Serviu
como primeiro-ministro de seu país entre 3 de Julho de 2014 e 20 de Agosto de
2015, além de secretário executivo da CPLP entre 2008 e 2012.
Desde
2014 é presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo
Verde (PAIGC), partido histórico da independência da Guiné-Bissau.
Domingos
Simões Pereira é filho de um agricultor, pequeno proprietário forçado a
abandonar a propriedade, devido ao início da guerra de independência. O seu pai
chegou a ser preso pela PIDE, acusado de colaboração com os grupos
nacionalistas.
Ainda
criança seguiu, com o restante da família, para Bissau e, logo depois, em 1969,
para Cacheu, onde frequenta o ensino primário.
Em
1974, integra os primeiros grupos de alunos que, no Liceu Nacional Kwame
N’Krumah, sob a docência de nomes como Atchutchi Ferreira e Hélder
Proença, estudou já sem a tutela do regime colonial. Foi no liceu que integrou,
em 1979, os quadros da Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC),
ala jovem do PAIGC.
Com
a conclusão do ensino liceal, é seleccionado para professor de formação
militante, o que assume para o curso nocturno, enquanto que, durante o dia, lecciona
Matemática no então Centro de Formação Técnico Profissional e na Escola
dos Técnicos da Saúde (Enfermagem).
Em
1982, beneficia de uma bolsa de formação para a União Soviética, onde se gradua
em Engenharia Civil e Industrial pela Universidade Nacional
Politécnica de Odessa (1988). Em Odessa, integra a associação dos
estudantes da Guiné-Bissau.
Em
1988, após 2 meses de permanência em Bissau como engenheiro do Ministério
das Obras Públicas, parte para Cacheu para trabalhar na Cooperativa
Unidade e Progresso (CUP), uma das maiores empresas de construção na
época. Consegue galgar posições na empresa, chegando a ser director-geral
adjunto da CUP, em 1990.
Em
1990, ingressa no primeiro ciclo de formação do PAIGC visando a abertura
democrática, sendo que neste período a sua proximidade com a alta directora do
partido lhe vale a oportunidade de continuar os seus estudos.
Em
1990, ganha uma bolsa de mestrado para o exterior e, até 1994, permanece nos
Estados Unidos, na Universidade do Estado da Califórnia em Fresno, onde
conclui o programa de Mestrado em Ciências Técnicas da Engenharia Civil
na especialidade de estruturas. Entre 2013 e 2016, doutorou-se em Ciências
Políticas e Relações Internacionais pela Universidade
Católica de Portugal.
Domingos
Pereira regressa à Guiné-Bissau em Julho de 1994, e acompanha os últimos dias
da campanha eleitoral para as primeiras eleições multipartidárias do país. O
ministro Alberto Lima Gomes convida-o a reintegrar os quadros do Ministério
das Obras Publicas, onde chegou a acumular funções de director nacional da Viação
e Transportes Terrestres e de Estradas e Pontes. Com a ascensão de
Francisco Fadul ao posto de primeiro-ministro, afasta-se do governo.
Compõe,
em 1998, a Célula de Apoio ao Ordenador Nacional do Fundo Europeu para o
Desenvolvimento e, sendo o encarregado do dossier infra-estruturas; um ano
depois, integra os quadros do Banco Mundial para o Projecto de
Reabilitação e Desenvolvimento do Sector Privado bissau-guineense, onde
fica até 2004.
Com
a vitória do PAIGC, é chamado ao governo e assume as funções de ministro
das Obras Públicas entre 2004 e 2005. Aceita o desafio de organizar a 6ª
Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP. Concluída essa missão,
aceita então o convite dos bispos da Igreja Católica na Guiné-Bissau para
dirigir a Caritas da Guiné-Bissau na qualidade de secretário-geral.
De
Dezembro de 2006 até 2008 foi conselheiro de Assuntos Externos do
Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, trabalhando especificamente no aspecto das
infra-estruturas sob responsabilidade do Banco Mundial, ocupando-se dos
transportes e comunicações, nomeadamente da renegociação dos contratos de
concessão das telecomunicações, dos portos e do acordo aéreo com Portugal;
também assessora o governo na estruturação da Agência de Regulação e no
licenciamento da primeira licença de telefonia celular no país.
No
7º Congresso Ordinário do PAIGC, ocorrido em Gabu, em Junho de 2008, é
eleito membro da comissão permanente do Bureau Político do PAIGC,
continuando a cumprir a missão conferida meses antes pelo presidente da
República, de servir como secreetário executivo da CPLP. Durante os
quatro anos de mandato, apostou na afirmação da organização no plano
internacional e junto da sociedade civil; desenvolveu acções concretas de
parceria e cooperação nos mais variados domínios; não descuidou da importância
do português e da cultura que une e diversifica a identidade dos povos da CPLP.
Em
Fevereiro de 2014, no 8º Congresso Ordinário do PAIGC, na cidade de
Cacheu, foi eleito para a liderança do partido. Entre 3 de Julho de 2014 e 20
de Agosto de 2015, cumpre funções como primeiro-ministro da Guiné-Bissau. No
período, entrou em rota de colisão com o presidente José Mário Vaz, que o tentava
descredibilizar.
Tentou
formar governo após a vitória do PAIGC nas eleições legislativas na
Guiné-Bissau em 2019, mas foi, por diversas vezes, boicotado pelo presidente
José Mário Vaz, que levou a uma enorme crise política entre 2019 e 2020.
Buscando garantir o respeito ao resultado eleitoral das eleições parlamentares,
Pereira licenciou-se do parlamento e dispôs-se a disputar a presidência da
Guiné-Bissau em 2019 contra Umaro Sissoco Embaló, mas foi derrotado em segundo
turno numa eleição posta sob suspeição.
Confrontado
e boicotado por Embaló a partir de 2020, Pereira retornou ao mandato como
deputado e foi eleito presidente do parlamento graças à sua vitória nas
eleições legislativas do ano anterior. O presidente Embaló buscou minar a sua
capacidade política até 2022, quando dissolveu o parlamento. Conseguindo um
resultado ainda mais favorável à sua coalizão nas eleições parlamentares
antecipadas de 2023, Pereira tentou formar governo, mas sofreu novo boicote de
Embaló. Voltou à presidência do parlamento, que foi dissolvido novamente por
Embaló no mesmo ano, sob alegações pouco claras, o que foi classificado por
Pereira como tentativa de golpe constitucional por Embaló.
Após
diversas ameaças, Pereira ficou nove meses num exílio forçado no exterior. Nas
eleições gerais na Guiné-Bissau em 2025, Pereira teve a sua candidatura
desqualificada e a sua coligação, maior e mais organizado grupo da oposição,
foi removido das listas eleitorais.
Pereira
foi um dos presos no golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2025, desferido em 26
de Novembro de 2025, três dias após as eleições nacionais. O movimento golpista
passou a ser considerado um estratagema político de Embaló, dado que Fernando
Dias da Costa, candidato independente apoiado por Pereira e sua coligação, era
franco favorito à vitória presidencial, e prometia restaurar os direitos do
parlamento eleito em 2023.
Pereira
permaneceu preso desde o dia 26 de Novembro de 2025, somente aceitando sair na
noite de 30 de Janeiro de 2026, num processo mediado pelo Senegal, após a
libertação de todos os demais detidos. Depois dessa libertação, continua a ser
vigiado por militares na sua casa, numa espécie de «prisão domiciliária».
É
filho de António Simões Pereira e de Victoriana Monteiro. Casado com Maria
Paula Costa Pereira e possui três filhos, Anthony Simões Pereira, Nisalda
Simões Pereira e Domingos Simões Pereira Jr. Seus irmãos são também figuras
importantes, a saber: Camilo Simões Pereira, Tiago Simões Pereira, Dionísio
Simões Pereira e Bartolomeu Simões Pereira.
Em
30 de Julho de 2012, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante
D. Henrique.


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