segunda-feira, 18 de julho de 2016

18 DE JULHO - CARLOS BARRETTO

EFEMÉRIDECarlos Barretto, de seu verdadeiro nome Carlos António Barreto de Andrade Amaro, contrabaixista de jazz e artista plástico português, nasceu no Estoril em 18 de Julho de 1957.
Carlos Barretto teve contacto com a música desde criança, através do pai que tocava guitarra e harmónica cromática. Além disso, era frequente em sua casa a audição de discos de espectros musicais variados, desde os clássicos aos mais modernos músicos de jazz da época. Aos seis anos, iniciou a aprendizagem da guitarra, mas foi aos dez que começou o estudo no Conservatório Nacional de Lisboa (piano e solfejo), passando posteriormente para o contrabaixo, por influência das sonoridades ouvidas no Festival de Jazz de Cascais. Nesta fase, e paralelamente, frequentou a escola do Hot Club de Portugal, onde estabeleceu as bases da sua relação com o jazz e fez as primeiras experiências regulares com músicos deste género musical.
Mais tarde, em 1982, prosseguiu os estudos do contrabaixo, na Academia Superior de Música de Viena, em Viena de Áustria, onde residiu entre 1982 e 1984. Nesta cidade, teve oportunidade de continuar o seu envolvimento com o jazz, tocando com músicos como Fritz Pauer (músico regular de Art Farmer), Joris Dudli e Christian Radovan (ambos da Vienna Art Orchestra).
No seu regresso a Lisboa, tocou profissionalmente na Orquestra Sinfónica da RDP e em vários projectos de música popular portuguesa. Iniciou a profissionalização na área jazz, tocando com Mário Laginha, Bernardo Sassetti, e Mário Barreiros, entre outros.
A pequena dimensão e as limitações do meio musical do jazz profissional em Portugal, nessa altura, levaram-no em 1984 a fixar-se em Paris, onde optou definitivamente pela carreira profissional no jazz e na música improvisada. Com base nesta cidade, actuou em diversos clubes de jazz, em conjunto com músicos de primeiro plano, e percorreu vários dos festivais do circuito francês.
Em 1990, gravou na Bélgica um CD ao vivo com Mal Waldron, ao qual se seguiu uma série de concertos em várias cidades europeias. São de destacar os concertos para a rádio e televisão. A sua estadia em França proporcionou-lhe ainda a oportunidade de participar em vários grupos e formações de jazz noutros países, como Suíça, Holanda, Alemanha, Bélgica, Espanha, Andorra, Itália, Hungria e Áustria.
Em 1993, regressou a Portugal, formando o seu próprio grupo Carlos Barretto Quintet, que incluía Perico Sambeat, François Théberge, Bernardo Sassetti e Mário Barreiros, e começou a leccionar na escola de jazz do Hot Club de Portugal, base a partir da qual actuou em vários concertos e festivais de jazz.
Com o seu grupo, gravou o CD “Impressões” em 1993, daí resultando vários concertos em Portugal, Espanha, França e Suíça. No ano seguinte, gravou “Alone Together” com o George Cables Trio. Nesta fase, esteve presente em Espanha, Angola, Cabo Verde, Argentina e Marrocos, com o seu quinteto ou integrando formações de outros músicos.
Em 1996, gravou “Going Up”, com um quinteto renovado (Bob Sands, Perico Sambeat, Albert Bover e Philippe Soirat). O disco foi considerado o melhor CD do ano em Portugal e foi distinguido com o Prémio Villas-Boas da Câmara Municipal de Cascais, dando origem a concertos em diversos festivais. No mesmo ano, Carlos Barretto ainda participou na gravação de “Passagem”.
Em 1997, acompanhou outros músicos em Espanha, França e Inglaterra, onde também actuou em nome próprio. É deste ano, o álbum “Jumpstart”, que gravou com o Quarteto de Bob Sands.
Ainda em 1997 e com o objectivo de experimentar outras sonoridades, juntou-se a José Salgueiro e Mário Delgado, formando o grupo Suite da Terra, que perdura até à actualidade. Este trio ganhou mais tarde o nome Lokomotiv, pelo qual é conhecido hoje. Em 1998, gravaram “Suite da Terra”, um CD experimental, de fusão entre vários estilos, desde a música tradicional portuguesa, ao jazz e ao rock, sendo ainda permeável às influências africanas e orientais. Fez parte de uma tournée e de vários espectáculos na Expo 98 e em Macau.
Aproveitando o seu gosto pela pintura, que até aí tinha cultivado não profissionalmente, Carlos Barretto apresentou o projecto “Solo Pictórico”, que une a sua música e pintura originais, em vários espectáculos e gravou um CD com o mesmo nome (2002). Continua até agora a apresentar espectáculos em que incorpora a sua pintura e a sua música, num produto único e coerente.
Na vertente pedagógica, Barretto tem dirigido vários workshops, nos quais leva a cabo um programa de descoberta de novos instrumentistas. Entretanto, continua a sua actividade criativa, com a produção de obras originais para ensembles de contrabaixo.
Em 2014, no âmbito das comemorações do Mandela International Day, promovidas pela Embaixada da África do Sul em Portugal, coordenou a construção de um retrato de Mandela, feito com tampas de plástico e com a participação da população.

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