terça-feira, 21 de setembro de 2010

EFEMÉRIDE – Gabriel Malagrida, jesuíta italiano, missionário no Brasil e depois pregador em Portugal, morreu em Lisboa no dia 21 de Setembro de 1761. Nascera em Menaggio do Lago de Como, em 5 de Dezembro de 1689.
Com doze anos, foi estudar com os Padres Somascos em Como e, tendo demonstrado interesse pela vida religiosa, após ter acabado o seu segundo grau de ensino, fixou-se em Milão, iniciando os estudos de Filosofia e Teologia no Colégio Helvético. Em 1711, querendo tornar-se religioso, aproximou-se dos Jesuítas de Como e foi admitido como noviço naquele mesmo ano. Completou os estudos de Teologia em Génova.
Partiu em missão para o Brasil em 1721. Já ordenado padre, foi para Belém a fim de aprender a língua indígena e trabalhar como pároco na cidade. Só em 1723 é que foi enviado como missionário, pela primeira vez, para junto dos índios Caicazes, ao longo do rio Itapicuru e Munim, no Maranhão. Desta nação indígena foi para outras: os Guanarés e os Barbados, no rio Mearlim, onde passou maus bocados, quer pela resistência dos feiticeiros da tribo, quer pela epidemia de peste que assolava os índios. Até ao ano de 1727 ficou sempre entre índios, com aventuras apostólicas arriscadas e dignas de um romance. É retirado definitivamente da missão indígena por volta de 1729, para ensinar no Colégio de São Luís do Maranhão e preparar futuros missionários jesuítas.
A partir de 1735 iniciou a segunda fase de "missionário apostólico" ou missionário popular, saindo de São Luís e dirigindo-se para o sul, via Piauí, em direcção da Bahia, pregando missões populares por todas as localidades em que passava e promovendo a renovação espiritual por meio dos Exercícios Espirituais Inacianos e animando a vida religiosa do interior, até então desamparado religiosamente. Chegou a Salvador em 1738 e continuou as suas pregações populares com grandes conversões, em número e qualidade. Iniciou então um Convento para “convertidos” e um Seminário para o clero diocesano. De 1741 a 1745 andou pelo território de Pernambuco e Paraíba, sempre a pregar e dinamizando a fundação de Conventos e Seminários. De 1746 a 1749 voltou ao Maranhão e Pará, onde continuou a sua acção de pregador de missões populares, até que concebeu a ideia de vir a Portugal para solicitar a aprovação do Rei para o funcionamento legal das suas fundações e também para obter fundos.
Veio a Lisboa em 1750 e assistiu aos últimos momentos da vida do rei D. João V, tendo permanecido aqui até 1751. Neste ano, regressou ao Maranhão onde esteve até 1754, ano em que regressou definitivamente a Portugal a rogo de D. Mariana de Áustria, viúva de D. João V. Este foi talvez o maior erro da sua vida.
Muito religioso, aproveitou o terramoto de 1755 para exortar os lisboetas à reforma dos seus costumes. Acicatado pela explicação das causas naturais da catástrofe, que circulou em folheto mandado publicar pelo poderoso ministro do rei D. José I, o Marquês de Pombal, o padre Gabriel Malagrida escreveu uma pequena obra chamada “Juízo da verdadeira causa do terramoto” (1756) em que atribuía o cataclismo a um castigo divino e em que defendia que o infortúnio dos desalojados seria amenizado com procissões e exercícios espirituais.
O Marquês de Pombal não gostou do que Malagrida escreveu e, considerando-se desautorizado naquela obra, ele que não gostava de ser criticado, decidiu desterrá-lo em Setúbal. Neste desterro, Malagrida era visitado por muitas pessoas e, entre elas, alguns membros da poderosa família Távora, tão odiada pelo Marquês de Pombal.
O suposto atentado de 3 de Setembro de 1758 e o processo dos Távoras que se lhe seguiu proporcionaram ao Marquês de Pombal a ocasião para perseguir Malagrida ainda com maior severidade, acusando-o de colaboração na tentativa de regicídio e denunciando-o à Inquisição como falso profeta, impostor e, pior que tudo, de ser um herege, o que equivalia à morte na fogueira. Septuagenário, alquebrado pelos trabalhos passados e pela prisão doentia, tornou-se demente, continuando a defender obstinadamente as suas crenças.
Foi entregue à Inquisição de Lisboa e, após um processo considerado por vários historiadores como grotesco, foi acusado de herege e posteriormente condenado ao garrote e fogueira num auto-de-fé realizado em 21 de Setembro de 1761, tendo sido queimado no Rossio, a praça principal de Lisboa. Na opinião do escritor francês Voltaire, na obra “Cândido”, «ao excesso de absurdo, juntou-se o excesso de horror».

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O jogo de ontem. Para recordar...

EFEMÉRIDE – Sophia Loren, de seu verdadeiro nome Sofia Villani Scicolone, actriz italiana, nasceu em Roma no dia 20 de Setembro de 1934.
Quando ainda era pequena, a mãe mudou-se para o município napolitano de Pozzuoli, onde viveu até à adolescência numa situação económica bastante difícil.
Incentivada pela mãe, foi para Roma aos dezasseis anos, na mira de uma carreira cinematográfica. Foi descoberta em 1952 pelo produtor de cinema Carlo Ponti que, posteriormente, viria a tornar-se seu marido, apesar de ser 22 anos mais velho. Em 1955 apareceu na capa da revista “Life magazine”.
Veio a trabalhar com grandes realizadores como Vittorio De Sica, Federico Fellini, Ettore Scola e Robert Altman, entre outros.
Foi uma estrela incontornável do cinema italiano, tendo protagonizado numerosos filmes desde o fim dos anos 1950. Sophia Loren ganhou fama mundial em 1962, ao receber o Oscar de Melhor Actriz, com o filme “Duas mulheres”, com o qual ganhou igualmente o Prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes.
Nos anos 1960 representou grandes papéis, de que se salienta a personagem dramática de “La Ciociara”, ao lado de Jean-Paul Belmondo. Entre 1957 e 1961, decorreu o seu período de Hollywood. Com “Orquídea Negra”, recebeu o Prémio Volpi de Melhor Actriz no Festival de Veneza. Nesta época teve ocasião de lidar com monstros sagrados do cinema como Cary Grant, Frank Sinatra, John Wayne, Anthony Perkins, Anthony Quinn, George Sanders, Peter Sellers e Clark Gable.
Em “Ontem, hoje e amanhã” fez um striptease à frente de Marcello Mastroianni, cena que ficou como uma das mais célebres da história do cinema, No ano seguinte, sob a direcção de Vittorio De Sica, interpretou, novamente com Mastroianni, “Casamento à italiana”.
Casou-se duas vezes com o produtor Carlo Ponti (falecido em 2007). A primeira vez, em 1957, foi anulada por não ter sido ainda registado o divórcio de Carlo Ponti. A situação foi regularizada em 1966.
Em 1977, a película de Ettore Scola “Um dia particular” terá sido o seu último grande filme. Continuou a filmar com a sua inegável classe, mas já sem os êxitos anteriores, em parte também devido à mudança de gostos dos espectadores.
Desde 1984, os prémios e homenagens recebidos têm sido sobretudo atribuídos pela sua brilhante carreira. Em 1991 recebeu a Legião de Honra.
Em Julho de 1986, com 71 anos, posou para a 33ª edição do Calendário Pirelli, tornando-se o modelo com mais idade a ter posado para aquele célebre calendário italiano.
Esteve muito recentemente em Portugal, sendo homenageada no “Festival Douro Film Harvest”.

domingo, 19 de setembro de 2010

Na próxima Volta a Portugal em bicicleta...

Dueto de gatos...

EFEMÉRIDE – José Carlos Nepomuceno Mozer, ex-futebolista brasileiro, com uma carreira de sucesso no Flamengo, no Benfica e no Olympique de Marseille, nasceu em Imperatriz no dia 19 de Setembro de 1960.
Recusado nas categorias de formação do Botafogo em virtude do seu físico franzino, Mozer chegou ao Flamengo em 1980. Em meados de 1981 já era um dos titulares. Fez parte da campanha vitoriosa do Flamengo na “Taça Libertadores da América” em 1981, que levou a equipa à final do Mundial Interclubes. Mozer foi titular naquela memorável partida contra o Liverpool, que colocou o Flamengo na lista das equipas campeãs mundiais.
Em 1987 saiu do Flamengo e veio jogar no Benfica. Impecável nas marcações, conquistou o coração dos benfiquistas e o título de Campeão Nacional na temporada 1988/89. Deixou o clube português dois anos depois, para vestir a camisola do Olympique de Marseille. Neste novo clube, Mozer sagrou-se Tricampeão Francês e recebeu o sugestivo apelido de “Muralha”.
Voltou ao Benfica em 1992, para alegria dos adeptos do clube, que viram Mozer conquistar mais dois títulos pelo clube: o Campeonato Português de 1993/1994 e a Taça de Portugal de 1992/1993.
Seguidamente, decidiu encarar o desafio de jogar no futebol japonês e assinou contrato com o “Kashima Antlers”. No Japão, encerrou a sua carreira com a conquista do Campeonato Japonês de 1996 e da Taça e Supertaça do Japão de 1997.
Pela Selecção Brasileira participou em 36 jogos, de 1983 a 1994, não jogando nos Mundiais de 1994, nos Estados Unidos, por se encontrar lesionado.
No Brasil, venceu dois Campeonatos Nacionais (1982 e 1983), dois Campeonatos Cariocas (1981 e 1986), três Taças Guanabara (1981, 1982 e 1984) e três Taças do Rio (1983, 1985 e 1986).
Após acabar a sua carreira de jogador, Mozer regressou a Lisboa onde abriu um restaurante.
Após vários anos afastado do futebol, decidiu aceitar a proposta de treinar a equipa angolana do “Inter Luanda” (2006/2009), tendo ganho o Campeonato de Angola de 2007 e a Supertaça Angolana de 2008. Em 2009 foi treinar o clube marroquino Raja de Casablanca. É visto frequentemente na televisão como comentador desportivo.

sábado, 18 de setembro de 2010

EFEMÉRIDE – Ticha Penicheiro, de seu verdadeiro nome Patrícia Nunes Penicheiro, basquetebolista portuguesa de renome internacional, nasceu na Figueira da Foz em 18 de Setembro de 1974.
Em 1999 foi agraciada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2005, pelo Governo Português com a Medalha de Honra de Mérito Desportivo.
Ticha jogou em clubes profissionais desde a sua adolescência, embora nunca tenha jogado a nível sénior, até ter ido jogar para os Estados Unidos na “Old Dominion University”.
Em 1998 foi contratada pelas “Sacramento Monarchs”. Foi seleccionada para o “WNBA All-Star” por quatro vezes. Já igualou o recorde de assistências num só jogo da WNBA por duas vezes. Em 1999 e 2000 foi seleccionada para a equipa ideal da WNBA. Em 1999 estabeleceu o seu recorde pessoal de pontos na WNBA, com 27, num jogo contra as “Minnesota Lynx.
Ticha Penicheira é a jogadora da WNBA que fez mais assistências em toda a história desta Liga, liderando também nas assistências por jogo. Detém ainda o recorde de maior número de “roubos” de bola num jogo, com 10.
É muito conhecida pela sua forma de jogar brilhante e espectacular. Em 2005 ajudou as “Sacramento Monarchs” a conquistar o primeiro título de campeãs da WNBA desde sempre.
É membro da Selecção Nacional Portuguesa de basquetebol feminino. Aproveitando-se da sua notoriedade, apoia as “Olimpíadas Especiais” e as pesquisas sobre o cancro nos ovários. Para além do Português, fala fluentemente Inglês e Italiano. Colecciona relógios e roupas.
O pai, que foi também jogador de basquetebol, é agora treinador do seu irmão mais velho, que joga profissionalmente em Portugal.
Completou graus académicos em Comunicação e Estudos interdisciplinares na Universidade de Old Dominion.
Foi Campeã de Portugal em 1992/93; venceu duas Taças de Portugal em 1992/93 e 1993/94; foi duas vezes Campeã da Polónia em 1999/2000 e 2000/2001; venceu a Taça de Itália em 2001/2002; foi Campeã de França em 2004/2005; venceu a “Conferência Oeste da WNBA” em 2005; ganhou a WNBA em 2005 e a “Eurocup” de 2006, em representação do Spartak de Moscovo.
Representou também, entre outros, os seguintes clubes: “Lotos Gdynia”, “ASD Basket Parme”, “UMMC Iekaterinbourg”, “Union Sportive Valenciennes Olympic” e “TTT Rīga”.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

EFEMÉRIDE – Dominique de Roux, escritor e editor francês, nasceu em Boulogne-Billancourt no dia 17 de Setembro de 1935. Faleceu em Suresnes, em 29 de Março de 1977.
Nascido no seio de uma família nobre de Languedoc, próxima dos meios monárquicos, Dominique de Roux manifestou uma independência precoce, ligada à vontade de se consagrar à literatura.
Interrompeu os seus estudos e, no fim dos anos 1950, fez vários estágios linguísticos e períodos de trabalho na Alemanha, em Espanha e na Inglaterra. De regresso a França fundou, juntamente com vários amigos, o boletim “L'Herne”, onde publicou as suas crónicas “Confidences à Guillaume”. Na mesma época efectuou o seu serviço militar numa base aérea francesa.
Em 1960 publicou o primeiro romance “Mademoiselle Anicet” e refundou a sua revista, sob uma forma definitiva e com o nome “Cahiers de l'Herne”, uma colecção de monografias livremente consagradas a figuras desconhecidas ou malditas da Literatura, compreendendo artigos, documentos e textos inéditos. Foram publicados cadernos dedicados a Georges Bernanos, Borges, Céline, Ezra Pound, Ungaretti, Lewis Carroll, Soljenitsyne, Dostoïevski, Thomas Mann, Edgar Poe, Júlio Verne e muitos outros.
Em 1966, a publicação do seu ensaio “A Morte de L.-F. Céline” inaugurou a editora que fundou juntamente com Christian Bourgois. Apenas com 30 anos, Roux já era uma
personalidade incontornável da literatura francesa.
O seu contacto com poetas e outros escritores da “beat generation” revelaram-lhe a possibilidade de um recuo em relação à agitação parisiense. Dois acontecimentos decisivos e traumatizantes decidem-no a partir: a censura da sua recolha de aforismos “Immédiatement” (1971), a pedido de Roland Barthes, e a tomada de controlo das edições da “L’Herne” por Constantin Tacou (1973).
Dominique de Roux começou então uma vida errante, refugiando-se em Lisboa e depois em Genebra. Foi nestas condições que ele animou a nova revista “Exil” e lançou os seus novos cadernos, “Os Dossiers H”. Publicou vários panfletos e consagrou bastante energia ao jornalismo escrito e televisivo, sobretudo coimo correspondente e enviado especial ao Ultramar Português, à beira da implosão.
De Roux foi tecendo várias redes activas nos meios lusófonos. Em Abril de 1974, quando da “Revolução dos Cravos”, ele era o único jornalista francês presente em Lisboa e provavelmente um dos estrangeiros com acesso mais directo ao general Spínola. Consagrou depois vários anos a secundar o opositor angolano Jonas Savimbi, junto da imprensa internacional e das chancelarias. Esta contribuição para a história do seu tempo deu impulso às suas últimas obras: “O Quinto Império”, que foi publicada quinze dias antes da sua morte súbita, com 41 anos, vítima de crise cardíaca, e postumamente “A rapariga do balão vermelho” e “O Livro negro”.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quem diria??

EFEMÉRIDE – Víctor Lidio Jara Martínez, professor, director de teatro, poeta, cantor, compositor, músico e activista político chileno, morreu em Santiago no dia 16 de Setembro de 1973. Nascera em Lonquén, em 28 de Setembro de 1932.
Oriundo de uma família de camponeses pobres, Jara tornou-se um reconhecido director de teatro, dedicando-se ao desenvolvimento da arte no país, dirigindo uma vasta gama de obras locais, assim como clássicos da cena mundial. Simultaneamente, desenvolveu uma carreira no campo da música, desempenhando um papel central entre os artistas que estabeleceram o movimento da Nueva Canción Chilena, que gerou uma revolução na música popular de seu país durante o governo de Salvador Allende. Também era professor, tendo leccionado Jornalismo na Universidade do Chile.
Aos seis anos de idade, Víctor já trabalhava no campo, para ajudar a família constituída pelos pais e cinco filhos. O pai tornou-se alcoólico e violento, abandonando a família quando Victor ainda era criança. A mãe criou os filhos insistindo na ideia de que todos deveriam frequentar a escola.
Em consequência de um grave acidente no lar sofrido por uma irmã de Víctor, a família foi morar para a capital do país, Santiago, à procura de melhores condições de vida. Víctor ingressou no Liceu Ruíz-Table, onde se destacou como bom estudante e completou os estudos primários.
O duro trabalho da mãe trouxe algum progresso económico para a família, mas obrigou-a a dedicar pouco tempo aos filhos. A mudança para o bairro de “Chicago Chico” deu ao jovem Víctor a possibilidade de se relacionar com outros jovens da mesma origem e condição, agrupando-se na altura em torno do Partido Democrata Cristão. Cantavam, escutavam música clássica, saíam em excursões, jogavam futebol e formaram um coro. Os estudos religiosos faziam parte da sua formação. Durante os estudos secundários, no chamado “Instituto Comercial”, parece ter existido em Víctor o sonho secreto de seguir a carreira de padre. Em 1950, a mãe morreu repentinamente.
Mudaram-se para Población Nogales e deixou os estudos para trabalhar numa fábrica de móveis. Seguindo os conselhos do padre Rodríguez, ingressou depois no seminário e na Congregação dos Redentoristas, em San Bernardo.
Dois anos mais tarde, em 1952, abandonou o seminário, ao constatar a sua falta de vocação, mas lembraria positivamente o canto gregoriano e as interpretações litúrgicas. A saída do seminário coincidiu com a ida para a tropa.
Aos 21 anos entrou no coro da Universidade do Chile, participando na montagem de “Carmina Burana” e começou o seu trabalho de pesquisa e compilação folclórica. Três anos mais tarde, fez parte do grupo de teatro “Compañía de Mimos de Noisvander” e começou a estudar "Actuação e Direcção" na Escola de Teatro da Universidade do Chile.
Em 1957 faz parte do grupo de cantos e danças folclóricas “Cuncumén”, onde conheceu Violeta Parra, que o encorajou a continuar na profissão.
Com 27 anos dirigiu a sua primeira obra de teatro “Parecido a la Felicidad”, encenando-a em vários países latino-americanos. Como solista do grupo folclórico, gravou o seu primeiro disco, “Dos Villancicos”. No ano a seguir, participou como assistente de direcção na montagem de “La Viuda de Apablaza” e dirigiu “ La Mandrágora”.
Em 1961, como director artístico do grupo “Cuncumén”, viajou pela Holanda, França, União Soviética, Checoslováquia, Polónia, Roménia e Bulgária.
Em 1961 compôs a sua primeira canção, “Paloma Quiero Contarte”, continuando o seu trabalho como assistente de direcção e director de várias peças teatrais. Começou a trabalhar como director na Academia de Folclore da Casa da Cultura de Ñuñoa, função que desempenhou até 1968. Nessa época, e até 1970, faz parte da equipa residente de directores do Instituto de Teatro da Universidade do Chile. Entre 1964 e 1967 foi professor de Actuação na Universidade.
Recebeu o prémio “Laurel de Oro” de Melhor Realizador, o “Prémio da Crítica do Círculo de Jornalistas” pela Melhor Direcção, com “La Maña”, e um Disco de Prata da discográfica EMI-Odeón.
Com a canção “Plegaria a un labrador” ganhou o 1º prémio do “Primeiro Festival da Nova Canção Chilena” e viajou até Helsínquia para participar num Comício Mundial de Jovens pelo Vietname.
Em 1970 participou em Berlim na Convenção Internacional de Teatro e em Buenos Aires no Primeiro Congresso de Teatro Latino-Americano. Envolveu-se na campanha eleitoral da Unidade Popular e editou o disco “Canto Libre".
Foi nomeado Embaixador Cultural do Governo da Unidade Popular e entrou para o Departamento de Comunicações da Universidade Técnica do Estado. Na editora Dicap, editou o disco “El Derecho de Vivir en Paz”, que foi premiado com um “Laurel de Oro”.
Trabalhou como compositor de música na Televisão Nacional do Chile desde 1972 até 1973, foi à URSS e a Cuba e dirigiu a homenagem a Pablo Neruda pela obtenção do Prémio Nobel.
Participou em trabalhos voluntários para impedir a paralisação do país, que as forças reaccionárias queriam conseguir mediante a greve dos camionistas. Respondendo ao apelo de Pablo Neruda, participou como director e cantor num ciclo de programas da TV contra a guerra e contra o fascismo.
O golpe de estado de Pinochet, em 11 de Setembro de 1973, surpreendeu Jara na universidade. É detido, juntamente com outros alunos e professores, e conduzido ao Estádio Chile, convertido em campo de concentração. Torturado, cortaram-lhe os dedos com um machado, como parte do “castigo” dos militares, pelo seu trabalho de consciencialização social junto dos sectores mais desfavorecidos do povo chileno. Seguidamente pediram-lhe para cantar e ele virando-se para os outros detidos cantou o Hino da Unidade Popular que, em breve, se tornaria num coro imenso. Morreu então crivado de balas. Jara era membro do Partido Comunista do Chile e, antes de ser preso e assassinado, integrava o Comité Central das Juventudes Comunistas do Chile.
Em Setembro de 2003, trinta anos após o seu assassinato, o Estádio Chile foi rebaptizado como Estádio Victor Jara, em homenagem ao cantor e à sua família.
O seu enterro definitivo só teve lugar em 2009, depois de três dias de homenagens populares, no Cemitério Geral de Santiago. À cerimónia assistiu a viúva, as suas duas filhas, a Presidente do Chile Michelle Bachelet e mais de 5000 pessoas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

EFEMÉRIDE – Letizia Ortiz Rocasolano, ex-jornalista espanhola e actual esposa do herdeiro da Coroa de Espanha, o Príncipe das Astúrias Filipe de Bourbon, nasceu em Oviedo no dia 15 de Setembro de 1972. É a princesa herdeira consorte do Reino de Espanha, recebendo os títulos nobiliárquicos de Princesa das Astúrias, de Girona e de Viana, Duquesa de Montblanc, Condessa de Cervera e Senhora de Balaguer.
Letizia é filha de uma enfermeira e de um jornalista, divorciados em 1999. Uma das suas duas irmãs faleceu em 2007 após uma depressão.
Iniciou os estudos na sua cidade natal, no Colégio Público Gesta e no Instituto Alfonso II. Quando tinha quinze anos, a família mudou-se para Madrid devido a compromissos de trabalho do pai, onde Letizia concluiu os seus estudos no Instituto Ramiro de Maeztu.
Licenciou-se em Ciências da Informação (Jornalismo), na Universidad Complutense de Madrid em 1995. Enquanto ainda era universitária começou a trabalhar no jornal ABC e na agência de notícias EFE. Entre 1992 e 1993 foi estagiária no jornal “Nueva España” em Oviedo, dedicando-se às áreas de economia, televisão e espectáculos. Seguidamente fez um mestrado em Jornalismo Audiovisual e mudou-se para o México, onde iniciou o doutoramento, que não concluiu. Trabalhou simultaneamente para o jornal “Siglo 21” de Guadalajara.
Em Agosto de 1998 casou-se com um professor de Literatura, após um namoro de cerca de dez anos. Um ano depois o casal decidiu divorciar-se.
A carreira televisiva de Letizia iniciou-se na “CNN+”, onde trabalhou durante dois anos. No ano 2000 começou a trabalhar na Televisão Espanhola (TVE). Fez a cobertura das eleições presidenciais americanas de 2000, foi enviada especial a Nova Iorque durante os atentados do 11 de Setembro e cobriu igualmente a Guerra no Iraque e o desastre do “Prestige” na Galiza. A partir de Setembro de 2003 tornou-se apresentadora do noticiário principal da TVE emitido às 21 horas.
Conheceu Filipe de Bourbon em meados de 2002, tendo iniciado com ele uma relação que se consolidou durante o ano de 2003 e que permaneceu desconhecida dos meios da comunicação social.
Em Novembro de 2003, a Casa Real Espanhola emitiu um comunicado no qual anunciava o noivado do Príncipe Filipe com Letizia Ortiz Rocasolano. O casamento celebrou-se em 2004, na Catedral de Santa María la Real de la Almudena em Madrid.
Em 2005 a Casa Real anunciou que os príncipes esperavam o nascimento de um filho no mês de Novembro. No dia 31 de Outubro de 2005, nascia a Infanta Dona Leonor de Todos os Santos que é actualmente segunda na linha de sucessão da coroa de Espanha. Em 2006 a Casa Real de Espanha emitiu novo comunicado anunciando que os príncipes de Astúrias esperavam o nascimento do seu segundo filho para inícios de Maio de 2007. Em 29 de Abril nascia a Infanta Dona Sofia.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A "Marselhesa" - versão de Serge Gainsbourg

EFEMÉRIDE – Vladimir Volkoff, escritor francês de origem russa, morreu em Bourdeilles (Dordogne) no dia 14 de Setembro de 2005. Nascera em Paris, em 7 de Novembro de 1932.
É um autor prolífico de romances históricos, onde predominam temas da Rússia e da Guerra da Argélia. Escreveu também romances de espionagem para a juventude, sob o pseudónimo de “Tenente X” (anos 1970).
Filho de emigrantes russos, o pai ganhava a vida lavando viaturas, antes de se alistar na Legião Estrangeira. O jovem Vladimir foi educado num ambiente que lhe recordava os valores da Mãe Pátria de origem, mas também os da lealdade para com a terra de acolhimento.
Estudou no Liceu Claude-Bernard, obtendo em seguida o Diploma de Letras Clássicas e um doutorado em Filosofia. Mais tarde seguiu a carreira de romancista e ensaísta.
É autor de numerosas obras, marcadas pelos temas da guerra-fria, das “informações” e das “manipulações”.
Depois dos estudos nas Universidades da Sorbonne e de Liège, tornou-se professor de Inglês em Amiens (1955/1957). Alistado como voluntário no Exército Francês (1957/62) durante a Guerra da Argélia, prestou serviço como oficial de informações (decorado com a Cruz de Valor Militar), uma experiência que o marcou e iria inspirar parte da sua obra. Foi lá que ele compreendeu que uma guerra não se joga somente com armas à luz do dia, mas também na sombra e nas embaixadas.
Depois de desmobilizado partiu para os Estados Unidos, onde trabalhou como tradutor (1963/65) e professor de francês e de russo (1966/67). Fascinado pelo país, ali ficou durante dez anos. Entre as suas obras da época, salientam-se “O Agente triplo” (1962), “Metro para o Inferno” (1963), “Os Mosqueteiros da República” (1964) e “Vers une métrique française” (1977).
Publicado em 1979, o livro “Le Retournement” trouxe-lhe renome internacional. Dedicado a Graham Greene, um dos seus mestres, foi traduzido em doze línguas.
Com “Le Montage”, obteve o Grande Prémio da Academia Francesa (1982). Em 1995 recebeu o Grande Prémio Jean Giono pelo conjunto da sua obra. No mesmo ano, foi feito cavaleiro da Legião de Honra Francesa.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Olegário já era um velho "amigo" do Benfica, lembram-se?

EFEMÉRIDE – Italo Svevo, de seu verdadeiro nome Hector Schmitz Aron, escritor italiano, morreu em Motta di Livenza no dia 13 de Setembro de 1928, vítima de um acidente rodoviário. Nascera em Trieste, em 19 de Dezembro de 1861.
Tendo por origem uma família judaica (pai judeu alemão e mãe italiana), era também conhecido como Ettore Schmitz. Foi, no entanto com o seu pseudónimo que se tornou mundialmente conhecido, sobretudo com “A consciência de Zeno”. É considerado o pai do romance psicanalítico.
Com doze anos, foi enviado para um internato em Segnitz, perto de Wurtzbourg, na Baviera. O pai achava que era necessário conhecer bem a língua alemã para se tornar negociante. Trieste estava então situada no Império Austro-Húngaro e assim ficou até ao fim da Primeira Guerra Mundial. Assimilou rapidamente o alemão e descobriu grandes pensadores alemães, como Arthur Schopenhauer. Em 1878 abandonou os estudos e voltou a Trieste para trabalhar num banco.
Em 1892 publicou “Una vita” e, em 1898, “Senilità”. Devido ao fracasso crítico e comercial, renunciou a literatura durante cerca de vinte anos.
Durante este período, encontrou James Joyce, que viria a ser seu professor de inglês na Escola Berlitz de Trieste. Deu-lhe a ler “Senilità”, que Joyce apreciou ao ponto de o incitar a retomar a escrita e a começar a elaboração de um novo romance. Descobriu igualmente, em 1910, o psicanalista Sigmund Freud do qual traduziu “A Ciência dos Sonhos”.
Em 1923 conheceu a celebridade com a obra já referida (“A consciência de Zeno”), um romance que comporta numerosas referências autobiográficas.

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