segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

EFEMÉRIDEOctave Henri Marie Mirbeau, jornalista, escritor, crítico de arte e anarquista francês, nasceu em Trévières (Calvados) em 16 de Fevereiro de 1848. Morreu em Paris, no dia em que completava 69 anos de idade (1917).
Autor de diversos romances e peças teatrais, é considerado uma das personalidades mais originais da literatura francesa da chamada "Belle Époque".
Estreou-se como jornalista em 1882, assinando com diversos pseudónimos. Nos seus escritos, combinava a literatura com as suas opções políticas, caracterizando-se pelo seu anticlericalismo e antimilitarismo. Esteve comprometido com todas as lutas de seu tempo em busca de justiça social. Entusiasta do anarquismo, combatendo a sociedade burguesa e a economia capitalista, Mirbeau fazia frente a formas literárias e estéticas, que contribuíam para anestesiar as consciências. Buscou o seu caminho entre o impressionismo e o expressionismo.
Crítico de arte e de literatura, conviveu com grandes nomes de sua época, como Auguste Rodin, Claude Monet, Paul Cézanne e Vincent Van Gogh.
Após escrever uma dezena de romances em que assinou com pseudónimos, fez oficialmente a sua estreia como romancista com “O Calvário” (1886).
Em “Sébastien Roch”, publicado em 1890, Mirbeau buscou superar os traumas da sua vida estudantil entre os jesuítas de Vannes. Dando um tom ficcional a factos verídicos, descreveu a violência sofrida por ele e por outras crianças de sua idade, sob os “cuidados” dos jesuítas, denunciando vários estupros.
Octave Mirbeau passou então por uma crise existencial e literária e, no decurso desta, publicou em folhetins uma novela pré-existencialista chamada “No Céu”, a qual tem como personagem central um pintor, inspirado na figura de Van Gogh.
Em 1900 lançou “Diário de uma criada de quarto”, no qual denunciou a utilização das empregadas domésticas como uma forma de escravidão dos tempos modernos e descreveu segredos repugnantes da burguesia.
Nos seus dois últimos romances, Mirbeau afastou-se do realismo, dando espaço à fantasia.
No teatro, Mirbeau alcançou a fama com uma tragédia proletária “Os maus pastores” (1897) e, em 1903, tornou-se conhecido mundialmente com uma comédia clássica de costumes “Negócios são Negócios”, na qual aparece um personagem que é o arquétipo do moderno homem de negócios, que em tudo busca fazer dinheiro, tentando expandir sem escrúpulos os seus tentáculos pelo mundo fora. Em 1908, ao fim de uma longa batalha judicial e mediática, apresentou a comédia “O Lar”, que desfez um outro tabu: a exploração económica e sexual de adolescentes em lugares de “suposta caridade”.
Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, Octave Mirbeau converteu-se ao “pacifismo desesperado”, denunciando a aberração criminosa da violência das guerras, nas quais os pobres morrem para que os ricos possam ficar ainda mais ricos.
Morreu após nove anos de doenças constantes, que o impediram mesmo de continuar a escrever. Tolstoï via nele «o maior escritor francês contemporâneo e aquele que melhor representava o génio secular da França».

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