domingo, 10 de novembro de 2024

10 DE NOVEMBRO - BASHIR GEMAYEL

EFEMÉRIDE - Bashir Gemayel, líder da extrema-direita e político do Líbano, nasceu em Achrafieh, Beirute, no dia 10 de Novembro de 1947. Morreu em Achrafieh, em 14 de Setembro 1982.

Foi eleito presidente do país em 1982 e assassinado dias antes de assumir o poder, durante a Guerra Civil Libanesa, num atentado com um carro-bomba que vitimou mais 26 pessoas.

Bashir era o mais jovem dos seus 6 irmãos. O pai, Pierre Gemayel, foi fundador das Falanges Libanesas, partido nacionalista libanês inspirado na Falange Espanhola de José António Primo de Rivera.

A Falange, apesar de oficialmente laica, recebeu quase todo o seu apoio dos cristãos, principalmente dos católicos da Igreja Maronita.

Bashir uniu-se, em 1962, nas fileiras juvenis da Falange. Completou a sua educação universitária formal em 1971, na Universidade São José de Beirute. Em 1972, abriu um escritório de advocacia em Beirute.

Em 1970, foi sequestrado durante 8 horas por militantes palestinos. Em 1971, tornou-se inspector do ramo militar da Falange, liderado por William Wahi, criado com o objectivo de garantir a integridade territorial do Líbano que, segundo eles, estava a ser ameaçada pela imigração massiva de palestinos. As tensões entre a Organização para a Libertação da Palestina e os partidos cristãos do Líbano chegaram ao limite quando, em 13 de Abril de 1975, pistoleiros não identificados abriram fogo contra uma igreja católica em Beirute. Horas depois, Falangistas mataram mais de 30 palestinos, o que foi o estopim definitivo para a Guerra Civil Libanesa, que duraria de 1975 até 1990.

Foi acusado de ser ordenador do massacre de 200 palestinos em 6 de Dezembro de 1975, no que ficou conhecido como Sábado Negro.

Em 1976, com a morte de William Wahi, tornou-se líder das milícias falangistas. Mais tarde, no mesmo ano, tornou-se líder das Forças Libanesas, um agrupamento de várias milícias cristãs sob a liderança de Bashir. A nova milícia não só se opôs à OLP, como também se opôs à invasão da Síria, ordenada por Hafez al-Assad, com o intuito de ajudar as milícias palestinas. Bashir liderou as suas tropas na chamada Guerra de Cem Dias, em 1978, quando com êxito, conseguiu resistir durante três meses à invasão Síria de Beirute, até que um acordo pôs fim às hostilidades. Durante todo esse tempo, Israel foi o principal financiador da milícia.

Como comandante-chefe, Bashir fortaleceu o potencial militar das Forças Libanesas, instituindo treino militar em escolas do sector cristão para construir reservas. Ele também deu às Forças Libanesas uma dimensão política mais ampla e base popular e organizou serviços públicos nas áreas liberadas para substituir a falta de serviços fornecidos pelo governo. Estes incluíam um sistema de transporte público; um comité popular para prover as necessidades diárias da população, como água, electricidade, manutenção de estradas, colecta de lixo, esgotos, serviços de assistência social, etc.; duas estações de rádio e uma estação de televisão; e um pequeno aeroporto.

Israel invadiu o Líbano em 1982. O ministro da Defesa israelitq, Ariel Sharon, reuniu-se com Bashir meses antes, dizendo-lhe que as Forças de Defesa de Israel estavam planeando uma invasão para expulsar a OLP do Líbano, uma séria ameaça para eles. Esse apoio militar e político às forças israelitas no Líbano enfureceu muitos libaneses.

A OLP foi expulsa do Líbano em Agosto de 1982. Então, Bashir anunciou a sua candidatura à presidência. Foi apoiado pelos Estados Unidos, que enviaram tropas de paz para supervisionar a retirada da OLP do Líbano. Bashir pediu que eles ficassem mais tempo a fim de manter a estabilidade no Líbano, mas o seu pedido foi negado. Em 23 de Agosto de 1982, sendo o único candidato, Bashir Gemayel foi eleito presidente.

Em 3 de Setembro de 1982, duas semanas antes do seu assassinato, Bachir reuniu-se com o primeiro ministro israelita Menachem Begin em Nahariya, e concordou em iniciar o processo de estabelecer relações diplomáticas entre Israel e o Líbano desde o momento em que assumisse o poder. No entanto, alguns dias depois, ele pediu a David Kimche, director-geral do Ministério das Relações Exteriores de Israel: «Por favor, diga ao seu povo para ser paciente, eu estou comprometido em assinar a paz com Israel, e eu vou. Mas preciso de tempo: nove meses, no máximo um ano, tenho que consertar as minhas relações com os países árabes, especialmente com a Arábia Saudita, para que o Líbano possa voltar a desempenhar o seu papel central na economia do Médio Oriente».

Em 14 de Setembro, na sede da Falange Libanesa, quando fazia o seu último discurso como chefe das Forças Libanesas, as 16h10, um carro bomba explodiu, causando a morte de Bachir e outros 26 falangistas. No começo, acreditava-se que Bachir fora apenas ferido, o que foi noticiado pelos jornais, mas na manhã seguinte a sua morte foi confirmada. Apenas dois dias depois, com a suspeita de que militantes palestinos perpetraram o ataque, tropas falangistas invadiram os campos de refugiados como vingança. O exército de Israel que monitorizava a região não interveio; o evento ficou conhecido como Massacre de Sabra e Chatila. Posteriormente, Habib Shartouni, um cristão maronita do Partido Social Nacionalista Sírio, foi preso acusado pelo assassinato, enquanto visitava a irmã; Habib confessou que instalou a bomba um dia antes do atentado, e que a motivação do ataque foi por Bashir aliar-se com Israel, acusando-o de transformar o Líbano num «estado fantoche».

Bashir foi casado com Solange Toutounji em 1977. O seu primeiro filho, Maya, com a idade de dezoito meses, foi morto em Beirute em 23 de Fevereiro de 1980 numa explosão de carro-bomba destinada a Bashir. Os eus dois outros filhos são Youmna, nascido em 1981, e Nadim, nascido em 1982.

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