terça-feira, 15 de março de 2016

15 DE MARÇO - RENÉ CLAIR

EFEMÉRIDERené Clair, de seu verdadeiro nome René Lucien Chomette, escritor, actor, cenarista e realizador de cinema francês, morreu em Neuilly-sur-Seine no dia 15 de Março de 1981. Nascera em Paris, em 11 de Novembro de 1898.
Considerado um mestre do cinema, um dos precursores do filme de autor e um dos maiores criadores cómicos depois de Charles Chaplin, René Clair figura entre os maiores realizadores franceses. Foi o primeiro cineasta que, nesta qualidade, entrou para a Academia Francesa.
Filho de comerciantes, cresceu no Quartier des Halles em Paris, junto com o irmão mais velho, Henri Chomette, também cineasta. Estudou no Lycée Montaigne e, depois, no Lycée Louis-le-Grand. Em 1917, serviu como paramédico na Primeira Guerra Mundial. Começou então a escrever textos literários, críticas de cinema e artigos para jornais. Em 1918, tornou-se jornalista de “L'Intransigeant”, assinando com o pseudónimo René Després. Compôs também letras de música para a cantora Damia, com o pseudónimo Danceny.
Mais tarde, conseguiu papéis de actor em diversos filmes, como “Le Lys de la vie”, “Le Sens de la mort”, “L'Orpheline” e “Parisette”. Foi nessa época que escolheu o pseudónimo definitivo – René Clair. Foi também director do suplemento de cinema da revista “Théâtre et Comœdia Illustré” e assistente de realização de Jacques de Baroncelli e de Henri Diamant-Berger.
Em 1922, começou a escrever “Rayon Diabolique”, que seria filmado em 1923 e chegou aos ecrãs em 1924, com o título “Paris qui dort”. Em 1924, lançou “Entr'acte”, filme de inspiração dadaísta, que escandalizou a sociedade francesa da época e levou René Clair à notoriedade. Foi, no entanto, com o seu primeiro filme falado (“Sous les Toits de Paris” - 1930) que se projectou internacionalmente. O sucesso continuou com “Le Million” (1930) e “À nous la Liberté” (1931), sátiras à sociedade industrial.
Em 1936, foi estreado “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. A empresa alemã Tobis, que produzira “À nous la Liberté”, decidiu acusar Chaplin de plágio. Clair opôs-se a esta acção, por admirar Chaplin e considerar “Tempos Modernos” como uma homenagem indirecta ao seu filme.
Aceitou trabalhar em Londres, onde produziu dois filmes, “Fantôme à vendre” em 1935 e “Fausses nouvelles” (1937).
De volta à França em 1938, começou a filmar “Air pur”. As filmagens foram porém interrompidas devido à guerra e o filme nunca foi acabado. Em 1940, deixou o país com a mulher e o filho e mudou-se para Espanha, depois para Portugal e, por fim, para Nova Iorque. O governo de Vichy retirou-lhe a nacionalidade francesa por ele preferir trabalhar em Hollywood mas, passado algum tempo, a decisão foi anulada.
René foi bem acolhido em Hollywood, onde produziu quatro filmes: “La Belle ensorceleuse” (1940- com Marlene Dietrich), “Ma Femme est une sorcière” (1942), “C'est arrivé demain” (1943) e “Dix Petits Indiens” (1945).
Em 1946, decidiu voltar para França e filmou “Le silence est d'or” (1947) e “La Beauté du diable” (1949), onde dirigiu Gérard Philipe pela primeira vez. Em 1952, filmou “Les Belles de nuit”. Em 1955, foi lançado o seu primeiro filme a cores, “Les Grandes Manœuvres”, que conquistou o Prémio Louis-Delluc. Em 1957, filmou “Porte de Lillas”, que teve a participação do famoso músico e poeta Georges Brassens.
Em 1960, foi admitido na Academia Francesa. Filmou ainda “La Française et l'Amour” em 1960, “Tout l'or du monde” em 1961 e “Les Quatre vérités“ em 1962. Em 1965, realizou o seu último filme, “Les Fêtes galantes”.
A partir daí, dedicou-se à escrita e ao teatro. Em 1973, montou a ópera “Orfeu e Eurídice”, apresentada na Opéra de Paris. Em 1974, presidiu o Festival de Cannes e criou a peça “La Catin aux lèvres douces” para o Théâtre de l'Odéon.

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