terça-feira, 9 de dezembro de 2014

9 DE DEZEMBRO - ANTÓNIO PEDRO

EFEMÉRIDEAntónio Pedro da Costa, encenador, escritor e artista plástico português, nasceu na Cidade da Praia, Cabo Verde, em 9 de Dezembro de 1909. Morreu em Caminha, Moledo, no dia 17 de Agosto de 1966.
Veio aos 4 anos para Portugal, onde frequentou o Liceu Pedro Nunes em Lisboa, mudando-se depois para o Instituto Nuno Álvares, da Companhia de Jesus, na Galiza, onde foi membro do grupo de teatro e participou em várias dezenas de peças. O 6.º ano acabou-o em Santarém e o 7.º no Liceu de Coimbra, cidade onde dirigiu o jornal “O Bicho”. Ingressou depois na Universidade de Lisboa, tendo frequentado as Faculdades de Direito e de Letras, não concluindo no entanto nenhum dos cursos.
Viveu em Paris entre 1934 e 1935, tendo estudado no Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Sorbonne.
Em 1933, criou a galeria UP (1933/36), onde apresentou a primeira exposição de Maria Helena Vieira da Silva em Portugal (1935).
O Surrealismo surgiu na cultura portuguesa a partir de 1936, em grande parte pela sua mão, com experiências literárias que efectuava com alguns amigos. Em 1940, organizou – com António Dacosta e Pamela Boden – aquela que é considerada a primeira exposição surrealista em Portugal. A mostra, não oficial, reunia dezasseis pinturas de António Pedro, dez de Dacosta e seis esculturas abstractas de Pamela. O Surrealismo, de que se falara vagamente desde 1924, irrompia nesta exposição, abrindo à pintura nacional novos horizontes.
Em 1941, António Pedro visitou o Brasil. Esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo exposto os seus quadros em concorridas mostras nas duas cidades. Permaneceu neste país uns quatro ou cinco meses, o bastante para formar um largo círculo de amigos entre a elite intelectual brasileira. Regressou a Portugal, deixando no país irmão um rasto de amizades e muitos admiradores.
Dirigiu e editou a revista “Variante”, de que saíram dois números (1942/43), e colaborou no semanário “Mundo Literário” (1946/48).
Entre 1944 e 1945, viveu e trabalhou em Londres na British Broadcasting Corporation (BBC), onde foi cronista e crítico de arte, tendo feito parte do Grupo Surrealista de Londres.
Fez parte ainda do Grupo Surrealista de Lisboa, criado em 1947 por Cândido Costa Pinto, Marcelino Vespeira, Fernando Azevedo e Mário Cesarini, entre outros, tendo participado na I Exposição Surrealista em Lisboa (1949).
Com uma forte ligação ao teatro, foi director do Teatro Apolo (Lisboa) em 1949 e director, figurinista e encenador do Teatro Experimental do Porto entre 1953 e 1961.
Viveu os últimos anos de vida em Moledo, uma praia junto de Caminha. Grande parte da sua obra como pintor perdeu-se em 1944, quando dum incêndio no seu atelier.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ACREDITAR (quadras)

ACREDITAR
                                            
1
P’ra Portugal transformar
Numa terra de virtude,
Temos de acreditar
No fulgor da Juventude.

2
Minto e sou original,
Acredito no que digo…
… O mundo gira afinal
Ao redor do meu umbigo.

3
Se acreditas no que lês
Na palma da minha mão,
Omite por uma vez
Desgostos de coração!
  
Gabriel de Sousa

8 DE DEZEMBRO - ELZA CANSANÇÃO MEDEIROS

EFEMÉRIDEElza Cansanção Medeiros (ou Major Elza como preferia ser chamada), uma das primeiras oficiais enfermeiras do exército brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 8 de Dezembro de 2009. Nascera, também na capital carioca, em 21 de Outubro de 1921.
Com os pais, aprendera a fazer tiro, ainda na adolescência. Com as governantas alemãs que serviram a sua família na década de 1930, aprendeu música e idiomas. Estreou-se no Teatro Universitário, com a peça “Dama da Madrugada”. Formou-se na Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha, licenciando-se ainda em Jornalismo na Faculdade Nacional de Filosofia.
Filha do médico Tadeu de Araújo Medeiros, amigo de Alberto Santos Dumont e auxiliar directo de Oswaldo Cruz na campanha contra a febre amarela, foi a primeira brasileira a apresentar-se como voluntária na Directoria de Saúde do Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial. Tinha então dezanove anos de idade. Embora sonhasse vir a lutar na linha de frente, teve de se contentar em fazer parte, como enfermeira, do Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, uma vez que o exército, na época, não admitia mulheres como combatentes.
A sua actuação na Segunda Guerra Mundial começou em Alagoas, prestando socorro aos náufragos do navio “Itapagé”, torpedeado na costa brasileira pelo submarino alemão “U-161.
Durante o conflito, trabalhou nos hospitais de evacuação em Itália, distantes da frente de batalha. Foi também oficial de ligação e enfermeira chefe em Livorno. Com o fim da guerra, foi dispensada assim que regressou ao seu país, tendo ido trabalhar no Banco do Brasil.
Em 1957, as mulheres foram convocadas, podendo vir a ser militares de carreira. Elza voltou logo, mas continuou a trabalhar como enfermeira. Esteve também no Serviço Nacional de Informações (SNI) e nunca mais abandonou a vida militar.
Simultaneamente, formou-se em História das Américas, Psicologia, Parapsicologia, Turismo e Relações Humanas. Tinha também conhecimentos de mecânica, escultura, pintura e tapeçaria, tendo ainda aprendido, aos sessenta anos de idade, a pilotar ultraleves.
Fundou e dirigiu duas revistas, tendo colaborado em jornais do Rio de Janeiro e do Recife. Escreveu três livros sobre a sua participação na Segunda Guerra Mundial. Apresentou inúmeros trabalhos em congressos de medicina militar. É a mulher mais condecorada do Brasil, ultrapassando as 200 medalhas.

domingo, 7 de dezembro de 2014

JOSÉ FANHA HOMENAGEANDO SALGUEIRO MAIA - "Eu Sou Português Aqui"


7 DE DEZEMBRO - WILLA CATHER

EFEMÉRIDE – Wilella (Willa) Silbert Cather, romancista norte-americana, nasceu em Winchester, Virgínia, no dia 7 de Dezembro de 1873. Morreu em Nova Iorque, em 24 de Abril de 1947.
Willa Cather, uma aluna dotada que sonhou ser médica, acabou por se dedicar à vida literária após ter escrito um ensaio sobre Thomas Carlyle, que foi publicado com grande sucesso no “Nebraska State Journal”, periódico em que passou a colaborar regularmente. Licenciou-se em Literatura Inglesa na Universidade do Nebraska, estado onde cresceu. Foi depois morar e trabalhar em Pittsburgh durante dez anos. Aos 33 anos, mudou-se para Nova Iorque, onde passou o resto da vida.
Willa alcançou grande notoriedade com os seus romances sobre a vida nas grandes planícies, durante a conquista do oeste (“O Pioneers!”, “My Antonia” e “The Song of the Lark”). Em 1923, foi premiada com o Prémio Pulitzer com “One of Ours”, um romance cuja acção se passa durante a Primeira Guerra Mundial.
Tornou-se uma escritora célebre, admirada pelo público, pela crítica e por outros escritores, nomeadamente William Faulkner, Sinclair Lewis e Henry Louis Mencken. Faulkner dizia que ela era um dos quatro grandes escritores do século e Sinclair Lewis afirmou mesmo que ela merecia, mais do que ele, o Prémio Nobel que recebera em 1930. 
Numa época em que o sexismo e a homofobia eram normas sociais raramente postas em causa, Willa Cather vestia-se como homem, de cabelo cortado curto, contrariando os costumes vigentes. Dividiu o seu quarto, durante cinco anos, com uma outra jovem, mas sem nunca ter assumido abertamente o seu homossexualismo.
O nome de Willa Cather está inscrito no National Women's Hall of Fame. A cratera Cather, no planeta Vénus, foi assim baptizada em sua homenagem. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

6 DE DEZEMBRO - PAUL ADAM

EFEMÉRIDEPaul Auguste Marie Adam, escritor, jornalista e crítico de arte francês, simpatizante do anarquismo, nasceu em Paris no dia 6 de Dezembro de 1862. Morreu na mesma cidade em 2 de Janeiro de 1920.
Originário de uma família de industriais e de militares de Artois, Paul Adam fez os seus estudos secundários no Liceu Henri IV em Paris, antes de enveredar pela carreira literária em 1884.
Colaborou na “Revue indépendante”, antes de publicar, na Bélgica, o seu primeiro romance, “Chair molle” (1885), que foi acusado de imoralidade, provocou escândalo e valeu ao jovem autor uma condenação de quinze dias de prisão com pena suspensa e uma importante multa.
Juntamente com Jean Moréas, escreveu em 1886 “Le Thé chez Miranda” e “Les Demoiselles Goubert”, duas obras que marcaram a transição do Naturalismo para o Simbolismo na literatura francesa. 
Em 1892, um artigo de Adam gerou grande polémica, ao afirmar a “santidade” de François Ravachol, um activista libertário preso e guilhotinado por ser autor de vários atentados contra as autoridades envolvidas na prisão e execução de militantes anarquistas.
Adam escreveu uma série de romances históricos, cuja acção se passa no período das Guerras Napoleónicas. Durante a Primeira Guerra Mundial, visitou as tropas para lhes levantar o moral e fundou a Liga Intelectual de Fraternidade Latina.
Publicou numerosas obras – ensaios, romances, novelas e descrição de viagens. Um monumento em sua honra, esculpido por Paul Landowski, foi erigido junto do Palácio do Trocadéro, na avernida Albert-de-Mun, em Paris.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

5 DE DEZEMBRO - SÃO GERALDO DE BRAGA

EFEMÉRIDESão Geraldo de Braga, de seu nome Gérald de Moissac, monge beneditino francês, padroeiro da cidade de Braga, nasceu em Cahors, Gasconha, no século X. Morreu em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, no dia 5 de Dezembro de 1108.
Oriundo de uma família nobre, foi educado entre os beneditinos da abadia de Moissac, onde desempenharia depois os cargos de bibliotecário, professor de gramática e de música e cantor.
O arcebispo Bernardo de Toledo, que o conheceu em Toulouse, conseguiu levá-lo para a sua catedral a fim de exercer as funções de mestre e de cantor. Em virtude da sua reputação de homem bondoso e bom músico, o clero de Braga quis depois, e conseguiu, tê-lo como seu bispo. Foi eleito arcebispo de Braga em 1100. Neste mesmo ano, viajou até Roma para obter do Papa Pascoal II, a título definitivo, a dignidade “metro política” para a Sé de Braga. A autonomia eclesiástica de Braga seria o prenúncio da independência do Condado Portucalense.
Em 1103, dirigiu-se novamente a Roma, obtendo a confirmação da jurisdição sobre todas as dioceses da Galiza (Astorga, Mondoñedo, Ourense e Tui) e ainda, em Portugal, sobre o Porto, Coimbra, Lamego e Viseu.
Teve uma governação curta mas intensa, durante a qual levou a efeito um conjunto de reformas a nível eclesiástico, moral e administrativo, reorganizando a escola da catedral e o cabido, continuando as obras da , recuperando bens eclesiásticos usurpados e reformando o culto e a liturgia com a introdução do rito romano.
Faleceu em Bornes, onde se deslocara para consagrar uma das numerosas igrejas que tinha feito reconstruir. Foi sepultado na Capela de São Geraldo, na Sé Catedral de Braga. É venerado em toda a Península Ibérica. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

4 DE DEZEMBRO - HUMBERTO SOLÁS

EFEMÉRIDEHumberto Solás Borrego, guionista, produtor e realizador de cinema cubano, nasceu em Havana no dia 4 de Dezembro de 1941. Morreu na mesma cidade em 18 de Setembro de 2008.
Licenciado em História pela Universidade de Havana, começou muito cedo a dedicar-se ao cinema. Em 1960, iniciou a sua carreira no Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica, primeiro como assistente de realização e mais tarde como produtor. 
Alcançou projecção internacional com “Un hombre de êxito” (1986), primeiro filme cubano a ser nomeado para um Oscar.
Fez cerca de trinta filmes e foi membro do júri dos Festivais de Berlim em 1977 e 1997. Foi premiado nos Festivais de Havana em 1986, 1998, 2001 e 2005 (dois prémios neste último ano). Em 2003, criou o Festival Internacional de Cinema Pobre e, dois anos depois, conquistou o Prémio Nacional de Cinema de Cuba.
O seu filme “Lucía” (1968) é considerado uma das dez películas mais importantes da América Latina.  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

3 DE DEZEMBRO - AFANASI FET

EFEMÉRIDEAfanasi Afanasievich Fet, poeta russo, morreu em Moscovo no dia 3 de Dezembro de 1892. Nascera em Novosselki, em 5 de Dezembro de 1820. Autor de uma colectânea de poesia em cinco volumes, precursora do simbolismo russo, traduziu também obras de Virgílio, Horácio, Goethe e Schopenhauer.
Era filho de uma alemã chamada Charlotta, casada com Johann Foeth e que contraiu novo matrimónio com um russo rico de apelido Chenchine, dois anos depois do seu nascimento. Nunca ficou provado se Afanasi era filho de Foeth ou de Chenchine, mas o Consistório Santo Oryol optou por lhe dar o apelido alemão, embora com grafia modificada. O facto seria muito traumático para ele, uma vez que se identificava totalmente com Chenchine e não com Foeth. Formou-se na Universidade de Moscovo e serviu no exército até 1856.
Em 1850, uma jovem chamada Maria Lazich, que tinha um caso com Afanasi mas que não podia casar-se com ele por motivos financeiros, morreu vítima de queimaduras acidentais. Este evento e a imagem de Maria seriam frequentemente evocados por Fet, mesmo nos seus poemas mais tardios. O estigma da possível ilegitimidade parental ensombrou igualmente a sua vida e, após anos de litígio, obteve – em 1876 – o direito de usar o apelido Chenchine.
Enquanto esteve no exército, tornou-se amigo de outro oficial, Leon Tolstoi, a quem sempre admirou. Note-se que, entre os amigos de Tolstoi, ele era o único ligado às letras.
Quando Afanasi começou a publicar a sua poesia em 1842, era tímido demais para confiar no seu próprio gosto artístico. Por isso, apresentou os seus poemas a Ivan Turgenev, poeta que ele muito respeitava. Esta tradição continuaria por vários anos até que Fet percebeu que Turgenev expurgava dos seus escritos os elementos mais pessoais e originais da sua visão artística.
Afanasi nunca foi um poeta muito popular em vida, mas teve uma profunda influência sobre os simbolistas russos, especialmente Innokenty Annensky e Alexander Blok. Por esta razão, ele está a justo título na galeria dos grandes escritores da Rússia do século XIX.
Na sua velhice, quando o sofrimento de que padecia se tornou insuportável, Afanasi pensou muitas vezes em suicidar-se, mas foi sempre dissuadido de o fazer pelos familiares. Acabaria, no entanto, por morrer de ataque cardíaco, na sequência de uma tentativa para pôr termo à vida. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

2 DE DEZEMBRO - JOSÉ MARÍA ARGUEDAS

EFEMÉRIDEJosé María Arguedas Altamirano, escritor e etnólogo peruano, morreu em Lima no dia 2 de Dezembro de 1969. Nascera em Andahuaylas, em 18 de Janeiro de 1911. Além de romancista, destacou-se igualmente pelas traduções que fez da literatura quíchua e como estudioso do folclore e das tradições orais do seu país. É uma das maiores figuras da literatura latino-americana do século XX.
Quando da morte de sua mãe, ficou a residir com a avó paternal. Foi vítima de maus-tratos e era obrigado a dormir com os índios. Foi com eles que descobriu a cultura e a língua quíchua.
Estudou Letras e Etnologia na Universidade de San Marcos em Lima e militou ao lado dos republicanos espanhóis. Passou cerca de um ano na prisão por ter participado numa manifestação antifascista (1937/38).
Publicou a sua primeira obra, a série de contos “Agua”, em 1935. Outras das suas obras mais conhecidas são “Los ríos profundos” (1956), “Todas las sangres” (1964) e “El zorro de arriba y el zorro de abajo” de 1971.
Arguedas é o escritor dos encontros e desencontros de todas as raças e de todas as pátrias, mas não foi uma testemunha passiva, não se limitou a “fotografar” e a descrever o que via. Tomou partido. Na sua vida fez a opção de repelir a violência e pôr-se sempre ao lado dos oprimidos.
Foi também autor de numerosos poemas, escritos tanto em espanhol como em língua quíchua e publicados postumamente sob o título “Katatay y otros poemas” (1972).
Sofrendo de depressão nervosa, apesar de uma vida profissional e literária com grande sucesso, veio a suicidar-se com um tiro aos 58 anos de idade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1 DE DEZEMBRO - ESTÁDIO DA LUZ (1954/2003)

EFEMÉRIDEO Estádio da Luz, estádio multi-usos situado em Lisboa, pertencente ao SL e Benfica e utilizado por este clube entre 1954 e 2003, foi inaugurado simbolicamente em 1 de Dezembro de 1954. Chegou a ter uma capacidade aproximada para 120 000 espectadores, sendo nessa época o maior estádio da Europa e o terceiro maior do Mundo. A demolição deste estádio iniciou-se em 2002, para dar lugar ao novo Estádio da Luz, construído a sudoeste do antigo.
Desde a sua fundação em 1904, o Benfica tinha jogado sempre em campos arrendados, tais como as Terras do Desembargador (1905/06), o Campo da Feiteira (1908/11), o Campo de Sete Rios (1913/17), o Campo de Benfica (1917/22) e o Estádio do Campo Grande, construído em terrenos arrendados ao histórico rival Sporting CP (1941/54). O Estádio das Amoreiras (1925/40), um recinto com capacidade para 20 000 adeptos, pertencia ao clube, mas foi demolido para dar lugar à Avenida Duarte Pacheco.
Após um longo processo negocial com a Câmara Municipal de Lisboa, foi finalmente estabelecido, em Maio de 1946, que o clube iria abandonar o espaço arrendado no Campo Grande e regressar à freguesia de Benfica. O então ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, é citado como tendo dito: «O Benfica é de Benfica e é para lá que deverá regressar».
Foi identificado um terreno apropriado, com boas acessibilidades e espaço para futuras expansões, perto da Igreja e Largo da Luz, no extremo nordeste da freguesia de Benfica.
Tinha sido sempre objectivo do clube ser proprietário, não só do estádio, mas também dos terrenos onde este foi erigido, mas inicialmente os terrenos foram cedidos pela câmara apenas em “direito de superfície”. A aquisição plena dos terrenos deu-se apenas em 1969. Os projectos do estádio tinham sido elaborados a partir de finais dos anos 1940 por João Simões, antigo jogador do clube.
Motivados pelo presidente do clube, Joaquim Bogalho, os sócios suportaram uma quota suplementar destinada a custear a construção do novo estádio, para além de terem contribuído generosamente com doações ou mesmo através de trabalho voluntário durante os fins-de-semana. Foi realizada também uma Campanha do Cimento, através da qual foram oferecidas ao clube grandes quantidades de sacos de cimento. Os trabalhos de construção iniciaram-se oficialmente em Junho de 1953.
Menos de dois anos depois e a um custo de pouco mais de 12 milhões de escudos, o estádio foi inaugurado. A data escolhida foi o dia 1 de Dezembro de 1954, feriado nacional comemorativo da Restauração da Independência de Portugal.
O estádio tinha então uma capacidade para 40 000 pessoas, em dois anéis completos. Os continuados êxitos desportivos do Benfica durante os anos 1950 e especialmente 1960 fizeram sentir a necessidade de aumentar a sua capacidade. A primeira fase da construção do famoso “Terceiro Anel” foi concluída em 1960 e aumentou a capacidade para 70 000 espectadores. A iluminação artificial havia sido implementada dois anos antes.
O “fecho” do terceiro anel foi concluído em 1985, passando a capacidade oficial do estádio para 120 000. Dada a inexistência de lugares individuais até meados dos anos 1990, este número foi ultrapassado em algumas ocasiões. O “jogo do título”, por exemplo, realizado frente ao FC do Porto em 4 de Janeiro de 1987, teve uma assistência recorde calculada em 135 000 espectadores.
A introdução de assentos individuais, em meados dos anos 1990, reduziu a capacidade do estádio para cerca de 78 000. Em 1992, foi criada a loja desportiva e um conjunto de restaurantes.
Após o conturbado período vivido pelo futebol do Benfica durante os anos 1990, tanto a nível de resultados desportivos como a nível financeiro, o clube teve de ponderar como enfrentar a candidatura ganha pela Federação Portuguesa de Futebol para a realização do Campeonato Europeu de 2004.
De início, foi ponderada a realização de extensas obras de adaptação e modernização do velho estádio, incluindo a cobertura integral das bancadas. Dois projectos, ambos do arquitecto Tomás Taveira, chegaram mesmo a ser apresentados aos sócios, mas acabaram por ser abandonados. Durante um breve período de tempo, foi considerada a retirada da candidatura do estádio do clube da lista de estádios anfitriões do Europeu.
Finalmente, em 28 de Setembro de 2001, a Assembleia-Geral de sócios do clube votou favoravelmente a construção do novo estádio. Não se tratou de uma decisão fácil, dado que a velha “Catedral” teria de ser demolida para dar lugar ao novo complexo. A solução foi, no entanto, considerada necessária para assegurar a sustentabilidade financeira do projecto. Na proposta aprovada podia ler-se: «A Direcção decidiu apresentar aos associados a construção de um novo estádio, tendo plena consciência de que esta é a solução que melhor serve os interesses e aspirações do clube, sendo económica e financeiramente sustentável, e permitirá aos associados muito melhores condições para seguir os eventos desportivos do clube, em particular da equipa de futebol, e reavivar a sua base de suporte.».
Foi num estádio parcialmente demolido (a bancada sul já tinha sido retirada para permitir a construção do novo estádio) que a equipa jogou parte da sua última temporada. Foi num estádio cheio (com a capacidade reduzida para cerca de 50 000 adeptos) que o último jogo se efectuou em 22 de Março de 2003. O Benfica terminou essa época jogando os seus jogos caseiros no Estádio Nacional. A “Nova Catedral” foi inaugurada em Outubro de 2003. 

domingo, 30 de novembro de 2014

30 DE NOVEMBRO - MIÚCHA

EFEMÉRIDEMiúcha, de seu verdadeiro nome Heloísa Maria Buarque de Hollanda, cantora e compositora brasileira, nasceu no Rio de Janeiro em 30 de Novembro de 1937.
É filha de Sérgio Buarque de Hollanda, historiador e jornalista brasileiro, e de Maria Amélia Cesário Alvim, pintora e pianista. É irmã do cantor e compositor Chico Buarque e das também cantoras Ana de Hollanda e Cristina Buarque. É mãe da cantora Bebel Gilberto, fruto de seu casamento (já desfeito) com o compositor João Gilberto.
A família fixou-se em São Paulo quando ela tinha apenas 8 anos. Ainda criança, formou um conjunto vocal com os irmãos. Em 1960, mudou-se para Paris, onde estudou História da Arte na École du Louvre. Em viagem de férias, fez uma excursão com alguns amigos pela Grécia, Itália e França. Em Roma, no bar La Candelária, conheceu a cantora chilena Violeta Parra, que lhe apresentou o cantor baiano João Gilberto, com quem viria a casar.
Em 1975, fez a sua primeira gravação profissional com o disco “The Best of Two Worlds”, em parceria com João Gilberto e Stan Getz. Após este lançamento, Miúcha foi parceira de Tom Jobim em dois discos (1977 e 1979) e fez parte de um espectáculo organizado por Aloysio de Oliveira juntamente com Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Toquinho. O espectáculo ficou em cartaz durante um ano, no Canecão, Rio de Janeiro, seguindo depois para apresentações internacionais na América do Sul e na Europa. Este show deu origem ao disco “Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha” gravado ao vivo no Canecão em 1977. Miúcha gravou treze discos entre 1977 e 2008. 

sábado, 29 de novembro de 2014

29 DE NOVEMBRO - MARIO MONICELLI

EFEMÉRIDEMario Monicelli, guionista e realizador de cinema italiano, morreu em Roma no dia 29 de Novembro de 2010. Nascera na mesma cidade em 16 de Maio de 1915. Em Viareggio, onde morava, vivenciou a efervescência cultural que ali vigorou na década de 1930.
Frequentou o Liceu Clássico Giosuè Carducci, formando-se depois em História e Filosofia nas Universidades de Pisa e de Milão. Ingressou no cinema graças ao seu amigo Giacomo Forzano, filho do comediógrafo Giovacchino Forzano, fundador de um estúdio cinematográfico, com o nome de Pisorno – uma curiosa junção do nome de duas cidades rivais: Pisa e Livorno.
Juntamente com Alberto Mondadori, amigo e colaborador, realizou – em 1934 – a curta-metragem “Cuore rivelatore”, à qual se seguiu, no mesmo ano, a média-metragem “I ragazzi della via Paal”, apresentada e premiada em Veneza. Depois, sob o pseudónimo de Michele Badiek, realizou em 1937 a sua primeira longa-metragem “Pioggia d'estate”.
Teve em seguida uma prolífica actividade, colaborando de várias formas e com vários realizadores em mais de quatro dezenas de filmes.
Em 1953, iniciou verdadeiramente a sua carreira a solo, vindo a contribuir de forma definitiva para a filmografia italiana do pós-guerra e merecendo um lugar de destaque no cinema italiano.
I soliti ignoti”, de 1958, com um elenco especial composto por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, é considerado como o primeiro filme da commedia all'italiana. No ano seguinte, “La grande guerra” ganhou o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza, rendendo ainda uma primeira nomeação para os Oscars. A segunda nomeação viria, em 1963, com “I compagni”.
Trabalhou com os maiores actores de Itália, como Totò, Aldo Fabrizi, Vittorio De Sica, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Nino Manfredi e Monica Vitti, entre outros.
Recebeu, entre outros prémios, dois Leões de Ouro em Festivais de Veneza (1959 e 1991), tendo sido considerado o Melhor Realizador em três edições do Festival de Berlim (1957, 1976 e 1981).
Internado no Hospital San Giovanni, em Roma, devido a um cancro na próstata em fase terminal, suicidou-se, atirando-se da janela do seu quarto. Tinha 95 anos de idade. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

28 DE NOVEMBRO - MIGUEL DE ALMEIDA

EFEMÉRIDEMiguel de Almeida, senhor do Sardoal, um dos quarenta conjurados com papel preponderante na Restauração da Independência do Reino de Portugal e do Algarve em 1640, morreu no dia 28 de Novembro de 1650. Nascera em 1560. Pertencia à Casa de Abrantes, sendo o 4º conde de Abrantes.
Depois de ter feito parte do principal comando da operação que acabou com o domínio espanhol, foi chamado pelo rei D. João IV para ser vedor da Fazenda do reino, mestrados e ilhas. Em Janeiro de 1641; passou a fazer parte do Conselho do rei. Ocupou também o lugar de mordomo-mor da rainha D. Luísa de Gusmão. Por essa época, recebeu o título de conde de Abrantes, sucedendo ao seu primo D. Lopo de Almeida.
Na Restauração da Independência de Portugal, nome pelo qual ficou conhecida a Revolução do 1º de Dezembro, participou no assalto ao Paço da Ribeira, encarregando-se de dar o sinal para a revolta com um tiro de pistola, tendo mais tarde aclamado D. João IV como rei.
A sua presença nestes eventos consta no “Auto do Levantamento e Juramento d' El-Rei Dom João IV” datado de 15 de Dezembro de 1640.
Faleceu sem deixar descendência, tendo sido sepultado na Capela de São Roque, na Igreja do Convento do Carmo, em Lisboa.
Era filho de D. Diogo de Almeida, comendador de Pensalvos, e de D. Leonor Coutinho. Era casado com Mariana de Castro, filha de Miguel de Moura Teles, alcaide-mor de Muge, e de Maria de Castro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

27 DE NOVEMBRO - ALEXANDRE DUMAS filho

EFEMÉRIDEAlexandre Dumas filho, escritor francês que seguiu as pisadas do pai, tornando-se igualmente um conceituado autor de romances e peças de teatro, morreu em Marly-le-Roi, Yvelines, em 27 de Novembro de 1895. Nascera em Paris no dia 27 de Julho de 1824.
Era filho ilegítimo de Marie-Catherine Labay, uma costureira, e do romancista Alexandre Dumas. Só mais tarde o pai o legitimou, assegurando-lhe uma boa educação na Instituição Goubaux e no Colégio Bourbon. As leis daquela época permitiram que Dumas tirasse o filho de junto da mãe. O sofrimento da sua progenitora inspirou o filho a escrever vários livros sobre vidas trágicas de personagens femininas. Em quase todos os seus escritos, enfatizou o propósito moral da sua literatura e na sua peça de 1858, “O Filho Natural”, expôs a teoria de que «se alguém traz ilegitimamente um filho ao mundo, tem a obrigação de o legalizar e casar com a mulher».
Em 1844, mudou-se para Saint-Germain-en-Laye, onde conheceu Marie Duplessis, uma jovem cortesã que lhe serviu de inspiração para o romance “A Dama das Camélias”, um dos seus livros mais conhecidos e que seria depois interpretado, na versão adaptada ao teatro, pela célebre actriz Sarah Bernhardt. Este romance serviu também de base para a ópera “La Traviata” de Giuseppe Verdi.
Em 1864, Alexandre Dumas filho casou-se com Nadejda Narychkine, com quem teve duas filhas. Após o falecimento dela, casou-se com Heriette Régnier.
Dumas filho escreveu cerca de 16 romances, 19 peças de teatro e 2 ensaios. Em 1867, publicou o seu semi-autobiográfico romance, “L'affaire Clémenceau”, considerado por muitos como uma das suas melhores obras. Em 1874, foi admitido na Académie française. Foi galardoado com a Legião de Honra

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