segunda-feira, 1 de março de 2010

EFEMÉRIDE – Eurico Sidónio Gouveia Xavier Lopes da Fonseca, especialista português de astronáutica, informática, energias renováveis e automóveis, nasceu em Lisboa no dia 1 de Março de 1921. Faleceu em Almada, em 4 de Dezembro de 2000.
Praticamente autodidacta, foi nomeado investigador por decreto-lei e equiparado a professor catedrático. Nos anos 1960, conseguiu grande projecção mesmo nos meios científicos norte-americanos.
Era diplomado em engenharia mecânica e tecnologia de automóveis pela Escola Industrial Marquês de Pombal.
Dirigiu desde 1958 o já extinto Centro de Estudos Astronáuticos e foi desenhador chefe da Escola Naval do Ministério da Marinha até 1962.
Foi delegado oficial de Portugal em diversos congressos promovidos pela Federação Internacional de Astronáutica, onde apresentou projectos da sua autoria. Dois deles intitulam-se “A Limitação Dinâmica da Liberdade do Espaço Cósmico” (Londres, 1959) e “A Utilização de Planetóides Artificiais no Voo Interplanetário” (Estocolmo, 1960).
Na sequência desta última comunicação, Eurico da Fonseca expôs “O Projecto Bumerangue”, em Tóquio, num simpósio da Japan Rocket Society. A ideia foi, posteriormente, discutida com o engenheiro da NASA John C. Houbolt (responsável pela concepção do primeiro módulo lunar), no Centro de Investigação Langley, em Hampton, Virgínia, EUA, em 1961.
No mesmo ano, a convite do Governo, participou no “Spaceflight Report to the Nation” em Nova Iorque. Nesta ocasião ficou a conhecer a indústria norte-americana da astronáutica e visitou as instalações da NASA, sendo a primeira pessoa não norte-americana a ter este privilégio.
Conheceu os principais dirigentes do Programa Apolo, tomando conhecimento dos problemas que tinham surgido durante a sua fase inicial.
Foi convidado a participar na “Conferência sobre Naves Tripuladas” em 1963, organizada em Los Angeles pela American Astronautical Association - sob a presidência de Maxwell Hunter, responsável pelo Programa Mercury e então vice-presidente do USA National Aeronautics and Space Council.
Foi autor do vocabulário oficial de Astronáutica em português, elaborado em 1960, em colaboração com a Academia de Ciências de Lisboa, o Centro de Estudos Filológicos do Instituto para a Alta Cultura, a Federação Internacional de Astronáutica e a Sociedade Interplanetária Brasileira.
Assumiu as funções de investigador do Centro de Estudos Especiais da Armada de 1962 a 1984, ano em que se reformou.
Leccionou na Universidade Nova de Lisboa e obteve o Prémio Einstein pelo «melhor trabalho na imprensa portuguesa sobre ciência e tecnologia» (1985).
Notabilizou-se como comentador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo na Emissora Nacional a descida do primeiro homem na Lua em 1969 e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos.
Na televisão, foi apresentador e autor do programa “5ª Dimensão” da RTP e comentador de ciência no programa “Ponto por Ponto”, de Raul Durão, até 1995.
Colaborou nos jornais O Volante, Diário Popular e A Capital, onde foi responsável pelo suplemento História do Automóvel e pela secção de Computadores.
Foi autor da série de ficção científica “O Segredo de Marte”, emitida nos meados dos anos 1980, e reposta em 1993, na RDP. Desde a década de 1960, traduziu cerca de 260 livros de ficção científica para a editora “Livros do Brasil”.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Pierre Henri Clostermann, célebre piloto de guerra, escritor, industrial e político francês, nasceu em Curitiba, no Brasil, em 28 de Fevereiro de 1921. Faleceu em Montesquieu-des-Albères no dia 22 de Março de 2006.
Aprendeu a pilotar no Brasil, aos 16 anos, no Aeroclube então instalado em Manguinhos, no Rio de Janeiro.
No Dia D, foi o primeiro piloto francês a pousar em França, então ainda ocupada pela Alemanha nazi.
Filho de diplomatas instalados no Brasil, cruzou-se com Jean Mermoz e Henri Guillaumet, pioneiros da aviação francesa, então ao serviço da “Aéropostale”. Depois de obter o brevet em 1937, ingressou no “California Institute of Technology”, para preparar o diploma de engenheiro aeronáutico e obter o brevet de piloto profissional.
Chegou a Inglaterra em 1940 e juntou-se às Forças Aéreas Francesas Livres em 1942, no seio da RAF. Tornou-se piloto de Spitfire, voando mais tarde no Tempest.
É o maior ás francês da Segunda Grande Guerra Mundial e, às suas numerosas vitórias no ar, há que acrescentar muitos aviões inimigos, locomotivas, camiões e carros de combate destruídos no solo e, ainda, o afundamento de duas vedetas lança-torpedos e de um submarino.
Recebeu 27 vezes a Cruz de Guerra com Palma e numerosas condecorações francesas e estrangeiras. Foi deputado aos 25 anos tendo sido reeleito por oito vezes.
Começou uma carreira de escritor, salientando-se o livro “O Grande Circo”, de que foram vendidos três milhões de exemplares e que foi traduzido em trinta línguas. Foi adaptado ao cinema várias vezes e, também, à banda desenhada. Segundo o escritor americano William Faulkner, este é «o melhor livro saído da guerra».
Falando fluentemente a língua portuguesa, serviu também de agente de ligação discreto entre a França (de Gaulle) e Portugal (Salazar), quando do início da guerra nas ex colónias portuguesas. Relacionou-se com personalidades de renome como Hemingway, Che Guevara, Allende, etc.
Em 1962 foi nomeado director comercial da sociedade “Max Holste”, que se tornaria mais tarde na “Reims Aviation” e que, sob a sua direcção, construiria perto de 5 000 aviões de turismo. Foi igualmente vice-presidente da Cessna Aircraft Company e administrador do grupo Marcel Dassault e da Renault. Em 1973 Clostermann leccionou na Escola do Estado-Maior da US Air Force.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Elizabeth Rosemond Taylor, famosa actriz anglo-americana, nasceu em Hampstead no dia 27 de Fevereiro de 1932.
Com três anos, começou a ter lições de dança clássica. Filha de pais norte-americanos, mudou-se para os Estados Unidos em 1939, retomando as aulas de ballet e iniciando a aprendizagem de canto e de equitação.
A sua carreira cinematográfica teve início ainda em criança, aos dez anos, contratada pela Universal Pictures para o filme “There's One Born Every Minute”. A partir de então, apaixonou-se pelo cinema e permanecer num estúdio tornou-se a sua maior ambição.
Assinou um contrato de longa duração com a MGM. Actriz talentosa e respeitada pela crítica, nos anos 1950 filmou vários dramas, como “Um lugar ao Sol”, com Montgomery Clift, e “Assim Caminha a Humanidade”, com Rock Hudson, ambos actores homossexuais e dos quais se tornou grande amiga. Nessa década faria ainda “A Última Vez Que Vi Paris”.
Liz, como era conhecida, foi considerada uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos. Diva dos anos de ouro do cinema norte-americano, era também uma compulsiva coleccionadora de jóias.
É famosa igualmente pelos seus oito casamentos, dois deles com o actor inglês Richard Burton, com quem actuou várias vezes nos anos 1960 (“Cleópatra” e “Quem tem medo de Virgínia Woolf?”, com o qual ganhou o segundo Oscar de Melhor Actriz). O primeiro Oscar tinha-lhe sido entregue pelo filme “A Vénus em vison”. Nessa década, era a actriz mais bem paga do mundo.
Foi pioneira no desenvolvimento de acções de solidariedade, obtendo fundos para campanhas contra a SIDA, logo após a morte de Rock Hudson. Nessa época agravaram-se vários problemas com a sua saúde, ganhando peso e sendo frequentemente internada em hospitais.
Em 1999 o “American Film Institute” distinguiu-a como a sétima maior actriz de todos os tempos, na classificação “Cem Anos, Cem Estrelas”.
Apesar de ter nascido fora dos EUA, em 2001 o presidente Bill Clinton entregou-lhe a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano: a Presidential Citizens Medal, atribuída pelas suas múltiplas actividades filantrópicas.
Abandonou progressivamente o cinema, fazendo ainda algumas séries de televisão. Em 2003 pôs um ponto final na sua carreira.
Reside desde os anos 1980 em Bel Air na Califórnia, onde habitava também Michael Jackson, um dos seus grandes amigos, de cujos dois filhos foi madrinha.
Em 2004 foi-lhe diagnosticada uma insuficiência cardíaca. Depois fracturou várias vezes as costelas, apanhou duas pneumonias e foi vítima de doença cancerosa na pele e de um tumor no cérebro. Sofrendo também de osteoporose, desloca-se actualmente com o auxílio de uma cadeira de rodas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Sandie Shaw, de seu verdadeiro nome Sandra Goodrich, cantora britânica, nasceu em Dagenham no dia 26 de Fevereiro de 1947.
Foi uma das cantoras mais populares dos anos 1960. Tornou-se famosa em toda a Europa, por ter vencido o Festival da Eurovisão (1967) com a canção “Puppet on a string”. Teve um princípio de carreira cheio de sucessos, alcançando três primeiros lugares no top britânico das canções.
A grande originalidade desta artista era cantar descalça o que, segundo ela, lhe permitia estar mais à vontade e sentir melhor a “atmosfera das canções”.
Gravou discos também em italiano, francês e alemão e tornou-se muito popular na Europa, na América do Sul e no Irão (antes da revolução).
Em 1972 a sua estrela de cantora começou a empalidecer. Deixou de gravar e lançou-se noutros projectos. Escreveu uma comédia musical rock, compôs, trabalhou como actriz e escreveu e pintou livros para crianças. Converteu-se ao budismo, divorciou-se e atravessou um período de “vacas magras”, chegando a trabalhar como empregada de mesa.
Em 1982 casou-se com Nik Powell, co-fundador do grupo “Virgin” e presidente da “European Film Academy”. Convidada por Morrissey, ex-vocalista dos “The Smiths”, cantou “Hand in Glove” (1985), música famosa do grupo de Manchester. Voltou então a aparecer nos “hit parade” britânicos.
Em 1988 publicou novo álbum de sucesso (“Hello Angel”) e, três anos mais tarde, escreveu a sua autobiografia “O Mundo a Meus Pés”.
Com mais de quarenta anos, ingressou na Universidade de Oxford, licenciando-se como psicoterapeuta em 1994. Em 2005 lançou o álbum “O Melhor de Sandie Shaw”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – José Joaquim Cesário Verde, poeta português, nasceu em Lisboa no dia 25 de Fevereiro de 1855. Faleceu no Lumiar, em 19 de Julho de 1886.
Filho de um lavrador e comerciante, matriculou-se no Curso Superior de Letras em 1873, mas só o frequentou durante alguns meses. Dividiu depois o seu tempo entre a produção de poesias (publicadas em jornais) e as actividades de comerciante, herdadas do seu pai.
Em 1877 começou a dar sinais de tuberculose, doença que já lhe vitimara o irmão e a irmã. Estas mortes serviram-lhe aliás de inspiração para um de seus principais poemas (“Nós”, 1884).
Tentou curar-se, mas sem sucesso, vindo a falecer em 1886. No ano seguinte, o amigo Silva Pinto organizou uma compilação da sua poesia: “O Livro de Cesário Verde”, publicado em 1901.
De poesia sensível, Cesário empregou técnicas impressionistas, ao retratar a Cidade e o Campo, que são os seus cenários predilectos. Evitou o lirismo tradicional, expressando-se da forma o mais natural possível.
O contacto com o campo, na sua infância, determinou a visão que dele nos dá e a sua preferência. Ao contrário de outros poetas anteriores, o campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, bucólico ou susceptível de devaneio poético, mas é sim um espaço real, concreto, autêntico, que lhe confere liberdade. O campo é um espaço de vitalidade, alegria, beleza e vida saudável. Na cidade, o ambiente é cheio de contrastes, apresentando ruas alcatroadas versus muitas outras esburacadas, casas apalaçadas (habitadas por burgueses e ociosos) versus casas velhas, edifícios cinzentos e sujos. O ambiente humano é caracterizado pelos calceteiros cuja coluna nunca se endireita, pelos padeiros cobertos de farinha, pelas vendedeiras enfezadas e pelas engomadeiras tísicas versus as frívolas burguesinhas citadinas.
A arte de Cesário Verde é reveladora de uma preocupação social e de uma intervenção crítica. Nele, deparamos com dois tipos de mulher, de acordo com os locais em que vive. A cidade surge associada à mulher fatal, frígida, frívola, calculista, madura, destrutiva, dominadora e sem sentimentos. Em contraste com esta mulher predadora, surge um tipo de mulheres, que é o oposto daquelas: frágeis, ternas, ingénuas, despretensiosas, pobres e doentes, mas objecto da sua grande admiração.
Pode verificar-se na obra de Cesário Verde uma aproximação a várias estéticas. Tendo em conta o seu interesse pela captação do real, pelas cenas de exteriores, por quadros da cidade, concretos, plásticos e coloridos, é fácil detectar a afinidade com o Realismo. A ligação aos ideais do Naturalismo verifica-se na medida em que o meio surge como determinante dos comportamentos. Pela objectividade dos temas, baseados na Natureza e no quotidiano, assim como pelas formas exactas e correctas, podemos ver afinidades com o Parnasianismo. Por último, aproxima-se dos Impressionistas, captando a realidade, mas retratando-a filtrada pelas suas próprias percepções.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Pablo Milanés, compositor, cantor e guitarrista cubano, nasceu em Bayamo no dia 24 de Fevereiro de 1943.
Estudou música no Conservatório Municipal de Havana. Como intérprete, aderiu ao quarteto “Los Bucaneros”, com quem trabalhou até 1966.
Em 1965 gravou “Os Meus 22 anos”, considerado por muitos como o elo de ligação para a “Nueva Trova Cubana”. Incluía novos elementos musicais e vocais, precursores da música cubana que apareceria anos mais tarde.
Em 1967 começou a posicionar-se na defesa de causas sociais. Era a época da Guerra no Vietname.
Em 1968 realizou o primeiro concerto na “Casa de las Américas”. Este seria o primeiro sinal do que mais tarde, em 1972, emergiria verdadeiramente como movimento popular musical “Nueva Trova”.
No início dos anos oitenta, Pablo Milanés formou o seu próprio grupo, com a ajuda de vários amigos. Tem publicado inúmeros discos, composto bandas sonoras para filmes e trabalhado em conjunto com cantores estrangeiros: Joan Manuel Serrat e Luís Represas, entre muitos outros.
Entre as suas canções mais famosas saliente-se “Yolanda”, “Yo me quedo”, “Amo a esta isla” e “El breve espacio en que no estás”.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Stan Laurel, de seu verdadeiro nome Arthur Stanley Jefferson, actor cómico, escritor e realizador norte-americano, faleceu em Santa Monica, Califórnia, no dia 23 de Fevereiro de 1965, vítima de crise cardíaca. Nascera em Ulverston, Lancashire, na Inglaterra, em 16 de Junho de 1890. Tornou-se famoso sobretudo pelos seus filmes com Oliver Hardy, com o qual formou a célebre dupla cómica “Bucha & Estica”.
Fez várias tournées com companhias de teatro, até entrar no grupo de Fred Karno, em 1910, do qual também fazia parte Charles Chaplin. Chegou a substituir Chaplin numa das suas pantomimas.
Trabalhou depois como “free lancer” para vários estúdios e, num dos seus trabalhos, contracenou com Oliver Hardy. Foi a primeira vez que actuaram juntos.
A partir de 1926, Laurel passou a colaborar com Hal Roach, como “gagman” e realizador. Em 1927, na companhia de Roach, Stan actuou em “Slipping Wives”, novamente ao lado de Oliver Hardy. A partir de então, os dois foram-se destacando e a dupla “Bucha & Estica” consolidou-se com a estreia oficial em 1927 de “Putting Pants on Philip”.
Em 1940 formaram uma companhia própria, a “Laurel and Hardy Feature Productions”, mas não fizeram filmes, percorrendo o país com o show “The Laurel and Hardy Revue”.
Posteriormente a dupla fez filmes para a 20th Century Fox, para a MGM e finalmente, em 1950, “Atoll K” (“A Ilha da Bagunça”), para produtoras europeias, filme com o qual decidiram encerrar a sua carreira conjunta.
Em 1954 Hardy teve um enfarto do miocárdio. Em 1955 Hardy e Laurel planearam ainda fazer uma série de TV, mas Laurel teve um AVC, o mesmo acontecendo em 1956 a Hardy, que ficou paralisado e acamado durante meses, sem falar e sem se poder mover.
Em 7 de Agosto de 1957, Oliver Hardy morreu. Laurel não compareceu no seu funeral, pois estava a trabalhar em "Babe Would Understand". Laurel decidiu, a partir de então, nunca mais fazer representações e passou apenas a escrever comédias. Os amigos diziam que Laurel ficara totalmente arrasado com a morte de Hardy, sem nunca ter recuperado.
Em 1961 Stan recebeu um Oscar Especial pelo seu “pioneirismo criativo no campo da comédia cinematográfica”. Ele esteve envolvido num número incerto de filmes (entre 71 e 190), muitos deles perdidos para sempre.
Viveu o resto da vida num apartamento no Oceana Hotel, em Santa Monica. Jerry Lewis era um dos muitos comediantes que o visitavam, aproveitando mesmo sugestões dele para as suas produções.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Sophie Magdalena Scholl, um dos pilares do movimento de resistência antinazi “Rosa Branca”, morreu guilhotinada em Munique no dia 22 de Fevereiro de 1943. Nascera em Forchtenberg, em 9 de Maio de 1921. É conhecida como uma das poucas alemãs, que se opuseram activamente ao Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial, e é também considerada uma mártir.
Como o resto dos jovens alemães, foi incorporada nos movimentos da Juventude Hitleriana. Em breve sentiria no entanto a restrição das liberdades, em particular de pensamento e de religião. Depois de concluir o bacharelato em 1940, ocupou-se em tomar conta de crianças. Encetou depois, em Munique, os estudos de biologia e filosofia (1942).
Em virtude da sua educação protestante, da oposição declarada de seu pai ao nazismo e da experiência vivida por seu irmão, militar e estudante de medicina em Munique, enfermeiro mais tarde nos hospitais da frente leste e testemunha da barbárie nazi contra os judeus e as populações russas, ela abriu os olhos para a verdadeira situação da Alemanha.
No início do Verão de 1942, Sophie Scholl participou na produção e distribuição de vários panfletos da “Rosa Branca”. Denunciada à Gestapo por um porteiro, foi presa em 18 de Fevereiro de 1943, quando distribuía prospectos na Universidade de Munique. Os documentos eram redigidos e depois copiados, sendo posteriormente colocados também nas caixas de correio das casas de grandes cidades da Baviera (berço do movimento nazi).
Sophie, o irmão Hans e o universitário Christoph Probst, foram julgados em menos de quatro horas no dia 22 de Fevereiro de 1943, acusados de traição e decapitados no mesmo dia. Sophie enfrentou a morte com muita coragem, segundo testemunho dos guardas da prisão. Desobedecendo às ordens superiores, os carcereiros tinham deixado os jovens reencontrarem os seus pais antes das execuções.
Os três são hoje considerados heróis nacionais alemães. Entre Fevereiro e Outubro de 1943, foram mortos mais cinquenta integrantes do movimento “Rosa Branca”.
Em Fevereiro de 2005 foi lançado um filme sobre a sua vida (“Sophie Scholl -Die letzten Tage”), com a actriz Julia Jentsch interpretando o papel de Sophie. Na Alemanha, numerosas escolas têm o nome dos irmãos Scholl. Um prémio literário com os seus nomes foi também criado em 1980.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Margot Fonteyn, de seu verdadeiro nome Margaret Hookham, famosa bailarina inglesa, faleceu no Panamá em 21 de Fevereiro de 1991. Nascera em Reigate, no Surrey, em 18 de Maio de 1919.
Era filha de pai inglês e de mãe irlandesa, e neta do industrial brasileiro António Fontes. No começo da sua carreira, Margaret transformou “Fontes” em Fonteyn e “Margaret” em Margot.
Em 1931 entrou para a escola de ballet do Sadler's Wells, continuando a sua formação na Royal Ballet School de Londres. Tinha qualidades excepcionais e umas proporções físicas perfeitas. Em 1935 tornou-se “primeira bailarina” com dezasseis anos apenas. Em “A bela adormecida”, Margot interpretou a Princesa Aurora, conduzindo o futuro “Royal Ballet” a um período de glória e à sua primeira e brilhante temporada em Nova Iorque (1949). Juntamente com Robert Helpmann, fez tournées que duravam vários anos.
Nas décadas 1960/70, Margot Fonteyn foi a parceira favorita do bailarino soviético Rudolf Nureyev, vinte anos mais jovem do que ela. O par foi idolatrado pelo público e pela crítica até Margot se reformar em 1979, com 60 anos de idade. Fizeram juntos a versão filmada do “Lago dos Cisnes”.
Em 1955 casara-se com o diplomata sul-americano Roberto Arias, que ficou paralítico após sofrer um atentado em 1964. Depois de se afastar dos palcos, dedicou-se ao marido até à morte dele, em 1989, vivendo na sua fazenda no Panamá.
Antes de morrer, Margot Fonteyn foi homenageada, como “a grande dama do ballet do século XX”. O hall principal do edifício de estudantes da Universidade de Durham, no nordeste da Inglaterra, tem o seu nome.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Pierre-François-Marie-Louis Boulle, escritor francês, conhecido mundialmente sobretudo pelos seus livros “A Ponte do Rio Kwai” e “O Planeta dos Macacos”, nasceu em Avinhão no dia 20 de Fevereiro de 1912. Faleceu em Paris, em 31 de Janeiro de 1994.
Formado em engenharia, trabalhou como técnico na Malásia, de 1936 a 1939. Durante a 2ª Guerra Mundial, alistou-se no exército na Indochina francesa. Quando os alemães ocuparam a França, ingressou no movimento “França Livre” em Singapura. Serviu como agente secreto, usando um passaporte inglês e o nome Peter John Rule, ajudando o movimento da resistência, na China, Burma e Indochina francesa. Em 1942 foi capturado no rio Mekong pelas forças fiéis ao governo colaboracionista de Vichy, sendo condenado a trabalhos forçados perpétuos. Em 1944 conseguiu evadir-se de Saigão e juntar-se de novo à Resistência, em Calcutá.
Acabado o conflito, foi feito Cavaleiro da Legião de Honra, recebeu a Medalha da Resistência, a Cruz de Guerra e a Medalha dos Evadidos. Viria a descrever as suas experiências durante a guerra na obra não ficcional “My Own River Kwai” (1967).
Boulle mudou-se entretanto para Paris. Sendo muito pobre na época, habitou um velho hotel, até que a irmã o convidou para morar consigo. Ela tinha uma filha, que Pierre ajudou a criar e queria mesmo adoptar, mas isso não aconteceu, pois ele não quis deixar uma família para formar outra. Passou o resto da sua vida morando com a irmã, o cunhado e a sobrinha.
Publicou o seu primeiro romance (“William Conrad”) em 1950. Em 1952 escreveu “A Ponte do Rio Kwai”, que se tornou um bestseller mundial, ganhando o Prémio Sainte-Beuve. O livro é baseado em experiências reais de Boulle durante a Guerra, sendo assim considerado semi-ficcional. Em 1957 David Lean adaptou-o ao cinema, ganhando vários Oscars, incluindo o de “Melhor Filme” e de “Melhor Actor (Alec Guinness). O próprio Boulle ganhou o prémio de “Melhor Guião Adaptado”.
Em 1967, doutra sua obra, “O Planeta dos Macacos”, um clássico da ficção científica, foi feito um filme que ganhou também um Oscar. Foram realizadas igualmente adaptações para televisão e banda desenhada.
Em 1976, pelo conjunto da sua obra, recebeu o “Grand Prix de la Société des Gens de Lettres”. Pierre Boulle foi um dos pioneiros da ficção científica francesa e é um dos autores franceses mais traduzidos e conhecidos no estrangeiro, principalmente nos Estados Unidos.
Cinco anos depois da morte de Pierre Boulle, a sua sobrinha descobriu vários manuscritos inéditos nos arquivos do tio. Quase ilegíveis, foi necessário passar a ferro cada uma das 20 000 páginas descobertas, para as restaurar. Depois deste fastidioso trabalho, conseguiu publicar um novo romance (“O Arqueólogo e o Mistério de Nefertiti”), escrito provavelmente entre 1949 e 1951, assim como várias novelas reunidas no livro “L'Enlèvement de l'Obélisque”.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Knut Hamsun, de seu verdadeiro nome Knud Pedersen, escritor norueguês, Prémio Nobel de Literatura em 1920, morreu em Nørholm no dia 19 de Fevereiro de 1952. Nascera em Vågå, em 4 de Agosto de 1859.
A família mudou-se para Hamarøy, a cerca de 150 km ao norte do Círculo Polar Árctico. Hamsun trabalhava para um tio, cortando lenha. Para combater a solidão (o tio não permitia que ele se encontrasse outras crianças), Knut voltou-se para os livros.
Hamsun quase que não teve uma educação convencional, frequentando apenas aulas numa escola itinerante. Em 1873 foi para Lom, trabalhar como aprendiz numa loja. Voltou para Hamarøy no ano seguinte, onde teve diversos empregos.
Escreveu o seu primeiro livro de ficção aos 18 anos. No ano seguinte, leccionou numa escola em Vesterålen e publicou o seu segundo romance. Escreveu seguidamente “Frida”. Para sua decepção, o livro foi rejeitado pelo editor. Em 1878 mudou-se para a Christiania (actual Oslo), onde viveu na miséria. Durante algum tempo, trabalhou na construção de uma estrada. Entre 1882 e 1884 foi para os EUA. Voltou depois a Oslo, continuando a sua carreira literária, mas sem grande sucesso.
Em 1886 voltou aos Estados Unidos, onde ficou até 1888. Durante este período, trabalhou como condutor de autocarros em Chicago, trabalhador agrícola no Dakota do Norte e deu palestras em Mineápolis. Hamsun era considerado um excêntrico pelos imigrantes noruegueses. Um escritor e pastor “unitariano” permitiu que ele desfrutasse da sua rica biblioteca. Deste período nasceu “Fra Det Moderne Amerikas Andsliv” (1889), uma descrição satírica da América e da sua vida cultural.
Hamsun conquistou finalmente o sucesso em 1890 com “Fome”, a história de um jovem escritor sem abrigo, incapaz de arranjar trabalho e morrendo de fome vagueando pelas ruas. Apesar das roupas em farrapos e da aparência de esfomeado, ele conseguia manter a sua dignidade. O romance tornou-se conhecido e deu a Hamsun bastante prestígio. Seguiram-se vários títulos também com êxito.
Durante a primeira década do século XX, Hamsun viveu igualmente na Finlândia, onde escreveu uma longa peça de teatro e teve uma vida social muito activa, que o levava a consumir grandes quantidades de bebidas. Em 1911 deixou os círculos literários urbanos e mudou-se para uma fazenda. Depois da publicação de “Os Frutos da Terra” em 1917, instalou-se em Nørholm, no sul da Noruega, dividindo o seu tempo entre a escrita e o amanho da terra.
O seu apoio ao partido pro-nazi norueguês durante a Segunda Guerra Mundial fez empalidecer a sua reputação de escritor. Quando encontrou Hitler e Goebbels em 1943, ofereceu mesmo a este último a medalha que recebera na cerimónia do Prémio Nobel.
Depois da guerra, Hamsun ficou preso por algum tempo. Em 1945 foi transferido para uma clínica psiquiátrica em Oslo. De lá mudou-se para um lar para pessoas idosas em Landvik.
Em 1947/48 Hamsun acabou por ser julgado pela sua colaboração com o regime nazi e condenado a uma multa de 325 000 coroas norueguesas. Ignorando o conselho do advogado, ele recusou fingir-se senil e não demonstrou qualquer arrependimento.
Hamsun lançou em 1949, aos 90 anos, um livro acerca das suas opções políticas e o seu ponto de vista sobre o julgamento de que fora alvo. O livro foi quase um bestseller, mostrando que os seus talentos de escritor ainda estavam intactos.
Por ocasião do 150º aniversário do seu nascimento, o Banco Central da Noruega emitiu uma moeda comemorativa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quem será o brilhante tradutor?? Mapa do Metro (Meter?) de Lisboa para turistas de língua inglesa. Só para rir!!
(Clicar na imagem para a aumentar)
EFEMÉRIDE – Carlos Alberto de Sousa Lopes, ex-atleta português, um dos melhores da sua geração e uma referência mundial no atletismo de longa distância, nasceu em Vildemoinhos, perto de Viseu, em 18 de Fevereiro de 1947. Sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de estrada e de corta-mato.
Começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda não tinha onze anos, para ajudar ao sustento da família. Mais tarde, foi empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Durante a adolescência, ambicionava jogar futebol. O clube da sua aldeia, porém, rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso. Numa correria com amigos, durante a noite, ao voltar de um baile, Carlos Lopes foi o primeiro, batendo um grupo de rapazes da sua idade que treinavam regularmente e já se dedicavam ao atletismo. Foi nesse grupo de adolescentes que nasceu a ideia de ser criado um núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos.
A sua primeira prova oficial foi uma corrida de São Silvestre, tinha dezasseis anos. Ficou em segundo lugar, apesar da presença de corredores bem mais experientes. Pouco tempo depois, ganhou o Campeonato Distrital de Viseu de Corta-mato e, quase de seguida, foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para Juniores. Esta classificação levou-o pela primeira vez ao “Crosse das Nações”, disputado em Rabat, onde foi o melhor português, em 25º lugar. Tinha apenas dezassete anos.
Em 1967 foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal. A ida para Lisboa deveu-se tanto a razões desportivas, como à promessa de um melhor emprego. Foi no Sporting que encontrou o treinador da sua vida, Moniz Pereira, que foi o mentor de várias gerações de atletas portugueses de fundo e meio-fundo.
Em 1975 com alguns outros atletas do Sporting passou a treinar duas vezes por dia. Eram dispensados dos seus empregos na parte da manhã, entrando assim na era do “semi-profissionalismo”.
Em 1976 ganhou pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-Mato, que nesse ano se realizou em Chepstown, no País de Gales.
Carlos Lopes, que já tinha estado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas para os Jogos Olímpicos de Montreal (1976). Teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural. Na final dos 10 000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era a de rebentar com a concorrência (ou com ele próprio). De facto, Carlos Lopes iniciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha conseguido acompanhá-lo. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. Era, no entanto, a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha olímpica e a primeira vez no atletismo.
Seguiram-se várias lesões que o deixaram na obscuridade durante cerca de quatro anos. Em 1982 bateu o recorde da Europa de 10 000 metros com 27 m 21 s 39. No mesmo ano venceu a Corrida de São Silvestre em São Paulo no Brasil.
Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984, venceu a maratona, tornando-se o primeiro português a ser medalhado com ouro nuns Jogos Olímpicos. A prova foi rápida e a marca atingida (2 h 9 m 21 s) foi recorde olímpico durante 24 anos. O destino quase o tinha impedido de competir nestes Jogos, porque uma semana antes da partida para os EUA foi atropelado por uma automóvel durante um treino, felizmente sem consequências graves. No mesmo ano sagrou-se Campeão do Mundo de Corta-mato em Nova Jersey e voltou a venceu a “São Silvestre” de São Paulo.
Em 1985 renovou em Lisboa o título de Campeão Mundial de Corta-mato e na Maratona de Roterdão melhorou, com 2 h 7 m 12 s, o recorde do mundo, tendo sido o primeiro atleta mundial a correr esta prova em menos de 2 h 8 m.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Belmiro Mendes de Azevedo, empresário de sucesso português, nasceu em Marco de Canaveses no dia 17 de Fevereiro de 1938.
É o mais velho dos oito filhos de Manuel de Azevedo, carpinteiro e agricultor, e de Adelina Ferreira Mendes, costureira. Depois da instrução primária, foi para o Porto, aos cuidados de um tio. Frequentou o Liceu Nacional de Alexandre Herculano e, depois, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde se licenciou em Engenharia Química (1964).
Entre 1959 e 1960 cumpriu o Serviço Militar Obrigatório. Durante os estudos praticou andebol no Centro Desportivo Universitário do Porto e no Futebol Clube do Porto.
Começou a trabalhar cedo para poder pagar os estudos. Ainda antes de terminar o curso, entrou para a Efanor (Empresa Fabril do Norte), localizada nos arredores do Porto. Pouco depois ingressou na Sonae (Sociedade Nacional de Estratificados, S.A.R.L.), cujo controlo assumiu em 1974. Durante anos, foi polémico o conflito judicial entre Belmiro de Azevedo e a família de Afonso Pinto de Magalhães, fundador da empresa.
Em 1975 foi aos Estados Unidos da América, onde obteve um diploma de especialização em Gestão de Empresas, na Universidade de Harvard.
Sob o seu comando, a Sonae alargou a sua actividade a novas áreas como a dos hipermercados (Continente e Modelo), a das comunicações (jornal Público) e a das telecomunicações (Optimus). Posteriormente, o grupo procurou expandir-se internacionalmente (Bonjour, Vobis, Worten, Sportzone, etc.). A partir de 1985, a Sonae passou a ser cotada na Bolsa de Valores e Belmiro tornou-se o accionista maioritário do grupo. Também em 1985 diplomou-se no Finantial Management Program da Universidade de Stanford.
Em paralelo com a actividade empresarial, criou, em 1991, a Fundação Belmiro de Azevedo, que desenvolve a política de mecenato da empresa, nas áreas da Educação, das Artes, da Cultura e da Solidariedade, em acções de parceria com outras entidades e contando com os colaboradores da empresa em acções de voluntariado. Em 2008, esta fundação abriu em Matosinhos o Colégio Efanor, justamente no lugar das velhas instalações fabris onde Belmiro iniciou a sua carreira profissional.
Com a morte de António Champalimaud, Belmiro de Azevedo tornou-se no único português a figurar na famosa lista de milionários da revista Forbes. Considerado durante alguns anos o cidadão mais rico de Portugal, a sua fortuna que, em 2007, estava estimada em 3 mil milhões de euros, caiu mais de 50% em dois anos, passando para 1.4 mil milhões de euros em 2009.
É casado com Maria Margarida Carvalhais Teixeira de Azevedo, farmacêutica, com quem teve três filhos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

EFEMÉRIDE – Carlos Paredes, compositor e guitarrista português, nasceu em Coimbra no dia 16 de Fevereiro de 1925. Faleceu em Lisboa, em 23 de Julho de 2004. Grande guitarrista e um símbolo da cultura lusa, foi um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.
Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo e José Paredes, começou aos quatro anos a estudar guitarra portuguesa com o pai, embora a mãe preferisse que ele se dedicasse ao piano. Frequentou o Liceu Passos Manuel, começando a ter também aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recordou: «Em pequeno, a minha mãe arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram umas senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho».
Em 1934 mudou-se para Lisboa com a família e, sob a orientação do pai, dedicou-se inteiramente à guitarra. Carlos Paredes iniciou em 1939 uma colaboração regular na Emissora Nacional e terminou os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir. Inscreveu-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.
Em 1957 gravou o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente “Carlos Paredes”.
Em 1958 foi preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar. Acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, seria libertado no final de 1959 e expulso da função pública. Enquanto esteve preso, andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que ele estava louco. De facto, o que ele estava a fazer era a compor músicas na sua cabeça.
Em 1962, o realizador Paulo Rocha convidou-o para compor a banda sonora do filme “Os Verdes Anos”.
Tocou com vários artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo, escreveu muitas músicas para filmes e, em 1967, gravou o seu primeiro LP “Guitarra Portuguesa”.
Depois do 25 de Abril de 1974, os ex-presos políticos eram vistos como heróis, mas Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto. Sobre o tempo em que esteve preso nunca gostava muito de falar. Dizia que havia pessoas que tinham sofrido muito mais do que ele. Percorreu o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas, mantendo sempre uma vida simples e retomando a sua profissão de arquivista de radiografias no Hospital de São José, onde foi reintegrado.
Foram editadas várias compilações de gravações de Carlos Paredes, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta, que uma vez que a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião, ele confessou a um amigo ter pensado em se suicidar.
Uma doença do sistema nervoso central impediu-o de tocar durante os últimos onze anos de vida. Morreu em 2004, na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.

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