sexta-feira, 18 de novembro de 2016

18 DE NOVEMBRO - COMPAY SEGUNDO

EFEMÉRIDECompay Segundo, de seu verdadeiro nome Máximo Francisco Repilado Muñoz, cantor, guitarrista, violonista, clarinetista e compositor cubano, nasceu em Siboney, Santiago de Cuba, no dia 18 de Novembro de 1907. Morreu em Havana, em 14 de Julho de 2003.
Aos nove anos, após o falecimento de sua avó, mudou-se com a família para a sede da municipalidade de Santiago de Cuba.
Em Santiago, fez o que grande parte da população cubana fazia – aprendeu o ofício de enrolador de charutos. Ao mesmo tempo, tinha aulas com a jovem Noemí Toro. Por sua influência, aos 14 anos, aprendeu solfejo e optou pelo clarinete. Um ano depois, compôs a sua primeira canção “Yo vengo aquí” e tornou-se muito conhecido dos aficionados pelos sons cubanos.
Foi a tocar aquele instrumento que Repilado fez a sua primeira viagem a Havana, em 1929, com a Banda Municipal de Música, por ocasião da inauguração do Capitólio Nacional.
Em 1935, com Ñico Saquito e a banda Cuban Star, viajou novamente para capital cubana, desta feita para ali residir definitivamente.
Autodidacta do violão, criou um novo instrumento com sete cordas, o armónico. Muitas das suas composições musicais caracterizam-se pelo seu conteúdo imaginativo e grande senso de humor. Na década de 1930, com o quarteto Hatuey, foi ao México, onde participou em dois filmes: “México Lindo” e “Tierra Brava”.
Também foi no México que integrou – como clarinetista – o grupo Matamoros e teve a oportunidade de trabalhar com o músico Benny Moré. Ali co-fundou, em 1942, a dupla Los Compadres, cantando com o cubano Lorenzo Hierrezuelo. Lorenzo era a primeira voz e era conhecido por Compay Primo (primeiro compadre), enquanto Repilado era a segunda voz, o Compay Segundo, nome que o acompanharia até ao fim dos seus dias e pelo qual ficou conhecido mundialmente.
Sobre o facto das segundas vozes na música passarem a perder-se, sobretudo após as décadas de 1940/50, Compay Segundo declarou «Os jovens não querem acompanhar nenhum cantor. Todos querem ser estrelas do dia para a noite. Vejam quantos anos eu tive de esperar, quantos caminhos tive de percorrer, em quantos eventos tive de participar. E aqui estou pronto a começar tudo de novo».
Integrou o sexteto Los Seis Ases, o Cuarteto Cubanacán e foi clarinetista da Banda Municipal de Santiago de Cuba. Em 1956, criou o grupo Compay Segundo y sus Muchachos, com quem trabalhou até à sua morte.
Compay Segundo foi um artista único. A maneira como produzia o som ajustava-se ao modelo da zona oriental de Cuba, pelo que ficou reconhecido como um grande representante da cubanía.
A sua voz grave e redonda acompanhou célebres cantores de fama internacional. Com o seu grupo, fez dançar multidões de todos os continentes. Realizou tournées pela América Latina e Europa, particularmente Espanha, onde gravou vários discos.
Compay participou activamente no ambicioso projecto Buena Vista Social Club, um disco produzido por Ry Cooder, em 1996, no qual se reuniram grandes nomes da música cubana. O disco foi premiado com um Grammy e promoveu o ressurgimento de músicos que, em alguns casos, estavam no ostracismo há mais de dez anos.
Em 18 de Novembro de 1997, por ocasião do seu 90º aniversário, foi condecorado com a Ordem Félix Varela, a mais alta distinção honorífica das artes cubanas.
Aos 94 anos, estreou-se nos palcos como actor, numa peça intitulada “Se secó el arroyto”, baseada numa das suas canções e que narra os amores frustrados de um casal de jovens nos anos anteriores à Revolução Cubana (1959).
Entre as canções mais conhecidas interpretadas por Compay Segundo, encontramos “Sarandonga”, “Saludos, Compay”, “¿Y tú, qué has hecho?”, “Amor de la loca juventud”, “Juramento” e “Veinte años”. Certamente a mais famosa de todas é “Chan Chan”, que – segundo dizem – foi até ouvida no Vaticano.
Compay morreu próximo da família, com o respeito e a consideração dos seus patrícios. Deixou cinco filhos. Nonagenário e sempre bem-humorado, disse que ainda não havia esquecido como era o amor e que queria ter mais um filho.

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