quarta-feira, 11 de outubro de 2017

11 DE OUTUBRO - FERNANDO SABINO


EFEMÉRIDE - Fernando Tavares Sabino, escritor e jornalista brasileiro, que exerceu também actividades como cineasta, morreu no Rio de Janeiro em 11 de Outubro de 2004. Nascera em Belo Horizonte no dia 12 de Outubro de 1923.
Aos 13 anos, começou a escrever contos. A sua primeira publicação, uma história policial, ocorreu na “Argus”, uma revista da polícia de Minas Gerais. Durante a adolescência, enviava com regularidade crónicas para a revista mineira, que promovia um concurso permanente. Sabino vencia com frequência, tanto que chegava a receber adiantado o dinheiro do prémio.
Desportista, era nadador do Minas Ténis Clube, tendo diversos recordes no estilo de costas, a sua especialidade, tornando-se mesmo campeão sul-americano em 1939.
No início da década de 1940, começou a cursar a Faculdade de Direito de Minas Gerais e ingressou no jornalismo como redactor da “Folha de Minas”. O seu primeiro livro de contos, “Os grilos não cantam mais”, foi publicado em 1941, no Rio de Janeiro, quando o autor tinha dezoito anos, sendo que alguns contos do livro haviam sido escritos quando Sabino tinha apenas quatorze anos. Nesse período, formava - com Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos - um grupo literário, apelidado de Grupo dos Vintanistas, devido ao facto de todos estarem na casa dos vinte anos. Esse grupo discutia literatura e fazia passeios boémios nas noites de Belo Horizonte. Entretanto, Sabino publicava contos e artigos nas revistas “Mensagem”, “Alterosa” e “Belo Horizonte”.
Depois da publicação de “Os grilos não cantam mais”, Sabino iniciou - em 1942 - correspondência com o escritor paulista Mário de Andrade. A troca de cartas durou até 1945, ano da morte de Mário, e pode ser lida no livro “Cartas a um jovem escritor e suas respostas”.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1944. Tornou-se colaborador regular do jornal “Correio da Manhã”, onde conheceu Vinicius de Moraes, de quem se tornou amigo. No mesmo ano, publicou a sua segunda obra, a novela “A marca”. Em 1945, conheceu a escritora Clarice Lispector, no Rio, de quem se tornou também amigo e, mais tarde, correspondente. Depois de se formar em Direito, em 1946, viajou com Vinicius até aos Estados Unidos. Fernando Sabino morou durante dois anos em Nova Iorque, onde exerceu função burocrática no consulado brasileiro. Colaborou com crónicas no “Diário Carioca” e em “O Jornal”, que foram publicadas na obra “A cidade vazia” (1950). No mesmo período, Sabino escreveu “Os movimentos simulados” (publicado em 2004, ano do seu falecimento) e os esboços das obras “O encontro marcado” (1956) e “O grande mentecapto” (1979).
Em 1957, Sabino decidiu viver exclusivamente como escritor e jornalista. Iniciou uma produção diária de crónicas para o “Jornal do Brasil”, escrevendo mensalmente para a revista “Senhor”. Em 1960, publicou o livro “O homem nu”, na Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta. Publicou, em 1962, “A mulher do vizinho”, que recebeu o Prémio Fernando Chinaglia, do Pen Club do Brasil. Em 1964, mudou-se para Londres, onde passou a exercer a função de adido cultural junto da embaixada brasileira. Tornou-se correspondente do “Jornal do Brasil” e colaborou na BBC e nas revistas “Manchete” e “Claudia”.
Através da Editora do Autor, publicou nomes importantes da literatura brasileira e latino-americana. Deixou a editora em 1966 e fundou a Editora Sabiá. Em 1973, funou a Bem-te-vi Filmes, com David Neves, por meio da qual produziu várias curtas-metragens com escritores brasileiros. Realizou, na década de 1970, uma série de viagens ao estrangeiro para se documentar.
O grande mentecapto”, publicado em 1979, rendeu-lhe o Prémio Jabuti e acabaria por ser adaptado ao cinema em 1989 (e também ao teatro). Publicou em 1982, “O menino no espelho”; em 1985, “A faca de dois gumes” e, em 1989, “O tabuleiro de damas”, uma obra autobiográfica. Escreveu com regularidade na década de 1990. Em Julho de 1999, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prémio Machado de Assis pelo conjunto da sua obra. Em 2002, publicou “Cartas sobre a mesa” e, em 2004, “Os movimentos simulados”.
Fernando Sabino faleceu na sua casa em Ipanema, vítima de cancro no fígado, na véspera de completar 81 anos. Foi sepultado no Rio, no Cemitério São João Batista. 

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