quinta-feira, 31 de março de 2016

31 DE MARÇO - JEAN-FRANÇOIS DUCIS

EFEMÉRIDE – Jean-François Ducis, poeta e dramaturgo francês, membro da Academia Francesa de Letras, morreu em Versalhes no dia 31 de Março de 1816. Nascera na mesma localidade em 23 de Agosto de 1733.
Nascido numa família modesta, recebeu uma cuidada educação religiosa e fez os seus estudos num internato e num colégio de Versalhes. Aos dezoito anos, passou a ser secretário de um mercador de Belle-Isle, que ele acompanhava nas suas visitas de inspecção. Mais tarde, este seu protector autorizou-o a deixar o emprego, mantendo-lhe o salário, para que ele se pudesse dedicar ao teatro. Um tio, que era arquitecto do rei, também o ajudou durante vários anos.
Em 1768, apresentou na Comédie-Française a sua “Tragédia de Amélise”, que foi pateada do princípio ate ao fim. Redimiu-se deste fracasso, fazendo representar “Hamlet” de Shakespeare, numa adaptação alterada e por si elaborada (1769). Dedicou-se depois a adaptar ao gosto francês diversas peças do famoso dramaturgo. Ducis não compreendia a língua inglesa, mas trabalhava a partir de traduções, algumas delas já de si pouco fiéis…
Sempre com a finalidade de agradar ao público e aos costumes franceses, apresentou “Romeu e Julieta” em 1772, amputando a peça de várias cenas e acrescentando outras.  
Em 1778, fez representar “Œdipe chez Admète”, uma colagem bizarra de “Alceste” de Eurípides  e de “Œdipe” de Sófocles. Foi um sucesso e Ducis foi eleito nesse ano para a Academia de Letras. O seu discurso de recepção foi muito aplaudido.
Em 1783, escreveu uma nova adaptação de Shakespeare, “O Rei Lear”, na qual não se reconhece quase nada da peça original, mas que teve imenso sucesso. Levado em triunfo, o autor foi trazido ao palco para receber os aplausos do público.
Em 1784, foi a vez de “Macbeth”, mas teve menos sucesso. “João sem Terra”, em 1791, foi um fracasso. No ano seguinte, “Otelo” mereceu de novo o entusiasmo do público. 
Deixando as adaptações de Shakespeare, Ducis escreveu uma tragédia original – “Abufar” –  representada em Abril de 1795. Tendo tido muito boa aceitação, seguiu-se “Phédor e Waldamir”.
Jean-François Ducis renunciou então ao teatro, aposentou-se em Versalhes e dedicou o seu tempo a ler a “Bíblia”, Horácio, Virgílio e La Fontaine. Napoleão quis fazê-lo senador, mas ele recusou dizendo que «era católico, poeta, republicano e solitário, o que não jogava bem com cargos oficiais». Recebeu das mãos de Luís XVIII a Legião de Honra, que tinha recusado a Napoleão I.  
Até à sua morte, em 1816, escreveu várias poesias que são o espelho da sua simplicidade, da sua felicidade e do seu amor pela natureza.

quarta-feira, 30 de março de 2016

30 DE MARÇO - SEÁN O'CASEY

EFEMÉRIDE – Seán O'Casey (Sean O'Cathasaigh em irlandês), um dos principais dramaturgos irlandeses, nasceu em Dublin no dia 30 de Março de 1880. Morreu em Torquay, na Inglaterra, em 18 de Setembro de 1964.
Como socialista e nacionalista convicto, ele foi o primeiro dramaturgo irlandês a escrever sobre as classes populares urbanas do seu país. As suas peças são particularmente conhecidas também pelo tratamento simpático que ele dá às personagens femininas.
Seán cresceu num bairro operário, no norte de Dublin. Durante a infância, foi sempre fiel e muito próximo da Igreja da Irlanda, um elo que ele viria a quebrar quando começou a interessar-se pela política e se juntou à Liga Gaélica (1906). Foi então que mudou o seu nome de Sean O'Cathasaigh para Seán O'Casey. 
A sua “Trilogia de Dublin”, composta por 3 obras que escrevera antes, evoca os momentos chave da história irlandesa: a insurreição da Páscoa de 1916, a guerra da independência (1919/21) e a guerra civil que se seguiu à divisão do país.
O modo de falar dos seus personagens é muito próximo do utilizado pelas classes populares irlandesas. Em 1929, o escritor W. B. Yeats recusou-se a apresentar a peça “ The Silver Tassie” no Teatro da Abadia, temendo as reacções do público. O’Casey partiu para Inglaterra, onde ficou até ao fim dos seus dias.
Escreveu cerca de 30 peças de teatro (1917/61) e seis registos autobiográficos (entre 1939 e 1954). O filme “O Jovem Cassidy” (1965), de John Ford e Jack Cardiff, descreve o princípio da vida de Seán O'Casey em Dublin. 

terça-feira, 29 de março de 2016

TOM JOBIM & ELIS REGINA - "Águas de Março"


29 DE MARÇO - TEÓFILO STEVENSON

EFEMÉRIDE – Teófilo Stevenson Lawrence, pugilista e engenheiro cubano, nasceu em Puerto Padre no dia 29 de Março de 1952. Morreu em Havana, em 11 de Junho de 2012. Foi tricampeão olímpico dos pesos pesados e é considerado por muitos como o melhor pugilista amador de todos os tempos.
O pai era um imigrante anglófono da ilha de São Vicente (Antilhas) e a mãe, apesar de nascida em Cuba, era filha de imigrantes provenientes de São Cristóvão. O seu progenitor também tinha sido pugilista, mas Teófilo beneficiou de mais facilidades por se ter iniciado já sob o regime de Fidel Castro, que apoiava fortemente os desportos amadores.
Conhecido como o “Gigante del Central Delicias”, conquistou o ouro olímpico em três jogos seguidos (Munique 1972, Montreal 1976 e Moscovo 1980) e foi por três vezes Campeão Mundial Amador (entre 1972 e 1986), na categoria de pesos pesados (mais de 90 kg). Dos 321 combates que disputou, em vinte anos de carreira, venceu 301 e nunca perdeu por KO.
Com 1,90 m de altura e um peso médio de 93 kg, Teófilo é considerado o melhor pugilista não profissional de todos os tempos, com a devida moderação, pois os atletas de destaque são patrocinados pelo Estado nos regimes socialistas.
Sabe-se que Teófilo recebeu várias ofertas de dinheiro – fala-se mesmo em 5 milhões de dólares – para que se tornasse profissional nos Estados Unidos. Tais ofertas foram rechaçadas publicamente, o que lhe valeu uma protecção ainda maior do governo cubano.
Por diversas vezes, foi anunciado que Teófilo lutaria contra Muhammad Ali, mas problemas técnicos (número de assaltos e local da luta) e políticos (as relações tensas entre Cuba e Estados Unidos) impediram que tal acontecimento se realizasse.
Por causa do bloqueio a Cuba, Teófilo não esteve presente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Após disputar o Campeonato Mundial em 1986, decidiu afastar-se dos ringues e dedicar-se apenas às actividades de engenheiro.
Em 2006, ocupou um cargo de director da Federação Cubana de Boxe. Foi também deputado da Assembleia Nacional. Nos últimos anos de vida, foi vice-presidente da Federação Cubana de Boxe e trabalhou na Comissão Nacional de Atendimento a Atletas Aposentados e no Instituto Nacional de Desportos e Educação Física.
Faleceu aos 60 anos de idade, num hospital de Havana, vítima de enfarto agudo do miocárdio.

segunda-feira, 28 de março de 2016

28 DE MARÇO - RICHARD GRIFFITHS

EFEMÉRIDE – Richard Griffiths, actor britânico, morreu no Hospital Universitário de Coventry em 28 de Março de 2013. Nascera em Thornaby-on-Tees no dia 31 de Julho de 1947.
Era um dos actores favoritos na Grã-Bretanha e interpretava estilos muito diferentes nos filmes em que participava. Ficou na memória do público, sobretudo, por ter incarnado Vernon Dursley, o antipático tio de Harry Potter, em todos os filmes desta saga.
Era filho de pai e mãe operários e surdos-mudos, o que o levou a aprender a linguagem gestual. Teve uma infância movimentada, com várias tentativas de fuga e deixando a escola aos quinze anos de idade. Contratado como porteiro, o patrão encorajou-o a regressar aos estudos, o que ele fez. Seguiu então um curso de Arte Dramática no Stockton & Billingham College e estudou na Manchester School of Theatre.
Acabados os estudos, encontrou um lugar na BBC Radio, trabalhando simultaneamente em pequenos teatros como actor e, mesmo, como director. Instalou-se depois em Manchester, para poder representar papéis mais importantes, fazendo também pequenas aparições em séries televisivas. 
Chamou a atenção de Trevor Nunn, director artístico da Royal Shakespeare Company, que o aconselhou a mudar-se para Londres, o que ele fez, passando a subir aos palcos integrado naquela companhia teatral e interpretando papéis de relevo.
Em 1977, apareceu pela primeira vez no cinema em “It Shouldn't Happen to a Vet”. Interpretou depois pequenos papéis em grandes produções, como “Super-homem 2” e “Chariots of Fire”. Foi o seu papel no filme “Withnail and I”, em 1987, que o revelou ao grande público britânico. Tornou-se igualmente popular através   de várias presenças em séries de televisão.
Em 2001, tornou-se conhecido também no estrangeiro com o filme “Harry Potter and the Philosopher's Stone”, num papel que ele manteria em todos os outros filmes de Harry Potter. 
Em 2004, protagonizou a peça “The History Boys”. Em 2006, ganhou o Tony Award de Melhor Actor com uma peça em Nova Iorque e o Laurence Olivier Award de Melhor Actor com outra peça em Londres.
Ainda no teatro, em 2007, contracenou com Daniel Radcliffe (Harry Potter) na peça “Equus”. Em 2011, entrou noutras grandes produções. De Maio a Julho de 2012, fez parte do elenco de “The Sunshine Boy”.
Ficou conhecido pelos seus maus modos contra o toque de telemóveis nas salas de espectáculos, não hesitando em parar no meio de uma representação para admoestar o espectador em questão. Em 2004, fez mesmo expulsar de uma sala um espectador cujo celular tocara várias vezes.  
Conheceu a sua futura esposa, Heather Gibson, em 1973, quando os dois representavam a peça “O Leque de Lady Windermere” de Oscar Wilde. Casaram-se em 1980.
Em 2008, foi feito Oficial da Ordem do Império Britânico pela sua carreira de actor. Morreu com 65 anos, vítima de complicações após uma cirurgia cardíaca. 

domingo, 27 de março de 2016

27 DE MARÇO - MÁRIO EMÍLIO DE MORAIS SACRAMENTO

EFEMÉRIDE – Mário Emílio de Morais Sacramento, médico, escritor e político português, morreu no Porto em 27 de Março de 1969. Nascera em Ílhavo no dia 7 de Julho de 1920. Destacou-se como uma importante figura do movimento de oposição ao regime do Estado Novo.
Fez os estudos secundários no Liceu de Aveiro, onde foi activista estudantil, razão pela qual chegou a estar preso. Matriculou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, mas apenas concluiu os seus estudos depois de ter frequentado as escolas médicas do Porto e de Lisboa (onde se licenciou em 1946). Obteve em Paris uma especialização em gastrenterologia (1961).
Desde muito cedo se interessou pela escrita, colaborando em diversos periódicos, entre os quais “O Diabo”, “o Sol Nascente”, “Vértice”, “Diário de Lisboa” e “Mundo Literário” (1946/48).
Observador interessado do panorama literário português, Mário Sacramento publicou diversos ensaios sobre a obra de escritores como Eça de Queiroz, Cesário Verde, Fernando Namora e Fernando Pessoa. A qualidade dos seus trabalhos trouxe-lhe a admiração da intelectualidade portuguesa da época.
Ainda estudante, Mário Sacramento integrou-se na tradição do republicanismo democrático português, aderindo ao movimento de oposição a Salazar. Neste contexto de resistência à ditadura, militou no Partido Comunista Português, ao tempo o melhor estruturado dos movimentos oposicionistas em Portugal.
Foi membro da comissão central da organização de juventude do Movimento de Unidade Democrática (MUD Juvenil). Nessas funções, ganhou grande notoriedade, transformando-se numas das figuras de referência da resistência ao corporativismo salazarista.
A sua actividade de crítica literária guindou-o ao papel de principal teórico do movimento neo-realista em Portugal. Participou em múltiplas conferências sobre literatura e publicou uma extensa obra de crítica e de análise literária, que inclui ensaios marcantes, entre os quais “Eça de Queirós, uma Estética da Ironia” (1945, Prémio Oliveira Martins), “Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda” (1959), “Fernando Namora, a Obra e o Homem” (1967) e “Há uma Estética Neo-Realista?” (1968).
Foi secretário-geral e principal obreiro da comissão promotora do Primeiro Congresso Republicano, um fórum da oposição democrática que se reuniu em Aveiro no ano de 1957. Liderou a organização do Segundo Congresso Republicano, também realizado em Aveiro, embora tenha falecido pouco antes da sua realização. Uma parte importante das suas obras de ensaio está reunida nos três volumes, parcialmente póstumos, de “Ensaios de Domingo” (1959, 1974 e 1990).
O seu pensamento político e filosófico está compilado no volume “Frátria, Diálogo com os Católicos” (1971), obra que inclui o debate que travou – entre 1967 e 1969 – com Mário da Rocha sobre o papel dos católicos e do movimento eclesial na evolução política portuguesa.
Mário Sacramento foi cinco vezes detido pela PIDE (policia política), a primeira das quais em 1938 e a última em 1962.
O seu nome é lembrado numa das mais importantes artérias de Aveiro, tendo sido dado também o seu nome a uma escola secundária na mesma cidade. Uma curiosa frase que ele nos legou: «Façam o mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá!». 

sábado, 26 de março de 2016

SER PORTUGUÊS (glosa de quadra)

«Tudo é belo na terra portuguesa
Que faz do seu jardim nobre salão:
O culto da amizade e da franqueza,
A paisagem, a história, a tradição.»
F. Henriques

  
SER PORTUGUÊS


Escusado percorrer todo o Mundo,
Em busca da verdadeira beleza.
Aqui, mesmo ao lado do mar profundo,
Tudo é belo na terra portuguesa.

Não deixes de visitar Portugal,
Sente rejubilar o coração.
É um país que não tem igual,
Que faz do seu jardim nobre salão.

Aqui, só vais encontrar gente boa.
Saber amar é a nossa riqueza.
Há no Minho, Algarve ou Lisboa
O culto da amizade e da franqueza.

Amizade que abrange toda a gente,
Sem olhar a cor ou religião.
Portugal é um país diferente:
- A paisagem, a história, a tradição!

Gabriel de Sousa

AMIZADES, LEVA-AS O VENTO? (soneto)

AMIZADES,
LEVA-AS O VENTO?

Quis ter bons amigos p’ra toda a vida,
Que fossem quase meus familiares,
Mas neste mundo, de tantos azares,
Há muita gente desaparecida…

…P’ra novos rumos e sem despedida,
Navegando talvez por outros mares
Ou voando por outros céus e ares.
Deles resta a ausência sentida.

Faço aqui minha triste confissão:
- Amigo maior que o pensamento,
Que era a minha maior ambição,

Se houve, foi levado pelo vento,
Só deixando como recordação
Saudades sem fim e o meu lamento.  


Gabriel de Sousa

26 DE MARÇO - JOÃO SOARES LOURO

EFEMÉRIDE – João Soares Louro, administrador de empresas, antigo presidente da RTP, morreu em Lisboa no dia 26 de Março de 2007. Nascera em Faro, em 12 de Fevereiro de 1933.
Soares Louro era algarvio de nascimento, mas foi em Lisboa que desenvolveu toda a sua carreira de administrador, de que se destacou a sua liderança num momento de viragem da televisão pública portuguesa.
Esteve ligado à política, tendo sido dirigente nacional do Partido Socialista durante vários anos. Na legislatura de 1976 a 1978, foi eleito deputado pelo círculo de Lisboa. Entretanto, foi chamado a integrar o I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, como subsecretário de Estado para a Comunicação Social.
Soares Louro foi presidente do Conselho de Administração da Radiotelevisão Portuguesa (RTP), entre 1978 e 1980. Durante este período, promoveu uma profunda transformação da estação televisiva estatal, que passou pelo seu redimensionamento, reequipamento e equilíbrio financeiro, numa altura em que se passou da transmissão a preto e branco para as emissões a cores.
Foi responsável pela criação do Centro de Formação da RTP, que levou para este canal vários jovens jornalistas, que se tornariam nomes grandes do jornalismo português, como Miguel Sousa Tavares, Margarida Marante, António Mega Ferreira e Maria Elisa.
Durante o seu mandato, foram ainda criadas a Radiotelevisão Comercial (RTC), da qual viria a ser administrador, e o Grupo Editorial da Empresa TV Guia. No início da década de 1990, presidiu também aos destinos da Radiodifusão Portuguesa.
Ocupou o cargo de Provedor da Qualidade do Parque das Nações, desde 1999. A partir de 2005, integrou o Conselho de Administração da Parque Expo, como administrador não executivo, e – desde 2006 – fez parte do Conselho de Administração da Atlântico – Pavilhão Multiusos de Lisboa.
Na docência, destacou-se como mestre de conferências na área da Comunicação Social na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, entre 1993 e 1996, e pela sua colaboração com a Universidade Nova de Lisboa no ensino das Tecnologias dos Meios.
Faleceu aos 74 anos, no Hospital de Santa Maria em Lisboa, vítima de doença prolongada. Encontrava-se internado há dois meses, naquela unidade de saúde.

sexta-feira, 25 de março de 2016

25 DE MARÇO - LEILA DINIZ

EFEMÉRIDE – Leila Roque Diniz, actriz brasileira, nasceu em Niterói no dia 25 de Março de 1945. Morreu em Nova Deli, Índia, em 14 de Junho de 1972.
Depois de finalizar os estudos, foi professora num jardim-de-infância nos arredores do Rio de Janeiro. Aos dezassete anos, conheceu aquele que viria a ser o seu primeiro marido, o cineasta Domingos de Oliveira. O relacionamento durou apenas três anos.
Surgiu-lhe a oportunidade de trabalhar como actriz. Primeiro, estreou-se no teatro e, depois, passou a trabalhar na TV Globo, actuando em telenovelas. Mais tarde, casou-se com o cineasta moçambicano Ruy Guerra, com quem teve uma filha – Janaína. Participou, ao todo, em catorze filmes, doze telenovelas e várias peças teatrais.
Leila Diniz quebrou tabus numa época em que a repressão dominava o Brasil, escandalizou ao exibir a sua gravidez de biquíni na praia e chocou o país inteiro ao proferir a frase: “Faço amor de manhã, à tarde e à noite». Era considerada uma mulher à frente de seu tempo, ousada e que detestava convencionalismos. Foi invejada e criticada pela sociedade conservadora das décadas de 1960 e 1970 e pelas feministas.
Leila falava da sua vida pessoal sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento. Concedeu diversas entrevistas marcantes à imprensa, mas a que causou grande furor no país foi a que deu ao jornal “O Pasquim” em 1969. Nessa entrevista, ela – a cada trecho – dizia palavrões que na publicação foram substituídos por asteriscos. Declarou então ao entrevistador «Você pode muito bem amar uma pessoa e fazer sexo com outra. Já aconteceu comigo».
O exemplar mais vendido do jornal foi justamente esse. E foi também, depois dessa publicação, que foi instaurada a censura prévia na imprensa, mais conhecida como “Decreto Leila Diniz”. Perseguida pela polícia política, Leila escondeu-se na casa do seu colega de trabalho Flávio Cavalcanti, tornando-se mais tarde jurada do programa deste apresentador, justamente no momento em que foi acusada de ter ajudado militantes de esquerda. Alegando razões morais, a TV Globo não lhe renovou o contrato.
Meses depois, Leila reabilitou o teatro de revista e iniciou uma curta e bem sucedida carreira de vedeta. Protagonizou a peça tropicalista “Tem banana na banda”, improvisada a partir dos textos de Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel, José Wilker e Oduvaldo Viana Filho. Recebeu o título de Rainha das Vedetas. No Carnaval de 1971, foi eleita Rainha da Banda de Ipanema.
Morreu num acidente aéreo com um avião da Japan Airlines. Tinha 27 anos, estava no auge da fama e regressava de uma viagem à Austrália. A actriz Marieta Severo e o cantor Chico Buarque de Holanda, seus amigos, cuidaram da filha de Leila Diniz e Ruy Guerra, durante muito tempo, até o pai ter condições para ficar com ela.
Um cunhado que era advogado foi a Nova Deli, local do desastre, para tratar dos seus restos mortais. Encontrou um diário que continha diversas anotações e uma última frase, que provavelmente se referia ao acidente: «Está acontecendo alguma coisa muito es....».

quinta-feira, 24 de março de 2016

24 DE MARÇO - JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA

EFEMÉRIDE – José Inocêncio dos Santos Ferreira, também conhecido por Adé, escritor luso macaísta e grande defensor do patuá de Macau, língua crioula da região, morreu em Hong Kong no dia 24 de Março de 1993. Nascera em Macau, em 28 de Julho de 1919.  
Viveu em Macau durante grande parte da sua vida. O pai era português oriundo de Portugal e a mãe era natural de Macau.
Além de escritor, José dos Santos Ferreira foi funcionário público, tendo sido chefe da secretaria do Liceu Nacional Infante D. Henrique.
Depois de reformado, foi secretário-geral da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau e professor de português para alunos chineses. Foi também um colaborador assíduo do “China Mail” de Hong Kong, da agência de notícias norte-americana “Associated Press” e ainda de vários jornais portugueses editados em Macau, como o semanário “O Clarim”.
Sendo um grande amante do desporto, foi fundador e dirigente de várias associações, organismos e clubes desportivos de Macau, como a Associação de Futebol de Macau, o Hóquei Clube de Macau e o Conselho Provincial de Educação Física, a que presidiu. Como dirigente desportivo, organizou e dirigiu vários campeonatos e torneios de diferentes modalidades.
Além do desporto, dedicou-se também ao associativismo e à filantropia, sendo presidente do Rotary Club e membro da mesa directora da Santa Casa da Misericórdia e da direcção do Clube de Macau.
Dedicando-se de alma e coração à divulgação do patuá macaísta, foi autor de uma vasta obra, composta de poesias, peças de teatro, óperas, programas radiofónicos e operetas, tendo sido ainda fundador da Tuna de Macau.
Em Setembro de 1979, foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. Recebeu, em 1984 a Medalha de Mérito Cultural de Macau e foi ainda homenageado com uma estátua no Jardim das Artes.

quarta-feira, 23 de março de 2016

23 DE MARÇO - BERTA LORAN

EFEMÉRIDE – Berta Loran, de seu verdadeiro nome Basza Ajsm, actriz brasileira, nasceu em Varsóvia no dia 23 de Março de 1926. Em 1937, com 11 anos, mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se no Rio de Janeiro. Ao começar a fazer teatro, incentivada pelo pai, passou a adoptar o nome artístico Berta Loran.
Iniciou a sua carreira, apresentando-se em clubes da comunidade judaica. Aos 19 anos, mudou-se para Buenos Aires, onde morou durante dois anos. Voltou ao Brasil no início da década de 1950. O seu primeiro papel para o grande público foi interpretado numa revista em 1952, no palco do Teatro Carlos Gomes.
Na televisão, estreou-se no programa “Espectáculos Tonelux”, na TV Tupi. Iniciou-se no cinema em 1955, com o filme “Sinfonia Carioca”. Nos dois filmes seguintes, “Papai Fanfarrão” e “Garotas e Samba”, foi dirigida por Carlos Manga.
Em 1957, apresentou-se em Portugal com a peça “Fogo no Pandeiro”. Ficou a morar em Portugal durante seis anos. No regresso ao Brasil, em 1963, trabalhou na TV Record, na peça “Boing, Boing” e no musical “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”.
Em 1966, quando trabalhava na TV Tupi, foi convidada para trabalhar na Rede Globo, num programa intitulado “Bairro Feliz”. No ano seguinte, actuou em “Balança Mas Não Cai”. Entre 1970 e 1973, participou no programa “Faça Humor, Não Faça Guerra”; de 1974 a 1975, no “Satiricom”; e entre 1976 e 1982, no “Planeta dos Homens”.
No ano de 1978, voltou ao cinema, fazendo três filmes: “Como Matar Uma Sogra”, “O Golpe Mais Louco do Mundo” e “O Amante de Minha Mulher”.
Integrou o elenco fixo de “Viva o Gordo” em 1981 e participou na segunda temporada de “Balança Mas Não Cai”, entre 1982 e 1983. Ainda em 1983, actuou no humorístico “A Festa É Nossa”. No ano seguinte, surpreendeu o público e a crítica como actriz de telenovela, em “Amor Com Amor se Paga”, contracenando com Ary Fontoura.
Durante parte dos anos 1980, fez também publicidade para uma empresa de electrodomésticos.
Em 1991, passou a trabalhar nos programas de Chico Anysio. Na segunda versão da “Escolinha do Professor Raimundo”, em 2001, interpretou a judia Sara Rebeca.
Em 2004, apresentou-se na peça “Ainda Estou Aqui!” e, dois anos mais tarde, integrou o elenco do filme “Polaróides Urbanas” de Miguel Falabella. Em 2010, teve uma participação especial no remake da novela “Ti Ti Ti”. Em 2011, fez o papel da rainha-mãe Efigénia, em “Cordel Encantado”.
Participou no programa “Fantástico” em 2015. Completa hoje 90 anos de idade.

terça-feira, 22 de março de 2016

22 DE MARÇO - ANTÓNIO PINTO

EFEMÉRIDE – António Coelho Pinto, ex-atleta português, especialista em provas de longa distância, nasceu em Vila Garcia, Amarante, no dia 22 de Março de 1966. Recebeu a Medalha Olímpica Nobre Guedes em 1998.
Iniciou a sua carreira no atletismo em 1986, depois de ter praticado ciclismo. Começou por representar a Associação Desportiva de Amarante, onde esteve até 1987. Transferiu-se para o FC Porto em 1988, clube em que ficou até 1991. Nos dois anos seguintes, correu pelo SL Benfica. Finalmente, de 1994 a 2002, defendeu as cores do Maratona CP. 
Venceu a Maratona de Londres em 1992, 1997 e 2000, a Maratona de Berlim em 1994 e a final dos 10 000 metros no Campeonato da Europa de 1998 em Budapeste. O seu recorde pessoal na maratona é de 2:06:36, que permanece ainda como recorde português e europeu (partilhado com o francês Benoît Zwierzchiewski).
Competiu em quatro Olimpíadas consecutivas, de 1988 a 2000. Foi duas vezes Campeão Nacional de 5 000 metros (1994 e 1999). Terminou seis maratonas com tempos inferiores a 2:09:00, o que faz dele um dos melhores maratonistas de sempre.
Retirou-se das competições em 2002, dedicando-se actualmente à agricultura, na sua propriedade perto de Amarante.

segunda-feira, 21 de março de 2016

PACO IBAÑEZ - "A poesía es un arma cargada de futuro"


21 DE MARÇO - MARIE-CHRISTINE BARRAULT

EFEMÉRIDE – Marie-Christine Barrault, actriz francesa, nasceu em Paris no dia 21 de Março de 1944.
Embora sendo sobrinha dos actores Madeleine Renaud e Jean-Louis Barrault, não foram eles que a encorajaram a seguir a carreira artística.
Foi casada duas vezes: com Daniel Toscan du Plantier de quem teve dois filhos e com Roger Vadim de 1990 até `à morte deste conhecido cineasta (2000). Foi ainda companheira do realizador Michel Boisrond.
Em 1977, foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz pela sua interpretação no filme “Cousin, cousine”.  
Durante a sua longa carreira, já protagonizou 52 películas, 43 filmes e séries para televisão e 65 peças de teatro.
Em 2009, recebeu o Prémio Reconhecimento dos Cinéfilos e, em 2012, foi galardoada com o oficialato da Legião de Honra Francesa.

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