terça-feira, 19 de maio de 2015

19 DE MAIO - ELENA PONIATOWSKA

EFEMÉRIDEElena Poniatowska Amor, de seu verdadeiro nome Hélène Elizabeth Louise Amélie Paula Dores Poniatowska Amor, jornalista, escritora e activista política mexicana, nasceu em Paris no dia 19 de Maio de 1932. A sua obra literária tem sido distinguida com numerosos prémios. É filha de uma mexicana e de um aristocrata francês.
A mãe também nasceu em Paris. Pertencia à família de Porfirio Díaz, exilada em França depois da Revolução Mexicana. A avó paterna era norte-americana e o pai era de origem franco polaca, descendente do general Poniatowski, que fez parte do exército que acompanhou Napoleão até Moscovo.
Sobrinha da poetisa mexicana Pita Amor (1918/2000), a sua família conta também entre os antepassados ilustres, um arcebispo, um músico e a alguns escritores. Recebeu como herança o título de princesa de Polónia, ainda que afirme que isso não lhe interessa. Devido às suas ideias políticas, é conhecida igualmente pelo pseudónimo de “A Princesa Vermelha”.
A família emigrou da França para o México, em consequência da Segunda Guerra Mundial. Elena, aos dez anos de idade, chegou com a mãe e a irmã à cidade do México. O pai lutou até ao fim da guerra e sempre projectou reunir-se com elas mal acabasse o conflito, o que veio a acontecer.
No México, aprendeu com uma ama a pronunciar correctamente o castelhano. Estudou um ano no Liceo de México e manteve o seu nível na língua francesa, mercê das aulas dadas por uma professora da universidade. Estudou também piano e dança.
Em 1949, foi enviada para os Estados Unidos para estudar. Primeiro, num colégio católico de Filadélfia, o Convento do Sagrado Coração de Eden Hall e, depois, no Manhattanville College de Nova Iorque.
Elena decidiu dedicar-se ao jornalismo. Depois de voltar para o México (1953), começou a sua carreira trabalhando no jornal “Excelsior”, assinando as suas crónicas como Hélène. Para as suas primeira entrevistas, escolheu várias personalidades de relevo internacional, entre elas a portuguesa Amália Rodrigues. Publicava uma entrevista diariamente. Começava já a interessar-se também por questões sociais e pelo papel das mulheres mexicanas.
Em 1955, iniciou a sua colaboração no jornal “Novedades de México”, que continuará praticamente ao longo de toda a vida. Algumas das entrevistas que fez foram mais tarde reunidas em livro (“Palavras cruzadas”, 1961, e “Todos México”, 1990). 
Um emprego que viria a marcar a sua carreira literária foi o de assistente do antropólogo Oscar Lewis (1962), um dos fundadores do romance não ficção. Essa experiência inspirou-a na criação dum dos seus mais famosos projectos literários: “Hasta não verte Jesus mio”.
O primeiro livro de ficção, publicado naquele mesmo ano, foi “Lilus Kikus”, uma recolha de contos, seguida no ano seguinte por “Tudo começou no domingo”. Em 1965, viajou para a Polónia e de lá enviou uma série de crónicas intituladas “Novedades”, que «questionavam o sentido da moral estabelecida, a justiça e, de um modo geral, o absurdo da vida».
Em 1964, ouviu uma mulher a gritar de um telhado na cidade do México. Tratava-se de uma lavadeira, o que a levou a descobrir o submundo da capital. Elena começou a reunir-se com ela, todas as quartas-feiras, para a entrevistar. A partir das notas tomadas durante essas reuniões, escreveu o romance “Hasta não verte Jesus mio”, publicado em 1969.
O reconhecimento internacional chegou com os livros que escreveu de modo narrativo e testemunhal, especialmente com “La noche de Tlatelolco” (1971), sobre o massacre, principalmente de estudantes, que aconteceu em Outubro de 1968 na Praça das Três Culturas. Em 1979, recebeu o Prémio Nacional de Jornalismo.
Além de escrever as suas obras, Poniatowska realiza muitas outras actividades. Visita universidades nos Estados Unidos e na Europa, colabora com diversas publicações, escreve prefácios, participa em lançamentos de livros e faz curtas-metragens. Pertence ao conselho editorial da revista feminista “Fem”, além de ser co-fundadora da Editora Siglo XXI e da Cinemateca Nacional.
Apesar das suas origens aristocráticas, ela foi sempre politicamente de esquerda e uma defensora dos direitos humanos. Nas eleições gerais do México em 2006, apoiou Andrés Manuel López Obrador, candidato da Coligação para o Bem de Todos, que tinha sido presidente da Partido da Revolução Democrática. Perante as críticas de alguns sectores, 24 autores estrangeiros de renome, entre os quais se pode destacar José Saramago (Prémio Nobel de Literatura 1998), assinaram uma carta de apoio. Nesse mesmo ano, participou juntamente com outros intelectuais, na assinatura de uma petição condenando os ataques israelitas ao Líbano. O embaixador de Israel no México acusou os signatários de apoiarem o terrorismo.
Em 2007, o governo da cidade do México, através do Ministério da Cultura, criou o Prémio Ibero-americano de novela Elena Poniatowska, dotado de 500 mil pesos.
Em 2011, foi criada a Fundação Elena Poniatowska com o objectivo de organizar, divulgar e preservar o arquivo histórico da escritora e da sua família, apoiar grupos sociais que Elena retratou nas suas obras e promover o debate público sobre a cultura mexicana. Em 2013, recebeu o Prémio Cervantes, o mais importante da literatura de língua espanhola.  

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