temporada seguinte, Ronaldo ganhou o seu primeiro título com o Manchester, a Taça de Inglaterra e chegou à final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 com a selecção portuguesa.
Em 2008 Cristiano Ronaldo conquistou a Liga dos Campeões com o Manchester United. Além de ter sido nomeado o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, tornou-se no primeiro jogador do Manchester a ganhar a Bola de Ouro em 40 anos, após George Best. Foi o primeiro jogador a ganhar o recente “Prémio FIFA Ferenc Puskás” em 2009, atribuído ao melhor golo do ano.
No ano de 2005 o pai morreu e, em 2007, com 22 anos, lançou uma biografia intitulada “Momentos”, onde fala de sua vida pessoal e dos seus amores. Cristiano já teve inúmeros relacionamentos, incluindo casos com a actriz indiana Bipasha Basu e com a americana Paris Hilton. Namorou também com a modelo e apresentadora portuguesa Merche Romero e com as espanholas Núria Bermúdez e Nereida Gallardo.
Em Dezembro de 2009 lançou, juntamente com o Real Madrid, a biografia “Sueños cumplidos”.
Em Janeiro de 2010, era o desportista mundial mais popular na rede social Facebook, com mais de três milhões de fãs.
Ganhou no Manchester United vários títulos invejáveis para qualquer jogador, como a Premier League de 2006-07, 2007-08 e 2008-09, a Liga dos Campeões 2007-2008, o Mundial de Clubes da FIFA de 2008, além de uma Taça da Inglaterra (2004), duas Taças da Liga Inglesa (2006 e 2009) e duas Super-taças da Inglaterra (2007 e 2008). Em 2008, Cristiano Ronaldo tornou-se o segundo jogador a conquistar, na mesma temporada, o prémio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA, a Bota de Ouro e a Bola de Ouro, da revista “France Football”, um feito só conseguido pelo brasileiro Ronaldo em 1997.
Em Junho de 2009, o Manchester United autorizou que o jogador e o Real Madrid discutissem pormenores de um contrato, uma vez que tinha aceite a proposta de compra do clube espanhol (94 milhões de euros). O jogador tornou-se, deste modo, a mais cara contratação da história do futebol mundial até ao momento. Foi apresentado aos Madrilenos numa cerimónia que reuniu mais de 80 000 espectadores, o que constitui também um recorde mundial.
Foi convocado pela primeira vez para a Selecção Portuguesa de Futebol frente ao Cazaquistão, jogo que Portugal venceu por 1 - 0 . No Euro 2004, realizado em Portugal, marcou o seu primeiro golo pela Selecção, frente à Grécia, na fase de grupos. Neste mesmo ano, representou Portugal nas Olimpíadas.
Nos Mundiais de 2006, na fase de qualificação, foi o segundo melhor marcador na zona europeia, com sete golos. Foi considerado um dos melhores jogadores jovens deste Campeonato, em que Portugal se classificou em 4º lugar, à frente de selecções como as do Brasil, Argentina, Inglaterra, Holanda, e Espanha.
Depois do Euro 2008, Ronaldo foi nomeado capitão da Selecção Portuguesa. Já representou Portugal em 62 jogos, tendo marcado 22 golos.
Cristiano Ronaldo é o jogador de futebol mais rápido do mundo. Segundo um estudo alemão realizado em 2009, pode atingir a velocidade de 33,6 km/h.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEBetty Friedan, de seu verdadeiro nome Betty Naomi Goldstein, importante activista feminista e escritora norte-americana, nasceu em Peoria no dia 4 de Fevereiro de 1921. Faleceu de crise cardíaca, em Washington, precisamente na data em que completou 85 anos (2006).
Participou igualmente em movimentos marxistas e judaicos. Em 1963, publicou o ensaio “A Mística Feminina”, um best-seller que dinamizou o feminismo moderno, que sucedeu ao primeiro movimento feminista americano (1850/1920). Este novo movimento, que visava reavaliar o papel das mulheres na sociedade americana, era sobretudo uma reacção ao período de regresso à ordem moralista e tradicional da mulher em casa, esposa modelo, que tinha voltado em força a seguir à Segunda Guerra Mundial, apesar dos avanços conseguidos pelo “primeiro movimento”, nomeadamente o direito de voto em 1920.
Foi co-fundadora da “Organização Nacional para as Mulheres”, fundamental na cena política e cultural norte-americana durante os anos 1960 e 1970. É considerada uma das feministas mais influentes do século XX. Defendeu um feminismo moderado, que visava uma maior igualdade dos sexos e direitos acrescidos para as mulheres, sem todavia se posicionar em oposição aos homens.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDEPaul Benjamin Auster, escritor norte-americano, nasceu em Newark, New Jersey, no dia 3 de Fevereiro de 1947.
É autor de vários best-sellers como “Tombouctou”, “O Livro das Ilusões” e “A Noite do Oráculo”. Começou por escrever poesias e pequenas peças de teatro, antes de se dedicar definitivamente aos romances.
Licenciou-se em 1970 na Universidade de Columbia. Passou por momentos difíceis, escrevendo para revistas e trabalhando num petroleiro. Esteve durante quatro anos em França, vivendo de traduções. A sua proximidade com a literatura francesa haveria de o marcar para sempre. Foi admirador de Breton, Éluard, Mallarmé e Sartre, alguns dos quais traduziu para a língua inglesa. O gosto pela tradução é muitas vezes referido pelo próprio, que aconselha os jovens escritores a traduzir poesia para entenderem melhor o significado intrínseco das palavras. Além dos autores indicados, Paul Auster refere ainda como suas influências Dostoiévski, Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Beckett e Proust.
Em 1979, depois de se divorciar da primeira mulher e de ter tentado em vão publicar um romance policial, a morte do pai trouxe-lhe uma pequena herança, que lhe permitiu viver mais desafogadamente e dedicar-se finalmente à Literatura. Fez algumas incursões pelo cinema, mas sem muito êxito.
Nos seus romances é evidente a influência cinematográfica norte-americana e as suas histórias desenrolam-se numa sucessão que faz lembrar um thriller, usando igualmente o método da “caixa chinesa”, sucessão de histórias no interior umas das outras. A sua obra parece ser mais apreciada na Europa do que no seu país natal. Vive actualmente em Brooklyn, Nova Iorque.
Entre os galardões que recebeu, salientam-se: o “Prémio France Culture de Littérature Étrangère” (1989) ; o “Prémio Médicis - Melhor Romance Estrangeiro” (1993) e o “Prémio Príncipe das Astúrias - Letras” (2006).
O presidente do Distrito de Nova Iorque declarou o dia 27 de Fevereiro como o “Dia de Paul Auster” (2006). É “Comendador da Ordem das Artes e das Letras” da República Francesa desde 2007. No mesmo ano, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Liège.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Mary Farrah Leni Fawcett, actriz e modelo norte-americana, nasceu em Corpus Christi, no Texas, em 2 de Fevereiro de 1947. Faleceu em Santa Mónica, Califórnia, no dia 25 de Junho de 2009.
Estudou na Universidade do Texas, mas sempre quis ser actriz. É considerada um dos maiores símbolos sexuais femininos da década de 1970 e uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos.
Foi nomeada várias vezes para os prémios “Emmy” e “Golden Globe”, ganhando fama internacional ao interpretar a detective particular Jill Munroe na série de TV “Os Anjos de Charlie” (1976).
Mais tarde, teve a aprovação da crítica em peças teatrais e em vários papéis que desempenhou em telefilmes e mini-séries muito populares.
Foi igualmente um ícone da cultura pop, com um penteado que foi copiado por milhões de mulheres e um poster seu bateu todos os recordes de venda (oito milhões de exemplares nos primeiros meses), tornando-a num símbolo dos anos 1970 e 1980, com maior impacto na geração adolescente da época.
Em 1995 posou para a revista Playboy e permanece até hoje como o segundo recorde de vendas, com 1 351 100 de exemplares.
A actriz lutava contra um cancro no cólon desde Setembro de 2006. Em Outubro do mesmo ano, submeteu-se a uma cirurgia para retirar um tumor do intestino grosso e fez sessões de quimioterapia e radioterapia durante seis semanas. Quatro meses depois, a actriz recebeu o diagnóstico de que estava curada e teve alta no final de 2007, anunciando, eufórica, ter vencido a doença. No entanto, tempos depois, anunciou que o tumor tinha voltado. Passava os dias em casa, a maior parte do tempo na cama, por causa dos efeitos do tratamento. Fawcett perdeu o cabelo, ficou muito debilitada e só recebia a visita de algumas amigas íntimas, que tinham sido suas companheiras na série "Os Anjos de Charlie ".
«Apesar das dores insuportáveis e da incerteza, jamais me ocorreu deixar de lutar, nunca!» declarou então a actriz, que deixou a sua batalha gravada num documentário que foi transmitido nos Estados Unidos. Procurou sem resultados tratar-se na Alemanha. A sua morte ocorreu semanas depois da exibição do documentário na televisão. Desapareceu no mesmo dia de Michael Jackson, o que fez com que a notícia da sua morte fosse ofuscada na grande maioria dos jornais do mundo.
Legou toda a fortuna ao seu filho Redmond, fruto do seu relacionamento com o actor Ryan O'Neal, com quem vivia desde 1982, após um casamento falhado com Lee Majors (1973/1982).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, jornalista, crítico, tradutor, ficcionista e poeta português, nasceu em Coimbra no dia 1 de Fevereiro de 1937. Faleceu em Lisboa, em 30 de Novembro de 1995.
Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, viveu nesta cidade até iniciar o serviço militar, em 1961. Filho de pai médico e de mãe doméstica, era neto de avô materno galego (casado com uma portuguesa da Bairrada) e o seu avô paterno era roceiro em São Tomé.
Em jovem, foi actor de teatro e redactor da revista Vértice, o que lhe permitiu privar de perto com o poeta neo-realista Joaquim Namorado e com escritores da sua geração, como Manuel Alegre e José Carlos de Vasconcelos.
Cumpriu parte do serviço militar em Portugal, entre 1961 e 1963, tendo seguido depois para Angola, onde esteve até 1965. Integrado num batalhão de cavalaria, seria transferido para os serviços auxiliares e colocado no Quartel-General da Região Militar de Angola.
Publicou a sua primeira obra (“Cuidar dos Vivos”) em Coimbra, com o patrocínio do pai, não obstante se encontrar, nessa época, em África (1963). Trata-se de um livro de poemas de protesto político e cívico, aflorando os temas da morte e do amor. Em anexo, dois poemas sobre a guerra em Angola, que terão sido dos primeiros publicados sobre o assunto. O tema da guerra em África voltaria a impor-se em “Câu Kiên: Um Resumo” (1972), ainda que sob a aparência de se passar no Vietname, para ludibriar a Censura, livro que em 1976 conheceria a sua versão definitiva com o título “ Katalabanza, Kilolo e Volta”.
Variações em Sousa” (1987) constituiu um regresso aos temas da infância e da adolescência, com Coimbra como cenário, e refinando uma veia jocosa e satírica já visível nos primeiros poemas. Era notável em Assis Pacheco a sua larga cultura galega, aliás sobejamente explanada em alguns dos seus textos jornalísticos e no livro “Trabalhos e paixões de Benito Prada: galego da província de Ourense, que veio a Portugal ganhar a vida” (1993). No livro “A Musa Irregular” (1991) reuniu toda a produção poética publicada até então.
Nunca conheceu outra profissão que não fosse a de jornalista, Foi grande repórter no “Diário de Lisboa”, na “República”, no “JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias”,no “Musicalíssimo”, no “Se7e”, do qual foi director-adjunto, e na revista “Visão”. Foi também redactor e chefe de redacção do semanário “O Jornal”, onde durante dez anos exerceu crítica literária, Colaborou igualmente na RTP.
Traduziu para português obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez. Morreu em Lisboa, aos 58 anos, acometido de doença súbita à porta da Livraria Bucholz.
Em 2001 as Edições Asa publicaram “Retratos falados”; em 2003 a Assírio & Alvim publicou “Respiração assistida” (alguns dos poemas deste livro eram inéditos e Assis Pacheco destinava-os a um próximo livro que pretendia editar) e em 2005 a Assírio & Alvim publicou ainda “Memórias de um craque”, colectânea de textos sobre futebol.

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