sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

EFEMÉRIDEO tristemente célebre “atentado de Lockerbie” foi um ataque terrorista que teve como alvo o voo nº 103 da Pan American de 21 de Dezembro de 1988. O Boeing 747-121 partira do Aeroporto de Heathrow em Londres, com destino a Nova Iorque, e explodiu por cima da cidade escocesa de Lockerbie, vitimando 270 pessoas (259 no avião e 11 em terra) de 21 nacionalidades diferentes. Deste total, 189 vítimas eram cidadãos dos Estados Unidos da América, não havendo qualquer português.
A explosão teria sido resultado de um dos vários atentados terroristas planeados pelo governo da Líbia. Em 2002, Mouammar Kadhafi propôs-se pagar uma indemnização de dez milhões de dólares a cada uma das famílias norte-americanas atingidas pelo atentado, sendo que 40% do dinheiro seria libertado quando as sanções da ONU fossem suspensas, 40% quando as sanções comerciais dos Estados Unidos fossem anuladas e 20% quando a Líbia fosse removida da lista do Departamento de Estado Americano de países patrocinadores de terrorismo. Um ano antes, o agente secreto líbio Al-Megrahi tinha sido condenado a prisão perpétua, acusado de ser o responsável pelo atentado.
O voo 103 fora o terceiro voo transatlântico da Pan Am naquele dia. O “Clipper Maid of the Seas” vinha do Aeroporto de Frankfurt e fez escala no Aeroporto de Heathrow antes de se dirigir para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy. Cerca de meia hora depois de descolar de Londres, o avião explodiu e começou a desintegrar-se. Uma parte do aparelho, compreendendo um bocado da fuselagem, uma asa e dois reactores, despenhou-se sobre várias casas habitadas. A descoberta de vestígios de roupas no terceiro reactor afastou logo a hipótese de explosão acidental. O médico legista assinalou que nenhuma das vítimas tinha estilhaços no corpo o que indicava também que a bomba tinha sido bem dissimulada. Diversas análises permitiram encontrar vestígios de produtos que tinham servido para a confecção do engenho explosivo.
O inquérito levou a que fosse investigado, em Helsínquia, um homem que tinha ameaçado fazer explodir o voo da Pan Am, concluindo-se depois que fora uma brincadeira de mau gosto. Um outro homem foi considerado suspeito porque tinha perdido o avião, tendo a sua bagagem seguido no mesmo, mas foi julgado inocente.  
Ao fim de três meses de investigações, 90% dos destroços do avião tinham sido recuperados. Concluiu-se que a descompressão tinha sido devida a uma explosão muito violenta e que o 747 se despenhara a 700 ou 800 km/h. Um contentor de bagagens parecia ter sido atingido directamente pela explosão. Um agente do FBI foi peremptório: a bomba estava numa mala carregada naquele contentor e era proveniente de Malta. Um fragmento de um dos vinte detonadores de marca suíça vendidos em tempos à Líbia foi encontrado no local da queda do avião. Imediatamente foi feita a ligação entre o atentado e o ataque americano a Tripoli em 1986 que tinha provocado a morte de Hana, filha de Kadhafi.
Depois de dez anos de boicote da ONU, Kadhafi entregou dois líbios suspeitos de terem enviado a aludida mala (Al Megrahi e Fhimah) para serem julgados por um tribunal escocês. O primeiro foi condenado a prisão perpétua. Atingido por um cancro na próstata em 2009, foi libertado por razões médicas e regressou a Tripoli, onde foi recebido como um herói. Faleceu entretanto. O outro, Fhimah, foi absolvido.
Em 2011, quando da revolução na Líbia, o antigo ministro da justiça líbio afirmou ter provas de que fora Kadhafi o mandante do atentado, dando instruções pessoalmente ao terrorista Al Megrahi. Pôs-se assim um ponto final a certas dúvidas que ainda subsistiam.

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