segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012




EFEMÉRIDEMaryse Bastié, aviadora francesa, nasceu em Limoges no dia 27 de Fevereiro de 1898. Morreu em Bron, em 6 de Julho de 1952.


Marie-Louise Bombec (nome de nascimento) ficou órfã de pai aos onze anos e teve uma infância difícil. Na adolescência foi operária numa fábrica de calçado. Casou-se e teve um filho que morreu muito jovem. Divorciada, tornou a casar-se, então com um afilhado de guerra, o tenente piloto Louis Bastié. Foi ao seu lado que veio a descobrir a paixão pelos aviões.


Em Setembro de 1925, obteve o brevet. Uma semana depois, passou com o seu avião por baixo dos cabos de uma ponte de Bordéus. No ano seguinte, o marido morreu num acidente de aviação. Em vez de se desencorajar, tornou-se monitora de pilotagem, uma aventura que duraria apenas seis meses em virtude do encerramento da escola em que ensinava.


Foi para Paris, onde proporcionou baptismos de voo e fez publicidade aérea. Decidiu comprar o seu próprio avião, um Caudron C109. Como não tinha dinheiro para o manter e fazer voar, o piloto Drouhin ajudou-a financeiramente.


Em Julho de 1928, estabeleceu o primeiro “recorde de distância” feminino (1 058 quilómetros) em Treptow. Em 1929, estabeleceu também o recorde de França feminino de “duração de voo” (10 h 30 m) e o recorde internacional feminino com 26 h 44 m. Este recorde foi batido em Maio de 1930 por Léna Bernstein (35 h 45 m). Decidida a recuperar o recorde, descolou na noite de 2 de Setembro de 1930 e aterrou no dia 4, depois de 37 h 55 m de um voo em que lutou até ao esgotamento contra o frio e o sono. Estabeleceu depois um recorde de distância de 2 976 km no percurso Paris - Uring (URSS). Como recompensa, recebeu a Cruz de Cavaleiro da Legião de Honra Francesa.


Desde 1934, abraçou a causa feminista, juntamente com as também aviadoras Hélène Boucher e Adrienne Bolland, tornando-se militante do “movimento para o voto das mulheres”.


Em 1935, fundou em Orly a escola Maryse Bastié Aviation. Encorajada por Jean Mermoz, que a levou numa ida e volta sobre o Atlântico, Maryse pensou desde logo tentar a travessia do Atlântico Sul a solo. Em Dezembro de 1936, um mês após o desaparecimento de Mermoz, atravessou o Atlântico, de Dakar até Natal, a bordo de um Caudron-Simoun (12 h 5 m). Publicou, em 1937, o livro “Ailes ouvertes: carnet d'une aviatrice”.


Quando da ofensiva alemã em Maio de 1940, ofereceu-se como voluntária para prestar serviço na Cruz Vermelha, nomeadamente junto dos prisioneiros franceses que estavam agrupados em Drancy. Sob a cobertura da sua actividade na Cruz Vermelha, recolhia também informações sobre o ocupante. Quando da partida de um comboio para a Alemanha, foi abalroada por uma sentinela alemã, tendo fracturado o cotovelo direito. Ficou incapacitada de voltar a pilotar.


Em 1951, ingressou no serviço de relações públicas do Centro de Ensaios em Voo. Quando de uma das suas missões, encontrou a morte num acidente de um Noratlas, depois de um festival aéreo realizado próximo de Lyon.


Foi enterrada em Paris, no cemitério de Montparnasse. Era capitão da Força Aérea e totalizava 3 000 horas de voo. Um selo com a sua efígie foi emitido pelos correios franceses. Há um monumento em sua homenagem em Paris e numerosas escolas, ruas e avenidas têm hoje o seu nome.


Além de várias condecorações francesas, recebeu distinções de diversos países: URSS, Brasil, Roménia, Chile, Peru, Venezuela, Noruega e Cambodja.

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