terça-feira, 13 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Murilo Monteiro Mendes, poeta brasileiro e um dos maiores expoentes da Segunda Geração Modernista no Brasil, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 13 de Maio de 1901. Morreu em Lisboa no dia 13 de Agosto de 1975. Estudou na sua cidade natal e no Colégio Salesiano de Niterói.
Foi homem de múltiplos ofícios: dentista, telegrafista, guarda-livros, notário e Inspector do Ensino Secundário. De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando a cultura brasileira através de conferências. Depois de ter estado na Bélgica e na Holanda, entre 1953 e 1956, fixou-se em Itália, onde leccionou Cultura Brasileira nas Universidades de Roma e de Pisa.
Iniciou-se na Literatura escrevendo em várias revistas modernistas (“Terra Roxa”, “Outras Terras”, “Verde” e “Antropofagia”).
Os seus livros “Poemas” (1930), “História do Brasil” (1932) e “Bumba-Meu-Poeta” (escrito em 1930, mas só publicado quase trinta anos depois) são claramente Modernistas, revelando uma visão humorística da realidade brasileira. O primeiro destes livros ganhou o Prémio Graça Aranha.
“Tempo e Eternidade” (1935) marcou a conversão de Murilo Mendes ao Catolicismo. Neste seu livro, o humor diminuiu e os valores visuais do texto foram acentuados.
Nos livros que escreveu a seguir (“Poesia em Pânico” em 1938, “O Visionário” em 1941, “As Metamorfoses” em 1944 e “Mundo Enigma” em 1945), Murilo mostrou já uma influência Cubista.
“Poesia Liberdade” (1947) como alguns outros dos seus livros, escritos sob o impacto da Grande Guerra, espelharam as inquietações de Murilo quanto à situação no Mundo.
Em 1954 publicou “Contemplação de Ouro Preto”, em que modificou de novo o seu estilo e as suas preocupações. Daí por diante, lançou-se em novos processos literários, escrevendo uma poesia de carácter mais rigoroso e despojado, em que se deve salientar “Tempo Espanhol” em 1959. Em 1970 escreveu “Convergência”, um livro de poemas Vanguardistas. Recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina em 1972, ano em que foi ao Brasil pela última vez.
Murilo Mendes publicou igualmente vários livros de prosa. Parte da sua obra poética está traduzida em italiano e espanhol e foi publicada também em Portugal.
SERÁ QUE O SEU PÉ DIREITO É INTELIGENTE?

O que se segue é tão engraçado que desafia qualquer compreensão lógica. Aposto que irá tentar pelo menos cinquenta vezes para ver se consegue contrariar o seu pé.
Mas sem sucesso!!! Experimente…
1 - Então é assim: está sentado na sua cadeira junto da secretária.
2 -Levante o pé direito do chão. Uma vez o pé no ar, faça círculos com o mesmo, no sentido dos ponteiros de um relógio.
3 - Ao mesmo tempo, desenhe com a sua mão direita o número 6 no ar. O seu pé muda de direcção!
Como já lhe tinha dito, não há nada que se possa fazer…

segunda-feira, 12 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Anna Langfus, de seu verdadeiro nome Anna-Regina Szternfinkiel, escritora de língua francesa, judia de origem polaca, morreu em 12 de Maio de 1966. Nascera em 2 de Janeiro de 1920. Passou a infância e a adolescência em Lublin, no seio de uma família judia com vida desafogada.
Casou-se aos dezoito anos e partiu logo para a Bélgica com o marido, um ano mais velho. Ele foi estudar na Escola de Têxteis de Ververs. Anna voltou para junto da família em 1939 e seria depois apanhada pela guerra.
Conheceu em 1942 os guetos de Lublin e de Varsóvia. Escondeu-se depois, juntamente com o marido, do lado “ariano”. Os pais, que ficaram no gueto da capital da Polónia, desapareceram em 1943.
Foi agente de ligação de um grupo da Resistência, esteve escondida no norte de Varsóvia, mas acabou por ser presa pela Gestapo, sendo ferozmente torturada na prisão de Nowy Dwor. Assistiu à execução do marido e foi transferida para a prisão de Plonsk, sendo libertada pelo exército soviético.
Refugiou-se em França, onde começou por viver na miséria. Casou-se em 1948 com um judeu de Lublin, que também escapara dos campos de concentração.
Frequentando os meios teatrais, redigiu em 1953 a sua primeira peça “Os leprosos” que foi representada em 1956.
O seu primeiro romance “Le Sel et le souffre”, publicado pela Editora Gallimard em 1960, evoca a sua vida durante a guerra. As suas qualidades literárias chamaram de imediato a atenção da crítica e do público, recebendo o prestigiado Prémio Charles Veillon. O romance seguinte “As Bagagens de Areia” obteve o Prémio Goncourt em 1962.
Segundo dizia «Para traduzir por palavras o horror da condição judaica durante a guerra, vi-me obrigada a escrever obras de literatura. Foi um passo que tive de dar na minha vida». Explorando o mesmo tema, publicou ainda “Saute Barbara”. Foi autora também de uma dezena de peças de teatro e de várias novelas. Morreu de crise cardíaca quando tinha apenas 46 anos.

domingo, 11 de maio de 2008

Evolução do roubo através dos tempos...


EFEMÉRIDE – José Rubem Fonseca, escritor e guionista do cinema brasileiro, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 11 de Maio de 1925.

Licenciado em Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, Rubem Fonseca exerceu várias profissões antes de se dedicar integralmente à Literatura. Foi comissário da Polícia, tendo descrito nos seus livros muitos dos factos ocorridos nessa época (1952/1958). Em 1954, estudou matérias policiais, que depois também ensinou, na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Na Escola da Polícia destacou-se em Psicologia. Foi um dos dez polícias escolhidos para se aperfeiçoar nos Estados Unidos em 1953/1954, tendo aproveitado para estudar igualmente Gestão de Empresas na New York University.
As suas obras descrevem geralmente, em estilo simples, a luxúria e a violência urbana, num mundo em que marginais, assassinos, prostitutas, polícias e anónimos convivem numa mistura nem sempre pacífica. Para protagonizar alguns dos seus contos e romances criou um personagem – o advogado Mandrake, mulherengo, cínico, amoral e profundo conhecedor do sub mundo carioca. Algumas das suas obras, com Mandrake como protagonista, foram adaptadas para séries televisivas, com guiões escritos pelo seu filho José Henrique.
Em 2003, venceu o Prémio Camões, a mais prestigiada consagração literária da língua portuguesa. Tem recebido vários prémios por guiões escritos para o cinema.

sábado, 10 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Paul David Hewson, conhecido por Bono, cantor irlandês, nasceu em Dublin no dia 10 de Maio de 1960. É líder carismático do grupo musical U2 e destacado activista na defesa dos Direitos do Homem.
Começou a namorar com a esposa quando ainda eram adolescentes, tendo-se casado em 1982. Filho de pai católico e mãe protestante, desenvolveu a sua personalidade com uma forte fé religiosa, mas sem nenhuma inclinação fixa. Estudou no Mount Temple Comprehensive School e foi ali que adquiriu o seu apelido “Bono Vox”, depois encurtado para “Bono”.
Em 1975, o baterista do U2 colocou naquela escola um anúncio procurando jovens interessados em formar uma banda. Apareceram quatro interessados, entre eles Bono. Inicialmente ninguém queria cantar. Havia um baixista, um baterista e 3 guitarristas mas, como precisavam de um vocalista, Bono foi o escolhido.
Ícone da música pop/rock mundial, tem escrito canções que reflectem os ideais cristãos, tendo inclusivamente actuado uma vez para o Papa João Paulo II. É um símbolo da luta contra a pobreza no continente Africano, ajudando as pessoas que lá vivem e necessitam a saírem da miséria. Tem participado também em iniciativas destinadas a financiar os programas de luta contra a SIDA, a tuberculose e a malária.
Autor de 99% das letras das canções dos U2, tem defendido várias causas humanitárias e políticas. Acredita «num Mundo melhor, em que as pessoas sejam boas e vivam em paz».
Bono sempre se relacionou bem com os artistas que foi encontrando ao longo da carreira, quaisquer que fossem as suas correntes musicais. Foi assim que cantou com Pavarotti, Frank Sinatra, Paul McCartney, Bruce Springsteen e outros. Escreveu também uma canção para o francês Johnny Hallyday.
Em 2003 foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra Francesa e, sob proposição do Primeiro-Ministro inglês, foi feito também Cavaleiro da Ordem do Império Britânico. Em 2005 foi considerado pela revista americana Time como a personalidade do ano. Recebeu várias outras condecorações mundiais, uma delas em Portugal.
Em virtude das suas actividades humanistas, foi indicado para Prémio Nobel da Paz em 2003, 2005 e 2006.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – James Matthew Barrie, jornalista, romancista e dramaturgo escocês, nasceu em Kirriemuir no dia 9 de Maio de 1860. Morreu em 19 de Junho de 1937, vítima de pneumonia.
Tornou-se famoso em 1904 com a peça “Peter Pan”, a história do menino que vivia na Terra do Nunca, que travou batalhas com o Capitão Gancho e que nunca cresceu.
Em pequeno, ouvira muitas histórias de piratas contadas pela mãe, que lhe lia também aventuras de R. L. Stevenson, escritor igualmente escocês. Quando Barrie tinha sete anos, o seu irmão David morreu na sequência duma queda quando patinava. David era o filho preferido da mãe, que caiu em depressão. Barrie tentou substitui-lo no coração da mãe, vestindo-se até com as roupas do irmão. Depois da morte da mãe, Barrie publicou em 1896 uma biografia em sua memória.
Na escola, interessou-se pelo teatro e “devorou” livros. Os seus colegas de classe viam-no como um estranho: eles eram altos e estavam interessados nas garotas, enquanto ele permanecia pequeno e aparentemente nunca tinha tido uma namorada. Barrie estudou na Dumfries Academy e na Universidade de Edimburgo. Depois de trabalhar como jornalista para o “Nottingham Journal”, mudou-se de algibeiras vazias para Londres, em 1885, como escritor independente. Vendia os seus trabalhos, a maioria dos quais de cariz humorístico, para revistas como a “The Pall Mall Gazett”.
Em 1888 ganhou fama pela primeira vez com “Auld Licht Idylls”, um retrato da vida escocesa. A crítica elogiou a sua originalidade. The Little Minister (1891), uma peça melodramática, teve um enorme sucesso e foi objecto de três adaptações cinematográficas, sendo também representada em palcos da Inglaterra e dos Estados Unidos.
Em 1922, recebeu a Ordem de Mérito. A sua casa era visitada por ministros, duques, estrelas do cinema e grande número de admiradores que tinham por ele um grande apreço.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

8 DE MAIO - ROBERT HEINLEIN

EFEMÉRIDE – Robert Anson Heinlein, escritor de ficção científica norte-americano, faleceu em Carmel no dia 8 de Maio de 1988. Nascera em Butler, no Missouri, em 7 de Julho de 1907.
Durante a sua infância, houve um renascer do interesse pela religião nos Estados Unidos e nomeadamente no Missouri. Esta influência religiosa é visível nas suas obras. Depois da escolaridade normal, entrou na Academia Naval de Annapolis, tendo-se licenciado em 1929. Serviu na Marinha americana, onde atingiu o lugar de tenente, antes de deixar a armada por ter contraído a tuberculose em 1934. A vida militar viria a ter também uma certa influência nos seus livros.
Estudou Matemáticas e Física durante algumas semanas na Universidade da Califórnia, exercendo depois diferentes profissões, sendo agente imobiliário e também proprietário de uma mina de prata.
Lançou-se na política num movimento socialista mas sem sucesso. Veio a encontrar a sua vocação, ao publicar a sua primeira novela de ficção científica “Linha de Vida” em 1939. Escrita para concorrer a um concurso dotado dum prémio de cinquenta dólares, achou-a tão boa que decidiu publicá-la numa revista que lhe ofereceu mais vinte.
Nos anos seguintes publicou várias novelas, englobando-as numa “História do Futuro” que descrevia a história da Humanidade de 1950 até 2600.
Quando os Estados Unidos entraram na 2ª Grande Guerra cessou toda a actividade literária e trabalhou como engenheiro civil num laboratório da marinha. Acabada a guerra e, depois de uma breve militância para o controlo supranacional das armas nucleares de destruição maciça (de que ele fora um dos primeiros a discutir as consequências geopolíticas em 1941 na novela “Solution Unsatisfactory”), passou a viver apenas da escrita.
Participou activamente na criação do filme “Destino Lua” realizado por Irving Pichel (1950), que exerceu uma profunda influência sobre o cinema de ficção científica e cujos efeitos especiais ganharam um Óscar. O romance “A Patrulha do Espaço” foi adaptado à rádio e à televisão fazendo parte das primeiras séries do género.
Recebeu quatro vezes o Prémio Hugo do Melhor Romance. Nos anos 1980 foi um dos pilares do Conselho de Cidadãos sobre Política Espacial que esteve na origem da defesa estratégica do Presidente Reagan.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Até custa acreditar
Ver tanta gente a sofrer;
Dá vontade de chorar
Por nada poder fazer.
Manuel Groca Piteira

MISÉRIA
(décimas)

I

Há tanta fome no Mundo
Tanta riqueza esbanjada
Tanta gente revoltada
Com sofrimento profundo
A viver num meio imundo.
Tanta gente a suspirar
P’la morte que vai chegar
Eles nem foram crianças
Nunca tiveram esperanças
Até custa acreditar

II

Morte p’ra eles é um “bem”
Mas leva tempo a chegar.
Passam a vida a penar
Sem carinho de ninguém
Por vezes sem pai nem mãe
Sofrem desde o sol nascer
Até o dia morrer.
Nada está a melhorar
E a nós custa olhar
Ver tanta gente a sofrer

III

À pobreza envergonhada
Gostaria de oferecer
Roupas e pão p’ra comer
(Quase se sente culpada
De viver assim sem nada)
Dêem-me armas p’ra lutar
E esta injustiça acabar
Senão serei impotente
E ao olhar esta gente
Dá vontade de chorar

IV

Cabe a cada um de nós
Na nossa Vila ou Cidade
Lutar pela igualdade
Erguendo a nossa voz
Por quem sofre tanto a sós
(Assim não poderá ser
Tanta gente a querer morrer)
Lutemos todos p’lo Bem
P’ra não sofrermos também
Por nada poder fazer.


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDE – Iara Iavelberg, psicóloga, professora universitária e militante da luta armada contra a ditadura militar, brasileira de origem judaica, nasceu em São Paulo no dia 7 de Maio de 1944. Morreu em Salvador, Bahia, em 20 de Agosto de 1971.
Pertenceu a quatro organizações clandestinas de combate à ditadura: Polop, VAR-Palmares, Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Durante a sua militância no MR-8, tornou-se companheira de Carlos Lamarca, com quem se refugiou na Bahia em 1971. O namoro fora tumultuoso, em virtude dos ciúmes de Carlos pelos ex-namorados de Iara e pelo sentimento de culpa dele por estar traindo a mulher, que mandara com os filhos para Cuba.
Iara Iavelberg casara aos dezasseis anos, mas cinco anos depois continuava virgem. Separou-se, vencendo a rígida educação judaico-moralista. Entre os seus ex-namorados, contou-se o deputado José Dirceu.
Iara entregava panfletos às portas das fábricas e pinchava nos muros e paredes frases e desenhos anti-ditadura. Nas reuniões clandestinas, ajudava também na cozinha.
Até hoje, as causas e até a data da sua morte continuam envoltas em mistério. A data oficial é contestada segundo um relatório do Ministério da Aeronáutica, segundo o qual ela se teria suicidado em 6 de Agosto, acossada pela polícia numa residência em Salvador.
Por outro lado, outros militantes, presos no DOI-Codi de Salvador, dizem ter ouvido os seus gritos enquanto era torturada, o que por sua vez também contradiz a versão do Ministério da Marinha, segundo a qual ela teria sido abatida durante uma “acção de segurança”.
A sua família luta desde 1998, sobretudo contra as autoridades que administram o cemitério judaico, para que o corpo de Iara seja exumado e que um exame pericial determine as reais causas de sua morte. O suicídio é considerado um dos mais graves crimes pela lei judaica, sendo os corpos dos suicidas enterrados em local separado e considerado desonroso.
O corpo de Iara fora entregue pelos militares aos parentes, um mês depois de sua morte, num caixão lacrado. Os militares proibiram que ele fosse aberto.
O Instituto de Psicologia de São Paulo onde ela estudou, prestou-lhe homenagem dando-lhe o nome ao seu Centro Académico.
A sua vida está contada em livro (“Iara” de Judith Patarra – 1992) e em filme (“Lamarca” de Sérgio Rezende – 1993).

terça-feira, 6 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Gaston Louis Alfred Leroux, romancista francês conhecido sobretudo pelos seus romances policiais, nasceu em Paris no dia 6 de Maio de 1868. Faleceu em Nice, em 15 de Abril de 1927.
Passou a infância e adolescência no porto de Valéry en Caux, na Normandia, onde pescava e pedia para o deixarem viajar nos veleiros que saíam para o mar.
Na escola, visto ser um aluno muito atento e disciplinado, era brilhante e foi acumulando vários prémios. Mudou-se para Paris. para estudar na Universidade de Direito, tendo-se licenciado em 1890. O pai, que morrera entretanto, deixou-lhe aproximadamente um milhão de francos. Leroux esbanjou o dinheiro com bebidas, mulheres, jogos e negócios mal sucedidos. Só exerceu a profissão de advogado durante três anos, indo depois trabalhar como jornalista de “assuntos de polícia”. Usando os seus dotes de advogado, teve grande sucesso. Uma das suas reportagens mais famosas foi feita dentro duma prisão, disfarçando-se de médico e conseguindo entrevistar um prisioneiro. Este acabou por ser libertado graças a Leroux, que provou a sua inocência. Usando o mesmo disfarce assistiu a execuções, o que o tornou um inimigo da pena de morte. A partir de 1901, como “grande repórter” viajou muito, não só em França, mas também pelo estrangeiro, nomeadamente Espanha e Marrocos. De 1904 a 1906 foi enviado especial permanente na Rússia em representação do jornal “Matin”.
Em 1907 decidiu seguir a carreira literária a tempo inteiro. As suas obras eram quase sempre livros de mistério, influenciados por Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle. Além destes, também outros escritores o influenciaram tais como Stendhal, Alexandre Dumas e Victor Hugo. Em 1903 já tinha escrito um primeiro livro: "A busca dos tesouros da manhã". A prática como repórter permitia-lhe dar às suas histórias um ar real, não apenas pela utilização de factos efectivamente ocorridos, mas também por se valer de depoimentos e entrevistas que tinha publicado em jornais.
Em 1908 mudou-se para Nice onde, em menos de três anos, escreveu cinco romances. A obra que garantiu a sua imortalidade, publicada em 1911, foi “O Fantasma da Ópera”. Escreveu-a depois de visitar a Ópera de Paris e de ver o lago subterrâneo, que realmente existe, tendo-se quase perdido no labirinto de portas, corredores e escadas que existem nesta casa de espectáculos. Além disso, em 1896, houve efectivamente um acidente com o lustre da Ópera, que caiu sobre a plateia cheia de espectadores. Tudo isto, misturado com a sua prodigiosa imaginação, deu como resultado uma obra conhecida em todo o mundo. Seria adaptada ao cinema em 1925, na única versão aprovada por Leroux. Muitos filmes foram depois feitos sobre a mesma obra, mas nenhum conseguiu ser fiel à história. Vários outros livros de Gaston Leroux foram também adaptados ao cinema, à rádio e à televisão.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Miklós Radnóti, um dos mais célebres poetas húngaros, nasceu em Budapeste no dia 5 Maio de 1909. Morreu em Abda, também na Hungria, em 8 de Novembro de 1944.
A mãe e o seu irmão gémeo morreram à nascença, experiência traumatizante que ele viria a contar na sua autobiografia publicada em 1949 “O mês dos Gémeos. Jornal de Infância”. O pai morreu quando ele tinha doze anos
Pertencendo a uma família de intelectuais, entrou na Faculdade de Letras de Szeged, tendo-se licenciado em Húngaro e Francês. A origem judaica e as suas ideias progressistas impossibilitaram-lhe no entanto de arranjar um emprego.
Tomou então contacto com a exploração dos trabalhadores e manteve ligações com o Partido Comunista ilegal sem contudo a ele ter aderido.
Em 1930 publicou a primeira recolha de poemas “Pogány köszöntő”. O seu segundo livro “Canção dos Novos Pastores”, em estilo lírico e bucólico, valeu-lhe um processo em 1931 por atentado ao pudor, tendo sido condenado a oito meses de prisão.
A sua poesia virou-se então para o movimento operário e para a sociologia rural, publicando alguns poemas na revista “Szép Szó ”, pertencente ao grupo literário “Os Urbanos”.
Antifascista, foi particularmente elogiado pelo seu livro “Marcha, Condenado à Morte!”, com o qual ganhou o Prémio Baumgarten.
Mobilizado para o “Serviço de Trabalho dos Judeus”, Miklós foi fuzilado pelos SS quando os alemães se retiraram em Novembro de 1944. Os seus últimos poemas ficaram-lhe nas algibeiras até à exumação do cadáver efectuada em 1946. Foram publicados nesse mesmo ano sob o título “Céu com nuvens”.
Morreu por ser judeu, apesar de ter seguido a via católica, por influência de um professor da universidade, igualmente poeta, tendo-se mesmo convertido ao cristianismo em 1943.
Miklós Radnóti traduziu para a língua húngara vários poemas dos escritores franceses Guillaume Apollinaire e Jean de La Fontaine.

domingo, 4 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Maxence Van der Meersch, de seu verdadeiro apelido Vandermeersch, escritor francês, nasceu em Roubaix no dia 4 de Maio de 1907. Morreu no Touquet, onde se recolhera para tratamento de uma afecção pulmonar, em 14 de Janeiro de 1951.
Com uma saúde muito frágil, pertencente a uma família desafogada da pequena burguesia, o pai era contabilista. Aos 11 anos perdeu a sua irmã de dezoito, desgosto a que os pais não resistiram. A mãe mergulhou no alcoolismo e o pai passou a levar uma vida julgada dissoluta para a época.
Aos vinte anos, Maxence apaixonou-se por uma jovem operária e passaram a viver juntos, tendo-se casado sete anos depois. Thérèse foi o único amor da sua vida. Tiveram uma filha, a quem deram o mesmo nome da jovem irmã de Maxence, precocemente desaparecida.
Licenciou-se em Direito e Letras na Faculdade de Lille mas exerceu pouco a profissão, consagrando-se rapidamente apenas à Literatura, com passagem pelo Jornalismo. A sua obra, profundamente humanista, conta essencialmente a vida das pessoas modestas do norte de França, a sua região natal.
Em 1936 recebeu o Prémio Goncourt com “L'empreinte du dieu” e em 1943 o Grande Prémio da Academia Francesa com “Corpos e Almas”, sucesso internacional traduzido em treze línguas.
Católico, contrariamente ao pai que era um ateu convicto, escreveu igualmente algumas obras de carácter religioso.
Foi um autor muito conhecido na sua época, mas hoje quase esquecido. Apesar de tudo, o seu primeiro romance “A casa na duna” foi adaptado ao cinema em 1988.

sábado, 3 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Georges Moustaki, de seu verdadeiro nome Giuseppe Mustacchi, autor, compositor e cantor francês, nasceu no Egipto (Alexandria) em 3 de Maio de 1934.
Nascido de pais judeus gregos, cresceu num ambiente multicultural (judeu, grego, italiano, árabe e francês) e cedo se apaixonou pela literatura e pela canção francesa, nomeadamente por Édith Piaf.
Mudou-se para Paris em 1951, trabalhando como jornalista e como barman num “piano - bar”, o que lhe possibilitou conhecer várias personalidades do mundo musical da época, como Georges Brassens, que viria a ter grande influência na sua carreira e de quem adoptou o nome próprio. Em 1958, encontrou Édith Piaf, tendo escrito para ela uma das suas canções mais conhecidas - Milord - e com quem viveu um intenso mas fugaz romance de amor.
Durante os anos 60 escreveu canções de sucesso para grandes nomes da canção, como Yves Montand, Barbara e sobretudo Serge Reggiani.
No “Maio de 68”, escreveu, compôs e interpretou “Le Métèque », uma balada romântica que fala dum estrangeiro um pouco etilizado, doce sonhador e solitário. Foi um grande sucesso internacional que relançou a sua carreira. Em Janeiro de 1970, fez o seu primeiro grande concerto na prestigiada sala de espectáculos parisiense ”Bobino”. Era desvendado finalmente um artista que mostrou privilegiar os ambientes calorosos e próximos do público.
Durante mais de três décadas tem percorrido o Mundo para dar espectáculos, mas sobretudo para se inspirar e produzir outros trabalhos. Os seus discos sucedem-se e são sempre diferentes. Músico prolífero, continua a seguir o seu caminho, encontrando nas tournées - que se seguem ao lançamento de cada álbum - pretexto para reencontrar o seu público sempre fiel.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

EFEMÉRIDE – Mohammed Dib, escritor argelino de língua francesa, autor de romances, novelas, poesias, peças de teatro e contos infantis, morreu perto de Paris, em 2 de Maio de 2003. Nascera em Tlemcen, no dia 21 de Julho de 1920.
Originário de uma família burguesa mas em parte arruinada, começou os seus estudos na cidade natal, sem frequentar a escola corânica, prosseguindo-os depois em Oujda e em Marrocos.
Após a morte do pai em 1931 começou a escrever e também a pintar. O encontro com um professor francês, que viria a ser seu sogro, incentivou-o a seguir a carreira literária. De 1938 a 1940 tornou-se também professor, ensinando numa escola perto da fronteira marroquina. No cumprimento do serviço militar, foi contabilista, requisitado pelos serviços civis de engenharia e, finalmente em 1943/1944 intérprete franco - inglês junto dos exércitos aliados na Argélia.
De volta a Tlemcen em 1945, ocupou-se durante dois anos em desenhar maquetas de tapetes, realizados e vendidos seguidamente sob o seu controlo. Publicou um primeiro poema em 1946 na revista Suiça “Les Lettres”. Num encontro organizado em 1948 pelos “Movimentos de Juventude e de Educação Popular” conheceu vários escritores franceses, entre os quais Albert Camus. De 1950 a 1952 trabalhou no jornal progressista “Alger républicain”, publicando reportagens, artigos políticos e crónicas sobre teatro. Escreveu igualmente para “Liberté”, jornal do Partido comunista argelino. Mohammed Dib lia muito, sobretudo clássicos franceses, escritores americanos e romancistas soviéticos e italianos.
Em 1952 fez uma estadia em França onde publicou “La Grande Maison”, primeiro volume da trilogia “Argélia”, inspirada pela sua terra natal e descrevendo a atmosfera do mundo rural. Os dois volumes seguintes (“L'Incendie” et “Le Métier à tisser”) apareceram nos escaparates em 1954, ano em que começou a guerra de libertação.
Em “Un Été Africain”, Mohammed abordou já explicitamente a guerra pela independência e foi expulso da Argélia pela polícia colonial em virtude das suas “actividades militantes”. Os escritores franceses André Malraux e Albert Camus intervieram para que ele se instalasse em França. Assim aconteceu, indo morar no Sul, em casa dos sogros. Efectuou então várias viagens a países do Leste e a Marrocos.
Em 1964 mudou-se para a região parisiense, continuando sempre a escrever e a publicar, privilegiando temas como a condição humana, a feminilidade e a morte. Iniciou uma nova trilogia sobre a “Algéria de hoje”.
Nos anos setenta foi ensinar na Universidade da Califórnia o que virá a inspirar um romance publicado em 2003. Deslocou-se várias vezes à Finlândia, onde colaborou na tradução de escritores finlandeses. Estas estadias inspiraram-lhe a “Trilogia Nórdica” publicada em 1989. Fez parte de júris literários nos Estados Unidos e publicou em 1975 a recolha de poemas “Omneros ”.
Nos anos oitenta foi professor no “Centro Internacional de Estudos Francófonos” na Sorbonne.
Mohammed Dib recebeu inúmeros prémios, entre os quais o "Grande Prémio da Francofonia" da "Academia Francesa", atribuído pela primeira vez a um escritor do Magreb. Morreu aos 82 anos.

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