sábado, 7 de janeiro de 2012




EFEMÉRIDECarlos António Castro, jornalista, cronista social e escritor, morreu em Nova Iorque no dia 7 de Janeiro de 2011. Nascera em Moçâmedes (hoje Namibe), Angola, em 5 de Outubro de 1945.


Carlos Castro mudou-se para Luanda aos 15 anos, tornando-se repórter. Durante a adolescência, depois de alguns fracassos amorosos com brancas e negras angolanas, «constatou que era homossexual, porque se sentia mais atraído por homens do que por mulheres».


Em 1975, um ano depois da Revolução dos Cravos, Carlos Castro veio para Lisboa. Quando chegou à capital portuguesa, começou por ser transformista, participando em programas de televisão, entre eles “A Visita da Cornélia”, que o tornou conhecido e popular no meio artístico português.


Em 1977, estreou-se como cronista social na revista “Nova Gente”, onde assinou a página “Ziriguidum”, que deu muito que falar pela forma acutilante como criticava, sob o pseudónimo “Daniela”, as principais figuras do meio social português. Foi igualmente através da “Nova Gente”, que se estreou como organizador de espectáculos, estando à frente das quatro primeiras galas dos Troféus Nova Gente. Depois disso, dinamizou numerosas produções artísticas, como a “Grande Noite do Fado” e a gala “Noite dos Travestis”. Colaborou igualmente em vários órgãos da imprensa portuguesa, nomeadamente no “Correio da Manhã”.


Trabalhou como cronista durante mais de 35 anos, sobretudo com peças de “fofocas e mexericos” sobre músicos, actores e outras celebridades. Tornou-se ainda mais conhecido, depois de ter assumido publicamente a sua homossexualidade na televisão e de ter participado no programa Big Show SIC na década de 1990.


Entre os livros que publicou, salientam-se: “Solidão Povoada”, “As Mulheres Que Marcaram a Minha Vida”, “O Chique e o Choque”, “Desesperadamente” e “Ruth Bryden”.


Em 29 de Dezembro de 2010, Carlos Castro e o modelo Renato Seabra, de 21 anos de idade, partiram de Lisboa para Nova Iorque, a fim de «assistir a alguns shows na Broadway e passar a véspera de Ano Novo na Times Square». Um jornalista, que os acompanhou ocasionalmente durante a viagem, declarou mais tarde que «tinha assistido a certos atritos entre os dois homens durante o voo, mas nada o fizera pensar que alguma coisa de horrível pudesse acontecer».


Alojaram-se os dois no Hotel Intercontinental e, nos dias seguintes, foram ver um musical na Broadway, um filme e provavelmente outros espectáculos.


Na noite de 7 de Janeiro, combinaram encontrar-se com uma amiga e a filha na recepção do hotel. Em vez disso, apareceu só Renato que lhes disse: «o Carlos nunca irá sair do hotel». A senhora avisou imediatamente o pessoal e um homem da segurança. Ao chegarem ao quarto, no 34º andar, encontraram Carlos Castro morto e ensanguentado. Estava sem roupa, com sinais de agressão na cabeça e sexualmente mutilado.


Foi descoberto mais tarde que um saca-rolhas tinha sido utilizado para a castração e para lhe arrancar um dos olhos. A causa da morte, segundo o médico legista, tinha sido «um impacto contundente na cabeça e a compressão do pescoço». O examinador também observou que havia marcas no corpo, que revelariam que tinha sido torturado antes de morrer.



Quando a polícia procurou Seabra para o interrogar sobre o crime, já ele tinha desaparecido, sendo mais tarde assistido no St. Luke's-Roosevelt Hospital Center porque tinha tentado cortar os pulsos. Localizado e interrogado pela polícia de Nova Iorque ainda no hospital, Seabra admitiu o assassinato, afirmando que o tinha morto para se «livrar dos demónios homossexuais». Renato Seabra foi transferido em 10 de Janeiro de 2011 para uma prisão de alta segurança e o caso foi entregue ao procurador do condado de Nova Iorque.


As cinzas de Carlos Castro foram entretanto espalhadas perto da Broadway como era seu desejo, o que reforçou as suspeitas de que ele revelara às irmãs que sabia que iria morrer dentro de pouco tempo.


A defesa tem alegado perturbações psiquiátricas do seu constituinte, uma estratégia habitualmente com pouco êxito nos Estados Unidos. Depois de vários adiamentos por motivos processuais, o julgamento de Renato Seabra, que continua preso, está agora previsto para Fevereiro de 2012.

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