COM AÇÚCAR, COM AFECTO
(Nara Leão e Chico Buarque)
Com açúcar, com afecto, fiz seu doce predilecto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você
"Escrita - Acto Solitário, mas que se deve Partilhar" - Gabriel de Sousa *** "Quanto mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer" - Voltaire *** "Homens de poucas palavras são os melhores" - Shakespeare *** "Um Banco é como um tipo que nos empresta o chapéu-de-chuva quando está sol e que o pede assim que começa a chover" - Mark Twain
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
EFEMÉRIDE – Pablo Emilio Escobar Gaviria, de nacionalidade colombiana, um dos maiores traficantes de cocaína do mundo, morreu em Medellín no dia 2 de Dezembro de 1993. Nascera na mesma cidade em 1 de Dezembro de 1949. Era conhecido pelo “Senhor da Droga” e tornou-se um dos homens mais ricos do mundo. Diversas personalidades dos governos norte-americano e colombiano, repórteres de jornais e o público em geral, consideravam-no o mais brutal, impiedoso, ambicioso e poderoso traficante da história.
Escobar começou a sua “carreira” a roubar automóveis. Na década de 1970 entrou no negócio da cocaína e começou a construir o seu poderoso império.
Na década de 1980 tornou-se conhecido internacionalmente e a sua rede ganhou fama. Dizem que o “Cartel de Medellín” estava na origem da maior parte da droga que entrava no México, no Porto Rico e na República Dominicana, com cocaína comprada no Peru e na Bolívia, porque a da Colômbia era de má qualidade.
Escobar subornava membros de governos, juízes e outros políticos, e executava muitas vezes, pessoalmente, “colaboradores” menos obedientes. Utilizava uma estratégia chamada “prata ou chumbo”, o que queria dizer que os interlocutores deviam aceitar o seu dinheiro ou então seriam assassinados. Foi responsável pela morte de três candidatos à Presidência da Colômbia, pela explosão de um avião de passageiros e pela destruição de um prédio da Segurança de Bogotá.
A revista Forbes indicou Pablo Escobar como o sétimo homem mais rico do mundo, com o seu Cartel a controlar 80% do mercado mundial de cocaína. A sua organização tinha aviões, lanchas, automóveis de luxo e vastas propriedades e terras.
Enquanto era considerado inimigo pelos governos dos Estados Unidos e da Colômbia, Escobar era um herói para muitos colombianos de Medellín. Ele tinha muito bons relacionamentos e trabalhou para melhorar as condições de vida da população pobre da cidade. Fez construir estradas, casas para os mais necessitados, hospitais e estádios de futebol. Esforçou-se por passar a imagem de um Robin dos Bosques, distribuindo frequentemente dinheiro pelos pobres. A população de Medellín pelo seu lado, costumava ajudar Escobar, escondendo informações às autoridades ou fazendo tudo para o proteger.
Em 1991, para evitar a extradição para os Estados Unidos, Escobar “negociou” com o governo colombiano ficar “preso” durante cinco anos numa prisão luxuosa mandada construir por ele próprio e guardada por uma guarda pessoal de cerca de 3000 homens. Supostamente sob prisão, era frequentemente visto a fazer compras em Medellín, em festas e em jogos de futebol.
Em 2 de Dezembro de 1993, traído por um longo telefonema que fez para a sua mulher e filho, que estavam num hotel em Bogotá, foi detectado e abatido pela polícia secreta colombiana, provavelmente com a colaboração da CIA, quando o tentavam capturar no bairro chique de Los Olivos, depois de ele se ter escapado por um telhado. Doze projécteis foram disparados sobre Escobar, mas correu a versão que o tiro mortal foi disparado por ele próprio num ouvido.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
EFEMÉRIDE – James Baldwin, um dos maiores escritores norte-americanos da sua geração, faleceu em Saint-Paul de Vence, França, no dia 1 de Dezembro de 1987. Nascera em Harlem, Nova Iorque, em 2 de Agosto de 1924.
Foi o primeiro escritor a “dizer aos brancos, o que os negros americanos pensavam e sentiam”. Atingiu o auge da sua fama durante a luta pelos Direitos Civis no início dos anos 1960.
Baldwin estava muito marcado pela situação dos Negros no seu país e pela sua experiência individual. O tema da discriminação, tanto de ordem sexual como racial, foi recorrente nas suas obras.
Era o mais velho dos nove filhos de Emma Berdis Jones e nunca conheceu a identidade do seu pai biológico. Foi David Baldwin, operário com quem a mãe se casou posteriormente, que o veio a adoptar. Fez os seus estudos secundários no liceu DeWitt Clinton, Bronx, e tornou-se membro da Igreja de Pentecostes no bairro de Harlem, onde começou a pregar aos catorze anos.
Embora o pai adoptivo não concordasse que ele seguisse a carreira literária, Baldwin foi apoiado nesse seu desejo por um professor e pelo próprio Presidente da Câmara de Nova Iorque. Deixou a família e instalou-se na “Greenwich Village », bairro nova-iorquino célebre pelos seus artistas e livres-pensadores.
Demonstrou logo o seu enorme talento nos primeiros livros que publicou, como por exemplo: “Go tell it on the mountain” (1953), “Giovanni's room” (1956) e “Another country” (1962).
Escreveu romances, poesias, novelas e peças de teatro. Tornou-se mais famoso, porém, pelos seus ensaios, contrariamente ao que teria desejado pois preferia ser ficcionista, considerando os ensaios como um trabalho menor.
Tomando em conta a sua homossexualidade e, desgostoso com os preconceitos que havia contra os negros e os homossexuais, acabou por abandonar os Estados Unidos fixando-se em Paris, onde passou praticamente o resto da sua vida.
domingo, 30 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Nina Ricci, de seu verdadeiro nome Maria Adelaide Nielli, um dos designers de alta-costura mais famosos do seu tempo, francesa de origem italiana, faleceu em 30 Novembro de 1970. Nascera em Turim, no dia 14 de Janeiro 1883.
A família mudou-se para Florença quando ela tinha 5 anos de idade. Ali estudou e só se fixou em França sete anos depois. Casou-se com o joalheiro Luigi Ricci de quem teve um filho.
Aprendeu alta-costura e abriu a sua primeira casa de Moda em Paris, em 1932. O seu estilo era clássico e muito sofisticado, com um acabamento perfeito, agradando sobretudo à clientela internacional. O filho assumiu a direcção dos negócios de 1945 a 1963, ano em que Gérard Pipart passou a ser o director.
Nina Ricci criou também uma linha de prestigiados perfumes, entre os quais “L’Air du Temps” que é considerado um clássico da perfumaria. Passou parte da sua vida numa casa “art deco” em Morlaix, no litoral de Dossen. Lidou com muitas personalidades célebres, entre as quais o pintor Andy Warhol.
sábado, 29 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Louisa May Alcott, romancista norte-americana que se dedicou sobretudo à literatura juvenil, nasceu em Germantown, na Pensilvânia, em 29 de Novembro de 1832. Faleceu em Boston no dia 6 de Março de 1888.
Foi ensinada pelo pai, filósofo e educador, tendo oportunidade de conviver com notáveis intelectuais da sua época.
Apesar de ter o sonho de ser um dia actriz, acabou por se tornar escritora, começando por se inspirar nas suas próprias experiências.
“Mulherzinhas”, publicado em 1868, é o seu romance mais famoso, tendo sido adaptado ao cinema em 1994 sob o título “Adoráveis Mulheres”. Traça o quadro da vida americana na segunda metade do século XIX. O livro teve tal sucesso que ela publicou uma “continuação” da sua história.
O seu Diário Íntimo e a sua Correspondência foram igualmente publicados. Além de livros para crianças, publicou também outros romances sob o pseudónimo “A. M. Barnard”.
Em 1862, durante a Guerra Civil, alistou-se como enfermeira em Georgetown, uma cidade perto de Washington. Assim descobriu os horrores da guerra. Além dos cuidados de enfermagem, ocupava-se igualmente em escrever cartas ditadas pelos soldados ou a anunciar a morte de algum deles. Contraiu a febre tifóide e regressou a casa, cansada e traumatizada. Nunca se recompôs totalmente, tendo perdido para sempre a sua antiga energia. Isso devia-se certamente ao facto de ter tomado um medicamento à base de mercúrio, extremamente nocivo para a saúde. A mãe morreu-lhe nos braços em 1877.
Em 1879 Louisa teve a grande honra de ser a primeira mulher registada nos cadernos eleitorais de Concord. Há muito que ela tentava convencer as Mulheres da importância do Direito de Votar.
No dia 1 de Março de 1888 visitou o pai que estava quase moribundo. No dia seguinte Louisa sentiu uma terrivel dor na cabeça e perdeu a consciência. O pai faleceu em 4 de Março e ela dois dias depois.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Friedrich Engels, filósofo e teórico socialista alemão, nasceu em Wuppertal no dia 28 de Novembro de 1820. Morreu em Londres, em 5 de Agosto de 1895. Foi co-autor de diversas obras com Marx, sendo a mais conhecida o “Manifesto Comunista” (1847/48). Ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de “O Capital”, principal obra do seu amigo e colaborador.
Escreveu livros de profunda análise social, sabendo descrever a sociedade de forma muito eficiente e influenciando diversos autores.
Depois de completar o curso de liceu em Elberfeld, começou a trabalhar, estudando simultaneamente Filosofia. Aproximou-se particularmente da filosofia de Hegel, que era predominante naquela época.
Desde o primeiro encontro com Karl Marx, descobriram que partilhavam as mesmas ideias e decidiram colaborar estreitamente.
Na juventude, Engels ficara muito impressionado com a miséria em que viviam os trabalhadores das fábricas pertencentes à sua família. Tendo assumido durante alguns anos a direcção de uma das fábricas do pai em Manchester, as observações nesse período formaram a base de uma das suas principais obras: “A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra” (1845).
Quando Marx foi expulso de França, instalaram-se os dois na Bélgica, onde a liberdade de opinião era maior do que nos outros países europeus. Em virtude da Revolução de 1848, os dois foram no entanto expulsos da Bélgica e mudaram-se para Colónia, onde fundaram o jornal “Nova Gazeta Renana”. Em 1849 foram obrigados a abandonar a Alemanha e partiram para Londres.
Para ajudar financeiramente Karl Marx, Engels voltou a trabalhar com o pai em Manchester, regressando a Londres em 1870. Começou a interessar-se também pelo feminismo, considerando que «o casamento monogâmico era o resultado da dominação do homem sobre a mulher».
Desde 1864, militou no seio da “Primeira Internacional” até à sua dissolução em 1876. Trabalhou então no sentido de unificar os partidos operários marxistas no seio da “Segunda Internacional”.
Pelos seus escritos, pela sua militância e pelo seu trabalho na publicação de textos importantes de Marx, ele representa para muitos a maior referência do Marxismo.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Ada Lovelace (Augusta Ada King, Condessa de Lovelace), de nacionalidade britânica, autora do primeiro programa que pôde utilizar uma máquina analítica, faleceu na capital britânica em 27 de Novembro de 1852. Nascera, também em Londres, no dia 10 de Dezembro de 1815.
Ada era a única filha legítima do poeta Lord Byron e entrou para a história como a primeira mulher “programadora”.
Casou-se aos 20 anos, assumindo o nome do marido e o título de Condessa de Lovelace. Entre 1842 e 1843, durante nove meses, criou um algoritmo para o cálculo da sequência de Bernoulli, usando a máquina do cientista Charles Babbage.
Durante o período em que esteve envolvida no “Projecto de Babbage”, desenvolveu os algoritmos que iriam permitir que uma máquina pudesse computar os valores de funções matemáticas. Publicou igualmente uma colecção de notas sobre aquela máquina analítica.
Ada faleceu aos 36 anos de doença oncológica no útero. Ficou célebre sobretudo nos países anglo-saxões e na Alemanha. Ela foi afinal a primeira mulher a actuar de forma determinante no domínio da “informática”. Em 1953, quase cem anos depois da sua morte, a máquina de Babbage foi redescoberta e o seu projecto, juntamente com as notas de Ada, entraram para história como o primeiro computador e o primeiro software que tinham sido criados.
Em 1980, o Departamento de Defesa dos EUA registou a “linguagem de programação ADA”, em sua homenagem. O retrato de Ada aparece nos hologramas de autenticação dos produtos Microsoft.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Adam Bernard Mickiewicz, um dos poetas e escritores polacos mais conhecidos, faleceu em Istambul no dia 26 de Novembro de 1855. Nascera em Nowogrodek, na região histórica da união Polónia - Lituânia, actualmente Nawahradak na Bielorrússia, em 24 de Dezembro de 1798.
Fez estudos científicos e filológicos na Universidade de Wilno e participou na fundação de organizações da juventude progressista e patriótica.
Adam Mickiewicz foi um grande criador e um dos maiores poetas românticos europeus. É celebrado na Polónia como um dos pais espirituais da literatura polaca moderna.
Levou uma vida tranquila, ultrapassando decepções amorosas e mesmo uma viuvez precoce, com um notável domínio de si próprio. Os seus sucessos literários e o engajamento político deram-lhe o estatuto de chefe moral reconhecido por toda a nação polaca.
A obra literária de Mickiewicz ocupou apenas quinze anos da sua vida, mas foi o suficiente para o imortalizar.
Exilou-se na Rússia de 1824 a 1829, ano em que se instalou em França. Nos anos 1839/1840 ensinou Literatura Latina em Lausanne na Suíça, antes de ser nomeado professor de Literatura Eslava.
Morreu bruscamente, vítima da cólera, em Istambul, onde tinha ido juntar-se à colónia polaca que vivia em Polonezköy, durante a Guerra da Crimeia. Os seus restos mortais foram levados para Paris e, em 1890, transferidos para Cracóvia onde foram inumados solenemente na Catedral de Wawel.
De duas das suas obras foram feitas óperas por Conrad Wallenrod.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
EFEMÉRIDE – Yukio Mishima, pseudónimo de Kimitake Hiraoka, novelista e dramaturgo japonês, faleceu em 25 de Novembro de 1970. Nascera em Tóquio no dia 14 de Janeiro de 1925.
Ainda criança, foi separado dos pais e passou a viver com a avó paterna. A avó mal deixava a criança sair de casa, de tal forma que Kimitake teve uma infância muito isolada. Alguns dos seus biógrafos afirmam que foi logo, nessa época, que ele começou a interessar-se pelo Teatro Kabuki e a sentir-se obcecado pelo tema da morte.
Aos doze anos voltou a viver com os pais, desenvolveu uma relação muito forte com a mãe (que o encorajou a ler) e começou a escrever as suas primeiras histórias. Foi matriculado num colégio de elite em Tóquio, o “Peers”. Lia com voracidade obras de Óscar Wilde, Rainer Maria Rike e de clássicos japoneses. Seis anos depois, publicou numa revista literária um conto, que posteriormente foi editado em livro. O pai era totalmente contra as pretensões literárias do filho, chegando a destruir o que ele escrevia, em frequentes incursões pelo seu quarto. Kimitake adoptou muito cedo o pseudónimo Yukio Mishima, para tentar ocultar os seus trabalhos literários do conhecimento paterno. Forçado pelo pai, matriculou-se na Universidade de Tóquio onde se licenciou em Direito. Após completar o Curso conseguiu um bom emprego no Ministério das Finanças. Tornou-se, no entanto, tão triste e desgostoso que, por fim, o pai decidiu aceitar o seu desejo de seguir uma carreira literária. O pai, um sujeito rude e disciplinador, teria dito que, «para ele ser escritor, teria de ser o melhor escritor que o Japão jamais vira». Mishima conheceu então Yasunari Kawabata (futuro Prémio Nobel) que o incentivou a prosseguir a sua carreira nas Letras , introduzindo-o mesmo em círculos literários.
Mishima tinha 24 anos quando publicou “Confissões de Uma Máscara”, a história (autobiográfica?) de um jovem talento homossexual que precisava de se esconder atrás de uma máscara para evitar a sociedade. O romance teve enorme êxito, o que o levou à celebridade. Seguiram-se outras publicações e traduções, que o tornaram internacionalmente conhecido, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Foi nomeado por três vezes para o Prémio Nobel de Literatura.
Redigiu entre 1965 e 1970 as obras que ele considerava mais importantes e um ciclo de quatro romances intitulado “O Mar da Fertilidade”.
Nos últimos dez anos de vida, actuou como actor em filmes e co-dirigiu uma adaptação cinematográfica de um dos seus romances (“Patriotismo”).
Em 25 de Novembro de 1970, entregou ao seu editor o 4º volume do “Mar da Fertilidade” (“O Anjo em Decomposição”) e suicidou-se em seguida, segundo um ritual japonês.
Tinha publicado cerca de quarenta romances, num total de uma centena de livros: ensaios, 20 recolhas de novelas e 28 peças de teatro.
A sua vida privada era ambígua, pois assumia a homossexualidade nos livros e negava-a na vida real.
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