quarta-feira, 20 de julho de 2016

20 DE JULHO - ANTONIO GADES

EFEMÉRIDEAntonio Gades, de seu verdadeiro nome Antonio Esteve Ródenas, bailarino e coreógrafo espanhol, expressão máxima do flamenco, morreu em Madrid no dia 20 de Julho de 2004. Nascera em Elda, em 14 de Novembro de 1936.
Oriundo de uma família humilde, o pai – logo a seguir aio seu nascimento – seguiu para Madrid para defender, como voluntário, a República Espanhola. Posteriormente, toda a família se mudou para um bairro periférico da capital. Com onze anos, Antonio deixou de ir a escola, embora gostasse muito de estudar, e buscou trabalho para ajudar a família, primeiro como contínuo num estúdio fotográfico e depois nos escritórios do diário madrileno “ABC”.
O seu encontro com a dança aconteceu casualmente, quando tinha 15 anos. Uma vizinha tinha-o aconselhado a inscrever-se na academia de flamenco. Três meses mais tarde, um agente que procurava bailarinos para uma casa nocturna, contratou-o. Nesta casa, por sua vez, foi visto por Pilar Lopez que o chamou para a sua companhia. Foi Pilar quem o “baptizou” com o nome artístico de Antonio Gades e lhe ensinou que a ética profissional do baile estava acima da estética. Gades reconheceria sempre Pilar como a inspiradora máxima da sua carreira.
Permaneceu na companhia de Pilar Lopez durante nove anos e, em 1960, quando da sua primeira tournée no Japão, já era primeiro bailarino. Com ela, aprimorou-se em todas as danças folclóricas de Espanha. Também estudou ballet clássico com a dançarina russa Provayenska, mas o seu meio de expressão mais autêntico seria sempre o flamenco.
Nesta época, descobriu o mundo poético de Federico Garcia Lorca, através de edições clandestinas da sua obra, pois ler-se o poeta andaluz era então proibido pelo regime franquista.
Após deixar a companhia de dança de Pilar Lopez, em 1961, fundou o primeiro núcleo de seu próprio corpo de baile. Trabalhou neste período em Itália, como coreógrafo e bailarino. Apresentou “O bolero” de Ravel na Ópera de Roma e, no Scala, de Milão, “Cármen” e “O amor bruxo”. Foi nesta época que forjou o seu estilo coreográfico personalíssimo.
De volta a Espanha, dançou no cabaré Los Tartantos, em Barcelona, e tornou-se coqueluche dos intelectuais catalães (entre eles o pintor Joan Miró), que o estimularam a apresentar-se na Exposição Universal de Nova Iorque em 1964, onde teve grande sucesso. No mesmo ano, casou-se com a actriz e cantora Marujita Diaz, de quem se separaria vinte meses depois.
Depois de uma fracassada produção do ballet “Don Juan” (1965), que o deixou em grandes dificuldades económicas, Gades dançou com Rudolf Nureyev, no Scala de Milão (1968). No mesmo ano, casou-se com a bailarina Pilar San Clemente. Em 1971, separou-se de Pilar, com quem havia tido dois filhos. Em 1973, uniu-se a Pepa Flores, com quem teve mais três filhos. O casamento oficial teria lugar em Cuba (1982), sendo padrinhos Fidel Castro e a bailarina cubana Alicia Alonso.
Em 1974, estreou em Roma “Bodas de sangue”, inspirado no drama de Garcia Lorca, obra-prima que lhe trouxe grande sucesso internacional. Em 1975, estava em Bolonha quando, ao tomar conhecimento da condenação a morte de cinco companheiros opositores do regime de Franco, decidiu dissolver a sua companhia e abandonar a dança.
Só voltaria a dançar três anos depois, graças ao apoio que recebeu do Ballet Nacional de Cuba, com o qual havia trabalhado anteriormente como artista convidado. Vem desta época a sua profunda afeição à Cuba, país que visitou inúmeras vezes e para onde foram levadas as suas cinzas.
Foi director do Ballet Nacional de Espanha entre 1978 e 1980, lugar que deixou para fundar sua própria companhia.
Em 1981, em colaboração com o realizador Carlos Saura, transformou “Bodas de sangueem filme. A colaboração continuou em 1983, com o filme “A história de Cármen”, que foi premiado no Festival de Cannes. As adaptações cinematográficas renovaram também o interesse dos espanhóis pelo flamenco.
Em 1986, separou de Pepa Flores. Em 1988, casou-se com Daniela Frey, união que durou até 1993.
A sua última produção como coreógrafo foi “Fuenteovejuna”, adaptação da obra de Lope de Vega, que se estreou na Ópera de Génova em 1994, seguindo depois em tournée pelo Japão, Itália, França, Cuba e vários países latino americanos, incluindo o Brasil.
Depois de uma longa enfermidade junto da sua nova companheira, Eugenia Eiriz, faleceu aos 67 anos de idade, vitimado por doença oncológica. Gades legou as suas cinzas a Raul Castro, numa carta escrita na semana anterior à sua morte.
Fidel Castro condecorou-o em Junho de 2004 com a Ordem José Martí, a mais alta distinção concedida pelo Conselho de Estado de Cuba, uma homenagem prestada a pouquíssimos estrangeiros, entre eles Che Guevara.

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