quarta-feira, 30 de novembro de 2016

30 DE NOVEMBRO - LOUISE-VICTORINE ACKERMANN

EFEMÉRIDELouise-Victorine (Choquet) Ackermann, contista e poetisa francesa, nasceu em Paris no dia 30 de Novembro de 1813. Morreu nos arredores de Nice em 2 de Agosto de 1890.
O pai – um apaixonado pelas Letras – proporcionou-lhe uma educação afastada do ensino religioso. Com ele iniciou as primeiras leituras. O progenitor, de carácter muito independente, deixou Paris aos 33 anos com a esposa e as três filhas, para viver na solidão do campo.
Louise Choquet viveu uma infância solitária. O seu temperamento estudioso e meditativo manifestou-se desde muito cedo, mantendo-a afastada das crianças da sua idade e das próprias irmãs. A mãe, que não se adaptava à vida campestre, vivia aborrecida e era pouco conciliadora para a filha mais velha. Exigiu que ela fizesse a primeira comunhão para respeitar as convenções em voga. Louise descobriu assim a religião e entrou num internato em Montdidier, demonstrando uma adesão fervorosa o que alarmou o pai que, durante as férias, lhe deu a ler Voltaire. O espírito do filósofo provocou o divórcio entre Louise e o catolicismo.
De regresso a casa, prosseguiu as suas leituras e estudos na biblioteca paterna e descobriu Platon e Buffon. Por essa época, começou a fazer os primeiros versos. A mãe inquietou-se porque estava sempre “de pé atrás” com as pessoas das Letras. Aconselhou-se com uma prima parisiense, que lhe recomendou – pelo contrário – para não contrariar a filha mas sim encorajá-la.
Louise foi então para um colégio interno em Paris. Tornou-se rapidamente notada pela sua capacidade de estudo, sendo a favorita do professor de Literatura, que era amigo íntimo de Victor Hugo. Descobrindo que Louise compunha poesias, chegou a levar alguns desses trabalhos ao célebre escritor que lhe mandou conselhos. 
Félix Biscarrat, o professor, alargou o leque de leituras da sua aluna, emprestando-lhe obras de autores contemporâneos. Louise descobriu igualmente autores ingleses e alemães, como Byron, Shakespeare, Goethe e Schiller.
Ao fim de três anos de colégio, voltou ao seio familiar onde continuou o estudo e a escrita solitária. Simultaneamente, fez descobrir aos seus próximos alguns autores modernos – Hugo, Vigny, Musset, Sénancour…
O falecimento do pai veio privá-la do seu apoio, que muito valorizava as suas competências literárias. A mãe proibiu-a de conviver com autores e Louise renunciou durante um certo tempo à poesia. Em 1838, conseguiu que a deixassem partir para Berlim durante um ano para ingressar numa “instituição modelo de raparigas” dirigida por Schubart. Este último ajudou-a no aperfeiçoamento da língua alemã.
Voltou a Berlim três anos mais tarde, após a morte da mãe. Encontrou o linguista francês Paul Ackermann, amigo de Proudhon. Apaixonaram-se e casaram. Foi um casamento feliz mas breve, pois o marido morreu em Julho de 1946, vítima de doença, aos 34 anos de idade.
Muito fragilizada pela viuvez, juntou-se a uma das suas irmãs que vivia em Nice, onde comprou um pequeno domínio isolado. Consagrou-se durante alguns anos a trabalhos agrícolas, até lhe voltar a vontade de escrever poesia.
As primeiras publicações não suscitaram grande interesse, mas despertaram a atenção de alguns críticos, que gostavam do que liam mas lamentavam o seu pessimismo, que atribuíam à influência da literatura alemã. Ela própria negaria essa influência, reclamando para si a parte negativista dos seus pensamentos, que apareciam já nas suas poesias juvenis.
Entre as obras que nos legou, saliente-se: “Contes” (1855), “Contes et Poésies” (1863), “Poésies philosophiques” (1861), “Poésies. Premières Poésies. Poésies philosophiques” (1874) e “ Œuvres de Louise Ackermann : Ma vie, Premières Poésies, Poésies philosophiques” (1885).  

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