segunda-feira, 25 de julho de 2016

25 DE JULHO - FERNANDA BAPTISTA

EFEMÉRIDEFernanda Baptista, de seu verdadeiro nome Fernanda Gil Ferreira Martins, actriz e fadista portuguesa, morreu em Cascais no dia 25 de Julho de 2008. Nascera em Lisboa, em 7 de Maio de 1919. Ao longo da sua longa carreira, actuou em cerca de 50 revistas e operetas e realizou variadíssimas digressões.
Fernanda Baptista era vizinha do actor Vasco Santana que, em virtude dela em criança já gostar muito de cantar, lhe chamava “o papagaio das cantorias”. Aos 10 anos, participou pela primeira vez numa peça de teatro infantil, mas estava ainda longe de enveredar por uma carreira artística.
Com apenas 19 anos, casou-se com um funcionário da Companhia Colonial de Navegação e abraçou a profissão de modista. Foi no atelier onde trabalhava e em festas particulares das suas clientes que começou por brilhar na interpretação do fado.
Em 1945, as suas colegas inscreveram-na no Concurso de Outono do jornal “Canção do Sul”, cujas eliminatórias decorreram no Retiro dos Marialvas e no Café Latino. Neste concurso, conquistou o 2º lugar, representando o Bairro Alto. A partir desse momento, tornou-se intérprete profissional, foi contratada pelo empresário José Miguel e passou a integrar o elenco do Retiro dos Marialvas.
As interpretações genuínas de Fernanda Baptista eram muito apreciadas pelos críticos e, ainda não tinha decorrido um ano da sua profissionalização, já o jornal a “Guitarra de Portugal” a considerava «um dos valores mais sólidos da moderna geração».
Em 1946, passou a cantar no Café Luso e, nesse mesmo ano, foi convidada para actuar no Teatro Maria Vitória. Assim, substituiu Luísa Satanela na revista “Banhos de Sol”, estreando-se no espectáculo com a interpretação da “Ronda Fadista”.
Até ao final da década, participou em quadros musicais de muitas das revistas do Teatro Maria Vitória, caso de “Canções Unidas”, em 1946, com o tema “Trapeiras de Lisboa”, que foi premiado pelo SNI como o Melhor Quadro de Revista. Saliente-se ainda: “Ó ai ó linda” e “Salada de Alface”, em 1947; e “Disto é que eu gosto” e “O Tico-tico”, em 1948. Nesta última revista, interpretou o seu maior êxito, o “Fado da Carta”.
Com a Companhia de Eugénio Salvador, Fernanda Baptista apresentou-se nas revistas “Saias Curtas”, “Cala o Bico” e “Festa é Festa”, entre 1953 e 1955.
Ainda no âmbito do teatro, é de destacar a revista “Ena Já Fala”, levada à cena em 1969, no Teatro ABC, onde ela interpretou com tal sucesso o tema “Saudades de Júlia Mendes” que se tornou um fado incontornável do seu repertório.
Protagonizou também uma película realizada por José Buchs, em 1949, “Sol e Toiros”. Neste filme, participaram – para além de Fernanda Baptista – Manuel dos Santos, Amália Rodrigues e Eugénio Salvador, entre outros. O “Fado Toureiro”, que integra a banda sonora deste filme, tornou-se depois num dos seus fados mais famosos, a que se juntam os temas “Fado da Carta” e “Saudades de Júlia Mendes”, já referidos.
As suas saídas de Portugal para diversas actuações iniciaram-se na década de 1950, com a digressão a África da revista “Saias Curtas”. A esta, somaram-se espectáculos de fado em cidades angolanas como Luanda, Lobito e Nova Lisboa.
Posteriormente, Fernanda Baptista fez numerosas viagens ao Brasil (país onde - numa das vezes - permaneceu mais de ano e meio), à Argentina, a África e aos Estados Unidos e Canadá. No interior destes dois últimos países, fez mais de 17 tournées.
Em televisão, foi também requisitada para diversos programas, como o “Zip Zip” ou o “Fado Fadinho”. Integrou – como artista convidada – as séries televisivas de Filipe la FériaGrande Noite” e “Cabaret”.
Fernanda Baptista voltou ao teatro de revista em 1990, para participar na peça “Ai Cavaquinho” no Teatro Capitólio e, em 1994, foi homenageada num outro teatro do Parque Mayer, o Variedades, no decurso da apresentação da revista “Vivó Velho”, a última em que participou, ao lado de Artur Garcia, Mariette Pessanha e Joel Branco.
Em Abril de 1996, em homenagem aos seus 50 anos de carreira, realizou-se um concerto no Teatro São Luís, onde participaram Anita Guerreiro, Deolinda Rodrigues, Maria Valejo, Maria José Valério, Fernando Maurício e Carlos Zel que, entre muitos outros colegas e amigos, do fado e do teatro de revista, lhe testemunharam o seu carinho e admiração.
Gravou muitos discos, mas só na década de 1970 editou o primeiro LP. Em 2005, a Movieplay lançou a antologia “Fernanda Baptista – a Maior Voz do Teatro de Revista”, reunindo em duplo CD os seus maiores êxitos.
Apesar de várias vezes se ter afastado dos palcos e de ter pensado retirar-se definitivamente da vida artística quando completou 87 anos, em Maio de 2006, Fernanda Baptista ainda integrou o elenco musical do espectáculo de Filipe la FériaA Canção de Lisboa”, exibido no Teatro Politeama.
Em 2003, o então presidente da República Jorge Sampaio condecorou-a com o grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

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