sexta-feira, 13 de maio de 2016

13 DE MAIO - ÂNGELA MARIA

EFEMÉRIDEÂngela Maria, de seu verdadeiro nome Abelim Maria da Cunha, cantora e actriz brasileira nasceu em Macaé no dia 13 de Maio de 1929.
De família humilde, a mãe era dona de casa e o pai pastor da Igreja Evangélica. Desde criança, cantou no coral de uma Igreja Baptista próxima de sua casa. Foi assim aprendendo a amar a música e as melodias. Durante a infância e adolescência, devido a dificuldades financeiras, morou nas cidades de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, pois a família andava em busca de uma vida melhor em cidades com mais recursos.
Durante a juventude, trabalhou numa fábrica de lâmpadas e foi operária tecelã numa empresa de tecidos, mas sempre quis ser cantora. Sonhava cantar na rádio e fazer sucesso, mas o pai era contra. Por ser muito religioso, queria que a filha se convertesse à Igreja Evangélica e se casasse cedo. Ela, no entanto, não queria viver assim e prosseguiu o seu grande sonho.
Em 1947, aos 19 anos, trabalhava de dia e à noite, ao mesmo tempo que tentava por todos os meios conseguir vaga num programa de música, indo de rádio em rádio fazer inscrições, Finalmente, conseguiu ser escolhida e apresentada perante um júri, tendo passado o teste.
Começou a apresentar-se como cantora no “Pescando Estrelas”, um programa para caloiros. Adoptou o nome de Ângela Maria para não ser identificada pela família que, se soubesse, não a deixaria nem mais um dia sair de casa. As suas interpretações foram consideradas muito boas, sempre com a nota máxima e ganhando todos os concursos.
Toda a gente a queria ouvir e, assim, foi cantar no famoso Dancing Avenida e, depois, na rádio Mayrink Veiga. Em 1951, com a família já conhecedora de tudo e mesmo a contragosto, após muitas brigas, acabaram por aceitar a vontade da filha, permitindo que ela gravasse o primeiro disco. Vieram assim os êxitos que a consagraram.
Com grande sucesso no Brasil, passou a viajar pelo mundo. Além de cantar, fez cursos de teatro e actuou na longa-metragem “Portugal, Minha Saudade”, em 1973.
Ângela Maria foi uma das grandes intérpretes do samba canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran. Gravou dezenas de sucessos.
Em 1996, foi contratada pela editora Sony Music e lançou o CD “Amigos”, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Alcione e Fafá de Belém, entre outros. O trabalho foi um êxito, celebrado num espectáculo no Metropolitan, actual Claro Hall (Rio de Janeiro) e num especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.
Foi uma fase muito feliz da sua carreira. Em 1997, apresentou o álbum “Pela Saudade que Me Invade”, com sucessos de Dalva de Oliveira, e – um ano depois – gravou o CD “Só Sucessos”, incluído na lista dos cem álbuns brasileiros mais vendidos. Após a saída da Sony, Ângela gravou em 2003, desta vez para a Lua Discos, o “Disco de Ouro”, abrangendo compositores como Djavan a Dolores Duran.
Em 2011, foi convidada para a série “Depoimentos para a Posteridade” do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, deixando aí registada a sua história. Na entrevista, contou passagens importantes da sua carreira artística, afirmando ter gravado 114 discos e vendido cerca de 60 milhões de exemplares.
Em 2015, foi lançada a sua biografia, escrita pelo jornalista Rodrigo Faour, que contou com depoimentos preciosos da cantora.
Ângela sofreu na vida pessoal, por não conseguir ter filhos, em virtude de problemas uterinos diagnosticados ainda na adolescência. Foi casada seis vezes. Revelou que sofreu humilhações e agressões de todos eles, o que interferiu na sua carreira. Ângela revelou que tentara mesmo o suicídio.
Em 1967, desesperada com a vida, fugiu do Rio para São Paulo. Na capital paulista, passou a ser ainda mais roubada por assessores e empresários. Consegui dar a volta por cima cinco anos depois, mas ficara muito tempo a viver em grande pobreza, chegando a trabalhar como empregada doméstica para sobreviver.
Em 1979, com 51 anos e a viver sozinha, conheceu um homem que ia mudar a sua vida. Um rapaz de 18 anos mexeu com o seu coração. Apesar de estar noivo de uma rapariga da sua idade, Daniel gostou de Ângela, abandonou a noiva e os dois passaram a ter um envolvimento amoroso intenso, o que chocou muita gente. O casal sofreu muito com preconceitos e Ângela ficava muito triste com o que lia na imprensa.
Daniel ajudou-a quando Ângela perdeu quase tudo, ao sofrer novo “golpe” de um assessor. Deu-lhe forças e arranjou-lhe trabalhos como cantora. Passaram a morar juntos com poucos meses de namoro e essa união durou 33 anos. Em 13 de Maio de 2012, dia do seu 83º aniversário, Ângela e Daniel casaram-se no registo civil e na igreja. Ela fora pedida em casamento dias antes e desta vez aceitou. Embora o pedido tivesse sido feito noutras ocasiões, nunca quisera casar-se oficialmente até àquele momento. A celebração foi feita através de uma grande festa para os familiares e amigos. Ângela afirma que, agora, está muito bem e que Daniel foi o único homem que a fez verdadeiramente feliz.

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