quarta-feira, 21 de setembro de 2016

21 DE SETEMBRO - ÉDOUARD GLISSANT

EFEMÉRIDEÉdouard Glissant, poeta, romancista, dramaturgo e ensaísta francês, nasceu em Sainte-Marie, na Martinica, em 21 de Setembro de 1928. Morreu em Paris no dia 3 de Fevereiro de 2011.
Estudou no Liceu Victor-Schœlcher de Fort-de-France. Em 1946, deixou a Martinica e rumou a Paris para estudar Etnografia no Museu do Homem e História e Filosofia na Sorbonne.
Começou então a publicar as suas primeiras obras. No início, foi adepto das teses de negritude, conceito desenvolvido por Léopold Senghor em prol de um retorno às raízes africanas. Defendeu depois o conceito de antilhanidade (valorização da cultura própria, nascida nas Antilhas, considerando o povo das ilhas «autónomo culturalmente» em relação a África) e de crioulização (valorização da cultura e língua crioulas).
Aproximando-se das ideias de Frantz Fanon, fundou – com Paul Níger – em 1959, a Frente antilhana-guiana independentista, e mais tarde autonomista, o que levou ao seu exílio de 1959 à 1965. Voltou à Martinica em 1965 e fundou o Instituto de Estudos de Martinica e o periódico “Acoma” de ciências humanas. Algumas das suas obras, como o “Discours Antillais”, são marcadas por um engajamento político anticolonialista.
Doutorou-se em Letras em 1980. De 1982 a 1988, foi director do periódico “Correio da Unesco”.
Em 1989, foi nomeado Distinguished University Professor do Estado de Luisiana, onde dirigiu o Centro de Estudos Franceses e Francófonos. Em 1992, foi finalista no Prémio Nobel de Literatura, perdendo por um voto para o escritor Derek Walcott. Desde 1995, foi professor especial de Literatura Francesa na Universidade Municipal de Nova Iorque.
As suas reflexões sobre a identidade das Antilhas inspiraram toda uma geração de escritores ao redor dos conceitos de crioulidade e antilhanidade, entre eles Patrick Chamoiseau, Ernest Pépin, Audrey Pulvar e Raphaël Confiant.
Esta antilhanidade seria forjada a partir da ideia da identidade múltipla ou identidade de raiz, aberta ao mundo e colocada em contacto com outras culturas. Foi uma terceira via que ele criou face às argumentações ao redor da ideia de negritude. A sua influência na política da Martinica continua forte nos meios ecológicos e independentistas.
Desde 2002, o Prémio Édouard-Glissant, criado pela Universidade Paris VIII, com o apoio da Casa da América Latina e do Instituto de Todo o Mundo, é destinado a «honrar uma obra artística marcante do nosso tempo, segundo os valores de Édouard Glissant».

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