Mágico Africano
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sábado, 5 de julho de 2008
EFEMÉRIDE – Marcel Achard, de seu verdadeiro nome Marcel Augustin Ferréol, escritor e dramaturgo francês, nasceu em Sainte-Foy-lès-Lyons (Rhône) no dia 5 de Julho de 1899. Morreu em Paris, em 4 de Setembro de 1974.
A sua primeira peça importante “Voulez-vous jouer avec moi?” foi representada em 1923. Com o aparecimento do cinema falado, os produtores viraram-se para os homens do Teatro para que eles lhes dessem obras compatíveis com a nova tecnologia. Foi assim que grandes escritores ficaram a fazer parte da história do cinema francês. É conhecida a intervenção de Marcel Pagnol e de Jean Cocteau na “Sétima Arte” mas, de todos os homens das letras franceses, foi Marcel Achard o que mais se implicou neste novo modo expressão.
Em 1931, a sucursal francesa da Paramount contratou-o para colaborar nos cenários e nos diálogos de vários filmes. O ponto culminante da sua intervenção no cinema foi a realização de dois filmes de longa-metragem: “João da Lua” e “Valsa de Paris”, este último sendo a biografia do músico Jacques Offenbach. Marcel Achard ficou para a posteridade, porém, como um grande autor de teatro. Grande humorista também, eis duas frases que lhe são atribuídas: «Para escrever algo engraçado, mataria o meu pai e a minha mãe… Felizmente que já sou órfão» e «O beijo de uma mulher é como o aperto de mão de um boxeur antes do combate».
Marcel Achard fez parte da Academia Francesa de 1959 até à sua morte.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
EFEMÉRIDE – Emídio Santana, um dos mais importantes militantes portugueses do anarco-sindicalismo, nasceu em Lisboa no dia 4 de Julho de 1906. Faleceu na mesma cidade em 16 de Outubro de 1988. Foi autor de diversos artigos e ensaios sobre o “anarco-sindicalismo” e o “mutualismo”.
Cresceu num ambiente muito influenciado pelo “movimento associativo operário e socialista” e, devido às dificuldades económicas familiares, começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro aos 14 anos.
No seguimento do golpe militar de 28 de Maio de 1926, desenvolveu grande actividade de resistência à ditadura, actuando também clandestinamente a nível sindical. A sua actividade sindicalista levou-o à prisão pela primeira vez em 1928, tendo sido libertado meses depois. Foi condenado novamente a um ano de prisão em 1933, sendo deportado para os Açores.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado contra Salazar, quando este se deslocava a uma capela particular para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana foi procurado pela PIDE (Polícia Política), mas consegui fugir para Inglaterra onde, porém, a polícia local o prendeu e repatriou para Portugal. Foi condenado a dezasseis anos de prisão, que cumpriu na Penitenciária de Coimbra.
Depois da Revolução dos Cravos (1974) retomou a vida política activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha, dedicando-se igualmente ao cooperativismo.
Em 1985 Emídio Santana escreveu a autobiografia “Memórias de um militante anarco-sindicalista”. Foi autor igualmente de várias crónicas acerca de episódios da sua vida.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
EFEMÉRIDE – Dorota Masłowska, romancista, dramaturga e jornalista polaca, nasceu em Wejherowo, perto de Gdansk, em 3 de Julho de 1983. O seu começo precoce na literatura foi notável, fazendo lembrar um caso idêntico ocorrido em França nos anos 1950 com “Bonjour Tristesse” de Françoise Sagan. Em 2000, com 17 anos, publicou na revista mensal feminina “Twoj styl “ o seu diário íntimo.
O seu primeiro romance, “Polococktail Party”, escrito em 2002, no espaço de um mês e em vésperas do seu bacharelato, foi saudado pela crítica e pelo público, constituindo um grande sucesso e um importante acontecimento literário. O livro, traduzido no ano seguinte para a língua francesa, faz o retrato surpreendente da juventude polaca, marginalizada e resignada, na era pós-comunista, revelando uma maturidade fora do comum. Dorota foi então comparada aos escritores Gogol e Céline. O livro apareceu nos Tops das melhores vendas e, em poucos meses, foram vendidos 50 000 exemplares, o que nunca tinha acontecido na Polónia. Dorota foi convidada para um jantar com o Presidente Polaco, que tinha curiosidade em conhecer a jovem prodígio.
Aos 22 anos, ela era já uma celebridade na Polónia. Depois dos estudos secundários, ingressou na Faculdade de Psicologia da Universidade de Gdansk, mas preferiu depois instalar-se em Varsóvia, onde se inscreveu em “Conhecimento de Culturas”, na Universidade da capital polaca.
Publicou um novo romance em 2005, que pareceu não ter merecido a mesma aceitação, mas que foi recompensado no ano seguinte com o Prémio Nike, o galardão mais prestigiado da Polónia. No mesmo ano publicou uma peça de teatro (“Dois pobres romenos falando polaco”) que foi representada no Teatro Rozmaitości de Varsóvia.
Actualmente, Dorota Masłowska continua a viver em Varsóvia, colabora regularmente em várias revistas, continua os seus estudos e prepara decerto novos romances.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
EFEMÉRIDE – Zélia Gattai Amado, escritora, fotógrafa e memorialista brasileira, nasceu em São Paulo no dia 2 de Julho de 1916. Morreu em Salvador, em 17 de Maio de 2008. Partilhou a vida, durante 56 anos, com o seu marido Jorge Amado, do qual só a morte realmente a separou.Era filha de imigrantes italianos e passou toda a sua infância em São Paulo. Cedo começou a participar, juntamente com a família, no “Movimento Político Operário Anarquista” que estava organizado entre os imigrantes italianos, espanhóis e portugueses, no início do século XX.
Em 1945 conheceu pessoalmente Jorge Amado, de quem era uma leitora entusiasta, quando trabalharam juntos num “Movimento pela Amnistia de Presos Políticos”. Casaram-se meses depois. Zélia Gattai passou a trabalhar ao lado do marido, passando a limpo e à máquina os seus originais e auxiliando-o nas revisões.
Em 1946 o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, depois da eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal. Um ano depois, o Partido Comunista foi ilegalizado, Jorge Amado perdeu o mandato e a família teve que se exilar.
Viveram em Paris durante três anos, período que Zélia Gattai aproveitou para seguir “Cursos de civilização, fonética e língua francesa” na Sorbonne. De 1950 a 1952, viveram na Checoslováquia. Foi neste novo exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registo, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano. Em 1963, mudaram-se para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada “Reportagem incompleta”.
Aos 63 anos de idade, começou a escrever as suas memórias. O livro de estreia, “Anarquistas, graças a Deus”, ao completar vinte anos da primeira edição já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. A sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para francês, italiano, espanhol, alemão e russo.
“Anarquistas, graças a Deus” foi adaptado à televisão e “Um chapéu para viagem” ao teatro.
Zélia Gattai recebeu em 1984 o título de Cidadã da Cidade do Salvador e, em França, a Comenda das Artes e das Letras do respectivo governo (1998). Foi homenageada também com as Ordens do Mérito da Bahia (1994) e do Infante Dom Henrique (Portugal, 1986).
Em 2001 foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a Academia de Letras da Bahia e para a Academia Ilheense de Letras. Em 2002 tomou posse nas três.
Ao lançar o seu primeiro livro, recebeu o Prémio Paulista de Revelação Literária de 1979. No ano seguinte, recebeu o Prémio da Associação de Imprensa, o Prémio McKeen e o Troféu Dante Alighieri. A Secretaria de Educação do Estado da Bahia concedeu-lhe a Medalha Castro Alves em 1987. Em 1988 recebeu o Troféu Avon, a premiar as suas actividades na área cultural e o Prémio Destaque do Ano. O livro de memórias “Chão de meninos” recebeu o Prémio Alejandro José Cabassa, da União Brasileira de Escritores, em 1994.
Fonte (adaptação) – Wikipédia
terça-feira, 1 de julho de 2008
EFEMÉRIDE – Amy Johnson, pioneira da aviação inglesa, uma das primeiras mulheres a pilotar um avião, nasceu em Kingston-upon-Hull no dia 1 de Julho de 1903. Morreu em Londres, em 5 de Janeiro de 1941, com 37 anos.
Frequentou a Universidade de Sheffield, licenciando-se em Artes e Economia, tendo seguido posteriormente um curso de Secretariado, como forma de arranjar trabalho na capital inglesa.
Como passatempo, interessou-se pela aviação, mas teve de lutar contra os fortes preconceitos existentes na época. Ser piloto era uma profissão essencialmente masculina e poucas escolas de aviação aceitavam mulheres como alunas. A sua perseverança porém venceu e, em Junho de 1929, voava pela primeira vez a solo. Nesse mesmo ano obteve o brevet de aviadora passado pelo London Aeroplane Club.
Durante as lições de aviação, o instrutor tinha-lhe dito que ela só seria levada verdadeiramente a sério se fizesse algo de bastante notável. Foi-lhe sugerido fazer um voo entre a Inglaterra e a Austrália, o que nunca tinha sido realizado por uma mulher. Amy aceitou o desafio e iniciou a preparação para a viagem. Obteve um avião em segunda mão, um De Havilland Gypsy Moth, um dos mais pequenos e populares da época. Mandou instalar depósitos adicionais para o combustível. Usaria um fato adequado e capacete, mas vestiria uns calções de caqui durante quase toda a viagem. Para defesa pessoal levava uma espingarda, bem como um kit de primeiros socorros, o que acabaria por lhe ser útil para consertar o avião, pois pôde utilizar adesivo para reparar as asas de lona que se tinham rompido.
Em Abril de 1930, Amy Johnson partiu para a viagem de 19 dias, em que percorreu os 16 000 quilómetros entre Londres e Darwin. Pelo caminho teve de efectuar diversas aterragens, algumas na selva, enfrentou tempestades de areia e efectuou diversos consertos no avião. O seu plano era voar o menos possível sobre o mar, onde as suas hipóteses de sobrevivência seriam mínimas em caso de acidente. Assim, traçou uma rota para sudeste, sobrevoando a Europa e a Ásia; depois virou a sul ao longo da península Malaia e sobrevoou as ilhas da Indonésia. A última etapa foi a mais perigosa, ao ter de sobrevoar o Mar de Timor antes de atingir a costa australiana. Apesar de ser uma desconhecida, a imprensa e a rádio foram dando notícias da sua aventura e, ao descer do avião, já se tinha transformado numa heroína internacional.
Em 1931 Amy, desta vez com um co-piloto, a bordo dum De Havilland Puss Moth, tornaram-se os primeiros aviadores a completar uma viagem aérea entre Londres e Moscovo em apenas um dia. Dali, atravessando a Sibéria, prosseguiram para Tóquio estabelecendo novo recorde na ligação entre a Inglaterra e o Japão. Juntamente com o marido também estabeleceu novo recorde na viagem entre Inglaterra e a Índia, em 1934, voando num De Havilland Comet. Em Julho de 1936 bateu o recorde que pertencia ao seu marido, ao efectuar a ligação Londres / Cidade do Cabo, na África do Sul.
O jornal britânico Daily Mail pagou-lhe dez mil libras para efectuar uma viagem publicitária e Amy realizou muitas conferências, surgindo nos meios de comunicação de todo o mundo. Inspirou canções que elogiavam os seus feitos heróicos, bem assim como um filme intitulado They Flew Alone. Todo este esforço e visibilidade acabaram por a deixar à beira de uma depressão nervosa.
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, alistou-se no Air Transport Auxiliary da Royal Air Force, onde o seu trabalho consistia em levar aviões das fábricas escocesas para as bases da Força Aérea no sul de Inglaterra. Em 5 de Janeiro de 1941 levantou voo de Prestwick, perto de Glasgow, mas devido ao mau tempo despenhou-se no Rio Tamisa. A tentativa de salvamento falhou e o seu corpo nunca foi encontrado.
segunda-feira, 30 de junho de 2008

EFEMÉRIDE – Czesław Miłosz, poeta, romancista, ensaísta e tradutor polaco, Prémio Nobel da Literatura em 1980, nasceu em Szetejnie, na Lituânia, no seio de uma família pertencente à nobreza da Polónia, em 30 de Junho de 1911. Morreu em Cracóvia, no dia 14 de Agosto de 2004.
Estudou na Universidade de Vilnius e, muito cedo, se interessou pela Poesia. Fundou, juntamente com outros poetas, o grupo literário Żagary e escreveu na revista vanguardista com o mesmo nome.
Em 1939, depois da derrota polaca, voltou para Vilnius na Lituânia. No entanto, devido à invasão do país pelo Exército Vermelho em 1940, fugiu para Varsóvia onde se juntou à Resistência. Em Varsóvia, ajudou as pessoas perseguidas pelo regime nazi. O memorial de Yad Vashem em Israel atribui-lhe a qualidade de “Justo entre as Nações”.
Depois da guerra, Milosz trabalhou nos serviços diplomáticos da República Popular da Polónia entre 1945 e 1950, rompendo a sua ligação com o regime de Varsóvia em 1951, ano em que pediu asilo político à França, onde já tinha vivido dez anos. Em 1953 recebeu o “Prémio Literário Europeu”. Dez anos depois instalou-se nos Estados Unidos, ocupando a cadeira de Línguas e Literaturas na Universidade de Berkeley, na Califórnia, tendo adoptado a cidadania americana em 1970. Só depois de ter recebido o Prémio Nobel é que as suas obras foram conhecidas no seu país. Desde 1995 Czesław Miłosz passava alguns meses por ano na Polónia até se instalar definitivamente em Cracóvia, onde morreu com a idade de 93 anos.
domingo, 29 de junho de 2008
“O FUTURO É JÁ HOJE”Com o advento da Internet, logo se anteviu que iriam aparecer coisas antes nem sequer sonhadas. E elas aí estão, a surgir todos os dias.
Alguns pensaram mesmo que se caminhava para o fim dos livros e dos jornais, mas tudo se parece afinal complementar. Os próprios jornais utilizam os seus sites, não só para avançar as edições do dia seguinte, mas também para publicar informações de última hora.
Pode dizer-se que quase tudo é possível ser feito através da Internet: comunicar, pesquisar, entreter, jogar, estudar, divertir, fazer compras, etc. E tudo de modo rápido, simples e eficaz.
Foi neste contexto que apareceram também os blogues nos fins do século passado. São uma espécie de diários, organizados de tal modo que a última coisa publicada é a primeira a aparecer aos olhos do leitor. O tipo de blogue depende unicamente do desejo do seu autor: pode ser individual ou colectivo, de poesia ou de prosa, com desenhos, fotografias ou de vídeos, temático, noticioso, político, desportivo, profissional, de entretenimento, descrição de viagens, enfim de tudo o que se quiser. Têm sobre os sites a vantagem de não serem necessários grandes conhecimentos de informática. Na maioria, é também possível a inscrição de comentários pelos visitantes, com uma interacção que não encontra paralelo senão nos fóruns organizados pela rádio e pela televisão. A escrita é normalmente mais concisa, adaptada a uma leitura que é feita através de um ecrã, se bem que os conteúdos possam ser depois impressos.
O primeiro blogue foi publicado em 1997 por Jorn Barger. Vai portanto já longe o tempo, nos finais do século passado, em que o seu número oscilava entre cinquenta no ano de 1999 e alguns milhares no ano 2000. A criação de vários softwares, tornando a sua publicação simples e automática, ainda por cima a título gratuito, fez com que eles se multiplicassem a um ritmo alucinante, aparecendo como cogumelos. Em 2003 já eram cerca de quatro milhões e hoje são mais de setenta milhões, número sempre desactualizado, pois aparecem mais cem mil blogues em cada dia que passa. Jornais há que criaram rubricas a eles dedicadas e muitos dos blogues são fontes de informação de referência, a que a Imprensa, tanto escrita como falada e a televisão, frequentemente recorre.
Se pensarmos nos blogues como espaços de escrita, de reflexão e de comunicação, concluímos que eles podem ser afinal jornais instantâneos, em directo do local do acontecimento, tal como acontece com a rádio e com a televisão. Essa é a grande diferença - o queimar de etapas. Algo acontece, esse acontecimento é descrito ou comentado e aparece de imediato em casa do consumidor da notícia. O “jornalista” (com ou sem aspas) não necessita de fazer chegar à Redacção de um Jornal a sua reportagem, os seus comentários, os seus vídeos ou as suas fotos. A peça não passa por nenhum crivo, corte ou emenda, não necessita de ser composta, revista ou impressa. Ela vai, em segundos, dos dedos do autor para os olhos de cada leitor.
Se bem que defendendo a total Liberdade da Imprensa, há que concordar porém que nos blogues, ao invés do que acontece noutros meios de comunicação, pode não se conhecer a identificação dos autores, o que provocará eventualmente um aligeiramento da noção de responsabilidade. Porque o registo é feito de modo ligeiro e podem ser indicados dados fictícios, caberá ao leitor separar o trigo do joio, quando tiver de avaliar alguma matéria mais melindrosa. A um blogue não assinado ou com origem desconhecida, deve ser dado o mesmo crédito e tratamento que se daria a uma rádio ou televisão pirata ou a uma qualquer folha impressa, mas sem identificação dos autores.
No que concerne a quem escreve, o prazer é total. É uma escrita sem intermediários, com um contacto directo com os leitores, com uma apresentação e tipo de letra segundo o seu critério, com fotos, imagens ou ilustrações à sua escolha. No caso de aceitar comentários, há até a possibilidade de ter o feedback imediato acerca do que publica, com apoios, críticas, achegas ou mesmo desacordos. Pode, é verdade, receber igualmente comentários anónimos, sejam eles bem ou mal intencionados, mas este é o problema do “real/virtual” tão conhecido dos utentes da Internet.
Os blogues vieram para ficar, mas todos os outros meios de comunicação permanecerão no respectivo espaço, cada um à sua maneira. Por vezes até se entrelaçam, citando-se entre si. Os jornais, as rádios, as televisões, a Internet, os blogues, mesmo os celulares, são meios de comunicação que continuarão cada vez mais a trazer a actualidade até nossas casas. O Homem é cada vez mais inundado por informação, em grande quantidade e por vezes até contraditória. A ele caberá, em última instância, digerir, escolher, apreender e saber informar-se. É um desafio para o futuro e o futuro, como dizia o poeta Maiakovski, é já hoje!
Gabriel de Sousa
NB – 3º Prémio nos Jogos Florais da Academia de Santo Amaro – 2008
A AMPULHETA DA VIDA (carta)Meu querido neto:
Como passa depressa o tempo! Ainda “ontem” eu próprio era um menino de calções, ansiando pelo momento de entrar para a escola. Em breve, queria ser adolescente para ter mais "liberdade" e (que ambição!) ter a chave de casa. E queria, cada vez mais, que a vida andasse depressa: a maioridade, a carta de condução, a faculdade… Namorar, casar e ter filhos. Ter uma casa só minha, um bom emprego. Subir na carreira. Ter muitos amigos.
E assim tudo foi acontecendo. Vieram os trinta anos. Os quarenta. E nunca ousei olhar para a ampulheta da vida. Inexoravelmente, porém, a areia deslizava, esvaziando um dos lados e enchendo o outro.
Vieram os cinquenta anos e nasceste tu. Aos sessenta, tive os primeiros sintomas de que as células humanas envelhecem e os cabelos se tornam da cor da neve.
Sendo normalmente pessimista, mas fazendo um esforço, aceitei como possível que poderia viver ainda mais uns vinte anos. Teriam portanto já passado três quartos da minha vida. Faltava apenas um.
Hoje, na praia, agarrando um punhado de areia, observei os pequenos grãos escorrendo por entre os dedos. Apertei mais a mão para adiar o inadiável. As gaivotas esvoaçavam, poisando aqui e ali. Eu segui-as com os olhos e pensei...
…Pensei que, apesar de tudo, se um dia me tornar dependente ou perder a lucidez, quererei ter ainda um resto de discernimento, de força e de coragem para abrir rapidamente a mão, de modo a que a areia deslize toda de uma vez.
Hoje acordei triste. Desculpa-me. Espero que estejas bem. Tenho saudades tuas.
Beijos do teu avô.
Gabriel de Sousa
NB – 1º Prémio nos Jogos Florais da Academia de Santo Amaro – 2008
EFEMÉRIDE – Frédéric Charles Antoine Dard, escritor francês de romances policiais, de terror e de espionagem, nasceu em Bourgoin-Jallieu, Isère, no dia 29 de Junho de 1921. Morreu em Bonnefontaine, na Suíça, em 6 de Junho de 2000.
Com uma produção prodigiosa, celebrizou-se como Comissário San-Antonio, de quem escreveu 200 aventuras no espaço de cinquenta anos.
Tendo por origem uma família modesta e pais muito ocupados com uma empresa familiar, foi criado pela avó, junto de quem adquiriu o gosto pela leitura. A crise financeira de 1929 apressou o declínio dos negócios dos pais. Todos os seus bens foram penhorados sob o olhar do jovem Frédéric. Tiveram de se mudar para Lyon, onde ele seguiu um Curso Comercial sem muito entusiasmo. Com dezasseis anos apenas empregou-se como publicitário, passando depois ao jornalismo, actividade que lhe despertava interesse desde há muito tempo, e mais tarde à Literatura. Em breve publicaria o seu primeiro romance, escrevendo também algumas novelas.
Casou-se e teve dois filhos. Para ganhar a vida, escrevia livros para crianças e romances populares. Começou a tornar-se notado e a ser influenciado pelos “romances negros” norte-americanos. Conheceu entretanto George Simenon que lhe escreve o prefácio para o livro “Au massacre mondain”. Passou a escrever sob diversos pseudónimos e a conhecer o sucesso. Adaptou ao teatro um romance de Simenon e, em 1949, publicou a primeira aventura de San-Antonio. Algumas incursões ainda no Teatro, continuando simultaneamente a escrever livros que foram grandes êxitos. Adaptou alguns romances ao cinema e começou a viver desafogadamente e a ter problemas com o fisco francês.
A vida com a esposa não corria bem e, um mês antes de se divorciarem, Frédéric Darc tentou enforcar-se. Casou-se novamente, em 1968, com a filha do seu editor e foi viver para a Suíça. Deste segundo casamento teve outra filha e adoptou um jovem tunisino.
Em 1975 fez publicar um livro (Je le jure) com várias entrevistas, onde evoca a sua infância, os seus começos, a sua família e as suas ideias, quase uma autobiografia. Ao todo escreveu 288 romances, vinte peças de teatro e 15 adaptações cinematográficas. Ganhou, em 1957, o Grande Prémio da Literatura Policial.
Depois da sua morte, em 2000, Patrice, um dos seus filhos, tem escrito livros com os mesmos personagens utilizados pelo pai.
sábado, 28 de junho de 2008
EFEMÉRIDE – Cláudio Justiniano de Sousa, médico, escritor, romancista, ensaísta, dramaturgo e orador brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 28 de Junho de 1954. Nascera em São Roque no dia 20 de Outubro de 1876.
Estudou na sua cidade natal, tendo-se licenciado em Medicina em 1897 no Rio de Janeiro. Com dezasseis anos, já colaborava nos jornais cariocas O Correio da Tarde e A Cidade do Rio.
Depois de formado mudou-se para São Paulo, onde exerceu a profissão, além de continuar a escrever para diversos jornais. Foi igualmente professor de Terapêutica na Faculdade de Farmácia de São Paulo. Foi membro fundador da Academia Paulista de Letras em 1909.
Em 1913 abandonou a medicina, passando a fazer muitas viagens pelo mundo, sobre as quais escreveu imensos relatos, e a dedicar-se à Literatura. Fixou então residência no Rio de Janeiro.
Escreveu cerca de trinta peças teatrais, geralmente comédias ligeiras, todas encenadas com enorme sucesso. Entre relatos de viagens e obras de ficção escreveu mais de três dezenas de livros, bem assim como vários artigos e textos médicos. Algumas das suas obras foram traduzidas para espanhol, francês e italiano.
Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1924, tendo-a presidido por duas vezes, em 1938 e 1946.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
EFEMÉRIDE – João Guimarães Rosa, médico, diplomata, romancista e contista, um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de Junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de Novembro de 1967.
Os contos e romances de João Guimarães Rosa decorrem quase todos no sertão brasileiro. A sua obra tem a particularidade de inovar na linguagem, sendo influenciada pelos vários modos de falar populares e regionais. Esta faceta, aliada à sua erudição, permitiu a criação de muitos vocábulos a partir de palavras antigas e palavras populares, neologismos e intervenções semânticas e sintácticas.
Autodidacta, começou a estudar diversos idiomas ainda em criança, começando pelo francês com menos de 7 anos. Poliglota quase inacreditável, falava - além do português - alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto e um pouco de russo; lia sueco, holandês, latim e grego; entendia alguns dialectos alemães e estudou gramática húngara, árabe, lituana, polaca, tupi, hebraica, japonesa, checa, finlandesa e dinamarquesa. «Mas tudo mal», segundo dizia. Estudava por divertimento, gosto e distracção.
Em 1925, matriculou-se na então denominada Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos, tendo-se licenciado em 1930, ano em que também se casou com uma jovem de dezasseis anos de quem teve duas filhas. Exerceu a profissão em Itaguara, então município de Itaúna, durante dois anos.
Guimarães Rosa serviu depois, como médico voluntário, na Força Pública (actual Polícia Militar), durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Posteriormente entrou para o quadro da Força Pública, por concurso, indo para Barbacena na qualidade de Oficial Médico de Infantaria.
Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos da sua vida como diplomata, na Europa e na América Latina. Esteve na Alemanha, de 1938 a 1942, onde auxiliou judeus a fugir para o Brasil, ao emitir - juntamente com a sua segunda esposa - mais vistos do que os legalmente autorizados. Por essa acção ganhou o reconhecimento posterior do Estado de Israel. Sua esposa Aracy é aliás a única mulher homenageada no “Jardim dos Justos entre as Nações”, no Museu do Holocausto, em Israel.
Foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Adiou a cerimónia de posse enquanto pôde, afirmando ter medo de morrer no dia do evento. Só veio a tomar posse em 1967, falecendo três dias depois, com apenas 59 anos.
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