Os
seus esforços para combater o tráfico humano e a corrupção foram reconhecidos
internacionalmente.
Após
o desaparecimento de sua filha em 2002, que possivelmente foi sequestrada por
uma rede de tráfico humano, ela passou anos a procurá-la e iniciou uma fundação
de apoio às vítimas de tráfico sexual. Crê-se que graças à sua pressão, a
corrupção e a impunidade governamentais na Argentina vieram à tona, discussão
que levou a uma lei de 2011 banindo a propaganda de serviços sexuais em jornais
e revistas.
A
filha de Susana Trimarco, Marita Verón (nascida María de los Ángeles Verón),
foi sequestrada em San Miguel de Tucumán, capital da província de Tucumán, em 3
de Abril de 2002. Marita era mãe de uma menina de dois anos de idade e tinha
ido a uma consulta médica quando, de acordo com uma testemunha, foi puxada para
dentro de um carro vermelho. Acredita-se que ela foi forçada a se prostituir.
Para
tentar encontrá-la, Susana começou a frequentar prostíbulos vestida como uma garota
de programa. Ela recebeu ameaças e pistas falsas a fim de atrapalhar a sua
busca. As suas investigações levaram à libertação de outras mulheres
supostamente privadas de suas liberdades, mas a sua filha segue desaparecida.
Susana
criou a Fundación María de los Ángeles em 2007, visando a resgatar
garotas sequestradas na Argentina. Ela afirma ter conseguido libertar centenas
de mulheres.
Em
Fevereiro e Março de 2012, Susana testemunhou no julgamento de 13 suspeitos,
incluindo policiais, acusados de sequestrar Marita Verón e vendê-la a
traficantes de pessoas. Todos os réus foram absolvidos em 12 de Dezembro de
2012.
Ao
todo sete homens e seis mulheres foram indiciados formalmente pelo sequestro de
Marita, mas foram absolvidos no tribunal penal de Tucumán. Uma semana depois,
Susana Trimarco encontrou-se com a presidente da Argentina e foi iniciado o
processo de impeachment contra os três juízes que proferiram este veredicto.
Em Dezembro de 2013, dez dos originalmente 13 acusados foram condenados pelo
sequestro e exploração sexual de Marita Verón.
A
luta de Susana Trimarco expôs a indústria do tráfico de pessoas e levou a
conhecimento público as questões sobre a corrupção de altos funcionários e
sobre a impunidade das redes de tráfico humano. Como resultado dos seus
esforços, a Argentina aprovou uma lei em 2008 que torna o sequestro e o
lenocínio de pessoas um crime federal. Também se estabeleceu uma Agência de
Resgate e Acompanhamento para prover assistência jurídica às vítimas.
Empenhou-se
ainda e possibilitou o resgate de 3 mil pessoas exploradas pelo tráfico humano
na Argentina.
Em
2011, a presidente Cristina Fernández de Kirchner decretou a proibição do “Rubro
59” (como era conhecida a secção de comércio sensual nas publicações
argentinas), banindo a publicidade de serviços deste género em jornais e
revistas. Pela primeira vez, o Ministério da Defesa da Argentina pôde
revelar que forças policiais estavam implicadas nas redes de tráfico.
No
mesmo ano, além da aprovação da lei anti-tráfico, foi estabelecida uma Agência
de Resgate no âmbito do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos
para supervisionar a prevenção e a investigação de crimes de tráfico de pessoas
e para oferecer assistência legal às vítimas.
No
dia 8 de Março de 2007, o Departamento de Estado dos Estados Unidos agraciou
Susana Trimarco com o Prémio Internacional às Mulheres de Coragem,
concedido pela Secretária de Estado Condoleezza Rice. A condecoração
oficial diz: «A Sra. Susana Trimarco de Verón encarou perigos e ameaças nos
seus esforços para combater o tráfico humano e para encontrar a sua filha,
sequestrada por traficantes. Desesperada, a Sra. Trimarco colocou-se em
situações perigosas ao disfarçar-se de garota de programa, percorrendo bares e
ruelas à procura de qualquer um que pudesse saber o paradeiro de Marita. Apesar
das pistas falsas e das ameaças de morte, ela descobriu evidências de redes de
traficantes operando nas províncias argentinas de La Rioja, Tucumán, Buenos
Aires, Córdoba e Santa Cruz. Graças ao seu trabalho, agora o tráfico humano
está ganhando a atenção do público e do governo na Argentina e as vítimas estão
sendo encorajadas a denunciar o crime.».
O
Senado Nacional argentino também concedeu a Susana Trimarco o Prémio
Domingo Faustino Sarmiento pelo seu trabalho de promoção dos Direitos
Humanos.
Em
14 de Março de 2012, o governo canadiano conferiu-lhe o prémio John
Diefenbaker pela Defesa dos Direitos Humanos e da Liberdade.
Susana
Trimarco foi indicada para o Prémio Nobel da Paz de 2013.
A
novela “Vidas Robadas” da emissora Telefe foi inspirada neste
caso.
Susana
Trimarco também foi tema de um documentário de 2009, “Fragmentos de una
Búsqueda”, dirigido por Pablo Milstein e Norberto Ludín.
Um
episódio da 16ª temporada da série norte-americana “Law & Order: Special
Victims Unit”, “Undercover Mother”, foi inspirado na sua história.

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