quarta-feira, 11 de novembro de 2015

11 DE NOVEMBRO - LUZ CASAL

EFEMÉRIDE – María Luz Casal Paz, cantora espanhola, nasceu em Boimorto (Galiza) no dia 11 de Novembro de 1958. Cresceu nas Astúrias, mas ainda muito jovem foi viver para Madrid.
Luz, como lhe chamam os espanhóis, é uma artista multifacetada e talentosa. Autora, cantora e intérprete, ela passou facilmente dos ritmos rock dos anos 1980 para as baladas intemporais. Descoberta em 1980 como cantora de rock, passou – nos anos seguintes – para doces canções de amor.
Os seus grandes êxitos na década de 1980 foram “Rufino” de Elena Santonja e “Un Nuevo Día Brillará”, versão espanhola de “Duel au Soleil” de Étienne Daho. Colaborou na banda sonora da película “Tacones lejanos”, com a música “Un Año de Amor”. Na década de 1990, cantou temas como “Besaré el suelo” de Carlos Goñi e “Negra Sombra” de Rosalía de Castro.
Tendo por temas recorrentes as relações amorosas, as canções de Luz Casal não têm nada de monótono e algumas são representativas do seu humor e também do seu engajamento cívico, como “Ecos” – um álbum dedicado aos atentados do 11 de Março de 2004 em Madrid.
Simples e calorosa, Luz diz-se «alérgica à arrogância”, mantendo desde sempre uma relação muito forte com o público do seu país e da América do Sul, onde é grande ídolo popular. Ela é, igualmente, muito apreciada na Grécia e em França. Uma curta tournée neste último país, em 2004, levou-a
a célebre sala de espectáculos Olympia.
Em 2007, recebeu a Medalha de Ouro de Mérito das Belas Artes, que lhe foi outorgada pelo ministério da Educação, da Cultura e dos Desportos.

LUZ CASAL - "Entre Mis Recuerdos"


terça-feira, 10 de novembro de 2015

10 DE NOVEMBRO - MIKHAIL KALASHNIKOV

EFEMÉRIDEMikhail Timofeevich Kalashnikov, militar russo, notável projectista de armas (especialmente a célebre espingarda de assalto AK-47), nasceu em Kurya, Altai, no dia 10 de Novembro de 1919. Morreu em Ijevsk, em 23 de Dezembro de 2013.
Oriundo de uma família de camponeses, aos 15 anos já trabalhava num depósito dos caminhos-de-ferro. Foi recrutado pelo exército em 1938 e designado como motorista/mecânico de carros de combate, sendo promovido a sargento no 24º Regimento de Carros de Combate da 12ª Divisão de Cavalaria Blindada.
Na batalha de Briansk, numa operação destinada a travar o avanço das forças alemãs sobre Moscovo (1941), foi ferido gravemente e hospitalizado. Durante a convalescença, ainda no hospital, começou a desenhar modelos de pistolas pois achara as armas alemãs tecnicamente muito superiores. Escutou também reclamações de soldados sobre as espingardas utilizadas pela infantaria. Projectou então um protótipo de “submetralhadora”, que não foi aceite pelas forças armadas soviéticas. Entretanto, o seu talento natural para a criação de armas foi finalmente reconhecido por um seu superior hierárquico, sendo colocado no Centro de Desenvolvimento Científico de Armas Ligeiras da URSS.
Naquele centro, em 1944, projectou uma carabina operada a gás, sendo a arma base utilizada numa competição de armas leves ocorrida em 1946. Este processo culminaria no projecto da AK-47 (Avtomat Kalashnikova - 1947), que viria a tornar-se a arma de assalto padrão da infantaria soviética. Após isso, retirou-se da vida militar. Embora existam cerca de 100 milhões de espingardas originadas da AK-47, Kalashnikov não recebeu qualquer direito relativo a sua criação, pois no direito soviético a propriedade intelectual era colectiva. Curiosamente, recebeu alguns proventos pela utilização do seu nome na vodka Kalashnikov.
Posteriormente, foi promovido honorificamente a coronel em 1971. Recebeu o título de doutor honorário em Ciências e Técnicas, nesse mesmo ano. Em 1994 (seu 75º aniversário), foi promovido a general. Viveu na cidade de Ijevsk, em Udmurtia, até ao seu falecimento com 94 anos de idade.
No total, criou cerca de 150 modelos de armas. Segundo a sua biografia, ele é a personalidade mais decorada da Rússia. Foi também deputado do Soviete Supremo.
Acerca da espingarda AK-47, ele afirmou – quando de uma visita à Alemanha: «Estou orgulhoso da minha invenção, mas entristece-me que ela seja também utilizada por terroristas», acrescentando «Preferia ter inventado máquinas que as pessoas pudessem utilizar na agricultura». Em 2009, declarou ainda «É desagradável ver tantos criminosos a utilizar as minhas armas». 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

9 DE NOVEMBRO - MÁRIO ANACLETO

EFEMÉRIDEMário Anacleto Pereira Dias, tenor português, conferencista, escritor e professor, faleceu em Ermesinde no dia 9 de Novembro de 2010, vítima de ataque cardíaco fulminante. Nascera em Santa Maria da Feira, onde foi sepultado.
Diplomado com o Curso Superior de Canto do Conservatório de Música do Porto, na classe de Fernanda Correia, também trabalhou com Mark Brown (Música Antiga), Montsserrat Figueras (Técnica e Interpretação de Música Ibérica), Rudolf Knoll (Técnica e Interpretação da Ópera), Ré Koster (Interpretação do Lied) e José de Oliveira Lopes (Lied e Ópera).
Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo feito o mestrado em História da Arte na mesma universidade. Era mestre de Comunicação Organizacional pela Universidade Complutense de Madrid e doutor em Musicologia e Interpretação pela Universidade Nacional de Música de Bucareste.
Realizou numerosos recitais a solo, com piano, guitarra, órgão e orquestra, tendo participado – como artista convidado – em muitas récitas, a convite do Círculo Portuense de Ópera. Desempenhou também papéis nas óperas “La Traviata”, “Madame Butterfly” e “Cármen”, entre outras.
Foi co-fundador em 1974 e solista (até 1981) do Grupo de Música Vocal Contemporânea, actuando em numerosos Festivais Internacionais de Música, nomeadamente em Cascais, Lisboa, Coimbra, Braga, Madeira, Berlim, Dresden, Leipzig, Bratislava, Vigo e Córdoba.
Gravou para a Tribuna Europeia de Compositores Contemporâneos obras de Joly Braga Santos e para a etiqueta EMI-Valentim de Carvalho obras de Fernando Lopes Graça. Gravou igualmente dois CD a solo, com obras para canto e piano de compositores portugueses.
Colaborou com a RTP e a RDP em diversos programas, quer como artista convidado quer como divulgador da cultura musical.
Em 2008, apresentou-se em quatro concertos no Brasil, em São Paulo (Instituto Baccarelli de Heliópolis, Espaço Cachuera, Casa das Rosas e Beneficência Portuguesa). Actuou também em Bucareste e Pitesti, na Roménia, e ainda no Concerto de Ano Novo, na Ilha Terceira nos Açores, onde cantou o “Dichterliebe” de Schumann e várias canções de Serge Rachmaninoff. Participou no XVI Festival Internacional de Teatro de Sibiu (Roménia), em Junho de 2009. Realizou uma tournée de 7 concertos na Venezuela e participou noutros concertos em Florença, Roma, Nápoles, Ourense e Vigo, no segundo semestre de 2009.
Na sua carreira, desenvolveu uma técnica precisa e de grande equilíbrio com a expressão. No seu reportório incluiu óperas, composições de autores portugueses, fados, serenatas napolitanas e canções de diversas escolas. Brahms, Strauss, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Fernando Lopes Graça, Schubert e Schumann eram alguns dos seus compositores favoritos.
Foi director do Conservatório de Música do Porto entre 1994 e 1996, período durante o qual introduziu a Classe de Jazz e promoveu a criação da Banda de Jazz, da Banda Sinfónica, do Grupo de Música Antiga e do Quarteto de Saxofones. Foi professor da mesma instituição e do Conservatório de Música da Maia, até à sua morte.
Publicou dois livros: “Fado, itinerários de uma cultura viva” e “Crónica dos dias bons”. Preparou um ‘romance histórico sobre detalhes ocultos da vida do Padre António Vieira’ e um ‘ensaio sobre o expressionismo português nas obras de Fernando Pessoa e de Fernando Lopes Graça’, que foram publicados postumamente em 2010.

domingo, 8 de novembro de 2015

8 DE NOVEMBRO - ÁLVARO MARTINS

EFEMÉRIDEÁlvaro Augusto Martins dos Santos, intérprete de guitarra portuguesa, compositor e letrista, morreu em Padrão da Légua, Matosinhos, no dia 8 de Novembro de 2003. Nascera na mesma localidade em 27 de Maio de 1918. O seu nome é desconhecido para a maioria das pessoas devido ao facto de ter feito grande parte da sua carreira fora de Lisboa. Acompanhou grandes nomes do fado e deixou mais de uma centena de trabalhos editados.
Foi na barbearia do pai que começou a tocar aos 5 anos de idade. Naquela época, nas barbearias, era frequente haver uma guitarra portuguesa e uma viola para os clientes e/ou os barbeiros tocarem. Mais tarde, começou a tocar noutros estabelecimentos e a acompanhar João Gago, um dos tocadores de viola com quem mais tocou. Aos 12 anos, Álvaro Martins tocou pela primeira vez na antiga Emissora Nacional.
Nos anos 1950, José Maria Nóbrega, uma das grandes violas do fado, estabeleceu-se no Padrão da Légua como alfaiate. Conheceu Álvaro Martins e começaram a tocar juntos. No final desta década, em 1959, a sua música “Noite” foi incluída no disco “Amália Rodrigues” e acompanhou Fernando Farinha no Coliseu do Porto em 25 de Outubro.
Em 1965, Álvaro Martins conheceu o poeta Torre da Guia no restaurante típico A Candeia. Tornaram-se numa dupla criadora de grandes fados, como “Pão de Gestos”, que se tornou um sucesso popular nos anos 1980, nas vozes de Beatriz da Conceição e de Rodrigo, ou “Olhai a Noite”, que foi cantado por inúmeros fadistas.
Durante a sua carreira, Álvaro Martins fez muitas digressões pelas comunidades de emigrantes portugueses, não só como acompanhador de fados mas também como solista. Esteve nos Estados Unidos da América, no Brasil, em França e em Moçambique, entre outros países.
Salientam-se alguns grandes fadistas que foram acompanhados à guitarra portuguesa por Álvaro Martins: Amália Rodrigues, Fernando Farinha, Fernando Maurício e Tristão da Silva.
Com o passar do tempo, a sua obra ganhou cada vez mais importância. Actualmente, é conhecido nos meios fadistas do Porto como “o Mestre”. Faleceu aos 85 anos de idade. 

"MEU MENINO DE ENCANTAR" (quadras)

Formatação de Fátima de Souza (Bahia)

sábado, 7 de novembro de 2015

7 DE NOVEMBRO - LEATRICE JOY

EFEMÉRIDELeatrice Joy, de seu verdadeiro nome Leatrice Johanna Zeidler, actriz norte-americana (a mais prolífica durante a era do cinema mudo), nasceu em Nova Orleães no dia 7 de Novembro de 1893. Morreu em Riverdale, Bronx, Nova Iorque, em 13 de Maio de 1985, vitime de anemia aguda, aos 91 anos de idade. Tinha ascendência austríaca e francesa por parte do pai e alemã e irlandesa por parte da mãe.
Leatrice adoptou o seu nome artístico quando começou a fazer teatro. Iniciou-se no cinema em 1915, trabalhando para a Nola Film Company, uma pequena empresa baseada em Nova Orleães.
Em 1917, instalou-se em Hollywood – o novo centro do cinema de então – começando a protagonizar pequenas curtas-metragens cómicas com Billy West e Oliver Hardy. Foi depois contratada pelos estúdios de Samuel Goldwyn, tendo começado por contracenar com Mary Pickford em “The Pride of the Clan”.
A partir de 1920, a sua carreira foi de vento em popa e tornou-se rapidamente numa actriz muito popular. Fazia frequentemente papéis de mulher forte e independente, muito apreciados pelo público, particularmente feminino. Os seus cabelos curtos e a sua aparência arrapazada entraram também na moda daqueles anos 1920
O cineasta Cecil B. DeMille intercedeu para a fazer assinar um contrato pela Paramount Pictures em 1922. Protagonizou então “Saturday Night”, que teve enorme sucesso. Seguiu-se o melodrama “Manslaughter”. Fez numerosos filmes que foram outros tantos êxitos.
Em 1925, com muita pena dos estúdios, Joy deixou a Paramount e seguiu DeMille, sendo contratada pela Producers Distributing Corporation.
Um desacordo profissional conduziu à ruptura com DeMille em 1928 e ingressou na Metro-Goldwyn-Mayer. Foi cabeça de cartaz do segundo filme parcialmente falado da MGM, “The Bellamy Trial”. Adaptou-se dificilmente ao novo cinema, em parte devido à sua forte pronúncia sulista frente à dicção refinada das novas actrizes. Em 1929, viu-se sem contrato.
A partir dos anos 1930, achou-se na condição de semi-aposentada, embora fizesse alguns pequenos papéis, por exemplo em “Love Nest” (1951), onde figurava também a jovem Marilyn Monroe. Deu por terminada a sua carreira em 1954.
Em 1984, apareceu na série televisiva documental “Hollywood: A Celebration of the American Silent Film”.
Leatrice casou com John Gilbert em 1922, tendo-se divorciado no ano seguinte, voltando a consorciar-se em 1931 com William S. Hook. Tem uma estrela no Hollywood Walk of Fame

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

6 DE NOVEMBRO - BRAD DAVIS

EFEMÉRIDE Brad Davis, de seu verdadeiro nome Robert Creel Davis, actor norte-americano, nasceu em Tallahassee no dia 6 de Novembro de 1949. Morreu em Los Angeles, em 8 de Setembro de 1991.
Segundo um artigo publicado em 1987, no “The New York Times”, Davis afirmou ter sofrido violência física e abusos sexuais de ambos os pais. Já adulto, foi alcoólatra e drogava-se por via intravenosa. Tornou-se sóbrio em 1981. Davis era conhecido durante a sua juventude como Bobby, mas adoptou Brad como nome artístico, em 1973.
Interessou-se muito cedo pelo teatro, pela dança e pelo canto, apresentando-se a vários castings e concursos. Aos 17 anos, após vencer um concurso de talentos musicais, trabalhou no Teatro Atlanta. Mais tarde, mudou-se para Nova Iorque e frequentou a Academia Americana de Artes Dramáticas, tendo estudado também teatro no American Place Theater. Depois de fazer um papel na novela “Como sobreviver a um casamento”, actuou em peças na off-Broadway. Em 1976, foi escalado para o filme televisivo “Sybil”. Desempenhou o papel principal em “The Normal Heart” (1985), um filme sobre o flagelo da SIDA.
Teve o seu maior sucesso no filme “Midnight Express” (1978), interpretando o personagem principal Billy, pelo qual ganhou – em 1979 – o Globo de Ouro de Melhor Actor (Revelação). Também foi nomeado para o Prémio BAFTA.
Brad era casado com Susan Bluestein Davis, que venceu um Emmy Award como Melhor Directora de Castings. Tiveram uma filha em 1984 (Alexandra), que anos depois mudou de sexo, passando a chamar-se Alex Davis e seguindo a carreira de músico e cantor.
Diagnosticado seropositivo em 1985, Davis manteve a sua condição em sigilo até pouco antes da morte. Embora fosse anunciado que ele falecera vítima daquela doença, ele morreu na realidade de uma overdose intencional. No hospital onde estava internado, sentindo-se perto da morte e com grandes dores, optou por voltar para casa e terminar a sua vida pelos próprios meios. Com a esposa e um amigo da família presentes, cometeu suicídio assistido. A esposa dinamizou depois campanhas de combate à SIDA. Davis foi referido como «o primeiro actor heterossexual a ser vítima de AIDS».

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CHICO BUARQUE - "Construção"


5 DE NOVEMBRO - AUGUST GAILIT

EFEMÉRIDEAugust Georg Gailit, escritor estoniano, morreu em Örebro, na Suécia, em 5 de Novembro de 1960. Nascera em Sangaste no dia 9 de Janeiro de 1891.
Filho de um carpinteiro, cresceu numa fazenda em Laatre (actual Tõlliste). A partir de 1899, frequentou as escolas da paróquia e da cidade de Valga. De 1905 a 1907, estudou na escola municipal em Tartu. De 1911 até 1914, trabalhou como jornalista na actual Letónia e, de 1916 a 1918, na Estónia. Na Guerra da Independência da Estónia contra a Rússia, participou como correspondente de guerra.
De 1922 a 1924, viveu na Alemanha, na França e em Itália. Depois, trabalhou como escritor independente em Tartu e, a partir de 1934, em Tallinn. De 1932 até 1934, foi director do Teatro Vanemuine em Tartu. Em 1932, casou com a actriz Elvi Nander e, em 1933, nasceu-lhes a única filha, Aili-Viktooria.
Com a ocupação da Estónia pela URSS em 1944, fugiu com a família para a Suécia, onde trabalhou como escritor.
Em 1917, juntamente com outros escritores, fundara um grupo literário chamado “Siuru” que, com os seus poemas eróticos e escandalosos, causou grande sensação no país. As primeiras prosas de Gailit têm frequentemente um conteúdo erótico. Sobretudo até ao meio da década de 1920, Gailit recebeu forte influência do neo-romantismo. Os escritores Oswald Spengler e Knut Hamsun exerceram também grande influência nos seus trabalhos.
Só com o seu famoso romance “Toomas Nipernaadi” (1928), que seria adaptado ao cinema em 1983, os seus trabalhos passaram a ser mais realísticos e líricos.
Os temas políticos tiveram igualmente destaque nas suas obras. O romance “Isade maa” (1935) aborda o tema da guerra da independência estoniana 1918/20. No seu romance “Üle rahutu vee”, publicado em 1951, trata da tragédia e da dor que sentiu quando abandonou a sua terra natal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

4 DE NOVEMBRO - CÉSAR ÉVORA

EFEMÉRIDE César Évora Díaz, premiado actor cubano, nasceu em Havana no dia 4 de Novembro de 1959. Vive no México desde os anos 1990. Apesar de ter trabalhado no cinema, no teatro e na televisão, ele é sobretudo conhecido pelos seus papéis em telenovelas, tanto em Cuba como no México.
Durante a instrução primária, ele já era escolhido para dizer poemas, tendo uma voz muito peculiar. Cresceu ao lado da mãe e de um avô. O pai estava sempre a viajar e, durante 20 anos, só lhe enviava uma carta de seis em seis meses.
Aos 18 anos, já tinha o sonho de se tornar actor. Estudou no entanto Geofísica, para participar na busca de petróleo e de minerais. Um dia, decidiu fazer um casting na televisão, sendo seleccionado entre 500 candidatos. Entrou em várias novelas, logo se tornando muito popular.
Apesar de ter o físico de galã clássico e de se ter formado no Instituto Superior de Arte de Havana, especializando-se em actuação, Évora aspirou durante algum tempo ser realizador de cinema. Frequentou por isso um curso de assistente de direcção e seguiu os primeiros dois anos da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños. No entanto, a sua personalidade e capacidade de actuar foram mais fortes e ele quedou-se pela representação, pelo menos até agora.
Depois de se separar da sua primeira esposa, Inés Mortel, conheceu a sua actual companheira Vivian, com quem teve uma filha. César tem dois filhos do primeiro casamento, que vivem em Cuba, e a filha que vive consigo no México. César Évora adquiriu a cidadania mexicana em 1999.
Até agora, já protagonizou cerca de 30 telenovelas, dez filmes, três peças de teatro e a série televisiva "Día y Noche” (1993/Cuba). É carinhosamente chamado Papasito Évora.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

3 DE NOVEMBRO - FRANCISCO AYALA

EFEMÉRIDE Francisco Ayala García-Duarte, escritor da “Geração de 27”, jurista, professor de literatura e sociólogo espanhol, morreu em Madrid no dia 3 de Novembro de 2009. Nascera em Granada, em 16 de Março de 1906.
Aos dezasseis anos, mudou-se para Madrid, onde estudou Direito, Filosofia e Letras. Nesta época, publicou as suas duas primeiras novelas, “Tragicomedia de un hombre sin espíritu” (1925) e “Historia de un amanecer” (1926).
Colaborou habitualmente na “Revista de Occidente” e na “Gaceta Literária”. Estudou também em Berlim, entre 1929 e 1931. Doutorou-se em Direito na Universidade Complutense de Madrid, vindo a ser professor na mesma universidade.
Foi letrado das Cortes desde a proclamação da República. No começo da Guerra Civil, estava a dar conferências na América do Sul e, durante a mesma, foi funcionário do Ministério de Estado.
Depois da tomada do poder por Franco, exilou-se em Buenos Aires, onde passou dez anos a trabalhar e a colaborar na revista “Sur” e no diário “La Nación”. Nesse tempo, foi também co-fundador da revista “Realidad”.
Posteriormente, ainda na década de 1950, residiu em Porto Rico, país no qual deu cursos na Faculdade de Direito da Universidade de Porto Rico. Viajou depois para os Estados Unidos da América, onde deu aulas de Literatura Espanhola nas Universidades de Princeton, Rutgers, Nova Iorque e Chicago, embora mantendo estreitas ligações intelectuais e culturais com Porto Rico, onde igualmente viveram longos exílios Pau Casals e Juan Ramón Jiménez, entre outros.
Em 1960, regressou pela primeira vez a Espanha e, pouco a pouco, reintegrou-se na vida literária espanhola. Em 1976, instalou-se definitivamente em Madrid, continuando o seu labor de escritor, conferencista e colaborador da imprensa.
Tem também grande importância a sua obra ensaística, que abrange temas políticos e sociais, reflexões sobre o presente e o passado de Espanha, o cinema e a literatura. Escreveu umas interessantes memórias: “Recuerdos y olvidos” (1982, 1983, 1988 e 2006). Faleceu com 103 anos de idade.
Em 1983, foi eleito membro da Real Academia Espanhola. Até muito avançada idade continuou a escrever com plena lucidez. Em 1988, obteve o Prémio Nacional das Letras Espanholas e, em 1990, foi nomeado Filho Predilecto da Andaluzia. Em 1991, foi galardoado com o Prémio Miguel de Cervantes e, em 1998, com o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

2 DE NOVEMBRO - JORGE DE SENA

EFEMÉRIDEJorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena, poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, nasceu em Lisboa no dia 2 de Novembro de 1919. Morreu em Santa Barbara, na Califórnia, em 4 de Junho de 1978. Segundo relatou no seu conto “Homenagem ao Papagaio Verde”, teve uma infância recolhida, solitária e infeliz, o que fez com se tornasse introspectivo, observador e imaginativo.
Fez a instrução primária e os primeiros anos do liceu no Colégio Vasco da Gama. Concluiu os estudos secundários no Liceu Camões. Era um jovem que lia avidamente, tocava piano e escrevia poemas. Na Faculdade de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios com as notas mais elevadas. Nutria a ideia algo romântica de se tornar oficial da marinha, seguindo as pisadas do pai. Em 1936, aos 17 anos, entrou para a Escola Naval. Em Outubro de 1937, iniciou a sua viagem de instrução a bordo do navio escola “Sagres”. Visitou os portos de S. Vicente, Santos, Lobito, Luanda, S. Tomé e Dakar, chegando a Lisboa no final de Fevereiro de 1938.
O contacto com a imensidão do oceano, a azáfama da vida a bordo e o movimento e mudança constantes agradaram ao jovem Jorge Sena, mas nem tudo correu bem. Segundo o relato de um camarada de curso, naquele ano a viagem de instrução foi excepcional e particularmente dura e exigente em termos de preparação e destreza física, copiando o modelo da marinha alemã. Na parte teórica do curso ele era brilhante, mas em termos atléticos era medíocre e, apesar dos muitos esforços que fez, não conseguiu satisfazer as elevadas expectativas do comandante do curso, que parecia nutrir um ódio de estimação pelo cadete contemplativo e intelectual. No final da viagem, foi-lhe comunicado que iria ser proposta a sua exclusão da Marinha por lhe faltarem as “necessárias qualidades” para oficial. Sena ficou profundamente frustrado e desgostoso com esta rejeição e afastou-se definitivamente de um modo de vida que tanto almejara.
Apesar da sua inclinação natural para a literatura, decidiu frequentar o curso de Engenharia Civil, iniciando-o em Lisboa e concluindo-o no Porto, em 1944. O curso pouco o entusiasmou, mas durante todo esse tempo escreveu bastantes poemas, artigos, ensaios e cartas. Desde os 16 anos que escrevia e, em 1940, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros poemas na revista “Cadernos de Poesia”, dirigida por Ruy Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim. Em 1942, publicou o seu primeiro livro de poemas, “Perseguição”, que não impressionou muito o seu amigo e crítico João Gaspar Simões. O escritor Adolfo Casais Monteiro considerou-o «um livro revelador mas difícil».
Em 1947, iniciou a sua carreira de engenheiro, trabalhando na Câmara Municipal de Lisboa, na Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas (JAE), onde permaneceu até ao seu exílio para o Brasil em 1959.
Em 1940, no Porto, Jorge de Sena conheceu e tornou-se amigo de Maria Mécia de Freitas Lopes (irmã do crítico e historiador literário Óscar Lopes), começando a namorar em 1944 e casando-se em 1949. Mécia, sua incansável companheira e enérgica colaboradora, apoiou-o sempre nas inúmeras crises que lhe surgiram ao longo de uma vida por vezes atribulada.
Além do seu absorvente trabalho diurno na JAE (que lhe possibilitou viajar e conhecer o Portugal profundo), também se dedicou à direcção literária em editoras, à tradução e à revisão de textos – ocupações que lhe roubavam precioso tempo para a investigação literária e a para a sua obra.
A banalidade e a pequenez do quotidiano no Portugal de Salazar das décadas de 1940/50 atormentavam-no, bem assim como a mediocridade, a mesquinhez e a intriga dos meios literários, a opressão política e a censura. Durante esses anos, apesar de tudo, publicou várias obras e colaborou na revista “Mundo Literário” (1946/48) com contos e poemas e, também, como crítico na rubrica Cinema.
A sua situação como escritor e cidadão estava, porém, a tornar-se insustentável. Como escritor, não tinha tempo livre para escrever, apenas o podia fazer de modo insuficiente e limitado à noite e aos domingos. Também o facto de não pertencer a nenhum círculo académico e a falta de apoio institucional lhe frustrava qualquer pretensão de poder vir a editar alguma obra mais ambiciosa. Por outro lado, a sua participação numa tentativa revolucionária abortada em Março de 1959, colocou-o em posição de prisão iminente, no caso muito provável de algum dos conspiradores presos pela PIDE denunciar (sob tortura) os que ainda se encontravam em liberdade.
Em Agosto de 1959, viajou até ao Brasil, convidado pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro, para participar no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Tendo sido convidado como catedrático contratado de Teoria da Literatura, em Assis, no Estado de S. Paulo, aproveitou essa oportunidade e aceitou o lugar, iniciando assim o seu longo exílio. Por motivos profissionais, teve de adoptar então a cidadania brasileira.
Em 1961, Jorge de Sena foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em 1964, depois de vencer alguns preconceitos académicos pelo facto de ser licenciado em Engenharia, Jorge de Sena defendeu a sua tese de doutoramento em Letras, tendo obtido o título académico “com distinção e louvor”.
O período de seis anos que passou no Brasil foi muito produtivo. Finalmente, tinha toda a disponibilidade para se dedicar à sua obra, com a devida profundidade e profissionalismo. Grande parte do romance “Sinais de Fogo” e a totalidade dos contos “Novas Andanças do Demónio” foram escritos neste período.
A degradação da situação política no Brasil, com a instauração de uma ditadura militar a partir de Março de 1964, fez com que Jorge de Sena, mais do que nunca avesso a prepotências, aceitasse um convite para ensinar Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Wisconsin. Partiu para os Estados Unidos em Outubro de 1965. Em 1967, foi nomeado catedrático do Departamento de Espanhol e Português da referida universidade.
De 1970 a 1978, foi catedrático efectivo de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Apesar da satisfação de ensinar e da amizade que os alunos lhe dedicavam, Sena não foi feliz. Queixava-se da «medonha solidão intelectual da América», onde não havia «convívio intelectual algum».
Quando se deu o 25 de Abril (1974), Jorge de Sena ficou entusiasmado e queria regressar definitivamente a Portugal, ansioso de dar a sua colaboração para a construção da democracia. Visitou Portugal, mas nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor para qualquer cargo que fosse, facto que muito o desiludiu e amargurou. Decidiu continuar a viver nos Estados Unidos, onde tinha a sua carreira estabelecida.
Morreu aos 58 anos, vítima de cancro. Em Setembro de 2009, os seus restos mortais foram trasladados de Santa Barbara para o Talhão dos Artistas no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, depois duma cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela, com a presença de familiares, amigos e entidades oficiais.
Foi um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX, com vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de importante epistolografia com figuras tutelares da literatura portuguesa e brasileira. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico “Sinais de Fogo”, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Grande parte da sua obra foi publicada postumamente por iniciativa de Mécia de Sena.
Foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu, postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago. Em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara.

domingo, 1 de novembro de 2015

ROY ORBISON - "Oh, Pretty Woman"


1 DE NOVEMBRO - THEODOR MOMMSEN

EFEMÉRIDE – Christian Matthias Theodor Mommsen, historiador alemão de origem dinamarquesa, agraciado com o Nobel da Literatura de 1902 pela sua monumental “História de Roma”, morreu em Charlottenburg no dia 1 de Novembro de 1903. Nascera em Garding, em 30 de Novembro de 1817.
É considerado um dos maiores especialistas de todos os tempos em história de Roma Antiga e muitos dos seus escritos e compilações de documentos ainda hoje conservam uma importância capital.
Após os estudos básicos e clássicos em Altona (1831/38), estudou Jurisprudência na Universidade de Kiel (1838/43). Fez depois um amplo estudo da Lei Romana, o que influenciou as suas futuras pesquisas.
Mommsen inspirou-se na sua ideia de haver uma inter-relação muito próxima entre a História, o Direito e a Filosofia. Muitos dos seus ensinamentos foram basilares para os escritos de Friedrich Karl von Savigny, um dos fundadores da escola histórica da jurisprudência.
Após ter feito o mestrado e o doutoramento, obteve uma bolsa que lhe permitiu estar três anos (1844/47) em França e Itália. Durante este período, a Itália tornou-se a sua segunda casa. Um dos seus quartéis-generais foi o Instituto Arqueológico Romano, no qual recolhia dados para as suas pesquisas. Concebeu também o seu plano para o “Corpus Inscriptionum Latinarum”, uma colecção de inscrições em latim.
Dedicou-se depois à política, defendendo os seus ideais na imprensa local. Ensinou Direito em Leipzig (1848). Destituído por causa das suas ideias liberais, foi depois professor em Zurique (1852), Breslau (1854) e Berlim (1858). Foi deputado entre 1873 e 1882, ano em que foi condenado a prisão durante alguns meses por oposição a Bismarck.
Este pesquisador fora do comum, capaz de dominar múltiplas matérias, fundou uma escola histórica destinada aos seus trabalhos e ao seu ensino. Foi recebido por Napoleão III nas Tulherias (Paris) e reconhecido como uma sumidade em História Antiga, não só pelo imperador como pelos sábios que o rodeavam. 
Foi secretário perpétuo da Academia das Ciências da Prússia desde 1878. Consagrou o resto da vida ao aprofundamento das suas obras e ao ensino. Teve 16 filhos com a sua esposa Marie. Dois dos seus netos (Hans e Wolfgan) são também conhecidos historiadores. 

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