quinta-feira, 1 de novembro de 2012

EFEMÉRIDE – Afonso Henriques de Lima Barreto, jornalista e um dos mais importantes escritores pré-modernistas brasileiros, morreu no Rio de Janeiro em 1 de Novembro de 1922. Nascera na mesma cidade em 13 de Maio de 1881.
Era filho de um negro nascido escravo e da filha de uma escrava. Apesar de tudo, a mãe foi educada com esmero, sendo professora, e o pai foi tipógrafo. A mãe faleceu quando ele tinha apenas 6 anos e o pai teve de trabalhar arduamente para sustentar os quatro filhos do casal.
Lima Barreto, um mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de uma boa instrução escolar. Frequentou uma escola pública. Em seguida, passou a cursar o Liceu Popular Niteroiense, após o padrinho concordar em custear a sua educação. Completou o curso secundário e parte do supletivo. Em 1895, foi admitido no curso de Mecânica da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Passava os tempos livres na Biblioteca Nacional. Foi obrigado porém a abandonar os estudos em 1904, para assumir o sustento dos irmãos, devido à loucura que atingiu o pai. Ingressou no Ministério da Guerra como amanuense, através de concurso. O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa, garantiu-lhes a sobrevivência.
Lima Barreto começara a sua colaboração na imprensa desde estudante, em “A Quinzena Alegre”, “Tagarela”, “O Diabo” e “Revista da Época”. Em 1905, iniciou-se em diversos jornais e revistas de maior circulação. Publicou também em folhetim “Numa e a Ninfa”, no jornal “A Noite”.
Em 1909, publicou em Portugal o romance “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”. A narrativa de Lima Barreto neste primeiro livro, com indisfarçáveis traços autobiográficos, mostrou uma contundente crítica à sociedade brasileira, por ele considerada preconceituosa e profundamente hipócrita. Até os bastidores da imprensa opinativa foram alvo da sua narrativa mordaz. Em 1911, editou com alguns amigos a revista “Floreal”, que durou apenas dois números, mas despertou a atenção de diversos críticos. No mesmo ano, começou a publicação – em formato de folhetim no “Jornal do Commercio” do Rio de Janeiro – da sua mais importante obra, “Triste Fim de Policarpo Quaresma” que, anos mais tarde (1915), foi editado em brochura e considerado pela crítica especializada como uma obra basilar no período do Pré-Modernismo.
Teve uma vida atribulada pelo alcoolismo e por internamentos psiquiátricos devidos às suas crises severas de depressão (à época, era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de neurastenia, constante na sua ficha médica), vindo a falecer precocemente aos 41 anos de idade.
Em 1993, retomando as pesquisas realizadas por Francisco de Assis Barbosa, biógrafo do autor e principal gestor da publicação póstuma de sua obra, Bernardo de Mendonça reuniu no livro “Um Longo Sonho do Futuro” os seus principais textos confessionais, o “Diário Íntimo”, o “Diário do Hospício”, artigos de jornais e a correspondência, compondo um grande painel autobiográfico que, na interpretação de muitos dos seus leitores, encarna um dos maiores e inquietantes exemplos, não só do desencontro entre arte e o mercado, mas também das iniquidades sociais na história brasileira.
Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve intactos os privilégios das famílias aristocráticas e dos militares. Na sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boémios e os arruinados.
Foi severamente criticado pelos seus contemporâneos parnasianos, por ter um estilo despojado, fluente e coloquial, que acabou por influenciar os escritores modernistas. Foi um escritor de transição: fiel ao modelo do romance realista e naturalista do final do século XIX, procurou entretanto desenvolvê-lo, resgatando as tradições cómicas, carnavalescas e picarescas da cultura popular, ao mesmo tempo «que manteve uma visão neo-romântica e elegíaca da natureza, da cidade e do ser humano».
Lima Barreto queria também que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha para ele a finalidade de criticar o mundo circundante, despertando alternativas renovadoras dos costumes e das práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos. Para ele, o escritor devia ter uma função social.

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