EFEMÉRIDE
– Alphonsus de Guimaraens, de seu verdadeiro nome Afonso Henrique da
Costa Guimarães, escritor brasileiro, morreu em Mariana (Minas Gerais) no dia
15 de Julho de 1921. Nascera em Ouro Preto, em 24 de Julho de 1870. Era filho de
Albino da Costa Guimarães, comerciante português, e de Francisca de Paula
Guimarães Alvim.
Matriculou-se
em 1887 num curso de Engenharia, que não finalizou. Perdeu
prematuramente a noiva Constança, que era simultaneamente sua prima, o que
muito o abalou moral e fisicamente.
Em
1894, foi para São Paulo, onde ingressou no curso de Direito da Faculdade
do Largo São Francisco. Voltou a Minas Gerais, licenciando-se em Direito
na Faculdade Livre que, na época, funcionava em Ouro Preto.
Em São Paulo, colaborou na
imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se
reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz
e Souza, poeta que já admirava e de quem se tornou amigo. Foi juiz
substituto em Conceição do Serro (MG). Em 1897, casou-se com Zenaide de Oliveira. Em 1899,
estreou-se na literatura com dois volumes de versos, ambos de nítida inspiração
simbolista.
Em
1900, passou a exercer a função de jornalista, colaborando em “A Gazeta”
de São Paulo. Em 1902, publicou “Kyriale”, sob o pseudónimo de Alphonsus
de Guimaraens. Em 1903, os cargos de juízes substitutos foram
suprimidos pelo governo do Estado e, consequentemente, Alphonsus perdeu também
o seu cargo, o que o levou a sérias dificuldades financeiras.
Após
recusar um posto de destaque no jornal “A Gazeta”, foi nomeado para a
direcção do jornal político “Conceição do Serro”, onde também
colaboraria Cruz e Souza. Em 1906, tornou-se Juiz Municipal de Mariana,
para onde se mudou.
A
sua poesia é marcadamente mística e envolvida em religiosidade católica. Os
seus sonetos apresentam uma estrutura clássica e são profundamente sensíveis,
na medida em que exploram o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e
da inadaptação ao mundo, manifestando aceitação e resignação diante da própria
vida, dos sofrimentos e das dores. Outra característica marcante da sua obra é
a utilização da espiritualidade em relação à figura feminina, que é – quase
sempre – considerada um anjo ou um ser celestial. Alphonsus de Guimaraens foi
simultaneamente neo-romântico e simbolista, estando consagrado
como um dos principais autores simbolistas do Brasil.
Traduziu
vários poetas, entre eles o francês Stéphane Mallarmé. Em referência à cidade
em que passou parte da sua vida, ficou também conhecido como “o solitário de
Mariana”, isto apesar de viver com a esposa com quem teve quinze filhos.
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