terça-feira, 20 de outubro de 2026

20 DE OUTUBRO - DOMINGOS SIMÕES PEREIRA

EFEMÉRIDE - Domingos Simões Pereira, político e engenheiro civil bissau-guineense e actual presidente da Assembleia Nacional Popular, nasceu em Farim no dia 20 de Outubro de 1963.

Serviu como primeiro-ministro de seu país entre 3 de Julho de 2014 e 20 de Agosto de 2015, além de secretário executivo da CPLP entre 2008 e 2012.

Desde 2014 é presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido histórico da independência da Guiné-Bissau.

Domingos Simões Pereira é filho de um agricultor, pequeno proprietário forçado a abandonar a propriedade, devido ao início da guerra de independência. O seu pai chegou a ser preso pela PIDE, acusado de colaboração com os grupos nacionalistas.

Ainda criança seguiu, com o restante da família, para Bissau e, logo depois, em 1969, para Cacheu, onde frequenta o ensino primário.

Em 1974, integra os primeiros grupos de alunos que, no Liceu Nacional Kwame N’Krumah, sob a docência de nomes como Atchutchi Ferreira e Hélder Proença, estudou já sem a tutela do regime colonial. Foi no liceu que integrou, em 1979, os quadros da Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC), ala jovem do PAIGC.

Com a conclusão do ensino liceal, é seleccionado para professor de formação militante, o que assume para o curso nocturno, enquanto que, durante o dia, lecciona Matemática no então Centro de Formação Técnico Profissional e na Escola dos Técnicos da Saúde (Enfermagem).

Em 1982, beneficia de uma bolsa de formação para a União Soviética, onde se gradua em Engenharia Civil e Industrial pela Universidade Nacional Politécnica de Odessa (1988). Em Odessa, integra a associação dos estudantes da Guiné-Bissau.

Em 1988, após 2 meses de permanência em Bissau como engenheiro do Ministério das Obras Públicas, parte para Cacheu para trabalhar na Cooperativa Unidade e Progresso (CUP), uma das maiores empresas de construção na época. Consegue galgar posições na empresa, chegando a ser director-geral adjunto da CUP, em 1990.

Em 1990, ingressa no primeiro ciclo de formação do PAIGC visando a abertura democrática, sendo que neste período a sua proximidade com a alta directora do partido lhe vale a oportunidade de continuar os seus estudos.

Em 1990, ganha uma bolsa de mestrado para o exterior e, até 1994, permanece nos Estados Unidos, na Universidade do Estado da Califórnia em Fresno, onde conclui o programa de Mestrado em Ciências Técnicas da Engenharia Civil na especialidade de estruturas. Entre 2013 e 2016, doutorou-se em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade Católica de Portugal.

Domingos Pereira regressa à Guiné-Bissau em Julho de 1994, e acompanha os últimos dias da campanha eleitoral para as primeiras eleições multipartidárias do país. O ministro Alberto Lima Gomes convida-o a reintegrar os quadros do Ministério das Obras Publicas, onde chegou a acumular funções de director nacional da Viação e Transportes Terrestres e de Estradas e Pontes. Com a ascensão de Francisco Fadul ao posto de primeiro-ministro, afasta-se do governo.

Compõe, em 1998, a Célula de Apoio ao Ordenador Nacional do Fundo Europeu para o Desenvolvimento e, sendo o encarregado do dossier infra-estruturas; um ano depois, integra os quadros do Banco Mundial para o Projecto de Reabilitação e Desenvolvimento do Sector Privado bissau-guineense, onde fica até 2004.

Com a vitória do PAIGC, é chamado ao governo e assume as funções de ministro das Obras Públicas entre 2004 e 2005. Aceita o desafio de organizar a 6ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP. Concluída essa missão, aceita então o convite dos bispos da Igreja Católica na Guiné-Bissau para dirigir a Caritas da Guiné-Bissau na qualidade de secretário-geral.

De Dezembro de 2006 até 2008 foi conselheiro de Assuntos Externos do Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, trabalhando especificamente no aspecto das infra-estruturas sob responsabilidade do Banco Mundial, ocupando-se dos transportes e comunicações, nomeadamente da renegociação dos contratos de concessão das telecomunicações, dos portos e do acordo aéreo com Portugal; também assessora o governo na estruturação da Agência de Regulação e no licenciamento da primeira licença de telefonia celular no país.

No 7º Congresso Ordinário do PAIGC, ocorrido em Gabu, em Junho de 2008, é eleito membro da comissão permanente do Bureau Político do PAIGC, continuando a cumprir a missão conferida meses antes pelo presidente da República, de servir como secreetário executivo da CPLP. Durante os quatro anos de mandato, apostou na afirmação da organização no plano internacional e junto da sociedade civil; desenvolveu acções concretas de parceria e cooperação nos mais variados domínios; não descuidou da importância do português e da cultura que une e diversifica a identidade dos povos da CPLP.

Em Fevereiro de 2014, no 8º Congresso Ordinário do PAIGC, na cidade de Cacheu, foi eleito para a liderança do partido. Entre 3 de Julho de 2014 e 20 de Agosto de 2015, cumpre funções como primeiro-ministro da Guiné-Bissau. No período, entrou em rota de colisão com o presidente José Mário Vaz, que o tentava descredibilizar.

Tentou formar governo após a vitória do PAIGC nas eleições legislativas na Guiné-Bissau em 2019, mas foi, por diversas vezes, boicotado pelo presidente José Mário Vaz, que levou a uma enorme crise política entre 2019 e 2020. Buscando garantir o respeito ao resultado eleitoral das eleições parlamentares, Pereira licenciou-se do parlamento e dispôs-se a disputar a presidência da Guiné-Bissau em 2019 contra Umaro Sissoco Embaló, mas foi derrotado em segundo turno numa eleição posta sob suspeição.

Confrontado e boicotado por Embaló a partir de 2020, Pereira retornou ao mandato como deputado e foi eleito presidente do parlamento graças à sua vitória nas eleições legislativas do ano anterior. O presidente Embaló buscou minar a sua capacidade política até 2022, quando dissolveu o parlamento. Conseguindo um resultado ainda mais favorável à sua coalizão nas eleições parlamentares antecipadas de 2023, Pereira tentou formar governo, mas sofreu novo boicote de Embaló. Voltou à presidência do parlamento, que foi dissolvido novamente por Embaló no mesmo ano, sob alegações pouco claras, o que foi classificado por Pereira como tentativa de golpe constitucional por Embaló.

Após diversas ameaças, Pereira ficou nove meses num exílio forçado no exterior. Nas eleições gerais na Guiné-Bissau em 2025, Pereira teve a sua candidatura desqualificada e a sua coligação, maior e mais organizado grupo da oposição, foi removido das listas eleitorais.

Pereira foi um dos presos no golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2025, desferido em 26 de Novembro de 2025, três dias após as eleições nacionais. O movimento golpista passou a ser considerado um estratagema político de Embaló, dado que Fernando Dias da Costa, candidato independente apoiado por Pereira e sua coligação, era franco favorito à vitória presidencial, e prometia restaurar os direitos do parlamento eleito em 2023.

Pereira permaneceu preso desde o dia 26 de Novembro de 2025, somente aceitando sair na noite de 30 de Janeiro de 2026, num processo mediado pelo Senegal, após a libertação de todos os demais detidos. Depois dessa libertação, continua a ser vigiado por militares na sua casa, numa espécie de «prisão domiciliária».

É filho de António Simões Pereira e de Victoriana Monteiro. Casado com Maria Paula Costa Pereira e possui três filhos, Anthony Simões Pereira, Nisalda Simões Pereira e Domingos Simões Pereira Jr. Seus irmãos são também figuras importantes, a saber: Camilo Simões Pereira, Tiago Simões Pereira, Dionísio Simões Pereira e Bartolomeu Simões Pereira.

Em 30 de Julho de 2012, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

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