Após
evacuar Leningrado durante o cerco à cidade quanto tinha cinco anos de idade,
Spassky passou o resto da Segunda Guerra Mundial num orfanato junto ao seu
irmão George, período em que aprendeu a jogar xadrez.
Com
uma infância marcada pela guerra e pela pobreza, o seu interesse pelo jogo
aflorou aos nove anos de idade, após o reencontro com os seus pais, ao conhecer
um pavilhão de xadrez na sua cidade natal.
Em
1947, aos dez anos, derrotou o futuro campeão mundial Mikhail Botvinnik numa
exibição simultânea.
Aos
18 anos, ganhou o Campeonato Mundial de Xadrez Júnior de 1955, disputado
na cidade belga de Antuérpia, e ao classificar-se para o Torneio de
Candidatos de 1956, obteve o título de Grande Mestre (GM).
Spassky
era considerado um jogador equilibrado, podendo adaptar o seu estilo de jogo ao
do adversário, algo que lhe conferia vantagem para enfrentar e vencer a maioria
dos Grandes Mestres de elite. Por exemplo, no match final do torneio dos
candidatos (de onde sai o desafiante do campeão mundial) contra o lendário
Mikhail Tal, especialista em táctica (Tbilisi, 1965), Spassky conseguiu evitar
a força da táctica do Grande Mestre Tal. Esta vitória levou-o ao seu o primeiro
match pelo Campeonato Mundial contra Tigran Petrosian em 1966. Spassky
perdeu por 12,5 - 11,5, mas tendo o direito de desafiar Petrosian de novo três
anos depois. Mais uma vez, o estilo flexível de Spassky foi decisivo para a sua
vitória sobre Petrosian, por 12,5 - 10,5, em 1969.
O
reinado de Boris Vasilievich Spassky como Campeão do Mundo durou apenas
três anos, uma vez que perdeu o título para a lenda americana Bobby Fischer em
1972. A disputa aconteceu em Reiquiavique, capital da Islândia, no auge da Guerra
Fria e foi vista como símbolo do confronto político. Fischer ganhou e
Spassky voltou para a URSS em desgraça; apesar disso, Spassky continuou a jogar
e ganhou vários campeonatos, incluindo o Campeonato Soviético em 1973.
Em
1974, no torneio de candidatos, Spassky perdeu para a estrela em ascensão
Anatoly Karpov em Leningrado, +1 -4. Karpov reconheceu publicamente a
superioridade de Spassky, mas após uma série de jogos, Karpov conquistou os
pontos suficientes para conquistar o match.
Nos
anos seguintes Spassky mostrou-se relutante em dedicar-se totalmente ao xadrez:
confiando no seu talento natural para o jogo, por vezes preferia jogar uma
partida de ténis a trabalhar sobre o tabuleiro.
Com
efeito, o Campeonato Mundial de 1972 e o match dos candidatos contra
Karpov em 1974 assinalaram o início da sua decadência como xadrezista
profissional. Spassky casou-se com uma francesa na década de 1970,
adquirindo a nacionalidade francesa em 1978.
Em
1992, Fischer, após um afastamento de 20 anos do xadrez, reapareceu para jogar
contra Spassky em Belgrado e Montenegro, reeditando o Campeonato Mundial
de 1972. Na altura, Boris Spassky ocupava a 106ª posição no ranking da FIDE,
enquanto Fischer, devido à sua inactividade, nem aparecia na lista. Este match
foi basicamente o último grande desafio de Boris. Problemas de saúde não lhe
permitiram apresentar um bom desempenho. Fischer venceu com 10 vitórias, 5
derrotas e 15 empates.
