domingo, 3 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Mel Columcille Gerard Gibson, actor, realizador, produtor e guionista norte-americano, nasceu em Peekskill, Nova Iorque, no dia 3 de Janeiro de 1956.
Em 1968 a família mudou-se para a Austrália, por razões económicas e para evitar a mobilização do filho mais velho para a guerra no Vietname. Gibson foi educado por membros da Congregação dos “Christian Brothers”.
Gibson estudou no “National Institute of Dramatic Art” de Sydney. Depois de se graduar em 1977, começou a actuar imediatamente na série “Mad Max”, mas manteve também a presença nos palcos, ingressando no “State Theatre Company of South Australia” em Adelaide.
Quando iniciou a sua carreira no cinema, Mel Gibson recebeu excelentes elogios da crítica e foi comparado a várias estrelas do cinema clássico (Steve McQueen, Clark Gable e Humphrey Bogart). A sua aparência física fez dele um actor predestinado para protagonizar filmes de acção, como nas séries “Mad Max” (1979) e “Máquina Mortífera” (1987). Gibson expandiu porém as suas actuações para uma variedade de papéis, como em “Hamlet” e em comédias como “Maverick” e “Do que as mulheres gostam”. Os seus maiores sucessos financeiros e artísticos viriam, no entanto, quando se tornou igualmente produtor e realizador. Ficaram célebres “Braveheart ” (1995, Oscar do Melhor Filme e do Melhor Realizador) e “A Paixão de Cristo” (2004). Este último filme foi escrito, produzido e realizado por Gibson e é uma reconstituição das doze últimas horas de Jesus Cristo. A película teve grande sucesso, mas deixou os críticos muito divididos quanto ao seu conteúdo.
No final de Julho de 2006 foi preso por dirigir em alta velocidade e embriagado e dirigiu impropérios à comunidade judaica. Dias depois, desculpou-se e admitiu ter problemas de alcoolismo, anunciando que ia iniciar um tratamento para se livrar do vício. Num comunicado enviado ao popular programa de TV, Access Hollywood, disse: «Agi como uma pessoa completamente fora de controlo quando fui detido, e disse coisas infames, que não são verdadeiras».
O seu último filme foi “Apocalypto” (2006). A acção situa-se antes das conquistas espanholas na América do Sul e o tema central é o Império Maya. Durante a realização deste filme, Gibson doou um milhão de dólares para construir casas para os habitantes da região de Yucatan, desalojados por importantes inundações.
Esteve casado com Robyn Moore desde 1980, tendo sete filhos. Em Abril de 2009 Robyn pediu o divórcio e, no mês seguinte, soube-se que a amante de Mel, com 38 anos, Oksana Grigorieva, estava grávida de três meses. O oitavo filho de Mel Gibson nasceu no fim de Outubro de 2009.

sábado, 2 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Daisaku Ikeda, filósofo, pacifista, romancista, ensaísta, poeta, crítico, professor e líder budista japonês, nasceu em Tóquio no dia 2 de Janeiro de 1928.
Licenciou-se na Faculdade Fuji Júnior. Em 1947 converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin e tornou-se membro da Soka Gakkai, uma organização de leigos.
Em 1958 o presidente da Soka Gakkai faleceu e, dois anos depois, Ikeda foi nomeado presidente. Sob a sua liderança, a organização progrediu, chegando a alcançar aproximadamente treze milhões de membros no Japão, tornando-se a maior organização do género no país. Para apoiar os esforços da Soka Gakkai, baseados na filosofia budista de Nichiren Daishonin e com o intuito de promover a paz, a cultura e a educação, Ikeda fundou, através dos anos, várias instituições educacionais, culturais e de pesquisa, incluindo o “Sistema Escolar Soka” que abrange alunos desde a idade pré-escolar até à universidade, a “Associação de Concertos Min-On”, o “Museu de Arte Fuji” de Tóquio, o “Instituto de Filosofia Oriental”, a “Casa Literária Victor Hugo” em França e o Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazónia perto de Manaus no Brasil.
Ainda em 1960, Daisaku Ikeda partiu para a sua primeira viagem ao estrangeiro, com uma comitiva de seis dirigentes da Soka Gakkai. A viagem abrangeu nove cidades de três países: Honolulu, no Havai, São Francisco, Seattle, Chicago, Nova Iorque, Washington e Los Angeles (nos Estados Unidos) Toronto (Canadá) e São Paulo (Brasil).
A partir de então, inúmeras foram as viagens realizadas à volta do mundo em prol da paz. A organização foi sendo estruturada em diferentes países, surgindo a necessidade da criação da “Soka Gakkai Internacional”, o que aconteceu em Guam, no Havai, em 1975. Daisaku Ikeda impulsionou ainda mais o movimento em defesa da paz, da cultura e da educação. Hoje a “SGI” está presente em aproximadamente 200 países e regiões, realizando muitas actividades em defesa do bem-estar da sociedade.
Desde 1967, quando propôs a normalização das relações sino-japonesas, Daisaku Ikeda ocupou-se activamente da elaboração e publicação de propostas dirigidas às Nações Unidas, tratando de questões sobre a paz, o desarmamento, a educação e o meio ambiente. Encontrou-se com líderes políticos e intelectuais de quase todo o mundo, num intercâmbio de opiniões sobre os desafios com que se defronta a humanidade. Alguns desses diálogos foram compilados em livros.
Continua a percorrer o mundo, aplicando os princípios da filosofia budista aos problemas da humanidade e empenhando-se vigorosamente em criar uma nova era no século XXI - uma era de esperança, de compreensão, de respeito mútuo, de paz e prosperidade, tendo por base o verdadeiro humanismo.
Daisaku Ikeda é um prolífero autor, escrevendo romances, ensaios e poesias sobre uma vasta gama de temas abrangendo o humanismo, a paz, a sociedade, a juventude, a arte e a própria literatura. Os seus livros estão traduzidos em cerca de catorze idiomas.
Em 1992 foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesa. Em 2005 recebeu a Medalha da Câmara do Comércio de Paris, pela sua contribuição no intercâmbio internacional de estudantes. Foi galardoado em 2007 com o “Prémio Mundial do Humanismo” pela Academia do Humanismo da Macedónia.
Até 2008 tinha já recebido mais de 264 títulos honoríficos de instituições universitárias e académicas do mundo inteiro.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

EFEMÉRIDE – Kim Philby, de seu verdadeiro nome Harold Adrian Russell Philby, membro de topo da hierarquia dos serviços secretos ingleses mas que espionava também para a União Soviética, nasceu em Ambala, Índia, no dia 1 de Janeiro de 1912. Faleceu em Moscovo, em 11 de Maio de 1988, vítima de crise cardíaca.
Nasceu na Índia, que na época era ainda uma colónia britânica e onde o pai servia como magistrado. Ganhou a alcunha de “Kim”, porque - tal como o herói do romance de Rudyard Kipling - começou a falar punjabi, a língua local, antes do inglês.
Entrou para os serviços secretos soviéticos em 1933, depois de ter estudado na Westminster Public School e no Trinity College, em Cambridge, instituições que recebiam os filhos da elite britânica. Estudava Economia e História. Foi recrutado quando estava na universidade, juntamente com mais quatro colegas, que ficaram conhecidos como “Os 5 de Cambridge”.
Conforme revelaria em entrevista, no ano da sua morte, Philby e os seus colegas acreditavam que as democracias ocidentais não tinham condições de se opor ao nazi-fascismo. Na opinião deles, somente o comunismo era forte suficientemente para o enfrentar.
Através do jornalismo, ingressou no Serviço Secreto de Inteligência Inglês (SIS-M16) e, sob a cobertura da sua profissão (enviado do “Times”), espionou para os ingleses em Espanha, no período da Guerra Civil (1936-1939). Foi ferido e condecorado pessoalmente por Franco.
Em 1944, estabeleceu e chefiou o serviço de contra-espionagem para descobrir agentes soviéticos em solo inglês, portanto foi designado para se descobrir a si próprio. Passou para os soviéticos os planos dos aliados para subverter os governos comunistas no Leste europeu durante o período da Guerra-fria, permitindo que o governo de Moscovo neutralizasse as operações. O governo britânico, no entanto, considerava-o um funcionário exemplar e agraciou-o com a sua mais importante condecoração, a Ordem do Império Britânico.
Enviado para os Estados Unidos em 1949, passou a chefiar ali a delegação dos serviços secretos britânicos e serviu de oficial de ligação com o FBI e a recentemente criada CIA. Com esta última chegou a trabalhar directamente.
Em 1951, a deserção de dois dos seus colegas de Cambridge para a Rússia tornou-o alvo de suspeitas. Mesmo submetido a intenso interrogatório, nada revelou a seu respeito mas, apesar disso, foi afastado do SIS. Foi para o Líbano, como correspondente do “Observer” e depois do “The Economist”. Cobriu a crise do Suez em 1956 e actuava como espião freelancer, sob a cobertura da sua profissão de jornalista.
Em 1963, um desertor do KGB ofereceu evidências contra Philby. Agentes do SIS viajaram até ao Líbano para o fazer confessar, mas Philby despistou-os e embarcou num avião cargueiro com destino a Moscovo. Era o fim de uma carreira de mais de 30 anos como agente duplo.
Foi recebido inicialmente com desconfiança, pois Moscovo duvidava também da sua lealdade, observando que as suas informações eram «boas demais». No início dos anos 1980 obteve a cidadania soviética e foi admitido como consultor do KGB. Foram-lhe concedidas diversas honrarias e prémios. Em 1990 foi posto em circulação um selo postal com a sua efígie.
Contou a história da sua vida como agente duplo no livro “Minha Guerra Silenciosa”, que teve prefácio de Graham Greene, com quem trabalhara durante a Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Rita Lee Jones Carvalho, cantora, compositora e instrumentista brasileira, nasceu em São Paulo no dia 31 de Dezembro de 1947.
Tem origem norte-americana por parte do pai e italiana por parte da mãe. Estudou no colégio francês “Liceu Pasteur”, falando fluentemente português, inglês, francês, espanhol e italiano. Chegou a cursar Comunicação Social na Universidade de São Paulo em 1967, na mesma turma da actriz Regina Duarte, mas deixou a universidade durante o primeiro período.
Durante a infância teve aulas de piano e, na adolescência, começou a apresentar-se em colégios como componente do “Tulio's trio”. Em 1963, formou um conjunto com duas amigas, as “Teenage Singers”, que participavam em shows e festas colegiais. No ano seguinte conheceram o trio masculino “Wooden faces”. Os dois grupos juntaram-se, formando a “Six Sided Rockers”, banda que depois se chamaria “O'Seis”, chegando a gravar um disco. Com a saída de três componentes, sobraram Rita, Arnaldo e Sérgio que passaram a chamar-se “O Konjunto” e, mais tarde, “Os Mutantes” (1966/72). Em 1967, a banda acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), na apresentação da canção antológica “Domingo no Parque”.
Rita gravou dois discos a solo, acompanhada dos componentes de “Os Mutantes”. A música “Build up” (1970) foi a banda sonora de um show, que Rita fez exclusivamente para uma edição da “Fenit” (Feira da Moda de São Paulo).
Após abandonar a banda por motivos nunca bem esclarecidos, Rita Lee teve um curto período depressivo. Formou depois uma dupla com Lúcia Turnbull, “As Cilibrinas do Éden”, cuja única gravação, ao vivo, no festival “Phono 73”, foi publicada somente 35 anos depois. Rita e Lúcia desistiram da dupla e formaram a banda “Tutti-frutti”. Rita, além de cantar, tocava piano, sintetizador, gaita e violão. Conseguiram um contrato com a gravadora “Somlivre”, mas durante a gravação do primeiro disco, Lúcia Turnbull deixou o grupo.
Foi com o álbum “Fruto Proibido”, de 1975, que Rita alcançou verdadeiramente a consagração nacional. Fruto Proibido tornou-se quase um manual de “como fazer rock em português”.
Em 1976, conheceu o músico carioca Roberto de Carvalho, iniciando uma parceria musical/amorosa de sucesso, que continua até hoje.
Rita Lee participou no especial “Mulher 80” (Rede Globo, 1979), um momento marcante da televisão brasileira.
No fim da década de 1970 e durante todos os anos 1980, Rita e Roberto conquistaram êxitos atrás de êxitos. Contudo, Rita passou por duas delicadas intervenções cirúrgicas naquela época: uma devido a problemas nas cordas vocais e outra na face devido a um acidente de carro.
A partir de 1986 dedicou-se, com a parceria do escritor António Bívar, ao programa “Rádio Amador”, que escreveu e apresentou, adoptando o nome Lita Ri e interpretando vários personagens.
Em 1991 separou-se profissionalmente de Roberto de Carvalho e iniciou uma bem-sucedida tournée (“Voz-e-violão Bossa 'n' Roll”). O casal só viria a partilhar o palco em 1995, contraindo matrimónio no ano seguinte.
Atravessou um penoso período ligada a drogas, que abandonou definitivamente em 2006, segundo declaração feita ao programa “Fantástico” da Rede Globo.
Participou nas telenovelas “Top Model” e “Vamp” e em diversos programas televisivos. Entre 1986 e 1992, escreveu quatro livros infantis. É vegetariana e militante dos direitos dos animais.
No fim de 2007 fez uma tournée para comemorar os seus quarenta anos de carreira.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Eldrick "Tiger" Woods, jogador de golfe norte-americano, nasceu em Cypress, Califórnia, no dia 30 de Dezembro de 1975. É considerado um dos melhores golfistas de todos os tempos, tendo atingido em 2005, com 29 anos, a marca de dez grandes títulos de golfe profissional, colocando-o em terceiro lugar atrás de Jack Nicklaus e Walter Hagen. Incluindo os seus três Campeonatos Amadores dos EUA, ele e Bobby Jones foram os únicos golfistas a ganhar treze títulos importantes antes dos 30 anos de idade.
A Woods, que é filho de pais mestiços (descendentes de asiáticos, de afro-americanos, de americanos e de alemães), se deve o incremento do interesse pelo jogo de golfe, especialmente entre as minorias raciais e nos jovens americanos.
Em 2009, a revista “Forbes” anunciou que Tiger Woods se tornara o primeiro bilionário da história do desporto mundial.
A alcunha “Tigre” provém de um amigo do pai, soldado vietnamita que combateu com ele na guerra. Aos 21 anos, Woods decidiu mesmo mudar o seu nome oficialmente de Eldrick para Tiger.
É casado desde 2004 com a modelo sueca Elin Nordegren, que conheceu em Londres em 2001 e de quem tem dois filhos.
Dá a sua imagem a numerosas marcas muito populares, entre as quais a Nike e a Gillette. É amigo do campeão de ténis Roger Federer e do lendário basquetebolista Michael Jordan.
Em 12 de Dezembro de 2009 anunciou a sua retirada do “circuito de golfe profissional” durante um período indeterminado.
Woods foi uma criança prodígio, pois começou a jogar com dois anos de idade. Em 1984, com oito anos, ganhou o Campeonato do Mundo de Juniores na categoria de “Rapazes 9/10 anos”, campeonato que venceu por mais cinco vezes.
Tornou-se profissional em 1996 assinando um contrato de 40 milhões de dólares com a Nike e outro de 20 milhões com outro anunciante. No fim desse ano foi eleito “Desportista do Ano” pela revista Sports Illustrated.
Em 1997 ganhou o seu primeiro grande torneio (Masters) estabelecendo vinte recordes e igualando seis outros. Em 15 de Junho de 1997 tornou-se “Nº 1 Mundial”, o mais novo da história do golfe.
Atravessou uma crise de forma em 1998, mas regressou com toda a sua pujança em 1999, vencendo inúmeros torneios e batendo recordes sem conta.
Em 2004, nova quebra que foi justificada com a mudança de treinador, com uma lesão e com o casamento. Prometeu voltar “em força” e assim aconteceu em 2005, aparecendo ainda mais dominador do que antes.
Em Maio de 2006 faleceu o seu pai, depois de uma longa batalha contra um cancro na próstata. Tiger Woods parou durante algumas semanas para ficar junto da família. Tem colaborado em numerosas obras de caridade.
No fim da sua 11ª temporada como profissional, com 54 vitórias no “PGA Tour” e doze no grande “Chelem”, foi eleito pela quarta vez “Atleta Masculino do Ano” pela Associated Press.
Em 2008 foi operado pela terceira vez ao joelho esquerdo, afastando-se das competições durante dois meses. Tiger Woods anunciou entretanto que deverá ser operado de novo, para reconstruir um ligamento. Revelou igualmente que jogou durante dez meses com uma ruptura do ligamento cruzado anterior e que disputou o último “US Open” com uma dupla fractura de fadiga na tíbia esquerda. Com a sua ausência baixaram as audiências televisivas.
Recentemente, Tiger Woods tem tido a sua vida devassada pelos media, o que veio pôr um ponto de interrogação sobre o seu casamento e sobre o futuro da sua carreira.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Grigori Efimovitch Rasputine, figura influente no final do período czarista na Rússia, foi assassinado em Petrogrado, actual São Petersburgo, no dia 29 de Dezembro de 1916. Nascera em Pokrovskoïe, em 23 de Janeiro de 1869 (data não confirmada).
Por volta de 1905, a sua já conhecida reputação de místico introduziu-o no círculo restrito da Corte imperial russa, onde teria curado Alexei Romanov, o filho do czar, doente hemofílico.
Perante este acontecimento, a czarina Alexandra Fedorovna dedicou-lhe uma atenção cega e uma confiança desmedida, considerando-o mesmo um “Mensageiro de Deus”. Com esta protecção, Rasputine influenciou ocultamente a Corte e principalmente a família imperial, colocando homens da sua confiança no topo da hierarquia da poderosa Igreja Nacional Russa.
Todavia, o seu comportamento dissoluto, licencioso e devasso (supostas orgias e envolvimento com mulheres da alta sociedade) justificaria denúncias por parte de políticos atentos, entre os quais se destacavam Stolypine e Kokovtsov. O czar Nicolau II afastou então Rasputine, mas a czarina Alexandra manteve confiança absoluta nele.
A Primeira Guerra Mundial traria novos contornos à vida de Rasputine, já odiado pelo povo, que o acusava de espionagem ao serviço da Alemanha. Escapou a várias tentativas de assassinato, mas acabou por ser vítima de uma trama de aristocratas da grande estirpe russa, entre os quais Yussupov.
Rasputine teve uma morte atribulada: primeiro foi envenenado num jantar, mas a sua úlcera crónica fez com que expelisse todo o veneno antes dele actuar; posteriormente terá sido atingido com três tiros, tendo no entanto sobrevivido; foi então castrado e continuou vivo; foi agredido e atirado ao rio Neva, morrendo finalmente, não pelos hematomas nem por afogamento, mas por hipotermia.
Depois da Revolução Russa de 1917, o governo revolucionário deu ordens para exumar o corpo de Rasputine, incinerá-lo e dispersar as suas cinzas pelas florestas circundantes. Segundo a lenda, porém, somente o caixão ardeu, o corpo ficando intacto, apesar das chamas que o lambiam.
Como ele tinha previsto, a família imperial não sobreviveu muito tempo ao seu assassinato. A revolução bolchevique obrigou o czar Nicolau II a abdicar e, depois, toda a família foi massacrada.
A sua imagem foi largamente utilizada pela propaganda bolchevique para simbolizar a decadência moral do antigo regime. Por curiosidade, diga-se que um pénis mumificado, com 30 cm, que seria o de Rasputine, está conservado e exposto no Museu do Erotismo de São Petersburgo. Stéphane Bern, porém, no seu livro “Segredos da História”, afirma ser pouco provável que ele seja de origem humana.
Com o decorrer dos anos, Rasputine tornou-se num mito (alguns pensam mesmo que ele era uma criatura meio humana e meio demoníaca), servindo de pretexto para ocultar traições e iniquidades cometidas na sua época por outras personalidades.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Chantal - a nova gatinha da minha neta

EFEMÉRIDE – Fernando Marques Lopes, realizador de cinema português, nasceu em Maçãs de Dona Maria no dia 28 de Dezembro de 1935.
Passou a infância em Ourém, vindo para Lisboa por volta dos dez anos. Pouco depois começou a trabalhar, como paquete, à medida que continuava os seus estudos.
Em 1957 ingressou como técnico na Rádio Televisão Portuguesa, então inaugurada. Despontou para o cinema através do movimento cineclubista, sendo sócio do Cineclube Imagem. Em 1959 recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, vindo a obter um diploma em “Realização” da “London Film School” de Inglaterra.
Regressado a Portugal, filmou vários documentários, alguns dos quais para a televisão, neles revelando uma linguagem moderna, longe do que era habitual neste tipo de projectos.
Em 1964 realizou “Belarmino” (1964), uma média-metragem sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso, um antigo campeão em fase de decadência, considerada uma obra chave do movimento do Novo Cinema Português, juntamente com “Dom Roberto” e “Os Verdes Anos”.
Em 1965 faz um estágio de três meses em Hollywood. Ao voltar realizou diversos trabalhos para televisão e alguns documentários.
Em 1970 foi nomeado presidente do Centro Português de Cinema, cooperativa de cineastas apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian. No ano seguinte realizou “Uma Abelha na Chuva”, adaptação de um romance de Carlos de Oliveira, considerado juntamente com “O Delfim” (2002), como as obras mais significativas da sua carreira.
O documentário “Nacionalidade: Português” (1972), com produção do escritor Nuno Bragança, e a direcção da renascida revista “Cinéfilo” (1973-1974) são os seus trabalhos de maior vulto antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, cujos desenvolvimentos filmou com outros realizadores, colaborando na autoria colectiva de “As Armas e o Povo” (1975).
Em 1976 realizou a longa-metragem “Nós Por Cá Todos Bem”, em que partiu do percurso de vida da sua própria mãe, para fazer o contraste entre a vida no campo e a na cidade.
Fernando Lopes dirigiu a programação da RTP2 entre 1978 e 1980 imprimindo-lhe uma identidade própria, significativamente diferente do primeiro canal.
Findas as suas funções na RTP2, regressou ao cinema. Em 1984 adaptou o romance “Crónica dos Bons Malandros” de Mário Zambujal, que teve grande êxito junto do público.
A longa-metragem seguinte “Matar Saudades” (1987) suscitou algumas reservas por parte da crítica, mas trouxe aos ecrãs um tema pouco frequente no cinema nacional, ainda que constitua uma constante da vida portuguesa: a emigração. Atravessava-se uma época de grandes dificuldades económicas no campo do cinema. Havia um número relativamente escasso de produções nacionais, embora se intensificasse o regime de co-produção, a que Fernando Lopes também recorreu em 1993 para “O Fio do Horizonte”, adaptação duma obra de Antonio Tabucchi, escritor italiano muito ligado à cultura portuguesa.
Fernando Lopes voltou a obter o reconhecimento unânime da crítica, com a adaptação da obra emblemática de José Cardoso Pires “O Delfim”, retrato dum marialvismo localizado nos anos 1960, mas não completamente erradicado da sociedade portuguesa. Foi nomeado para o “Grande Prémio das Américas” no Festival Internacional de Montreal (2002).
Leccionou durante vários anos o Curso de Cinema da “Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa”.

domingo, 27 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Telma Monteiro, judoca portuguesa do Sport Lisboa e Benfica, detentora de um palmarés impressionante apesar da sua pouca idade, nasceu em Almada no dia 27 de Dezembro de 1985.
Participou nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e de Pequim em 2008, onde se classificou em 9º lugar.
Em Portugal, em virtude dos resultados obtidos, é considerada a melhor judoca de todos os tempos no sector feminino e uma das melhores em termos globais.
Campeã da Europa e Vice-campeã Mundial, começou a sua carreira com resultados muito significativos em campeonatos internacionais de Juniores (menos de 20 anos) e de Esperanças (menos de 23).
Em 2004 foi Campeã da Europa de Juniores em Sofia e Medalha de Bronze nos Mundiais. Em 2006 foi Campeã da Europa de Seniores (em Tampere) e de Esperanças (em Moscovo). Em 2007 sagrou-se Campeã da Europa em Belgrado e Vice-campeã nos Mundiais do Rio de Janeiro.
Em 2009 mudou de categoria de peso (de -52 para -57 kg), obtendo o Título Europeu em Tbilissi e sendo Vice-campeã nos Mundiais de Roterdão, onde se apresentou como primeira do ranking mundial, sendo batida apenas na final pela francesa Morgane Ribout.

sábado, 26 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Thomas Gray, poeta inglês e professor de História na Universidade de Cambridge, nasceu em Londres no dia 26 de Dezembro de 1716. Faleceu em Cambridge, em 30 de Julho de 1771.
Fez os seus estudos no Eton College, no Colégio São Pedro e depois no Pembroke College de Cambridge. Deixou Cambridge em 1738 e viajou pela Europa no ano seguinte, visitando França e Itália.
Em 1750 concluiu a sua “Elegia escrita num cemitério camponês”, obra iniciada muitos anos antes e que constitui uma peça importante do património literário inglês. É uma das poesias mais citadas da língua inglesa.
Em 1757 recusou a distinção de “poeta laureado”. Após a abertura do Museu Inglês, em 1759, Gray passou a morar em Londres para assim poder estudar as obras expostas. Em 1768 foi nomeado professor de História Moderna em Cambridge.
A sua obra literária é pouco volumosa, mas a boa qualidade dos seus escritos compensam esse facto. A “Elegia” é a mais popular e, talvez, a melhor das suas obras. Thomas Gray, que foi uma figura proeminente de meados do século XVIII, conseguiu conjugar as formas tradicionais e a dicção poética com os novos temas e modos de expressão, podendo ser considerado um dos precursores do “renascimento romântico”.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Muhammad Anwar Al Sadat, militar e político egípcio, presidente do seu país de 1970 a 1981, Prémio Nobel da Paz em 1978, nasceu em Al-Minufiyah no dia 25 de Dezembro de 1918. Faleceu no Cairo em 6 de Outubro de 1981.
Nascido numa família egipto-sudanesa pobre, com treze filhos, formou-se na Academia Real Militar do Cairo, diplomando-se em 1938 e sendo afectado ao Serviço de Telecomunicações.
Juntamente com Nasser, foi membro fundador do Movimento dos Oficiais Livres, cuja finalidade era libertar o Egipto do controlo britânico. Comprometido com o nacionalismo egípcio, foi feito prisioneiro pelos britânicos em 1942 e, de novo, em 1946/48 por actos terroristas.
Participou no golpe de 1952, que derrubou o rei Farouk I e levou Nasser ao poder. Sucederia mais tarde a Nasser como Presidente.
Em 1974, após perder militarmente a Guerra do Iom Kippur (1973) com a qual tentara recuperar partes da Península do Sinai, recuperou das mãos de Israel, no acordo de separação de forças, o canal de Suez.
Num esforço para acelerar um acordo no Médio Oriente, visitou Israel em 1977, falando no Knesset em Jerusalém, facto que marcou o primeiro reconhecimento daquele país por um país árabe. Encontrou-se novamente com o primeiro-ministro israelita Begin em Camp David (1978), na presença do então presidente americano Jimmy Carter, e assinou um tratado de paz com Israel no ano seguinte, em Washington. Na sequência deste acordo, recebeu o Prémio Nobel da Paz juntamente com Begin.
Em 6 de Outubro de 1981, foi assassinado durante uma parada militar no Cairo por membros da Jihad Islâmica Egípcia infiltrados no exército e que faziam parte da organização egípcia que se opunha às negociações com Israel. As regras segundo as quais o armamento dos militares em parada devia estar descarregado não foram aplicadas, porque os oficiais que deveriam fazê-lo «estavam numa peregrinação em Meca». Quando da passagem dos aviões de combate “Mirage”, um camião de transporte de tropas, simulando uma avaria, parou em frente da tribuna presidencial e um tenente saiu dirigindo-se na direcção do Presidente. Sadat encontrava-se de pé para receber a sua saudação, quando ele lançou uma granada de fumo - sinal para o ataque. Os conjurados saíram então do camião, lançando granadas com a ajuda de espingardas de assalto. O próprio tenente (Khalid Islambouli) crivou de balas o presidente egípcio, secundado por outros assaltantes, aos gritos de «Morte ao Faraó!». Khalid seria julgado e executado em Abril de 1982.
Durante o tiroteio foram feridas várias personalidades, entre elas o Ministro Irlandês da Defesa, e mortas sete pessoas, entre as quais o Embaixador de Cuba e um bispo ortodoxo.
O Vice-presidente egípcio Hosni Moubarak, ferido numa mão durante o ataque, sucedeu a Sadat. Aos funerais de Sadat assistiram três ex presidentes americanos (Gerald Ford, Jimmy Carter e Richard Nixon). Notadas as ausências do Presidente Americano em exercício (Reagan), por razões de segurança, e da totalidade dos dirigentes árabes e muçulmanos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Ricky Martin, de seu verdadeiro nome Enrique Martín Morales, actor e cantor porto-riquenho, nasceu em San Juan no dia 24 de Dezembro de 1971.
Os pais separaram-se quando ele tinha apenas dois anos. Iniciou a sua carreira artística aos 6 anos de idade, começando a trabalhar como modelo infantil, além de actuar em peças de teatro, em comerciais de TV e no coro de uma igreja.
O sucesso chegou em 1984, quando conseguiu entrou para o grupo “Menudo”. Em 1985, com este grupo, fez um show no Estádio do Morumbi, em São Paulo, para 120 mil pessoas (há quem diga 200 mil), até hoje a maior enchente deste estádio, para uma actividade não desportiva.
Em 1989 Ricky decidiu estudar em Nova Iorque e abandonou o grupo. Depois foi para o México, onde trabalhou como actor e cantor numa telenovela, num musical e num filme. Aos 19 anos, em 1991, lançou o seu primeiro CD a solo (sem grande sucesso) e mudou-se de novo para os Estados Unidos.
Em 1993 publicou o segundo álbum (“Me Amaras”) que conseguiu destaque no México, onde iniciou verdadeiramente a sua carreira a solo. O sucesso nos países latinos chegou em 1996, com a música “Maria” do seu terceiro disco “A Medio Vivir”. Esta música foi tema da novela “Salsa e Merengue”, da Rede Globo, e o disco vendeu então mais de 600 mil cópias no Brasil. O êxito fez com que, em 1997, fosse contratado para gravar a canção do filme “Hércules” produzido pela Disney. No ano seguinte, foi convidado para ser o intérprete do tema dos Mundiais de Futebol realizados em França: “La Copa de La Vida”.
Em 1999 o álbum "Livin' la Vida Loca" foi um sucesso mundial, que o levou numa tournée pela Ásia, Europa, EUA e América Latina.
Em 2007 realizou um concerto em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, para cerca de 13000 pessoas. Falou ao público num português fluente, manifestando a sua satisfação por aqui se encontrar e deixando vários apelos de paz para o mundo e união para os povos.
Em 2008 tornou-se pai de dois gémeos (gerados numa barriga de aluguer). Este ano, assumiu-se como bissexual numa entrevista, dizendo que o seu coração tanto poderia pertencer a um homem como a uma mulher.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Giuseppe Tomasi di Lampedusa, aristocrata e escritor italiano, nasceu em Palermo no dia 23 de Dezembro de 1896. Faleceu em Roma, em 23 de Julho de 1957, vítima de doença cancerosa pulmonar. Entre as suas obras salienta-se o romance “O Leopardo” (1956), sobre a decadência da aristocracia siciliana durante o “Risorgimento”.
Quando criança, Tomasi estudou com um tutor (que lhe ministrava disciplinas como Literatura e Inglês), com a mãe (que conversava com ele em Francês) e com a avó, que costumava ler-lhe romances de Emilio Salgari.
No início de 1911, cursou o liceu clássico em Roma e posteriormente em Palermo. Mudou-se definitivamente para Roma em 1915 e matriculou-se na Faculdade de Direito. Entretanto, naquele mesmo ano, foi convocado para o serviço militar, lutando na batalha de Caporetto, onde foi feito prisioneiro pelos austríacos. Esteve preso num campo de detidos de guerra na Hungria, conseguindo evadir-se e indo a pé até Itália. Depois de ser promovido a tenente em 1925, demitiu-se do exército e voltou à Sicília, alternando períodos na ilha com viagens com a mãe, retomando os estudos de Literatura estrangeira.
“O Leopardo”, que só foi publicado no ano seguinte ao da sua morte, tinha sido mal recebido pelos editores por «combinar realismo com uma estética decadente». No entanto, tornou-se muito popular junto do público, sendo um sucesso literário. Em 1963 foi imortalizado no cinema com uma produção de Luchino Visconti, protagonizada por Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale, que recebeu a Palma de Oiro do Festival de Cannes desse mesmo ano.
Tomasi, que só começou a escrever nos anos 1950, é autor de outros trabalhos menos conhecidos, sobretudo de novelas (agrupadas no livro “O Professor e a Sereia”) e de alguns ensaios consagrados a autores franceses e ingleses e à literatura destes países de um modo geral.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE – Octávio Tarquínio de Sousa, advogado, jornalista e escritor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 22 de Dezembro de 1959. Nascera na mesma cidade em 7 de Setembro de 1889.
A sua obra mais importante é a “História dos Fundadores do Império do Brasil” (1957), que inclui as biografias de Diogo António Feijó, Evaristo da Veiga, José Bonifácio, Bernardo Pereira de Vasconcelos e a vida de D. Pedro I.
Escreveu também: “Monólogo das Coisas” (1914), “A Mentalidade da Constituinte” (1931), “Ernesto Psichari, Neto de Renan” (1934), “História de Dois Golpes de Estado” (1939), “História do Brasil 1500-1822” (1944 - em parceria com Sérgio Buarque de Hollanda), “O Pensamento Vivo de José Bonifácio” (1945), “De Várias Províncias” (1952), “Factos e Personagens em Torno de Um Regime” (1957) e “Três Golpes de Estado” (1957).
Ainda estudante, já colaborava em jornais do interior do estado do Rio de Janeiro. Licenciou-se na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, com 18 anos.
Trabalhou na administração dos correios do Rio de Janeiro, como 2.º oficial, até atingir o cargo de Director. Em 1918, foi nomeado procurador do Tribunal de Contas da União. Em 1932, foi eleito “ministro” do mesmo tribunal e, depois, vice-presidente e presidente, reformando-se mais tarde.
Colaborou em vários jornais do Rio de Janeiro, como “O País” e “A Noite”. Desde 1939, foi director da colecção “Documentos Brasileiros” da Livraria José Olympio. Foi crítico literário de “O Jornal” e “Diários Associados”. Dirigiu a “Revista do Brasil” de 1938 a 1943 e a “Revista do Comércio” (1946-1948) com Afonso Arinos de Melo Franco. Colaborou em “O Estado de São Paulo”, “Correio da Manhã” (Rio de Janeiro), “Folha da Manhã" (São Paulo) e “Tribuna da Imprensa” (também do Rio de Janeiro). Em 1934, foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores.
Faleceu com a esposa, a escritora Lúcia Miguel Pereira, num acidente de aviação, há precisamente meio século.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

EFEMÉRIDE - Padre Himalaya, de seu verdadeiro nome Manuel António Gomes, padre católico, cientista e inventor português, faleceu em Viana do Castelo no dia 21 de Dezembro de 1933. Nascera em Santiago de Cendufe, em 9 de Dezembro de 1868.
Tendo por origem uma família de humildes lavradores, estudou no Seminário Conciliar de Braga, completando com distinção o curso de Teologia em 1890. Foi no seminário que modificou o seu nome de baptismo, acrescentando-lhe Himalaya, devido à alcunha por que era conhecido em virtude da sua elevada estatura. Depois da ordenação inscreveu-se na Universidade de Coimbra. Estudou hidroterapia, o tratamento pelas plantas, as medicinas naturais e a energia solar.
Foi professor de Ciências Naturais, Física, Química e Religião em várias escolas do norte e centro do País. Foi também professor particular da família Van Zeller.
Em França, onde esteve beneficiando de uma bolsa, estudou com o físico Berthelot e outros conhecidos professores, enquanto trabalhava nas suas teorias matemáticas e astronómicas para a construção de um aparelho inovador de concentração da radiação solar. Depois de várias tentativas e aparelhos experimentais, os seus esforços culminaram na construção do "Pirelióforo", que significa “eu trago o fogo do sol”. Com este instrumento conseguiu atingir uma temperatura de aproximadamente 3500 ºC com recurso apenas à radiação solar, o que era suficiente para fundir a maior parte dos metais ou rochas. Este aparelho constituiu a grande atracção da Exposição Universal de St. Louis em 1904, ganhando duas medalhas de ouro e uma de prata. No entanto as forças económicas da época não se mostraram interessadas no aproveitamento da energia solar, estando mais empenhadas na exploração petrolífera. Era a hora do petróleo e dos automóveis Ford.
Passou a interessar-se por explosivos, dados os seus conhecimentos químicos e a abertura no mercado para este tipo de produto. Montou na sua casa de Washington um laboratório e nele fabricava a Pólvora Sem Fumo ou Himalayite, patenteada em Maio de 1907 com a designação “Process of Making Smokeless Powder”. Esta pólvora cloratada foi testada primeiro em pedreiras e posteriormente em vários arsenais do exército norte-americano. A Himalayite resiste a grandes choques, fricções e temperaturas sem perigo de explosão, sendo fabricada com produtos de origem vegetal e mineral, de fácil obtenção e baixo custo.
Em 1908 o padre Himalaya aderiu à Academia de Ciências de Portugal, onde proferiu diversas conferências e participou em vários congressos. Nas suas intervenções manifestava a preocupação com o ordenamento territorial de Portugal, expresso nas suas teses de aproveitamento das energias renováveis, com vista a um desenvolvimento sustentado. Prosseguiu os seus estudos, que incluíam mesmo a possibilidade de fazer chover artificialmente.
Esteve na Argentina entre 1927 e 1932, onde escreveu um livro sobre Cosmologia, os seus inventos e as suas visões inovadoras nas várias áreas científicas. Regressou então a Portugal onde viria a falecer com 65 anos.
O Padre Himalaya, que foi um dos pioneiros mundiais no estudo das energias renováveis e da energia solar em particular, morreu no anonimato, vítima de mielite, porventura provocada por envenenamento resultante das experiências com ervas medicinais que efectuava sobre si próprio.

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