terça-feira, 7 de fevereiro de 2012




EFEMÉRIDEJosef Mengele, médico alemão que se tornou tristemente conhecido por crimes cometidos durante o regime nazi, morreu em Bertioga, no Brasil, em 7 Fevereiro de 1979. Nascera em Günzburg no dia 16 de Março de 1911. O seu verdadeiro apelido era Beppo e era conhecido no campo de concentração de Birkenau como Todesengel (o Anjo da Morte).


Mengele foi oficial médico chefe da principal enfermaria do campo de Birkenau, que fazia parte do complexo Auschwitz-Birkenau.


Quase todas as experiências de Mengele careciam de valor científico, mas foram financiadas pelo governo nazi. Incluíam, por exemplo, tentativas de mudar a cor dos olhos mediante injecções de substâncias químicas nos olhos de crianças, amputações diversas e outras cirurgias brutais e, pelo menos numa ocasião, uma tentativa de criar siameses artificialmente, mediante a união de veias de irmãos gémeos (a operação foi um fracasso e o único resultado foi que as mãos dos pacientes se infectaram gravemente). As pessoas objecto das experiências de Mengele, nos casos em que sobreviviam, eram quase sempre assassinadas para dissecação dos corpos.


Em cooperação com outros médicos, Mengele tentou também encontrar um método de esterilização em massa. Muitas das vítimas foram mulheres, a quem injectava diversas substâncias, muitas delas tendo sucumbido.


Fez experiências com ciganos e judeus que tinham doenças hereditárias, nanismo, síndrome de Down, irmãos siameses e outras afecções e dissecou vivas algumas pessoas mestiças, submergindo depois os seus cadáveres numa tina contendo um líquido que consumia as carnes, deixando livres os ossos. Os esqueletos eram então enviados para Berlim, como macabro mostruário da degeneração física dos judeus ou outros.


Por vezes realizava sessões de submersão em água gelada de prisioneiros mais fortes, para observar as suas reacções face à hipotermia. Também cooperou com o seu equivalente na Força Aérea, o médico Sigmund Rascher, em algumas experiências em que submetia pessoas a mudanças de pressão extremas. As vítimas morriam com horrorosas convulsões, causadas por excessiva pressão intra-craniana.


Mengele fez, numa certa ocasião, carregar um vagão de comboio com caixões, que os prisioneiros notaram «ser demasiado pesados para o seu volume». Os caixões iam com destino a Günzburg e alguns prisioneiros deduziram (correctamente) que continham lingotes do ouro proveniente das extracções dentárias das vítimas do campo. Este foi um dos primeiros indícios de que Mengele tinha pressentido o fim da Alemanha nazi. Em Novembro de 1944, Richard Baer, comandante de Auschwitz, recebeu uma estranha ordem para desmantelar as instalações. A ordem provinha directamente de Adolf Hitler e a muitos causou surpresa. Para Mengele, a ordem não causou estranheza, pois estava convencido que a Alemanha ia perder a guerra. Mengele abandonou o campo de forma encoberta em Janeiro de 1945 e, dez dias depois, o Exército Vermelho Soviético chegou ao campo e libertou os sobreviventes.


Em Abril fugiu para o oeste, disfarçado de membro da infantaria regular alemã, com identidade falsa, mas foi capturado. Como prisioneiro de guerra, cumpriu uma pena de prisão perto de Nuremberga. Foi libertado depois, porque se desconhecia a sua verdadeira identidade. Sabe-se que fugiu para a Argentina, provavelmente ainda na década de 1940.


Depois da captura de Adolf Eichmann por agentes da Mossad, em Buenos Aires, Mengele decidiu fugir da Argentina e esconder-se no Paraguai, passando em seguida para o Brasil. Inacreditavelmente, nem a Mossad nem o Centro Simon Wiesenthal conseguiram localizá-lo, apesar do seu filho Rolf o ter visitado duas vezes e com ele trocar correspondência.


No Brasil, viveu numa propriedade de um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert, sob o nome falso de Wolfgang Gerhard. Quando lhe faziam perguntas sobre o seu passado, afirmava que – como oficial alemão – se tinha limitado a seleccionar pessoas aptas para o trabalho e que nunca matara ninguém. Em 1979, o seu estado de saúde estava em franca deterioração e a família austríaca que o assistia convidou-o a refrescar-se numa praia com clima suave, Bertioga, no litoral paulista. Mengele aceitou. Quando algumas pessoas que o acompanhavam entraram no mar, Mengele seguiu-os até alcançar uma distância de 100 metros, mas em águas pouco profundas. Então, por motivos confusos e nunca totalmente esclarecidos, afogou-se apesar de um dos seus amigos ter imediatamente ido em seu auxílio. Teria sofrido um ataque cardíaco.


O facto de ter escapado durante dezenas de anos às polícias mais experimentadas do Mundo, contribuiu para fazer de Mengele uma personagem mediática, mas o que prevalecerá para todo o sempre nas memórias colectivas e na história do século XX é o facto dele ser um dos símbolos da medicina corrupta e criminosa do terceiro Reich. Devido às atrocidades por ele cometidas durante a guerra, o seu título de Doutor foi revogado pelas Universidades de Frankfurt e de Munique.

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