terça-feira, 10 de maio de 2016

10 DE MAIO - ROUGET DE LISLE

EFEMÉRIDE – Claude Joseph Rouget de Lisle, oficial do exército, poeta e dramaturgo francês, nasceu em Lons-le-Saunier no dia 10 de Maio de 1760. Morreu em Choisy-le-Roi, em 26 de Junho de 1836.
Colocado em Estrasburgo em Maio de 1791, no começo da Revolução Francesa, travou conhecimento com Philippe-Frédéric de Dietrich, presidente da Câmara. A seu pedido, compôs vários cantos patrióticos.
Rouget de Lisle é o autor da letra e da música do “Chant de guerre pour l'armée du Rhin”, composto em Estrasburgo na noite de 25 de para 26 de Abril de 1792 e que se tornou o hino nacional francês, sob o nome de “Marseillaise” (1879). Foi cantado pela primeira vez em público pelo próprio presidente da Câmara.
Rouget de Lisle deixou Estrasburgo em Junho de 1792, para comandar a fortaleza de Huningue. Foi destituído das suas funções e detido por ter protestado contra o internamento de Luís XVI, no seguimento da tomada das Tulherias. O sucesso da sua composição salvou-o da guilhotina.
Em 1795, foi colocado em Brest, acabando por pedir a sua demissão do exército. Passou a viver com dificuldades em Lons-le-Saunier, sua terra natal. Dirigiu mais tarde uma empresa de fornecimento de víveres para o exército.
Mostrou-se hostil à instauração do Primeiro Império em 1804, chegando a escrever uma carta a Bonaparte.
Em 1825, publicou “Cantos Franceses”. Continuava a viver de modo precário e viu-se obrigado a vender a herança que o pai lhe deixara. Chegou a ser preso por dívidas não pagas (1826). Foi-lhe atribuída finalmente uma pensão vitalícia, mas morreu pouco tempo depois.
Antes da sua morte, foi imortalizado em bronze pelo escultor francês Pierre Jean David. As suas cinzas encontram-se depositadas nos Invalides desde o dia 14 de Julho de 1915.
A “Marselhesa” foi traduzida praticamente em todas as línguas do mundo e foi utilizada também como canto revolucionário e de resistência, nomeadamente nos campos de concentração nazis. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

MIREILLE MATHIEU - "La Marseillaise"


RAQUEL TAVARES - "Meu Amor de Longe"


9 DE MAIO - ALDO MORO

EFEMÉRIDE – Aldo Luigi Romero Moro, jurista, professor e político italiano, morreu em Roma (ou arredores) no dia 9 de Maio de 1978. Nascera em Maglie, em 23 de Setembro de 1916.
Professor de Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade de Bari desde 1949, Aldo Moro filiou-se no ano seguinte na Federação Universitária dos Católicos Italianos, tornando-se depois seu presidente. Após a Segunda Guerra Mundial, foi eleito para a Assembleia Constituinte, participando assim na feitura da nova constituição. Em 1948, foi reeleito para a Câmara dos Deputados, onde ficou até à sua morte.
Ocupou vários cargos governamentais entre 1948 e 1976. Foi secretário da Democracia Cristã em 1960/63 e presidente deste partido de 1976 até ao seu falecimento. 
Jurista de renome, foi docente da Faculdade de Ciências *Políticas na Universidade de Roma, de 1960 a 1978.
Durante os anos 1970, Moro dedicou toda a sua atenção ao projecto de Enrico Berlinguer no sentido de ser encontrado um Compromisso Histórico. Aquele dirigente do Partido Comunista Italiano propunha uma aliança entre comunistas e democratas cristãos, numa época de grave crise económica, política e social em Itália. Moro foi um dos que mais lutaram pela formação de um “governo de solidariedade nacional”.
Ocupou por cinco vezes o cargo de primeiro-ministro, nos períodos 1963/68 e 1974/76), em governos de centro-esquerda, mas nunca conseguiu formar um governo de coligação correspondente ao Compromisso Histórico.
Sequestrado em 16 de Março de 1978 pelo grupo guerrilheiro Brigadas Vermelhas, foi assassinado depois de 55 dias de cativeiro. O corpo foi encontrado no próprio dia da sua morte, no porta-bagagem de uma viatura.
Moro, quando foi sequestrado, ia a caminho de uma sessão da Câmara de Deputados, em que seria discutido um voto de confiança no novo governo de Giulio Andreotti, que tinha o aval do PCI e que seria a primeira aplicação prática do Compromisso Histórico, perfilhado por Aldo Moro e Berlinguer.
As Brigadas Vermelhas tinham proposto poupar a vida de Aldo Moro, em troca da libertação de vários dos seus correligionários que se encontravam detidos. Há várias teorias acerca dos motivos da recusa do governo italiano em negociar a libertação de Aldo Moro e também sobre os verdadeiros interesses envolvidos no seu sequestro e morte. Segundo o historiador Sergio Flamigni, as Brigadas Vermelhas teriam sido manipuladas pelos serviços secretos americanos de modo a justificar a manutenção de uma estratégia de tensão e a manter o PCI afastado das esferas do poder. 

domingo, 8 de maio de 2016

8 DE MAIO - JOHN FANTE

EFEMÉRIDE – John Fante, romancista, ensaísta e guionista norte-americano, filho de imigrantes italianos, morreu em Woodland no dia 8 de Maio de 1983, Nascera em Denver, em 8 de Abril de 1909.
Foi educado em Boulder e esteve por três vezes, entre 1927 e 1929, na Universidade do Colorado, sem contudo concluir qualquer curso. Mudou-se para a Califórnia, quando tinha 20 anos, trabalhando numa fábrica de conservas de peixe. Gostava de ler e os seus autores preferidos eram Dostoïevski, Nietzsche, Jack London e Sinclair Lewis, entre outros.
Começou a escrever em 1929, tendo o seu primeiro conto sido publicado na revista “The American Mercury” em 1932. O seu primeiro romance foi publicado em 1938.
Fante é sobretudo conhecido pela sua obra “Pergunte ao Pó” (1939), um romance semi-autobiográfico que se desenrola na década de 1930 e conta a história do aspirante a escritor Arturo Bandini, um ítalo-americano amargo que cresce em plena recessão americana e tenta ganhar a vida como operário. Foi o terceiro livro de uma série de quatro romances, publicados entre 1938 e 1985, que agora são chamados colectivamente “O Quarteto Bandini”. O livro “Pergunte ao Pó” foi adaptado ao cinema em 2006.
Fante escreveu muitos livros, contos e guiões, incluindo o do filme de 1957 “Full of Life”, baseado no livro homónimo de 1952. Outros guiões notáveis, escritos em co-autoria, incluem as películas de 1962 “Walk on the Wild Side” e “The Reluctant Saint”, assim como um filme de 1968 feito para a televisão – “Something for a Lonely Man”.
Em 1955, foi-lhe diagnosticada a diabetes, doença que o deixaria cego em 1978. Ainda assim, ditou a sua esposa o seu último livro, “Sonhos de Bunker Hill”. Morreu aos 74 anos. Um dos sues quatro filhos, também escritor, Dan Fante, escreveu um romance sobre a morte do pai, intitulado “Chump Change”.
Figura de excessos e provocações, John Fante é hoje considerado um escritor de primeira ordem e um precursor da Geração Beat. Em 2000, foi publicada a sua biografia da autoria de Stephen Cooper.

sábado, 7 de maio de 2016

7 DE MAIO - ANGELA CARTER

EFEMÉRIDE – Angela Carter, de seu verdadeiro nome Angela Olive Stalker, jornalista e escritora inglesa, nasceu em Eastbourne no dia 7 de Maio de 1940. Morreu em Londres, em 16 de Fevereiro de 1992.
Para evitar os bombardeamentos alemães sobre a sua cidade natal, durante a Segunda Guerra Mundial, foi viver com a avó materna em Yorkshire. Durante a adolescência, sofreu de anorexia. O seu primeiro trabalho jornalístico foi publicado no “Croydon Advertiser”, seguindo as pisadas do pai que era também jornalista.
Licenciou-se em Literatura Inglesa na Universidade de Bristol. Autora de romances, poesias, contos infantis, livros de ficção científica, ensaios e crónicas de viagens, colaborou ainda nos guiões dos filmes “Na companhia dos lobos” (1984), inspirado na sua obra “O quarto do Barba Azul”, e “The magic toyshop”, adaptação da sua obra homónima (1987).
O seu interesse simultâneo pelo feminismo e pela literatura levou-a a reescrever, sob o ponto de vista feminino, textos de autores como o Marquês de Sade e Charles Baudelaire, entre outros. Na opinião de vários dos seus contemporâneos, Angela não era no entanto sectária, cultivando amizades nos mais variados sectores.
Angela Carter não se enquadrava nos convencionalismos culturais dos países de língua inglesa e procurou sempre descobrir outras culturas e idiomas. Era fluente em francês e alemão e morou durante dois anos em Tóquio. Esteve ainda noutros países asiáticos, nos Estados Unidos e em vários países europeus.
Em 1967, recebeu o Prémio John Llewellyn Rhys, com “The magic toyshop”; no ano seguinte, “Several perceptions” rendeu-lhe o Somerset Maugham Award; em 1979, “O quarto do Barba Azul” ganhou o Prémio Cheltenham Festival of Literature; e “Noites no circo” foi premiado com o James Tait Black Memorial em 1985.
Casou-se duas vezes, em 1969 e em 1977. Nos anos 1970 e 1980 foi escritora residente em várias universidades.
Colaborou regularmente nos periódicos “The Guardian”, “The Independent” e “New Statesman”. Adaptou para a rádio várias das suas novelas. Morreu aos 51 anos, vítima de cancro num pulmão.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

6 DE MAIO - JORGE PERESTRELO

EFEMÉRIDE – Jorge Perestrelo, jornalista desportivo português, morreu em Lisboa no dia 6 de Maio de 2005, vítima de crise cardíaca. Nascera no Lobito (Angola) em 1948.
Começou por trabalhar no Rádio Clube do Lobito, passando depois pelo Rádio Clube do Moxico e pela Rádio Comercial de Sá da Bandeira. Em 1975, com o início da Guerra Civil Angolana, foi para o Brasil. Até na rádio brasileira teve sucesso, mas – dois anos depois – decidiu vir para Portugal.
Prosseguiu a sua carreira na rádio, tendo sido locutor do Rádio Clube Português, da Rádio Comercial e da TSF.
Considerado um dos melhores relatores de sempre na história do futebol, Jorge Perestrelo começara desde muito cedo a revelar os seus dotes para relatar e comentar os jogos.
Colaborou também com o canal de televisão SIC, entre 2003 e 2005. O último golo relatado por Perestrelo foi o que deu a vitória ao Sporting CP frente ao AZ Alkmaar e que garantiu a passagem à final da Taça UEFA.
Invocava os “Deuses do futebol” e dizia frequentemente «É disto que o meu povo gosta». Criou um estilo diferente e emotivo, ao contar aos ouvintes o que se passava nos relvados.
Inconfundível, único, irreverente e genuíno foram as palavras que mais se ouviram da boca dos seus amigos e colegas na hora da despedida.
«Ripa na Rapaqueca», «O que é isso ó meu?» e «Eu com a minha barriguinha chegava e facturava» foram algumas das muitas expressões que perduram na memória de quem o ouviu.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

CHARLES AZNAVOUR - "La Mama"


5 DE MAIO - DALVA DE OLIVEIRA

EFEMÉRIDE – Dalva de Oliveira, de seu verdadeiro nome Vicentina de Paula Oliveira, cantora brasileira, nasceu em Rio Claro no dia 5 de Maio de 1917. Morreu no Rio de Janeiro em 31 de Agosto de 1972. Segundo a revista “Rolling Stone”, foi considerada a 32ª melhor voz da música brasileira de todos os tempos.
Era filha de um carpinteiro, Mário de Paula Oliveira, e da portuguesa Alice do Espírito Santo Oliveira.
Em 1937, gravou com a Dupla Preto e Branco, o batuque “Itaquari” e a marcha “Ceci e Peri”. O disco foi um sucesso, rendendo várias apresentações na rádio. Os três passaram a formar o Trio de Ouro.
Em 1949, deixou o trio, quando faziam uma tournée pela Venezuela com a companhia de Dercy Gonçalves. No ano seguinte, retomou a carreira a solo, lançando os sambas “Tudo acabado” e “Olhos verdes” e o samba canção “Ave Maria”, que foram grandes sucessos. Em 1951, actuou nos filmes “Maria da praia” e “Milagre de amor”.
Em 1952, ganhou o título de Rainha do Rádio e viajou até à Argentina para conhecer o país e cantar em Buenos Aires.
Apesar de ter sido casada duas vezes e de ter três filhos, vivia sozinha na sua mansão e habituara-se à solidão. Viajava e fazia tournées musicais. Estava concentrada na sua carreira plena de sucessos, quando conheceu Manuel Nuno Carpinteiro, um homem vinte anos mais jovem do que ela, por quem se apaixonou e com quem redescobriu o amor. Ao assumir o namoro, foi alvo de preconceitos, pela grande diferença de idades, mas Dalva não ligou e escutou apenas a voz do coração. Foram viver juntos e Dalva reencontrou a alegria de viver acompanhada.
Em Agosto de 1965, Dalva e Manuel Nuno sofreram um grave acidente. Ele conduzia o veículo, depois de mais um show da cantora. Perdeu o controlo do carro. O casal não ficou ferido, mas o sinistro causou morte de quatro pessoas. Manuel foi preso e Dalva ficou desesperada com a situação. Pagou a um advogado e, após alguns meses, a pena foi revertida em prestação de serviços a comunidades carentes. No fim dos anos 1960, após todos estes processos, Dalva e Manuel casaram-se oficialmente.
De voz afinada e bela, Dalva era considerada a Rainha da Voz e o Rouxinol Brasileiro. A sua extensão vocal ia do contralto ao soprano.
Três dias antes de morrer, pressentindo o fim, pela primeira vez – na sua agonia de quase três meses – falou da morte. Tinha um recado para a sua melhor amiga, Dora Lopes, que a acompanhou ao hospital: «- Quero ser vestida e maquilhada como o povo se acostumou a ver-me. Todos vão parar para me ver passar!». Morreu vítima de hemorragia interna, causada por cancro no esófago. Foi sepultada no Cemitério Jardim da Saudade no Rio de Janeiro.
Durante a sua carreira, realizou mais de 400 gravações. Na primeira versão do filme “Branca de Neve e os Sete Anões”, produzida em 1938 pelos estúdios da Disney, Dalva de Oliveira fez a dobragem dos diálogos da Branca de Neve, na versão brasileira. Na cidade de Rio Claro, onde nasceu, existe uma praça com o seu nome.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

DALVA DE OLIVEIRA - "Estrela do Ma" (1952)


4 DE MAIO - VALENTINO MAZZOLA

EFEMÉRIDE – Valentino Mazzola, futebolista italiano dos anos 1940, considerado um dos melhores médios atacantes da história do futebol, morreu em Turim no dia 4 de Maio de 1949. Nascera em Cassano d'Adda, em 26 de Janeiro de 1919. Foi um dos grandes prejudicados pela não realização dos Mundiais de Futebol nessa década, devido à Segunda Guerra Mundial.
Começou sua carreira no Alfa Romeo, da série C do campeonato italiano. A partir de 1939, foi representar durante quatro temporadas o Venezia, onde conquistou a Taça de Itália de 1941.
Despertando a cobiça dos grandes clubes, Mazzola acabou por se transferir para o Torino FC em 1943 e, logo no primeiro ano, conquistou o campeonato italiano e a Taça de Itália. O futebol italiano, no entanto, entraria em pausa a partir daí com o agravamento da Guerra, só voltando em 1946. Logo a partir deste ano, Mazzola e o Torino conquistariam três campeonatos seguidos, sendo que – no segundo – Mazzola foi o melhor marcador da competição (1947).
O penta campeonato, em 1949, estava quase garantido quando ocorreu, em Maio, a tragédia de Superga. Após um amistoso com o SL Benfica em Lisboa (festa de despedida de Francisco Ferreira), Mazzola e toda a equipa do Torino, além de dirigentes e jornalistas, morreram quando o avião em que viajavam chocou com a catedral de Superga, já em procedimento de aproximação e aterragem.
O Torino teve de alinhar nas restantes quatro partidas com os juvenis. Em sinal de grande respeito, os seus adversários (Genoa CFC, USC Palermo, UC Sampdoria e ACF Fiorentina) também escalaram os seus jogadores mais jovens. O Torino foi campeão. Sendo o clube também a base da selecção italiana e Mazzola o seu elemento mais destacado, a Itália perdeu a esperança – que acalentava – de conquistar o Mundial de 1950, no Brasil.
Valentino teve dois filhos: Ferruccio, que viria a ser presidente do Torino, e Alessandro, que seguiu as pisadas do pai e se tornou um elemento destacado nos anos 1960, em representação do Inter de Milão e da Selecção Nacional.

terça-feira, 3 de maio de 2016

3 DE MAIO - AFONSO PRAÇA

EFEMÉRIDE – Afonso Emílio Praça, jornalista e escritor português, morreu em Lisboa no dia 3 de Maio de 2001. Nascera em Felgar, Torre de Moncorvo, em 13 de Janeiro de 1939.
Estudou nos Seminários de Vinhais e Bragança, de 1951 a 1958 (onde concluiu o 2º ano do curso de Filosofia), no Colégio de S. João de Brito, em Bragança, e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica, em 1968.
Começou a actividade jornalística na revista “Flama”, em Setembro de 1961, vindo a profissionalizar-se, sete anos depois, no “Diário de Lisboa”, onde se manteve até Janeiro de 1972. Ingressou então no “República”, regressando em Dezembro de 1974 ao “Diário de Lisboa”, onde esteve até Agosto de 1975, altura em que passou para o semanário “O Jornal”, de que foi um dos fundadores. Entre 1973 e 1975, pertenceu também ao quadro redactorial da revista “Vida Mundial”, tendo colaborado igualmente no “Diário de Moçambique”.
No grupo de “O Jornal”, foi também director de “O Jornal da Educação” e dos semanários “Se7e” e “O Bisnau”, além de colaborador do “Jornal de Letras”. Foi ainda redactor da revista “Visão” e autor do programa televisivo “Portugal de Faca e Garfo”.
Na RTP, colaborou noutros programas, como “Memória dum Povo”, “Um, dois, três” (de Carlos Cruz), “Faz de Conta” (de Raul Solnado) e “Quem conta um conto” (de Mário Zambujal). Foi autor de textos de vários documentários e co-autor, com Fernando Assis Pacheco, da adaptação ao cinema do livro de Manuel Mendes, “Pedro – Romance dum vagabundo” e de diálogos do filme “Pedro Só” de Alfredo Tropa. Foi actor no filme “Bárbara”, do mesmo realizador.
Presidente do Sindicato dos Jornalistas em 1974/75, pertenceu por mais de uma vez aos corpos directivos da Casa da Imprensa e foi professor da Escola Superior dos Meios de Comunicação Social (1976/77), da Escola Secundária dos Olivais (1980/81) e do Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa. Participou como monitor em cursos de formação na área da Comunicação, nomeadamente nos que foram promovidos pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro-Escola Superior de Educação de Bragança, pela Conferência Episcopal Portuguesa e pelas dioceses de Aveiro, Viana do Castelo, Algarve e Évora.
Colaborou em inúmeros periódicos regionais, na “Seara Nova”, no “Record” e na “Rádio & Televisão”. Publicou vários livros de crónicas, ensaios, ficção, um de gastronomia e um “Dicionário de Calão”.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

2 DE MAIO - SERGE REGGIANI

EFEMÉRIDE – Serge Reggiani, actor e cantor francês de origem italiana, nasceu em Reggio Emilia (Itália) no dia 2 de Maio de 1922. Morreu em Boulogne-Billancourt (França), em 22 de Julho de 2004.
Apesar da canção ter sido a sua segunda escolha, foi neste campo que Reggiani atingiu o zénite da sua carreira artística, sendo unanimemente reconhecido como um dos grandes intérpretes franceses. 
Nasceu numa família modesta – o pai era ajudante de barbeiro e a mãe operária. Devido às ideias anti-fascistas dos pais, a família mudou-se em 1930 para França, radicando-se em Yvetot na Normandia. O primeiro emprego de Reggiani foi o de aprendiz de barbeiro mas, passado pouco tempo, respondendo a um anúncio, inscreveu-se no Conservatório das Artes Cinematográficas em Paris, para onde a família se mudou.
Reggiani iniciou a sua carreira no teatro em 1941, contracenando com Jean Marais e interpretando peças de Jean Cocteau. Ainda participou em alguns filmes, mas cedo aderiu à Resistência Francesa e passou à clandestinidade.
Em 1945, casou-se com a comediante Janine Darcey, casamento do qual nasceriam dois filhos e que terminaria em divórcio dez anos depois. Em 1948, obteve a cidadania francesa.
Entre 1946 e 1998, participou em perto de 100 filmes, entre os quais “O leopardo”, trabalhando com realizadores como Sacha Guitry, Luchino Visconti, Claude Chabrol, Claude Lelouch e Ettore Scola, entre outros.
Em 1957, consorciou-se com a actriz Annie Noël, de quem teve mais três filhos, No teatro, obteve o reconhecimento do público e da crítica, com a sua interpretação em “Les Séquestrés d'Altona” de Jean-Paul Sartre.
Apesar da sua grande produtividade e de alguns êxitos alcançados como actor, Reggiani – instigado por Simone Signoret e Yves Montand – iniciou em 1964 uma carreira de cantor. O seu primeiro disco foi “Serge Reggiani chante Boris Vian”.
Seduzida pela interpretação das canções de Boris Vian, a cantora Barbara convidou-o a fazer as primeiras partes dos seus concertos, durante uma tournée. Mais tarde, ajudou-o a desenvolver a sua voz, que se tornaria num timbre de barítono. Os dois terão mantido uma relação amorosa secreta entre 1966 e 68.
Os textos de Boris Vian (sobretudo “Le Déserteur”) e a sua postura de esquerda fizeram com que Reggiani fosse muito apreciado pela juventude francesa dos anos 1960, sobretudo pela geração de Maio de 1968.
Reggiani escolheu sempre os melhores compositores para as suas canções, tendo trabalhado com Georges Moustaki e Serge Gainsbourg, entre outros notáveis dos anos 1960/80.
Em relação aos poemas, para além de Boris Vian, também deu a conhecer às novas gerações a poesia de Rimbaud, Prévert e Apollinaire.
Em 1980, o seu filho Stephan suicidou-se, o que levou Reggiani a uma depressão e a refugiar-se no álcool. Ajudado pelos seus inúmeros amigos, ultrapassou a sua dependência com a ajuda da música. Editou nessa altura os trabalhos mais aclamados pelo público e pela crítica.
A partir dos anos 1990, ultrapassada também a depressão, continuou a actuar ao vivo, em França e no estrangeiro, sempre com lotações esgotadas. Começou a dedicar-se igualmente à pintura, chegando a realizar várias exposições. Publicou ainda dois livros autobiográficos. Reggiani actuou ao vivo até ao ano da sua morte, vítima de enfarte do miocárdio. Foi sepultado no cemitério de Montparnasse, junto dos pais e do filho.

domingo, 1 de maio de 2016

ZECA AFONSO - "Traz outro amigo também"


1 DE MAIO - FERNANDO CABRITA

EFEMÉRIDE – Fernando da Silva Cabrita, futebolista e treinador português, nasceu em Lagoa no dia 1 de Maio de 1923. Morreu em Loures, em 22 de Setembro de 2014.
Foi jogador de futebol durante as décadas de 1940/50, começando a sua carreira no SC Olhanense, clube que então se encontrava na primeira divisão. Cabrita integrou a equipa principal em 1942 e aí permaneceu até 1951. O seu contributo foi excepcional, com o Olhanense a atingir óptimos lugares na classificação.
Um dos jogos mais memoráveis da sua carreira ocorreu em Julho de 1945, em Lisboa, quando disputou a final da Taça de Portugal contra o Sporting CP. Neste mesmo ano, foi convocado pela primeira vez para a Selecção Nacional, tendo defrontado a Espanha (2-2).
Após a despromoção do Olhanense no final da época 1950/51, Cabrita tentou a sua sorte em França no Angers SCO, clube da segunda divisão francesa, onde permaneceu dois anos.
Depois de jogar no Angers, regressou a Portugal, onde integrou a equipa do Sporting Clube da Covilhã, que estava na primeira divisão. Um ano depois, em simultâneo com a sua carreira de jogador, treinou um pequeno clube, o Unhais da Serra, que jogava na divisão regional de Castelo Branco.
Durante a temporada 1957/58, a sua penúltima como jogador, o S.C. da Covilhã, que tinha sido despromovido, regressou ao escalão principal, terminando o campeonato em 8º lugar.
Em 1959/60, foi treinador do Portimonense SC. Na época seguinte, treinou às reservas do SL e Benfica e orientou as camadas mais jovens. Ascendeu a treinador principal na época de 1967/68, entre a saída de Fernando Riera e o regresso de Otto Glória. O Benfica foi Campeão nesse ano e ainda conquistou a Taça da Honra.
Mais tarde, passou a treinar o União AFCI de Tomar, que tinha sido despromovido. Em 1970, a equipa regressou à 1ª Divisão. Fernando Cabrita voltou ao Benfica em 1973/74, tendo conquistado de novo a Taça de Honra. Continuou, como adjunto até 1977/78, indo depois treinar o SC Beira Mar, que viria a ser Campeão da 2ª Divisão (zona Centro). Em 1981/82, treinou o Académico de Viseu FC.
Foi escolhido para seleccionador nacional de Portugal em 1983, sendo sob a sua orientação que a Selecção Nacional chegou pela primeira vez à fase final de um Europeu (1984), só perdendo na meia-final com a França.   
Em Agosto de 1985, Cabrita foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Treinou depois o FC Penafiel e o CF Estrela da Amadora (1986/87). 
No ano seguinte, decidiu aceitar um novo desafio e foi para Marrocos como treinador do Rajá CA de Casablanca. Foi o seu primeiro técnico estrangeiro, conseguindo o feito de atingir o título de Campeão pela primeira vez na história do clube.
Depois do título conquistado em Marrocos, regressou à primeira divisão portuguesa em 1988/89, para treinar de novo o Académico de Viseu. Em 1990/91, fez outra passagem por Marrocos, para treinar pela segunda vez o Rajá de Casablanca.
Em 1991/92, a sua última temporada como treinador, Fernando Cabrita decidiu ficar próximo da família e do Algarve, onde tinha nascido, sendo treinador do CF Esperança de Lagos. Faleceu com 91 anos.

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