domingo, 10 de julho de 2011




EFEMÉRIDEEl Cid, de seu verdadeiro nome Rodrigo Díaz de Vivar, guerreiro espanhol que viveu no século XI, época em que a Hispânia estava dividida entre reinos rivais de cristãos e muçulmanos, morreu em Valência no dia 10 de Julho de 1099. Nascera em Vivar, no ano de 1043.

A sua vida e os seus feitos tornaram-se uma lenda, sobretudo devido a uma canção (“Canción de Mio Cid”), datada de 1207, transcrita no século XIV pelo copista Pedro Abád e guardada na Biblioteca Nacional de Espanha.

A imagem que ressalta é a de um cavaleiro medieval modelo: forte, valente, leal, justo e piedoso. Mas há outras fontes que lhe pintam um retrato bem diferente.

Órfão de pai aos 15 anos, foi levado para a corte do rei Fernando I, onde se tornou amigo e companheiro do príncipe Sancho. A sua educação fez-se no Mosteiro de San Pedro de Cardeña, recebendo ensinamentos sobre Letras e Leis.

Com a morte de Fernando I, o reino foi dividido entre os filhos: Castela ficou para Sancho; a Galiza para Garcia; Leão para Alfonso; Toro para Elvira; e Zamora para Urraca. Aconteceu que Sancho não concordou com a divisão e passou a lutar pela reunificação e ampliação da herança paterna. Nessa luta, contou com a ajuda de Rodrigo, nomeado Alferes do reino.

Tinha 23 anos quando venceu, em combate singular, o Alferes de Navarra. Essa façanha valeu-lhe a alcunha de “Campeador” e começou a ser conhecido por “El Cid”.

Investindo contra o irmão Alfonso, Sancho tomou-lhe o reino de Leão e, em seguida, voltou-se para Zamora. Foi durante esse cerco que foi assassinado, à traição, por Bellido Dolfos, que se suspeitou ser agente de Alfonso.

Sancho não deixou herdeiros e Alfonso VII tornou-se rei de Castela, só sendo coroado depois de prestar o “Juramento de Santa Gadea”, exigido por El Cid, em que negou qualquer envolvimento na morte do irmão. Após esse episódio, as relações entre o rei e El Cid tornaram-se cada vez mais tensas, até que, em 1081, foi desterrado.

Neste ponto, a sua história é contada em duas versões diferentes. Segundo a “Canción de Mio Cid”, 300 dos melhores cavaleiros castelhanos decidiram acompanhá-lo no exílio, fazendo de Zaragoza o seu quartel-general e travando batalhas vitoriosas contra os mouros. Segundo uma versão alternativa, refugiou-se nas montanhas de Aragão, arregimentando um pequeno exército cujas armas eram postas ao serviço de quem lhes pagasse mais, fosse cristão ou muçulmano. Aliás, é também essa fonte alternativa que, ao mencionar o seu casamento com Ximena, filha do Conde de Oviedo, ocorrido pouco antes do exílio, diz, maliciosamente, que a dama era mais velha do que ele e muito feia. Porém tinha um património invejável.

O certo é que, nesse tempo, Rodrigo estabeleceu vínculos com o rei mouro Al-Cádir da Taifa de Valência, que se tornou seu amigo e protegido (segundo uma versão) ou seu cliente (segundo outra). Foi em benefício dele que El Cid conquistou os pequenos reinos de Albarracín e Alpuente.

Em 1089, um numeroso exército mouro cruzou o estreito de Gibraltar. A invasão ameaçava a segurança de todos os reinos espanhóis e o rei Alfonso pediu ajuda a El Cid, fazendo-o voltar a Castela. Mas não tardou muito para que a hostilidade entre ambos voltasse a manifestar-se e El Cid foi desterrado pela segunda vez.

Nos dez anos que se seguiram, a fama do “Campeador” cresceu. Liderando um grande exército, conquistou e tornou-se senhor dos reinos mouros de Lérida, Tortosa, Dénia, Albarracín e Alpuente.

Por volta de 1093, ao saber do assassinato de Al-Cádir, atacou a Taifa de Valência, conseguindo tomá-la em 1094, após 19 meses de cerco da cidade.

Segundo a versão que não o enobrece, El Cid teria mandado torturar e depois queimar vivo o governador da cidade, Ben Yehhaf, implicado na morte de Al-Cádir. E não teria poupado a sua mulher e filhos se não fosse a intervenção dos nobres cavaleiros que o seguiam.

Já a versão mais difundida sustenta que ele, ao tornar-se senhor de Valência, foi um governante justo e equilibrado. Outorgou à cidade um estatuto de justiça, implantou a religião cristã mas, ao mesmo tempo, renovou a mesquita dos muçulmanos, cunhou moedas e rodeou-se de uma corte, composta tanto por poetas árabes como cristãos, quanto por pessoas eminentes no mundo das leis.

Mas os “almorávidas” não estavam inactivos e apresentaram-se às portas da cidade. Após vários combates, El Cid obteve uma vitória decisiva, que contribuiu para o tornar objecto de narrativas heróicas, várias delas absolutamente falsas.

Até à sua morte, governou Valência em nome de Alfonso VII mas, na verdade, o seu poder era independente do rei e ele tratou mesmo de o aumentar.

Ao contrário da tradição lendária, que o descreve morrendo heroicamente em combate, ele faleceu numa cama do seu castelo de Valência. Os seus restos mortais, juntamente com os da esposa, estão sepultados na Catedral de Santa Maria de Burgos.

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