domingo, 26 de fevereiro de 2012




EFEMÉRIDEMiguel Ângelo Lupi, professor de Pintura Histórica na Academia de Belas Artes de Lisboa e um dos mais destacados pintores portugueses da época romântica, morreu em Lisboa no dia 26 de Fevereiro de 1883. Nascera, também na capital portuguesa, em 8 de Maio de 1826


Mostrando desde muito cedo vocação para as artes visuais, matriculou-se na Academia de Belas Artes de Lisboa, cursando Desenho Histórico. Aluno com muito talento, foi premiado nos anos lectivos de 1841 a 1843. Terminados os estudos, apesar do seu brilhantismo, não conseguiu viver apenas da sua produção artística pelo que, em Maio de 1849, arranjou emprego na Imprensa Nacional de Lisboa, como amanuense.


Sem prejuízo de continuar a pintar, permaneceu naquelas funções até Abril de 1851, data em que se transferiu para a “Junta de Fazenda da Província de Angola”, em Luanda. Permaneceu naquela cidade até 1853, demitindo-se do lugar em Setembro desse ano para voltar a Lisboa.


Mantendo-se empregado na Administração Fiscal, em Outubro de 1855 foi nomeado para a Repartição de Fazenda do Distrito do Porto. Apesar do decreto que o nomeou, nunca chegou a exercer o lugar, pois foi logo transferido para a Direcção do Tribunal de Contas, em Lisboa.


Miguel Lupi, apesar de exercer as funções de funcionário administrativo, não largou nunca o pincel e a paleta, continuando a pintar. Foi encarregado pelo próprio Tribunal de Contas, em finais de 1859, de pintar o retrato do Rei D. Pedro V para a Sala de Audiências, obra que ainda se mantém numa das salas deste tribunal. Face ao sucesso do retrato e ao reconhecimento que essa obra lhe granjeou entre as altas esferas do Estado, o Governo resolveu conceder-lhe uma pensão, para que estudasse pintura em Itália, decisão que foi acolhida com agrado geral.


Aos 34 anos de idade, já munido de uma bolsa governamental, Miguel Ângelo Lupi pôde dedicar-se por inteiro à pintura. Partiu em 1860 para Roma, onde estudou pintura com os melhores mestres italianos da época. Como acontecia com os artistas que iam para Itália com a finalidade de se aperfeiçoarem e aprenderem, Miguel Lupi treinou, copiando obras de artistas famosos como Ticiano, Corregio, Andrea del Sarto e Diego Velazquez. Permaneceu naquela cidade até Novembro de 1863, ano em que regressou a Lisboa.


O primeiro quadro da colecção que pintou em Roma, chama-se “D. João de Portugal”, tendo por assunto a cena final do 2.º acto do drama “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett. Com aquela obra, revelou-se um grande pintor histórico. Nas palavras elogiosas de Pinheiro Chagas, ele era «um homem fadado para arrancar da sombra as grandes figuras da história e fazê-las reviver na tela».


Em 1863, apresentou-se como candidato à cadeira de Pintura Histórica da Academia de Belas Artes de Lisboa, executando para esse concurso uma tela que intitulou “Um beijo de Judas”. Sendo aprovado, o público culto da capital saudou com verdadeiro entusiasmo a sua nomeação para professor interino da instituição em Fevereiro de 1864. Pôde então entregar-se definitivamente aos estudos de pintura histórica, que eram a sua predilecção.


Miguel Lupi tornou-se o artista favorito da burguesia lisboeta. Nas exposições da Sociedade Promotora de Belas Artes realizadas em 1863 e 1864, os visitantes amontoavam-se frente aos seus quadros. Nesta última exposição, a tela “Esperança e Saudade” conquistou grande aplauso da crítica.


Em 1867 foi a Paris, em comissão do governo, inspeccionar os trabalhos do monumento a D. Pedro IV que ali se estavam a realizar. Elaborou um circunstanciado relatório, que publicou em Lisboa. Terá sido esta a sua única missão oficial depois de ter sido nomeado lente da Academia de Belas Artes de Lisboa.


Algum tempo após o regresso de Paris, foi nomeado professor efectivo da cadeira de Pintura Histórica, passando, além das suas tarefas de ensino, a produzir retratos das figuras principais da sociedade portuguesa. Era considerado um retratista de primeira grandeza, que apanhava as semelhanças com uma facilidade surpreendente.


Os seus quadros estiveram patentes na Exposição de Madrid em 1871, sendo premiada a sua composição intitulada “Mãe”. Também foi premiado na Exposição Universal de Paris, em 1878, em plena expansão do Movimento Impressionista, com o quadro “As lavadeiras do Mondego”.


Em 1883, ano do seu falecimento, a Academia Real de Belas Artes realizou uma homenagem póstuma, com uma exposição retrospectiva da sua obra e um leilão, do qual ainda se conserva o catálogo.


As pinturas de Miguel Lupi estão presentes nos principais museus portugueses e em diversas instituições oficiais, para as quais pintou retratos e cenas históricas. Os seus trabalhos afastam-se da pintura romântica característica dos pintores portugueses seus contemporâneos, aproximando-se das novas tendências da segunda metade do século XIX. Apesar das linhas fundamentais do seu trabalho incidirem em retratos dos ricos e famosos da época, Lupi pintou também cenas de interiores, da vida familiar e temas de carácter histórico, como a obra “Marquês de Pombal examinando o projecto da reconstrução de Lisboa”, o seu último quadro. Fez igualmente pintura de costumes, retratando aspectos da sociedade portuguesa de então. Tem uma rua em Lisboa com o seu nome.

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