quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

9 DE DEZEMBRO - ELEANOR PARKER

EFEMÉRIDEEleanor Jean Parker, actriz norte-americana, n0meada três vezes para o Oscar de Melhor Actriz, morreu em Palm Springs no dia 9 de Dezembro de 2013. Nascera em Cedarville, em 26 de Junho de 1922.
Mulher muito bela, Eleanor ficou marcada pelas personagens determinadas que interpretou ao longo da sua carreira, tendo-se tornado, também, uma actriz de grande versatilidade, o que a fez ficar conhecida pela «mulher de mil faces», que foi mais tarde o título da sua biografia escrita por Doug McClelland.
Foi uma das actrizes mais populares nos seus anos áureos e mesmo depois, quando a sua carreira já entrava num certo declínio, em que integrou ainda o elenco de “The Sound of Music” (1965), um mega sucesso internacional estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer, em que Parker interpretou o papel da elegante Baronesa Elsa von Schraeder.
Começou a sua vida artística actuando no Pasadena Playhouse, um pequeno teatro de Pasadena. Recusou entretanto duas proposições de contratos da Fox e da Warner para não interromper os estudos.
Contratada finalmente pela Warner Bros, estreou-se aos 19 anos em “They Died with Their Boots On” (1941), um filme com Errol Flynn e Olivia de Havilland. Teve depois pequenos papéis no estúdio até ver reconhecida a sua capacidade de interpretação dramática e ser convidada para o remake de “Of Human Bondage” (1946), mas o filme foi um fracasso e ela voltou a papéis menores.
Foi com “Caged” (1950), no papel de uma presidiária, que Eleanor Parker ingressou definitivamente no mundo das grandes estrelas de Hollywood, sendo nomeada para o Oscar de Melhor Actriz e recebendo a Coppa Volpi no Festival de Veneza. Seguiram-se mais duas indicações para os Oscars, com “Detective Story” (1951), com Kirk Douglas, e “Interrupted Melody” (1955).
Na segunda metade dos anos 1950, Parker era uma actriz consagrada. Na década de 1960, porém, a sua carreira cinematográfica começou a ser irregular. Apesar de continuar a representar até 1991, especialmente filmes e séries para televisão, o seu único grande sucesso no cinema foi a película já referida, “The Sound of Music”, um grandioso musical da Fox (1965).
Protagonizou ao todo 45 películas (1941/1979) e 15 trabalhos para televisão (1960/1991).
Tendo sido criada segundo as regras do protestantismo, Eleanor converteu-se ao judaísmo já na vida adulta. Foi casada quatro vezes, tendo tido quatro filhos. Viúva desde 2001, viveu retirada em Palm Springs, falecendo aos 91 anos de idade, vítima de complicações derivadas de uma pneumonia. Tem uma estrela na Calçada da Fama no Hollywood Boulevard.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

JOSÉ MÁRIO BRANCO - "Eu vim de Longe"


ARY DOS SANTOS - "Estrela da Tarde"


8 DE DEZEMBRO - MAXIMILIAN SCHELL

EFEMÉRIDEMaximilian Schell, actor, realizador e produtor de cinema austríaco, naturalizado suíço, vencedor de um Oscar de Melhor Actor, nasceu em Viena no dia 8 de Dezembro de 1930. Morreu em Innsbruck, em 1 de Fevereiro de 2014.
Filho de um dramaturgo e de uma actriz, tanto ele como os irmãos seguiram a vida artística. Estudou Arte Dramática em Zurique e estreou-se no cinema em 1955, com pequenos papéis em dois filmes alemães.
Descoberto pelo realizador Laszlo Benedek, fez vários filmes no cinema germânico até se estrear em Hollywood em 1958 (“O Baile dos Malditos”, ao lado de Marlon Brando). Em 1961, veio o reconhecimento da crítica internacional quando fez o papel de Hans Rolfe, o advogado de defesa dos oficiais nazis, em “O Julgamento de Nuremberga” que lhe valeu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Actor. Protagonizou depois grandes produções, como “Topkapi” (1964).
Em 1970, estreou-se na realização com o filme “O Primeiro Amor”. Em 1984, ganhou vários prémios como realizador pelo documentário “Marlene”, que contava a vida e a carreira da actriz Marlene Dietrich.
Maximilian era padrinho da actriz Angelina Jolie. De 1986 a 2005, foi casado com a actriz russa Natalia Andreïtchenko, com quem teve a filha Natassja. A partir de 2008, viveu com a cantora germano-croata Iva Mihanovic, 47 anos mais nova do que ele e com quem casou em 2013. Trabalharam em projectos comuns, nomeadamente na opereta “A Estalagem do Cavalo Branco” (Munique, 2012).
Foi nomeado mais duas vezes para os Oscars de Melhor Actor (1976 e 1978). Morreu numa clínica de Innsbruck em consequência de uma «doença súbita e grave», segundo informação da sua agente Patricia Baumbauer.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

SERGE RÉGIANI - "Les Loups"


7 DE DEZEMBRO - ÉDOUARD MOLINARO

EFEMÉRIDEÉdouard Molinaro, realizador e cenarista francês, morreu em Paris no dia 7 de Dezembro de 2013. Nascera em Bordéus, em 13 de Maio de 1928. Alternando desde bastante cedo cinema e televisão, ele ficou as dever os seus maiores sucessos à realização de comédias. A sua carreira foi marcada por numerosas adaptações teatrais, entre as quais duas escritas por Pierre Richard (“L'Emmerdeur” e “La Cage aux folles”). Esta última teve um enorme êxito, sobretudo em França e nos Estados Unidos.
Na sua juventude, participou em diversos concursos de curtas-metragens, tendo entrado verdadeiramente no mundo do cinema como assistente de realização. Rodou igualmente filmes industriais e curtas-metragens de ficção.
Uma das primeiras longas-metragens de Molinaro foi “Le Dos au Mur”. Depois de ter realizado vários filmes policiais, entre os quais “Un témoin dans la ville” com Lino Ventura, teve os maiores êxitos nos anos 1960 com diversas comédias, onde se salienta “Oscar et Hibernatus” com Louis de Funès. Em 1969, realizou “Mon oncle Benjamin ” com Jacques Brel, que seria de novo vedeta na película “L'Emmerdeur” (1973).
Nos anos 1980/90 continuaram os sucessos, nomeadamente com “Pour cent briques, t'as plus rien... ” e  “Beaumarchais, l'insolent”.
Édouard Molinaro adaptou várias obras literárias à televisão. De salientar, um telefilme interpretado por Michel Piccoli e baseado no romamce “A Piedade perigosa” de Stefan Zweig (1979) e “Nana” do romancista Émile Zola (2001).
Contemporâneo da Nova Vaga, não se associou a este movimento cinematográfico, tendo realizado sobretudo filmes populares.
Em 1980, foi nomeado para os Oscars de Melhor Realizador e Melhor Cenário Adaptado. Em 1996, recebeu o Prémio René-Clair que o recompensou pelo conjunto da sua obra. Morreu aos 85 anos de insuficiência pulmonar. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

6 DE DEZEMBRO - INÁCIO DA COSTA QUINTELA

EFEMÉRIDEInácio da Costa Quintela, oficial da marinha, tradutor e escritor português, morreu em Lisboa no dia 6 de Dezembro de 1838. Nascera na mesma cidade em 1763.
Entrou na Academia de Marinha, onde terminou o respectivo curso em 1791. Ingressou então na Marinha e subiu rapidamente de posto até que, seis anos depois, já comandava uma fragata no Mediterrâneo, sob as ordens do marquês de Nisa.
Distinguiu-se numa batalha contra um barco francês, em 15 de Maio de 1801, onde demonstrou tal coragem que lhe valeu a admiração e simpatia dos seus contemporâneos. Apenas se rendeu quando já não podia de forma alguma ripostar, como estava consignado nas leis da marinha. À partida, sabia-se que não havia qualquer hipótese contra o inimigo, que tinha um arsenal bastante superior e lhe poderia ter causado a morte.
Comandou a nau “Afonso” na esquadra que levou a família real para o Brasil, em Novembro de 1807.
Tornou-se vice-almirante, vinte anos depois de ter entrado para a marinha, servindo às ordens do infante D. Carlos. Já major general, em 24 de Fevereiro de 1821, foi designado ministro do Reino (correspondente a primeiro-ministro).
Com o regresso de D. João VI a Portugal, tornou-se ministro da Marinha até à “Vilafrancada”.
Após o juramento da Carta Constitucional, em 31 de Julho de 1826, foi nomeado novamente ministro da Marinha. Em Dezembro do mesmo ano, por não se sentir identificado com o novo governo, deixou definitivamente os cargos públicos.
No final da sua vida, dedicou-se a escrever os “Anais da Marinha Portuguesa”, (obra publicada postumamente pela Academia Real de Ciências em 1830 e 1840, ainda que incompleta). Foi também poeta, tendo convivido com alguns dos mais conhecidos autores da época. Terá feito uma tradução em verso da “Eneida” de Virgílio e, supostamente, algumas versões de odes de Horácio, publicadas nos “Anais da Ciência das Artes e das Letras”.

NB – Apesar de exaustivas pesquisas, não foi encontrada qualquer gravura/pintura retratando Inácio da Costa Quintela.

sábado, 5 de dezembro de 2015

GEORGES BRASSENS - "La ballade des gens..."´


5 DE DEZEMBRO - CHRISTINA ROSSETTI

EFEMÉRIDEChristina Georgina Rossetti, poetisa inglesa de origem italiana, nasceu em Londres no dia 5 de Dezembro de 1830. Morreu na mesma cidade em 29 de Dezembro de 1894. Foi educada em casa pela mãe e recusou dois casamentos por razões religiosas.
O pai, Gabriele Rossetti, era um poeta italiano e refugiado político do Reino das Duas Sicílias. A mãe, Frances Polidori, era irmã de John William Polidori, amigo e médico do poeta Byron. Um dos seus avôs, Gaetano Polidori, era proprietário de “private press“ e publicou-lhe os primeiros poemas.
A recolha de poesias que obteve maior sucesso quando da sua publicação (1862) continua a ser a mais conhecida na actualidade (“Goblin Market”). São ali evocadas personagens fantásticas da mitologia feérica anglo-saxónica, que simbolizam – nos seus poemas – a tentação do Mal.
Christina Rossetti ficou igualmente conhecida pelas suas posições engajadas e vanguardistas, como: o pacifismo, a oposição à crueldade para com os animais e a defesa do direito de voto das mulheres. 
Morreu vítima de cancro. É considerada uma grande poetisa da época vitoriana, sobretudo depois de vários artigos que lhe consagrou a romancista e ensaísta britânica Virginia Woolf.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

JEFF BRIDGES - "Fallin' and Flyin'"


4 DE DEZEMBRO - JEFF BRIDGES

EFEMÉRIDEJeff Bridges, de seu verdadeiro nome Jeffrey Leon Bridges, actor, cantor e produtor de cinema norte-americano, nasceu em Los Angeles no dia 4 de Dezembro de 1949. Possui uma estrela na Calçada da Fama no Hollywood Boulevard.
Na juventude, pertenceu à Guarda Costeira dos Estados Unidos. Iniciou-se no cinema em 1969, interpretando o papel de um polícia no filme “Silent Night, Lonely Night”. Seguiu-se, em 1971, “The Last Picture Show”.
Nas décadas de 1970/80, foi protagonista de aventuras como “King Kong” (remake), “Tron” e “Starman”. Este último trabalho proporcionou-lhe uma nomeação para o Oscar de Melhor Actor em 1984. Ainda nos anos 1980, passou a actuar em filmes mais ambiciosos como “Jagged Edge”, “The Morning After” com Jane Fonda e “The Man and His Dream” de Francis Ford Coppola. Mais tarde, obteve outro sucesso com “The Fabulous Baker Boys” ao lado de Michelle Pfeiffer.
O seu papel de Jeffrey Lebowski em “The Big Lebowski” (1998) está na 55ª posição da revista “Premiere Magazine”, como uma das 100 Melhores Caracterizações do Cinema de Todos os Tempos. Foi indicado três vezes para o Oscar de Melhor Actor Secundário (1971, 1974 e 2000). Apesar de todas as nomeações para os Oscars, somente em 2010 conseguiu alcançar o almejado troféu, com o filme “Crazy Heart”. Em 2011, recebeu a sua terceira indicação para o Oscar de Melhor Actor pelo desempenho em “True Grit”.
Jeff Bridges é casado – desde 1977 – com Susan Geston, que conheceu no local das filmagens de um dos seus filmes. Têm três filhas. Apaixonado pela música, já publicou dois álbuns de música country (2000 e 2011). É militante de uma Associação humanitária de ajuda a crianças com fome.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

3 DE DEZEMBRO - MARIA OUSPENSKAYA

EFEMÉRIDEMaria Ouspenskaya, actriz russa, morreu em Los Angeles no dia 3 de Dezembro de 1949. Nascera em Tula, em 29 de Julho de 1876. Alcançou sucesso desde a sua juventude como actriz de teatro na Rússia e, mais tarde, como actriz de cinema em Hollywood.
Estudou canto em Varsóvia, na Polónia, e interpretação em Moscovo, onde começou também a representar no teatro. Foi dirigida por Constantin Stanislavski e, para o resto da sua vida, defendeu e ensinou o sistema de Stanislavski, que os Estados Unidos chamavam de «O Método». O Teatro de Arte de Moscovo fez uma tournée pela Europa e, quando chegou a Nova Iorque em 1922, Maria decidiu ficar nos Estados Unidos.
Trabalhou com regularidade na Broadway durante o resto da década de 1920, ensinando também no American Laboratory Theatre. Em 1929, fundou a Escola de Artes Dramáticas em Nova Iorque. Uma das alunas de Ouspenskaya foi Anne Baxter, então uma adolescente desconhecida.
Apesar de já ter actuado em alguns filmes mudos russos alguns anos atrás, Ouspenskaya ficou em Nova Iorque até que os problemas financeiros da sua escola a obrigaram a procurar outros proventos. Rumou então para Hollywood. Ainda nos anos 1930, segundo o magazine “Popular Song”, abriu a Maria Ouspenskaya School of Dance
O seu primeiro papel no cinema norte-americano foi em “Dodsworth” (1936), que lhe valeu uma nomeação para os Oscars. Foi nomeada uma segunda vez em 1939, pelo seu papel em “Love Affair”. Maria interpretou uma velha cigana cartomante no filme de terror “Frankenstein Meets the Wolf Man” (1943). Entre outros sucessos, citam-se ainda “The Rains Came” (1939), “Waterloo Bridge” (1940), “The Mortal Storm” (1940), e “Kings Row” (1942).
Maria Ouspenskaya morreu de um derrame cerebral, dias depois de sofrer graves queimaduras durante um incêndio ocorrido quando adormeceu a fumar. Foi enterrada no Forest Lawn Memorial Park (Glendale).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

2 DE DEZEMBRO - D. ISABEL, RAINHA DE PORTUGAL

EFEMÉRIDED. Isabel, rainha de Portugal, também conhecida por D. Isabel de Portugal, D. Isabel de Lancastre, D. Isabel de Avis ou D. Isabel de Coimbra, morreu em Évora no dia 2 de Dezembro de 1455. Nascera em Coimbra, em 1 de Março de 1432.
Filha do infante regente D. Pedro, duque de Coimbra, e de sua mulher a princesa D. Isabel de Aragão, condessa de Urgel, casou em 6 de Maio de 1447 com o seu primo direito D. Afonso V.
D. Isabel vivera desde a infância um belo caso de amor com o rei e primo (junto do qual foi educada na corte de seu pai, o regente), que lhe retribuía com fervor essa afeição. Sofreu cruel desgosto com a intriga urdida pelo 1º duque de Bragança contra o seu progenitor, que veio a culminar na Batalha de Alfarrobeira, não tendo este incidente no entanto diminuído o amor e confiança entre o rei e a rainha.
D. Isabel de Lancastre morreu nova, como quase todos os infantes seus irmãos (a maior parte deles tendo sido assassinados ou envenenados (como se suspeita tê-lo sido ela própria). Foi mãe do infante D. João (que morreu em criança), de D. João II e de Santa Joana Princesa, ou princesa Santa Joana de Portugal.
A sua irmã mais nova, D. Filipa de Lancastre, infanta de Portugal, que vivia recolhida no Mosteiro de Odivelas, embora sem professar, serviu de mãe para os filhos da rainha. O seu irmão, D. Pedro, escreveu uma obra intitulada “Tragedia de la insignae Reyna Doña Isabel”, cujo enredo reflecte a vida de D. Isabel.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

CHICO BUARQUE - "Bom Conselho" (1973)


1 DE DEZEMBRO - ALBERTO SAMPAIO

EFEMÉRIDEAlberto da Cunha Sampaio, historiador português, morreu em Vila Nova de Famalicão no dia 1 de Dezembro de 1908. Nascera em Guimarães, em 15 de Novembro de 1841. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, é especialmente conhecido pelos seus trabalhos no domínio da história económica Entre as suas principais obras, contam-se as consagradas às póvoas marítimas medievais e às vilas do Norte de Portugal. Integrou-se no movimento designado por Portugália.
Passou a infância entre Guimarães e Famalicão, onde a família possuía a Quinta de Boamense. Aprendeu as primeiras letras em Landim e completou os estudos em Braga, o que lhe permitiu partir para Coimbra aos 15 anos de idade. Em 1863, licenciou-se em Direito. Enquanto esteve em Coimbra, participou activamente na vida académica, colaborando em jornais e convivendo com alguns dos jovens mais notáveis da sua geração, como Antero de Quental com quem fez uma viagem aos Estados Unidos. Envolveu-se activamente num movimento que deixou marcas profundas no imaginário académico coimbrão, a Sociedade do Raio, que se bateu pela renovação da Universidade.
De Coimbra, mudou-se para Lisboa, onde ensaiou o exercício da advocacia, mas por pouco tempo. Não tardou muito para estar de volta à sua terra natal onde, apesar da sua personalidade avessa à exposição pública, manteve uma intervenção cívica constante.
Em 1869, integrou a filial de Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa. Em 1873, fez parte do núcleo dos fundadores da Companhia dos Banhos de Vizela, subscrevendo – no ano seguinte – o contrato para o aproveitamento das nascentes das águas medicinais de Vizela e para a construção de um estabelecimento de banhos. Entre 1874 e 1876, esteve ligado ao Banco de Guimarães, onde exerceu funções de guarda-livros. Em Março de 1881, integrou a comissão incumbida pelas Câmara de Guimarães de avaliar as vantagens da introdução no concelho de vides americanas resistentes à filoxera, como forma de prevenção daquela praga das vinhas. A agricultura e a vitivinicultura em particular incluíam-se entre as suas paixões, sendo famosos os vinhos que produzia na Quinta de Boamense. Em 1883, integrou o grupo de três vimaranenses a quem a Câmara encarregou de seleccionar os produtos que seriam levados à Exposição Agrícola de Lisboa, que se realizou em Maio desse ano.
Por essa época, já tinha ajudado a fundar a Sociedade Martins Sarmento, à qual o seu nome ficaria ligado para sempre. Foi proclamado sócio honorário desta Instituição em 1891.
Alberto Sampaio foi o grande impulsionador da grande Exposição Industrial de Guimarães de 1884, promovida pela Sociedade Martins Sarmento. Enquanto decorria aquele certame, teve a sua primeira experiência de participação política activa, ao apresentar-se como candidato a deputado pelo círculo de Guimarães. Receberia pouco mais de 3% dos votos, naquela que foi a primeira eleição de João Franco como deputado por aquele círculo. Não repetiu a experiência, apesar de – em 1887 – ter colaborado com Oliveira Martins no Projecto de Lei de Fomento Rural. O único cargo público que desempenhou ao longo da sua vida foi o de procurador à Junta Geral do Distrito de Braga, em representação de Guimarães. «Céptico, excêntrico, cada vez mais separado do mundo, nada tenho que fazer em Lisboa, como representante de quaisquer eleitores» escreveu ele numa carta a um amigo em 1892. Os amigos descreviam-no «como alguém que quase pedia desculpa do seu saber e do seu valor às pessoas com quem convivia».
Entretanto, afirmou-se progressivamente como pioneiro da história económica e social, dando início aos estudos de história agrária em Portugal, com a publicação na “Revista de Guimarães”, em 1885, do primeiro artigo “A propriedade e a cultura do Minho”, a que daria continuidade com a sua obra mais conhecida, “As vilas do Norte de Portugal”. Com os textos sobre o “Norte marítimo” e “As póvoas marítimas”, Alberto Sampaio deu também um forte impulso inicial aos estudos sobre a problemática do desenvolvimento marítimo.
No princípio de 1900, mudou-se definitivamente para Boamense, onde se dedicou à agricultura e, de modo cada vez mais intermitente, aos estudos históricos.
Após a sua morte, Alberto Sampaio não caiu no esquecimento. Um dos primeiros actos da República foi atribuir o seu nome a uma das avenidas mais emblemáticas d e Guimarães. Em 1928, foi criado o Museu de Alberto Sampaio. Em 1956, inaugurou-se o monumento a Alberto Sampaio, no largo dos Laranjais, em Guimarães. Em 1972, foi criada a Escola Comercial Alberto Sampaio (hoje Escola Secundária Alberto Sampaio), em Braga.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...