quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

6 DE FEVEREIRO - UGO FOSCOLO



EFEMÉRIDE – Niccolò (Ugo) Foscolo, escritor italiano, um dos principais do Neoclassicismo e do Pré-Romantismo, nasceu em Zante, Ilhas Jónicas, no dia 6 de Fevereiro de 1778. Morreu em Turnham Green, Londres, em 10 de Setembro de 1827.
Filho de um médico veneziano e de uma grega, fez os primeiros estudos no Seminário do Arcebispado de Split. Em 1792, quando da morte do pai, a família instalou-se em Veneza e Niccolò completou os estudos na Universidade de Pádua, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos de grego antigo e moderno, de latim, de filosofia e dos escritores italianos e estrangeiros. Em 1795, por razões mal conhecidas, mudou o seu nome próprio para Ugo, talvez uma homenagem a Ugo di Basseville, um republicano francês assassinado em Roma (1793).
Com a chegada dos franceses e sob a influência das ideias jacobinas, dedicou-se à política e tornou-se suspeito aos olhos das autoridades venezianas. Em 1797, publicou uma tragédia cheia de fervor liberal, “Tieste”, que lhe trouxe algum sucesso.
Participou activamente nas discussões que se seguiram à queda da República Veneziana (Maio de 1797) e dedicou uma ode a Napoleão Bonaparte, esperando que ele pusesse fim à oligarquia de Veneza e criasse uma verdadeira república livre. O Tratado de Campo Formio (Outubro de 1797), pelo qual Napoleão deu Veneza aos Austríacos, foi um choque para Ugo Foscolo, mas não destruiu totalmente as suas esperanças.
Em 1798, instalou-se em Bolonha, onde colaborou num jornal fundado pelo seu irmão Giovanni. Começou a redigir o romance epistolar “Ultime lettere di Jacopo Ortis”, uma história inspirada em factos reais.
Continuando persuadido que o seu país seria libertado por Napoleão, alistou-se na guarda nacional. Participou nas batalhas de Marengo e de Trebbia e no cerco de Génova, onde foi ferido e feito prisioneiro. Foi neste período que modificou a sua ode a Napoleão, exortando-o a não se transformar num tirano e evocando a unidade italiana, herdeira do Império romano.
Os anos que se seguiram foram de intensa actividade literária. Participou também na elaboração de um relatório que propunha a Napoleão um modelo de governo para uma Itália unificada.
Em 1804, como capitão de infantaria, foi para Valenciennes. Voltou a Milão em 1806 e, no ano seguinte, publicou “Dei sepolcri”. Obteve a cadeira de Eloquência na Universidade de Pavia. O seu discurso inaugural, em Janeiro de 1809, em que propôs aos seus jovens compatriotas para considerarem a literatura numa perspectiva nacionalista, não agradou a Napoleão. Por decreto, todas as cadeiras de Eloquência foram suprimidas em Itália.
Em Dezembro de 1811, a sua tragédia “Ajax” foi representada no Scala de Milão, sendo de imediato proibida pela censura, em virtude das suas alusões a Napoleão. Em Agosto de 1812, instalou-se na Toscânia, onde frequentou o Cenáculo da Condessa de Albany, compôs uma outra tragédia (“Ricciarda”), escreveu uma ode e terminou a sua tradução da “Viagem Sentimental” de Sterne.
Em Dezembro de 1813, depois da derrota de Napoleão em Leipzig, voltou a Milão, retomando o seu lugar no exército para defender o Reino de Itália. A chegada dos austríacos fez com que ele perdesse a esperança numa Itália independente. A obrigação de servir o novo regime levou-o a deixar Itália, em Março de 1815.
Partiu para a Suíça, onde publicou em 1816 “Ipercalisse”. As autoridades austríacas insistiam entretanto na sua extradição e Ugo partiu então para Londres, em Setembro de 1816, graças à ajuda do embaixador britânico em Berna. Em Inglaterra, foi muito bem acolhido, consagrando-se à literatura e ao jornalismo. Escreveu alguns ensaios sobre os sonetos de Petrarca.
Problemas financeiros levaram à sua detenção por dívidas em 1824. Quando foi libertado, teve de usar vários nomes para escapar aos credores. Doente, provavelmente tuberculoso, morreu aos 49 anos. Os seus restos mortais só foram trasladados para Florença em 1871, sendo então organizado um funeral nacional que o deixou na Basílica de Santa Cruz, o panteão italiano que ele tinha celebrizado em “Dei Sepolcri” e onde repousam igualmente Maquiavel, Miguel Ângelo e Galileu.

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