quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

23 DE DEZEMBRO - FILINTO ELÍSIO

EFEMÉRIDE - Filinto Elísio, de seu verdadeiro nome Francisco Manuel do Nascimento, poeta e tradutor português do Neoclassicismo, nasceu em Lisboa no dia 23 de Dezembro de 1734. Morreu em Paris, em 25 de Fevereiro de 1819.

O seu pseudónimo, Filinto Elísio, ou também niceno, foi-lhe atribuído pela marquesa de Alorna (a quem ensinou latim quando ela se encontrava reclusa no Convento de Chelas), dado Francisco Manuel do Nascimento ter pertencido a uma sociedade literária - Grupo da Ribeira das Naus, cujos membros adaptavam nomes simbólicos.

Filinto Elísio tinha origens humildes. Os pais, o pescador Manuel Simões e a peixeira Maria Manuel, eram naturais de Ílhavo, mas imigraram para a capital no seguimento da decadência da faina pesqueira pela qual passou a região de Aveiro, após o fecho do canal que liga o rio Vouga ao mar, provocando o encerramento do porto.

Foi ordenado padre em 1754 e influenciado pelo arcadismo e pelo iluminismo. As suas ideias liberais levaram a que fosse denunciado à Inquisição, em 22 de Junho de 1778, pelo padre José Manuel de Leiva, que o acusou de «afirmações e leituras heréticas proibidas».

Disfarçado de vendedor, conseguiu fugir de Portugal e exilar-se em Paris, onde chegou em 15 de Agosto daquele ano. Na capital francesa conheceu, entre outros, o poeta Alphonse de Lamartine.

A vida em Paris foi difícil e teve que traduzir obras francesas para subsistir. As suas poesias foram publicadas, ainda em sua vida, em Paris, entre 1817 e 1819. Só depois da sua morte, as suas obras seriam publicadas em Lisboa, entre 1836 e 1840.

Em 1843, os seus restos mortais foram transladados para Lisboa, onde se encontra sepultado no cemitério do Alto de São João.

A sua influência é vasta e se deu de forma mais directa no Pré-Romantismo, sobre autores como Almeida Garrett. Tal influência aparece sob a denominação de “filintismo”. Foi um autor único na sua visão dos clássicos, pois dava relevo ao maravilhoso e até mesmo ao fantástico, pressentindo tendências modernas no meio do racionalismo do seu tempo.

Filinto tinha simpatia pelas ideias de Rousseau, pelos ideais da Revolução Francesa e por Franklin e George Washington. A queda da Bastilha trouxe-lhe um sentimento positivo e o sentimento pela sua pátria, ao contrário, parecia frequentemente negativo, com resquícios de rancor contra a Inquisição que o fizera exilar.

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