sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 DE JUNHO - NAIR DE TEFÉ

EFEMÉRIDENair de Tefé von Hoonholtz, pintora, caricaturista, actriz e pianista brasileira, nasceu em Petrópolis no dia 10 de Junho de 1886. Morreu no Rio de Janeiro em 10 de Junho de 1981. É considerada como a primeira mulher caricaturista do mundo e foi primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.
Filha do barão de Tefé e neta do conde von Hoonholtz, Nair estudou em Paris e Nice, em França, para onde a família se mudou quando ela tinha um ano de idade. Regressada ao Brasil, iniciou a sua carreira por volta de 1906.
Publicou o seu primeiro trabalho, “A Artista Rejane”, na revista “Fon-Fon”, sob o pseudónimo de Rian. Também foram publicadas caricaturas suas nos periódicos “O Binóculo”, “A Careta” e “O Ken”, bem assim como nos jornais “Gazeta de Notícias” e “Gazeta de Petrópolis”. O seu traço era ágil e transmitia muito bem o carácter das pessoas.
Deixou de exercer a sua função de caricaturista em Dezembro de 1913, ao casar-se com o presidente do Brasil, marechal Hermes da Fonseca, de quem estava noiva desde Janeiro do mesmo ano. Hermes era viúvo de Orsina da Fonseca (falecida em 1912).
Nair de Tefé foi uma mulher à frente de seu tempo. A primeira-dama promovia saraus no Palácio do Catete – o palácio presidencial da época, que ficaram famosos por ela ter introduzido o violão nos salões da alta sociedade. A sua paixão pela música popular fazia reunir amigos para recitais de modinhas.
As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Tefé a organizar um recital de lançamento do “Corta Jaca”, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga, uma sua amiga. Foram feitas críticas ao governo e acutilantes comentários sobre os “escândalos” no palácio, em virtude da promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polémica nas altas esferas da sociedade e entre os políticos.
Logo após o fim do mandato presidencial, Nair mudou-se de novo para a Europa. Voltou ao Brasil por volta de 1921 e participou na Semana de Arte Moderna. Resolveu voltar para Petrópolis, onde foi eleita, em 1928, presidente da Academia de Ciências e Letras que extinguiu em 1929, fundando em seu lugar a Academia Petropolitana de Letras, da qual foi presidente até 1932.
Em Abril de 1929, Nair tomou posse na Academia Fluminense de Letras. Em 1932, regressou ao Rio de Janeiro, onde fundou – em 28 de Novembro de 1932 – o Cinema Rian, na Avenida Atlântica, em Copacabana.
Dezassete anos depois, já viúva, Nair voltou a fazer caricaturas, inclusive de várias personalidades. No fim dos anos 1970, participou nas comemorações do Dia Internacional da Mulher. Morreu no dia do seu 95º aniversário.

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