domingo, 27 de março de 2016

27 DE MARÇO - MÁRIO EMÍLIO DE MORAIS SACRAMENTO

EFEMÉRIDEMário Emílio de Morais Sacramento, médico, escritor e político português, morreu no Porto em 27 de Março de 1969. Nascera em Ílhavo no dia 7 de Julho de 1920. Destacou-se como uma importante figura do movimento de oposição ao regime do Estado Novo.
Fez os estudos secundários no Liceu de Aveiro, onde foi activista estudantil, razão pela qual chegou a estar preso. Matriculou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, mas apenas concluiu os seus estudos depois de ter frequentado as escolas médicas do Porto e de Lisboa (onde se licenciou em 1946). Obteve em Paris uma especialização em gastrenterologia (1961).
Desde muito cedo se interessou pela escrita, colaborando em diversos periódicos, entre os quais “O Diabo”, “o Sol Nascente”, “Vértice”, “Diário de Lisboa” e “Mundo Literário” (1946/48).
Observador interessado do panorama literário português, Mário Sacramento publicou diversos ensaios sobre a obra de escritores como Eça de Queiroz, Cesário Verde, Fernando Namora e Fernando Pessoa. A qualidade dos seus trabalhos trouxe-lhe a admiração da intelectualidade portuguesa da época.
Ainda estudante, Mário Sacramento integrou-se na tradição do republicanismo democrático português, aderindo ao movimento de oposição a Salazar. Neste contexto de resistência à ditadura, militou no Partido Comunista Português, ao tempo o melhor estruturado dos movimentos oposicionistas em Portugal.
Foi membro da comissão central da organização de juventude do Movimento de Unidade Democrática (MUD Juvenil). Nessas funções, ganhou grande notoriedade, transformando-se numas das figuras de referência da resistência ao corporativismo salazarista.
A sua actividade de crítica literária guindou-o ao papel de principal teórico do movimento neo-realista em Portugal. Participou em múltiplas conferências sobre literatura e publicou uma extensa obra de crítica e de análise literária, que inclui ensaios marcantes, entre os quais “Eça de Queirós, uma Estética da Ironia” (1945, Prémio Oliveira Martins), “Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda” (1959), “Fernando Namora, a Obra e o Homem” (1967) e “Há uma Estética Neo-Realista?” (1968).
Foi secretário-geral e principal obreiro da comissão promotora do Primeiro Congresso Republicano, um fórum da oposição democrática que se reuniu em Aveiro no ano de 1957. Liderou a organização do Segundo Congresso Republicano, também realizado em Aveiro, embora tenha falecido pouco antes da sua realização. Uma parte importante das suas obras de ensaio está reunida nos três volumes, parcialmente póstumos, de “Ensaios de Domingo” (1959, 1974 e 1990).
O seu pensamento político e filosófico está compilado no volume “Frátria, Diálogo com os Católicos” (1971), obra que inclui o debate que travou – entre 1967 e 1969 – com Mário da Rocha sobre o papel dos católicos e do movimento eclesial na evolução política portuguesa.
Mário Sacramento foi cinco vezes detido pela PIDE (policia política), a primeira das quais em 1938 e a última em 1962.
O seu nome é lembrado numa das mais importantes artérias de Aveiro, tendo sido dado também o seu nome a uma escola secundária na mesma cidade. Uma curiosa frase que ele nos legou: «Façam o mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá!». 

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