Portugal ressuscitado...
"Escrita - Acto Solitário, mas que se deve Partilhar" - Gabriel de Sousa *** "Quanto mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer" - Voltaire *** "Homens de poucas palavras são os melhores" - Shakespeare *** "Um Banco é como um tipo que nos empresta o chapéu-de-chuva quando está sol e que o pede assim que começa a chover" - Mark Twain
sábado, 9 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Jacques Tati, de seu verdadeiro nome Jacques Tatischeff, actor e realizador francês, nasceu em Le Pecq no dia 9 de Outubro de 1907. Faleceu em Paris, em 4 de Novembro de 1982, vítima de uma embolia pulmonar.Filho de pai russo e de mãe francesa, começou por praticar ténis e sobretudo equitação, vindo a notabilizar-se como um dos principais jogadores de rugby de França. Era também um hábil mímico e, durante dois anos, tentou sem sucesso fazer carreira no music-hall. A oportunidade só surgiria em 1935, num espectáculo de gala do periódico “Le Journal”, realizado para festejar o recorde da travessia do Atlântico pelo “Normandie”. A partir daí, foi contratado por vários salas de espectáculo e não parou de trabalhar no teatro até ao começo da Segunda Grande Guerra Mundial. Nos anos 1930 iniciou também a sua carreira como actor de cinema, que retomou depois da Guerra.
Começou como realizador em 1946 e a sua primeira longa-metragem, “Jour de Fête”, rendeu-lhe o “Prémio de Melhor Guião” no Festival de Veneza e o “Grande Prémio do Cinema Francês” em 1950.
“As Férias do Senhor Hulot” (1953) levou mais de um ano para ser completado, porque Tati esteve sempre em litígio com o produtor.
“Meu Tio”, o seu primeiro filme a cores (1958), recebeu o “Oscar de Melhor Filme Estrangeiro”.
Ganhou imenso dinheiro com os seus primeiros filmes, estando depois alguns anos sem filmar. Quando voltou, realizou “Playtime”, uma superprodução com 150 minutos de duração, que lhe deu um prejuízo de 800 milhões de francos. Jacques Tati viu assim o seu império começar a desmoronar-se.
Em 1970, tentou ainda recuperar do fracasso de “Playtime” com o filme “Trafic”, mas - apesar do sucesso - teve de anunciar a sua falência em 1974, promovendo mesmo um leilão dos negativos dos seus filmes. Em 1977 recebeu um “César do Cinema” pelo conjunto da sua obra.
A conhecida revista “Paris Match” noticiou a sua morte com o seguinte título: «Adeus Senhor Hulot. Chora-se hoje a sua morte, mas teria sido melhor ajudá-lo em vida».
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – João Manuel Baião dos Santos Ferraz, actor e entertainer português, nasceu na Buraca em 8 de Outubro de 1963.Figura popular da televisão, apresentou programas que atingiram grandes níveis de audiências: “Big Show Sic” (1995) e “Bom Baião” (1998), participando também em “Cabaret” (1994) e “Grande Noite” (1998), ambos de Filipe La Féria.
No teatro interpretou peças de, entre outros, Bertolt Brecht (“A Mãe Coragem” e “Happy End”); Shakespeare (“Romeu e Julieta” e “Rei Lear”); Anton Tchekov (“O Jardim das Cerejas”). Trabalhou igualmente com Diogo Infante em “Odeio Hamlet” de Paul Rudnick.
Integrou o elenco de alguns espectáculos de Filipe La Féria no Teatro Politeama: “Maldita Cocaína”, “De Afonso Henriques a Mário Soares”, “Rosa Tatuada” de Tennessee Williams e “A Rainha do Ferro Velho”.
Foi em bares e cafés-concerto de Lisboa que se revelou como actor, autor e encenador, dando também a conhecer ao público diversas actrizes como Maria Rueff e Sílvia Rizzo.
Emprestou a sua voz a personagens dos filmes “Monstros e Companhia” e “Horton e o Mundo dos Quem”.
Actualmente apresenta na televisão o programa “Portugal no Coração” e encabeça o elenco da revista “HIP HOP'arque!”, no Teatro Maria Vitória (Parque Mayer).
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Giovanni Battista Guarini, poeta, dramaturgo e diplomata italiano, morreu em Veneza no dia 7 de Outubro de 1612. Nascera em Ferrara, em 10 de Dezembro de 1538.Estudou em Pisa e em Pádua, sendo escolhido, ainda com menos de vinte anos, para ensinar filosofia nas escolas da sua terra natal. Em 1567, entrou ao serviço de Afonso II d'Este, último Duque de Ferrara, como diplomata. Após 30 anos na corte, pediu o afastamento e recolheu-se à propriedade da família, onde escreveu a sua mais notável obra “Il pastor fido” (1590). Esta peça, uma tragicomédia pastoril de estilo refinado, foi traduzida em várias línguas e tornou-se muito popular em toda a Europa no decorrer do século XVII. Acabou por ser considerada como padrão de excelência em requinte e galanteria até ao fim do século seguinte.
Nenhum poeta influenciou tanto a história da música nos períodos renascentista e barroco como Guarini. Os seus poemas foram mais musicados por compositores de madrigais do que a obra de qualquer outro escritor. A sua popularidade devia-se ao facto de ele escrever textos, que permitiam várias possibilidades de criar efeitos de “pintura com palavras” e outras “traduções simples” de emoções em música. Um dos seus poemas, o erótico “Tirsi morir volea”, que conta o encontro amoroso entre um pastor e uma ninfa, foi musicado na forma de madrigal mais vezes do que qualquer outro poema do período renascentista.
Ele foi também o único grande influenciador de libretistas de ópera até à época de Pietro Metastasio no século XVIII.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Albert François Cevert Goldenberg, piloto francês de Fórmula 1, morreu no circuito de Watkins Glen, nos Estados Unidos, em 6 de Outubro de 1973. Nascera em Paris no dia 25 de Fevereiro de 1944.Morreu durante os treinos classificativos para o Grande Prémio dos Estados Unidos. Era então piloto da “Tyrrel Ford”, parceiro de Jack Stewart, campeão mundial de Fórmula 1.
Naquele dia trágico, o seu carro saiu da pista, bateu nas protecções do lado direito e fez ricochete para as protecções do lado esquerdo, virando-se de rodas para o ar e arrastando-se pela “lâmina” metálica por mais de cem metros. François Cevert foi degolado e teve morte instantânea. O acidente, ocorrido numa das épocas mais perigosas da Formula 1, é considerado um dos mais graves e brutais ocorridos na categoria.
Começou a notabilizar-se em 1966 ao ser laureado com o “Volante Shell”, sagrando-se depois Campeão de França de Fórmula 3 em 1968 e vencendo igualmente o Grande Prémio de Reims em Fórmula 2 (1969).
Em 1970 entrou para a equipa de Tyrrel Ford (Fórmula 1). Ao lado do campeão britânico Stewart, que foi o seu mentor, François Cevert mostrou rapidamente o seu enorme talento. Em 1971, terminou na 3ª posição do Campeonato do Mundo de Pilotos, contribuindo activamente para o título de Campeão do Mundo de Construtores da sua escudaria. No fim desse ano teve o seu primeiro grande sucesso em Watkins Glen, pondo fim a um período de treze anos sem nenhuma vitória francesa. Jovem, belo, culto, popular (principalmente junto do público feminino), teve a fama de ter mantido uma relação com Brigitte Bardot. Cevert era então o símbolo da renovação do desporto automóvel francês.
Atingiu o mais alto nível em 1973, terminando seis vezes em 2º (entre as quais 3 vezes a seguir ao líder Stewart) e sendo considerado o «colega de equipa modelo» pois, segundo confissão do próprio piloto britânico, Cevert poderia ter-lhe contestado a vitória.
A retirada de Stewart, prevista para o fim da época de 1973, levou a que muitos observadores indicassem Cevert como o futuro líder da Tyrrel e um dos favoritos para 1974. O destino não o quis.
Em paralelo com a sua carreira na Fórmula 1, correu também com um “Matra” na categoria de “Protótipos desportivos”. Foi ainda 2º nas “24 Horas do Mans” de 1972, circuito em que deteve durante muito tempo o recorde da volta mais rápida.
Começou a notabilizar-se em 1966 ao ser laureado com o “Volante Shell”, sagrando-se depois Campeão de França de Fórmula 3 em 1968 e vencendo igualmente o Grande Prémio de Reims em Fórmula 2 (1969).
Em 1970 entrou para a equipa de Tyrrel Ford (Fórmula 1). Ao lado do campeão britânico Stewart, que foi o seu mentor, François Cevert mostrou rapidamente o seu enorme talento. Em 1971, terminou na 3ª posição do Campeonato do Mundo de Pilotos, contribuindo activamente para o título de Campeão do Mundo de Construtores da sua escudaria. No fim desse ano teve o seu primeiro grande sucesso em Watkins Glen, pondo fim a um período de treze anos sem nenhuma vitória francesa. Jovem, belo, culto, popular (principalmente junto do público feminino), teve a fama de ter mantido uma relação com Brigitte Bardot. Cevert era então o símbolo da renovação do desporto automóvel francês.
Atingiu o mais alto nível em 1973, terminando seis vezes em 2º (entre as quais 3 vezes a seguir ao líder Stewart) e sendo considerado o «colega de equipa modelo» pois, segundo confissão do próprio piloto britânico, Cevert poderia ter-lhe contestado a vitória.
A retirada de Stewart, prevista para o fim da época de 1973, levou a que muitos observadores indicassem Cevert como o futuro líder da Tyrrel e um dos favoritos para 1974. O destino não o quis.
Em paralelo com a sua carreira na Fórmula 1, correu também com um “Matra” na categoria de “Protótipos desportivos”. Foi ainda 2º nas “24 Horas do Mans” de 1972, circuito em que deteve durante muito tempo o recorde da volta mais rápida.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Roberto Juarroz, poeta argentino, nasceu em Coronel Dorrego no dia 5 de Outubro de 1925. Morreu em Buenos Aires, em 31 de Março de 1995.Considerado um dos maiores poetas argentinos, as suas obras têm o título único de “Poesia vertical”. Só varia o número, de livro em livro: Segunda, Terceira, Quarta… Poesia Vertical. Com este título único, Juarroz procurou traduzir a verticalidade da transcendência. A verticalidade exprime-se para baixo e para cima, cada poema sendo convertido numa presença que representa este duplo movimento, esta polaridade que define a palavra do homem quando esta palavra não se situa nos limites convencionais.
Também nunca deu título a cada um dos poemas que constituem os seus livros. Ele explicava ter feito esta escolha porque «cada título, sobretudo em poesia, é uma espécie de interrupção, um motivo de distracção que não é verdadeiramente necessário. Sem título, o livro abre-se directamente sobre os poemas, um pouco como os quadros cuja ausência de título nos evita os desvios de interpretação».
Roberto Juarroz, filho de um chefe de gare, estudou Letras e Filosofia na Universidade de Buenos Aires, onde se especializou em Ciências de Informação e Bibliotecas. Prosseguiu depois os estudos na Sorbonne em Paris, obtendo os diplomas de Filosofia e de Literatura.
Depois de ter publicado em edição de autor (1958), o seu primeiro livro, dirigiu juntamente com o poeta Mário Morales a revista “Poesia=Poesia” (20 números de 1958 a 1965), difundida em toda a América Latina. Colaborou em numerosos jornais, revistas e periódicos, sendo nomeadamente crítico literário do quotidiano “La Gaceta” e crítico cinematográfico na revista “Esto Es”.
Além da sua obra poética, Juarroz publicou diversos ensaios sobre poesia e, entre 1971 e 1984, foi director do Departamento de Documentação da Universidade de Buenos Aires.
Obrigado a exilar-se sob o regime de Perón, foi durante alguns anos perito da Unesco numa dezena de países da América Latina.
Em Janeiro de 1991, os “Encontros de Escritas Cruzadas”, organizados anualmente em Aix-en-Provence, prestaram-lhe homenagem. Ele aproveitou a vinda a França para ler poemas seus no Centro Nacional de Arte e de Cultura Georges Pompidou em Paris.
A sua poesia, que constitui uma experiência criadora única no domínio da poesia moderna em língua espanhola, foi apreciada por escritores como René Char, Octavio Paz, Julio Cortázar, entre outros.
Entre os prémios que recebeu, salientam-se : Prémio da Fundação Argentina para a Poesia (1984), Prémio Esteban Echeverria (1984), Prémio Jean Malrieu (Marselha, 1992), Prémio da Bienal Internacional de Poesia (Liège, 1992) e o Grande Prémio da União dos Escritores Argentinos (1994). A obra de Roberto Juarroz está traduzida em cerca de vinte idiomas estrangeiros.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Mafalda Arnauth, fadista portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 4 de Outubro de 1974.A sua paixão pela música fez-se sentir desde pequena, sem nunca ter, no entanto, aspirado a ser artista.
O mundo do espectáculo acabaria por a conquistar, quando ainda estava na Faculdade, no 5º ano de Veterinária. A sua carreira teve início em 1995, ao aceitar o convite de João Braga para participar num concerto seu no Teatro de São Luís em Lisboa.
O primeiro álbum da artista, homónimo, “Mafalda Arnauth” (1999), foi aclamado pela crítica e recebeu o “Prémio de Voz Revelação do Ano” da Blitz, revista portuguesa dedicada ao público jovem. Um sucesso que se repetiria no seu segundo disco, “Esta Voz Que Me Atravessa” (2001), quase inteiramente dedicado ao fado. Em 2003 Mafalda Arnauth lançou “Encantamento”, no qual surgiu também como compositora, assinando quase todas as faixas.
“Diário” (2005) foi saudado, pela crítica e pelo público, como o melhor trabalho da cantora até agora.
Em 2009 integrou o “Projecto Rua da Saudade”, onde deu voz a letras originais de Ary dos Santos. O projecto lançou o álbum “Canções de Ary dos Santos”, dando a conhecer uma Mafalda fora do espaço do fado.
domingo, 3 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Adriana da Cunha Calcanhoto, conhecida por “Adriana Calcanhotto” e “Adriana Partimpim”, cantora e compositora brasileira, nasceu em Porto Alegre no dia 3 de Outubro de 1965.Gravou em 2004 um disco para crianças, “Adriana Partimpim”, com o qual obteve grande sucesso e ganhou o Prémio Grammy Latino de Melhor Álbum Infantil.
As suas composições abordam diversos estilos: samba, bossa nova, rock, funk, pop e baladas. Dentro do seu repertório, existem também regravações de antigos sucessos da Música Popular Brasileira.
Filha de um baterista de jazz e bossa nova e de uma bailarina e professora de educação física, aos seis anos recebeu do avô o primeiro instrumento musical: um violão. Aprendeu muito cedo a tocá-lo e também a cantar.
A sua vida artística foi iniciada em bares de Porto Alegre. Também trabalhou em peças teatrais e, mais tarde, lançou-se em concertos e festivais por todo o Brasil.
O primeiro disco, “Enguiço”, lançado em 1990 pela gravadora CBS, foi muito elogiado. Integrou igualmente a banda sonora da telenovela “Rainha da Sucata”. No ano seguinte, recebeu o Prémio Sharp de Revelação Feminina. No segundo trabalho, “Senhas”, de 1992, o repertório estava focado nas canções de sua autoria, com destaque para “Esquadros e Mentiras”.
Em 1994 lançou o LP “A fábrica do poema”, com algumas doses de experimentalismo. No disco seguinte, que também foi o último a ter versão em vinil, os destaques foram “Metade” e “Inverno”. Prosseguiu com o álbum “Marítimo”, que simulou uma incursão pela “dance music”.
Participou em 1996 numa iniciativa da Livraria Argumento do Rio de Janeiro, musicando poemas do poeta português Mário de Sá Carneiro.
Em 2007 participou igualmente na cerimónia de abertura dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro.
Em 2008 aventurou-se pela primeira vez no texto em prosa e lançou o livro “Saga Lusa”, no qual relatou a viagem a Portugal para lançamento do seu disco “Maré”.
Homossexual assumida, Adriana Calcanhoto é companheira da cineasta Suzana de Moraes, filha do poeta Vinícius de Moraes, tendo oficializado a sua relação na justiça brasileira, por meio de união civil em Setembro de 2010.
sábado, 2 de outubro de 2010
EFEMÉRIDE – Anna-Lou “Annie” Leibovitz, fotógrafa norte-americana, que se notabilizou por realizar retratos cujas características são a colaboração íntima entre a retratista e os seus retratados, nasceu em Waterbury, Connecticut, no dia 2 de Outubro de 1949. Especializada em fotografias de celebridades, é a fotógrafa mais cotada mundialmente.Leibovitz começou a interessar-se pela fotografia após uma visita à sua família, que estava a viver nas Filipinas. Durante alguns anos, ela desenvolveu esta aptidão, ao mesmo tempo que desempenhava várias outras ocupações, inclusive na época em que viveu num kibbutz em Israel (1969).
De volta aos Estados Unidos, em 1970, começou a trabalhar na revista “Rolling Stone”. Em 1973, foi nomeada chefe de fotografia da revista, tendo ali permanecido até 1983. O seu estilo de fotografar as celebridades ajudou a definir o visual da revista. Desde 1983 é fotógrafa da revista "Vanity Fair".
Publicou seis livros de fotografias: “Photographs”, “Photographs 1970-1990”, “American Olympians”, “Women”, “American Music” e “A Photographer’s Life 1990-2005”. Em 1991 expôs os seus trabalhos na "National Portrait Gallery" de Washington.
Leibovitz assumiu a sua relação (1983/2004) com a escritora Susan Sontag, de quem esteve sempre próxima nos últimos anos de vida.
Entre as suas fotografias mais famosas conta-se uma de John Lennon (com Yoko Ono), realizada na manhã do dia do seu assassinato; uma de Demi Moore, nua com um fato pintado no corpo; uma de Whoopi Goldberg, numa banheira cheia de leite; e outra de Jennifer Hudson, a primeira cantora negra a aparecer na capa da “Vogue”.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
(Poema antigo, recordando
tantos amigos desaparecidos)
Triste e acabrunhado
Olho uma rosa pálida:
- Tem uma gotinha de água
Numa das suas pétalas,
Reflexo de qualquer lágrima
Que deslizou pela face
De certa mulher perdida.
Não tardará a murchar,
Para outra rosa nascer
E ela poder ser esquecida.
Antítese das rosas,
Os homens quando morrem
Não devem ser olvidados:
- Estranho mundo que somos,
Coabitando com sombras
Em lugares inocupados
Gabriel de Sousa
Triste e acabrunhado
Olho uma rosa pálida:
- Tem uma gotinha de água
Numa das suas pétalas,
Reflexo de qualquer lágrima
Que deslizou pela face
De certa mulher perdida.
Não tardará a murchar,
Para outra rosa nascer
E ela poder ser esquecida.
Antítese das rosas,
Os homens quando morrem
Não devem ser olvidados:
- Estranho mundo que somos,
Coabitando com sombras
Em lugares inocupados
Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE – Pierre Corneille, dramaturgo francês, um dos três maiores escritores de teatro em França no século XVII, ao lado de Molière e Racine, morreu em Paris no dia 1 de Outubro de 1684. Nascera em Ruão, em 6 de Junho de 1606.Foi conhecido por “fundador da tragédia francesa” e escreveu peças durante mais de 40 anos. A riqueza e a diversidade da sua obra reflectem os valores e as grandes interrogações da sua época.
Iniciou estudos em Direito. Em 1629, um desgosto amoroso levou-o a escrever os primeiros versos, para passar posteriormente à sua primeira comédia, “Melita”, que estreou em Paris nesse mesmo ano. Com esta e as suas obras seguintes, Corneille criou um novo estilo teatral, onde os sentimentos trágicos eram pela primeira vez postos em cena num universo plausível, o da sociedade contemporânea.
Corneille, autor oficial por nomeação do Cardeal de Richelieu, rompeu com o seu status de escritor do regime e com a política controversa do cardeal, para escrever obras que exaltaram os sentimentos de nobreza (“O Cid”), que recordaram que os políticos não estão acima das leis (“Horácio”) e que apresentaram um monarca que trata de recuperar o poder sem exercer a repressão (“Cinna”).
Em 1647 for eleito para a Academia Francesa. Após a morte de Richelieu, entre os anos 1643 e 1651, a crise de identidade por que passou a França reflectiu-se na obra de Corneille. Acertou contas com Richelieu em “Mort de Pompée”, escreveu “Rodogune”, uma tragédia sobre a guerra civil, e desenvolveu o tema do rei oculto em “Héraclius”, “Don Sanche d'Aragon” e “Andrómeda”, questionando-se sobre a natureza do rei, subordinado às vicissitudes da história, fazendo com que este ganhasse humanidade.
Corneille continuou a inovar o teatro francês até à sua morte. No final da vida, a sua situação económica era tão má que foi solicitada uma pensão real, que Luís XIV lhe concedeu.
A extensão e riqueza de sua obra fizeram com que, em França, surgisse o adjectivo “corneliano”, cujo significado, hoje em dia, é bastante extenso, mas que significava a vontade e o heroísmo, a força e a densidade literária, a grandeza da alma e a integridade.
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