domingo, 8 de novembro de 2015

8 DE NOVEMBRO - ÁLVARO MARTINS

EFEMÉRIDEÁlvaro Augusto Martins dos Santos, intérprete de guitarra portuguesa, compositor e letrista, morreu em Padrão da Légua, Matosinhos, no dia 8 de Novembro de 2003. Nascera na mesma localidade em 27 de Maio de 1918. O seu nome é desconhecido para a maioria das pessoas devido ao facto de ter feito grande parte da sua carreira fora de Lisboa. Acompanhou grandes nomes do fado e deixou mais de uma centena de trabalhos editados.
Foi na barbearia do pai que começou a tocar aos 5 anos de idade. Naquela época, nas barbearias, era frequente haver uma guitarra portuguesa e uma viola para os clientes e/ou os barbeiros tocarem. Mais tarde, começou a tocar noutros estabelecimentos e a acompanhar João Gago, um dos tocadores de viola com quem mais tocou. Aos 12 anos, Álvaro Martins tocou pela primeira vez na antiga Emissora Nacional.
Nos anos 1950, José Maria Nóbrega, uma das grandes violas do fado, estabeleceu-se no Padrão da Légua como alfaiate. Conheceu Álvaro Martins e começaram a tocar juntos. No final desta década, em 1959, a sua música “Noite” foi incluída no disco “Amália Rodrigues” e acompanhou Fernando Farinha no Coliseu do Porto em 25 de Outubro.
Em 1965, Álvaro Martins conheceu o poeta Torre da Guia no restaurante típico A Candeia. Tornaram-se numa dupla criadora de grandes fados, como “Pão de Gestos”, que se tornou um sucesso popular nos anos 1980, nas vozes de Beatriz da Conceição e de Rodrigo, ou “Olhai a Noite”, que foi cantado por inúmeros fadistas.
Durante a sua carreira, Álvaro Martins fez muitas digressões pelas comunidades de emigrantes portugueses, não só como acompanhador de fados mas também como solista. Esteve nos Estados Unidos da América, no Brasil, em França e em Moçambique, entre outros países.
Salientam-se alguns grandes fadistas que foram acompanhados à guitarra portuguesa por Álvaro Martins: Amália Rodrigues, Fernando Farinha, Fernando Maurício e Tristão da Silva.
Com o passar do tempo, a sua obra ganhou cada vez mais importância. Actualmente, é conhecido nos meios fadistas do Porto como “o Mestre”. Faleceu aos 85 anos de idade. 

"MEU MENINO DE ENCANTAR" (quadras)

Formatação de Fátima de Souza (Bahia)

sábado, 7 de novembro de 2015

7 DE NOVEMBRO - LEATRICE JOY

EFEMÉRIDELeatrice Joy, de seu verdadeiro nome Leatrice Johanna Zeidler, actriz norte-americana (a mais prolífica durante a era do cinema mudo), nasceu em Nova Orleães no dia 7 de Novembro de 1893. Morreu em Riverdale, Bronx, Nova Iorque, em 13 de Maio de 1985, vitime de anemia aguda, aos 91 anos de idade. Tinha ascendência austríaca e francesa por parte do pai e alemã e irlandesa por parte da mãe.
Leatrice adoptou o seu nome artístico quando começou a fazer teatro. Iniciou-se no cinema em 1915, trabalhando para a Nola Film Company, uma pequena empresa baseada em Nova Orleães.
Em 1917, instalou-se em Hollywood – o novo centro do cinema de então – começando a protagonizar pequenas curtas-metragens cómicas com Billy West e Oliver Hardy. Foi depois contratada pelos estúdios de Samuel Goldwyn, tendo começado por contracenar com Mary Pickford em “The Pride of the Clan”.
A partir de 1920, a sua carreira foi de vento em popa e tornou-se rapidamente numa actriz muito popular. Fazia frequentemente papéis de mulher forte e independente, muito apreciados pelo público, particularmente feminino. Os seus cabelos curtos e a sua aparência arrapazada entraram também na moda daqueles anos 1920
O cineasta Cecil B. DeMille intercedeu para a fazer assinar um contrato pela Paramount Pictures em 1922. Protagonizou então “Saturday Night”, que teve enorme sucesso. Seguiu-se o melodrama “Manslaughter”. Fez numerosos filmes que foram outros tantos êxitos.
Em 1925, com muita pena dos estúdios, Joy deixou a Paramount e seguiu DeMille, sendo contratada pela Producers Distributing Corporation.
Um desacordo profissional conduziu à ruptura com DeMille em 1928 e ingressou na Metro-Goldwyn-Mayer. Foi cabeça de cartaz do segundo filme parcialmente falado da MGM, “The Bellamy Trial”. Adaptou-se dificilmente ao novo cinema, em parte devido à sua forte pronúncia sulista frente à dicção refinada das novas actrizes. Em 1929, viu-se sem contrato.
A partir dos anos 1930, achou-se na condição de semi-aposentada, embora fizesse alguns pequenos papéis, por exemplo em “Love Nest” (1951), onde figurava também a jovem Marilyn Monroe. Deu por terminada a sua carreira em 1954.
Em 1984, apareceu na série televisiva documental “Hollywood: A Celebration of the American Silent Film”.
Leatrice casou com John Gilbert em 1922, tendo-se divorciado no ano seguinte, voltando a consorciar-se em 1931 com William S. Hook. Tem uma estrela no Hollywood Walk of Fame

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

6 DE NOVEMBRO - BRAD DAVIS

EFEMÉRIDE Brad Davis, de seu verdadeiro nome Robert Creel Davis, actor norte-americano, nasceu em Tallahassee no dia 6 de Novembro de 1949. Morreu em Los Angeles, em 8 de Setembro de 1991.
Segundo um artigo publicado em 1987, no “The New York Times”, Davis afirmou ter sofrido violência física e abusos sexuais de ambos os pais. Já adulto, foi alcoólatra e drogava-se por via intravenosa. Tornou-se sóbrio em 1981. Davis era conhecido durante a sua juventude como Bobby, mas adoptou Brad como nome artístico, em 1973.
Interessou-se muito cedo pelo teatro, pela dança e pelo canto, apresentando-se a vários castings e concursos. Aos 17 anos, após vencer um concurso de talentos musicais, trabalhou no Teatro Atlanta. Mais tarde, mudou-se para Nova Iorque e frequentou a Academia Americana de Artes Dramáticas, tendo estudado também teatro no American Place Theater. Depois de fazer um papel na novela “Como sobreviver a um casamento”, actuou em peças na off-Broadway. Em 1976, foi escalado para o filme televisivo “Sybil”. Desempenhou o papel principal em “The Normal Heart” (1985), um filme sobre o flagelo da SIDA.
Teve o seu maior sucesso no filme “Midnight Express” (1978), interpretando o personagem principal Billy, pelo qual ganhou – em 1979 – o Globo de Ouro de Melhor Actor (Revelação). Também foi nomeado para o Prémio BAFTA.
Brad era casado com Susan Bluestein Davis, que venceu um Emmy Award como Melhor Directora de Castings. Tiveram uma filha em 1984 (Alexandra), que anos depois mudou de sexo, passando a chamar-se Alex Davis e seguindo a carreira de músico e cantor.
Diagnosticado seropositivo em 1985, Davis manteve a sua condição em sigilo até pouco antes da morte. Embora fosse anunciado que ele falecera vítima daquela doença, ele morreu na realidade de uma overdose intencional. No hospital onde estava internado, sentindo-se perto da morte e com grandes dores, optou por voltar para casa e terminar a sua vida pelos próprios meios. Com a esposa e um amigo da família presentes, cometeu suicídio assistido. A esposa dinamizou depois campanhas de combate à SIDA. Davis foi referido como «o primeiro actor heterossexual a ser vítima de AIDS».

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CHICO BUARQUE - "Construção"


5 DE NOVEMBRO - AUGUST GAILIT

EFEMÉRIDEAugust Georg Gailit, escritor estoniano, morreu em Örebro, na Suécia, em 5 de Novembro de 1960. Nascera em Sangaste no dia 9 de Janeiro de 1891.
Filho de um carpinteiro, cresceu numa fazenda em Laatre (actual Tõlliste). A partir de 1899, frequentou as escolas da paróquia e da cidade de Valga. De 1905 a 1907, estudou na escola municipal em Tartu. De 1911 até 1914, trabalhou como jornalista na actual Letónia e, de 1916 a 1918, na Estónia. Na Guerra da Independência da Estónia contra a Rússia, participou como correspondente de guerra.
De 1922 a 1924, viveu na Alemanha, na França e em Itália. Depois, trabalhou como escritor independente em Tartu e, a partir de 1934, em Tallinn. De 1932 até 1934, foi director do Teatro Vanemuine em Tartu. Em 1932, casou com a actriz Elvi Nander e, em 1933, nasceu-lhes a única filha, Aili-Viktooria.
Com a ocupação da Estónia pela URSS em 1944, fugiu com a família para a Suécia, onde trabalhou como escritor.
Em 1917, juntamente com outros escritores, fundara um grupo literário chamado “Siuru” que, com os seus poemas eróticos e escandalosos, causou grande sensação no país. As primeiras prosas de Gailit têm frequentemente um conteúdo erótico. Sobretudo até ao meio da década de 1920, Gailit recebeu forte influência do neo-romantismo. Os escritores Oswald Spengler e Knut Hamsun exerceram também grande influência nos seus trabalhos.
Só com o seu famoso romance “Toomas Nipernaadi” (1928), que seria adaptado ao cinema em 1983, os seus trabalhos passaram a ser mais realísticos e líricos.
Os temas políticos tiveram igualmente destaque nas suas obras. O romance “Isade maa” (1935) aborda o tema da guerra da independência estoniana 1918/20. No seu romance “Üle rahutu vee”, publicado em 1951, trata da tragédia e da dor que sentiu quando abandonou a sua terra natal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

4 DE NOVEMBRO - CÉSAR ÉVORA

EFEMÉRIDE César Évora Díaz, premiado actor cubano, nasceu em Havana no dia 4 de Novembro de 1959. Vive no México desde os anos 1990. Apesar de ter trabalhado no cinema, no teatro e na televisão, ele é sobretudo conhecido pelos seus papéis em telenovelas, tanto em Cuba como no México.
Durante a instrução primária, ele já era escolhido para dizer poemas, tendo uma voz muito peculiar. Cresceu ao lado da mãe e de um avô. O pai estava sempre a viajar e, durante 20 anos, só lhe enviava uma carta de seis em seis meses.
Aos 18 anos, já tinha o sonho de se tornar actor. Estudou no entanto Geofísica, para participar na busca de petróleo e de minerais. Um dia, decidiu fazer um casting na televisão, sendo seleccionado entre 500 candidatos. Entrou em várias novelas, logo se tornando muito popular.
Apesar de ter o físico de galã clássico e de se ter formado no Instituto Superior de Arte de Havana, especializando-se em actuação, Évora aspirou durante algum tempo ser realizador de cinema. Frequentou por isso um curso de assistente de direcção e seguiu os primeiros dois anos da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños. No entanto, a sua personalidade e capacidade de actuar foram mais fortes e ele quedou-se pela representação, pelo menos até agora.
Depois de se separar da sua primeira esposa, Inés Mortel, conheceu a sua actual companheira Vivian, com quem teve uma filha. César tem dois filhos do primeiro casamento, que vivem em Cuba, e a filha que vive consigo no México. César Évora adquiriu a cidadania mexicana em 1999.
Até agora, já protagonizou cerca de 30 telenovelas, dez filmes, três peças de teatro e a série televisiva "Día y Noche” (1993/Cuba). É carinhosamente chamado Papasito Évora.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

3 DE NOVEMBRO - FRANCISCO AYALA

EFEMÉRIDE Francisco Ayala García-Duarte, escritor da “Geração de 27”, jurista, professor de literatura e sociólogo espanhol, morreu em Madrid no dia 3 de Novembro de 2009. Nascera em Granada, em 16 de Março de 1906.
Aos dezasseis anos, mudou-se para Madrid, onde estudou Direito, Filosofia e Letras. Nesta época, publicou as suas duas primeiras novelas, “Tragicomedia de un hombre sin espíritu” (1925) e “Historia de un amanecer” (1926).
Colaborou habitualmente na “Revista de Occidente” e na “Gaceta Literária”. Estudou também em Berlim, entre 1929 e 1931. Doutorou-se em Direito na Universidade Complutense de Madrid, vindo a ser professor na mesma universidade.
Foi letrado das Cortes desde a proclamação da República. No começo da Guerra Civil, estava a dar conferências na América do Sul e, durante a mesma, foi funcionário do Ministério de Estado.
Depois da tomada do poder por Franco, exilou-se em Buenos Aires, onde passou dez anos a trabalhar e a colaborar na revista “Sur” e no diário “La Nación”. Nesse tempo, foi também co-fundador da revista “Realidad”.
Posteriormente, ainda na década de 1950, residiu em Porto Rico, país no qual deu cursos na Faculdade de Direito da Universidade de Porto Rico. Viajou depois para os Estados Unidos da América, onde deu aulas de Literatura Espanhola nas Universidades de Princeton, Rutgers, Nova Iorque e Chicago, embora mantendo estreitas ligações intelectuais e culturais com Porto Rico, onde igualmente viveram longos exílios Pau Casals e Juan Ramón Jiménez, entre outros.
Em 1960, regressou pela primeira vez a Espanha e, pouco a pouco, reintegrou-se na vida literária espanhola. Em 1976, instalou-se definitivamente em Madrid, continuando o seu labor de escritor, conferencista e colaborador da imprensa.
Tem também grande importância a sua obra ensaística, que abrange temas políticos e sociais, reflexões sobre o presente e o passado de Espanha, o cinema e a literatura. Escreveu umas interessantes memórias: “Recuerdos y olvidos” (1982, 1983, 1988 e 2006). Faleceu com 103 anos de idade.
Em 1983, foi eleito membro da Real Academia Espanhola. Até muito avançada idade continuou a escrever com plena lucidez. Em 1988, obteve o Prémio Nacional das Letras Espanholas e, em 1990, foi nomeado Filho Predilecto da Andaluzia. Em 1991, foi galardoado com o Prémio Miguel de Cervantes e, em 1998, com o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

2 DE NOVEMBRO - JORGE DE SENA

EFEMÉRIDEJorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena, poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, nasceu em Lisboa no dia 2 de Novembro de 1919. Morreu em Santa Barbara, na Califórnia, em 4 de Junho de 1978. Segundo relatou no seu conto “Homenagem ao Papagaio Verde”, teve uma infância recolhida, solitária e infeliz, o que fez com se tornasse introspectivo, observador e imaginativo.
Fez a instrução primária e os primeiros anos do liceu no Colégio Vasco da Gama. Concluiu os estudos secundários no Liceu Camões. Era um jovem que lia avidamente, tocava piano e escrevia poemas. Na Faculdade de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios com as notas mais elevadas. Nutria a ideia algo romântica de se tornar oficial da marinha, seguindo as pisadas do pai. Em 1936, aos 17 anos, entrou para a Escola Naval. Em Outubro de 1937, iniciou a sua viagem de instrução a bordo do navio escola “Sagres”. Visitou os portos de S. Vicente, Santos, Lobito, Luanda, S. Tomé e Dakar, chegando a Lisboa no final de Fevereiro de 1938.
O contacto com a imensidão do oceano, a azáfama da vida a bordo e o movimento e mudança constantes agradaram ao jovem Jorge Sena, mas nem tudo correu bem. Segundo o relato de um camarada de curso, naquele ano a viagem de instrução foi excepcional e particularmente dura e exigente em termos de preparação e destreza física, copiando o modelo da marinha alemã. Na parte teórica do curso ele era brilhante, mas em termos atléticos era medíocre e, apesar dos muitos esforços que fez, não conseguiu satisfazer as elevadas expectativas do comandante do curso, que parecia nutrir um ódio de estimação pelo cadete contemplativo e intelectual. No final da viagem, foi-lhe comunicado que iria ser proposta a sua exclusão da Marinha por lhe faltarem as “necessárias qualidades” para oficial. Sena ficou profundamente frustrado e desgostoso com esta rejeição e afastou-se definitivamente de um modo de vida que tanto almejara.
Apesar da sua inclinação natural para a literatura, decidiu frequentar o curso de Engenharia Civil, iniciando-o em Lisboa e concluindo-o no Porto, em 1944. O curso pouco o entusiasmou, mas durante todo esse tempo escreveu bastantes poemas, artigos, ensaios e cartas. Desde os 16 anos que escrevia e, em 1940, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros poemas na revista “Cadernos de Poesia”, dirigida por Ruy Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim. Em 1942, publicou o seu primeiro livro de poemas, “Perseguição”, que não impressionou muito o seu amigo e crítico João Gaspar Simões. O escritor Adolfo Casais Monteiro considerou-o «um livro revelador mas difícil».
Em 1947, iniciou a sua carreira de engenheiro, trabalhando na Câmara Municipal de Lisboa, na Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas (JAE), onde permaneceu até ao seu exílio para o Brasil em 1959.
Em 1940, no Porto, Jorge de Sena conheceu e tornou-se amigo de Maria Mécia de Freitas Lopes (irmã do crítico e historiador literário Óscar Lopes), começando a namorar em 1944 e casando-se em 1949. Mécia, sua incansável companheira e enérgica colaboradora, apoiou-o sempre nas inúmeras crises que lhe surgiram ao longo de uma vida por vezes atribulada.
Além do seu absorvente trabalho diurno na JAE (que lhe possibilitou viajar e conhecer o Portugal profundo), também se dedicou à direcção literária em editoras, à tradução e à revisão de textos – ocupações que lhe roubavam precioso tempo para a investigação literária e a para a sua obra.
A banalidade e a pequenez do quotidiano no Portugal de Salazar das décadas de 1940/50 atormentavam-no, bem assim como a mediocridade, a mesquinhez e a intriga dos meios literários, a opressão política e a censura. Durante esses anos, apesar de tudo, publicou várias obras e colaborou na revista “Mundo Literário” (1946/48) com contos e poemas e, também, como crítico na rubrica Cinema.
A sua situação como escritor e cidadão estava, porém, a tornar-se insustentável. Como escritor, não tinha tempo livre para escrever, apenas o podia fazer de modo insuficiente e limitado à noite e aos domingos. Também o facto de não pertencer a nenhum círculo académico e a falta de apoio institucional lhe frustrava qualquer pretensão de poder vir a editar alguma obra mais ambiciosa. Por outro lado, a sua participação numa tentativa revolucionária abortada em Março de 1959, colocou-o em posição de prisão iminente, no caso muito provável de algum dos conspiradores presos pela PIDE denunciar (sob tortura) os que ainda se encontravam em liberdade.
Em Agosto de 1959, viajou até ao Brasil, convidado pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro, para participar no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Tendo sido convidado como catedrático contratado de Teoria da Literatura, em Assis, no Estado de S. Paulo, aproveitou essa oportunidade e aceitou o lugar, iniciando assim o seu longo exílio. Por motivos profissionais, teve de adoptar então a cidadania brasileira.
Em 1961, Jorge de Sena foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em 1964, depois de vencer alguns preconceitos académicos pelo facto de ser licenciado em Engenharia, Jorge de Sena defendeu a sua tese de doutoramento em Letras, tendo obtido o título académico “com distinção e louvor”.
O período de seis anos que passou no Brasil foi muito produtivo. Finalmente, tinha toda a disponibilidade para se dedicar à sua obra, com a devida profundidade e profissionalismo. Grande parte do romance “Sinais de Fogo” e a totalidade dos contos “Novas Andanças do Demónio” foram escritos neste período.
A degradação da situação política no Brasil, com a instauração de uma ditadura militar a partir de Março de 1964, fez com que Jorge de Sena, mais do que nunca avesso a prepotências, aceitasse um convite para ensinar Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Wisconsin. Partiu para os Estados Unidos em Outubro de 1965. Em 1967, foi nomeado catedrático do Departamento de Espanhol e Português da referida universidade.
De 1970 a 1978, foi catedrático efectivo de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Apesar da satisfação de ensinar e da amizade que os alunos lhe dedicavam, Sena não foi feliz. Queixava-se da «medonha solidão intelectual da América», onde não havia «convívio intelectual algum».
Quando se deu o 25 de Abril (1974), Jorge de Sena ficou entusiasmado e queria regressar definitivamente a Portugal, ansioso de dar a sua colaboração para a construção da democracia. Visitou Portugal, mas nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor para qualquer cargo que fosse, facto que muito o desiludiu e amargurou. Decidiu continuar a viver nos Estados Unidos, onde tinha a sua carreira estabelecida.
Morreu aos 58 anos, vítima de cancro. Em Setembro de 2009, os seus restos mortais foram trasladados de Santa Barbara para o Talhão dos Artistas no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, depois duma cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela, com a presença de familiares, amigos e entidades oficiais.
Foi um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX, com vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de importante epistolografia com figuras tutelares da literatura portuguesa e brasileira. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico “Sinais de Fogo”, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Grande parte da sua obra foi publicada postumamente por iniciativa de Mécia de Sena.
Foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu, postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago. Em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara.

domingo, 1 de novembro de 2015

ROY ORBISON - "Oh, Pretty Woman"


1 DE NOVEMBRO - THEODOR MOMMSEN

EFEMÉRIDE – Christian Matthias Theodor Mommsen, historiador alemão de origem dinamarquesa, agraciado com o Nobel da Literatura de 1902 pela sua monumental “História de Roma”, morreu em Charlottenburg no dia 1 de Novembro de 1903. Nascera em Garding, em 30 de Novembro de 1817.
É considerado um dos maiores especialistas de todos os tempos em história de Roma Antiga e muitos dos seus escritos e compilações de documentos ainda hoje conservam uma importância capital.
Após os estudos básicos e clássicos em Altona (1831/38), estudou Jurisprudência na Universidade de Kiel (1838/43). Fez depois um amplo estudo da Lei Romana, o que influenciou as suas futuras pesquisas.
Mommsen inspirou-se na sua ideia de haver uma inter-relação muito próxima entre a História, o Direito e a Filosofia. Muitos dos seus ensinamentos foram basilares para os escritos de Friedrich Karl von Savigny, um dos fundadores da escola histórica da jurisprudência.
Após ter feito o mestrado e o doutoramento, obteve uma bolsa que lhe permitiu estar três anos (1844/47) em França e Itália. Durante este período, a Itália tornou-se a sua segunda casa. Um dos seus quartéis-generais foi o Instituto Arqueológico Romano, no qual recolhia dados para as suas pesquisas. Concebeu também o seu plano para o “Corpus Inscriptionum Latinarum”, uma colecção de inscrições em latim.
Dedicou-se depois à política, defendendo os seus ideais na imprensa local. Ensinou Direito em Leipzig (1848). Destituído por causa das suas ideias liberais, foi depois professor em Zurique (1852), Breslau (1854) e Berlim (1858). Foi deputado entre 1873 e 1882, ano em que foi condenado a prisão durante alguns meses por oposição a Bismarck.
Este pesquisador fora do comum, capaz de dominar múltiplas matérias, fundou uma escola histórica destinada aos seus trabalhos e ao seu ensino. Foi recebido por Napoleão III nas Tulherias (Paris) e reconhecido como uma sumidade em História Antiga, não só pelo imperador como pelos sábios que o rodeavam. 
Foi secretário perpétuo da Academia das Ciências da Prússia desde 1878. Consagrou o resto da vida ao aprofundamento das suas obras e ao ensino. Teve 16 filhos com a sua esposa Marie. Dois dos seus netos (Hans e Wolfgan) são também conhecidos historiadores. 

sábado, 31 de outubro de 2015

MARIA ANA BOBONE - "Fadinho Serrano"


31 DE OUTUBRO - ANTÓNIO VILAR

EFEMÉRIDEAntónio “Vilar” Justiniano dos Santos, actor de cinema português, nasceu em Lisboa no dia 31 de Outubro de 1912. Morreu em Madrid, em 16 de Agosto de 1995.
Foi um dos mais disputados galãs do cinema europeu, sobretudo na década de 1950, tendo trabalhado em Portugal, Espanha, França, Itália e Argentina. Foi o rosto por excelência dos grandes espectáculos históricos e de co-produções luso-espanholas, como “Inês de Castro” e “Rainha Santa”.
Personificou Luís Vaz de Camões na película “Camões” (1946), antes de se fixar em Espanha, onde viveu até ao fim dos seus dias.
Entre 1946 e 1978, protagonizou cerca de 40 filmes espanhóis, dos quais se salientam “A Mantilha de Beatriz” (1946), “A Rainha Santa” (1947), “Una Mujer Cualquiera” (1949), “Don Juan” (1950), “Alba de América” (1951), “El Redentor” (1957), “Muerte Al Amanecer” (1959), “Fim-de-Semana Com a Morte” (1967) e “Sinal Vermelho” (1973).
Interpretou papéis marcantes no cinema espanhol como Don Juan em “Don Juan” e Cristóvão Colombo em “Alba de América”. Voltou a Portugal para encabeçar o elenco de “O Primo Basílio” (1959), realizado por António Lopes Ribeiro.
Uma das suas prestações mais elogiadas foi no filme “El Judas” (1952), em que interpretou três personagens diferentes: Mariano Tormé (o homem que apenas pensa no lucro), Judas e o próprio Jesus Cristo, sendo aclamado no Festival de Veneza.
Na Argentina tornou-se igualmente popular, interpretando três filmes: “La Quintrala” (1955), “Os Irmãos Corsos” (1955) e “Miercoles Santo” (1954). Em Itália, protagonizou “Guarany” (1948), “Honra e Sacrifício” (1949) e “Il Padrone Delle Ferriere” (1959).
Em França filmou, com sucesso, “Bel amour” e “Le désir et l'amour”, ambos de 1951. Contracenou com Brigitte Bardot em “A Mulher e o Fantoche” (1959), interpretando o rico e orgulhoso Matteo Diaz
O seu último filme foi “Estimado Señor Juez” (1978). Nos anos seguintes, perseguiu o sonho de produzir, realizar e protagonizar um épico sobre Fernão de Magalhães, tendo gasto a sua fortuna pessoal na pré-produção do filme, após as recusas de subsídios governamentais por parte de Portugal e de Espanha. Para esse efeito, conseguiu construir uma réplica duma nau da frota de Magalhães, que foi oferecida à Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses.
Recebeu numerosos prémios durante a sua carreira, tendo sido considerado «um dos melhores actores do mundo» pela revista norte-americana “Fame”. Era Oficial das Ordens de Santiago e Espada e Militar de Cristo (Portugal) e da Ordem de Isabel a Católica (Espanha). Foi-lhe atribuída a Comenda da Legião de Mérito (Brasil).

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

30 DE OUTUBRO - JACQUES AMYOT

EFEMÉRIDEJacques Amyot, prelado e escritor francês, nasceu em Melun no dia 30 de Outubro de 1513. Morreu em Auxerre, em 6 de Fevereiro de 1593. Foi um dos tradutores mais eminentes da Renascença.
Nascido numa família pobre, conseguiu no entanto ir estudar para Paris, no colégio de Navarra, dando simultaneamente explicações aos estudantes ricos, para poder subsistir.
Estudou depois na Universidade de Paris, onde se licenciou, tornando-se mestre de Artes. Decidiu continuar os estudos na Universidade de Bourges, onde veio a ensinar grego e latim de 1536 a 1546. Tendo traduzido “Etiópias” de Heliodoro, foi distinguido por Francisco I, que lhe deu a Abadia de Bellozane e o encarregou de traduzir Plutarco para francês. Viveu, então, algum tempo em Itália, onde compulsou manuscritos gregos e latinos e participou no Concílio de Trento. Estudou os textos de Plutarco conservados no Vaticano.
Ao voltar a França, foi nomeado preceptor dos futuros Carlos IX e Henrique III. Deve-se a ele a tradução de sete obras de Diodoro de Sicília (1554). Publicou em 1559 a tradução de “Dáfnis e Cloé” de Longo e as “Vidas Paralelas de Homens Ilustres” de Plutarco. Capelão-mor de França em 1560 e bispo de Auxerre em 1570, dividiu o resto da sua vida entre a diocese, onde combateu o protestantismo, e a vida literária, traduzindo e publicando, entre outras, as “Obras Morais” de Plutarco (1572). Fundou um colégio de jesuítas em 1584 (actual Liceu Jacques Amyot em Auxerre).
Jacques Amyot influenciou profundamente o espírito e a literatura do século XVI. Deu a conhecer no seu país as obras de Plutarco e de outros escritores e, com a beleza da sua escrita e a clareza e o vigor do seu estilo, anunciou a prosa clássica. Montaigne (1533-1592) agradeceu-lhe, numa das suas obras, por «ele ter ensinado aos seus contemporâneos como se devia escrever».

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muitas mais...