sábado, 5 de agosto de 2017

5 DE AGOSTO - CYRO MARTINS

EFEMÉRIDECyro dos Santos Martins, escritor e psicanalista brasileiro, nasceu em Quaraí no dia 5 de Agosto de 1908. Morreu em Porto Alegre, em 15 de Dezembro de 1995.
Integrou o grupo dos romancistas da chamada Geração de 30, relacionado com o neo-realismo, tanto pela temática como pela linguagem. Foi responsável pela introdução, na literatura regional do seu estado, do tipo gaúcho já influenciado por novos costumes. O seu livro de estreia, “Campo Fora” (1934), já versava a temática que o autor desenvolveria posteriormente. As suas três obras básicas, “Sem rumo” (1937), “Porteira fechada” (1944) e “Estrada nova” (1954), compõem a “Trilogia do gaúcho a pé” e retratam o homem das pampas, marginalizado pela nova ordem económica, social e cultural gerada pelo processo de industrialização e concentração urbana.
Cyro Martins iniciou os estudos aos nove anos, no Colégio Municipal de Quaraí. Aos 20, continuou a estudar num colégio interno de Porto Alegre, o Ginásio Anchieta. O seu primeiro professor, Lucílio Caravaca, é lembrado no personagem homónimo em “Rodeio (contos e estampas)” de 1976. Em 1942, em “Um menino vai para o colégio (novela)” tinha revivido a sua vida no internato.
Escreveu os seus primeiros artigos e contos aos quinze anos. Em 1928, com dezanove, ingressou na Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Voltou a Quaraí em 1934, já formado, para «fazer a prática da medicina», como dizia, sobretudo nos bairros e vilas da cidade.
Em 1935, casou-se com Suely de Souza e utilizou, numa conferência, pela primeira vez, o termo «gaúcho a pé», origem e leitmotiv da trilogia já referida. Em 1937, foi estudar Neurologia no Rio de Janeiro, onde publicou “Sem rumo pela Ariel”. Em 1938, já em Porto Alegre, prestou concurso para Psiquiatria no Hospital São Pedro e, no ano seguinte, participou na fundação da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal no mesmo hospital. Publicou entretanto o romance “Enquanto as águas correm”. Abriu o seu primeiro consultório. “Mensagem errante” surge em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial.
Em 1949, segundo casamento, com Zaira Meneghello. Dois anos depois, foi fazer a sua formação psicanalítica em Buenos Aires. Regressou ao Brasil em 1955, quando já era membro da Associação Psicanalítica Argentina. Convida, entre outros, o analista argentino Arnaldo Rascovsky, de quem se tornara amigo, para debates sobre psicoterapia analítica de grupo. Em 1957, foi eleito presidente da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia, quando iniciou a sua actividade como professor no Instituto de Psicanálise. Ainda nesse ano, publicou “Paz nos campos”, que reúne diversos contos e novelas.
De 1958 a 1964, teve vários trabalhos científicos traduzidos para espanhol e alemão.
Em 1990, escreveu o seu livro de memórias, em parceria com Abrão Slavutzky, “Para início de conversa”. No ano seguinte, publicou o seu último livro de ficção, a novela “Um sorriso para o destino”. Ainda publicaria uma série de ensaios psicanalíticos (1993) e, quando seria de esperar que falasse de si mesmo, surpreendeu tudo e todos discorrendo sobre os seus amigos poetas, pintores e ficcionistas, em “Páginas soltas” (1994).
Faleceu aos 87 anos. Familiares e amigos criaram em 1997 o Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro MartinsCELPCYRO, com o propósito de cuidar do seu vasto espólio e promover estudos a partir da sua obra.

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