O
seu padrasto foi preso e enviado para um campo de trabalho forçado (Gulag)
em 1937 sob a acusação de actividades anti-soviéticas nunca comprovadas.
Posteriormente, ele viria a morrer na prisão por maus-tratos. Devido aos crimes
supostamente cometidos pelo marido, até mesmo a mãe de Yelena Bonner foi
enviada para um campo de trabalhos forçados, em 1937, lá permanecendo durante
oito anos.
Quando
a Alemanha nazi invadiu a União Soviética, em 1941, Yelena Bonner serviu como
enfermeira para o Exército Vermelho.
No
período entre 1947 e 1953, cursou Medicina em Leninegrado,
especializando-se em Pediatria. Posteriormente, ela actuou como médica
em distritos, numa maternidade e até mesmo realizando alguns trabalhos no
Iraque.
Casou-se
com um antigo colega de turma, o médico Ivan Semenov, com quem viria a ter dois
filhos, Tatiana e Alexei. Anos depois, contudo, ela viria a divorciar-se de
Semenov.
Em
1965, uniu-se ao Partido Comunista da União Soviética. Contudo, ela
viria a desiludir-se dos ideais do partido após a União Soviética intervir
violentamente na Checoslováquia, em 1968, no episódio que passaria a ser
conhecido como Primavera de Praga. Entre 1968 e 1972, anos em que deixou
o partido comunista, Bonner tornar-se-ia um dos mais activos membros do grupo
de dissidentes soviéticos.
Em
Janeiro de 1972, casou-se com um dos mais famosos dissidentes soviéticos, o
físico Andrei Sakharov.
Em
1975, Bonner tornou-se co-fundadora da organização de direitos humanos Helsinki
Watch, sediada em Helsínquia, na Finlândia. Em 1977 e 1978, Tatiana e
Aleksey, filhos de Yelena Bonner, mudaram-se para os Estados Unidos, devido às
pressões exercidas pela KGB contra a sua família.
Em
1984, ao criticar publicamente o regime soviético, ela viria a ser condenada a
cinco anos de prisão. Contudo, em 1985, foi libertada.
Após
a morte de Sakharov, em 1989, Bonner continuou o seu activismo pelos direitos
humanos, inclusive após a dissolução da União Soviética, em 1991.
Posteriormente,
ela vigorosamente se levantaria contra a guerra na Chechénia e a de
Nagorno-Karabakh, região disputada por Arménia e Azerbaijão.
Na
Rússia, Bonner é mais lembrada, contudo, por haver prestado grande apoio ao
então presidente Mikhail Gorbatchov no seu intento de implementar a glasnost
e a perestroika, políticas que muito contribuiriam para o fim da Guerra
Fria.
Faleceu
em Junho de 2011, aos 88 anos. Está sepultada, junto ao marido, no Cemitério
Vostryakovo, em Moscovo.

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