quinta-feira, 15 de julho de 2010


EFEMÉRIDE – Kunikida Doppo, de seu verdadeiro nome Kunikida Tetsuo, romancista japonês e poeta romântico na Era Meiji, nasceu em Chōshi no dia 15 de Julho de 1871. Morreu em Tóquio, em 23 de Junho de 1908. Foi um dos iniciadores do Naturalismo no Japão.
Educado pela mãe e pelo padrasto, que se mudaram para Tóquio em 1874 e, mais tarde, para a prefeitura de Yamaguchi, apaixonou-se pela natureza, graças à região rural de Choshu, onde cresceu e que influenciou profundamente o naturalismo das suas obras.
Abandonou os estudos em 1888 para ajudar à subsistência da família, tendo partido um ano mais tarde rumo à capital japonesa para retomar os estudos.
Estudou na faculdade inglesa da “Tokyo Semmon Gakko" (actualmente Universidade Waseda). Sentindo-se atraído pelas democracias ocidentais, a atitude política rebelde para com a administração da faculdade levaria à sua expulsão em 1891. Converteu-se ao cristianismo aos 21 anos
Fundou em 1892 a revista literária “Seinen bungaku” e iniciou no ano seguinte o seu diário íntimo “Azamukazaru no ki” (Um Testemunho honesto). Foi professor de inglês, matemática e história.
Entrou em 1894 para o jornal “Kokumin Shimbun”, como correspondente de guerra. Em 1895 instalou-se de novo em Tóquio, editando a revista “Kokumin no Tomo” (O Amigo da nação). Continuou a publicar poesias e novelas.
Depois da guerra russo-japonesa de 1905, abriu uma Editora que entraria em falência dois anos depois. Adoeceu com tuberculose em 1907, vindo a morrer no ano seguinte com 37 anos de idade.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – António Gabriel de Quadros Ferro, filósofo, escritor, professor universitário e tradutor, nasceu em Lisboa no dia 14 de Julho de 1923. Morreu, igualmente em Lisboa, em 21 de Março de 1993.
Licenciou-se em Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Pensador, crítico, professor, ensaísta, poeta e ficcionista, foi fundador da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores. Fundou também a actual Associação Portuguesa de Escritores e o Instituto de Arte, Decoração e Design (IADE). Foi Director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian.
Foi igualmente um dos fundadores e directores das revistas de cultura: “Acto”, “57” e “Espiral”.
Era filho de António Ferro e de Fernanda de Castro, ambos escritores, e pai de Rita Ferro, também escritora.
Entre os prémios com que foi galardoado, salientam-se: “Prémio Ricardo Malheiros” da Academia das Ciências de Lisboa (1965), “Prémio Literário da Casa da Imprensa” (1965), “Prémio de Literatura Infantil e Juvenil” da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (1973) e “Prémio Literário Município de Lisboa” (1983 e 1984).

terça-feira, 13 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Simone (Jacob) Veil, mulher política francesa, nasceu em Nice no dia 13 de Julho de 1927. Foi a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu (1979-1982).
A família de Simone Veil sofreu, a partir de 1940, as perseguições movidas aos judeus, em consequência da invasão da França pela Alemanha. Apesar das dificuldades, Simone conseguiu concluir o ensino liceal em 1943. No ano seguinte a família foi presa. O pai e um irmão foram enviados para a Lituânia e os restantes membros para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Com excepção de Simone e da sua irmã Madeleine, que foram salvas pela chegada dos aliados, todos os restantes familiares pereceram nos campos de extermínio nazis, exceptuando a irmã Denise, que se alistara na Resistência Francesa.
Em 1945 ingressou no curso de Direito, em Paris, acabando por seguir a carreira de magistrada, que exerceu até 1974.
Com a eleição de Giscard d'Estaing para a Presidência da República francesa, foi nomeada Ministra da Saúde no governo liderado por Jacques Chirac, cargo que conservou nos governos seguintes até 1979. Enquanto Ministra da Saúde, facilitou o acesso a métodos contraceptivos e elaborou a lei de despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que entrou em vigor em Janeiro de 1975. Este seu combate valeu-lhe ser atacada pela extrema-direita e pela direita mais conservadora. Ela, porém, tornou-se a personalidade política mais popular em França durante muitos anos.
Em Julho de 1979, abandonou o governo a fim de liderar a lista do partido UDF às eleições para o Parlamento Europeu, onde foi eleita como presidente.
Em 1993 foi nomeada Ministra de Estado, Ministra dos Assuntos Sociais e da Cidade, cargos que desempenhou até 1995. Em 1998 foi nomeada membro do Conselho Constitucional de França onde permaneceu até 2007, ano em que terminou o seu mandato.
Em 2005 foi galardoada com o “Prémio Príncipe das Astúrias para a Cooperação Internacional”. É presidente da Fundação para a Memória da Shoah. Recebeu a distinção de Grande Oficial da Legião de Honra em 2009. É membro da Academia Francesa, desde Março de 2010.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Max Jacob, poeta, romancista, ensaísta e pintor francês de origem judaica, nasceu em Quimper, Bretanha, no dia 12 de Julho de 1876. Morreu em Drancy, em 5 de Março de 1944.
Passou a sua juventude na Bretanha, tendo-se instalado em Paris no começo dos anos 1900, onde frequentava assiduamente o bairro de Montmartre, ali fazendo muitos amigos, entre os quais Picasso, Braque, Matisse, Apollinaire e Modigliani.
É autor de “Cornet à dês” (1917), influente no período surrealista, de “La Défense de Tartufe” (1919), de “Laboratoire central” (1921) e do conjunto de cartas ficcionais “Le Cabinet noir” (1922), entre vários outros livros de poemas, poesia em prosa e romances.
Converteu-se ao catolicismo, depois de presenciar uma aparição do Cristo na parede do seu quarto (1909), e teve como padrinho de baptismo Pablo Picasso (1916). Mudou-se para o convento de Saint-Benoît-Sur-Loire, onde viveu entre 1921 e 1928. Voltaria à Abadia Beneditina em 1936, onde se fixou definitivamente.
Em Fevereiro de 1944, ao sair da missa matinal, foi preso pela Gestapo de Orleães, morrendo no mês seguinte, de esgotamento, no campo de Drancy. Jean Cocteau e Sacha Guitry tinham feito, sem resultado, diversas tentativas para que o libertassem.
Entre os seus numerosos amigos contava-se também Jean Moulin, que utilizaria o pseudónimo “Max” nas suas actividades na Resistência.
A poesia de Max Jacob caracteriza-se por uma mescla de humor, lirismo e musicalidade. Foi também tradutor de vários textos do Catalão para Francês.
Um prémio de literatura com o seu nome foi instituído em 1950. Em 2006 foi rodado o filme “O Senhor Max”, com Jean-Claude Brialy no seu último papel, pois morreria no ano seguinte.

domingo, 11 de julho de 2010

Espanha, Campeã Mundial de Futebol na África do Sul? (O Polvo Vidente diz que sim!) Acertou!!

EFEMÉRIDE – Cândida Branca Flor, de seu verdadeiro nome Cândida Maria Coelho Soares, popular cantora portuguesa, morreu em Massamá, Sintra, no dia 11 de Julho de 2001. Nascera em Beringel, Beja, em 12 de Novembro de 1949.
Frequentou aulas de canto e ingressou na carreira artística, integrando a “Banda do Casaco”, grupo inovador na música popular portuguesa dos anos 1970. Foi, aliás, ao tema “Romance de Branca Flor”, do álbum “Coisas do arco-da-velha”, Disco do Ano em 1976, que foi buscar o nome artístico que a tornaria popular na sua carreira a solo.
Ídolo das crianças no final da década de 1970 e início dos anos 1980, apresentou, ao lado de Júlio Isidro, o programa televisivo “Fungagá da Bicharada”.
Em 1979 participou, pela primeira vez, no Festival RTP da Canção, com “A Nossa serenata”, voltando ao certame em 1982, com “Trocas baldrocas” e, em 1983, ao lado de Carlos Paião, com “Vinho do Porto (Vinho de Portugal)”. Entre 1978 e 1993, editou oito álbuns. Nos últimos anos de vida, colaborou em vários projectos de música popular e deu muitos espectáculos para os emigrantes portugueses no estrangeiro.
Em 11 de Julho de 2001, após um período mais apagado da sua carreira, suicidou-se, o que surpreendeu os seus admiradores que guardavam dela uma imagem de alegria contagiante.

sábado, 10 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Fernando Pereira, fotógrafo de origem portuguesa, naturalizado holandês, activista da organização Greenpeace, faleceu em Auckland no dia 10 de Julho de 1985, quando do afundamento de um “Rainbow Warrior “ (nome dado aos barcos da Greenpeace) por agentes do DGSE, o serviço secreto francês. Nascera em Chaves, em 10 de Maio de 1950.
Fernando Pereira é considerado como um dos mártires da causa ambiental, pela Greenpeace e pelos seus simpatizantes, tendo morrido quando tentava sensibilizar o Mundo - através de fotografias - para a realização de testes nucleares franceses no atol de Muroroa, no Pacífico.
Fotógrafo freelancer, tinha deixado Portugal na década de 1970, para não participar nas guerras coloniais em África. Aderiu então à organização Greenpeace, a fim de utilizar as suas qualidades de fotógrafo em defesa do ambiente.
Partira desta vez para uma missão de seis meses. Morreu afogado, quando duas explosões atravessaram o casco do barco no porto de Auckland. A tripulação teve tempo para se pôr a salvo, mas o mesmo não aconteceu com Fernando Pereira, que tinha voltado atrás para recuperar o seu material fotográfico.
Celebrara, precisamente dois meses antes, o seu 35º aniversário no Atol de Rongelap, nas Ilhas Marshall.
Dois membros dos serviços secretos franceses foram reconhecidos culpados de homicídio involuntário, por um tribunal da Nova-Zelândia. Foram condenados a dez anos de prisão, tendo cumprido dois anos na Polinésia.
A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente instituiu em 1999, conjuntamente com o Observatório do Ambiente, o “Prémio Nacional do Ambiente Fernando Pereira”.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Haydée Mercedes Sosa, cantora argentina muito popular, nasceu em San Miguel de Tucumán no dia 9 de Julho de 1935. Faleceu em Buenos Aires, em 4 de Outubro de 2009. Com raízes na música folclórica argentina, ela tornou-se um dos expoentes do movimento “Nueva canción”, com raízes também africanas, cubanas, andinas e espanholas. Apelidada “La Negra” pelos fãs, devido à sua ascendência ameríndia, ficou conhecida como a voz dos “sem voz”.
Foi na cidade onde nasceu que foi assinada a declaração de Independência da Argentina em 9 de Julho de 1816, numa casa que foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
Vivendo durante o governo de Perón e tendo tido - como quase todos os da sua geração - uma influência muito grande de Eva Perón, cresceu embalada pela ideologia peronista. Deve recordar-se que o peronismo era então difundido nas escolas e nos meios de comunicação, como a imprensa, o cinema e a rádio.
A sua carreira iniciou-se em 1950, aos quinze anos de idade, quando venceu uma competição de canto organizada por uma emissora de rádio da sua cidade natal e ganhou um contrato de dois meses.
Em 1959 gravou o seu primeiro álbum, intitulado “La voz de la zafra”. De seguida, a sua actuação no Festival Folclórico Nacional fez com que ela se tornasse conhecida entre os povos indígenas do seu país. Em 1965 lançou “Canciones con fundamiento”, uma compilação de músicas folclóricas da Argentina. Dois anos depois fez uma tournée pelos Estados Unidos e pela Europa obtendo o reconhecimento internacional. Em 1970 gravou “Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas”. Em 1971 gravou um tributo à cantora e compositora chilena Violeta Parra, ajudando a popularizar a canção “Gracias a la vida”.
Nos anos seguintes, Mercedes interpretou um vasto repertório de estilos latino-americanos, gravando com artistas argentinos e outros internacionais, como Chico Buarque, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gal Costa, Sting, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Nana Mouskouri, Joan Baez, Pablo Milanês e Shakira.
Durante os anos 1970 foi igualmente actriz de cinema, nomeadamente nos filmes “El Santo de la espada” e “Güemes”.
Após a ascensão da junta militar do general Jorge Videla, que depôs a presidente Isabelita Perón em 1976, a atmosfera na Argentina tornou-se cada vez mais opressiva. Mercedes, que era uma conhecida activista do peronismo de esquerda, foi revistada e presa no palco durante um concerto em La Plata (1979). Banida no seu próprio país, refugiou-se em Paris e depois em Madrid.
Voltou à Argentina em 1982, alguns meses antes do colapso do regime ditatorial como resultado da fracassada guerra das Malvinas, e deu uma série de shows no Teatro Colón em Buenos Aires, para os quais convidou muitos colegas jovens para dividir o palco com ela. Um álbum duplo com as gravações dessas performances tornou-se rapidamente um sucesso de vendas. Nos anos seguintes, continuou a fazer tournées pela Argentina e pelo estrangeiro, cantando em lugares como o Lincoln Center, o Carnegie Hall e o Teatro Mogador.
O seu repertório continuou a ampliar-se, tendo gravado um dueto com a sambista brasileira Beth Carvalho, intitulado “So le pido a Dios”, cada uma cantando no seu idioma. O último álbum, “Cantora”, inclui duetos com artistas que são referências na música latino-americana.
Mercedes Sosa foi sempre activista dos movimentos peronistas de esquerda, fez oposição ao presidente Carlos Menem e manifestou apoio às eleições de Néstor e Cristina Kirchner.
A presidente argentina Cristina Kirchner declarou luto oficial de três dias pela sua morte e decidiu antecipar o regresso de uma viagem à Patagónia para comparecer no velório da cantora. Uma parte das suas cinzas foi espalhada na sua terra natal. Outra foi colocada em Mendoza, província pela qual havia declarado sentir um grande amor. O restante ficou na capital argentina, cidade onde morava há décadas.
Mercedes trabalhou intensamente até poucas semanas antes da sua morte. Em 2008 dissera que continuaria a cantar até aos seus últimos dias, como se fosse uma cigarra.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Jean de La Fontaine, escritor francês, nasceu em Château-Thierry no dia 8 de Julho de 1621. Faleceu em Paris, em 13 de Abril de 1695.
Estudou Teologia e Direito. A sua paixão porém foi sempre a literatura, vindo a escrever fábulas, contos, romances, poemas, peças de teatro e libretos de ópera.
Em 1652, La Fontaine assumiu o cargo de Inspector de Águas e Florestas mas, em 1658, colocou-se ao serviço do Superintendente de Finanças Nicolas Fouquet, mecenas de vários artistas, a quem dedicou uma colectânea de poemas.
Escreveu o romance “Os Amores de Psique e Cupido” e ter-se-ia tornado próximo dos escritores Molière e Racine. Com a queda de Fouquet, passou a ser protegido pelas Duquesas de Bouillon e de Orleães.
Em 1668 foram publicadas as suas primeiras fábulas, num volume intitulado “Fábulas Escolhidas”. O livro tinha 124 fábulas e estava dividido em seis partes. La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís XIV. As fábulas continham histórias de animais com características humanas, magistralmente contadas e contendo um fundo moral. Escritas em linguagem simples e atraente, elas conquistaram imediatamente muitos leitores e são consideradas das maiores obras-primas da literatura francesa.
Em 1684 La Fontaine tornou-se membro da Academia. Várias outras edições das “Fábulas” foram publicadas em vida do autor. A cada nova edição, novas narrativas foram acrescentadas. Em 1692, o escritor, já doente, converteu-se ao catolicismo. Morreria três anos depois.
Está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em Paris, ao lado do dramaturgo Molière.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CONHECIMENTO

1

Aprender até morrer
Conhecimentos sem fim…
(E tanto por aprender
Quando a morte chega enfim!)

2

A mente é computador
P’ra guardar Conhecimento…
… O Saber é um motor
P’ra o Desenvolvimento.


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE – Vittorio De Sica, um dos mais importantes realizadores e actores do teatro e cinema italianos, nasceu em Sora no dia 7 de Julho de 1901. Faleceu em Neuilly-sur-Seine, França, vítima de cancro num pulmão, em 13 de Novembro de 1974.
Com apenas quinze anos já representava em pequenos espectáculos para os soldados hospitalizados. A família foi depois para Roma, onde ele estudou Contabilidade e desempenhou um pequeno papel num filme mudo (1917). Continuou os seus estudos e, depois de obtido o diploma, decidiu afinal dedicar-se ao teatro, actuando em várias companhias entre 1923 e 1927.
Como actor de cinema iniciou-se em 1932, com o filme “Dois Corações Felizes”, continuando porém a fazer teatro até 1949.
Como realizador estreou-se em 1939, com o filme “Rosas Escarlates.” Em 42 anos de carreira recebeu quatro “Oscars de Melhor Filme Estrangeiro”: em 1946 com “Vítimas da Tormenta”, em 1949 com “Ladrões de Bicicletas”; em 1963 com “Ontem, Hoje e Amanhã”; e em 1971 com “O Jardim dos Finzi-Contini”.
Foi considerado o precursor do neo-realismo italiano e o seu último filme foi “A Viagem”, com Richard Burton e Sophia Loren, estreado em Paris dias depois da sua morte.
Como actor os seus maiores sucessos foram “Madalena”, “Zero em Comportamento”, “Pão, Amor e Fantasia”, “Meu Filho Nero”, “Adeus às Armas”, “Um Italiano na América” e “Coisas da Cosa Nostra”.
Como realizador, além dos filmes com os quais ganhou os Oscars, Vittorio De Sica destacou-se igualmente em: “Umberto D.” em 1951; “Boccaccio 70” em 1962; “Ontem, Hoje e Amanhã” em 1963; “Matrimónio à Italiana” em 1964; e “Os Girassóis da Rússia” em 1970.
Vittorio De Sica tinha um enorme prazer em trabalhar com os actores Marcello Mastroianni e Sophia Loren.
Entre os numerosos prémios recebidos salientam-se: o “Grande Prémio do Júri” no Festival de Cannes em 1951; o “Prémio OCIC” no Festival de Cannes em 1956; o “Urso de Ouro” no Festival de Berlim em 1971; e o “Prémio Especial do Júri” no Festival de Locarno em 1949.

terça-feira, 6 de julho de 2010

EFEMÉRIDE – Antônio Frederico de Castro Alves, poeta e dramaturgo brasileiro, faleceu em Salvador no dia 6 de Julho de 1871. Nascera em Muritiba, em 14 de Março de 1847. As suas poesias mais populares são marcadas pelo combate à escravidão, motivo pelo qual ficou conhecido como o “Poeta dos Escravos”.
A mãe morreu quando ele tinha 12 anos. Foi no colégio e com o pai que o pequeno Antônio foi aumentando o interesse pela literatura, com saraus, festas de arte, música, poesia e declamação de versos. Aos 17 anos fez as primeiras poesias. Em 1863 teria recitado os primeiros versos numa festa no Ginásio Português.
Em 1862, após o segundo casamento do pai, Castro Alves e o irmão rumaram para o Recife. Submeteu-se à prova de admissão para ingresso na Faculdade de Direito do Recife, mas foi reprovado. No Recife seria um tribuno e poeta sempre requisitado nas sessões públicas da Faculdade, nas sociedades estudantis, na plateia dos teatros, acarinhado desde logo por calorosos aplausos. Era um belo rapaz, de porte esbelto, tez pálida, grandes olhos vivos, negra e basta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam a multidão, impondo-se à admiração dos homens e arrebatando paixões às mulheres. Ocorreram então os primeiros romances, que ficaram espelhados em alguns dos seus versos, dos mais belos poemas líricos do Brasil.
Em 1863 publicou, no primeiro número de “A Primavera”, o seu primeiro poema contra a escravidão: “A Canção do Africano”. A tuberculose manifestou-se entretanto e, neste mesmo ano, teve uma primeira hemoptise.
Em 1864, o irmão - que sofria de distúrbios mentais desde a morte da mãe - suicidou-se. Castro Alves conseguiu matricular-se entretanto na Faculdade de Direito do Recife e viajou para a Bahia. Só voltou ao Recife em Março de 1865. Em Agosto alistou-se no Batalhão Académico de Voluntários para a Guerra do Paraguai. Em Dezembro, voltou a Salvador. O pai morreu no ano seguinte. Castro Alves voltou de novo ao Recife, matriculando-se no segundo ano da Faculdade. Nessa ocasião, fundou com Rui Barbosa e outros amigos uma Associação Abolicionista.
Passou por uma fase de intensa produção literária e pugnou por duas grandes causas: uma, social e moral, a da abolição da escravatura; outra, a república, aspiração política dos liberais mais exaltados. Data de 1866 o seu drama “Gonzaga ou a Revolução de Minas”, representado na Bahia, em São Paulo e, mais tarde, em Salvador.
Em 1868, embarcou para o Rio de Janeiro, sendo recebido por José de Alencar e visitado por Machado de Assis. Viajou depois para São Paulo onde continuou os seus estudos de Direito.
Prosseguiu a produção intensa de poemas líricos e heróicos, publicados nos jornais e recitados nas festas literárias. Fez a apresentação pública de “Tragédia no Mar”, que depois se chamaria “O Navio Negreiro”.
Um acidente durante uma caçada teve nefastas consequências na sua vida. Tuberculoso, previra uma estadia na cidade de Caetité, com um clima mais salutar. Antes disso, porém, ainda em São Paulo, resolveu participar numa caçada e feriu o pé com um tiro. Disso resultou uma longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio de Janeiro no começo de 1869, para salvar a vida, mas com o martírio de uma amputação devido a gangrena. Os cirurgiões tiveram de lhe amputar o membro inferior esquerdo sem qualquer anestesia.
Chegou a estar matriculado no 4º ano de Direito mas, doente e mutilado, procurou em Salvador o consolo da família, para os últimos tempos de vida. A sua última aparição em púbico foi em Fevereiro de 1871 numa récita de beneficência.
A vida de Castro Alves foi retratada no cinema e na televisão, nos filmes “Vendaval Maravilhoso” (1949) e “Retrato Falado do Poeta” (1999).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ALMADA A CANTAR

1

Com o Cristo Rei ao fundo
E o Tejo a deslizar,
Almada mostra-se ao Mundo
Nos arraiais a cantar.

2

Vem festejar São João
Até à noite em Almada
E cantar até mais não
Nesta terra abençoada.

3

Vamos todos festejar
O São João em Almada…
…Mesmo Cristo vai cantar
E comer sardinha assada!


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE – Edgar Cardoso, engenheiro de pontes português, faleceu em 5 de Julho de 2000. Nascera em Resende no dia 11 de Maio de 1913. Formou-se em engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1937.
Com extraordinária capacidade inventiva e métodos originais, Edgar Cardoso projectou pontes que são autênticas obras de arte. Impressionam, sobretudo, pela estética, leveza e inovação. Cardoso rejeitava as soluções-padrão já testadas e tinha a preocupação de inserir cada obra na paisagem. Com conhecido desprezo pelas fórmulas matemáticas, foi ainda pioneiro na utilização dos modelos físicos. Fez escola em Portugal.
Foi um dos maiores génios da engenharia civil nacional e internacional. Edgar Cardoso executou mais de meio milhar de estudos e projectos. Para ele, a engenharia era o equivalente a um romance fabuloso que só aquele escritor poderia escrever: irrepetível e único. Irreverente, gostava de inovar em cada trabalho. Engenheiro, arquitecto, professor e investigador, notabilizou-se pelas suas obras. «Arquitectonicamente, são obras de arte», afirmou o arquitecto José Manuel Fernandes. Para Edgar Cardoso o trabalho era uma causa nobre.
Entre as suas obras mais emblemáticas, salientam-se: a Ponte da Arrábida no Porto (na época era o maior arco de betão armado do mundo), a Ponte Macau - Taipa em Macau, o prolongamento da pista do aeroporto da Madeira, executado com vigas de betão prefabricadas, assentes sobre pilares de betão armado, a Ponte de Mosteirô, localizada no Douro entre Baião e Cinfães, considerada por ele próprio como a sua melhor e mais bela obra, a Ponte de Xai-Xai em Moçambique e o Viaduto de Vila Franca de Xira na A1.
Ficou conhecido pela sua personalidade polémica. Ficaram famosos episódios controversos, como os pulos que deu sobre a pala do Estádio de Alvalade para atestar a sua segurança, atitude que lhe assegurou inimizades no Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Edgar Cardoso não se contentava com a mediocridade. Para ele, querer o impossível era a melhor maneira de realizar o possível.
Com extraordinária capacidade inventiva e habilidade manual, Cardoso construía modelos ou maquetas das suas estruturas em diversos materiais - gesso, cortiça, cartão, etc. - e media, com aparelhos inventados por si, o seu comportamento estrutural.
Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...