sábado, 18 de junho de 2016

18 DE JUNHO - SIMÕES RAPOSO

EFEMÉRIDE – José António Simões Raposo, professor e pedagogo, morreu em Lisboa no dia 18 de Junho de 1900. Nascera em Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta, em 29 de Abril de 1840.
Aos 23 anos de idade, foi admitido como “aluno pensionista” (em internato) na Escola Normal Primária de Lisboa, cuja instituição masculina funcionava em Marvila. Frequentou esta escola nos anos 1863 e 1864, obtendo aprovação com distinção, completando as habilitações para as funções de professor de segundo grau em 1865. Terminado o curso, fixou-se em Lisboa e, a partir de 1866, empregou-se como professor na Casa Pia de Lisboa.
Na Casa Pia, foi nomeado para o cargo de “Provisor de Estudos”, encarregado da organização, direcção e inspecção dos estudos na instituição, executando então uma importante reformulação do currículo e dos métodos de ensino ali seguidos. Cuidadoso na avaliação das medidas que introduzia no ensino, elaborou relatórios circunstanciados sobre a organização de estudos e sobre os diferentes trabalhos escolares e seus resultados. Uma das inovações introduzidas por Simões Raposo foi a progressão de estudos por classes graduadas, então novidade em Portugal, que se alargaria progressivamente a todo o sistema de ensino português.
Simões Raposo pertenceu à primeira geração de professores normalistas, cabendo-lhe contribuir para a formação de novos professores e, a partir de 1870, passou a desempenhar funções nas Escolas Normais de Lisboa, masculina e feminina, participando activamente na formação docente. Na Escola Normal do sexo feminino, no Calvário, foi professor de Pedagogia e Métodos e na Escola Normal masculina desempenhou funções de professor de Pedagogia. Na acção docente, defendia o ensino pelo Método de Froebel, do alemão Friedrich Fröbel, fundador do primeiro jardim-de-infância.
Em 1877, foi nomeado subdirector da Casa Pia, cargo que acumulou com a sua actividade docente e com as múltiplas iniciativas cívicas em que se envolvia. As funções directivas na Casa Pia permitiram-lhe executar ali um importante conjunto de reformas, que serviram como demonstração prática da metodologia educativa que defendia.
Em Outubro de 1880, foi nomeado inspector do Ensino Primário da 1ª Circunscrição, então com sede na cidade do Porto. Nessas funções teve um papel decisivo na dinamização das “conferências pedagógicas” e na acção em prol do ensino normal. Manteve funções inspectivas até ao fim da sua vida, sendo também membro da Comissão Inspectora das Escolas Normais de Lisboa, funções em que teve um papel determinante na defesa da qualidade do ensino normal e na preservação das Escolas Normais enquanto entidades formadoras para o magistério primário.
Para além das suas funções profissionais, Simões Raposo manteve uma intensa actividade cívica e política, sendo membro de múltiplas instituições e participando activamente na vida política de Lisboa. Nesse âmbito, foi vereador da Câmara Municipal de Belém com o pelouro da instrução pública, presidente do Grémio Popular de Lisboa, sócio fundador da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses e um dos sócios fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo secretário da secção de ensino geográfico da instituição. Também desenvolveu intensa actividade como conferencista, na Sociedade de Geografia de Lisboa e em diversas instituições de que era membro, e fez parte da Comissão de Imprensa que se encarregou de promover o Tricentenário de Camões.
Sendo uma personalidade prestigiada em Portugal e no estrangeiro e gozando de aceitação generalizada entre educadores e políticos, fez parte de diversas comissões encarregues de estudar assuntos pedagógicos e foi escolhido pelo Governo para representar Portugal em vários eventos internacionais. Nesse contexto, foi enviado à Exposição Universal de Viena, em 1873, e à Exposição Universal de Paris de 1878. A sua participação nesta última exposição, para onde levou trabalhos executados pelos alunos da Casa Pia de Lisboa, valeu-lhe a concessão do grau de Oficial da Academia Francesa, em resultado da qualidade dos trabalhos apresentados, que mereceram ser arquivados e guardados no Museu Pedagógico de Paris.
Também participou como delegado português no Congresso Internacional Pedagógico, realizado no ano de 1880 em Bruxelas, aproveitando a deslocação para visitar Escolas Normais na Bélgica, França, Suíça e Espanha. Em 1882, representou Portugal no Congresso Pedagógico de Madrid, onde proferiu conferências em castelhano e foi feito sócio honorário da Associação Geral do Professorado Espanhol. Em 1892, participou como conferente no Congresso Pedagógico Hispano-Português-Americano proferindo uma conferência a convite de Bernardino Machado, vice-presidente da comissão organizadora.
Uma das comissões mais importantes de que fez parte foi a destinada a organizar e propor os projectos de regulamentos e programas do ensino primário.
Nos últimos anos de vida, dirigiu a Escola Normal Primária de Lisboa, acumulando a direcção das escolas masculina e feminina, num prelúdio daquilo que seria a fusão das instituições em 1919. Simões Raposo deixou um importante legado na consolidação do sistema de ensino, em particular na Casa Pia de Lisboa, no fortalecimento do ensino normal e no associativismo docente.

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