quarta-feira, 5 de julho de 2017

5 DE JULHO - FRANCISCO JOSÉ FREIRE ("Cândido Lusitano")"

EFEMÉRIDEFrancisco José Freire, que adoptou o pseudónimo de Cândido Lusitano, frade oratoriano que inspirou o movimento estético/literário da Arcádia Lusitana, morreu em Mafra no dia 5 de Julho de 1773. Nascera em Lisboa, em 3 de Janeiro de 1719.
Depois de concluir os estudos de humanidades no colégio de Santo Antão da Companhia de Jesus e na casa de S. Caetano dos clérigos Teatinos, esteve durante alguns anos como familiar em casa do cardeal patriarca de Lisboa, D. Thomás de Almeida. Por causas desconhecidas, resolveu deixar o serviço daquele prelado e juntou-se aos Congregados de S. Filipe Nery na casa do Espírito Santo de Lisboa (1751).
A sua obra “Arte Poética”, publicada em 1748, marcou em Portugal a afirmação da estética neoclássica, que ficaria conhecida na literatura portuguesa pelo nome de arcadismo.
A “Arte Poética” de Cândido Lusitano acabou por constituir o verdadeiro código estético dos árcades, o que fez dele uma das figuras mais influentes na introdução das ideias estéticas e da poética e retórica neoclássicas na literatura portuguesa.
Com fortes ligações ao humanismo da fase inicial do Renascimento Europeu, Cândido Lusitano era um defensor acérrimo dos cânones literários e estéticos da Antiguidade Clássica, tomando como modelos Aristóteles, Cícero, Horácio e Quintiliano. Em consequência, a sua obra centra-se na divulgação do pensamento estético/literário dos clássicos, através da sua tradução para a língua portuguesa, e na defesa de uma concepção da poesia como imitação da natureza, na esteira da “Poética” de Aristóteles.
Na mesma senda, Cândido Lusitano – seguindo intelectuais como Ludovico Antonio Muratori e Ignacio de Luzán – explorou as relações entre a fantasia e o entendimento na elaboração da obra poética, defendendo a visão aristotélica de uma arte em que estejam presentes o verosímil e uma relação equilibrada entre o útil e o deleitável e entre a natureza e o exercício.
Manteve uma acesa polémica contra o pensamento de Luís António Verney, expresso no “Verdadeiro Método de Estudar”, defendendo que é na proporção, na ordem e na unidade que consiste a beleza poética e que a fantasia e a imaginação eram a alma da poesia, embora devessem ser refreadas através da adopção de cânones que regulassem a relação entre a arte e o juízo. Neste contexto, e alinhando com as ideias de Nicolas Boileau, defendia o predomínio da lógica sobre a estética, afirmando que os antigos chamavam-lhe Juízo e isto é propriamente o bom gosto – é proceder com juízo e discernimento nas obras que compomos e também nas que lemos. Estas ideias assentam nos princípios da estética e filosofia platónica e augustiniana.
Seguindo o pensamento de Ludovico Antonio Muratori e os preceitos do neoclassicismo, Francisco José Freire introduziu na literatura de língua portuguesa a primeira definição canónica de bom gosto, negando a legitimidade da liberdade criativa do barroco defendida, entre outros, pelo filósofo Benito Jerónimo Feijoo.

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