segunda-feira, 26 de outubro de 2015

26 DE OUTUBRO - DI CAVALCANTI

EFEMÉRIDEDi Cavalcanti, de seu verdadeiro nome Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, pintor modernista, ilustrador e caricaturista brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976. Nascera na mesma cidade em 6 de Setembro de 1897. A sua arte contribuiu significativamente para a dignificação da arte brasileira e de diversos movimentos da época, com as suas cores vibrantes, formas sinuosas e temas tipicamente brasileiros, como o carnaval, as mulatas e o tropicalismo em geral.
Di Cavalcanti é, juntamente com outros grandes nomes da pintura como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Graça Aranha, um dos mais ilustres representantes do modernismo brasileiro.
Estudou no Colégio Pio Americano. Começou a trabalhar fazendo ilustrações para a “Fon-Fon”, uma revista que se dedicava sobretudo à caricatura política. Em 1916, mudou-se para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito. Continuou a fazer ilustrações e começou a pintar. Frequentou o atelier do impressionista George Fischer Elpons.
Entre 11 e 18 de Fevereiro de 1922, idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, criando – para essa ocasião – as peças promocionais do evento: o catálogo e o programa. Fez a sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925. Frequentou a Academia Ranson. Expôs em diversas cidades, como Londres, Berlim, Bruxelas, Amesterdão e Paris. Conheceu Pablo Picasso, Fernand Léger, Matisse, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Voltou ao Brasil em 1926 e ingressou no Partido Comunista. Continuou a fazer ilustrações. Efectuou nova viagem a Paris e criou os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro.
Iniciou as suas participações em exposições colectivas e salões nacionais e internacionais, como a International Art Center em Nova Iorque. Em 1932, fundou – em São Paulo – com Flávio de Carvalho, António Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. Sofreu a sua primeira prisão em 1932, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Casou-se com a pintora Noémia Mourão. Publicou o álbum “A Realidade Brasileira”, série de doze desenhos satirizando o militarismo da época. Em Paris, trabalhou na rádio Diffusion Française, nas emissões "Paris Mondial".
Viajou até Lisboa, onde expôs no salão “O Século”. Ao voltar ao Brasil, foi preso novamente no Rio de Janeiro. Em 1936, escondeu-se na Ilha de Paquetá, mas foi preso juntamente com Noémia. Libertado por influência de alguns amigos, seguiu para Paris, onde permaneceu até 1940. Em 1937, recebeu uma Medalha de Ouro pela decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica em Paris. Com a iminência da Segunda Guerra Mundial, deixou Paris e voltou ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Um lote de mais de quarenta obras suas, despachado da Europa, nunca chegou ao Brasil, extraviando-se.
Viajou para o Uruguai e Argentina, expondo em Buenos Aires. Em 1946, voltou a Paris em busca dos quadros desaparecidos, sem sucesso. Nesse mesmo ano, expôs no Rio de Janeiro, na Associação Brasileira de Imprensa. Ilustrou livros de Vinicius de Moraes e de Jorge Amado. Em 1947, entrou em crise com a esposa, «uma personalidade que se bastava a si própria, uma artista com um temperamento muito complicado...».
Expôs na Cidade do México em 1949. Foi convidado e participou na I Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 1951. Fez uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída por mais de quinhentos desenhos.
Recebeu o Prémio de Melhor Pintor Nacional na II Bienal de São Paulo, prémio dividido com Alfredo Volpi. Em 1954, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realizou uma exposição retrospectiva dos seus trabalhos. Publicou o livro “Viagem de minha vida”. Em 1956, participou na Bienal de Veneza. Recebeu o 1º Prémio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste. Os seus trabalhos fizeram parte de uma exposição itinerante por países europeus. Recebeu uma proposta de Óscar Niemeyer para a criação de imagens para tapeçaria a ser instalada no Palácio da Alvorada. Também pintou “as estações para a via-sacra” da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, em Brasília.
Teve direito a uma sala especial na Bienal Interamericana do México, recebendo uma Medalha de Ouro. Viajou mais uma vez até para Paris e foi a Moscovo. Participou na Exposição de Maio, em Paris, com a tela “Tempestade”. Teve uma sala especial na VII Bienal de São Paulo. Recebeu indicação do presidente brasileiro João Goulart para ser adido cultural em França. Embarcou para Paris, mas não assumiu o cargo por causa do Golpe de 1964. Lançou um novo livro, “Reminiscências líricas de um perfeito carioca” e desenhou jóias para Lucien Joaillier. Em 1966, os seus trabalhos desaparecidos no início da década de 1940, foram finalmente localizados nos armazéns da embaixada brasileira.
Em 1971, o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou nova retrospectiva das suas obras. Recebeu um prémio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte. A Universidade Federal da Bahia outorgou-lhe o título de doutor honoris causa. A pintura “Cinco Moças de Guaratinguetá” foi reproduzida num selo postal. Em 1997, ano do centenário do seu nascimento, foram organizadas diversas exposições comemorativas e retrospectivas da sua obra.

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